Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Letras empilhadas, ano após ano, em Dezembro, 02, (re)colhidas em 2024

 * Victor Nogueira

2 de dezembro de 2012  · 

Foto Victor Nogueira - Setúbal - Ruínas na Vila Maria, antigo bairro operário (como se fora um  cenário em estúdio ou no palco)

Sento-me defronte de mim e entre nós o reflexo ou a imagem, baça, esbatida, uma sombra, contorno sem substância, um sabor ígnaro, áspero, rugoso, estranho de mim e o gelo cerca-me, especialmente nos pés. Agarro o pensamento e junto as palavras, um rio pastoso, as mãos frias. Dedilho o teclado, baque seco descontínuo da barra de espaços, um zumbido nos ouvidos. E o rasto de mim é uma carreirinha de signos, formigas no carreiro. Sempre em frente ! (2012.12.02)

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Mia Pires Griff - ...linda imagem!

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Margarida Piloto Garcia - Às vezes a paisagem tem semelhanças com o cenário dentro de nós..

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Isabel Maria - Bom dia Victor!hoje está um belo dia de sol sempre dá para aquecer...o bairro está como nós operárias em ruínas.

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Carlos Rodrigues - Avante, formigas no carreiro, rumo ao Sol, que o cenário é frio.

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Lia Branco - Obrigada pelo belo texto e pela foto! Beijinhos

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Deolinda F. Mesquita - Foto e texto extremamente bonitos e sentidos no momento actual. Obrigada Victor. Bjs

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Belaminda Silva - Linda imagem acompanhada de um belo texto. Beijinhos e um ótimo Domingo 🙂

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Maria Jorgete Teixeira  Gostei muito do texto, Victor, pese embora o seu tom disfórico!Beijinhos!

12 a

2 de dezembro de 2013  ·  

Dentro do sistema capitalista há algum país "normal"? O que é um país "normal" dentro do sistema  capitalista? O "farol" da "Liberdade" e dos "Direitos Humanos" é um "Estado Social" com "Segurança Social" ? Fora da Europa e antes da chamada "crise", quantos países poderiam ser considerados como "Estados Sociais" e qual o peso da sua população abrangida relativamente à população mundial ? O "normal" são   a desumanidade e a "anormalidade (des)humana"



2 de dezembro de 2019  · 

foto victor nogueira - Mindelo, 1976

Alexandrina Silva - bonita, deve ter uns bons anos pelo aspecto do carro, o chão, as casas. os homens tem sempre a mesma figura❤️❤️. 

Victor  Nogueira - Se te referes à foto do Mindelo, sim, é de 1976. Mas ... não percebi essa dos homens terem sempre a mesma figura. Não me parece, p. ex., que eu tenha tido sempre a mesma figura, como podes verificar :.-P no álbum a seguir

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Alexandrina Silva - Queria apenas diizer que a base, a estrtura, não mudou, como as casas e os caminhos.talvez mudassem, mas a mudança é interior , não se vê, sente-se.

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Alexandrina Silva  - claro que o corpo se modifica em jovens somos bonitos mais ou menos, mas o curso natural da vida transforma-nos, somos apenas mais velhos, mas somos NÓS MESMOS.a única diferença é que estás com uns anitos a mais, mas isso, tem que ser, e o tem que ser tem muita força.

5 a

Alexandrina Silva  - gosto de muitas,, mas tem duas que acho especiais, marquei-as e agora n sei onde estão

5 a

Alexandrina Silva - lembras a marca do carro, ou não era teu?

