Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Letras empilhadas, ano após ano, em Maio, 19, (re)colhidas em 2025

 * Victor Nogueira

19 de maio de 2013 

entre as caldas e óbidos 02

Serra d'El Rey # Atouguia da Baleia # Lourinhã 

VER   entre as caldas e óbidos 02

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   Joaquim Carmo

... e as saudades que tenho destes locais! Obrigado, Victor! Abraço e bom domingo para si, amigo!

12 a

Luisa Neves

Obrigada Amigo. Abraço. 😉 🙂

12 a

Maria Márcia Marques

São maravilhosos estes textos, com leveza levas-nos aos locais e percorremos, com passos lentos, estes recantos do País...

12 a

Isabel Dias Alçada

Boa tarde Amigo, adoro ler os seus textos fazem com que viajemos em pensamento.Abraços e um beijo com carinho ...

12 a

Maria Lisete Almeida

Obrigada pela partilha destes velos textos. Abraço.

12 a

Joaninha Duarte

Muito bom este texto: viajámos sem sair de casa! 🙂

12 a

Maria Márcia Marques

Victor continua com as tuas incursões históricas, mas não fiques vaidoso…

12 a

Belaminda Silva

Lindo texto !!! Obrigada Victor! Beijinho poeta amigo 🙂

12 a

Alice Coelho

Muito bom!!!!! 😘

12 a                  


Morte de Catarina Eufémia, desenho de José Dias Coelho

19 de maio de 2014  

nos 40 anos do 25 de abril - 27 - Catarina, o pintor morreu !

Cantar Alentejano (Vicente Campinas) # Retrato de Catarina (José Carlos Ary dos Santos) # Catarina Eufémia (Sophia de Mello Breyner) # Margem Sul (canção Patuleia) (Urbano Tavares Rodrigues) #  A morte Saíu à rua (José Afonso)

Catarina Eufémia (1928 – 1954)

Personifica o exemplo de coragem e tenacidade na luta pela liberdade. Trabalhadora rural, Catarina Eufémia reivindicava pão e melhores salários quando foi assassinada em terras de Baleizão pelas forças do regime salazarista. Viviam-se tempos difíceis no Alentejo. Com condições de vida precárias, os camponeses [assalariados rurias] saíram à rua para protestar. Catarina Eufémia - que se supõe ter sido militante comunista - liderava o movimento. Era o símbolo da dedicação aos ideais, como a justiça e a igualdade, um símbolo da resistência do proletariado rural alentejano à repressão e à exploração do salazarismo e, ao mesmo tempo, um símbolo do combate pela liberdade e da emancipação da mulher portuguesa. A sua trágica história tornou-se numa lenda e inspirou vários poetas ao longo de décadas.

José Dias Coelho, escultor, militate e dirigente do PCP, forçado à clandestinidade, foi assassinado pela PIDE em 19 de Dezembro de 1961. É dele que fala .Zeca Afonso - A Morte Saiu À Rua

Todo o país estava em luta. Os trabalhadores sofriam a repressão e a exploração económica. Lutavam por condições mais dignas e melhores salários. Sentiam na pele o regime ditatorial de Salazar. No Alentejo, os trabalhadores agrícolas estavam em greve. Já se recorria a mão-de-obra de outras zonas do País que se sujeitava às condições precárias que ofereciam os empresários. A década de 50 foi um período de grandes tensões sociais. E a PIDE estava à espreita, assim como a GNR, que tinha postos nas próprias herdades.

Em 19 de Maio de 1954, a situação agravou-se. Os assalariados rurais de Baleizão abordaram abertamente um grupo de trabalhadores recém-chegados para que, também eles, reivindicassem melhores condições de trabalho. Os ânimos aqueceram. Catarina Eufémia, uma ceifeira analfabeta, estava à frente do movimento. Mulher de coragem e determinação, lutava por uma sociedade mais justa e, como a própria afirmava, por “pão e trabalho”. Ao ser abordada pelo tenente Carrajola, da GNR, Catarina respondeu com autoridade. No mesmo momento levou vários tiros e morreu. Tinha 26 anos e três filhos. Crê-se que estava grávida. A notícia chocou o País. Catarina Eufémia morreu como uma resistente, exigindo mais dignidade para os trabalhadores agrícolas.

[Não me parece que a censuira permitisse a notícia da morte de Catarina, assim como não noticiava as lutas e reivindicações dos trabalhadores - VN]  (...)

retirado do site da RTP - Concurso Os Grandes Portugueses

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Ana Sara Cruz

"Acalma o furor campina

Que o teu pranto não findou

Quem viu morrer Catarina

Não perdoa a quem matou"

11 a

Maria João De Sousa

Muito obrigada, Victor Nogueira! Faz hoje anos que "o pintor morreu", é uma excelente publicação e eu vou tentar torná-la mais visível, pelo menos para mim. Forte abraço!

11 a

Susana Valente

Não podemos permitir que nos branqueiem a memória, obrigado camaradas, é importante manter viva a lembrança dos que se bateram pela nossa liberdade. Para os algozes nem esquecimento nem perdão, para que não tenhamos de voltar aos sombrios dias em que eles viveram. Fascismo nunca mais!!!!

