* Victor Nogueira
2026 01 21 - Está um frio nórdico de rachar, com chuva e ventania, por vezes de rajadas tempestuosas!
Esta casa do Mindelo que era do meu avô materno tem amplas janelas e apanha sol o dia inteiro, embora ao entardecer seja rasteirinho, nas traseiras voltadas a Norte, que confinam com um campo agrícola até ao horizonte, onde as árvores derrubadas nos últimos tempos puseram a descoberto uma enfiada de edifícios brancos, a maioria instalações fabris, aparentemente não poluentes.
Colhido o milheiral, coberto o solo de relva verde, a nortada vem por aí abaixo, por vezes gélida e pluviosa. Assomando à porta da frente, virada a Sul, o céu está não poucas vezes azul e luminoso, enquanto nestes dias invernais é cinzentonho quando de seguida assomo à janela da cozinha ou à desta sala que é o meu posto de trabalho.
Na varanda da frente muitas vezes está uma temperatura agradável, enquanto na cozinha faz um frio de rachar, com o tubo ou conduta da chaminé amplificando assustadoramente o vento que sopra lá no topo.
Também em Setúbal, na Av. República Guiné-Bissau, morámos num apartamento duma enfiada de prédios com fachadas viradas a Norte (quartos de dormir) e a Sul (cozinha e sala comum), com vista desafogada para a cidade e o estuário do Sado, dum lado, e para Palmela, do outro. Então costumava dizer que de Inverno andávamos em mangas de camisa a Sul, enquanto teríamos de vestir um sobretudo quando nos deslocávamos aos quartos de dormir, a Norte.
Ainda falando de frialdades. 5ª feira passada à noite acabou-se-me o gás de botija. Na 6ª feira de manhã fui ao quintal para trocar a garrafa e, oh céus, estavam todas vazias. Imaginem o que é tomar chuveiradas de água gélida. Portanto, no fim de semana as abluções foram à gato. As botijas de gás costumam vir da Ribeirinha, um minimercado a dois passos, que está em processo de liquidação. Informaram a vizinha Amélia que só me podiam aviar uma na 4ª ou 5ª feira.
E assim tomei consciência da minha provecta idade. A vizinha Amélia, em minha defesa, disse a quem a atendeu ao telefone que o sr Victor já tem 80 anos e estava a tomar banho de água gelada. Vai daí, do outro lado exclamaram: "Ah, coitadinho do velhinho" e foram de propósito buscar uma botija que na 3ª de manhã já estava colocada no casinhoto do gás, no quintal, permitindo chuveirar-me com água quente. Por esta do "velhinho" é que eu não esperava!
Imagem gerada pelo Google Gemini com base em guião de minha autoria.
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Águas passadas não movem moinhos? Bem ... enquanto passaram podem ou não tê-los movido e assim ajudado ou não a produzir a farinha para o pão que alimenta o corpo sem o qual o espírito não existe. (Victor Nogueira)