Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Lenda das Obras de Santa Engrácia

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Carlos Rodrigues
Não conhecias a lenda,Maga ? É bem bonita. O Arquiteto foi condenado e disse-se sempre inocente do que quer que fosse.A obra não estava acabada e à hora da morte ou da execução, ele disse pela última vez:
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" É tão verdade eu estar inocente,... como verdade é que esta Obra nunca será terminada " . Pois foi quase assim, durante anos e anos a fio.Só há bem pouco tempo conseguiram terminar a cúpula, pois sempre que o tentavam ( isto durou um ou dois séculos ) havia acidentes mortais, desabamentos, por via do assombro ou da maldição do Arquiteto. Agora a Igreja, perto de S. Vicente, é ou esteve para ser o Panteão Nacional ( acho que agora é na Igreja de S. Vicente ). Engraçado, não é ?
há 3 horas
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Victor Nogueira Carlos - A Igreja de Santa Engrácia, agora Panteão Nacional Republicano, foi dada por terminada mas sem as torres sineiras do projecto inicial. Há outros Panteões: o dos Jerónimos (Lxa), misto, e outros reais e em mosteiros - o de S. Vcente de Fora, (Lxa), da Batalha, de Alcobaça e de Santa Cruz (Coimbra), sem falar na Igreja do Mosteiro de Santa Clara a Velha (Coimbra)
há 6 minutos ·
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Lenda das Obras de Santa Engrácia

Diz a lenda que Simão Pires, um cristão-novo, cavalgava todos os dias até ao convento de Santa Clara para se encontrar às escondidas com Violante. A jovem tinha sido feita noviça à força porque o seu pai não estava de acordo com o amor de ambos.
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Um dia, Simão pediu à sua amada para fugir com ele. No dia seguinte, Simão foi acordado pelos homens do rei que o vinham prender acusando-o do roubo das relíquias da igreja de Santa Engrácia, que ficava perto do convento. Para não prejudicar Violante, Simão não revelou a razão porque tinha sido visto no local. Apesar de invocar a sua inocência foi preso e condenado à morte na fogueira. A cerimónia da condenação tinha lugar junto da nova igreja de Santa Engrácia, cujas obras já tinham começado. Quando as labaredas envolveram o corpo de Simão, este gritou que era tão certo morrer inocente como as obras nunca mais acabarem.
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Certo é que as obras da igreja iniciadas à época da execução de Simão pareciam nunca mais ter fim. De tal forma, que o povo se habituou a comparar tudo aquilo que parece não ter fim às obras de Santa Engrácia.



Como referenciar este artigo:
Lenda das Obras de Santa Engrácia. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010. [Consult. 2010-11-29].
Disponível na www: .

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domingo, 28 de novembro de 2010

Está sol ...

* Victor Nogueira
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Está sol e em Luanda sol significa calor. Mas ao fim de 44 anos num país estrangeiro para mim, ainda não me habituei: estar sol com céu azul e brilhante rima também com frio gélido ! Malhas que o Império tece, jaz morto e apodrece o menino de sua mãe 
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Cãtygas d'Amigo, Coitas d'Amor seguidas dum Madrigal três Sonetos e seis Quartetos heróicamente celebrados por Victor Nogueira

a quinta-feira, 4 de Novembro de 2010 às 0:26
Victor Nogueira
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SOSPIROS, CUYDADOS, PAYXOES DE QUERER,
SE TORNAM DOBRADOS, MEU BEM SEM VOS VER (Garcia de Resende)
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Sem feitio nem jeito
No mundo caminhando
Esta dor no meu peito
Levo, rindo e chorando!
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Ah!Ah!Ah!Ah!Ai!Ui!
Á procura d'amor
Ao teu encontro fui
Depressa, sem calor!
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É tam grande trysteza
Amar ssem sser amada
Que nam vejo beleza
Ssem ti, bem a meu lado
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 Belas, d'amigo são,
Cãtygas medievais
Chora meu coração
Ay, já nam posso mais!
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Ruiz, Camões não sou
Mas muytos mil beijinhos
E abraços te dou
Nam fiquemos mal, sózinhos!
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Oh! Ribeyras do mar
Que tendes mil mudanças
Minha dor e lembranças
Levai; trazei seu amar!
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O Ssol bem escurece
Cai, a noite se vem
Minha alma nam falece
Se és comigo, meu bem.
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Paço de Arcos 1989.08·30 
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SÃO TRISTE MADRIGAL E MELANCOLIA                                8909.153.0 / 2.045



Pus a bordada toalha de renda,
No candelabro acendi a vela,
Alindei a mesa com trigo e rosas,
Preparei o vinho e a codorniz.
Em surdina a música e a prenda,
Feliz contigo, poema na tela:
Ternura e beleza mui preciosas.
Mas faltaste ao amador-aprendiz;
O  jantar lixou-se, não estou feliz!
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DE PEDRA SOIS VÓS, COISA DURA?


Á minha porta bateu a Joana
Ar tímido, de não sobressair,
Com jeito, fala de sol a sorrir,
Deixando-me preso, bela magana,

Mas seu coração por mim não abana,
Nem no  meu canto vem ela cair
;Bem a convido mas sem conseguir
Fazer com ela nossa boa cama.

Não terei genica ou desembaraço,
Nem ouro ou rosas p'ra ofertar,
E assim lograr que seu bem mereça?

De mãos vazias, sem seu regaço,
Por aqui ando, com mau respirar,
Sem que por mim seu desdém faleça.

1989.09.08 Setúbal
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João Baptista Cansado da Guerra
Viu a zorra, ficou preso em liana;
Por ela ficou gamado, sacana,
Sem a conquistar, no céu ou na terra.
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Será melhor abandonar a perra?
No mundo há muito outra bela magana
Com amor e doce mel que abana,
Sem que o bimbelo esteja em tal berra.
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Dizem, são iguais no comportamento;
Vero, querem todas o o mesmo paleio;
Chicote, desprezo e doce fel!
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Ora, adeus, vá bem longe este cimento
A tal macho e fêmea sou alheio;
Antes só, que encenar o papel!
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Setúbal 1989.09.09
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CANTAI OLIVAIS, CANTAI DE ALEGRIA.
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Oh! Mil-Sóis, teu aspecto bem cativa;
O andar, o sorriso radiante,
Doce, valerosa como diamante,
Que pena tu pareceres tão altiva.
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.Pode a tristeza andar-me fugitiva
Se tu, trigueira, de ar tão sonante,
Me pões em terra, mal esvoaçante,
Sem por isso ficares pensativa?
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.Há bem grande alegria se te vejo
Nesta minha sala, mesmo calada,
Com teu jeito manso e delicado.
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Céus e terra cantam vero desejo
De me convidares p'ra jantarada,
Com fogo mal preso, estralejado.
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Setúbal 1989.Setembro.05
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ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE
(Camões)



Nada tenho para te ofertar
Que saiba: joias, discoteca, dança;
No tempo busco vária temperança
que também vos dão bom estimar.

