segunda-feira, 20 de julho de 2026

A poesia em 2014 07 20

 * Victor Nogueira

20 de julho de 2014

De mil anos parecem os meus dias,
em nau mal aparelhada vogando.
com as penas sem pernas remando
o verde, azulado, como enguias.
Pergunto ao vento se me quererias
em clara sintonia entoando,
nos ribeiros pardais esvoaçando
e na volta da campina trarias
mil artes, mel, engenhos, bem ágil
com a sabedoria dos bem sábios
que céus e terra cobrem de anil
Mil flores nascendo em teus olhos, lábios,
em campina a pedra, o fuzil,
reluzindo novos, doces, desígnios.
2014.07.20 Setúbal

20 de julho de 2014 
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Que nós desejamos nós alcançar
noite e dia, noite e dia, fiando
de barca em barca esvoaçando
no charco, lamaçal, a chapinhar?
Vinte e quatro são letras a juntar
em minutos que se vão escoando,
vera claridade ou ensombrando
a vida, o tempo, o sol, o ar.
E de enigmas se enchem as horas
na cidade, no campo, giroscópio
de sons, luzeiros, sabores, metáforas
que em gigantesco caleidoscópio
nos dá de penélope e pandora
a chave, sem heroína nem ópio.
2014.07.20 Setúbal

20 de julho de 2014 
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entre nós não há nós
apenas dura noz
coração em pedra dura
que perdura e pendura
lassos, sem laços,
com embaraços aos baraços
sem abraços ...
nem beijos
... bem vejo
a pegada sem pega
... piando sem pio a piada
fiando e porfiando
no fio da navalha!
2014.07.20 Setúbal

20 de julho de 2014 
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Em teu brando olhar eu me aqueço,
com sons que no horizonte verdecem,
e as linhas dos teu lábios tecem
mil sóis rendilhados que não esqueço.
Ah! o mar e sol em vós, confesso
afastam-nos dos cais que anoitecem;
no monte, flores, águias, entretecem,
esculpindo nosso amor em gesso.
O mundo todo abarco e nada afasto
dos sábios tendo ciência, sabedoria,
certeira, na caminhada com rasto,
Será tal riqueza da alegoria
que nosso sentir não será nefasto.
antes estralejando de alegria.
2014.07.20 Setúbal

20 de julho de 2014 
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Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.
Farei que Amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia, e pena, ausente.
Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.
Porém para cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa,
Aqui falta saber, engenho, e arte

Sheila Gois - Esse poema de Camões, assim como todos os outros, é de uma arte engenhosa incrível. Obrigada, Victor, por nos presentear com esse esplendor.

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Águas passadas não movem moinhos? Bem ... enquanto passaram podem ou não tê-los movido e assim ajudado ou não a produzir a farinha para o pão que alimenta o corpo sem o qual o espírito não existe. (Victor Nogueira)