Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Pingos do Mindelo, no Carnaval de São Valentim, sem Valentina

 * Victor Nogueira 


2014 04 03 William Shakespeare (excerto de “As You Like It”)

O mundo inteiro é um palco,
E todos os homens e mulheres são meros atores:
Eles têm suas saídas e suas entradas;
E um homem cumpre em seu tempo muitos papéis.
Seus atos se distribuem por sete idades. No início a criança
Choraminga e regurgita nos braços da mãe.
E mais tarde o garoto se queixa com sua mochila,
E seu rosto iluminado pela manhã, arrastando-se como uma lesma
Sem vontade de ir à escola. E então o apaixonado,
Suspirando como um forno, com uma balada aflita,
Feita para os olhos da sua amada. Depois o soldado,
Cheio de juramentos estranhos, com a barba de um leopardo,
Zeloso de sua honra, rápido e súbito na briga,
Buscando a bolha ilusória da reputação
Até mesmo na boca de um canhão. E então vem a justiça,
Com uma grande barriga arredondada pelo consumo de frangos gordos,
Com olhos severos e barba bem cortada,
Cheio de aforismos sábios e argumentos modernos.
E assim ele cumpre seu papel. A sexta idade o introduz
Na pobre situação de velho bobo de chinelos,
Com óculos no nariz e a bolsa do lado,
Suas calças estreitas guardadas, o mundo demasiado largo para elas,
Suas canelas encolhidas, e sua grande voz masculina
Quebrando-se e voltando-se outra vez para os sons agudos,
Os sopros e assobios da infância. A última cena de todas,
Que termina sua estranha e acidentada história,
É a segunda infância e o mero esquecimento,
Sem dentes, sem mais visão, sem gosto, sem coisa alguma.
das memórias, tudo 

~~~~~~ooo0ooo~~~~~~~


Foi ontem Dia de S. Valentim ou Dia dos Namorados. Ninguém me telefonou e a ninguém telefonei. As Valentinas da minha vida .... Umas sei que já morreram, outras estão vivas, prisioneiras de filhos e netos, outras pairarão em lugar incerto. Para lá da(s) memória(s), tudo passa, tudo morre, tudo arrefece?

Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas e dos cíclicos três dias de Carnaval, véspera do tempo de cinzas?


ALL THE WORLD'S A STAGE by William Shakespeare - BlueMoon Inspiration


Em conversa com ... (5) TODO O MUNDO e NINGUÉM DECLARAÇÃO

Maria do Mar, Maria Papoila, Maria dos Mil Sóis Rendilhados, Maria Vai com as Outras, Niña do Beco dos Passarinhos, Joana Princesa com Sabor a Cravo e Canela ou Princesa do Meio Caminho Andado, Princesa (Simplesmente), Fatma das Caldas, Fátma da Ilhoa da Floresta Queimada, Gaivotinha, Raposinha, Madre Abadessa Diabinho Diabeza, Musa d'Ante, Luciferazinha, Diabrete, Nlña de Aguiar e Belmonte, Joana da Côr do Trigo em Flor ou Joana Ratinho são personagens talvez verdadeiros mas com nomes inventados. João Bimbelo, João Baptista Cansado da Guerra ou o Conde Niño são personagens e como tal não existem. Se existissem, então eles não estariam de parabéns por qualquer delas. Mas elas, talvez os merecesssem, apesar de inventadas pelo escriba, a quem teriam deixado para trás 🙂 . Talvez porque o escriba, embora malabarista do verbo bordejando a chama, pouco valor teria nas histórias que inventava com a liberdade, engenho e arte que a todos os escribas é permitido. .

Victor Nogueira aka Kant_O_XimPi.Manog .

PS – Mais declara o escriba que não costuma ficar a chorar pelo leite derramado e do passado procura reter apenas aquilo em que foi feliz. O resto, o resto são «estórias», como agora se diz.

Publicada por Victor Nogueira à(s) Domingo, Dezembro 09, 2007



17 de janeiro de 2020
 ·
Notícias do Bloqueio - II


Estão suspensas as palavras
Proibidos os gestos
………..de ternura, amizade e amor.
O silêncio invade as ruas
………..entra nas casas
………..senta-se à mesa da gente.
Que sentido tem dizer
………..amor
………..amiga
………..camarada
………..companheiro?
Que sentido tem
………..abrir as mãos e os olhos
………..e perguntar qual o significado do
………..que vemos, ouvimos, entendemos e sentimos?
Gaivotas loucas, alvoraçadas, enchem os ares
………..de movimento e ruído.
Enquanto a vida escorre pelos dedos
………..indiferente
………..medíocre
………..submissa.

1985.Outubro.02 - Setúbal
Cartoon de autor não identificado





16 de janeiro de 2020 
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Um dia tu virás
