segunda-feira, 15 de junho de 2026

'Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto' (2019)

* Victor Nogueira

15 de junho de 2019 
Conteúdo partilhado com: Público

Foto victor nogueira em 2019.06.14 - nascer do sol em setúbal, no alto da torre no cimo duma encosta, como se fora uma ave no horizonte, e um poema de alberto caeiro, in O Guardador de Rebanhos
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Alberto Caeiro - XLIII
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Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.
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A recordação é uma traição à Natureza.
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Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
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Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!
7-5-1914
“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993). - 66.
“O Guardador de Rebanhos”. 1ª publ. in Athena, nº 4. Lisboa: Jan. 1925

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Águas passadas não movem moinhos? Bem ... enquanto passaram podem ou não tê-los movido e assim ajudado ou não a produzir a farinha para o pão que alimenta o corpo sem o qual o espírito não existe. (Victor Nogueira)