11 a                   

19 de maio de 2015  · 

foto jj castro  ferreira - ilha do Cabo, em Luanda, cerca de 1956 - Sobre a Ilha do Cabo e não só se  fala nesta nota Luanda e a Praia do Bispo 02  

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 Maria José Fonseca

Palmeirinhas?

10 a

José Augusto Duarte Ferreira

No sítio onde mais tarde viria a existir o bar Napolitano, em frente da praia que, devido a esses coqueiros (aos que sobraram), se chamou Praia das Palmeirinhas...

10 a        

Joao Morais Martins

A minha praia preferida

10 a

José Augusto Duarte Ferreira

Gosto muito desta foto...

10 a

 Margarida Pino

Adorava a Praia das Palmeirinhas. Obrigada Victor!

10 a

Milu Vizinho

Obrigado pela partilha Victor Barroso Nogueira é uma imagem muito bonita. Beijinhos ❤

10 a

Maria João De Sousa

Bela imagem, Victor Barroso Nogueira, obrigada!!!

10 a

19 de maio de 2016  · 

foto  victor nogueira - Setúbal - A Belavista é formada por três bairros distintos conforme a cor predominante: amarelo, rosa e azul (este com uma vista deslumbrante sobre o estuário do Rio Sado.). 

Projectados  para acolherem o operariado das grandes unidades industriais, incluindo Sines, esse objecto foi abandonado devido à crise petrolífera de 1973. 

Depois do 25 de Abril nele foram alojados entre outros os deslocados pela independência das colónias e os realojados dos bairros de lata. de que resultou um por vezes explosivo "melting pot", devido á diversidade de grupos etno-culturais. https://www.youtube.com/watch?v=WQu1b4WNbLM  https://www.youtube.com/watch?v=-JKGlkyC2x8

Do grandioso projecto inicial resta um aprazível parque verde e um enorme complexo habitacional que a Câmara tenta "reabilitar" com a colaboração dos moradores, num processo difícil e moroso. 

Antes de todo este realojamento as casas foram comercializadas pelos Serviços Municipais de Habitação e agradou-me na altura a "vivência colectiva" que presidira à sua concepção: os pátios interiores, as varandas corridas e de usufruto comum.  Visitei-as e os fogos eram amplos e desafogados. 

Felizmente desistimos de adquirir lá casa. Com efeito e devido aos realojamentos feitos por populações díspares e sem acompanhamento social com vista a integração harmoniosa, o bairro entrou em degradação e os espaços colectivos foram, sempre que possível, "privatizados" devido ao espírito individualista e, por razões de segurança (com redes, gradeamentos e cancelas, como se vê na foto).

Nesta zona havia a célebre ´"Água da Belavista", comercializada engarrafada mas também de abastecimento livre pelas populações. A  inquinação dos lençóís freáticos  levou ao encerramento da empresa e no lugar dos edifícios demolidos surgiu mais um supermercado, no caso o Lidl que, conjuntamente com dois mini-mercados Mini-Preço levou ao encerramento da esmagadora maioria do pequeno comércio tradicional.

A  Câmara liderada pelo Partido Socialista de 1986 a 2001, atendendo aos interesses das especulações imobiliária  e urbanística, pretendeu demolir toda o complexo habitacional com desalojamento das populações, considerando as esplêndidas vistas da zona sobre o Estuário do io Sado e o pôr-do-sol. . Mas o processo não foi avante.

19 de maio de 2020  · 

foto victor nogueira - Lisboa Jardim da Estrela coreto (2018. 04 27) 

«(...) culminando numa breve visita à Basílica da Estrela e um café numa esplanada junto ao lago onde evolucionam patos reais com suas crias, no aprazível jardim fronteiro, onde ia muitas vezes nos meus tempos de estudante em Económicas, para deambular, ler ou estudar. Penélope diz que nunca vira o Jardim com os olhos de hoje, desta tarde. Por fotografar ficou o quiosque Arte Nova, junto à Basílica.

O Jardim da Estrela ou de Guerra Junqueiro, um dos passeios públicos da burguesia oitocentista e subsequente, com o  seu coreto, tem espalhadas por ele vários conjuntos escultóricos.» in  Entre Paço de Arcos e a Estrela

19 de maio de 2021  · 

foto victor nogueira - pormenor dum mural na Rua Batalha do Viso, em Setúbal ( 2017.05.25 Canon 142_05)

VER   Murais em Setúbal 07 - Ruas da Batalha do Viso e da Brasileira.

19 de maio de 2022  ·

Duarte d'Armas - Barcelos e ponte sobre o Rio Cávado, in «Livro das Fortalezas»

«O Livro das Fortalezas é um manuscrito quinhentista de autoria de Duarte de Armas, executado em 1509-1510 por iniciativa de D. Manuel I de Portugal. A obra contém desenhos de 56 castelos fronteiriços do reino de Portugal.