Um com outro bem quiz enredar,
Mas parece ser outra a contradança
Que muda a tua dor em festança,
Por aqui me deixando a vaguear.

Lembro a tua lábia, seio moreno,
Tua feição que muito me agradou;
A pele, doce ardor despertou
Que na barca me fez vogar, sereno,

Porém não está o meu coração pleno
De alegria, que por vós soou:
Nem grã Camões ou milionário sou
Para contigo navegar, no Reno.

Erros meus, má fortuna, amor ardente,
Não fazem da jornada bom soneto
Nem do navegante melhor "gineto"
Pois em ti está meu pensar, descontente'


Assim na Luísa Todi jazente,
Vogando entre o lume e o espeto,
Bem vivo, com meu bom ou mau "aspêto"
Buscando tua razão e paz, somente.



1989.Setembro.10 - Setúbal
As mil e uma noites - A lanterna de aladino

Rimances do Kant_O_XimPi (1) por Victor Nogueira

 a Sábado, 6 de Novembro de 2010 às 0:18
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.* Victor Nogueira
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RIMANCE DE JOAO BAPTTSTA

Andando João Baptista
Mal descansado da guerra
Caminhava pela pista
Do mar ao cume da serra,

Bem ao longe avistou
Um Paço no horizonte;
Pela ponte atravessou
Chegando ao cimo do monte.

Viu uma bela Princesa
Que na fonte se banhava,
Por ela ficando acesa
A flama que incendiava,

    - Que fazeis aqui senhora
    Dona da pele morena?
    A noite será cantora
    Se vossa mão for serena.

    - Por alguém vim em caminho
    Com muitas naus voando
    Mas não ficarei sozinho
    Se convosco for ficando.

Ouçam qual foi a resposta
Calmosa, doce, brilhante,
Sem temor de lua posta,
Precioso diamante.

    - Num crescendo de calor
    Nesta fonte mergulhada
    Por vós espero, senhor
    Não me deixeis assombrada.

    - Belo é vosso cavalgar
    Vosso desejo um espanto
    Vinde comigo arrulhar
    Alegre, mas sem quebranto.

E com esta fala doce
Se prendeu o cavaleiro
Contente como se fosse
Um artista, jardineiro.

    - Andando me fui chegando
    Para convosco encantar
    E ao ver-vos nesse encanto
    Passo a descansar.

    - Pois vosso olhar é botão
    Em busca do sol e do mar;
    Sereís bela sem senão
    Vinde comigo bailar.

    - E convosco bailo a noite
    Dedilhando esta guitarra
    Não há quem não se afoite
    Vendo a fruta sem a parra.

 Da fala ficou suspenso
 Um punhal no coração
 Com olhar lembrando imenso
 0 vale da solidão,

 Veio o gesto finalmente
 Negro de rosa dourado
 Rosmaninho com semente
 Em seu rosto acobreado,

 Cem mil águias voaram
 Mais, seguidas dum faisão
 E com leveza abalaram
 Silentes que nem trovão.

     - Convosco não bailo eu
     Bem gosto da liberdade,
     Ide-vos embora, oh! meu,
     Sou presa da soledade.

 Com esta fala malina
 A pensar ficou João.
 Era uma fala felina
 D'ensombrar o coração,

 Dez mil pássaros em viagem
 Sem nada no horizonte,
 Fechada aquela portagem
 Como arvore sem ponte,

     - Sinhá moça, a vida é jogo
     Sabemos nós muito bem;
     Ele há fumo sem fogo
     Sempre que tal nos convém.


 Como era belo seu sorriso
 D'encantar o navegar!
 À Princesa achou preciso
 Ver de novo seu falar.

     - Como tu desejas ficam
     Estrelas no meu olhar:
     Doçuras, beijos que picam,
     A brisa e o marulhar,

 Com esta fala ficou
 A Infanta Gabriela,
 Um pintarroxo voou
 P’ra lá do castelo dela.


1991.06.19 (2)
SETUBAL
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RIMANCE DO CONDE NIÑO


Ia o Visconde Niño
Pelo caminho real
Com andar bem pequenino
Por causa do areal.

Cavalgava noite e dia
Por rio, vale e montes,
Quando o sol refulgia
Bebia água das fontes.

Um falcão no ar voava
Em busca do céu d'anil
Com o seu olhar buscava
Mui para lá do redil.

Numa curva do caminho
Oh! céus, cantando estava
Só, num ermo sózinho,
Quem pelo Niño chamava.

Era uma fada princesa
Com um manto de jasmim
Envolto em muita sageza
Num campo de alecrim.

Com pós de perlimpimpim
Seus cabelos penteava
Enquanto um bom lagostim
No fogaréu se cozinhava.

Bom, soberbo, valioso,
Cálido refrigerante,
Um apelo precioso,
Raro, belo, cativante.

Parou Niño, o Visconde,
Em pose primaveril;
Ao chamamento respondeu
Mui garboso, senhoril.

Com um gesto desenvolto
Tirou, de breu, o capuz,
Com o cabelo revolto
Guardou o arcabuz.

O cavalo à rédea solta
Ali ficou a pastar,
Sua verde crina envolta
Na doce brisa do ar.

A viseira levantada,
Pé em terra, sem temor,
Ao coração descansado
Cantou pacificador:

"Sinhá moça, és tão linda!
Com teu corpo donairoso
Comigo vem na berlinda
Mais teu mosto precioso;

Ao ver-vos sinto o luar
Aquecer-me sem ardor."
Disse o Conde sem pasmar,
armado em versejador.

"De vós não quero eu ser
Prisioneira, cativa,
Ide-vos, ensandecer
Qualquer outra nativa."

"Eu não vos quero guardar
Como o vento vós sois livre,
Assim ide cavalgar
Que não sóis do meu calibre!"

De negro ficou o céu,
De branco, o Visconde Niño,
Na montanha um escarcéu
Mui descontente o malino!

"Chorai, gaivotas, chorai,
Por dona tão altiva,
Na tempestade vogai
A nau presa, fugitiva."

No seu cavalo real
O herói vai abalar.
O canto acaba mal
Se o Conde não ficar?!


