quinta-feira, 23 de abril de 2026

A poesia em Abril 23 (2016)

 

23 de abril de 2016 
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RETRATO EM CINZENTONHA TARDE
Quem tu és não sei
e o teu nome me dirás ?
Na avenida lá em baixo
com esparsos carros
- despida -
para lá do parque verde
A voz coriácia
como nós
Lassos e com embaraços
os abraços
Sem pão a mão
só, no desvão
em guarda-pó
Parado o arado
sem vida
não fia nem porfia
setúbal 2016.04.23
foto victor nogueira - setúbal - escultura no largo da fonte nova
Escultura de Jorge Pé-Curto representando a operária conserveira Mariana Torres, assassinada pelas forças policiais em setúbal durante uma greve, conjuntamente com António Mendes, a 13 de Março de 1911. Curiosamente atacados na altura pela feminista e republicana Ana de Castro Osório, que estava posicionada do lado do patronato contra quem o operariado setubalense lutava por melhores condições de vida e de trabalho.

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Manuela Vieira da Silva Sentada no degrau gelado De uma porta qualquer Salpicada de migalhas Da côdea do pão Que passou de mão em mão. MGS 10 a

Judite Faquinha
Camarada Victor lindíssimo poema... a escultura para mim seria perfeita se o rosto de mulher não tive-se os olhos vendados, beijokinhas ❤
9 a
Victor Barroso Nogueira
Judite Faquinha Trata-se da operária conserveira Mariana Torres, assassinada pelas forças policiais em setúbal durante uma greve, conjuntamente com António Mendes, a 13 de Março de 1911. Curiosamente atacados na altura pela feminista e republicana Ana de Castro Osório, que estava posicionada do lado do patronato contra quem o operariado setubalense lutava por melhores condições de vida e de trabalho.
9 a
Judite Faquinha
Obrigada querido camarada amigo Victor, mais uma História , que eu desconhecia, do meu DISTRITO...como saberia se foi antes do nascimento do meu pai, que foi em 1921...por isso a operária conserveira Mariana lhe vendaram os olhos era o símbolo da escravatura!!! beijokinhas amigo ❤
9 a

Tarde soalheira entre o Cais das Colunas e a Ribeira das Naus, em Lisboa (2017)

 * Victor Nogueira

23 de abril de 2017

foto Victor Nogueira em Lisboa, numa tarde soalheira e luminosa, hoje, enquanto passava de carro. Quem é não sei, apena "mulher de branco ao telefone e à beira-tejo, na avenida da Ribeira das Naus."

2017 04 23 Foto victor nogueira - Tarde soalheira entre o Cais das Colunas e a Ribeira das Naus, em Lisboa


Nos 46 anos do 25 de Abril (2020)

  

* Victor Nogueira 
23 de abril de 2020
 
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A percepção da duração do tempo é relativa e dependerá da vivência de cada um de nós. Em 1973, os 48 anos do fascismo pareceriam uma eternidade para quem nesse tempo tivesse vivido ou vegetado. Em 2015 falar nos 41 anos de Abril, para quem o vivenciou, é falar dum tempo que para muitos foi ainda ontem, ao virar da esquina ao alcance da mão e da voz, no sorriso duma criança, é falar dum tempo que nasceu das lutas, do inconformismo, da solidariedade, da generosidade e do sonho.
Letra para um hino, por Manuel Alegre (do tempo em que Alegre ainda era uma das vozes da Resistência, hoje acomodada)
É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.
É possível andar sem olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não grita comigo: não.
É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Nos 49 anos do 25 de Abril (2023)

 


* Victor Nogueira

21 de abril de 2023 
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Em 1974, 48 anos de fascismo eram uma eternidade, num tempo de chumbo, sombrio, de cinzas e âncoras em cadeia. Naquele dia 25 de Abril o calor encheu e deu cor às ruas, numa torrente irresistível, anunciando que o futuro começava ali, ao virar duma esquina, no sorriso duma criança.
49 anos depois a memória daquela madrugada perde-se na neblina dos tempos e nenhuma criança sorri e corre dentro de mim, nos tempos sombrios que ensombram o que foram os sonhos de muitos de nós. Como dizia Eugénio de Andrade:
«Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
Eugénio de Andrade - Poesia e Prosa, 1987, Círculo de Leitores.
Imagem - Cartaz da CM Amadora - 49º aniversário de 25 de Abril

o candeeiro na escuridão. (2025)

 


* Victor Nogueira

21 de abril de 2025

Uma rua estreita, perto do castelo, e uma candeia, lá no alto, que pouco alumia. O passante, talvez com ânimo que assim esfria, ou não! Depende do objectivo e motivo do seu pass(e)ar


