Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

cont(r)a-corrente

* Victor Nogueira


Vou às compras ao Modelo/Continente de Vila do Conde e resolvo seguir não pela por vezes ronceira EN Porto/Viana do Castelo mas pela "paralela" A28. Chegando à rotunda perto dos arcos do Aqueduto de Santa Clara verifico que no sentido inverso vigora o pára-arranque, com mais páras que arranques. Ainda são apenas 18 horas, a tarde está soalheira, um soalheiro que a brisa torna quase invernal, e resolvo seguir até à marginal costeira, inflectindo para sul  rumo ao centro de Vila do Conde. Para Norte vigora também o pára-arranca mas na direcção que sigo a via está desimpedida. Entusiamo de pouca dura pois cerca do Castelo de S. João Baptista, na foz do Rio Ave, mergulho no inferno do pára-arranca nas vias estruturantes da cidade, do qual não consigo livrar-me, por mais caminhos interiores alternativos que procure. Vou sempre desembocar no sufoco.

Resta-me esperar que o tempo passe e desafogue o trânsito. Regresso à fieira de esplanadas junto ao Castelo, vazias de clientes. A brisa fresca não é acolhedora e vou olhando para o interior dos pouco apelativos e correspondentes "cafés". Escolho um à sorte, o ar denuncia o fumo do tabaco do jovem que namorisca a empregada, jovem de negro vestida - muitas jovens de negro vestidas encontro empregadas por esta zona -  encomendo uma torrada e um iced-tea. Por estas bandas as torradas "comem-se" e não são saborosas como as de Setúbal. Enquanto mordisco a torrada e bebo, vou lendo um livrito de contos de ficção científica. Nem aqui me livro do mosquedo, sarnento, que esvoaça em torno de mim. O tempo escorre, o trânsito seguramente ter-se-á esvaído, pago e rumo ao Fiesta. 

A bateria da máquina fotográfica falha ao fim de duas ou três fotos, descarregada. Em tempos comprara duas para suplentes de reserva, mas a maquineta recusa-se a "reconhecê-las". É de "finuras",  o aparelho.

São já 19h 30m  e  desisto de ir à loja do Ti Belmiro. Sigo pela recta do Mindelo e na zona industrial, estilo "Chinatown" de armazéns de vendas por grosso, paro no "Mini-Preço" para abastecer-me de víveres. Nestes mini-mercados da zona, incluindo o Modelo, é pouca a variedade de produtos.  Abasteço-me e são quase 21 h quando arrumo o Fiesta no quintal e cerro o portão.


Sobre o castelo e a envolvente ver  na foz do rio Ave in


no pára-arranca paralelo ao rio ave,com o convento de santa clara em fundo


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

entre douro e minho - a informação por vezes "escondida"

* Victor Nogueira (texto e fotos)


A informação diversificada, desde a toponímia à publicidade, com o intuito  de esclarecer  ou de convencer. Em não poucos casos a "informação" está como que escondida pois não foi o motivo da foto e noutros ela é apenas um lembrete, auxiliar de memória intercalado na sequência das imagens registadas como se rápidas notas manuscritas tivessem sido gravadas num bloco de apontamentos, em letra apressada e por vezes ilegível.  Clicando no título amarelo é direccionado para o respectivo post


       Estas andançaa foram objecto de outras duas séries temáticas:

entre douro e minho as portas, as janelas, as fortificações, a religião e os pelourinhos para além das águas e sua envolvente

* Victor Nogueira (texto e fotos) 

Resolvi agrupar as fotos deste verão nortenho em 2014 por temas. Clicando no título amarelo é-se reencaminhado para o respectivo post.


    • os animais também são gente e as nossas irmãs plantas
    • Animais de carne e osso mas também um graffiti, duas tabuletas e duas escultura, para além de algumas plantas..
    • portas e janelas entre os rios douro e minho
    • Azulejaria 
    • Ao contrário do que sucede no Sul, as placas toponímicas não são azulejadas nem as paredes ostentam registos. Nenhuma das igrejas cujo interior visitei tem no seu interior paineis de azulejos, salvo em capela duma delas. Pelo contrário, as paredes exteriores de muitas delas estão cobertos de azulejos não historiados, que não fotografei.especificamente.
    • fortificações entre os rios douro e minho
    • Nestas minhas deambulações poucas fortificações encontrei. Em Vila do Conde o castro fortificado deu lugar ao castelo e este foi demolido para dar lugar ao Convento de Santa Clara e respectiva Igreja. Em Ponte de Lima a pasagem foi breve e não houve tempo nem ocasião para fotografar o que resta das muralhas medievais. Ficou apenas o Paço acastelado dos Marqueses titulares, semelhante ao  Solar dos Pnheiros, em Barcelos.  
    • igrejas entre os rios minho e douro
    •  A maioria destas fotos não me agrada e não constariam da escolha das "melhores" ou das que mais me agradam,, quer devido ao tempo nublado, adverso, quer do ponto de vista estético ou técnico. São pois meras ilustrações por falta de ocasião para repeti-las em melhor oportunidade. 
    • entre as águas dos rios Douro e Minho com o mar-oceano de permeio
    • entre o rio douro e o rio minho: esculturas, pelourinhos e cruzeiros 
    • entre douro e minho - artesanato 
    • Em Barcelos não cheguei a tempo a uma feira pois preferi andar a deambular pela cidade  e entretanto o posto de turismo e artesanato já encerrara e não me apeteceu fotografar o exposto nas lojas. Assim as ruas de Vila Nova de Cerveira e a da Igreja, esta em Vila do Conde, são a fonte quase exclusiva.
    • entre douro e minho - os grafitti, os cartazes, as fotos de fotos e as pinturas
    • Nestas minhas deambulações pelo Norte apenas deparei com 4 murais e graffiti e dos cartazes e tabuletas poucos foram captados pela objectiva do meu olhar. Fotos de fotos e de quadros em espaços fechados com a máquina digital - que saudades da minha reflex analógica - ou são normalmente impossíveis de fixar em museus ou galerias, quer por falta de claridade e tripé, quer pelo reflexo do flash no vidro ou proibição dos vigilantes de museus. É assim fraca a colheita, em quantidade e em qualidade. 

