* Victor Nogueira
Serrana é, moça bela
moça bela d'encantar
com ela estou à janela
navegando a sonhar.
Navegando a sonhar
sigo o meu pensamento
buscando a nau no mar
que não seja um tormento.
Que não seja um tormento
do vale subind'a serra
fresca brisa com o vento
sem levantar pé-de-guerra.
Sem levantar pé-de-guerra
com docinho deslizante
certeza de que não erra
meu sentir refrigerante.
Meu sentir refrigerante
na passada vai surgindo
precioso o diamante
que em dia vai clarindo.
2014.07.21 Setúbal
Foto victor nogueira - O forte, a baía e a penísula de Troia
É Tróia estreito braço de terra
entre o rio e o mar oceano
de erva rasteira, sem abrigo, plano,
lingua de areia aos pés da serra.
Sua história velha encerra
ruínas, cetárias, templo romano,
Cetóbriga, garum, cesariano,
coberta pelo areal, com terra.
Tal era do povo, mas foi roubado,
com casino, hoteis, apartamentos,
o espaço, a praia, privatizado.
Feriando mal grandes são os lamentos,
com arrozais, palafitas, no sado.
a Comporta fechada, em tormentos.
2014.07.21 Setúbal
Perguntas porque estou ausente, sério,
sentado, contigo, na esplanada,
entretecido em malha parada,
como se no ar houvesse mistério.
A chave da caixa está no saltério,
não frente-a-frente mas lado-a-lado
com o gesto bem articulado
buscando em nós suave minério;
flor, roseiral, de juntos na jornada
reconhecernos nossa voz, teus passos,
sem que minha alma ande penáda,
presa no silêncio dos teus laços.
sem o gesto, o verbo, a chamada,
destemido rio sem embaraços.
Setúbal 2014.07.21
a partir dum soneto de Maria João de Sousa
Aquela casa à beira-mar plantada
cheia de sol,ar, sal e maresia,
com extenso areal onde cabia
o mundo numa risonha jornada
Palmilhando ridente caminhada
que de folguedos, jogos,se fazia.
com vasto horizonte a estadia.
sem medos, receio, da trovoada.
Grande calor, abafado verão,
logo seguido do fresco cacimbo,
nas ondas correndo a viração
De palma, estacaria, o quimbo,
seus pescadores na ondulação
lançam rede, luzindo seu cachimbo.
Setúbal 2014.07.21

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Águas passadas não movem moinhos? Bem ... enquanto passaram podem ou não tê-los movido e assim ajudado ou não a produzir a farinha para o pão que alimenta o corpo sem o qual o espírito não existe. (Victor Nogueira)