* Victor Nogueira
Em Sintra o promontório da lua,
de verde manto coberto, leve,
é na serra-mãe a urze que ferve,
parque dos poetas, p'la mão tua.
Na barca da ribeira, a falua,
de pombal em Alfama solta a lebre,
no jardim, sem Ajuda, com a febre.
indo por vezes eu em arrecua,
No areal soam, marulham, as ondas,
que em Cetóbriga mal as ouvimos,
a teus pés o mar, gaivotas redondas.
Sem arte, sem sol, em malabarismos,
com esperança, em ti lanço as sondas,
buscando teu coração, com verismos
2014.07.21 Setúbal
Sem que meu sentir por ti nós juntemos,
em roda viva p'la Europa voas,
o céu, a terra,querem tuas loas,
que em serrania, no vale, cantemos.
Restando as penas, ficam torresmos,
sem faunos ou sereias, mal entoas.
No aeroporto estou, sem broas,
meu escribar sem pernas, solecismos
Do passado ficam mil, as toadas,
que na jornada bem ou mal lembram:
são desencantos,tristezas, pegadas,
Mas também alguns, os cantos que soam;
no tempo foram belas serenatas,
Quais serão as que em nós sem fel, troam ?
2014.07.22 Setúbal
Sardinhas, salada, café sem nata.
lá no largo da Fonte Nova comemos,
sem que de nosso sentir falemos.
No Troino mal se ouve a serenata.
Sério, dirás. eu te fitava, sem nada
dizer, falando coisas de somenos,
calando, bem fundo, o que nós vemos;
voando do prato a passarada.
Por ti encantado à minha frente,
o teu olhar, o teu sorriso, teu brilho,
em ti, de Eva, surgindo a serpente.
Enredando minha fala em sarilho;
contando estamos, sem um repente,
que em nós faça canto, com atilho.
2014.07.22 Setúbal
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Águas passadas não movem moinhos? Bem ... enquanto passaram podem ou não tê-los movido e assim ajudado ou não a produzir a farinha para o pão que alimenta o corpo sem o qual o espírito não existe. (Victor Nogueira)