quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

A poesia em 24 e 25 de Fevereiro (2014)

 * Victor Nogueira

24 de fevereiro de 2014 
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em casa minha
os
livros são como coelhos
e de joelhos
estou
do chão ao tecto
não em adorações
de andores
mas em arrumações
com dores
tarefa infinda
dia-a-dia
na berlinda
pum catrapum
setúbal 2014.02.24
24 de fevereiro de 2014 
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com mil olhos
e
dez mil bocas em cadeia
na verdade
sem vida
de interditos
benditos ou malditos
é
a cidade
entre dentes
a serpente
em surdina
setúbal 2012.02.24
24 de fevereiro de 2014 
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o cansaço
do baraço
às braçadas
é meu
teu
o
abraço ?
setúbal 2014.02.24
24 de fevereiro de 2014 
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tiritas
de medo
ou
de frio
não sei
e
não rio
setúbal 2014.02.24

24 de fevereiro de 2014

triste
traste
all-quebrado
e
cansado
vegetando
na ínsula
setúbal 2014.02.24
24 de fevereiro de 2022 
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É a guerra o monstro que ceifa a vida
Ruína as casas, viola a criança;
Velhos, novos, não fogem à matança,
No campo a seara é já perdida.
O fogo e a peste, em grande corrida,
Afastam do burgo a bela festança;
O mal, a vida e natureza alcança.
Só dos loucos pode ela ser querida.
Homens, mulheres, crianças, lutam
Por outro mundo novo construir;
Cantam rouxinóis, bem alto voam águias.
Na verde planura os cordeiros vivam;
Na festa, na eira, todos a bailar,
P'la paz lutando, sem demagogias.
Setúbal 1989 09.06


25 de fevereiro de 2014 
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hoje não falamos
de flores
nem de amores
ardores
ou andores
hoje falamos
dos nós
sem voz
lassos de embaraços
hoje falamos
de nós
(quase) todos
sem pauta
e
a malta
sem acordo
desafinando
e
desfiando
setúbal, 2014.02.24

25 de fevereiro de 2014 
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na festança
da abastança
o povo
com apneia
e a classe média
pequena ou média burguesia
com azia
todos proletários
os otários
ricos
os mafarricos
setúbal 2014.02.25

25 de fevereiro de 2014 
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abril
das águas mil
em maio
no funil
otário
na boca larga
o povo
'tormentado
no estreito
canal
em cornucópia
os cifrões
crescente
de bolsa
a(ba)rrotando
os salafrários
e
os
seus patrões
setúbal 2014.02.25

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Águas passadas não movem moinhos? Bem ... enquanto passaram podem ou não tê-los movido e assim ajudado ou não a produzir a farinha para o pão que alimenta o corpo sem o qual o espírito não existe. (Victor Nogueira)