* Victor Nogueira
Allfabetização
Escrevivendo e Photoandando
No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.
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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.
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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.
VNdomingo, 7 de junho de 2026
Manuel - 1921.09.04 Porto - 2013.06.06 Setúbal (2015)
sexta-feira, 6 de junho de 2025
Letras empilhadas, ano após ano, em Junho, 06, (re)colhidas em 2025
* Victor Nogueira
6 de junho de 2012 ·
Foto Victor Nogueira - Abrantes (castelo) Nocturno
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Maria Jorgete Teixeira
Luz e sombra...belíssima foto! :)))
13 a
Alice Coelho
Lindissimo!!! bjs
13 a
Victor Barroso Nogueira
Tinha chovido e aproveitei o reflexo do castelo na poça de água junto ao passeio
13 a
Thatalyscal Scaldelai
Muito linda,adoro fotos de lugares!Obrigada! 😊
13 a
Margarida Piloto Garcia
Belíssima
13 a
Carmen Rosário Montesino
Um beijo, Victor! Bom feriado 🙂
13 a
Isabel Maria
Abençoada chuva! e a oportunidade do fotógrafo que assim registou mais uma bela foto
13 a
José Inácio Leão Varela
Caro Victor (Victor Nogueira) mais uma bela foto, aproveitaste bem o reflexo. Abrantes....pois é... lembro-me, saído de Mafra fui colocado aí de onde parti para África, depois de passar por Santa Margarida....estás sempre a acertar...abraço.
13 a
Maria Mamede
Olá Victor...ilustraria magnificamente um conto de fadas e princesas! Belíssima !! Parabéns! Bj. M.M.
13 a
Maria Guilhermina Rosa Abreu
Bjinhos, cota!
13 a
6 de junho de 2013
1926 a 1974 - 48 anos sem direitos
Manela Pinto
outros tempos ou tempos actuais?
12 a
Luisa Neves
Muito actual!!! Abraço. 😉 🙂
12 a
Maria Márcia Marques
Todos fazemos muitos e querer é poder, vamos mudar a realidade....
12 a
Maria Mamede
actualíssimo, infelizmente!Bj.
12 a
Maria Mamede
...e a saga continua;
12 a
Ver tradução
Isabel Dias Alçada
Feliz sexta feira amigo, infelizmente actualíssimo... abraços
12 a
Cremilde De La Rosa
Infelizmente actual! Até quando vamos apercebermos destas cangas?
12 a
Maria Lisete Almeida
Grata Amigo! Neste momento vivemos uma realidade com grandes semelhanças à que vigorou no Estado Novo. No entanto em todos os "caminhos que Abril abriu" estão já fechados ... Há que desbravá-los. Abraço.
12 a
6 de Junho de 2013
6 de junho de 2014 · ·
foto victor nogueira - Manuel - Porto (1921.09.04) - Setúbal (2013.06.06)
6 de junho de 2018 ·
foto de família - Em Luanda, os Nogueira da Silva na Rua Frederico Welwitsch, em 1951, no Bairro do Maculusso O jipe na foto, ao fundo, foi construído pelo meu pai no quintal, aproveitando o chassis e o motor dum outro veículo.. Hoje é o 5 º aniversário da morte.do Manuel - Porto (1921.09.04) - Setúbal (2013.06.06)
Em Luanda as pessoas eram englobadas numa "família": os Nogueira da Silva, os Coimbra, os Wolfgang, os Andrade Ferreira, os Ferreira de Almeida, os Van der Kellen, os Sequeira, os Birrento, os Antunes, os ;Mesquita da Silva ...
6 de junho de 2020 ·
Évora - Sede da Sociedade Harmonia Eborense (foto Google Maps)
Desta Sociedade e na sua juventude foi o meu avô Luís membro duma Direcção, nela o meu pai descobrindo nos anos '70 do passado milénio, afixado numa parede, um documento por ele subscrito.
