Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Na Praia do Bispo (2020)

 * Victor Nogueira

16 de setembro de 2020 ·


foto victor nogueira - na Praia do Bispo. 

As casas do Estado para Funcionários Públicos eram na Praia do Bispo vivendas geminadas, com dois pisos.

Esta faz parte duma série de fotos coloridas, da mesma altura, mas o Zecas Jones só as digitalizou a preto e branco. Nesta foto lá está no colo dele um dos vários gatos, faltando nesta foto de família o cão, talvez o Jack II.

Estando a estudar em Portugal, só ia a Luanda nas Férias Grandes. Pois o Jack II, ainda estava eu longe de casa, pressentia a minha chegada e começava a correr como louco no quintal, num vaivém entre as traseiras e o portão da frente, saltando para mim, desaustinado, mal eu saía do carro, vindo do aeroporto..

Os gatos proliferavam no quintal à vontade, mas uma vez a nossa mãe entendeu que a gataria era já demasiada e pegou numa das gatas e nos seus recém-nascidos gatitos e foi largá-los nos arredores de Luanda. Eis senão quando, passado algum tempo, reapareceu a gata, esquálida, com um dos filhotes transportado pelo cachaço, pelo que foram recebidos de braços abertos.

As escadas também contariam uma história. Em miúdo, na ausência dos nossos  pais, resolvi beber um cálice de vinho do Porto e gostei tanto do doce que emborquei mais alguns. Claro que subi a escada de gatas até ao quarto onde me deitei na cama para que mais ninguém soubesse, até me passarem as “tonturas”. Em consequência e durante décadas não conseguia beber vinho do Porto.

Sobre tratamentos de choque. Ninguém na família era ou foi fumador, salvo o meu avô Luís. que do Porto enviava aos netos chocolates, entre outras coisas, alguns dos quais imitavam cigarros numa embalagem de cigarros. Mas a nossa mãe deu-nos um tratamento de choque: ofereceu-nos cigarros, que acendeu, dizendo-nos que engolíssemos o fumo.

Não sei se foi por isso ou pelo facto de ninguém da família em Luanda fumar que não apanhámos o "vício". Mas na verdade, apesar de estar convencido que não fumava, a verdade é que o meu Diário de 1958 / 59, da pré adolescência, revela que fumava às escondidas dos nossos pais.

À esquerda vê-se o piano da minha mãe. Creio que ainda frequentei umas ulas de piano, mas aquilo era tão maçador com o solfejo que desisti. Ainda quis aprender a tocar viola. O meu pai perguntou-me se eu tencionava viver daquilo.  Como lhe dissesse que não, decidiu que não valia a pena eu frequentar aulas, pelo que essa minha intenção morreu à nascença, por falta de incentivo.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Letras empilhadas, ano após ano, em Maio, 09, (re)colhidas em 2025

 * Victor Nogueira


9 de maio de 2013  · 

Foto Victor Nogueira - Paço de Arcos  - a casa da Avenida Conde de S. Januário

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 Judite Faquinha

Paço de Arcos, é muito bonito... mas tem em baixo do canto direito, algo muito antigo vê-se pelas telhas de canudo, fez-me lembrar os lavadores publicos... onde se lavava a roupa... já são raros mas ainda se encontra!!! Obrigada amigo Victor pela partilha. Boa noite sonhos felizes, Bjs

11 a

Victor Barroso Nogueira

Judite Faquinha A minha tia-avó e depois os meus pais moraram na vivenda, arrendada, de que se vêm 3 janelas e 1 varanda, à esquerda

11 a

Judite Faquinha

Amigo Victor, pelo aspecto devia de ser uma vivenda com uma bela area e linda senhorial, obrigada pela informação bjs.

11 a  

9 de maio de 2013  ·  

Foto Victor Nogueira - Batente

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Margarida Piloto Garcia

Que bela foto!!! Acho que se podia inventar uma história a partir dela, ou seja, para além de bela é altamente inspiradora.

12 a

Maria Jorgete Teixeira

clássica e misteriosa...

12 a

Carlos Rodrigues

Maravilha de puxador, pena terem tirado a patine e o mistério à porta com esses retoques marados, espero que já os tenham tapado. 🙂

12 a

Maria Rosa Silva

que é linda é ...

12 a

Victor Barroso Nogueira

Força, Margarida Piloto Garcia A imaginação ao poder ! idem, Maria Jorgete Teixeira Carlos Rodrigues - a porta estava em restauro, LOL São as demãos do primário por causa da deterioração. Bjos às moças e abraços aos moços 🙂

12 a

Belmira Patrício

1 toque, 1 repenicado, 2 toques, 2 repenicados... também era assim na minha Madragoa 🙂

12 a

Manuela Miranda

é um portal antigo mas bonito, cá no Norte ainda se encontram assim alguns, gosto do batente. A casa onde eu vivi tinha e eu gostava. Obrigada Amigo beijinhos.

12 a

Ana Estrela

o som do batido pela casa...