1991.Maio.23/28 - Setúbal
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RIMANCE de D.LUCIANO ROBERTO RODRIGO


D. Luciano é marinheiro
Navegando em alto mar;
É bem malino artilheiro
Sem terra onde aportar,

D.Roberto é pregoeiro
Caminhando pela terra dentro
Com bom fato sem dinheiro
Guardando novas do vento.

D.Rodrigo é narrador
De quadras ou verso branco,
Nas feições levando ardor
De ser como saltimbanco.

Luciano Roberto Rodrigo
Não é herói de novela;
Ide ouvir bem o que digo
Acerca de MarPorTela.

Mulher moça era aguardada
Com vera interrogação:
Seria colega apartada
No tempo da dispersão?

Finalmente a moça veio,
Trigueira como mil sóis,
Era pão, vinho e centeio
Num campo de gira-sóis.

Era outra MarPorTela,
Nunca vista e maneirinha,
Com ar doce, mui singela,
Cravo, rosa, porreirinha,

Era triste seu sorriso;
No seu magoado olhar
Sembrava ter muito siso!
Como iria navegar?!

Sendo mulher pensativa
Com seu ar muito sério
Parecia fugitiva
Com receio do despautério.

Tudo queria muito recto,
Direitinho, com acerto;
Sem mil voltas, mas directo,
P'ra matar o desconcerto.

Era sinhã moça bela,
Moça bela, d'encantar,
Raro se via à janela,
Palavrosa ou a veranear

Ao virar-se para D.Roberto
Seu sorriso era canção;
Papoila em céu aberto
Medrava por ele, não!

Mulher de maravilhar
Andando, mas sempre sózinha;
Ele com ela quis bailar
Liberto como andorinha.

- 01á, doce MarPorTela,
Como vais, bem ou mal?
Sem vagar vem à janela,
Vem bailar no arraial.

Mas a falar só ficava,
Nas mãos rolando o chapéu,
0 mote não encontrava:
Distante ficava o céu!

Pois na mansão dele entrava
Sem lhe lançar saudação;
Era andor que mal ficava
No meio da encenação.

P'ra Princesa tão galante
Mal era tal pedestal;
Parecia bem distante
Do povo, do maralhal.

Luciano Roberto Rodrigo
Tinha dela outra feição,
Bem ele quis ser amigo:
Não achou embarcação.

Se toda a vida é jogo
Biscando boa ou má vaza,
É preciso haver bom fogo
Para não ficar sem asa.

Pois a moça era gentil
Valerosa, bem sonante,
Não seria qualquer ceitil
Falso, de passar avante.

- Viva D. MarPorTela
Que fabricas, que me dizes?
Menina, deix'a sentinela
Não te cuides com juizes!

Luciano Roberto Rodrigo
Por si buscava El Dorado,
Cantando-lhe "Vem comigo,
Com andor bem torneado."

... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ...

Bem tocava o clarim!
Luciano em mau concerto,
Roberto perlimpimpim,
Rodrigo sem epicentro.

Palavras, tudo ilusões
De quem castelos no ar
Faz, em tarde com sezões,
Com sorriso a dar-a-dar.

Quem vir nisto semelhança
Com personagem real
Tire d'aí lembrança
Pois adivinha bem mal.

Nem tudo o que luz é d'ouro
Em verde campo florido:
Fica, porem sem estouro,
Rimanso, descolorido

1991.07.09/11
Paco de Arcos/Setúbal
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Rimance no deserto desertificado

 Sete anos andou João
 Vagueando p'lo deserto
 Sem vinho, água ou pão,
 Indo por destino incerto.

 A mingua d'água mirrava
 Sem o frescor duma fonte
 Em fome se esgotava
 Sequioso duma ponte.

 Em tiras estava o fato
 Sem veludo que se visse!
 Descalço o pé, sem sapato,
 A vida era uma sandice.

 Fizera grande viagem
 Com o coração cinzento
 Sem escudeiro nem pagem
 Ou pedra que fosse assento.

 Pela areia caminhava
 Joelho aqui, pé além.
 Na jornada trauteava
 Sem saber o que lá vem!

 Seu coração era grande
 Para quem lá coubesse
 Cantando mui radiante
 Como se mal não houvesse,

 Seu cavalo não era novo
 Cansado da caminhada
 De Luanda a Porto Covo
 Por terra já navegada,

 Que buscava não dizia
 Calado com seu segredo
 Por ver que não merecia
 Ser mal preso, em degredo.

 Seu caderno era escrito
 Com tinteiro invisível,
 Silencioso, sem grito,
 Em novela incredível.

 Então que é feito bela
 Deste rimance heroina,
 Personagem da novela,
 Tão certa como haver sina?

 Assim perguntava arraia
 Miúda como convém,
 Atenta ao rolar da saia
 Que na cintura mantém.

 Bem pesado é o fado
 De quem quer algo inovar
 Logo está ameaçado
 De não poder inventar!

 Não há princesa no conto
 Assim quero, pois então!
 Por isso aqui aponto
 0 que tenho na razão.

 Bem podeis vociferar
 0 cavaleiro vai sozinho
 Não tem quem acompanhar
 Indo só pelo caminho.

 "Sete anos serviu Labão ..."
 Assim Camões escreveu
 Mas não tem dona João
 Por nenhuma ensandeceu.

 Esta vida é um novelo
 Numa roca a girar
 Sem forma nem modelo
 Nunca para de rodar.

 Aqui nesta lazeira
 Em remanso vai surgindo
 Uma grande cantareira
 Verso a verso subindo.

 Deixemos o cavaleiro
 Seguindo a sua jornada,
 A caneta no tinteiro:
 Até 'manhã, camarada!



1991.06.20
SETUBAL

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sonetos do Kant_O (2) para não dizerem que só falo de política por Victor Nogueira

a Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010 às 21:47
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*  Victor Nogueira
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O AMOR É UMA COMPANHIA


É bem, uma companhia, o amor
Por alguém já não querer andar sózinho,
Buscando a claridade e o carinho
P'ra noite e dia terem belo valor.

De Olimpo a vida ganha outro sabor
Desde que se encontre o bom caminho
Do brocado e mui verdejante linho
Vestindo o mar e o céu de calor.

A fera guerra o amor já serena
Fazendo brotar, velha, novas mágoas
Na sempre distante felicidade.

Em doce e renovada cantilena
Por vales e montes partindo fráguas,
Com belo engenho, arte e qualidade.


