quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Pingos do Mindelo, em passagens do ano velho, entre 2012 e 2026

 * Victor Nogueira


 31 de dezembro de 2012
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ano novo
no ovo
do povo
ou
do polvo ?
.
a luta
em disputa
uma treta
a peta ?
.
aperta
a tarracha
.
ou vai ou racha
-
o voto bota
na bota
urna ou furna
de quem ?
Setúbal 2012.12.31
.
30 de dezembro de 2014 ·
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ISTO NÃO É UM POEMA MAS SIMPLES DESALINHAVADO
quem responde ao meu apelo
não será quem eu quero
e
quem eu quero não sei quem seja
.
os dias e as noites liquefazem-se
e o meu sorriso é uma máscara que se me colou à pele
.
dentro da máscara e para lá do sorriso
uma crisálida moribunda
na busca do desassombro das portas e janelas abertas
ao sol, ao vento, à maresia, ao viandante sem arnês, andarilho ou maltês ....
.
na ressaca das ondas vem um país pequenino
vazio, frio e cinzento
um país de meias tintas e lantejoulas de pechisbeque
e salamaleques com mil reverências a suas "insolências"
preso a séculos de sujeição, de inquisição e de pinas maniques
com o passado como tiques
e, mesmo na penumbra, com medo da própria sombra !.
Resta-me a recusa
de não ser capacho ou mata-borrão
e a afirmação
da não sujeição!
Dói e rói esta solidão pela recusa em ser a formiga no carreiro !

Mindelo 2014.12.30





30 de dezembro de 2022 · Auto-retrato no Mindelo, em 2022 12 30 , já noite cerrada e ruidosamente ventosa. - Prontus, hoje foi dia da tosquia, pois já me incomodava a barba, áspera ao toque. Mudei também o fundo fotográfico, A estatua era do meu avô Barroso, estava no quarto da minha mãe e depois dela falecer trasladei-a para esta casa que era dele, ao lado da reprodução duma obra que presumo seja de Lima de Freitas, representando Adão e Eva, desnudos, com uma criança desvaindo os olhos, tapados. Este era do meu tio José João.



 
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Dentro de mim ..
Dentro de mim,
ninguém por mim clama!
Sou o mono ou manipanso arrumado a um canto,
coberto de poeira, no fundo duma qualquer gaveta!
O tempo passou por mim
Com maior ou menor lentidão
E dele restam as marcas, mortalhas,
Um rast(ilh)o de pó e cinzas
Que não aquecem, arrefecem!
Sem calor nem viço a flama.
Ventoso e cinzento estava o dia
Mas de repente o vendaval amainou
E o sol descobriu, azulando a manhã.
Mas, porém, todavia, contudo …
… para lá da janela da vidraça do meu olhar
No campo verdejante
Com um renque de altaneiras árvores no horizonte,
no horizonte e no plaino abandonado ….
Um rast(ilh)o de pó e cinzas
Que não aquecem, arrefecem!
Sem a pena, com o dedilhar no teclado,
sem musa nem fusa,
resta o rasto de signos,
desemparelhadas formigas no carreiro,
sem o canto da cotovia.

Mindelo 2022 12 31


 31 de dezembro de 2022
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Ano Novo
Vida Nova,
por amarga que seja a prova.
A trova ...
... sem andor, sem ardor, sem calor,
ao léu o povoléu,
represo na teia da ferocíssima alcateia!


Mindelo 2022 12 31
Fotos victor nogueira

31 de dezembro de 2022
·
Uma brevíssima passagem para um aceno. Vivam a Vida com bom humor, amor, amizade, generosidade, alegria e fantasia, não esquecendo alguns trocos para os gastos! 🙃

30 de dezembro de 2014

31 de dezembro de 2022

Isto dos calendários e dos ciclos anuais tem que se lhe diga. Já não se diz 2023 dC (depois de Cristo) mas 2023 dEC (da era comum). Só que a era comum que se pretende impor continua a ser a Cristã/Católica Gregoriana, pois maometanos, judeus e chineses entre outros têm diferentes calendários. Tal como cada um de nós, cujo ciclo de vida inicia a contagem a partir do dia do nascimento.

Uma brevíssima passagem para um aceno. Vivam a Vida com bom humor, amor, amizade, generosidade, alegria e fantasia, não esquecendo alguns trocos para os gastos!