12 a

Alice Coelho

❤

12 a

Silvia Guedes

Lindos, esses batentes! Bjis, Vitor!

12 a

Deolinda F. Mesquita

Muito bonito esse batente.

12 a

Yolanda Botelho

Que linda porta.....

12 a

Manuela Vieira da Silva

Esta porta tem muitos mistérios, além das artísticas pinceladas de mar. Gosto.🙂

12 a

Maria Mamede
UMA PORTA PINTADA DE AZUL …
Um azul, quase cinzento
numa altivez de morada
de quem tem gosto diverso
e um batente em “camafeu”
a encimar a entrada…
eis a porta; (não do céu)
moderna em seu retrocesso!

Judite Faquinha

É UMA PORTA IMPONENTE, A RESTAURAÇÃO TIRA-LHE O ESTILO PRÓPRIO, O BATENTE É LINDO,MAS TIRARAM-LHE O CANHÃO ANTIGO, PARA LHE POREM UM MODERNO, MAS O MODERNO, NÃO LHE DARÁ MAIS SEGURANÇA!!! Victor mas é linda. bjs

12 a

Belaminda Silva

Que porta mais linda ! Dava-me muito prazer quando em criança batia em casa de amigos meus com portas com batentes muito parecidos as este. Obrigada Victor pelo miminho. Desejo-te um ótimo final de semana. Beijinho 🙂

12 a

Carlos Rodrigues

Bem sei que são retoques Vitor. Se passares lá daqui a seis meses, vê se já se lembraram de dar o acabamento e com quê ( tecnicismos dirás tu ) depois falamos, que isto à Portuguesa as coisas não são assim tão lineares e até podem ficar aí retoques para uns meses e quando forem a recobrir a aderência ser um desastre. Abraço.

12 a             


9 de maio de 2014  · 

foto Victor Nogueira -1974/75 - cartazes e murais de abril 10 - Paço de Arcos (1976)

A Reforma Agrária resultou de anos de luta dos assalariados rurais do alentejo e do ribatejo, de luta contra os grandes latifúndios e o trabalho de sol a sol, de luta pelas 8 horas de trabalho, de luta contra a repressão exercida pela PIDE e pela GNR a favor dos senhores da terra e de extensos latifúndios onde muitas vezes os povos nem da casa eram donos. Uma das conquistas de Abril desmantelada logo a partir de 25 de Novembro de 1975 pelas sucessivas troikas ps(d)cds desde soares carneiro amaral

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  António M. F. Gato

E qual foi a primeira herdade a ser ocupada pelos trabalhadores, amigo Victor Nogueira?!?

11 a

Victor Barroso Nogueira

António Manuel Fachadas Gato Não tenho dados que me permitam responder-lhe. As ocupações iniciaram-se em finais de1974 e aqui encontra alguns dados http://analisesocial.ics.ul.pt/.../1223473153H3yJE7un4Pr0...

11 a

António M. F. Gato

Segundo José Soeiro, antigo membro da direcção do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas de Beja e posterior deputado do PCP pelo círculo eleitoral de Beja, a primeira herdade a ser ocupada foi a Herdade do Monte do Outeiro, situada na freguesia de Santa Vitória, concelho de Beja. A ocupação aconteceu a 10 de Dezembro de 1974 e foi resultado do incumprimento da Convenção de Trabalho do Concelho de Beja, documento que teve o aval da Associação Livre de Agricultores (representante dos latifundiários). O livro do antigo sindicalista e deputado, "Reforma Agrária - a Revolução no Alentejo" é um documento obrigatório para aqueles que pretendam conhecer mais detalhes de uma parte da história do Alentejo...   

  

António Manuel Comendinha

A época foi outra, foi a época da Revolução. Actualmente seria impossível implantar uma nova RA. Os novos não sabem nem querem trabalhar os campos e os velhos já não podem. E alguém no dia de hoje que se meta em pequeno ou médio agricultor é só com base em subsídios. Por isso se vê.......tudo ao abandono ou ( cercas, gados, subsídios, caça, turismo rural, etc)...........

11 a        

9 de maio de 2015  · 

 Luanda e a Praia do Bispo 02

* Victor Nogueira (texto e legendas das fotos)

* J J Castro Ferreira (fotos)

Esta nota é a continuação de Luanda e a Praia do Bispo (https://www.facebook.com/notes/victor-barroso-nogueira/luanda-e-a-praia-do-bispo/10152855905704436) . Nela  se reproduzem  fotos, a maioria tiradas pelo meu tio J J Castro Ferreira, em 1958, ano em que regressou a Angola depois de concluir no Porto o curso de arquitectura, numa época em que não havia ensino superior nas colónias portuguesas.

VER  Luanda - a Praia do Bispo em fotos de capa 01  

Luanda - a Praia do Bispo em fotos de capa 03  

Praia do Bispo, em Luanda

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  Maria José Fonseca

Victor, gostei muito de ver todas as fotografias. Conheci muito bem o teu tio, o arquitecto Castro Ferreira. Saudades!