2025 04 21 Foto victor nogueira - Torres Vedras -  o candeeiro na escuridão F1070051

segunda-feira, 20 de abril de 2026

A neblina do tempo e da(s) memória(s) (2023)

 

* Victor Nogueira

21 de abril de 2023

A neblina do tempo e da(s) memória(s) - “O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.(Roland Barthes) - Foto MNS - Parque do Bonfim, em Setúbal, c 1982

sábado, 18 de abril de 2026

No Mone da Arouca (2019)

 


* Victor Nogueira

18 de abril de 2019

No monte da arouca (unidade colectiva de produção soldado luís), em Vale de Guiso, Alcácer do Sal, nas margens do Rio Sado, cerca de 1975 - junto à fonte de água potável (que abastecia as casas dos trabalhadores) e do tanque colectivo de lavagem da roupa - a Celeste e Eva bebendo água do cocho. À direita e à esquerda, os cântaros para transportar a água, à ilharga ou à cabeça.  (Foto Victor Nogueira)

A primavera ressurge no Parque Verde da Lanchoa (2016)

 


* Victor Nogueira

18 de abril de 2016

foto victor nogueira - A primavera ressurge no parque verde da lanchoa - as árvores de folha caduca vão reverdecendo e por entre o relvado aqui e ali sobressaem manchas floridas no branco ou amarelo das pétalas de pequenas flores. E, na base duma única árvore reparo, pela 1ª vez  numa "miríade" de cogumelos por entre as nodosas raízes que afloram à superfície, como ilhotas mais ou menos disformes. A tarde, essa está cinzentonha e abafadiça.

foto victor nogueira - A primavera ressurge no parque verde da lanchoa, em Setúbal

quinta-feira, 16 de abril de 2026

A poesia em Abril 16 (2012)

 * Victor Nogueira

 de abril de 2012 
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Com palavras
lavras
de silêncio o caminho
sem dó
sustenido
Setúbal, 2012.04.16

NOS 40 ANOS DO 25 DE ABRIL 04 - O POVO NA RUA (2014)


* Victor Nogueira

16 de abril de 2014

NOS 40 ANOS DO 25 DE ABRIL 04 - O POVO NA RUA - A “maçadoria”, as pensões e os salários e a promessa

Na ditadura do Capital Salazarento o patronato pela voz de Passes de Coelho & Portas Seguro faria as suas "conversas em família" e as suas "narrativas" sem contraditório, com sindicatos atentos, veneradores e agradecidos a V.Exa por obra e graça da polícia política. Mas houve a chatice do 25 de Abril e do povo sair à rua desobedecendo ao MFA. 

Os verdadeiros heróis do 25 de Abril não foram Otelos, Spínolas, Salgueiros ou Maias Lourenço. Foi o Povo na rua, cercando e neutralizando três importantes pilares do regime: a PIDE, a GNR e a Cavalaria e seus tanques.

Bem pode a trindade Eanes/Sampaio/Mário Soares, ex-presidentes da República, dizer que o 25 de Abril já não divide a direita e a esquerda, que é consensual a aceitação das suas positividades. 

É falso. Eanes/Soares/Maia são homens do 25 de Novembro, o tal que finalmente de mãos dadas com Spínola, após 28 de Setembro e 11 de Março, retirou o Povo da Rua e dos Campos do Alentejo e das Fábricas ocupadas dando origem ao Estado Súcial do súcialismo em Liberdade. A Liberdade do grande Capital económico-financeiro, nacional e transaccional da "Europa Connosco", a d€£€$.

 

POLÍTICOS somos todos NÓS (2012)

 * Victor Nogueira

16 de abril de 2012

POLÍTICOS somos todos NÓS que a cada minuto fazemos POLÍTICA por accão ou por omissão, e não apenas os governantes que a maioria lá "BOTA", em baile mandado e com a maioria sempre para o mesmo. Não são todos os deputados e governantes filhos da mãe mas também e sobretudo do BOTO que os pariu e almenta; a dívida é dos banqueiros que com a ajuda de paus mandados privatizam os lucros e socializam os prejuízos para que especuladores e banqueiros continuem, a comer à tripa forra. COM O VOTO OU ABSTENÇÃO DA MAIORIA mas NÃO COM O MEU nem com o de algumas centenas de milhar

Gaeiras (2020)

 * Victor Nogueira


foto victor nogueira - Gaeiras (Caldas da Rainha) Largo de S. Marcos 1998.02 (rolo 222)

16 de abril de 2020

Gaeiras - A caminho das Caldas, situa-se esta povoação, cujo nome resultaria do facto de nela existirem caieiras ou caiadeiras. A terra é também conhecida pelo célebre vinho com o seu nome. 