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Victor Nogueira - Era da minha minha mãe, um Fiat Uno

5 a

2 de dezembro de 2020  · 

foto victor nogueira - Maiorga (Coutos de Alcobaça)  chafariz do Estado Novo  (rolo 229)

Um minúsculo largo é o centro desta antiga vila, onde se encontram o pelourinho (que lhe dá o nome), a antiga igreja da Misericórdia ou do Espírito Santo, com o seu portal manuelino, hoje desactivada e que foi entretanto escola de música, mesmo ao lado da sede do clube da terra (Sociedade Filarmónica de Maiorga) e do edifício da nova igreja, de S. Lourenço, com o seu adro arborizado, templo despretensioso, com um relógio de sol na fachada principal e um altar barroco. 

Neste mesmo largo um fontanário com azulejo de Santo António tem a inscrição de que se trata duma Obra da Ditadura (1933), como aliás consta dum outro mais pobre existente noutro largo, isto sem falar num cruzeiro dedicado Ao Portugal Eterno e num memorial aos combatentes do Ultramar (1993), este no Largo dos Combatentes. 

Não obstante estes testemunhos, a rua principal denomina se do 25 de Abril e nela existe uma casa em cuja fachada figura um painel de azulejos representado o aviso Afonso de Albuquerque, talvez o que foi afundado na chamada Índia Portuguesa quando da invasão pela União Indiana.  (NOTAS DE VIAGEM, 1998.02.21/22)

2 de dezembro de 2021  · 

Fotos victor nogueira e Américo Ribeiro  - Paços do Concelho, Pelourinho, igreja de S. Julião e estatua de Bocage

O actual edifício dos Paços do Concelho de Setúbal é projecto do arquitecto Raul Lino. O edifício primitivo, do século XVI, reformulado no século XVIII, com traça similar à da Casa do Corpo da Guarda, foi destruído por um incêndio quando da Implantação da República. 

Com efeito os Paços do Concelho em muitas terras  albergavam também os serviços de cobrança de impostos e a cadeia comarcã, para além de aquartelaram a Guarda Municipal. De 4 para 5 de Outubro, cercada e encurralada pela população, a Guarda Municipal  abriu fogo sobre os manifestantes, que vitoriavam a República e a Queda da Monarquia,  não conseguindo impedir a invasão do edifício e o incêndio subsequente, que destruiu os Arquivos Municipais, reduzindo a cinzas grande parte da História documental do Município.

Foi no Congresso Republicano de Setúbal, realizado nos dias 23, 24 e 25 de Abril de 1909, no antigo Teatro Rainha D. Amélia – hoje o Fórum Luísa Todi  – que se decidiu a via revolucionária para a conquista do poder, quando até aí era por muitos defendida uma perspectiva mais pacífica e evolucionista, da conquista deputado a deputado, câmara a câmara, como caminho para a implantação da República.

Programada para ser proclamada a República em 4 de Outubro de 1910, ela veio a acontecer nesse dia nos Municípios de Loures, Moita e Setúbal. A resistência das forças militares fiéis á Monarquia quase fez malográ-la em Lisboa, na sequência do assassinato de Miguel Bombarda por um alienado no hospício e pelo suicídio doutro dos líderes, o Almirante Cândido dos Reis, convencido do fracasso da revolta. Contudo,  a resistência dos revoltosos na Rotunda, chefiados pelo comandante Machado dos Santos, em Lisboa, acabou por conduzir á vitória e á implantação da República, proclamada da varanda dos Paços do Concelho de Liboa em 5 de Outubro.

Anteriormente e na sequência do Ultimato Inglês a propósito do Mapa Cor-de-Rosa e partilha de África pelas potências coloniais, ocorrera no Porto a Revolta de 31 de Janeiro , em 1891, o primeiro movimento revolucionário que teve por objectivo a implantação do regime republicano em Portugal. A revolta fracassou e os implicados foram alvo de violenta repressão pelas forças da Monarquia. 

O pelourinho de Setúbal esteve inicialmente colocado na Praça da Ribeira Velha, sendo depois deslocado para o actual Largo do Marquês de Pombal, no Bairro do Tróino.

