sábado, 12 de setembro de 2026

Cavaco, Sócrates, a tanga e a lata com passes de coelho e gato por lebre (2010)

 


Ciclo da mosca varejeira


Irmãos Dalton (Goscinny)

* Victor Nogueira

Com  alguma pompa Cavaco que já havia desvendado o seu tabu por interposta  pessoa lançou a sua candidatura à Presidência da República e respectivo  programa, em notícia de página inteira mas par, no Público de Belmiro de  Azevedo que o apoia, com relevo para o carinhoso beijo de Manuela  Ferreira Leite, de má memória enquanto Ministra das Finanças e da  Educação e autora da célebre opinião de que a  Constituição deveria ser  suspensa durante seis meses para pôr a casa em ordem. Se não foram estas  as palavras, o sentido é este.



Pois  na sua comissão de honra figuram além de José Miguel Júdice, distinto e  poderoso advogado da Praça, Ramalho Eanes e outras ilustres personalidades como Adriano Moreira, Ministro no tempo do fascismo e Basílio Horta, ambos do CDS do qual foram altos dirigentes, Alberto João Jardim, o desbagrado "democrata" da Madeira que agora está com o Senhor Silva cuja expulsão do PSD defendeu veementemente, Américo Amorim (o Homem mais rico de Portugal), Bagão Félix, do Governo PSD/CDS, Belmiro de Azevedo (dono do Público e o 2º Homem mais rico de Portugal e um dos mais ricos do Mundo), Diogo Freitas do Amaral (ex alto dirigente do CDS e ministro do PS), Eunice Muñoz, Álvaro Cassuto, Eusébio, Fernando Faria de Oliveira (da CGD), Francisco Moita Flores, Filipe de La Féria, Francisco Pinto Balsemão (dono do Expresso e de outros jornais de referência), João Pereira Coutinho (outro milionário português), João Salgueiro (importante banqueiro), José Veiga Simão (ministro do fascismo e de governo PS), Leonor Beleza, Mafalda Arnauth, Simone de Oliveira, Vasco Graça Moura e Zita Seabra, entre outros.

 Cavaco/PSD  aprofundou a política de recuperação capitalista iniciada por Mário  Soares e ainda mais agravada por Sócrates/PS,  continuando no PSD cujo  líder já declarou  publicamente aceitar ser mandarete ou moço de recados  do FMI e do directório franco-alemão. 

Na  apresentação da sua candidatura Cavaco faz a quadratura do círculo:  elogia os seus governos PSD, de aluno obediente da União Europeia (e do  neoliberalismo) atacando os anos "perdidos" por Sócrates/PS, prometendo  levar Portugal para o bom caminho ! O Homem que acelerou a privatização  dos sectores estratégicos da economia portuguesa,  que os privados  desmantelaram, o Homem que permitiu a proliferação das universidades  "privadas", quase todas envolvidas em escândalos e algumas encerradas, o  Homem cujos colaboradores se vão governando, alguns envoltos em fumos  de escândalo sem fogo, em empresas privadas ou públicas e na Banca, de  mão dada com boys e girls do PS e do CDS, o Homem que apadrinhou o  "acordo" PS/PSD para aprovação do miserável Orçamento de Estado depois  de vários Planos de Estabilidade e Crescimento que são o contrário do  que os nomes dizem, vem armar-se em Paladino do Estado Social e  indignar-se com "as intoleráveis desigualdades sociais e assimetrias  regionais  (que)  têm vindo a agravar entre nós". O discípulo tecnocrata e obediente  das teses neo-liberais, considera "alarmantes os números do desemprego"  ,  um flagelo social que ele ajudou a criar e promete combater  proiritáriamente ... com a mesma cartilha!

O   Homem que acusava a Oposição de ser uma força de bloqueio,   referindo-se às passeatas do então Presidente da República Mário   Só-Ares,vem agora defender uma "magistratura activa" seja com o PS seja  com o PSD, pois"é fundamental que os portugueses confiem nas  instituições [quais?] e nos seus dirigentes políticos".

O  Homem que esteve na 1ª linha do ataque ao Serviço Nacional de Saúde, ao  Ensino Público e à Segurança Social em benefício da banca privada e da  especulação financeira, vem agora, mantendo a fé nos princípios  neo-liberais, defender que " a todos assiste o direito de possuir uma  protecção na dornça, na velhice e no desemprego".

É  preciso lata e falta de pudor ! Mas o triste é que com o seu voto  suicida a maioria dos portugueses e portuguesas  não vejam a nudez e a  falsidade do PS/PSD/CDS e seus moços  e moças de recados, votando sempre  para ainda mais do mesmo, permitindo apenas a alternância das moscas.

Publicada por Victor Nogueira   em Quarta-feira, Dezembro 01, 2010    


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Ana Albuquerque - O homem que esbanjou dinheiro como se não houvesse amanhã, o homem que não vê mais nada a não ser ele próprio, o homem que personifica a política em tudo o que esta tem de pior.

E neste país surrealista, este é o homem que vai ganhar.

Bom texto Victor.

Francisco Santos - o ciclo de incubação da mosca, está correto !mas a grande maioria do povo não vê , ou não quer ver? o ciclo está prestes a completar-se, um governo,e um presidente ! está na hora do zé povinho abrir os olhos antes que seja tarde demais !!!!...

José Eliseu Pinto - A lucidez do costume, merecedora de uma "pequena" correcção: o Lobo Antunes da comissão de honra não é o António (coisa que me daria um profundo desgosto) mas o mano João, aliás, reincidente.

Sublinhado de passagem para o requinte da ilustração. Abraço grande.

Victor Barroso Nogueira - Ok, Zé. Correcção efectuada !

Carlos Rodrigues - As larvas e os moscardos andam sempre à babugem dos doces e dos pastéis de Belém.O que seria natural era que qualquer candidato a Pasteleiro - Mor os enxutasse,, o que não se verifica, muito pelo contrário, acarinham - se e convidam-se a juntarem-se à função para que as suas larvas procriem livremente, o pior de tudo é que o fará, com a benção de mais de metade dos eleitores, venha alguém, habilitado, que explquer este amor aos insectos.

Manuela Miranda - Amigo eu não gosto mto de politica, apesar de termos que viver com ela. Não sei comentar, é assunto que não gosto nem sei discutir. Sinto-me pouco esclarecida, porque ouço pouco, hã quem ouça muito dizem o mesmo que eu. Sei que este Mundo tem mta coisa má e que o nosso país n está bem. Bjs amigo. Computador a partir de amanhã.

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Águas passadas não movem moinhos? Bem ... enquanto passaram podem ou não tê-los movido e assim ajudado ou não a produzir a farinha para o pão que alimenta o corpo sem o qual o espírito não existe. (Victor Nogueira)