.
Um dia tu virás
Enchendo o ar de coralegria
E o meu riso terá a cor do mar
Liberto em tua cantoria

Um dia tu virás
E sentirei a tua pele macia
O ardor do teu andar
Com nenhuma apatia

Um dia tu virás
E os dias cheios de fantasia
Como água a navegar
Preso na magia

Um dia tu virás
E seremos um rio ao luar
ave desperta
rosa aberta
No calor do teu olhar

Um dia tu virás

Um dia ...


Setúbal, 1989.11.06 


29 de junho de 2017 
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Dizem que os livros são os nossos melhores e maiores amigos.
Mas os livros não se sentam á nossa beira,
nem tem olhos, nem sorriem
nem nos abraçam,
nem connosco passeiam pela rua, pelo campo.
Nada podemos dar aos livros
senão as letras dos nossos pensamentos
ou um pouco de nós
para que chegue aos outros.

Os livros têm os olhos que nós temos.
E os seus lábios são os nossos lábios.
Porque se os livros tivessem olhos
e lábios e mãos e dedos
seriam talvez pessoas
mas nunca livros.

victor nogueira em évoraburgomedieval em 1969


2019 11 02 Urbans Arts - ABRAÇO COSTURADO COM FIOS DE NUVENS - por Dani Purper


2019 01 15 Um dia tu virás ...

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Letras empilhadas, ano após ano, em Abril, 03, (re)colhidas em 2025

 * Victor Nogueira

3 de abril de 2013  · 

 
Foto jj castro ferreira  (1962) - Victor Nogueira no Rio Lucala - quedas então designadas do "Duque de Bragança", actualmente  Quedas de Kalandula (Angola)

As Quedas de Kalandula estão localizadas no rio Lucala, o mais importante afluente do rio Kwanza. Ficam a cerca de 80 km da cidade de Malanje, capital da província e a 420 km de Luanda, a capital do país. Com uma extensão de 410 metros e uma altura de 105, são as segundas maiores de África  ----- A expansão territorial do domínio português em Angola começou em 1838, com o estabelecimento do Forte do Duque de Bragança perto da quedas do mesmo nome (Kalandula),perto da confluência dos rios Lucala e Quanza. Dentro dos próximos dez anos, os Portugueses estenderam o seu domínio até à margem do Rio Cuando.
~~~~~~~~~~
  Graça Maria Teixeira Pinto
Bela foto, Victor! E o rapaz que medita fitando as águas?
12 a
Victor Barroso Nogueira
Graca Maria Antunes o jovem sou eu mas de costas para as quedas LOL
12 a
Victor Barroso Nogueira
Sim, Arminda Griff São perto de Malange. Tens de esperar que a outra pagina seja desbloqueada. Qto as m/ fotos ter,as de ir aa minha e partilhar as que te interessem. Bjos 🙂
12 a
José Manuel Candeias
Excelente, Victor! Essas quedas de água são espectaculares, mas ainda não fui lá... Hei-de ir! Agora ficam a 3 horas de Luanda por estrada boa.
12 a
Judite Faquinha
Victor adorei, as quedas de água são maravilhosas, me parece um sonho...nunca me passou pela cabeça que o Duque de Bragança tivessem algo em Angola e ainda com as quedas de água... sabes eu tive um tiu a tia e o meu primo em Malange, e o meu primo me c… Ver mais
12 a
Erzsébet Judit Bobály
Gosto muito.
12 a
Ilda Ruivo
No meu tempo de Angola eram as Quedas do Duque de Bragança, agora denominadas de Kalandula. Tenho fotos tiradas lá... Parabéns Victor Nogueira pela descrição histórica. 🙂
12 a
Margarida Piloto Garcia
Pergunto-me se a neblina formada pelas quedas de água não se casa com extrema naturalidade com o jovem que numa espécie de timidez ou introspecção, olha para baixo e vê...sabe-se lá o quê.
12 a
Graça Maria Teixeira Pinto
Victor : pensei que tb havia água desse lado. 🙁
12 a
Helder Estêvão Candeias Dordio
Estão arranjadas agora, mas esta foto é bem antiga.
12 a
Maria Márcia Marques
Envergonhado??? Será? ou apenas a guardar a beleza da poisagem no baú da memória...
12 a
Manuela Vieira da Silva
Rejeitado, a neblina me fez emergir, da névoa me despi, ficando só com a minha solidão, incapaz de os pés mover, terei de aprender. Gosto da foto, Victor Nogueira. Muito inspiradora.🙂
12 a
Victor Barroso Nogueira
Maria Jorgete Teixeira Não sei pk fiquei a olhar para os pés Estaria a ver se a água não me molharia ? Bjos
11 a
Judite Faquinha
Victor, que estás pensando! Não mulhar os sapatos? Ou mulhar o pézinho? Obrigada amigo por nos mostrar fotos tão lindas. Bjs.
11 a                               

