* Victor Nogueira
Nos 50 anos do 25 de Abril os herdeiros do 28 de Maio armam uma bambochata, estilo, quanto pior, melhor!
1. - Terminado o inverno, com dias amenos, veio a Primavera, com dias chuviscosos, frios e cinzentonhos, com a neblina encurtando a paisagem para lá da vidraça. No parque verde, lá em baixo, ao sair da porta do prédio, quase num repente os ramos esquálidos das árvores de folha caduca cobriram-se de verde, um verde claro e brilhante, um verde esmeralda, em claro contraste com o tempo.
Como quase sempre, o silêncio rodeia-me, sem que lá fora se vislumbrem aves batendo as asas no céu cinzento, pombas ou gaivotas, abrigadas deste tristérrimo mau tempo. Olho novamente para lá da vidraça e constato que o nevoeiro se aprochega deste prédio sito no alto duma encosta. Mas lá em baixo, o verde esmeralda no parque mantém-se, até que os dias se tornem mais límpidos, cintilantes e amenos, com o regresso das aves, em bandos, pombas ou gaivotas, nos seus voos planados ou frenéticos!
2. - Naturalmente à manhã seguiu-se a tarde, a caminho do anoitecer. Uma tarde cinzenta, fria, de chuva miudinha e neblina, com as tiras de asfalto cintilantes com a película de água que as cobre, sobre as quais circulam com maior ou menor lentidão raros automóveis.
Há pouco alguém na vizinhança, talvez no piso inferior àquele em que estou, ouvia música possivelmente em altos berros. Não que a ouvissea não ser como longínqua, devido à minha relativamente fraca acuidade auditiva, mas porque o piso estremecia com as vibrações sonoras! Distinguia apenas uma batida forte e ritmada.
Montagem com Cartoon © @andre_carrilho DN 25 Abril 2020

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Águas passadas não movem moinhos? Bem ... enquanto passaram podem ou não tê-los movido e assim ajudado ou não a produzir a farinha para o pão que alimenta o corpo sem o qual o espírito não existe. (Victor Nogueira)