    quarta-feira, 24 de setembro de 2014

    entre o rio douro e o rio minho: esculturas, pelourinhos e cruzeiros

    * Victor Nogueira (texto e fotos)


    O tema é o da epígrafe nas fotos tiradas entre os Rios Douro e Minho neste Verão de 2014. 

    Cruzeiros são grandes cruzes de pedra ou de madeira que se erguem normalmentemente nos adros das igrejas, nas praças, nos cemitérios. Contudo muitos muros e pórticos são também encimados por pequenas cruzes, normalmente de pedra granítica. 
    As Alminhas são padrões de culto aos mortos, consideradas património artístico-religioso. São pequenos altares onde se pára um momento para orar. Nelas podem colocar-se velas, lamparinas acesas ou  flores, deixadas por quem passa. 
    Dum modo geral as alminhas são erguidas em encruzilhadas de caminhos, quase sempre em caminhos rurais, em matas ou perto de cursos de água, embora também se possam encontrar alminhas junto às estradas nacionais. Outras podem ser incrustadas em velhos muros ou na frontaria de casas, sendo construídas nos mais diversos materiais.
    Pelourinho, popularmente designado também como picota, é uma coluna de pedra colocada num lugar público de uma cidade ou vila onde eram punidos e expostos os criminosos. Tinham também direito a pelourinho os grandes donatários, os bispos, os cabidos e os mosteiros, como prova e instrumento da jurisdição feudal.
    Os pelourinhos, pelo menos desde finais do século XV, são considerados o padrão ou o símbolo da liberdade e autonomia municipais.  

    Para além das obras atrás referidas, este post inclui esculturas e baixos-relevos, de caracter religioso ou profano.

    http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/entre-o-rio-douro-e-o-rio-minho.html

    sexta-feira, 19 de setembro de 2014

    Vila do Conde: os dias finais

    * Victor Nogueira (texto e fotos)

    Vou a Vila do Conde em busca de uma livraria e pessoas a quem pergunto se existe alguma na cidade desconhecem o que é uma livraria e outra remete-me para as traseiras do Tribunal. O que encontro é apenas um estabelecimento que vende bugigangas e livros escolares, com uma estante com livros, pouco variada, alguns em saldo, dos quais compro apenas um, que se revela interessante: de Leon Goldensohn, "Entrevistas de Nuremberga", feitas por este psiquiatra norte-americano a réus e testemunhas de nazis no Tribunal Internacional. Interessante constatar que norte-americanos e britânicos, ao contrário dos soviéticos, queriam execuções sumárias, sem qualquer julgamento. Mas elucidativo é que não poucos dos réus e testemunhas preferiam estar sob a alçada da Grâ-Bretanha e dos EUA a terem-se rendido aos sovieticos, apresentados como bárbaros e sanguinários pelos nazis, que pretendiam uma paz separada com o Ocidente que os apoiasse na continuação da investida guerreira e anticomunista.

    Estas são as fotos desse dia, entre o parque de estacionamento gratuito e sempre com lugares vagos adjacente ao mercado, salvo à 6ª feira de manhã, dia do mercado semanal. e as trazeiras do Tribunal, defronte do qual um centro comercial sem lojas vagas, as tem todas fechadas a partir das 19 horas, vazios de gente os corredores iluminados. O Mercado Municipal ainda ostenta o nome do Engº Duarte Pacheco, dinâmico ministro e Presidente da Câmara Municipal de Lisboa durante o tempo do fascismo, tal como ainda se manterá o do General Carmona, na Ponte sobre o Rio Tejo em Vila Franca de Xira. A Duarte Pacheco já depois de Abril o Município de Lisboa ergueu um feio conjunto escultórico ao Engenheiro que lançou a auto-estrada Lisboa-Cascais, nos anos 40, concluída apenas décadas depois e já depois de 1974.