A ideia que eu tinha é que a sede era do lado da Igreja de Santo Antão, mas estaria equivocado, pois situa-se no outro extremo, junto à antiga sede do Banco de Portugal. A 1ª artéria à esquerda é a Rua do Raimundo, em cujo nº 44, enquanto estudante, vivi numa casa de hóspedes durante o meu exílio em évoraburgomedieval.
6 de junho de 2020 ·
foto Victor Nogueira - Vila Fresca de Azeitão - Rua da Sociedade Filarmónica Providência - azulejo toponímia
Existem presentemente na área do município a Sociedade Musical Capricho Setubalense (1867), a Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense (1899), a Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense (Vila Nogueira de Azeitão), Sociedade Filarmónica Providência (1880 - Vila Fresca de Azeitão) e a Sociedade Musical de Brejos de Azeitão.
6 de junho de 2023 ·
Foto victor nogueira - Setúbal - conjunto escultórico na Peaça da Independência (2023 05 16 IMG_2202)
Doada à cidade pela Fundação Buehler-Brockhaus, o conjunto denominado “Zéfiro" simboliza, de acordo com a mitologia grega, o vento de oeste. Inaugurada em 2014, a escultura, com vários elementos em ferro, é da autoria do escultor plástico Sérgio Vicente.
6 de junho de 2023 ·
Foto victor nogueira (rolo 137 10) - Paço de Arcos - Há 10 anos faleceram a Maria Emília e o Manuel, respectivamente em Abril, no dia dos anos do Francisco, e em Junho, no dia 6.
Esta foto é anterior e as placas toponímicas já não existem, pois entretanto foi encerrada a passagem de nível, fazendo-se a ligação entre o sul e o norte da vila através dum viaduto na Avenida do Senhor Jesus dos Navegantes.
quinta-feira, 5 de setembro de 2024
O sobrevivente
* Victor Nogueira
5 de setembro de 2013
O que são as memórias? Um escrito? Uma photo? Uma lembrança burilada ou afeiçoada nas brumas do tempo e da memória? Uma recordação, uma atrás das outras, impetuosas ou em meandros como o rio que se espraia pela planície? Qual é a verdade das memórias?
Hoje - a 4 de setembro - farias 92 anos; daqui a 4 meses faria a Maria Emília 94, como o Zé Luís teria feito 62 em 29 de Maio, tantos quantos a Celeste a 7 desse mesmo mês. Não comemorarás o centenário com a família, parte da família, como desejavas, num lauto banquete como o que ofereceste aos 80, de convites personalizados. Na juventude pensei que seria o patriarca duma grande família, espalhada por várias gerações. Mas os meus tios de "sangue" não casaram, o meu irmão morreu, os divórcios e separações mesquinhamente e com frequência apartam águas.
Contigo, para além de na minha meninice e adolescência me teres transmitido os valores da tolerância política e religiosa, da solidariedade, da multi-racialidade, da verticalidade e da não subserviência, da não adesão a castas ou preconceitos de classe, aprendi também que a família é muito mais extensa . Depois disso tivemos muitas desinteligências, não poucas vezes deixaste de falar comigo mas não eu contigo, porque na família fui o único que te disse não qd entendia dever fazê-lo, sem que a minha firmeza me roubasse as boas-maneiras para contigo, entre-ambos. E só nos voltámos a encontrar nos dois anos antes de morreres. Só então voltaste a libertar a ternura que sempre tiveras pelo teu filho insubmisso, rebelde e contestatário.