(...)  O monarca incumbiu Duarte de Armas, escudeiro da Casa Real, de vistoriar as fortificações lindeiras com Castela, desejando inteirar-se do estado de conservação das mesmas. Duarte de Armas, acompanhado de um criado a pé, percorreu a cavalo a maioria das povoações acasteladas da fronteira, elaborando esboços em papel (debuxos) com as suas panorâmicas (ao menos duas por povoação, de diferentes direcções) e as plantas dos respectivos castelos, nelas indicando os trechos mais arruinados, onde obras se faziam mais necessárias.

A pesquisa contemporânea aponta o início da Primavera de 1509 como a data de início da viagem de trabalho em Castro Marim, até à sua conclusão, sete meses mais tarde, em Setembro, em Caminha. Foram visitadas nesse percurso 56 povoações/castelos. No regresso a Lisboa, foram visitadas ainda Barcelos e Sintra. 

(...) A obra é considerada o mais vivo testemunho do debuxo, técnica de ilustração vigente à época de D. Manuel I. O autor indica, nas panorâmicas, os percursos entre cada povoação com as distâncias, principais acessos, estado dos caminhos, conformação do terreno, cursos de água e navegabilidade, pontes, fontes, poços, culturas e pomares, edifícios militares, religiosos e civis e outros, em alguns casos até mesmo da povoação castelhana vizinha. O mesmo se repete em relação às plantas, onde se indicam as dimensões, tipos e estado das defesas, altura e espessura dos mus, distância entre torres e cubelos, finalidade dos compartimentos, acessos e outros.» (Wikipedia)

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Letras empilhadas, ano após ano, em Janeiro, 07, (re)colhidas em 2025


* Victor Nogueira 



7 de janeiro de 2013  · 
 
Foto Victor Nogueira   -  Laranjas de Setúbal

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Alberto Costa Pinto
Toma laranjinha, toma lá, toma lá...
Toma laranjinha que limão já não há...
12 a
Laurinda J Antunes
os famosos laranjais de Setubal...........ja nao existem.
12 a
Deolinda F. Mesquita
A laranja de Setúbal é muito boa..... não sei se o que que dizem ser... será realmente, pelo menos é mais caro...Esta foto está muito bonita. Obrigada, bjs.
12 a
Margarida Piloto Garcia
Boas e sumarentas.
12 a
José Inácio Leão Varela
Aí para Setúbal, se não estou em erro, há ou pelo menos havia, ricos pomares de laranjas...ou similares... Obrigado amigo...abraço.
12 a
Joaquim Carmo
Laranjas! Que bom!...
12 a
Ver tradução
Conceição CasaNova
Hoje já não há laranjas que prestem! Nem em Setúbal!
12 a
Luis Filipe Serrano
MARIA NOVA QUE CURSO TIRASTE NA FACULDADE? EU TIREI hISTÓRIA
12 a
Ver tradução
Ana Maria Simões
Em Sto Estevão há muita laranja e como são apetitosas...
12 a
Anabela Valagão Valentim
Gosto das laranjas .... mas não gosto nada dos laranjinhas !!! Ree amargam têm parasitas 😃
12 a
Laurinda J Antunes
havia muitas quintas na zona de Setubal, em muitas atualmente existem predios, mas ainda se ve alguns laranjais nos arredores de Setubal, como por exemplo na Baixa de Palmela e zona da Quinta do Anjo.
12 a
Ver tradução
Maria Márcia Marques
Laranjas....só fruta
12 a
Ver tradução
Margarida Ourives
Gosto, transmite frescura
11 a
Ver tradução
Donzilia Conceiçao
EU ADORO LARANJAS, MAS JURO QUE NO TEMPO DO CAVACO QUANDO ERA 1º MINISTRO NEM AS PODIA VER, NEM AS COMPRAVA TAL O ÓDIO QUE ME PROVOCAVAM E O NOJO. AGORA SÓ AS COMPRO PORQUE A MINHA NETA ADORA, MAS EU RARO AS COMO.
11 a
Victor Nogueira
Ai ai ai Donzilia Conceiçao Nunca gostei muito de laranjas salvo em compota ou da casca cristalizada. E gosto de clementinas e tangerinas. Mas não é por causa do chamado psd, pk senão não gostaria mais de rosas do que de cravos, apesar das rosas serem símbolo do ps LOL
11 a
Carlos Rodrigues
Ainda agora acabei de espremer uma, nem sumo deu, devia ser do tal partido do Governo, não era criação de Setubal. LOL.
11 a




Cartoon de João Abel Manta - interrogatório e tortura pela PIDE dum preso político


Álvaro Cunhal - Projectos


Álvaro Cunhal - desenhos da prisão - carga da GNR contra manifestantes


litogravura de José Dias Coelho - manifestação


cartoon de João Abel Manta - preso político ladeado pela PIDE e pela GNR



4 canções de José Afonso, ilustradas, para ver, ler e ouvir

*  A canção de José Afonso «A morte saiu à rua» [1971] é uma homenagem a José Dias Coelho, dirigente do PCP assassinado pela PIDE em 1961.12.19 

* Cantar alentejano 
 (Vicente Campinas / José Afonso) [1967 / 1971] 

Homenagem a Catarina Eufémia, assalariada rural alentejana, assassinada pela GNR em 1954.05.19, durante uma greve por melhores condições de vida e de trabalho

