4 de outubro de 2018
Allfabetização
Escrevivendo e Photoandando
No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.
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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.
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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.
VNdomingo, 4 de outubro de 2026
em Évora, assando sardinhas (2018)
Em Lisboa (Castelo de S. Jorge) ou em Sintra (Castelo dos Mouros) (2022)
4 de outubro de 2022
sábado, 3 de outubro de 2026
Chove, faz frio (2010)
* Victor Nogueira
3 de outubro de 2010
Chove, faz frio e o tempo está muito nublado.
Dia bom para estar à lareira que não tenho, a ver as chamas esvoaçarem, como em Goios (Barcelos), na aldeia do meu avô materno, quando lá íamos no inverno.
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
'Olha, outro Victor!'
30 de setembro de 2023
Auto-retrato no Mindelo em 2023 09 30, mirando a cintilante luzinha verde da câmara do computador, em dia outonal mas límpido, com as árvores e os campos ainda verdejantes, ainda sem cores brúnias, salvo as do milho, que vai secando, de castanho também os terrenos em que já foi debulhado. Daqui a pouco, desbastada a barba, será outro o Victor. Com efeito, em criança, vendo-me a Susana sem barba, que eu havia acabado de cortar, exclamou: "Olha, outro Victor!"
entrando nos Jardins do Palácio dos Arcos (2020)
30 de setembro de 2020
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
o meu irmão zé luís, o caçula, em lisboa
28 de setembro de 2019
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Bom Jesus de Braga, em 1963 (2022)
* Victor Nogueira
25 de setembro de 2022
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Porto, 1963, na Rua de Santos Pousada (2022)
22 de setembro de 2022
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segunda-feira, 21 de setembro de 2026
domingo, 20 de setembro de 2026
Em 1949 triciclo foi prenda de Natal da Maria Emília.(2022)
20 de setembro de 2022
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quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Porto, nos Jardins do Palácio de Cristal, em 1963 (2020)
* Victor Nogueira
17 de setembro de 2020
Em 1962 / 63 vivi no Porto, sucessivamente em casa dos meus avós António e Luís. Registos desse tempo estão nos meus Diários III e IV e na correspondência para casa, em Luanda.
Há as famílias de sangue, as famílias de adopção as famílias do coração. Muitos, que não ultrapassaram o paupérrimo estado da tribo ou do clã ,só consideram como únicas e relevantes as famílias "nuclear" ou a "
famiglia" de sangue, muitas vezes apenas uma parte delas, ignorando ou desprezando as do coração, talvez e por vezes mais autênticas. Como eu costumo dizer, fruto da minha vivência angolana, «A família são os amigos e nem todos na Família são amigos.”
Na sua família de sangue, talvez haja quem não saiba quem são dois dos personagens da foto: a Fernanda e a Elvira. Mas nunca as esqueci, elas vivem no meu coração, fazem parte da minha vida, conjuntamente com a Aurora, a Amélia e aquela que no meu Diário refiro como a “Tia Maria”.
A Fernanda foi o meu grande amor de adolescente, um namoro a que o meu avô Luís, na altura, contrariou e a que se opôs, e a Elvira e a Ti Maria grandes amigas,
De todas elas acabei por perder o rasto quando, anos mais tarde, como estudante universitário, troquei a Faculdade de Economia do Porto, sucessivamente, por Lisboa e Évora. Que é feito desta minha família do coração, que amei, estimei e nunca esqueci?
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Na Praia do Bispo (2020)
* Victor Nogueira
16 de setembro de 2020 ·
As casas do Estado para Funcionários Públicos eram na Praia do Bispo vivendas geminadas, com dois pisos.
Esta faz parte duma série de fotos coloridas, da mesma altura, mas o Zecas Jones só as digitalizou a preto e branco. Nesta foto lá está no colo dele um dos vários gatos, faltando nesta foto de família o cão, talvez o Jack II.
Estando a estudar em Portugal, só ia a Luanda nas Férias Grandes. Pois o Jack II, ainda estava eu longe de casa, pressentia a minha chegada e começava a correr como louco no quintal, num vaivém entre as traseiras e o portão da frente, saltando para mim, desaustinado, mal eu saía do carro, vindo do aeroporto..
Os gatos proliferavam no quintal à vontade, mas uma vez a nossa mãe entendeu que a gataria era já demasiada e pegou numa das gatas e nos seus recém-nascidos gatitos e foi largá-los nos arredores de Luanda. Eis senão quando, passado algum tempo, reapareceu a gata, esquálida, com um dos filhotes transportado pelo cachaço, pelo que foram recebidos de braços abertos.
As escadas também contariam uma história. Em miúdo, na ausência dos nossos pais, resolvi beber um cálice de vinho do Porto e gostei tanto do doce que emborquei mais alguns. Claro que subi a escada de gatas até ao quarto onde me deitei na cama para que mais ninguém soubesse, até me passarem as “tonturas”. Em consequência e durante décadas não conseguia beber vinho do Porto.
Sobre tratamentos de choque. Ninguém na família era ou foi fumador, salvo o meu avô Luís. que do Porto enviava aos netos chocolates, entre outras coisas, alguns dos quais imitavam cigarros numa embalagem de cigarros. Mas a nossa mãe deu-nos um tratamento de choque: ofereceu-nos cigarros, que acendeu, dizendo-nos que engolíssemos o fumo.
Não sei se foi por isso ou pelo facto de ninguém da família em Luanda fumar que não apanhámos o "vício". Mas na verdade, apesar de estar convencido que não fumava, a verdade é que o meu Diário de 1958 / 59, da pré adolescência, revela que fumava às escondidas dos nossos pais.
À esquerda vê-se o piano da minha mãe. Creio que ainda frequentei umas ulas de piano, mas aquilo era tão maçador com o solfejo que desisti. Ainda quis aprender a tocar viola. O meu pai perguntou-me se eu tencionava viver daquilo. Como lhe dissesse que não, decidiu que não valia a pena eu frequentar aulas, pelo que essa minha intenção morreu à nascença, por falta de incentivo.
domingo, 13 de setembro de 2026
Em Setúbal, quando as paredes não estavam cobertas de livros (2022)
13 de setembro de 2022
Foto jj castro ferreira - Em Setúbal, quando nesta casa (quase) todas as paredes ainda não estavam cheias de estantes com livros do chão até ao tecto. Na parede duas litogravuras, uma de autoria do meu irmão, outra de Ribeiro de Pavia, esta adquirida em 1969, em angariação de fundos para as CDE (Comissões Democráticas Eleitorais)
Agro-Barroso. (2020)
13 de setembro de 2020
Na Quinta de S. Paulo, um espaço de lazer (2018)
13 de setembro de 2018
foto jj castro ferreira - na Quinta de S. Paulo, um espaço de lazer ente Setúbal e Palmela,onde se encontram as ruínas de dois conventos, os de S. Pedro e de S. Paulo, um deles a ser recuperado. Nas cercanias, em Alferrara, encontra-se a mãe-de-água do Aqueduto dos Arcos, que abastecia a então vila de Setúbal.
Na foto: Conceição, Susana, Victor, Emília, Celeste, Luísa e João.


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