3 de abril de 2014 
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Público
William Shakespeare (excerto de “As You Like It”)

O mundo inteiro é um palco,
E todos os homens e mulheres são meros atores:
Eles têm suas saídas e suas entradas;
E um homem cumpre em seu tempo muitos papéis.
Seus atos se distribuem por sete idades. No início a criança
Choraminga e regurgita nos braços da mãe.
E mais tarde o garoto se queixa com sua mochila,
E seu rosto iluminado pela manhã, arrastando-se como uma lesma
Sem vontade de ir à escola. E então o apaixonado,
Suspirando como um forno, com uma balada aflita,
Feita para os olhos da sua amada. Depois o soldado,
Cheio de juramentos estranhos, com a barba de um leopardo,
Zeloso de sua honra, rápido e súbito na briga,
Buscando a bolha ilusória da reputação
Até mesmo na boca de um canhão. E então vem a justiça,
Com uma grande barriga arredondada pelo consumo de frangos gordos,
Com olhos severos e barba bem cortada,
Cheio de aforismos sábios e argumentos modernos.
E assim ele cumpre seu papel. A sexta idade o introduz
Na pobre situação de velho bobo de chinelos,
Com óculos no nariz e a bolsa do lado,
Suas calças estreitas guardadas, o mundo demasiado largo para elas,
Suas canelas encolhidas, e sua grande voz masculina
Quebrando-se e voltando-se outra vez para os sons agudos,
Os sopros e assobios da infância. A última cena de todas,
Que termina sua estranha e acidentada história,
É a segunda infância e o mero esquecimento,
Sem dentes, sem mais visão, sem gosto, sem coisa alguma.

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Margarida Piloto Garcia Obrigada Victor . Adoro Shakespeare mas na língua original. Mas compreendo a sua tradução. É pena, no entanto ser numa versão abrasileirada.
11 a
Victor Barroso Nogueira Margarida Piloto Garcia Não me apeteceu fazer uma tradução pessoal , apesar de no Liceu - no 3º ciclo - as minhas traduções serem lidas na aula pela professora - a Laura Soveral -como exemplares. 😛 11 a

Goios - a Páscoa numa aldeia minhota

  Carlos Rodrigues

Já tinha lido, voltei a ler. Gostei muito da reportagem sobre as voltas do Compasso e da tua barba de infiel do Sul, com ancestrais clérigos e das tuas calças à boca de sino. Obrigado Vitor. Boa Páscoa.

10 a

   


3 de abril de 2015 

6ª feira santa

  Margarida Piloto Garcia

Victor este poema é absolutamente brilhante. Do melhor que já escreveste. Já vi a data : 1969 e penso que todas as fogueiras ardiam em ti.