* Era de noite e levaram [1969]  (Luís Andrade / José Afonso)

* Canto Moço [1971] - José Afonso

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  Deolinda F. Mesquita
Sempre uma maravilha ouvir José Afonso, tenho em vinil, muito bom. Belo trabalho que nos apresentas, mostram como forem árduos os tempos, há que não permitir que voltem. Obrigada Victor bjs
12 a
Manuela Vieira da Silva
Victor Nogueira, consegui cantá-las todas menos a da Catarina, tive de ir ao YouTube, já não me lembrava da música. Obrigada, amigo, por este momento. Também gostei das iimagens. Capacidade de lutar num tempo sem a comunicação que há hoje.🙂
Judite Faquinha
Victor, obrigada por nos trazeres, os poemas do Zéca Afonso, que são todas lindas, e que nos toca bem prefundo, José Dias Coelho, com a morte saiu à rua...assasinato de Catarina, e os outros dois poemas, são lindos, canções de intervenção, que ficarão na história... com o nome de Zéca Afonso, um louvor, para as litogravuras, desenhos um abraço!!!
12 a
Carlos Rodrigues
Bela e heróica coletânea. No Coliseu já se notava o cansaço do Zeca Afonso, mas o brilho continuava lá e continua cá. Obrigado pela partilha.
12 a
Margarida Piloto Garcia
Obrigada pelo Zeca que foi inimitável, Beijinhos.
12 a
 

Clara Roque Esteves Victor Nogueira
7 de janeiro de 2014  · 

Meu amigo, embora como atraso ( por razões de força maior) daqui te envio um grande abraço de parabéns. Votos de muita saúde, paz e alegria. Envio mensagem fechada. Beijinhos.



7 de janeiro de 2015  · 
 
foto victor nogueira - castelo de guimarães - - 2014.12.

1968
Almoçámos em Guimarães e visitámos o Castelo, de que só restam as muralhas e a torre de menagem, além de vestígios das antigas habitações (lareiras, janelas na muralha). A torre de menagem, construção quadrangular ao centro, era o último reduto do castelo, com uma única porta, quasera ao nível das ameias; uma ponte levadiça era e é o único acesso a tal torre. O guia empregou uma expressão original: "Se o castelo era a vida da torre, a torre era o castelo da vida". 

Visitámos também o Palácio Ducal de Bragança, edifício com influências normandas, feito de granito, com grandes, escuras e frígidas salas, de espessas paredes. Essa Idade Média, das cavalheirescas e romanescas aventuras, da cavalaria, dos torneios e das cruzadas, não deveria ser tão dourada como a minha imaginação de adolescente imaginara, em grande parte devido aos tão apreciados, naquele tempo, romances de Sir Walter Scott e narrativas de Alexandre Herculano. Salas escuras, cheiro a suor e corpos sujos, frio com o ambiente cheio de fumo dos archotes e das lareiras e o mau cheiro resultante da ausência de latrinas, "aliviando-se" as pessoasem qualquer canto. O Palácio é um edifício acastelado, no interior do qual existe um pátio empedrado rodeado de claustros no 1º piso e de uma varanda coberta no 2º. 

A cidade, não sei bem porquê, lembrou me Évora, embora a traça arquitectónica dos seus edifícios seja sem dúvida diferente: como a das cidades dos Países Baixos. Talvez pela pacatez e patine dos prédios. 

Para terminar o passeio fomos até à Penha, passeando por aquelas fragas e por entre os penedos, o que muito me agradou. (NSF - 1968.10.04) 

1997
 O castelo no cimo de colina arborizada e pedregosa, imponente, com a pequena igreja românica de S. Miguel do Castelo e o Paço dos Duques de Bragança, de paredes quebradas por seteiras, cujo ar maciço é quebrado pelas fiadas de janelas. As inúmeras chaminés cilíndricas, estreitas, talvez das lareiras, fazem lembrar. uma cidade industrial dos tempos da máquina a vapor. (A estátua de D. Afonso Henriques tinha uma réplica em Luanda). No pátio central, do lado da capela gótica, as arcadas ogivais da varanda corrida do 2º piso, sob uma outra varanda de arcos mais pequenos, faz lembrar a fachada duma casa cuja porta central fosse encimada por um coberto de duas águas. O Paço é um edifício que faz lembrar construções normandas. 

O centro histórico, um dédalo de ruas mais ou menos estreitas e tortuosas, onde coexistem construções de várias épocas - casas setecentistas na Praça de Santiago, com varandas de sacada, muitas delas de balaustrada em madeira. O edifício dos antigos Paços do Concelho, ameado, é uma construção com alpendre de arcadas no piso térreo sob um friso de janelas com sacadas, situa-se no mesmo largo da igreja de N. Sra. da Oliveira, com torre anexa construída posteriormente. Esta igreja, foi mandada edificar por D. João I em cumprimento de promessa feita pela vitória na batalha de Aljubarrota, sobre as hostes castelhanas. Enfim ... de promessas se faziam igrejas, mosteiros e conventos, tudo para maior glória de Deus e dos vencedores! Defronte situa se um cruzeiro coberto por um alpendre sustentado por quatro colunas, templete gótico comemorativo da Batalha do Salado: trata se do padrão de N. Sra da Vitória. Num recanto uma atarracada torre ameada, adjacente à Casa dos Laranjais. 