O pelourinho de Setúbal é uma estrutura em cantaria de mármore, composta por soco quadrangular de dois degraus, onde se ergue um pedestal prismático com inscrições, sobre o qual assenta coluna de fuste cilíndrico, capitel coríntio encimado por pinha cónica, com ferro terminal trespassando três esferas muito deterioradas. 

No pedestal lêem-se as seguintes inscrições: A S.: "Este pelourinho se mudou da Praça Ribeira para esta real no Anno de 1774"; a N.: "E por decreto de S.M.F. nomeado inspector das obras públicas desta villa José Bruno de Cabedo Coronel do Regimento e governador da praça Director destas João Vasco Manuel de Braun sargento-mor da mesma Engº e comandante d'artilharia"; a E.: "Por ordem do Illmo. e Exmo. Sor. Marquez de Pombal do Conc. de Estado"; a O.: "Tudo Executado por despeza da Camera desta Villa, sendo juiz de fora, Liandro de Souza da Sylva Alcoforado".

2 de dezembro de 2012  · 

Foto victor nogueira - Perafita (Matosinhos)  - Centro Comercial 

Foi o Rui que me chamou a atenção para o design deste centro comercial, imitando contentores, ali a dois passos do porto de Leixões. Para além disto, trata-se dum centro comercial que se estende  num único e extenso piso, fazendo-me vir á memória as povoações rurais do interior dos EUA, retratadas em inúmeros filmes e séries televisivas.

Mas se repararmos bem no interior de supermercados em edifícios isolados, estes não são mais que enormes contentores, onde se alinham e cruzam corredores de prateleiras, melhor ou pior disfarçados pela decoração, minimalista ou mais ou menos exuberante.



Elisabeth Duarte Portugal de Antigamente

28 de novembro de 2022  · 

1954 - Portugal

A moda das sombrinhas abertas todo o ano para proteger as senhoras de olhares indiscretos...

Foto de Peter Fink

Fundação Cx G. Depósitos

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Carlos Barradas Teixeira - Aqui talvez seja para proteger do sol e do calor, não?!!

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Victor Nogueira - Também penso o mesmo. Mas o que me interessou foi a foto a preto e branco. No longínquo ano de 1966, quando vim para um país que não era o meu para frequentar Economia, que não havia na recém criada universidade em Angola, havia muito poucos automóveis, mesmo em Lisboa, e a maioria ou andava a pé, de bicicleta ou em transportes públicos apinhados. E as carroças puxadas por uma alimária, como a da foto, eram muito comuns nas estradas e povoações neste país á beira-mar prantado, onde dizem que a terra acaba e o mar começa!

2 a

Carlos Barradas Teixeira - Victor Barroso Nogueira agora a esta distância percebemos como este país rural era atrasado!!

2 a

Victor Nogueira - C Manuel B Teixeira Talvez imagines o meu suplício ao descer a Calçada da Estrela rumo a Económicas no Quelhas, enregelado, mal conseguindo falar ou escrever, ainda noite cerrada, com os guarda-nocturnos e as alimárias que puxavam as carroças deitando "fumo" pela boca e pelas narinas! E as larguíssimas ruas da Baixa Pombalina eram ruelas comparadas com as avenidas e ruas de Luanda! Fora da Universidade, tudo era muito pequeno, mesquinho e cinzento.

2 a

Carlos Barradas Teixeira  Victor  ainda me lembro em algumas noitadas no Bairro Alto de regresso a casa pelas três da manhã de ver um carro de bois carregado de vegetais em direção à Praça da Ribeira!!