    http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/vila-do-conde-os-dias-finais.html

    quinta-feira, 18 de setembro de 2014

    pelo aqueduto de santa clara, de terroso a vila do conde

    Victor Nogueira (texto e fotos)


    1963

    Há aqui um aqueduto muito antigo, nalguns sítios arruinado (Diário III - 1963)

    2014

    Inicialmente formado por 999 arcos, com cerca de 5 km, é o segundo aqueduto mais extenso de Portugal, construído entre 1705 e 1714, desde o Convento de Santa Clara até à nascente (Terroso, Póvoa de Varzim), com o objetivo de levar água até ao chafariz do Mosteiro, através da sua arcatura. Do conjunto inicial persiste ainda uma grande parte da estrutura inicial, embora já muito fracionada, sendo o troço da Igreja de Santa Clara e até ao limite do Concelho de Vila do Conde o que melhor conservação apresenta, numa extensão de 500 m, num total de cerca de quatro quilómetros. Possui uma arcaria de envergadura e altura decrescente, com arcos quebrados e perfil superior do canal arredondado. Existem construções adossadas a alguns tramos, designadamente nas próximidades do Convento de Santa Clara.

    Nestas minhas deambulações não tive acesso ao claustro do convento, que se encontra em obras de conservação e prevenção da ruína, nem à nascente em Terroso, por deficiente sinalização, num café sendo esclarecido que esta não existirá mãe-de-água ou qualquer outra refrência, junto à capela de Santo António.

    ARGIVAI

    O nome da paróquia é de origem germânica e provem de Argivadi; no entanto é popularmente conhecida na Póvoa de Varzim como Anjo. A Argivai está associado o Dia do Anjo, quando a população da Póvoa de Varzim se reunia nas bouças de Argivai para um piquenique familiar, visto que parte da população tinha ali origem.

    Em 1220, o Rei D. Afonso II tinha em Argivai 22 casais rústicos e um amo do rei, possivelmente um aio de D. Sancho I, filho deste e de D. Maria Pais Ribeira, senhora de Vila do Conde e amante de D. Sancho I, conhecida como Ribeirinha. Em Quintela, havia um bom casal reguengo, que tinha passaro possivelmente um de "paço" no tempo de D. Sancho. Em Quintela, é recente o topónimo do Campo do Paço, casa com privilégios de Couto ou honra. Segundo o Tombo da Casa de Bragança, à casa estavam ligados os Condes de Barcelos e os descendentes de D. Maria Pais.

    Outrora a paróquia de Argivai abarcava todo o território de Varzim. Note-se contudo que Varzim era, desde a fundação do condado portucalense, um vasto terrório feudal com autonomia administrativa e militar, uma honra de cavaleiros, abarcando todo o território desde a costa aos montes de Laundos e Terroso. Nas inquirições de 1220, diz-se que no Reguengo de Varzim, que era pousa do mordomo do Rei, havia 20 casais, que davam ao rei, quando aí vinha, 6 dinheiros por pensão. Argivai é paróquia antiga. No século XI, o "Censual" de Braga refere-a na Terra de Faria com o título "De Sancto Micahele de Argivai". A paróquia foi perdendo importância e território com o desenvolvimento urbano da Póvoa de Varzim com a sua autonomia civil e, posteriormente também, religiosa.9


    Em 1626, a abadessa do mosteiro de Santa Clara em Vila do Conde, D. Maria de Meneses, deu início à construção de um aqueduto que transportaria as águas de uma nascente em Terroso até ao mosteiro. O aqueduto rapidamente se tornou na principal marca paisagística e arquitectónica da freguesia. (wikipedia)

    No território de Argivai  existia um  castrolocalizado numa pequena elevação (35 metros) e que se localizava junto ao nó de Vila do Conde na auto-estrada A28/IC1. A construção do IC1 foi provavelmente responsável pela destruição das ruínas do castro; apenas algumas secções subsistem.

    http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/pelo-aqueduto-de-santa-clara-de-terroso.html

    quarta-feira, 17 de setembro de 2014

    Azurara: Convento de S. Francisco

    * Victor Nogueira (texto e fotos)

     O Convento e a Igreja de S. Francisco são conhecidos por várias designações: Nossa Senhora dos Anjos, Nossa Senhora da Assunção e dos Franciscanos Capuchos. Fundado no século XVI, pouco resta do edifício primitivo, levando cerca de m século a edificação do actual conjunto, nos séclos XVII e XVIII, Hoje em dia a Igreja pertence à Ordem Terceira de S. Francisco de Azurara e o edifício do Convento é propriedade particular. Distingue-se ao longe pela sua grande torre adjacente,   (a Torre do Monteiro) proveniente de uma casa de Vila do Conde, da mesma família. A este local, em Setembro, acorrem muitos vilacondenses e poveiros, para celebrarem as Festas em honra de S. Donato, santo mártir cujas relíquias estão na igreja e qe é o protector das gentes marítimas da região. 