Característico é o conjunto urbano da rua D. João I, com as suas casas de ar medieval e varandas de balaustrada, de múltiplas portas envidraçadas e janelas de guilhotina. (Memórias de Viagem, 1997)
Penha de Guimarães

Tem uma admirável vista, sítio onde afloram enormes pedregulhos graníticos, irrompendo do solo. Num dos blocos graníticos há um memorial esculpido, consagrado a Gago Coutinho e Sacadura Cabral, e noutro a capela de N.Sra. do Carmo. No cimo do monte existe um desgracioso Santuário, ponto de romarias e peregrinação. (Memórias de Viagem, 1997)

2014
O centro histórico encontra-se recuperado mas não me encantou tanto como outrora, talvez pela diferença de percurso. O Castelo – uma invenção reconstruída pelo chamado Estado Novo, pareceu-me miniatural, despojado. Não visitámos os Paços do Duque de Bragança, outra reinvenção pois da traça original pouco se sabia para além das ruínas.  No Castelo um homem deixava que os visitantes, a troco de 1 euro, segurassem uma águia na mão enluvada, para a foto do álbum de família. Do conjunto faziam também parte 2 grifos, todas estas aves possivelmente “sedadas”, dada a sua quietude.

Papas de serrabulho foi o almoço, não tão saborosas como as de Ponte de Lima.
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   Donzilia Conceiçao
Maravilhas que só tu sabes enviar, obrigada grande amigo do ❤ beijinhos
10 a
Clara Roque Esteves
Foi aí que começou a nossa saga, com o filho a bater na mãe...estava-se mesmo a ver que não acabava bem. Belas imagens, Vítor Nogueira. Que bom poderes visitar, ou revisitar todos esse locais. Obrigada por partilhares imagens e textos. Beijinhos.
10 a 
Judite Faquinha
Obrigada camarada e amigo Victor por mais um pouco de história de Portugal,, a ultima vês que visitei, o castelo e Guimarães, foi já à muitos anos em 1979, nunca mais lá fui deve de estar muito diferente, o castelo por fora continua com o seu ar imponente, com uma vista lindíssima adorei, beijokinhas ❤
10 a
José Inácio Leão Varela
Olá Caro Amigo Victor Nogueira..Obrigado pela identificação. Há umas luas atrás tbm andei por onde descreves, e muito bem como sempre, Guimarães.. vale a pena visita-la...Bom 2015 com um forte abraço deste teu velho amigo.
10 a
Bessa-José Bessa
E de repente!... retrocedi mais de quatro décadas num passeio da escola (ao tempo ainda se chamava 'a' escola), ao farnel preparado de véspera, à grilharia dos colegas, aos enjoos, ao "senhor chaufér, se faz fabôr, carregue mais no acelaradôr". Obrigado Victor Barroso Nogueira pela lisura da memória e pela máquina do tempo.
Uma grande abraço.
(e recomendo-lhe, já agora, um bucho recheado no Florêncio...) 🙂
10 a

7 de janeiro de 2016  · 

É a Coreia do Norte uma ditadura ? É o monárquico Reino Unido uma democracia?  E os republicanos EUA o que serão ? São defensáveis em democracia "instituições" como o Senado ou a Câmara dos Lordes ? A democracia  "afirma-se" apenas em processos eleitorais de tantos em tantos anos baseados em condicionamentos à consciência dos eleitores e no show-business? A democracia existe quando toda a política tem como finalidade a protecção mais ou menos encoberta  dos grandes senhores do dinheiro e donos disto tudo ?  Há democracia sem pão, sem paz, sem habitação, sem educação, sem trabalho, sem direito à vida que não seja apenas respirar ? Na mesma altura na Arábia Saudita foram  executados dezenas de opositores ao Regime e as mulheres não têm direitos enquanto Israel nuclear chacina impunemente os palestinianos.  Que é na verdade uma democracia ? A dos "coronéis" não é seguramente a dos "sem-terra" e a democracia da minoria e ditadura para a maioria, mesmo que disso não tenham consciência.Há democracia em Portugal  e na União Europeia? Se não há, porquê ? Como escreve Brecht nas Perguntas de um Operário Letrado "Tantas histórias / Quantas perguntas"  


Carlos SousaVictor Nogueira
7 de janeiro de 2018  · 

Com atraso mas com amizade aqui vai um forte abraço de parabéns!