1989.09.03 (2)
SETUBAL
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O AMOR É BEM QUE SUAVIZA
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A tua presença na minha casa
Enche o ar de color e alegria,
Arte, doce, terna, bela magia;
Assim meu coração ganha outra asa.
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Espantando a tristeza que arrasa
Rio, danço com tua cantoria;
Cozinhamos o pão que não esfria
Brincando, procuramos boa vaza!
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Com tua feição nos vasos pões flor
A tudo dando vida e bom sabor;
Caricio teu corpo, os teus lábios,

Afago teu rosto, aparto as dores;
A rua, plena de sol e louvor,
É verde planura com riso dos sábios.
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 Setúbal 1989.09.05 (3)
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MUDAM-SE OS TEMPOS, MANTENHA-SE O AMOR


O amor, espelho de muita leitura
Com mil formas e feições, encantado,
Por muitos, belos matizes pintado,
Ao feio traz bem linda fermosura.

Ah! ele tem sempre nova feitura
Do velho em novo ser transformado;
Em boas ou más trovas é louvado,
Quebrado o enlevo, já não perdura.

Então, noutro campo deve a vontade
Buscar o entendimento e carinho;
O mau tédio afastado, sem pena

Renascendo a nova felicidade,
De ouro e verde corando o caminho,
Com ternura doce e vida serena.

Setúbal, 1989.09.06
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Na terra o amor é uma ideia
Que em qualquer tempo pode nascer
Tornando em magia nosso viver,
Com bela renda tecendo sua teia.
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Dura esta ilusão, com chama bem cheia,
Se razão e sentimento houver
P'ra compreensão não deixar morrer,
Afastando o diabo em alcateia.
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Doutro modo se transforma em maldade
O que alumiou nossa existência;
Homem, mulher, sem bom merecimento,
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Em tristeza presa a felicidade,
O doce hidromel sem a persistência
Do sol no mundo: viver sem tormento.
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Setúbal 1989.09.07
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É bom ter quem afague nossa vida,
Por nós espere e faça companhia,
Ajudando, sem dor ou gritaria,
Ambos na cozinha, com sua lida,
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É bem não andar só, em má corrida,
Ver o cinema e ter cantoria,
Viajando em paz pelo dia-a-dia,
Sem pranto nem a cabeça perdida.
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Mui gostoso é ter uma presença,
Com pele doce, suave, morena,
Sonante, sensual, maliciosa,
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Como a da mui linda, bela Princesa,
Trazendo o sol e a lua, serena,
Com o canto e o riso duma rosa.
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Setúbal 1989.09.10
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Desenhos da Prisão -Álvaro Cunhal

sábado, 20 de novembro de 2010

Sobre o Silêncio !

Assunto: Pk o teu siêncio?
Data: 20/Nov 18:34
Pk nunca mais me atendeste o telefone? pk o teu silêncio e afastamento de mim, que me dói?
Bjo
Victor Manuel

Sol de Inverno ou Sol de Inferno ?

* Victor Nogueira
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Está uma tarde de céu azul e brilhante,, mas enganador: o ar está gélido, mesmo dentro de casa ! É chamado ... Sol de Inverno, que é um Inferno de sinal contrário :-)
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Em rede nos Grupos Sociais e as mensagens


* Victor Nogueira

A utilização da Internet tem aumentado, quer para o envio de correio electrónico, quer pesquisas de vária ordem, leitura de jornais e compras on-line ou transacções bancárias.
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A imprensa do  STAL é uma dos que pode ser lida através da internet em www.stal.pt/ no menu da direita – Jornal do STAL
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Mas também as redes sociais (adiante designadas por RS) têm tido um aumento assinalável, permitindo a criação de redes sociais de amizades virtuais ou reais, generalistas ou por interesses de actividade: fotografia, política, movimentos e causas sociais, partidos políticos … 
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Nas três últimas eleições e na actual as RS têm permitido aos candidatos fazerem chegar a sua mensagem e programa a uma vasta rede de “aderentes” ou amigos. Do mesmo modo têm permitido a divulgação de mensagens e apelos à participação em acções, como tem sucedido por exemplo com as Manifestações pela Paz/Contra a NATO ou a Greve Geral de 24 de Novembro.
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Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, estão no Facebook: servem de exemplo as de 
Setúbal (www.facebook.com/profile.php?id=100001180082485)
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Na Wikipedia em pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_redes_sociais encontra-se uma listagem, embora incompleta, de RS, de que se destacam em Portugal o Facebook (www.facebook.com/)
www.orkut.com/), MySpace, mais dedicado a temas musicais (www.myspace.com/) ou o Flickr, virado para a fotografia (www.flickr.com/).
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Qualquer destas RS é aberta e gratuita, dependendo a possibilidade de participação de inscrição prévia e do preenchimento de alguns quesitos. A rentabilidade para os seus criadores provém das receitas publicitárias e do seu direcionamento em função da informação recolhida.
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Uma vez criada a conta, resta constituir a rede de amigos. Contudo, nas páginas pessoais, deve ter-se em atenção que a informação e o publicado são partilhadas e mais ou menos públicos, não havendo possibilidade de controlar a difusão da informação. As RS podem ser abertas ou restritas um grupo de amigos ou familiares, Há pois que ter especial cuidado nas informações dadas no Perfil (não é forçoso preenchê-las, total ou parcialmente), na escolha da palavra passe, não se devendo divulgar números de telefone (especialmente fixos), moradas, nºs do BI, Contribuinte, Segurança Social e períodos de ausência de casa nem permitir a localização do local donde se está a falar. 
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Apesar da utilidade das RS, é bom não esquecer que nela também navegam pesquisadores de gostos para fins comerciais ou mesmo criminais. Tome nas RS as mesmas precauções que em princípio toma para acesso à sua casa ou à sua vida privada.
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As RS, designadamente o Facebook, permitem divulgar eventos ou a adesão a causas sociais, bem como fazer publicidade a organizações e movimentos sociais ou políticos. Dois exemplos destes últimos são a CGTP (www.facebook.com/pages/CGTP/275330872914) ou o Blogue da Emigração. Partidos Políticos, órgãos de comunicação e candidatos às Eleições Presidenciais também marcam presença no Facebook, no Twitter e noutras redes sociais.
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Nas páginas pessoais e nas institucionais pode haver maior ou nenhuma abertura para comentários ou para a publicação de notas ou de terceiros. Em princípio as RS permitem a troca de comentários em privado, não acessíveis aos restantes membros. Compete ao administrador de cada rede definir o grau de abertura na publicação de notas e comentários, considerando a sua finalidade e objectivos.
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O acesso às RS pode ser feito através de telemóveis que permitam acesso à internet, devendo observar-se os mesmos cuidados que devem existir relativamente aos computadores pessoais.
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As regras nas RS devem ser similares às que se usam na blogosfera,   que se encontram em www.blogosferalegal.com/2010/11/10-dicas-para-evitar-problemas.html  ou conversarempeniche.blogspot.com/2007/04/cdigo-de-conduta-na-blogosfera-os.html#links 
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As RS generalistas permitem conversas em privado (chat), como sucedia no mIRC, ICQ ou MSN.
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2010.11.14
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Betty Boop e "O Pecado Mora ao Lado"

LOL
Lembraste-me a uma das minhas duas grandes paixões de adolescente, uma foi a Maresol e a outra a que eu considero uma grande actris, MM  
há 8 minutos através de Roses Paradise:  
  • Alice Coelho gosta disto.