    Perto situa-se a ermida de Nossa Senhora das Neves, cujo culto é dos mais antigos da localidade e em honra de quem se celebra a festa maior da freguesia.  Reza a lenda que neste local apareceu Nossa Senhora, em forma de pomba, a um pequeno pastor que acompanhava o seu rebanho. A festa de Nossa Senhora das Neves realiza-se todos os anos, no primeiro domingo de Agosto, sendo também conhecida por Romaria dos Anéis. Outrora o arraial atraía grande número de ourives que vendiam, aos rapazes, os anéis em ouro e chumbo que estes ofereciam às suas pretendidas. Mantém-se o costume ligado a esta festa e que é o de percorrerem a freguesia com tambores, anunciando a romaria, três vezes por dia, nos nove que precedem osfestejos. Em tempos idos o arraial organizava-se à volta da capela tendo sido, posteriormente, transferido para a área envolvente da Igreja Matriz.

    Nos campos circunvizinhos pasta gado vacum e nesta zona se inicia a Reserva Ornitológica do Mindelo, numa zona de dunas protegidas. Destas se avistam ao longe a Igreja matriz de Azurara e o Convento de Santa Clara, em Vila do Conde.
     Diz-se que, noutros tempos, havia em Azurara mulheres de virtude ou dadas a feiticeiras, em face de que corria entre o povo de Vila do Conde a quadra seguinte:

    “ Sou da Vila, sou vileiro,

    Sou da Póvoa, sou poveiro,

    Vou agora prá Azurara,
    Aprender o feiticeiro.”

    A tarde está muito cinzente e a chva iminente a que não escapo no regresso ao Mnidelo abrevia as minhas andanças pela reserva ornitológica e pelas dunas.

    Azurara já foi assunto de outras notas, como:
    http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/08/entre-azurara-e-vila-do-conde.html
    http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/08/azurara.html

    terça-feira, 16 de setembro de 2014

    na foz do rio Ave

    * Victor Nogueira (texto e fotos)

    Na foz do Rio Ave situam-se em Azurara a Reserva Ornitológica do Mindelo e os estaleiros navais, enquanto na margem direita, de Vila do Conde, encontramos a Capela de N. Sra da Guia ou Forte de S. João Baptista, a praia  da Guia e um memorial aos  Bravos do Mindelo. Do cimo das muralhas o nosso olhar vagueia do Convento de Santa Clara em Vila do Conde ao Mosteiro Franciscano de  S. Donato, em Azurara.

    Desde a Idade Média que a protecção da foz e da barra do rio Ave face aos ataques dos piratas era uma preocupação para os governantes de Vila do Conde, que nos meados do século XIII, face à importância da povoação como porto de pesca e estaleiro naval, decidiram constrir uma torre junto à Ermida de Nossa Senhora da Guia, Contudo e com os tempos a defesa da barra exigia edifícios mais adequados.

    Aproveitando os rochedos, o Forte de Nossa Senhora da Assunção, também conhecido como Forte de São João Baptista data do século XVI e apresenta planta pentagonal com baluartes também pentagonais nos vértices, em estilo Vauban adaptado às novas técnicas pirobalísticas. O forte quase se poderia chamar mais apropriadamente de Santa Engrácia, pois apenas foi concluído em ... 1793. Desactivado em 1834, passou a ter como funções o registo de entrada e saída de embarcações da barra do Ave.Praticamente abandonado no século XX, foi recuperado na década de 90 do século XX e transformado em unidade hoteleira.

    Nas cercanias encontra-se o Padrão da Memória da tentativa de desembarque das tropas liberais em 1832 intento que o governador da Praça não permitiu e veio a verificar-se calmamente e com êxito numa praia mais a sul, durante horas, sem qualquer interferência das forças fiéis ao Senhor D. Miguel. Foi obra pois eram 60 naus transportando um exército de 7 500 militares que ficaram conhecidos como o Bravos do Mindelo.

    Capela da Senhora da Guia, protectora dos mareantes, é uma ermida que remontará ao ano de 953, sendo então designada como ermida de S. Julião. Para além da utilização de índole religiosa, o templo funcionou, inicialmente, como ponto de apoio para defesa da barra. (1) 

    Aqui se situa a praia com o mesmo nome, rochosa e de areia grossa, com vegetação dunar e poiso de gaivotas. Nas traseiras da Capela uma escadaria conduz a uma plataforma que serviria de posto de vigia e de farol para a entrada na barra. Esta praia, abrigada das nortadas, é essencialmente frequentada pelos vilacondenses e situa-se na Zona Balnear da Frente Urbana Sul.

    Foi neste ano de 2014 a primeira vez que visitei os referidos forte e capela, estando o tempo nublado no 1º dia e mais límpido no subseqente.

