quinta-feira, 5 de março de 2026

Pingos do Mindelo em dia invernal e nos dias finais

 

* Victor Nogueira

De súbito, de ontem para hoje, o dia esteve muito frio, pluvioso e ventoso, por vezes em rajadas, com o céu pejado de nuvens com várias tonalidades de branco acinzenttado. Amanhã e durante o fim de semana o tempo melhorarámas para 2ª feira, dia programado para retornsr à beira Sado, está previsto o regresso da chuva.

Terminei de ler o volumoso 'Por Dentro do Chega . A face oculta da extrema-direita em Portugal. de Miguel Carvalho. Dizia a publicidade que a sua leitura era um murro no estômago. Na verdade, nada do que lá e exposto é para mim novidade. Com maior ou menor frequência o mesmo sucederá nos partidos da central de negócios e  negociatas, embora na agremiação do Mestre André se  atinja o 'ground zero', entre miliantes, incluindo fundadores e dirigentes aos vários níveis, com 'facadas', expulsões, subserviências, dissidências, saídas, carreirismo e traições, sem esquecer o crescente culto da personalidade em torno do líder.

O livro divide-se em quatro capítulos, antecedidos dum Prólogo. Cada uma destas cinco partes é antecedida duma foto a preto e branco, em cada uma delas figurando o líder messiânico. Os quatro capítulos são designados de acordo com os lemas do Chega: 'Deus, Pátria, Família e Trabalho'. Supus que cada um dos capítulos reflectisse as posições do partido  sobre cada um dos temas, mas isso não é a realidade. Dum modo geral estes capítulos registam os testemunhos de militantes, dirigentes e fundadores, quer no activo, quer em dissidência, bem como alguns dos mais ou menos generosos financiadores. Contrariamente à ideia propalada, há não pouco pessoal com cursos superiores: advogados, engenheiros, professores universitários ... Entre os financiadores estão não poucos agentes imobiliários

Não sei sei serão da chamada 'geração mais qualiicada', que inclui Passos Coelho, Miguel  Relvas e José Sócrtates. Mas da velha guarda há no livro  o testemunho dum professor universitário catedrático, no ISCSP, António de  Sousa Lara, que 'boicotou' a candidatura a um prémio literário do  livro "Evangelho Segundo Jesus Cristo" de José Saramago. Sousa Lara era na altura  Sub-secretário de Estado da Cultura dumo Governo de Cavaco Silva, que posteriormente, em 2026, o condecorou, enquanto Presidente da República,  com a Ordem do Infante D. Henrique,por  «serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro»., Em 1992, Sousa Lara havia censurado a obra de José Saramago, atrás referida, impedindo a candidatura da mesma ao Prémio Literário Europeu por considerar que o livro "não representa Portugal". Pois o testemunho de Sousa Lara recolhido por Miuel Carvalho é duma pobreza confrangedora. Sosa Lara foi um dos 'ilustrs' ifrólogos do Chega, até que, eventualmente mensprezacdo, o abandonou em rota de colisão. Tal como posteriormente Gabriel Mirthá Ribeiro, também investigador e professor universitário.  Sousa Lara, um dileyante,  'anarquista' pois tem de admnistar a fortuna da família, depositada na Suiça, entre baboseiras consegue dizer algumas aceradas Entre os fundadores, apoiantes ou militantes do Chega figuram evangélicos, católicos ultraconservadores e alguns membros da Maçonaria

Mas nas páginas finais do livrro de Miguel Carvalho surgem alguns testemunhos sobre as razões e caracterização do eleitorado do Chega e do seu 'sucesso' e penetração ente a juventude e os 'desildudos' e abandonados pelas políticas do Centrão PS / PSD. Segundo esses testemunhos muitos, atraídos nas redes sociais,  valorizam as conquistas de Abril e ao cardápio do Chega vão buscar umas 'ideias' e rejeitar outras, contraditoriamente.  Como dizem alguns desses depoientes ostracizar a maioria desses 'seduzidos' e 'enganados' pelo Chega é contraproducente, servindo para acantoná-los'wm trincheiras.  Apenas uma outra política que não a do PS/PSD/IL & Chega permitiria 'reconquistá.los'

Morreu António Lobo Antunes. A minha memória já n~so é o que era, mas seguramente li alguns dos seus romances, que figuram na minha biblioteca, em Setúbal, embora não consiga de momento precisar quais. Terei gostado das primeiras obras, com a guerra colonial portuguesa como pano de fundo. Para além de achar que tinha um  ego do tamanho do Mundo, os seus romances eram, não puucas vezes, duma leitura difícil- Apreciava deveras as suas Crónicas na imprensa, reclhidas em vários volumes ao longo dos anos. Também o que me ficou de Lobo Antunes foi o desprezo por José Saramago e a 'mágoa de não ter sido ele o Nobel da Liberatura, sem esquecer o seu deslumbramento ao receber o Prémio Camões em 2007, o galardão literário mais importante da língua portuguesao, o mesmo com  que Saramago fora homanageado em 1995

Outros cronistas que aprecio são António Sousa Homem, autor das 'Crónicas do Moledo', e Miguel Esteves Cardoso, especialmente o MEC dos primeiros tempos, e José Eduardo Águalusa.

Sobre os cronistas atrás referidos ver no meu blog D'Aqui e D'ali as etiquetas

https://daliedaqui.blogspot.com/search/label/Ant%C3%B3nio%20Lobo%20Antunes

https://daliedaqui.blogspot.com/search/label/Ant%C3%B3nio%20Sousa%20Homem

https://daliedaqui.blogspot.com/search/label/Miguel%20Esteves%20Cardoso

https://daliedaqui.blogspot.com/search/label/Jos%C3%A9%20Eduardo%20%C3%81gualusa

Imagens geradas pelo chatGPT segundo guiões da minha autoria

1. - O texto deste post, que deu origem à gravura seguinte



.2. - Face ao resultado, 'encomendei' outra gravura com um outro guião: um homem idoso sentado defronte a uma secretária. O homem, pensativo, tem barba branca e cabelo grisalho. Escreve num computador. Á esquerda um livro aberto. Á direita uma pilha de livros e alguns jornais. Ao fundo uma estante com as prateleiras cheias de livros. 

É este último que serve de abertura a estes 'Pingos do Mindelo'

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Águas passadas não movem moinhos? Bem ... enquanto passaram podem ou não tê-los movido e assim ajudado ou não a produzir a farinha para o pão que alimenta o corpo sem o qual o espírito não existe. (Victor Nogueira)