    • Alice Coelho eheheheh
      a betty.....é demaissss!!!!!
      há 6 minutos ·
    • Victor Nogueira Gosto das duas: da BB (leia-se Betty Boop) e da MM. Quando era adolescente tínhamos a mania dos autógrafos, mas eu estava tão apaixonado pela Maresol que em Luanda não consegui pedir-lhe um autógrafo e quem mo conseguiu foi a minha amiga Estrelinha LOL
      há cerca de um minuto
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      CassandraKendalljy38 | 20 de Setembro de 2009 | 17 utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
      This scene, in which Marilyn's skirt flies up, was deleted from the feature film. From "The Seven Year Itch" Marilyn Monroe Subway Scene (Full)
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      pontosilvajardim | 16 de Novembro de 2007 | 4 utilizadores que gostaram deste vídeo, 0 utilizadores que não gostaram deste vídeo
      Cena que causou polêmica em 1955, quando o vestido de Marilyn levanta, devido as vento do metrô.

      Filme 'O pecado mora ao lado'
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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um Nada Infindo é a realidade da virtualidade

Victor Nogueira Pois, tudo isto é muito lindo mas eu estou aqui mudo e quedo a ver os comboios passarem LOL Vou para outra freguesia, pôr as leituras em dia pk neste apeadeiro ninguém pára para conversar. Estão ali 19 luzinhas verdes mas nenhuma pisca para esta banda.Voltarei mais logo pk o Nada Infindo é a realidade da vida e da virtualidade.

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há cerca de uma hora

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Victor Nogueira Quantas virão de volta? Um Nada Infindo, que é a realidade da virtualidade


há cerca de uma hora através da aplicação "Vincent Van Gogh Collection"
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Victor Nogueira Vamos ver quantas recebo de volta. Normalmente dois dedos chegam para contá-las e ver a realidade da virtualidade i.e., pouco mais que o Nada Infindo :-)

Comparte flores!
Regala flores a tus amigos, Cualquier ocasion es buena para una flor.

há 2 horas através da aplicação flores Amigos de amigos
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Odete Maria Botelho Botelho e Ana Roque gostam disto.
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o
Victor Nogueira Pois, tudo isto é muito lindo mas eu estou aqui mudo e quedo a ver os comboios passarem LOL Vou para outra freguesia, pôr as leituras em dia pk neste apeadeiro ninguém pára para conversar. Voltarei mais logo
há cerca de uma hora ·
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O trevo de 4 folhas e a sorte

 Manuela Miranda
TREVO DE 4 FOLHAS DÁ SORTE!!!

há 16 horas · 

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(...)
o
Manuela Miranda DÁ SORTE!!!
há 16 minutos
o
Victor Nogueira Olá, Nela. :-) Mais do que sorte, na vida para vencer é muitas vezes necessário "artimanha"1 Quem a não tem ou quer usar ...
há 2 segundos

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domingo, 14 de novembro de 2010

O céu está com um azul cinza ...

Victor Nogueira
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O céu está com um azul cinza, como brancas ou de cinza estão as nuvens. Apesar da claridade à beira Sado, a tarde está mortiça, enquanto escrevo e ouço música, conjuntamente com o silêncio do meu pensar e o dedilhar no teclado do pc. !
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LUSOMELODIAS | 24 de Setembro de 2007
Carlos Pocinho accompagné de Carlos Gonçalves et Julio Garcia.
Concert à Bergheim - France le 24 MARS 07
Produit par Luso Melodias
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sábado, 13 de novembro de 2010

O vazio da rede sem rede apesar da rede


Victor Nogueira 12/11 às 14:35
Algo me faz pressentir que algo fiz que te vou ao "esquecimento" de mim o que, a ser verdade, lamento.
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(...)
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Victor Nogueira 13/11 às 19:02
Tive esse pressentimento. Habituamo-nos às pessoas,passamos a gostar de algumas delas com quem parece temos alguma identidade comum, mas elas de repente desaparecem. Embora tudo isto seja virtual, acabo, apesar de todas as reservas defensivas, por envolver-me emocionalmente com algumas e de repente, fazemos as contas a 14 anos de internet e fica uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Carpe Diem - Atrás do Tempo Tempo Vem ?

* Victor Nogueira
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Aproveita o tempo pk embora atrás do tempo venha, esse tempo já não é porque o presente logo é passado.
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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Os «manos» Nogueira ou o poeta é um fingidor

 Por Victor Nogueira · há 3 horas
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Autopsicografia
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O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
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E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
,
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,´
Esse comboio de corda
Que se chama coração..
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***************


.Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlaçemos as mãos).
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Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
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Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente.
E sem desassossegos grandes.
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De Fernando Nogueira Pessoa
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Continua em
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http://osabordolhar.blogspot.com/2008/05/os-manos-nogueira-ou-o-poeta-um.html
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Já é noite ...

* Victor Nogueira
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Já é noite e tudo é silêncio ou quase, pk estou a teclar e tenho um zumbido nos ouvidos. Para lá da janela embaciada, as luzes em terra e os raros automóveis que silenciosamente passam na avenida.

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A palavra Amigo

Victor Nogueira
Foi nas aldeias do Alentejo que aprendi a usar a palavra "amigo" e que é preciso demonstrar-se que se merece que demos a nossa amizade ou que os alentejanos no la concedam :-)
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Mal nos conhecemos
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  Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!