10 a     

fugaz e não audaz
é tão breve o beijo
e ausente a carícia
o presente
o desejo sem ensejo
ou malícia
e a pudícia.
Amo o teu sorriso
as finas rugas do teu olhar
o timbre da tua voz
e o que imagino para lá disso.
Mas... as minhas palavras nao ateiam
nem incendeiam a teia.
O silêncio enche a tarde como se fosse areal
na secura dos gestos contidos e das palavas silenciadas.
As palavras ...
As palavras são um novelo em atropelo
na busca do sol e do mar e
da brisa dum olhar. O teu ?
quando partes o que fica em mim são
o meu silêncio e a tua ausência
Paço de Arcos 2015.03.15

3 de abril de 2020  · 

foto victor nogueira - uma "visão" da cidade a partir do cimo da torre no alto duma encosta com um parque verde ao sair da porta do edifício, em 2020.04.01

3 de abril de 2021  · 

foto victor nogueira - em Torres Vedras, a ilusão de percepção e as esculturas

3 de abril de 2022  · 

Fotos Victor Nogueira - Setúbal, duas vistas da Praça do Bocage (HPIM3449 HPIM3453 c 2013)  

A Praça de Bocage era o antigo Largo do Sapal, circunvizinho do Largo do Sapalinho. O centro cívico na altura situava-se na antiga Praça da Ribeira Velha, com o pelourinho que o Marquês de Pombal, no séc. XVIII, mandou substituir e foi  reerguido  no actual Largo do Marquês de Pombal, por causa da ligação aos banidos Duques de Aveiro, acusados de envolvência o atentado ao rei José I.

No Largo do Sapal mandou o rei Manuel I erguer uma nova Casa da Câmara, que um incêndio destruiu de 4 para 5 de Outubro de 1910, altura em que em Setúbal foi proclamada a República. O actual edifício, de traça similar ao anterior, é de autoria do arq. Raúl Lino, concluído em 1938.

Aqui situava-se a Fonte do Sapal, mandada construir em 1697, no século XX transferida para a Praça Teófilo Braga (antigo Largo da Anunciada).

Na mesmo local foi erguida a estátua de Bocage (1765 / 1805), cujo autor é o escultor Pedro Carlos dos Reis, inaugurada em 1871. Ladeando a praça, encontram-se alguns edifícios com valor histórico, como a Casa do Corpo da Guarda (fséc. XVII), o Palácio Salema, com um brasão da família Miranda Henriques; a casa do morgado Bandeira (Visconde de Montalvo), também brasonada e a Igreja de São Julião.

O primitivo templo teria sido erguido no séc. XIIII, sendo reconstruído por ordem de Manuel I, no séc. XV, edificado de 1516 e 1520, com risco atribuído a João de Castilho. Este mestre tem obra relevante em Portugal, com destaque para o Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa) e o Convento de Cristo (Tomar), Teve também intervenção no Mosteiro de Alcobaça, no Mosteiro da Batalha e na construção da fortaleza de Mazagão. Alguma das suas obas estão classificadas como Património da Humanidade.

O templo sofreu danos na sequência dos terramotos de 1531 e de 1755, o que obrigou á sua reconstrução no final do século XVIII. Da reconstrução manuelina restam o portal principal (oeste), o ricamente lavrado portal lateral virado a norte e a porta da torre sineira.

Centro cívico da cidade, pedonal, com múltiplas esplanadas, o actual piso é de autoria do arq.º Sérgio Dias, executado em 1988.

3 de abril de 2023  · 

Foto vicor nogueira - (2023 03 31 IMG_2123)  mural num quintal

De passagem pela estrada que liga Setúbal a Palmela, de relance, apercebi-me dum mural. Numa passagem posterior estacionei o Fiesta. Afinal o mural estava no quintal  arrelvado duma residência, junto a uma pequena piscina,

A pintura representa um rio ou baía,, azul, marginado por verdejantes montes ou montanhas, com o nosso olhar dirigido para um aberto horizonte, onde a água e o céu se confundem.