     (1) sobre a capela ver  Vila do Conde Quasi Diário (6º e último acto) in 
    http://viladoconde4.blogs.sapo.pt/112168.html


    FOTOS EM  na foz do rio Ave
    http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/na-foz-do-rio-ave.html

    domingo, 14 de setembro de 2014

    Amarante e o Rio Tâmega

    1997

    Nas faldas da Serra do Marão, na margem do rio Tâmega , situa‑se Amarante, com o seu Mosteiro de S. Gonçalo e ponte homónima sobre o rio onde se reflecte o arvoredo das margens. As ruas são estreitas, o ar escuro, húmido, enevoado. Algumas casas possuem varandas salientes, de balaustrada, cobertas, de madeira, como nos países nórdicos. (Memórias de Viagem, 1997)

    1999

    Fotos Igreja, ponte, chafariz, casa fotográfica e vista panorâmica. Num coberto arte nova um painel de azulejos ilustra uma das cheias do rio Tâmega. Em Amarante são muito pontuais na saída/encerramento e no trânsito os automobilistas  facilitam ainda menos que no Porto, ignorando os sinais vermelhos. Contudo a maioria das pessoas são simpáticas.

    Museu Amadeu de Sousa Cardoso – senhor Cardoso, deficiente, é o guarda e bilheteiro; não nos deixa visitá-lo por já serem 17h 10, faltando contudo ainda 20 m para o seu encerramento. Os funcionários administrativos são zelosos com a hora de saída (sê-lo-ão também com a de entrada?). 

    História dos postais e das contas (como foi?) e a atrapalhação com a máquina de calcular. Postais do expositor que não vende apesar de ter em stock outra colecção (???) e desenhos de Sousa-Cardoso.

    Invasões francesas, defesa e saque da vila. Convento e ponte. Rio sinuoso.

    A saída de Amarante pela IP 4 tem uma vista muito bonita, mas não sem podem tirar fotos. O caminho é muito montanhoso e verdejante, com videiras e pinheiros e casas espalhadas pelas encostas; de vez em quando avista-se o campanário duma igreja. Nalguns troços árvores queimadas testemunham pretéritos incêndios.

    Atravessamos o rio Ovelha (?) a 27 km de Vila Real e os vales lá ao fundo são profundos, mal se distinguindo por entre a neblina.

    As encostas já não são de cultivo, estando cobertas de erva rasteira, nem sempre uniformemente. Os nossos ouvidos zunem por causa da altitude e das diferenças de pressão; estamos na serra do Marão. Há um dito popular: “Para cá do Marão mandam os que cá estão”.

    A neblina é cada vez maior; são 17h 40m e estamos a 17 km de Vila Real. Dois km depois começa uma íngreme descida e a visibilidade aumenta. (Notas de Viagem - 1999.09.02)

    2014

    Acordei de manhã com uma estrondosa trovoada e chuva a bátegas, que ameaçavam o passeio até Amarante, nas margens do Rio Tâmega, mas  tempo levantou e a tarde foi soalheira, luminosa, francamente estival. Consegimos estacionar o Fiesta mesmo no centro, à sombra do Convento de S. Gonçalo, junto à estátua a Teixeira de Pascoais, defronte do Museu [de Arte Moderna e Contemporânea] Amadeu de Sousa-Cardoso. A importância do povoado só começou depois de nele se instalar o eremita S. Gonçalo, venerado como casamenteiro, após várias peregrinações e deste ter construído a ponte velha sobre o rio. A construção do Mosteiro data do século XVI (D. João III) sendo concluída no reinado de Filipe I  e a nova ponte foi edificada após a primitiva ter ruído em 1763 devido à força das cheias. Cheias caudalosas que ao longo dos séculos alagavam o centro da povoação, disso dando conta lápides num prédio da Avenida General Silveira, a maior das quais em 2001, quando da queda da ponte Hintze Ribeiro, de Entre-os-Rios, em Castelo de Paiva, VER Tragédia de Entre-os-Rios, em  http://pt.wikipedia.org/wiki/Trag%C3%A9dia_de_Entre-os-Rios//pt.wikipedia.org/wiki/Trag%C3%A9dia_de_Entre-os-Rios

    A vila foi destruída, incendiada e saqueada durante as invasões francesas, como represália pela resistência ao exército ocupante, tendo-se notabilizado no comando da sua defesa o General Silveira, factos relembrados na ponte. Outros filhos ilustres da terra são o poeta Teixeira de Pascoais e o pintor Amadeu de Sousa-Cardoso, 

    Da história de Amarante fazem parte o Diabo e a Diaba, figuras eróticas e de culto popular e pagão,  dedicadas à fertilidade, perseguido pela Igreja Católica, de que se fala aqui:

    ~ A procissão dos Diabos 
    - http://pt.wikipedia.org/wiki/Prociss%C3%A3o_dos_diabos
    ~ O diabo e a diaba de Amarante - http://www.amarante.pt/museu/admin/galeria/formularios/historia_diabos_net.pdf

    http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/amarante-e-o-rio-tamega.html

    sexta-feira, 12 de setembro de 2014

    cividade de Bagunte

    * Victor Nogueira (texto e fotos)