.http://www.astormentas.com/poema.aspx?id=1481&titulo=Mal%20nos%20conhecemos
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Deambulando e Photoandando


 Tomar - http://www.travel-in-portugal.com/photos/img154.htm
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Victor Nogueira 6/11 às 1:33
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Tomar é uma das terras pk me apaixonei. Estive lá 3 vezes, uma delas à noite nas minhas deambulações a pé e de automóvel por Portugal de lés a lés. Para além das aldeias históricas da Beira interior, fiquei apaixonado por Alcochete, Lamego, Tavira, Mirandela, Mértola, Silves, Bragança e Vila Viçosa. E pelas serras da Estrela e algarvia :-)
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http://viriatovitchchess.blogspot.com/2008/02/torneio-cidade-de-tomar.html
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domingo, 7 de novembro de 2010

Rimances do Kant_O_XimPi (1)

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Carmen Montesino O deserto é um sítio adequado aos rimances, por toda a magia que envolve!
Já não escreve poesia, Victor? Ou não partilha as recentes?
Obrigada pelo destaque, um beijinho!
Ontem às 0:32 · 
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Victor Nogueira Não, raramente escrevo poesia, agora! Só por brincadeira. Sei a arte, talvez tenha o engenho, mas não encontrei ainda a Pilar da minha vida :-)
Fico-me pela prosa mais ou menos livre ou sujeita a tantos caracteres com espaços que me dão no jornal para que escrevo
Ontem às 0:39 · GostoNão gosto · 1 pessoaA carregar...
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Carmen Montesino Desculpe contrapor, mas a destinatária de "Coração Rosa dos Ventos", entre outros belos poemas, só pode ter sido uma Pilar!
Ontem às 0:41 ·
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Alice Coelho obrigado pela partilha victor;-)☆◕‿◕☆
☆◕‿◕☆
☆◕‿◕☆
há 23 horas · 
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Victor Nogueira Carmen - Nops. Como dizia o Fernando Nogueira Pessoa, "o poeta é um fingidor .." [1]
há 23 horas · 
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Carlos Rodrigues Bonitos Rimances, Vitor, Quadras com versos de sete sílabas, como manda o Popular. Gostei. Mas o Autor não assinou ?
há 21 horas ·
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Victor Nogueira Carlos - A 1ª carreirinha de letras identifica o autor :-)
há 21 horas ·
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Maria Jorgete Teixeira O poeta é um fingidor, mas ele finge" a dor que deveras sente"!
há 20 horas · 
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Victor Nogueira LOL. Nunca se sabe quando o poeta finge ou "verdada", Jorgete :-)
há 20 horas ·
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Maria Jorgete Teixeira É verdade,segundo Pessoa a arte poética sai do intelecto e não do sentimento.Os sentimentos fazem parte do mundo real mas quem conseguiria inventá-los se não os tivesse vivenciado?
há 20 horas · 
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Victor Nogueira No teatro ou no cinema os actores desempenham os personagens sem que isso signifique que tenham vivido aquelas situações ! Ou não, Jorgete ?
há 20 horas · 
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Ana Filipa Villaça Adorei.
São divertidos e encantadores
Dignos da Nau Catrineta
Rimances de capa e espada
Escritos p'la sua caneta ;))
há 20 horas ·
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Maria Jorgete Teixeira Está bem, Victor, mas eu acho que têm sempre de ter uma referência. Se não é a mesma situação pode ser uma parecida ou presenciada por eles. O que eu quero dizer é que é que a dor verdadeira existe no poeta embora ela seja reinventada ao passar par o papel.
há 19 horas · 
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Victor Nogueira Ok. Jorgete :-)
Temos poetisa, Ana? Para quando esse compartillhamento?
há 19 horas
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Carlos Rodrigues
Ói, Victor, já tinha visto a 1ª carreirinha de letras, mas não assinaste no fim de cada série de quadras, daí que pudesse ser só compilação.
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Gostei dessa troca de interpretações sobre a dor poética. A do Fernando Pessoa tem tantas formas quantos os seus heterónimos. Se fingia a que deveras sentia era porque a repartia por eles. Para além de que o Poeta pode muito bem sentir as dores dos outros e do mundo, como suas. É dor também a que sentes ao ver ou a ouvir as notícias da TV e a aperceberes-te que para além das intenções de acabar com eles, existe um vazio enorme entre a intenção, a palvra e a acção ? Foi só uma pequena achega desculpem lá.Continuem que vão muito bem
há 49 minutos 
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Victor Nogueira
Carlos - Normalmente na blogosera identifico em 1º lugar. Só nos cheques e que a minha assinatura é a última marca a ser traçada :-)
Eu não digo que a emoção pela alegria ou tristeza não possam dar origem a poesia. Agora é uma empatia intelectualizada. Posso escrever poemas de amor sem estar apaixonado. Posso escrever o contrário do que penso ou sinto. Mas não sei o que é ser mineiro, estar encerrado numa mina ou ter fome, por exemplo. Mas já posso saber o que é sentir um tremor de terra - mas sem destruição violenta - ou estar debaixo de fogo de metralhadora, embora na altura tenha ficado isento do serviço militar obrigatório, ou estar prestes a morrer afogado e ser salvo no último instante ! Ou conseguir escapar à justa de acidentes rodoviários só vindo os suores frios depois, porque entretanto tenho de concentrar-me para evitar o acidente, no que, salvo uma vez, tenho sido perito.
há alguns segundos
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Carlos Rodrigues
Sim, não há dúvida que o que não sentes na pele não transmitirá exactamente o real daquele que o sentiu, de verdade, se for capaz de o descrever, claro. Hoje fala-se muito de Inteligência emocional, por complemento da racional. A espontaneidade parece ser o veículo dessas noções, o que era aliás apanágio dos surrealistas. Bom, essa do acidente rodoviário ou como evitá-lo trouxe-me recordações e calafrios à memória que nem queiras saber, pois já fiquei com a viatura empanada, há muitos anos, no meio da linha do comboio, numa passagem de nível, a minha mulher e as três crianças dentro do carro e o comboio a aproximar-se e a apitar que nem um desalmado, enfim, o carro era novo e bastava dar um jeitinho à chave da ignição para a esquerda, antes de entrar em pânico.
Curiosamente acho que nunca escreveria um livro sobre isto. Muito menos sobre a guerra. Enfim, modos de ver. O real que nos entra pelos olhos dentro cega o próprio escritor e muitas vezes acaba em tautologia. O aparente distanciamento ( intelectual, se quiseres ) de Pessoa, do imediato era aparente, mas a forma como se dividiu, permitiu-lhe o distanciamento necessário à clarividência e tradução do real envolvente, que também viveu claro. Ñão estou a falar dos que do alto da sua Torre de marfim proclamam a Poesia, por exemplo, como única Realidade. Pronto já opinei, agora podem - me bater.
há 15 minutos · 
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Victor Nogueira
O meu irmão que se suicidou, nunca me falou da guerra, que o marcou, pois era furriel enfermeiro miliciano, primeiro numa zona de combate, depois no Hospital Militar de Luanda. E como não punha cá para fora o que lhe ia na alma ....
Não há que bater-te. Nunca escrevi, em prosa ou verso, directamente, sobre os factos que me marcaram. Intelectualizo e despersonalizo as situações de tal maneira que há textos meus que leio como se de outrem fossem e por outrem tivessem sido escritos. Mas há alguns cuja re-leitura e "vivência" em memória me provocam e emocionam-me muitas vezes.
há 2 minutos ·
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sábado, 6 de novembro de 2010

Estar esbodegado ou cansado !