 
Conteúdo partilhado com: Público
Público
No Porto (Travessa da Carvalhosa, 44), em 1949, e no Mindelo (Praia da Gafa), nos anos '80 do passado milénio.
Foram mais duma centena as pessoas que me felicitaram pelo meu aniversário, a maioria através do inFaceLocked, algumas pelo Messenger ou sms, outras telefonicamente. Através dum vídeo a Susana, o Cisco Kid e o Janicas cantaram-me os "Parabéns a Você", O mesmo fez o Rui, num telefonema.
Foram múliiplas as formas de expressão e, na impossibilidade de todas reproduzir, delas destaco um soneto e uma quadra, partilhados respectivamente pelo Matos Serra e pelo Elias Quadros.
Elias Quadros
Olá, Víctor: Parabéns!
«Haveis de subir na vida
Por umas escadinhas brancas
Qu ´inda tendes p´ra gozar
Felicidades tantas, tantas»
FELIZ ANIVERSÁRIO
Vida plena de venturas!
Feliz Ano Novo
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Matos Serra - JANEIRO
Jano era um deus com muito poder sobre o tempo e o espaço e, por isso, com as suas duas cabeças, olhava e vigiava em todas as direções do espaço e do tempo… presidia a todos os inícios e mudanças, tendo grande poder no destino dos seres humanos e da Humanidade em geral, em termos do espaço e do tempo, e tinha o poder de controlar o passado, presente e futuro…
Já no calendário de Numa Pompílio, o primeiro calendário romano de que temos memória, organizado sob supervisão desse rei etrusco… Jano tinha um papel importante em termos de controlo do espaço e do tempo…e Ele está aí para a festa dos vossos aniversários…
SONETO DE ANIVERSÁRIO:
Hoje, sob os auspícios do Deus Jano…
aquele deus, do tempo, tão antigo,
não quis deixar de estar, aqui, contigo…
ao somares, à idade, mais um ano!!!
Eu desejo que aquele deus romano,
que pôs o próprio tempo ao seu abrigo
te venha proteger… traga, consigo
seu poder protetor e soberano!!!
Podendo olhar em todos os sentidos,
que ELE seja teu guarda e protetor…
e proteja, também, teus entes queridos…
Que, Jano, em seu poder, te traga amor
e momentos alegres, divertidos
e, que ELE…hoje, se ponha ao teu dispor!!!!
Matos Serra



z
7 de janeiro de 2023  · 
 
Foto victor nogueira - Porto - Igreja e cemitério do Bonfim (2022 11 01 IMG_0637)

O Cemitério do Prado do Repouso foi o primeiro cemitério público da cidade do Porto, tendo sido inaugurado em 1839, possuindo uma das melhores colecções de arquitectura  funerária e de escultura da cidade, reunindo entre muitas outras obras da autoria de Soares dos Reis e Teixeira Lopes.

Substituindo uma anterior, demasiado exígua face ao crescimento populacional,  a actual igreja foi construída entre 1874 e 1894, tendo sido consagrada a Santa Clara e ao Senhor do Bonfim.


7 de janeiro de 2025

Entre os portugueses ilustres estão Nuno Álvares Pereira, filho secundigénito que por apoiar o Mestre de Avis se tornou o homem mais rico de Portugal, ainda mais rico que João I, um filho bastardo de Pedro I, Infante D. Henrique, que inaugurou o Mercado esclavagista em Lagos, de que largamente beneficiou, Afonso de Albuquerque e Vasco da Gama, que nos dias de hoje seriam pelo TPI acusados de crimes de guerra  e contra a Humanidade, Sidónio Pais, o da República Nova, percursora do Estado Novo  de Oliveira  Salazar, Marechal Carmona, Presidente da Repúbica "vitalício" (1925 / 1951) do Estado Novo (aparentemente) apeado em 25 de Abril de 1974.

Mas ... não serão portugueses ilustres em tão excelsa companhia António Aleixo, poeta popular, Dias Coelho e Catarina Eufémia, assassinados pela PIDE e pela GNR, o General Vasco Gonçalves, o Marechal Costa Gomes, o Major Saraiva de Carvalho e o Capitão Salgueiro Maia, cada um a seu modo símbolos do 25 de Abril, o poeta Ary dos Santos, Michel Giacometti e Lopes-Graça ou os cantores José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e José Mário Branco .... 

A par de Luís de Camões, quem no chamado Panteão Nacional celebra e lembra os “ventres ao sol”, Fernão Lopes, Fernão Mendes Pinto e Diogo do Couto ou os assassinados no Campo de Concentração do Tarrafal, o da Morte Lenta!?

Malhas que o Impéria e a "burguesia" (entre)tecem ....


publico.pt
O Panteão que agora dá as boas-vindas a Eça de Queiroz



segunda-feira, 24 de abril de 2023

nos 40 anos do 25 de Abril 11 - alguns dos milhares mortos pelos "safanões" de Salazar/Caetano

 *  Victor Nogueira

 «Assassinados pela PIDE

Numa altura em que nos querem fazer crer que o fascismo nunca existiu, e que Salazar era apenas "autoritário", numa altura em que querem apagar os poucos vestígios físicos que ainda existem, convém relembrar que o seu braço mais sinistro, a [PVDE]/PIDE-DGS, bem como outros braços armados do fascismo, perseguiram, torturaram e assassinaram muitos portugueses e patriotas africanos, e que os seus responsáveis e agentes nunca foram punidos nem sequer julgados. Para reavivar a memória, voltamos a publicar excertos de um texto da Comissão "Abril Revolucionário e Popular" em 2002, o qual inclui uma lista de mortos pelo fascismo.

