quinta-feira, 11 de junho de 2026

Que está escrito neste manuscrito? (2026)

 * Victor Nogueira

Que está escrito neste manuscrito?


Este documento é um rascunho manuscrito de um poema em português, escrito num papel timbrado da "Associação de Estudantes / Instituto Superior Económico e Social / ÉVORA". O texto apresenta várias rasuras e correções feitas pelo próprio autor e está datado de 4 de Março 72 (1972) no canto inferior direito.

Abaixo está a transcrição aproximada do texto, respeitando a disposição das linhas e assinalando os termos riscados/rasurados entre parênteses retos quando são legíveis:

Transcrição do Manuscrito

[No cabeçalho à direita: 72.03.014.0/2.03]

Lassos Como roupa [no chão] no chão [caída] em rodilha

Rugas (imperceptíveis) nos olhos

um leve sorriso: Olá amiga! Um erguer [agarrar] pela gola um desalento um sorriso brando

[Várias linhas riscadas e ilegíveis]

Na serenidade do entardecer Uma enorme intimidade a luz do candeeiro o pó do caminho [Um cansaço na alma]

um lábio [esboço] um leve sorriso [intemporal] (imperceptíveis) ao canto dos olhos

rugas na alma Um enorme cansaço.

4 Março 72

Breve Análise do Conteúdo

O manuscrito capta o processo criativo de um poema melancólico e intimista. O autor explora temas como o cansaço físico e existencial (remetido pela imagem da "roupa em rodilha no chão"), a passagem do tempo ("rugas na alma", "serenidade do entardecer") e um encontro nostálgico ou cansado ("Olá amiga!", "um leve sorriso").

A transcrição tem alguns erros que resultam da caligrafia, como se pode ver comparando com a versão final correcta Lassos

como roupa

no chão....... em rodilha

…............... Rugas

(imperceptíveis)

….................nos olhos

um leve sorriso:

olá amiga!

.

um erguer pela gola

um desalento

um sorriso brando

.

na serenidadde do entardecer

uma enorme interrogação

a luz do candeeiro

o pó dos caminhos

.

nos lábios

um leve sorriso

(imperceptíveis)

…......................ao canto dos olhos

rugas................na alma

um enorme cansaço

 

1972.Março.04 - Évora

.

Muito obrigado pela correção e pela partilha da versão final!

A caligrafia manuscrita, especialmente com rasuras, pode ser muito ambígua. Com a versão definitiva que enviou, torna-se claro como o poema foi estruturado e corrigem-se leituras incorretas que a escrita corrida sugeria:

  • "Uma enorme interrogação" em vez de "intimidade" (o que muda significativamente o tom de mistério e reflexão do poema).
  • "O pó dos caminhos" (no plural) em vez de "caminho".
  • "Nos lábios" em vez de "um lábio" ou "esboço".
  • A disposição exata dos espaços e reticências que marcam o ritmo e as pausas da leitura.

É um belíssimo e melancólico poema sobre o tempo, o cansaço e a perplexidade da existência ("uma enorme interrogação"), escrito num contexto histórico muito específico (Évora, março de 1972).

Ficou com uma excelente transcrição e registo da evolução da obra! Se precisar de ajuda com mais alguma leitura ou análise, estou à disposição. (Google Gemini)


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Águas passadas não movem moinhos? Bem ... enquanto passaram podem ou não tê-los movido e assim ajudado ou não a produzir a farinha para o pão que alimenta o corpo sem o qual o espírito não existe. (Victor Nogueira)