2 a

2 de dezembro de 2023  · 

Foto Victor nogueira - Mindelo e a sombra da oliveira, plantada pela Susana a long time ago (2023 12 02 IMG_3633) 

Quando o meu avô Barroso comprou este terreno e começou a construir esta casa, no final da década de 60 do passado milénio, tudo isto eram campos agrícolas e poucas casas existiam neste loteamento. Havia apenas electricidade, mas não abastecimento de água  pela inexistente rede pública ,nem saneamento básico. Cada casa tinha a sua fossa séptica, que periodicamente tinha de ser esvaziada para autotanques; a água, essa era era extraída de poços, cada vez mais inquinados com o passar do tempo. Só decorridos muitos anos a Câmara socialista criou a rede pública para fornecimento de água e só muito recentemente concluiu a rede de saneamento básico

Este sábado o tempo esteve soalheiro mas dum sol gélido, outonalmente invernal, que não aquece nem  o corpo nem a alma, esfarelando os ossos até ao tutano, com as mãos e os joelhos reclamando aquecimento. Nas leiras nas traseiras desta casa voltar amos pombos em revoadas, buscando no solo alimento, como habitualmente

Na foto vê-se o poço, coberto com uma laje de cimento armado, circular, e a casa da bomba de água, com a qual se rega a horta e o jardim, no quintalejo, embora o precioso líquido já vá rareando, deixando por vezes os poços em secura.

Hoje almocei a horas decentes, embora acabasse por não sair; bifinhos de cebolada com arroz de manteiga e cenoura ralada. Como sobremesa, maçã reineta.

Prossigo a leitura de “O assassino”, que não me está emocionando por aí além, Cada álbum tem uma história independente, embora tenha descoberto o fio que as liga, uma traição/armadilha que durante um serviço quase despachou o assassino, que ao longo dos vários  álbuns subsequentes procura desenredar o fio à meada!

A leitura é um dos meus passatempos, para lá das notícias on line. Sem propósitos   de exaustão, várias peças de teatro: “Corpo-delito na sala de espelhos” e “O render dos heróis”,  de Cardoso Pires, “As mãos sujas”, de Sartre, “A mandrágora”, de Maquiavel, “In nomine Dei”, de Saramago, “As mãos de Abraão Zacute”, de Sttau-Monteiro. Entre os romances, “Sorge, o espião do século” e “A noite dos generais”, de Hellmut Kirst, “Conselho de Guerra” e “Os carros do Inferno”, de Sven Hassel, “O ano da seca”, de Victor Álamo de la Rosa, “O espião que saiu do frio”, de Jonh Le Carré, “O homem que via passar os comboios”, “O comboio de Veneza” e “Os sinos de Bicêtre”, de Simenon. Este último romance é sobre a lenta recuperação dum homem que vai saindo do coma após um ataque cardíaco. Daí resolvi ler pela primeira vez, de Cardoso Pires, um livro deste sobre a sua lenta recuperação dum AVC: “De profundis, valsa  lenta”.

A maioria destes livros já os tenho em Setúbal, sendo o que me coube dos espólios do meu tio Josè João ou da minha amiga Rolanda Campos, falecida no passado mês de Julho.

Resta a banda desenhada. Para além de “O assasslino”, que estou a ler à medida qe semanalmente é publicado um novo álbum duplo. Da VII Série da Novela Gráfica Público/LeVoir li “Moby Dick” , de Christophe Chabouté, “Léa Não Se Lembra Como Funciona O Aspirador “, de Gwangjo e Corbeyran, “Estampas 1936”, de Felipe Hernández Cava e Miguel Navia, “Primo Levi”, de Matteo Mastragostino e Alessandro Ranghiasci, e ”Alexandra Kim”, de Keum Suk Gentry-Kim.

Normalmente as histórias em banda desenhada ou quadrinhos são estáticas, embora com várias técnicas possa ser dada ao leitor a ideia de movimento.  Em “Moby Dick”, baseado no romance de Herman Melville, a narrativa, como se cinematográfica fosse, está em constante movimento e cada vinheta, na expressividade e diversidade seu enquadramento e desenho, a preto e branco, faz jus à máxima de que “uma imagem vale mais que mil palavras”. Também expressivo é o desenho, a preto e branco, de “Estampas 1936” baseado na Guerra Civil Espanhola; cada conjunto de pranchas constitui como que uma história independente, ligadas pelo fio condutor do conflito. As restantes histórias são estáticas, sendo duas delas biográficas, a de Primo Levi e a de Alexandra Kim, esta uma revolucionária coreana que com o apoio de Lenine e da Rússia Bolchevique, desenvolveu a sua acção no seu país natal, então ocupado pelos japoneses  e por estes executada.