 Fotos victor nogueira setúbal lanchoa rolo 84 -0001

3 de Abril de 2925

Este era um campo agríola, no Pote de Água, então no extremo leste da cidade, onde o Município então liderado pelo PCP projectara construir um parque verde. Contudo, entretanto o PS desalojou o PCP, em 1985, na sequência de eleições autárquicas. O novo Presidente, que ficou para a história como o Manuel do Alcatrão, em declarações publicada na imprensa local, afirmou que o projecto era uma loucura dos técnicos do Urbanismo, para esquecer. Contudo a freguesia de S. Sebastião, então de maioria PCP, defendeu o projecto que seguiu avante, embora amputado de cerca de 1/3 da área inicialmente prevista, destinada a habitação que, em consequência, foi construída posteriormente. Na foto em baixo e ao centro, vê-se a Escola Primária 1º de Maio, na altura em construção.

A árvore e uma nora não resistiram ás obras de terraplanagem então avançadas pela referida Junta de Freguesia, a maior da cidade, concentrando cerca de 50 mil habitantes e metade dos eleitores do Município.

domingo, 23 de abril de 2023

Textos em abril 23

 * Victor Nogueira

2023 04 23 Vasco Gonçalves (1921-2005) - um General na Revolução, derrotada em 25 de Novembro de 1975 pelo PS-PSD-CDS, pelos spínolistas e pelo Grupo dos 9, incluindo Ramalho Eanes, Lourenço, Ramalho Eanes e Salgueiro Maia, que declararam na altura o estado de sítio na Região Militar de Lisboa, para impedir movimentações populares em defesa da Revolução.

Foi o Povo nas ruas que em 25 de Abril de 1974 transformou um golpe militar num processo revolucionário, foi o Povo nas ruas que obrigou à extinção da PIDE/DGS, para a qual Spínola já havia nomeado um novo Director-Geral, foi o Povo nas ruas que forçou Spínola a libertar todos os presos políticos e foi o Povo nas ruas que derrotou os golpes contra-revolucionários do General Spínola e do PSD-CDS em 28 de Setembro de 1974 e em 11 de Março de 1975.
O COMUM DA TERRA, "a Vasco Gonçalves”, poema de Eugénio de Andrade
Nesses dias era sílaba a sílaba que chegavas.
Quem conheça o sul e a sua transparência
também sabe que no verão pelas veredas
da cal a crispação da sombra caminha devagar.
De tanta palavra que disseste algumas
se perdiam, outras duram ainda, são lume
breve arado ceia de pobre roupa remendada.
Habitavas a terra, o comum da terra, e a paixão
era morada e instrumento de alegria.
Esse eras tu: inclinação da água. Na margem
vento areias lábios, tudo ardia.
Ilustrações:
Helena Vieira da Silva - A Poesia está na rua II
João Abel Manta - MFA, Vasco, Povo - Povo, Vasco, MFA / Força, Força, Companheiro Vasco, Nós seremos a muralha de aço




2022 04 23


2021 04 23 Foto victor nogueira - Lisboa - Monumento nos 25 anos do 25 de Abril, por João Cutileiro

O monumento comemorativo dos 25 anos da Revolução de Abril fica situado no cimo do Parque Eduardo VII, em Lisboa. Concebido a partir do pedestal destinado à estátua equestre do Santo Condestável, este conjunto escultórico é constituído por fragmentos de pedra, por vezes em bruto. Quer a partir do núcleo vertical, quer sobre as traves corre a água de uma fonte aí instalada. O núcleo desdobra-se por outros pedaços de pedra que se dispersam pelo espelho de água, onde a obra se localiza. Em frente a este núcleo, sobre um plinto em dois patamares, encontra-se um outro elemento cuja coloração e discurso formal o aproxima da estilização de um cravo.

VER   Monumentos ao 25 de Abril



2020 04 23 A percepção da duração do tempo é relativa e dependerá da vivência de cada um de nós. Em 1973, os 48 anos do fascismo pareceriam uma eternidade para quem nesse tempo tivesse vivido ou vegetado. Em 2015 falar nos 41 anos de Abril, para quem o vivenciou, é falar dum tempo que para muitos foi ainda ontem, ao virar da esquina ao alcance da mão e da voz, no sorriso duma criança, é falar dum tempo que nasceu das lutas, do inconformismo, da solidariedade, da generosidade e do sonho.

Letra para um hino, por Manuel Alegre (do tempo em que Alegre ainda era uma das vozes da Resistência, hoje acomodada)

É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

É possível andar sem olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não grita comigo: não.