 

9 de Dezembro de 2005

 

*  1930, na colónia de Cabo Verde, onde se encontrava deportado desde 1927, morreu, por maus-tratos e falta de assistência médica, Manuel João [PCP](padeiro); 

 

  • 1931, o estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;

 

  • 1932, Armando Ramos, jovem, é morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, operário, militante da Federação da Juventude Comunista Portuguesa (FJCP), foi assassinado a tiro  durante uma manifestação em Lisboa;

 

  • 1933 morreram, vítimas de espancamentos policiais, os militantes da FJCP Joaquim Lopes Martins, Carlos Norberto e João Ferreira de Abreu (este, membro do Comité central da FJCP)

 

  • 1934, Américo Gomes [PCP], operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel Vieira Tomé [PCP], sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve de 18 de Janeiro; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada durante a repressão da greve de 18 de Janeiro; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal, Aurélio Dias [PCP] (fragateiro),  

 

  • 1935, Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);

 

  • 1936, Francisco Cruz [PCP], operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do 18 de Janeiro; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;

 

  • 1937, Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa [PCP], operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva [PCP], de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira [PCP], marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja [PCP], marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins [PCP], operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;

 

  • 1938, António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva [PCP], operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus tratos; Francisco Esteves [PCP], operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;

 

  • 1939, Fernando Alcobia [PCP], morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;

 

  • 1940, Jaime Fonseca de Sousa ]PCP - impressor na Casa da Moeda], morre no Tarrafal, vítima de maus tratos; Albino Coelho [PCP - motorista], morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;

 

  • 1941, Jacinto Faria Vilaça [PCP - marinheiro], Casimiro Júlio Ferreira [PCP - funileiro]; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro [PCP], pedreiro, e José Lopes Dinis [PCP - canteiro] morrem no Tarrafal;

 

  • 1942, Henrique Domingues Fernandes [PCP - operário]morre  no Tarrafal; Carlos Ferreira Soares, médico, [dirigente do PCP] é assassinado no seu consultório com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco [PCP - descarragador] morre no Tarrafal;

 

  • 1943, Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias [PCP - foguero marítimo}] morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes [PCP -condutor],, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;

 

  • 1944, general José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques [empregado de escritório], de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a tiro.

 

  • 1945, Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário, [militante do PCP], assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em consequência dos maus tratos na prisão;

 

  • 1946, Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de prisão;

 

  • 1947, José Patuleia [PCP], assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede da PIDE;

 

  • 1948, António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;

 

  • 1950, Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, [[militante do PCP], assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira [PCP -operário] morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, [militante do PCP] é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça, Carlos Pato [PCP] (empregado bancário); em Lisboa, no hospital, para onde fora levado por efeito dos maus tratos a que fora submetido pela PIDE;

 

  • 1951, Gervásio da Costa [PCP], operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na prisão; 

 

  • 1954, Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;

 

  • 1957, Joaquim Lemos Oliveira [PCP], barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior [PCP - estucador], de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;

 

  • 1958, José Adelino dos Santos, assalariado rural, [militante do PCP] é assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves [PCP], operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;

 

  • 1961, Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, [militante do PCP] é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;

 

  • 1962, António Graciano Adângio e Francisco Madeira, [ambos do PCP] mineiros em Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro [PCP], operário de Alcochete, é assassinado a tiro, com rajada de metralhadora, pela PSP durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa;

 

  • 1963, Agostinho Fineza [PCP], operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;

 

  • 1964, Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;

 

  • 1965, general Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;

 

  • 1967, Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, morre vítima de tortura na PIDE;

 

  • 1968, Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;

 

  • 1969, Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;

 

  • 1972, José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na "fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;

 

  • 1973, Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão;

 

  • 1974, (dia 25 de Abril), Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de pessoas. 

 

A PIDE acaba como começou, assassinando. Aqui não ficam contabilizadas as inúmeras vítimas anónimas da PIDE, GNR e PSP em outros locais de repressão. Mas ainda podemos referir, duas centenas de homens, mulheres e crianças massacradas a tiro de canhão durante o bombardeamento da cidade do Porto, ordenada pelo coronel Passos e Sousa, na repressão da revolta de 3 de Fevereiro de 1927. Dezenas de mortos na repressão da revolta de 7 de Fevereiro de 1927 em Lisboa, vários deles assassinados por um pelotão de fuzilamento, à ordens do capitão Jorge Botelho Moniz, no Jardim Zoológico. Dezenas de mortos na repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931, ou outras tantas dezenas na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931. Um número indeterminado de mortos na deportação na Guiné, Timor, Angra e no Cunene. Um número indeterminado de mortos devido à intervenção da força fascista dos "Viriatos" na guerra civil de Espanha e a entrega de fugitivos aos pelotões de fuzilamento franquistas. Dezenas de mortos em São Tomé, na repressão ordenada pelo governador Carlos Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o trabalho forçado, em fevereiro de 1953. Muitos milhares de mortos durante as guerras coloniais, vítimas do Exército, da PIDE, da OPVDC, dos "Flechas", etc. »(*)

 

25 de Abril de 2002

 

(A lista de mortes do fascismo, bem como a parte final do artigo são adaptados de um texto da autoria da Comissão "Abril Revolucionário e Popular")

 

(*) Algumas destas mortes maciças foram referidas por mim em artigo publicado no PortugalClub, embora faltem outras. Por isso, desse texto transcrevo «Portugal e o Governo de Salazar foram incapazes de aceitar a independência das suas colónias e as propostas de um reconhecimento pacífico da sua autodeterminação.