Mas ainda me falta ler alguns dos dez álbuns desta VII Série da Novela Gráfica Público/ LeVoir.


2 de dezembro de 2024

 Foto victor nogueira - outono desfolhado (2924 09 04 IMG_5224)



Quando, Lídia, Vier o Nosso Outono, de Ricardo Reis (heterónimo de Fernando Pessoa)

Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o Estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa —
O amarelo actual que as folhas vivem
E as torna diferentes.


Odes de Ricardo Reis – Fernando Pessoa.

sábado, 23 de novembro de 2024

Letras empilhadas, ano após ano, em Novembro, 22, (re)colhidas em 2024

 * Victor Nogueira

22 de novembro de 2009  · 

Todos estamos ausentes uns dos outros, especialmente neste mundo asséptico, sem odor, sem calor, mais ou menos enconchado,minado ou armadilhado com algumas máscaras sem veludo ou aspereza ao tacto, insonoro,silencioso, ausente,mesmo quando presente,que é a existência virtual! Bjo ou abraço do Kant_O

22 de novembro de 2009  · 
 
Quando eu morrer e em vida vou vegetando, não voltarei. E no entanto, como fardo sobre mim, carrego um pouco de outrens que conheci ou comigo se cruzaram, bem como os lugares em que estive, deixando pegadas no solo e levando pó nos meus sapatos,

22 de novembro de 2012  · 


Foto Victor Nogueira - Pôr do sol na Lagoa do Calvo

António Tejo -  ...Será que o que quer que se diga da beleza da foto, a embeleze mais, do que ela mesma o é em si?
12 a

Anne Marie - muito lindo Ricardo olá beijos
12 a

Margarida Piloto Garcia - Inebriante, de tirar o fôlego!
12 a

Maria Márcia Marques - 

Espremo o sol num poema, e bebo o sumo.
Pode muito esta humana fantasia!
Navegava a direito, no meu rumo,
Quando nisto,
A monção
Desvia-me das velas a ilusão
E me atolo num mar de calmaria!
Mas resisto,
Embebedo-me assim na solidão,
E aguardo que renasça a ventania...
(Miguel Torga)
12 a

Jølstrunn Fossheim É ainda mais bonito que a aurora boreal! Inacreditável.
12 a
 
Isabel Maria  - Momento mágico...
12 a
 
Anne Marie  - boa noite vitor linda foto
12 a

Manuela Vieira da Silva - Espetacular!!!! Às chamas da vida o céu respondeu. Obrigada, Victor Nogueira 🙂
12 a

Judite Faquinha - Espetacular maravilhoso por do sol, camarada Victor amei ...beijokinhas amigo, sempre ❤
9 a

22 de novembro de 2013 
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é a net net
que derrete
e arrefece
esquece
é festival
bem real
é amizade
na realidade
com ou sem maldade
é a vida vazia
plena de fantasia
é andor
sem dor nem ardor
mas com fervor
ou calor
é a net net
livre
com ou sem azia
doce ou macia
que se repete
fugaz caleidoscópio
da vida cinescópia
setúbal 2013.11.22