É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre


2020 04 23 Foto victor nogueira - 1974/75 - cartazes e murais de abril 02 - porto 1975

Em 25 de Abril de 1974 à noite Spínola tentou em vão assenhorar-se do golpe militar e mandar o MFA para casa. Tendo falhado, tentou o chamado Golpe Palma Carlos, com a conivência do ppd/sá carneiro. Falhado o golpe com a demissão do I Governo Provisório, Spínola tentou com o apoio de sá carneiro/ppd e freitas do amaral/cds a chamada "manifestação da maioria silenciosa". Falhada esta,Spínola demitiu-se da Presidência da República. Todos estes golpes, tal como o de 11 de Março, tinham como objectivos adiar as eleições para a Assembleia Constituinte, plebiscitar Spínola como Presidente da República com amplos poderes, dissolver o MFA e inverter o processo de descolonização, sobretudo em Angola, mas também em Moçambique. A mobilização popular e o MFA fizeram abortar todos estes golpes spinolistas, que se veio a aliar a redes bombistas e anti-comunistas, de extrema direita, como o elp/mdlp..

Este mural no edifício da Câmara Municipal do Porto comemora a derrota de spínola a 28 de setembro de 1974. Spínola veio a ser posteriormente homenageado e reabilitado depois do golpe militar 25 de Novembro de 1975. Com efeito, a  5 de Fevereiro de 1987 foi designado pelo então Presidente Mário Soares Chanceler das Antigas Ordens Militares Portuguesas, sendo também condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito (a segunda maior insígnia da principal ordem militar portuguesa), pelos «feitos de heroísmo militar e cívico e por ter sido símbolo da Revolução de Abril e o primeiro Presidente da República após a ditadura».

VER Murais de Abril 21 - Porto


2017 04 23 Foto Victor Nogueira em Lisboa, numa tarde soalheira e luminosa, hoje, enquanto passava de carro. Quem é não sei, apena "mulher de branco ao telefone e à beira-tejo, na avenida da Ribeira das Naus."  MAIS FOTOS EM Á beira tejo em tarde luminosa CLICANDO EM 

Á beira tejo em tarde luminosa



2016 04 23 Gilberto de Oliveira e o Campo de Concentração do Tarrafal  -  foto Victor Nogueira (1997)

Eu e Gilberto de Oliveira fomos amigos e visitei-o muitas vezes na sua casa, na Ajuda, em Lisboa, na Rua Dom Vasco.. Foi membro do Comité Central do PCP e prisioneiro no Campo de Concentração do Tarrafal, sobre o qual publicou nas Edições Avante a “Memória Viva do Tarrafal “ (1ª edição 1987). Já cego, ajudei-o a compilar e a fixar o texto da sua poesia.  Na efeméride da criação do chamado “Campo da Morte Lenta” partilho a  sua poesia anterior e coeva das suas prisões, a 1ª das quais aos 18 anos. Gilberto de Oliveira, já falecido, nascera em 1915.   

Milu Vizinho  Bem hajas, querido camarada Victor Nogueira, por teres partilhado comigo, estes lindíssimos poemas do nosso querido camarada Gilberto Oliveira, que infelizmente foi torturado pela PIDE

7 ano(s)

Judite Faquinha - Obrigada camarada amigo Victor, por este testemunho do campo de concentração do Tarrafal...vindo do camarada Gilberto Oliveira...os poemas são horripilantes, mas amei ao lê-los...até o bobi foi vitima...obrigada querido amigo mais uma vês.Beijokinhas ❤

6 ano(s) - 


2016 04 23 Morgana, na série Corto Maltese - de Hugo Pratt

Morgana surge em A Balada do Mar Salgado. É meia irmã de Tristan. Educada na América do Sul, não sofreu as regras estritas da educação britânica. Boca Dourada - feiticeira brasileira - instrui-a nas tradições mágicas brasileiras e da macunda,tornando-a numa das suas discípulas.

Boca Dourada controla a Compagnie Financière Atlantique e participa em conspirações políticas. Intervém activamente na revolução dos negros e dos índios no Brasil contra a casta branca esclavagista, , fornecendo-lhes armas e dinheiro.