A família … Que é a família? Uma certidão ou conjunto de certidões de nascimento? Uma árvore genealógica a partir destas? E como preencher as lacunas das filiações de pai incógnito, mesmo qd se sabe que este era um estudante de medicina, médico muito rico numa qualquer terreola do interior ? Uma Foto ? Mesmo que seja mentirosa como aquela em que estás com a mão no ombro do que sempre considerei meu bisavô? Como neto me consideraram o avô Zé Luís, afinal teu padrasto, ou a minha tia-avó Esperança, que sempre nos considerou e nos tratou e à Maria Emília como sobrinhos ! Porque é mentirosa aquela foto que sempre exibiste com orgulho? Um dia perguntei à Lili se o meu bisavô não teria escrito poemas ao Manuel - o Necas - como fizera aos filhos da Alzira e do Zé Luís ou se estes se haviam perdido. A resposta foi que nunca os havia escrito. Insisti, mas parecem amigos na foto, aquela que o meu pai emoldurou em vários exemplares e me ofereceu e aos irmãos e não sei se ao “pai” dele, adoptivo. E veio a história – por duas vezes o Manuel pousou a mão no ombro do que eu sempre considerei meu bisavô e por duas vezes este sacudiu-a com brusquidão. Mas à 3ª, não houve tempo porque entretanto o fotógrafo disparara.
Na última longa conversa que tivemos, dias antes de morreres, em que falámos de muitas coisas - do passado, do presente, do futuro - [a minha mãe escrevia-me mas tu preferias conversar] , veio à baila a fotografia que estava porque a puseras no teu quarto no lar. E sem acrimónia e com bonomia e com um sorriso ladino contaste a história do garoto que teimosamente rejeitara a rejeição do seu “avô” – a verdade da foto não é/seria a aceitação que não houve mas a teimosia de quem considerava aquela a sua família. Como no teu quarto puseste essa e a foto que te tirei na tua casa em Setúbal, porque mo pediras, numa das mãos uma com a Alzira e o Zé Luís, teus pais, na outra a do teu bisneto Francisco, como se fosses um elo entre gerações.
Há da família conceitos que a vida pode ir alargando, cada vez mais compreensiva e extensamente. Há quem fique pela escravidão do “sangue” e da servidão, mesmo que retintamente vermelho e plebeu aquele seja, e há quem alargue o conceito até abranger a humanidade e a vida, toda a humanidade e toda a vida. Há um poema de Eugénio de Andrade que fala disso:
Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"
Boa noite. Eu vou com as aves.
Partir com as aves é muitas vezes doloroso, mas tal como o poeta refere em O Lugar da Casa “ (…) crescer como árvore, resistir / ao vento, ao rigor da invernia,/ certa manhã sentir os passos / de abril / ou, quem sabe?, a floração / dos ramos, que pareciam / secos, e de novo estremecem / com o repentino canto da cotovia.” é partir com as aves e responder ao canto da cotovia; significa também a capacidade de estender a fraternidade para além do clâ, da seita, da igreja, do clube, do bairrismo, da vizinhança.
Sim, a minha família é muito mais extensa do que aquela que certas leis e certas decisões dizem ser a minha. Muitos não percebem, não compreendem nem aceitam que a minha família, se a explicitasse, englobaria as das mulheres que amei, mesmo que não tivessem sido minhas companheiras: desde a jovem professora - meu amor de sempre, nunca esquecido - que em évoraburgomedieval me despertou para a poesia, até à Maria Papoila, a Florbela, a Fatma, incluindo a Maria do Mar, a Joana Princesa, a Mana Clarisse de Aguiar e Berlmonte, a Maria dos Mil-Sóis Rendilhados, a Julieta dos Espíritos ... Mas (quase) tudo passou e morreu, com ou sem aspas, e uma simples passagem no inFaceLock pelas páginas de certas pessoas que sempre conisiderei da minha familia, leva-me a constatar que eu e os meus filhos e neto fomos pura e simplesmente eliminados. A decisão não é minha, nunca seria minha.
“Pai, tu não és deste Mundo ! Tu não vives neste Mundo !”, disse-me a susana em adolescente. Talvez ! Mas a minha família continuam a ser a Vida e a Humanidade” como o meu pai e a vida me ensinaram. E eu decidi escolher ! Eu escolhi a fratenidade e a igualdade. Eu escolhi o futuro sem esquecer ou renegar/re-escrever o passado.
Um brinde aos avós, a todos eles, qualquer que seja a geração passada ou futura, com a Dança do Balcão, já a seguir, em:

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