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Victor Nogueira LOL. Para quem está cansado os beijos de pouco servem. É como os livros da minha biblioteca, sózinhos e com bjos não ficam arrumados nem me dão descanso :-)
há 14 horas
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cultura e Poesia Populares




Jangada Brasil, a cara e a alma brasileiras 
Victor Nogueira 4/11 às 21:35
A Jangada .... não é de Pedra mas do Brasil
Ab
VM
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 Carlos Rodrigues 5/11 às 12:15
Gostei muito desta Jangada Brasileira e popular, com muito trabalho de Antropologista e Etnólogo pelo meio. Fica-me o Baile de Augusto Saint Hilaire, a comparação de dois modos de vida e de duas classes, a das senhoras que tocam piano e falam Francês, em contraste com a escravidão da mulher do interior Brasileiro. Algo terá mudado, de então para cá, mas sempre insuficiente. O da Porca de Oliveira Hermes Gomes, dos contadores/cantadores espontâneos Nordestinos, com os seus desejos de queimar ps ricos no Fogo dos Infernos ter Jesus ao lado dos pobres e a sua conclusão final de Um homem não vive só, é preciso ser casado ( se não faz filhos em porca e tem filho parecido com ela/ele ?...), cheio de sabedoria popular, fez-me lembrar os nossos Poetas Barbeiros, Calafates e outros como o Carpinteiro, Joaquim Moreira da Silva, Cantador e Repentista ( para além de Anarquista ) que, muito embora Analfabeto até aos vinte anos, tem um Português obviamente melhor do que o dos Brasileiros e dizia coisas mais interessantes como:Nasce da larva nojenta /A borboleta formosa /Sai também da podridão /O lírio, o cravo e a rosa.
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Já para não falar do António Aleixo, que esse era outro número de Obra... Obrigado, gostei muito, Victor.
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Victor Nogueira 5/11 às 15:54
O Aleixo era um sábio. Na Câmara tínhamos 3 poetas populares, um deles repentista. Mas eram "pobres" e só tenho poemas dedicados a mim ou à minha filha Susana e livros dum deles autografados: o João Calceteiro, que com a idade passou a contínuo, pois batedor de maço, asfaltador e calceteiro são três profissões violentas! 
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O senhor Palma, que era o guarda do edifício onde eu trabalhava, deixava-me ler os poemas que escrevia, mas nunca me deu cópia nem mos deixou trazer para passar ao computador. Era um tipo muito delicado, com uma letra bonita, de contabilista, que nunca foi, e deixava-me recados na secretária que começavam "Senhor Dr Victor Nogueira" e continuavam numa linguagem doutros tempos: "Telefonou a senhora sua mãe mas não é nada de cuidado, era apenas para saber como estava o senhor doutor". E como eu o tinha entrevistado enquanto dirigente dos recursos humanos, entrevista da qual naturalmente não me lembrava, comentava-me sempre com reconhecimento mas sem subserviência: "Foi o senhor doutor que me entrevistou para eu entrar para a Câmara". 
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O repentista era o Matos, que nos almoços dos trabalhadores, em lhe dando ou não o mote, erguia-se e desfiava a poesia!
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E do Aleixo termino com uma das muitas pérolas, a essencial do que tudo ele escreveu:
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"A quadra tem pouco espaço
Mas eu fico satisfeito
Quando numa quadra faço
Alguma coisa com jeito."
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Abraço
VM
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Carlos Rodrigues 5/11 às 16:26
Houve muitos Poetas Populares e repentistas, hoje conhecidos normalmente pelas suas profissões, o Carlos dos Jornais ( Ardina ), o Barbeiro, Augusto Pires, o Calafate, António Maria Eusébio, o Chofer, o Ganhão, etc. e um António Vilar da Costa, de Lisboa, nascido em 1921, conhecido pelo CONTÍNUO, não sei se será este a que te referes, que muito escreveu para o Fado, sendo o mais conhecido " Ai Chico, Chico ", Fado Alegre, com música de Nobre de Sousa ( Ai, Chico,Chico do cachené ! Quem te viu antes / E quem te vê...
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Devo ainda ter por aí um livrinho de Fernando Cardoso exactamente sobre os POETAS POPULARES, muito interessante pelos comentários do Autor a cada um deles, apontando diferenças, defeitos e virtudes naturais e apontamentos biográficos. ( Tem pelo menos 3 edições ). Claro que o António Aleixo também lá está.
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Victor Nogueira 5/11 às 18:38
Nao, o contínuo não é esse. Tenho para aí vários volumes de poesia popular, designadamente do Alentejo, colectâneas ou de autor, entre as quais a do antologiador que referes. E tenho tb daqueles folhetos que os cegos vendiam no antigamente, quase todos do estilo "Ai, Maria, não me mates que sou a tua mãe".
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Uma vez na esplanada duma pastelaria contígua à Suiça, salvo erro "Irmãos Unidos", com esplanada para a Praça da Figueira, andava um poeta popular a vender livros dele como se de cautelas se tratasse. Então ele e a minha mãe à compita começaram a declamar poemas de cada um e acabei por lhe comprar um dos livros, que ele dedicou à minha filha Susana, não me lembro se em verso ou não, Está ali na secção de livros autografados pelo autor, da minha biblioteca
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Abraço
VM
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Victor Nogueira- 5/11 às 18:55
Em tempo - Deixo-te os endereços de O Fogareiro - Um Taxista em Lisboa http://ofogareiro.blogspot.com/, saborosíssimo, e dum poeta popular, José Manangão - Poesia no Popular http://poesianopopular.blogs.sapo.pt/
VM
ofogareiro.blogspot.com
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Carlos Rodrigues 5/11 às 19:49
Li com interesse as Crónicas do Taxista que fala de realidades que eu conheço muito bem, da velha Lisboa. Conheço o Adicense, a Sociedade, a Escola de Natação que foi, para muitos, na Doca do Jardim de Tabaco, onde por acaso nunca ninguém falou. no autêntico festival competitivo que era o chamado Pau de Cebo, subida que só verdadeiros atletas conseguiam completar. Claro que havia outras Sociedades Recreativas, A Boa União, dos meus primeiros namoros, um acabou em casamento, e bailaricos ( só se entrava de gravata e havia fiscais de comportamento na sala, vigiando os parzinhos mais atrevidos que eram logo chamados à Direcção e admoestados ), depois outra ainda mais elitista, a que a minha família mais frequentava, mas sem peneiras, o Lusitano Clube, obra de velho maçónico, o qual, respeitosamente, se tratava por Pai Carvalho, e, enfim, não havia droga nos Bairros, a droga era o vinho, como também se diz por aí. Hoje restam as Marchas, acho que, pelo menos em Alfama a Magalhães de Lima, ( outro Maçónico ) continua forte na Organização da Marcha, quase sempre vencedora, os Santos Populares valem por si só, mas nada é o que era. Depois há a outra parte das obras aprovadas pela Câmara há séculos que não mexem e outras que me tocam bem de perto, mas que não dá para falar sem me engasgar. Enfim, um dia falamos. Um abraço.
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