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Maria Jorgete Teixeira - vida virtual, bem real... 11 a
Manuela Vieira da Silva - Tentar o equilíbrio, nem vazia nem fria, para muitos a salvação, para outros a perdição. Bjos.🙂 11 a
Graça Maria Teixeira Pinto - Vida virtual, mas p/ detrás está gente viva que pensa, sente, ama... 10 a
Victor Nogueira - Não ponho em causa, Graca Maria Antunes, mas eu sou do tempo que a net não existia, em que as pessoas eram reais tal como a vida, com as idas em grupo à praia ou ao cinema, das tertúlias em casa ou no quarto de hóspedes de alguém, dos encontros à mesa do café, dos jogos da Glória ou o Monopólio ou às cartas - o burro em pé, o sete meio, a bisca, o crapaud, o King ou a sueca, em torno da ,mesa do quintal ou da taberna. Do tempo em que não havia televisão nem salas de conversação "virtuais", em que as pessoas existiam e eram percepcionadas não pela imaginação mas pelos chamados 5 sentidos e não apenas o do olhar para um monitor frio e "em branco" e pelo tactear as telas. O tempo em que as pessoas se refugiavam na virtualidade julgando assim vencerem a solidão. Sou dum tempo e duma terra em que as pessoas iam a casa umas das outras, sem portas e janela fechadas e nunca escancaradas. A casa dos meus pais em Luanda ou em Paço de Arcos ou da minha família em Paço de Arcos e No Porto ou dos meus primos em Goios sempre foram casas abertas aos amigos e aos forasrteiros 10 a
Graça Maria Teixeira Pinto - Tb sou desse tempo, e excluindo as tabernas (Mon Dieu, uma menina na taberna...) tive essa vivência, mas enfim, a net tb tem alma e encontramos amigos q mesmo virtuais têm p/ vezes mais afinidades connosco que os reais.. ( Não tinha lido tudo ).E mais uma vez me revejo nessas casas abertas que tb eram as casas dos meus pais e dos meus avós...Mas tens razão O écran do computador é gélido...Muitas vezes... 10 a
Victor Nogueira - Há dias e são muitos em que me apetece sair em companhia, ver o sorriso e sentir a pele ou o abraço físico, ver a cor do olhar e o sabor do riso
Ainda não estou completmente desumanizado LOL

As tabernas só as frequentava qd em évora fazia inquéritos, para encontrar os a inquirir ou os membros da equipa, ou no Alentejo, qd ia à aldeia onde viviam os meus cunhados (salvada ou santo amador, no alentejo) 10 a
Graça Maria Teixeira Pinto - Não duvido! Mas as ditas eram grandes centros de convívio! 🙂 10 a
Victor Nogueira - para além de jogar à sueca com os meus cunhados ("manos", como se diz no alentejo) e beber "sumos" ou chá em vez de vinho, tb por vezes havia o cante alentejano


Taberna em Cuba - Baixo Alentejo

22 de novembro de 2013  ·  

Foto Victor Nogueira - hoje, 6ª em Setúbal. Domingo, voltará o sol de inverno, que alumia mas não aquece. Tantas décadas volvidas e para mim o sol é calor, salvo na Europa e ao contrário do que sucede nos trópicos. É em Portugal e para mim, um sol enganador, devido à persistência da memória apesar dos sentidos.

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Clara Roque Esteves - Bela imagem. Estava decidida a ir hoje a Setúbal mas quando olhei a janela da casa fechei a porta da vontade. Obrigada pela partilha. Um beijinho.

11 a

Maria João De Sousa -  Linda perspectiva da cidade, Victor Nogueira! Estou muito gelada para não ceder à tentação de me sentir nostálgica por alguns raios de sol... eles sempre esquentam, mesmo os de inverno... obrigada!

11 a

Isabel Maria -  Diz me do que é que os imigrantes do norte da Europa têm mais saudade...Sol Victor o melhor que temos neste jardim à beira mar plantado.