    A primeira vez que vim em busca das ruínas não as encontrei, por deficiente sinalização a partir do trilho que parte da estrada, junto ao posto de electricidade. Da segunda não levei o Fiesta pelo trilho, supondo que era intransitável aos automóveis, resolvendo seguir a pé, embora viesse a verificar que quase até ao cimo o Fiesta passaria à vontade. A tarde estava nublada, cinzenta, ameaçando chuva. No regresso e na bifurcação encontro três ciclistas em bicicletas todo-o-terreno. Trocamos algumas palavras e sigo pelo trilho donde eles tinham vindo, pedregoso e que me surpreende, intransitável ao Fiesta. Convenço-me que me enganei,  não tenho sol para me orientar mas, em vez de retroceder, prossigo a descida até que não sei onde estou, a noite a avançar e a chuva ameaçando cair. Não me agrada passar a noite ao relento, encharcado e transido de frio. Meto por um trilho mais estreito e vejo lá em baixo a estrada onde passam esparsos carros e uma casa que reconheço. Retomo o trilho principal e prossigo a descida até encontrar a estrada. Verifico depois que estou a cerca de dois km do carro, que seriam menos de 500 m se no entroncamento tivesse tomado o trilho da ida. Respiro  de alívio, a chuva não caíu, livro-me da molha e as máquinas fotográficas continam de boa saúde. À cautela decido que de futuro o mais seguro quando ameaçar chuva será levar um saco de plástico para proteger as máquinas da "danificação" pluvial.

    Cividade de Bagunte



    A Cividade localiza-se numa elevação da qual se avistam as terras em redor e era constituído por cerca de oitocentas casas, onde viveram de duas a quatro mil pessoas. Talvez devido à  nebulosidade cinzenta parece-me menos exaltante que a de Terroso, que além disso está mais cuidada. Tal como esta é um povoado da Idade do Ferro (posteriormente romanizado), tendo a de Bagunte sido descoberta no século XIX, embora tenha estado posteriormente abandonada e sendo as suas pedras aproveitadas para construção de edifícios. Em 1910 foi classificado como Monumento Nacional

    A povoação ocuparia uma considerável área, com cerca de 325 metros de comprimento por 150 metros de largura. Possuía, pelo menos, cinco linhas de muralhas defensivas, no interior das quais foram detectadas estruturas habitacionais de planta predominantemente circular e rectangular, agrupadas em aparentes "quarteirões".

    A Cividade de Bagunte constitui  um dos grandes povoados da Cultura Castreja do Noroeste da Península Ibérica e terá sido um centro populacional de apreciável dimensão, ombreando com o magnífico conjunto de povoados que incluem entre outras a Citânia de Sanfins (Paços de Ferreira), a Citânia de Briteiros (Guimarães), o Castro das Eiras (Vila Nova de Famalicão) e o Castro de Alvarelhos (Trofa).

    Para informação detalhada ver o texto de Paulo Heitlinger em arqueo.org, o site da Arqueologia Ibérica (1)


    A Pequena Rota Cividade de Bagunte

    A Pequena Rota da Cividade de Bagunte (PR 01) estrutura uma visita pedonal num percurso de grande qualidade paisagística e monumental que corre paralelo ao Caminho Santiago. Percorre o espaço situado entre as pontes de D. Zameiro e de S. Miguel de Arcos, passando pela Cividade de Bagunte.

    Esta é o maior e o mais antigo monumento nacional do concelho de Vila do Conde e fica e nquadrado por uma paisagem de enorme beleza, onde o rio Ave desempenha um papel fundamental.

    A PR 01 está devidamente assinalada segundo as regras internacionais que regulam a actividade pedestrianista. Em locais de maior relevância patrimonial existem painéis informativos que localizam o visitante. (2) (3)

    (1) http://arqueo.org/ferro/bagunte.html
    (2) http://www.cm-viladoconde.pt/files/2/documentos/20121017155207764858.pdf
    (3) A Rede de Castros do Noroeste é constituída pelos seguintes monumentos:

    • Castro de Alvarelhos
    • Castro de Monte Mozinho
    • Castro de S. Lourenço
    • Castro de São Caetano
    • Castro do Lesenho
    • Castro do Padrão
    • Citânia de Briteiros
    • Citânia de Sanfins
    • Citânia de Santa Luzia
    • Cividade de Bagunte
    • Cividade de Terroso (4)


     (http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/entre-os-rios-ave-e-cavado-terroso-s.html

    • http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/cividade-de-bagunte.html

    quinta-feira, 11 de setembro de 2014

    Entre as margens dos rios Ave e Cávado: Vilarinho, Goios e Barcelos

    * Victor Nogueira (texto e fotos)
    * Paulo Lobarinhas (texto)


    De Vilarinho, Goios e  Barcelos se falou em notas anteriores: "entre os rios Ave e Cávado; de Vairão a Junqueira" (1)"Goios, Pedra Furada e Remelhe" (2) e  "Barcelos e Barcelinhos" (3).

    Vilarinho fica numa encruzilhada de caminhos movimentada e desta feita paro e pelo centro deambulo. As escolhas do fotógrafo "iludem" as aberrações e fixam apenas o que não é agressivo: o jardim, algumas casas mais ou menos antigas. Dissonante uma estátua dum peregrino de Santiago, como se fosse representado com blocos Lego, em cujo pedestal figuram os nomes das terras atravessadas pelos peregrinos a caminho do santuário, na vizinha Galiza. A torre medieval não passa de pastiche, escondendo o reservatório elevatório de água da povoação. No café onde entro para tomar  um "carioca" discute-se a última novidade do dia: um incêndio inadvertidamente ateado por uma eventual queima, com intervenção  dos bombeiros e da polícia, para apurar eventual matéria criminal pois ainda estamos na época de defeso das queimadas, para prevrenir a eclosão de fogos florestais.