(des)orientações !

Ana Porfirio
E se eu me sentir muito perdida?
há 5 horas ·

*
(...)
o
Victor Nogueira Já te esqueceste do que deverias ter estudado. Á falta de GPS, estando no hemisfério norte, podes encontrar qualquer ponto cardeal através da estrela polar, da tua sombra cf a hora do dia, da posição do sol ou pelo musgo das árvores ou humidade dos edifícios LOL
há 2 minutos · 
o
Victor Nogueira E se tiveres telemóvel telefonas para a polícia, para a secção dos perdidos e achados ! :-)
-
Sem esquecer a bússola !
há alguns segundos 
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cãtygas d'Amigo, Coitas d'Amor seguidas dum Madrigal três Sonetos e seis Quartetos heróicamente celebrados por Victor Nogueira

a Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010 às 23:26
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Victor Nogueira
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SOSPIROS, CUYDADOS, PAYXOES DE QUERER,
SE TORNAM DOBRADBOS, MEU BEM SEM VOS VER
(Garcia de Resende)
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Sem feitio nem jeito
No mundo caminhando
Esta dor no meu peito
Levo, rindo e chorando!
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Ah!Ah!Ah!Ah!Ai!Ui!
Á procura d'amor
Ao teu encontro fui
Depressa, sem calor!
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É tam grande trysteza
Amar ssem sser amada
Que nam vejo beleza
Ssem ti, bem a meu lado
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 Belas, d'amigo são,
Cãtygas medievais
Chora meu coração
Ay, já nam posso mais!
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Ruiz, Camões não sou
Mas muytos mil beijinhos
E abraços te dou
Nam fiquemos mal, sózinhos!
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Oh! Ribeyras do mar
Que tendes mil mudanças
Minha dor e lembranças
Levai; trazei seu amar!
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O Ssol bem escurece
Cai, a noite se vem
Minha alma nam falece
Se és comigo, meu bem.
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Paço de Arcos 1989.08·30 
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SÃO TRISTE MADRIGAL E MELANCOLIA                                8909.153.0 / 2.045



Pus a bordada toalha de renda,
No candelabro acendi a vela,
Alindei a mesa com trigo e rosas,
Preparei o vinho e a codorniz.
Em surdina a música e a prenda,
Feliz contigo, poema na tela:
Ternura e beleza mui preciosas.
Mas faltaste ao amador-aprendiz;
O  jantar lixou-se, não estou feliz!
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DE PEDRA SOIS VÓS, COISA DURA?


Á minha porta bateu a Joana
Ar tímido, de não sobressair,
Com jeito, fala de sol a sorrir,
Deixando-me preso, bela magana,

Mas seu coração por mim não abana,
Nem no  meu canto vem ela cair
;Bem a convido mas sem conseguir
Fazer com ela nossa boa cama.

Não terei genica ou desembaraço,
Nem ouro ou rosas p'ra ofertar,
E assim lograr que seu bem mereça?

De mãos vazias, sem seu regaço,
Por aqui ando, com mau respirar,
Sem que por mim seu desdém faleça.

1989.09.08 Setúbal
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João Baptista Cansado da Guerra
Viu a zorra, ficou preso em liana;
Por ela ficou gamado, sacana,
Sem a conquistar, no céu ou na terra.
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Será melhor abandonar a perra?
No mundo há muito outra bela magana
Com amor e doce mel que abana,
Sem que o bimbelo esteja em tal berra.
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Dizem, são iguais no comportamento;
Vero, querem todas o o mesmo paleio;
Chicote, desprezo e doce fel!
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Ora, adeus, vá bem longe este cimento
A tal macho e fêmea sou alheio;
Antes só, que encenar o papel!
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Setúbal 1989.09.09
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CANTAI OLIVAIS, CANTAI DE ALEGRIA.
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Oh! Mil-Sóis, teu aspecto bem cativa;
O andar, o sorriso radiante,
Doce, valerosa como diamante,
Que pena tu pareceres tão altiva.
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.Pode a tristeza andar-me fugitiva
Se tu, trigueira, de ar tão sonante,
Me pões em terra, mal esvoaçante,
Sem por isso ficares pensativa?
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.Há bem grande alegria se te vejo
Nesta minha sala, mesmo calada,
Com teu jeito manso e delicado.
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Céus e terra cantam vero desejo
De me convidares p'ra jantarada,
Com fogo mal preso, estralejado.
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Setúbal 1989.Setembro.05
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ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE
(Camões)



Nada tenho para te ofertar
Que saiba: joias, discoteca, dança;
No tempo busco vária temperança
que também vos dão bom estimar.

Um com outro bem quiz enredar,
Mas parece ser outra a contradança
Que muda a tua dor em festança,
Por aqui me deixando a vaguear.

Lembro a tua lábia, seio moreno,
Tua feição que muito me agradou;
A pele, doce ardor despertou
Que na barca me fez vogar, sereno,

Porém não está o meu coração pleno
De alegria, que por vós soou:
Nem grã Camões ou milionário sou
Para contigo navegar, no Reno.

Erros meus, má fortuna, amor ardente,
Não fazem da jornada bom soneto
Nem do navegante melhor "gineto"
Pois em ti está meu pensar, descontente'


Assim na Luísa Todi jazente,
Vogando entre o lume e o espeto,
Bem vivo, com meu bom ou mau "aspêto"
Buscando tua razão e paz, somente.



1989.Setembro.10 - Setúbal 
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ver no DÁli e D'Aqui
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D. Dinis, Garcia de Resende e Camões


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As mil e uma noites - A lanterna de aladino
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