11 a

VictorNogueira  - Isabel Reis Mas eu sou imigrante proveniente ..-. dos trópicos, das chuvas breves mas violentas, do sol abrasador, das violentas tempestades e assustadores relâmpagos e estrondosas trovoadas. E do frio cálido, o do "cacimbo"

No Verão, em Portugal, qual lagarto, ando sempre pelo.sol, raramente me abrigando à sombra 😛

11 a 

Judite Faquinha -  Victor. bela imagem de Setúbal... mas deve ser uma parte nova pelo estilo, agora o tempo encoberto tira uma parte da beleza, gostei!!! Agora tu vives dividido estás cá! Mas com sua Angola no coração... climas tão diferentes, obrigada amigo<3

11 a

Isabel Dias Alçada - O Sol do nosso País infelizmente anda muito frio para alguns Portugueses.... beijinhos amigo

11 a


Um bobo da corte com uma atenta audiência, de Charles Cattermole


 Figurinos para um-bobo para um sonho de uma noite de verão, C.1881-93 


Iluminura


 O bobo da corte, de   John Watson Nicol


Uma justa de bobos da corte, por  Maria Browning 

   22 de novembro de 2013  ·

o domingo na poesia segundo vários escritores - 17 - os bobos e truões - 02

* António Gomes Leal - A Senhora de Brabante * António Gomes Leal - Aquela Orgia * Cruz e Sousa - Soneto ` Marcus Machado - Truão * ... - Coringa ou Joker * Vinícius de Morais - Elegia, quase uma ode

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Maria João De Sousa   Excelente, Victor Nogueira, excelente!!! Escolhas magníficas para uma coletânea muito, muito especial!

11 a

Luisa Neves - Que dizer??? - BRAVO! Abraço. 😉

11 a

Cremilde De La Rosa -  Gostei muito dessa coleção! Viva a LIBERDADE!

11 a

Fatima Mourão - viva a liberdade!

11 a

Judite Faquinha -  Maravilhosa coletânea Victor, excelente adorei todos sonetos, poemas e quadros são belissimos... mais< HISTÓRIA> e VIVA A LIBERDADE, beijokinhas, bom final de semana amigo!!!

11 a

Vânia Cairo - Boa receita para qualquer hora, amigo!!! Bjo

10 a

22 de novembro de 2013  ·


Rui Paulo Fotografia - O Castelo e a Lua (Bragança)

Victor Nogueira -  A Igreja de Santa Maria em noite de lua cheia ? o Domus é que quase não se distingue, no namoro entre as duas torres, a do castelo e a da Igreja. 🙂
11 a

Maria Márcia Marques - um namoro ao luar....
1 1 um


22 de novembro de 2013 
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de Ricardo Reis
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Então pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca retorna,
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento de mais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento –
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada
Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim – à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

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Manuela Vieira da Silva - Obrigada pela partilha do poema de Ricardo Reis. É uma beleza. Boa noite, Victor Nogueira. Bjo.🙂 11 a Maria Márcia Marques - Mais vale estarmos sentados um ao pé do outro vendo o rio correr de mansinho e levar com ele esta nossa amizade a percorrer o mundo.... 11 a

 22 de novembro de 2013
Eu sou um pouco como S. Tomé - ver para crer. Só acredito depois da virtualidade se tornar numa realidade, ombro a ombro, lado a lado Até lá, arrumo livros e, como o Fernando Pessoa, da "Tabacaria". recito "Come chocolates, pequena, come chocolates"

~

Tabacaria - Poema do heterónimo de Fernando Pessoa, recitado por Mário Viegas, e encenado na última casa onde o poeta morou. A récita e a encenação pertencem ao programa PALAVRAS VIVAS sobre Fernando Pessoa, emitido pela RTP em 1991


Fernando Pessoa por Joao Villaret - Tabacaria

José Eliseu Pinto - Come chocolates, pequena, come chocolates..."
Já cá não está quem o sabia de cor e o dizia magistralmente, em noites memoráveis. Tenho saudades do João de Brito.
11 a

Victor Nogueira - /No meu mural tens duas outras interpretações, Jose Eliseu Pinto - uma de Mário Viegas e outra de Vilaret Abraço
11 a

José Eliseu Pinto
Tenho as duas. E ouço-as com mais frequência do que imaginas. Tenho uma predilecção pelo Álvaro de Campos, vá lá perceber-se porquê.