 

Ao diálogo responderam de novo com as prisões e à força das armas como sucedeu com o assassinato de cerca de mil camponeses em S. Tomé, que se recusavam ao trabalho escravo (Batepá - 3 Fevereiro 1953), o fuzilamento de algumas dezenas de estivadores em greve na Guiné (Pidjiguiti – 1959), o massacre de 600 camponeses em Moçambique (Mueda - 16 de Junho de 1960), o bombardeamento com napalm de aldeias com o assassínio de milhares de camponeses [Homens, mulheres e cri,anças] revoltados com a imposição do regime de monocultura pela Cotonang (Angola - Baixa do Cassange, 4 Janeiro 1961)». sem esquecer outros massacres perpretados pelas Forças Armadas Portuguesas. como os de Moçambique (Mueda, 1960 - Wiriamu, 1972 ... ]

 

A poetisa Alda Espírito Santo dedicou, entre outros, o poema “Onde estão os homens caçados neste vento de loucura”, sobre os massacres de Batepá, em 1953, na colónia de  S. Tomé e Príncipe:

 

O sangue caindo em gotas na terra

homens morrendo no mato

e o sangue caindo, caindo...

Fernão Dias para sempre na história

da Ilha Verde, rubra de sangue,

dos homens tombados

na arena imensa do cais.

Ai o cais, o sangue, os homens,

os grilhões, os golpes das pancadas

a soarem, a soarem, a soarem

caindo no silêncio das vidas tombadas

dos gritos, dos uivos de dor

dos homens que não são homens,

na mão dos verdugos sem nome.

Zé Mulato, na história do cais

baleando homens no silêncio

do tombar dos corpos.

Ai, Zé Mulato, Zé Mulato.

As vítimas clamam vingança

O mar, o mar de Fernão Dias

engolindo vidas humanas

está rubro de sangue.

- Nós estamos de pé -

nossos olhos se viram para ti.

Nossas vidas enterradas

nos campos da morte,

os homens do cinco de Fevereiro

os homens caídos na estufa da morte

clamando piedade

gritando pela vida,

mortos sem ar e sem água

levantam-se todos

da vala comum

e de pé no coro de justiça

clamam vingança...

... Os corpos tombados no mato,

as casas, as casas dos homens

destruídas na voragem

do fogo incendiário,

as vias queimadas,

erguem o coro insólito de justiça

clamando vingança.

E vós todos carrascos

e vós todos algozes

sentados nos bancos dos réus:

- Que fizeste do meu povo?...

- Que respondeis?

- Onde está o meu povo?

...E eu respondo no silêncio

das vozes erguidas

clamando justiça...

Um a um, todos em fila...

Para vós, carrascos,

o perdão não tem nome.

A justiça vai soar,

E o sangue das vidas caídas

nos matos da morte

ensopando a terra

num silêncio de arrepios

vai fecundar a terra,

clamando justiça.

É a chamada da humanidade

cantando a esperança

num mundo sem peias

onde a liberdade

é a pátria dos homens...

 

               (É nosso o solo sagrado da terra)

~~~~~~~~~~~~

  

A Morte Saiu À Rua - José Afonso

 

A morte saiu à rua num dia assim

Naquele lugar sem nome pra qualquer fim

Uma gota rubra sobre a calçada cai

E um rio de sangue dum peito aberto sai

 

O vento que dá nas canas do canavial

E a foice duma ceifeira de Portugal

E o som da bigorna como um clarim do céu

Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

 

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual

Só olho por olho e dente por dente vale

À lei assassina à morte que te matou

Teu corpo pertence à terra que te abraçou

 

Aqui te afirmamos dente por dente assim

Que um dia rirá melhor quem rirá por fim

Na curva da estrada há covas feitas no chão

E em todas florirão rosas duma nação

~~~~~~oo0oo~~~~~~ 

Foto Victor Nogueira - Alcácer do Sal

Cantar Alentejano  Vicente Campinas / Zeca Afonso

 

Chamava-se Catarina

O Alentejo a viu nascer

Serranas viram-na em vida

Baleizao a viu morrer

Ceifeiras na manha fria

Flores na campa lhe vao pôr

Ficou vermelha a campina

Do sangue que entao brotou

Acalma o furor campina

Que o teu pranto nao findou

Quem viu morrer Catarina

Nao perdoa a quem matou

Aquela pomba tao branca

Todos a querem p'ra si

O Alentejo queimado

Ninguém se lembra de ti

Aquela andorinha negra

Bate as asas p'ra voar

O Alentejo esquecido

Inda um dia hás-de cantar 



Tarrafal - o campo da morte lenta.
 


Mural em Lisboa, na Rua António Maria Cardoso   Foto Victor Nogueira