O CREDO DE SEMPRE - Acredito nos homens e nas mulheres, acredito na inteligência e capacidades, na igualdade apesar das diferenças. Acredito na força do pé descalço quando se libertar das amarras que o prendem. E acredito no respeito que todos devem merecer, excepto os que querem espezinhar, enganar e esmifrar o próximo para seu proveito e grandeza, mesmo que minúscula e feita de migalhas ou lentilhas, embora todos nasçamos nus e despidos e acabemos comidos pelos vermes, mesmo que embalsamados.

E com as mãos e a inteligência acredito que o pé descalço venha a ser capaz de construir um mundo com base na Liberdade, na Igualdade, na Solidariedade, na Justiça Social, na Paz e na Democracia, no respeito pela Natureza e pelo Meio-Ambiente. Sem necessidade de andar subserviente, de espinha curvada, olhos no chão e chapéu na mão com a outra estendida à Piedade e à Caridade na Esperança duma esmola de quem quer que seja, capataz, cacique, reizinho de paróquia ou patrão.


2024 12 30 / 2025 01 01
a guerra em dois autores - Victor Nogueira e Pe. António Vieira
É a guerra o monstro que ceifa a vida, de Victor Nogueira
É a guerra o monstro que ceifa a vida
Ruína as casas, viola a criança;
Velhos, novos, não fogem à matança,
No campo a seara é já perdida.
O fogo e a peste, em grande corrida,
Afastam do burgo a bela festança;
O mal, a vida e natureza alcança.
Só dos loucos pode ela ser querida.
Homens, mulheres, crianças, lutam
Por outro mundo novo construir;
Cantam rouxinóis, bem alto voam águias.
Na verde planura os cordeiros vivam;
Na festa, na eira, todos a bailar,
P'la paz lutando, sem demagogias.
setúbal 1989.09.06
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É a guerra aquele monstro (excerto), por António Vieira
(...) Começando pela desconsolação da guerra, e guerra de tantos anos, tão universal, tão interior, tão contínua: oh que temerosa desconsolação! É a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto mais come e consome, tanto menos se farta. É a guerra aquela tempestade terrestre, que leva os campos, as casas, as vilas, os castelos, as cidades, e talvez em um momento sorve os reinos e monarquias inteiras. É a guerra aquela calamidade composta de todas as calamidades, em que não há mal algum que, ou se não padeça, ou se não tema, nem bem que seja próprio e seguro. O pai não tem seguro o filho, o rico não tem segura a fazenda, o pobre não tem seguro o seu suor, o nobre não tem segura a honra, o eclesiástico não tem segura a imunidade, o religioso não tem segura a sua cela; e até Deus nos tempos e nos sacrários não está seguro. Esta era a primeira e mais viva desconsolacão que padecia Portugal no princípio deste mesmo ano.
(...) Que de tempos costuma gastar o Mundo, não digo no ajustamento de qualquer ponto de uma paz, mas só em registar e compor os cerimoniais dela! Tratados preliminares lhe chamam os políticos, mas quantos degraus se hão de subir e descer, quantas guardas se hão de romper e conquistar, antes de chegar às portas da paz, para que se fechem as de Jano? E depois de aceitas, com tanto exame de cláusulas, as plenipotências; depois de assentadas, com tantos ciúmes de autoridade, as juntas; depois de aberto o passo às que chamam conferências, e se haviam de chamar diferenças; que tempos e que eternidades são necessárias para compor os intricados e porfiados combates que ali se levantam de novo? Cada proposta é um pleito, cada dúvida uma dilação, cada conveniência uma discórdia, cada razão uma dificuldade, cada interesse um impossível, cada praça uma conquista, cada capítulo e cada cláusula dele uma batalha, e mil batalhas. Em cada palmo de terra encalha a paz, em cada gota de mar se afoga, em cada átomo de ar se suspende e pára. (...)
Pe António Vieira “Sermão Histórico e Panegírico nos Anos da Rainha D. Maria Francisca de Sabóia”

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Águas passadas não movem moinhos? Bem ... enquanto passaram podem ou não tê-los movido e assim ajudado ou não a produzir a farinha para o pão que alimenta o corpo sem o qual o espírito não existe. (Victor Nogueira)