No largo de S. Marcos encontramos um coreto, casas modestas e duas casas senhoriais, uma delas a Quinta da Ermida e a outra a Quinta das Gaeiras, similar a um solar francês, pintada de amarelo ocre, tal como a pequena ermida de S. Marcos; a côr amarela é a marca dos seus proprietários, os Pinto Basto, e encontramo la noutras casas de habitação, mais modestas, num fontenário, numa degradada casa de dois pisos num largo arborizado e, mais adiante, nas instalações vinícolas. 

Mais adiante a modesta Igreja de N. Sra. da Ajuda, onde encontramos a sra. D. Clarisse, professora primária aposentada e de ar senhorial embora filha de motorista dos senhores da terra, que nos conta histórias da terra e dos seus donos.  

Perto, numa rua estreita, alguns edifícios de dois pisos são-nos referenciados como um antigo hospital, com doze camas, hoje transformado em casas de habitação.

Nos arredores, à entrada de quem vem de Óbidos, perto da casa rural da Quinta das Janelas,  visitamos as ruinas do Convento de S. Miguel das Gaeiras, cujos frades inicialmente estavam em Peniche donde vieram por temor dos assaltos dos piratas, sem que por isso desistissem das oferendas forçadas dos pescadores e doutras mordomias, tudo para glória de Deus. Na fachada do edifício devassado, de cujo interior têm roubado painéis de azulejos, sobressaem uma imagem do Arcanjo S. Miguel e dois outros painéis de azulejos, um representando S. Roque e outro S. Barnabé, encimados por uma imagem de S. Miguel, colocada em nicho. 

É impossível penetrar no edifício, com aberturas emparedadas, pelo que me limito a rodeá-lo; tem uma aprazível mata e nas traseiras um arco, uma fonte monumental e uma casa de fresco, tudo muito degradado, com incrustações e azulejos vandalizados. 

Da toponímia registo as ruas da Bomba de Água, do Vale dos Ventos, das Escolas, da Ermida, do Lugar de Além e Principal, bem como a travessa da Rua Principal. (Notas de Viagem, 1998.01.14 e 1998.02.07)

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Em Luanda, no Bairro do Maculusso (2020)

 

* Victor Nogueira

15 de abril de 2020

Foto de família - em Luanda, no Bairro do Maculusso, depois do triciclo e do carro de pedais, esta  foi a minha 1ª bicicleta, de que me não lembraria se não fosse esta foto. Mais tarde, já na Praia do Bispo, os meus pais ofereceram a mim e ao meu irmão uma bicicleta, para cada um de nós. 

Depois disso, embora nunca tenha deixado de saber andar de bicicleta, nunca mais tive uma, ao contrário do meu irmão que já  adulto em Lisboa teve uma. Faz-me impressão e não consigo andar de bicicleta no meio do trânsito automóvel citadino.

Aprendi a equilibrar-me num dia, no Parque Florestal da Ilha do Cabo, em Luanda. Cheguei ao fim desse dia esfolado e com nódoas negras das quedas, mas levei a minha avante.

NOS 40 ANOS DO 25 DE ABRIL - 03 - A CENSURA PRÉVIA DA IMPRENSA (2014)

 


* Victor Nogueira

15 de abril de 2014

NOS 40 ANOS DO 25  DE ABRIL - 03 - A CENSURA PRÉVIA DA IMPRENSA - ouve o Noticiário RTP do dia 25 de Abril de 1974 em 

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/noticiarios-sobre-a-revolucao-de-25-de-abril-de-1974/

Tivesse o povo de Lisboa obedecido às instruções do MFA, não tivesse saído à rua e cercado o quartel-general  da GNR no Carmo e a sede nacional da PIDE e spínola e os seus oficiais teriam mandado o MFA recolher aos quartéis, recebendo o poder de Marcelo para que este não caísse na rua e se tivessem mudado apenas algumas moscas. Mas o povo que saíu à rua  e deu os primeiros passos  para a tomada do poder foi mais sábio que o MFA e o seu Posto de Comando. Para desespero de Spínola e de Marcelo Caetano. E do Capital !.

O República foi o 1º jornal a ser publicado sem visto da censura prévia  após 48 anos de fascismo, repressão e ausência de liberdades e 13 de guerra colonial..  Durante esses 48 anos apenas a imprensa clandestina, como o Avante, do PCP, eram publicados sem submissão à censura prévia, distribuídos e lidos "clandestinamente. A publicação, distribuição e leitura dos livros "proibidos" e da imprensa clandestina como o Avante eram punidos com a detenção pela Pide para averiguações, com a prisão e mesmo a tortura.

terça-feira, 14 de abril de 2026

A poesia em Abril 14 (2015)

 ª Victor Nogueira

Está Penélope ausente
em roda viva
e a ruína não pressente
Abandonada a teia;
em areia se desfaz.
sem nós a voz
É o coração atroz.
De palavras vãs
se branqueiam as cãs.
2015.05.14 - setúbal