    O termo "vilarinho" deriva de "vilar" ou  lugarejo, designando os seus moradores ou um pequeno lugar. A toponímia refere alguns, como Vilarinho das Furnas, Fonte de Vilarinho, Vilarinho de Negrões, Vilarinho de Samardã, Vilainho de Arcos, S. Miguel de Vilarinho, Vilar de Perdizes,  Vilar de Mouros, Vilar de Andorinho, Areias de Vilar, Vilar de Ferreiros ...


    De Goios falam as legendas de algmas fotos O termo Góios deriva do latim Gáudios, em vez de gandia, os gozos ou prazeres de Nossa Senhora e tanto que se diz Santa Maria de Góios. Havia outrora muitas imagens da Senhora do Ó, representando a Virgem pejada ou grávida, mas muitas delas foram destruídas pelos párocos, que as consideravam ímpias.

    (1) http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/entre-os-rios-ave-e-cavado-de-vairao_5.html

    (2) http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/goios-pedra-furada-e-remelhe.html
    83) http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/barcelos-e-barcelinhos.html


     http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/entre-as-margens-dos-rios-ave-e-cavado.html

    quarta-feira, 10 de setembro de 2014

    Pelas margens do Rio Ave

    * Victor Nogeira (texto e fotos)

    Aproveito a tarde soalheira para retornar às pontes românicas dos Rios Ave e Este, por novos percursos, mas desistindo de voltar à Cividade de Bagunte. No Ave pescadores pescam junto a uma das azenhas, enquanto os patos evolucionam nas águas ou descansam no areal. Em Macieira da Maia há música de arraial, animada, atroando os ares, puxando o pé e o corpo para o bailarico, enquanto na igreja, de cujo adro se avista a ponte de D. Zaimeiro, mulheres se azafamam nas decorações entrando a saindo do templo, as ruas enfeitadas com arcos floridos e luminárias. 

    Junto à ponte de S. Miguel de Arcos e numa das margens uma árvore frondosa com bancos acolhe um grupo de jovens com as suas bicicletas, um dos quais me pergunta se tenho um cigarrinho. Azar dele, que não fumo.

    Por ser dia de semana, em qualquer das das localidades transitam muitos tractores agrícolas, ocupando os estreitos caminhos, a toda a largura, com seus atrelados.

    FOTOS EM
    http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/pelas-margens-do-rio-ave.html

    terça-feira, 9 de setembro de 2014

    Nas margens do Rio Ave

    * Victor Nogueira (texto e fotos)

    Quatro povoações banhadas pelo Rio Ave; Vila do Conde, Azurara, Macieira da Maia e Arcos. As fotos foram tiradas em dias variados, uns soalheiros, outros nublados. Em Vila do Conde pesca-se junto à ponte e em Macieira da Maia num terreno privado, de reserva. Se em Vila do Conde subsiste uma rara azenha quinhentista, em Macieira da Maia. subsistem duas, desctivadas, uma delas bar há uns anos. Embora tenha passado pelos Arcos, não tive ensejo de fotografar a ponte românica aí existente.

    Esta última região, segundo a ficha do IPPA, "foi densamente ocupada e explorada pelas populações, instalando-se, nas suas margens, diversos equipamentos, de que são exemplo um açude, duas azenhas e um moinho. Estes imóveis, cuja laboração aproveitava a existência da ponte para permitir a passagem de pessoas e de bens, são de construção popular e utilitária (por isso, mais vulneráveis à erosão do tempo), mas a sua conservação impõe-se como testemunho de um outro tempo, em que o rio foi fonte de rendimento e de sobrevivência, de atracção e de fixação das populações que humanizaram esta paisagem." 

    A ponte românica aqui existente na Idade Média substitui uma anterior romana e já neste século sofreu profundas obras de manutenção e recuperação sendo presentemente apenas pedonal. Situa-se num dos Caminhos de Santiago, coincidente com a antiga estrada romana, a Via Veteris ou Karraia Antiqua.

    A ponte dos Arcos também refeita no século XII situava-se na mesma via romana, que ligava o Porto a S. Pedro de Rates, importante centro religioso medieval e nos Caminhos de Santiago.

    Arcos tem mais património, sendo de referir  a tradição segundo a qual existiu, nesta freguesia, um castelo mourisco, no Monte com o mesmo nome, e no Monte da Reguenga, uma estrada coberta que ia ter ao Rio Ave.  A nível arqueológico, é possível localizar a mamoa de Moldes e o Castro de Casais. Este último apresenta vestígios dos períodos castrejo e romano.

    O documento mais antigo conhecido e que refere a freguesia de São Salvador de Macieira data de 974. Macieira da Maia possui a mamoa de Sabariz, que remonta ae 5000 a 3000 a.C. encontrando-se em propriedade privada.  