Habituei-me, de pequenino, a ouvir o João Vilaret, 'récitant' muito apreciado em casa dos meus avós maternos. Dá-se o caso de ele ser parente de uma prima afastada que vivia, solteira, em casa das tias velhas. Coisas.
11 a

Victor Nogueira - Lá em casa, em Luanda, na discoteca dos meus pais lá estava João Vilaret. Era, no tempo da outra senhora, o divulgador da poesia. Só depois. em Portugal, o "encontrei" na RTP.

Quanto ao Pessoa, no tempo em que fui para évoraburgomedieval era por Campos, o Álvaro de, a minha preferência. Hoje, (bem já in illo tempore, vendo bem), apesar duma certa força da sua poesia mesclada de cepticismo realista, prefiro o Alberto Caeiro, panteísta. mais simples e menos problemático.
11 a

22 de novembro de 2014 
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foto victor nogueira - oeiras - parque dos poetas - Garcia de Resende -  escultura de António Vidigal 

NÃO RECEEIS FAZER BEM (excerto)

As damas nunca parecem
os galantes poucos são
cousas de prazer esquecem
os negócios vêm e vão
nunca minguam, sempre crescem.
Não há já nenhum folgar
nem manhas exercitar
é tanto o requerimento
que ninguém não traz o tento
senão em querer medrar.
Mil pessoas achareis
menos das que cá leixastes
doutras vos espantareis
porque vê-las não cuidastes
da maneira que vereis.
Uns acabam outros vem
e uns tem outros não tem
e os mais polo geral
folgam muito d'ouvir mal
e pouco de dizer bem.
TEXTO COMPLETO EM
SOBRE GARCIA DE RESENDE E A ESCULTURA DE António Vidigal VER

22 de novembro de 2021  · 

 
Foto Victor Nogueira - Cela Nova (Coutos de Alcobaça) - Igreja de Santo André e pelourinho (rolo 211)

A Igreja Paroquial de Santo André, fundada sob ruínas dum antigo templo, foi reconstruída em 1909 numa arquitectura neo-manuelina. Da velha igreja restam a talha barroca setecentista do altar-mor, a pia batismal e as seis gárgulas.

O Pelourinho,  erguido em 1514, é constituído por uma coluna simples implantada sobre três degraus circulares e coroada por um cone com esfera armilar e a pedra de armas dos Abades de Alcobaça.


22 de novembro de 2022  · 

Foto victor nogueira - Rosas no Mindelo  

No verão foi a casa pintada exteriormente, bem como os muros do quintal.  Por esse motivo a vizinha que me olha pela casa e pelo  quintal plantou menos roseiras e outros espécimes floríferos, incluindo rosas e dálias. 

Em consequência, nas jarras, flores artificiais substituem as que nos anos anteriores eram colhidas regularmente no jardim, lá fora. 

Como bónus, de Tchaikovsky, a Valsa das Flores (Suite Quebra-Nozes op 71)

Balé do Teatro Escola Basileu França. Simone Malta, coreografia. Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás. Eliseu Ferreira, regente. Teatro Basileu França. Goiânia, 30 de Novembro de 2012

24 de novembro de 2024 -

1. - « Camarada não se iluda com falsos socialismos. Socialismo há um só, o socialismo proletário o que liberta o homem da exploração do capitalismo e o leva ao comunismo. Não se iluda, nem com falsos socialismos nem com falsas liberdades. » (1974/75 - cartazes e murais de abril 01 - Mora - Alto Alentejo)

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2. - Preâmbulo da Constituição da República Portuguesa, aprovada em 2 de abril de 1976, pelo PS, PPD/PSD, PCP e UDP, com os votos contra do CDS.