    FOTOS EM http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/nas-margens-do-rio-ave.html

    segunda-feira, 8 de setembro de 2014

    Barcelos e Barcelinhos

    * Victor Nogueira (texto e fotos)

    1997



    Barcelinhoé numa margem do rio Cávado e Barcelos  na outra. Sobranceiro à ponte medieval que liga as duas povoações encontra-se o paço dos Condes de Barcelos, arruinado devido ao terramoto de 1755, mantendo-se apenas as paredes e uma alta chaminé, funcionando como museu arqueológico ao ar livre. Ao lado situa se a igreja matriz de Santa Maria Maior,  romano gótico. Imponente é o palácio Solar dos Pinheiros, de aspecto medieval, com duas torres rectangulares.

    O progresso, a necessidade de expansão urbana e novos edifícios levaram à demolição das muralhas durante o  século XIX. Subsistem alguns panos da muralha e a torre de menagem, esta transformada em posto de turismo e de venda de artesanato regional, cerca da antiga rua Direita, hoje denominada de D. António Barroso, lembrado numa estátua defronte do edifício do município. Perto fica a Igreja das Cruzes, de planta octogonal, e o Passeio dos Assentos, florido jardim, seguido dum vasto terreiro arborizado, o Largo da Feira, esta realizada semanalmente às quintas-feiras: é uma feira de origem medieval, especialmente dedicada à venda de olaria, embora os produtos da lavoura e a venda de gado não ocupem lugar menos importante. A cerâmica é característica, de carácter profano ou religioso, colorida - cenas da vida rural, fauna e animais fantásticos. Pratos de barro vidrado vermelho acastanhado com desenhos em traço amarelo.



    É de referir a lenda do Galo de Barcelos, que deu origem a uma imagem característica e multicolor, de enorme crista vermelha, o galo de Barcelos; conta-se que um galo morto e cozinhado cantou de madrugada, assim demonstrando a inocência de quem seria justiçado por um crime que não cometera. Doutra lenda dá conta o cruzeiro - figurativo - do Senhor do Galo, com um homem suspenso da forca sobre um personagem barbado com alforge e báculo ou bordão, que não é senão Santiago, o Maior, cuja invocação o salvou. Da primeira lenda dá conta o cruzeiro do Senhor do Galo, proveniente do lugar da Forca Velha, em Barcelinhos, obra do séc. XIV. (Memórias de Viagem, 1997)

    2014
    No ponto mais elevado da cidade, em posição dominante sobre o rio, o paço dos Condes de Barcelos e Duques de Bragança foi o edifício mais importante de toda a localidade, tutelando o espaço e os homens da região durante séculos. Construído na primeira metade do século XV por ordem de D. Afonso, oitavo conde de Barcelos e primeiro duque de Bragança. Deste Paço, que era um castelo apalaçado, restam pouco mais do que algumas paredes e uma chaminé tubular. A sua ruína  iniciou-se no final do século XVIII.

    Com quatro chaminés de grande altura, este edifício era a construção mais rica de Barcelos na época em que foi construído. Nas ruínas actuais já não é visível a torre que se situava entre a ponte e as chaminés. Terá sido bastante danificada pelo Terramoto de 1755, ruindo definitivamente em 1801. Em 1872, em face do estado do edifício, o município de Barcelos, mandou demolir o que restava, aproveitando a pedra para calcetamento das ruas da vila, o que se não concretizou na totalidade, devido a diversos protestos, O que subsiste não representa senão uma pálida imagem da sua grandeza inicial. O célebre arquitecto Ernest Korrodi, com intervenções fantasistas no jardim público de Évora  e no Castelo nde Leiria, entre outras, não chegou a concretizar os seus projectos de "restauro", no âmbito da recuperação do património edificado, durante o chamado Estado Novo. Este arqitecto é o ator do edifício da Caixa Geral de Depósitos, na antiga Rua Direita.

    Actualmente este Paço alberga o Museu Arqueológico de Barcelos, que aí foi instalado no início do século XX.    Museu com ar de bric a brac.

    O Edifício Solar dos Pinheiros ou Paço dos Duques de Barcelos, foi construído no século XV, tendo elementos manelinos O edifício dos Paços do Concelho foi muito ampliado no século XIX,  a partir do original, medieval, de que conserva as arcadas térreas. e a torre.,  tendo incorporado também edifícios circum-vizinhos, como o Hospital do Espírito Santo (que albergava os peregrinos de Santiago de Compostela) e a Capela de Santa Maria, ambos do século XIV, assim como a Igreja e Hospital da Misericórdia. ambos do século XVI. A Matriz de Barcelos, terá começado a ser construída no século XIV sofrendo diversas transformações ao longo dos séculos.

    No lado de Barcelinos é de referir a Capela de Nossa Senhora da Ponte, construída em 1328 e reformulada no séc. XVII, sob cujo alpendre podem ainda ver-se os bancos e pias de pedra (lava-pés) para descanso dos peregrinos.

    FOTOS EM http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/barcelos-e-barcelinhos.html