10 a         

Alfredo Sousa Tomaz

Muito bem elaborado este trabalho. Apenas um pequeno reparo. Julgo que a legenda de uma das fotografias que refere as barrocas da praia do bispo, não está correcta. Se repararem há depósitos de petróelo com o símbolo "S" da antiga Sacor. Talvez a zona seja a da Petrangol na estrada para o Cacuaco.

10 a

José Augusto Duarte Ferreira

Era na Boa Vista, a seguir ao Forte da Casa da Reclusão, em direcção ao Cacuaco. Ao fundo vê-se a ponta norte da Ilha.

9 a

Victor Barroso Nogueira

Alfredo Tomás De facto não me recordo de haver depósitos de combustível da Sacor na Praia do Bispo,salvo os da bomba de abastecimento automóvel, creio que da Purfina. Nesta empreitada não "vira" os depósitos na foto. Rectifiquei a respectiva legenda. Grato pela achega e um abraço 🙂

10 a

Victor Barroso Nogueira

Mana Arminda Griff aka manarminda. De facto fazia-me jeito quem graciosamente me ajudasse a organizar e digitalizar os meus textos e fotos, incluindo as memórias do meu exílio em évoraburgomedieval assim como a história da associação dos estudantes do isese . Haja voluntariado LOL

10 a

Maria João De Sousa

Interessante, a partilha das tuas memórias, Victor Barroso Nogueira! Ontem dei-lhe ordem de entrada na minha cronologia, mas esfumou-se-me antes de lá chegar... ou a ferramenta não funciona, ou é dotada de critérios de selecção próprios que transcendem - ou quase... - o meu entendimento. Abraço!

10 a

Tereza Fardilha

Adorei recordar as memórias da minha infância.....tantas e tão belas recordações.....obrigada Victor, bjs

10 a

José Augusto Duarte Ferreira

A Estrela Coimbra vai gostar de ver as fotos da Praia do Bispo...

9 a

José Augusto Duarte Ferreira

Os "zimbros" referidos no início do texto, na verdade chamavam-se zimbos. Embora existam noutros locais, era na Ilha que se encontravam em maior quantidade e eram propriedade do Rei do Congo, sendo proibido apanhá-los, sob pena de morte...

9 a

José Augusto Duarte Ferreira

Aqui fica uma lembrança para o amigo Víctor, obtida em 1965 a partir da Fortaleza de S. Miguel, mais ou menos no ângulo duma das fotos acima.

Victor Barroso Nogueira

Grato 🙂

9 a

José Augusto Duarte Ferreira

Grato fico eu por ter tido a oportunidade de ver tão bom trabalho. Abrç.

9 a

Estrela Coimbra

Obrigada Victor gostei muito de ver e recordar!

9 a

9 de maio de 2016  · 

foto victor nogueira - serra da arrábida  .convento (novo) de N Sra da Arrábida, construído no século XVI e que foi pertença dos Franciscanos.

Parece uma aldeia de brinquedo ou de bonecas, tão pequenas são as casas. Nem parece um convento, se pensarmos que eles deveriam ter claustro(s). Naquele tempo neste sítio agreste muito difícil deveria ser o acesso, por aquelas penedias escalavradas, com o azul das águas lá em baixo. Poderia ser na Grécia, mas fica em Portugal, com vegetação mediterrânica única e preservada, o "maquis"

O filme "O Convento", de Manoel de Ol iveira, baseado numa novela de Agustina Bessa Luís, foi rodado neste Convento da Arrábida, em 1995,

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 Judite Faquinha

Conheço a serra mas nunca fui ao convento... mas adoro passar pela serra e pular de um lado para o outro como cabra montês...e ver o mar na sua imensidão do seu azul...obrigada camarada Victor pela partilha feliz noite beijokinhas ❤

9 a          

9 de maio de 2016  · 

8 de maio de 1945 – a II  Guerra Mundial terminou na Europa, com a rendição incondicional da Alemanha após a queda de berlim, prosseguindo na Ásia contra oJjapão, que se renderia incondicionalmente apenas a  15 de Agosto. Os Aiados decidiram que a vitória seria internacionalmente comemorada em 9 de Maio  - o Dia da Vitória .


1ª Parada da Vitória em Moscou - 1945 - Áudio em Inglês (First Victory Parade in Moscow 1945)

9 de maio de 2018  · 

Foto rui pedro em 2018.05.08 Tratamento de imagem VN - A Évora, a turbo-aspiradora, segue-me por toda a casa, muitas vezes com a cama e o cobertor, num misto de Snoopy e Linus, personagens dos Peanuts. Vou para o escritório, para a a sala, à casa de banho  ou à cozinha e se me demoro quase sempre dou por ela ao meu lado, deitada na sua cama ou cobertor,  enroscada sobre si mesma, quando não encosta a cabeça ao meu colo a pedir-me festas e cafuné quase ronronando e lambendo-me as mãos com o seu olhar de corça ou bambi, como a que em Luanda tínhamos no quintal.. É um animal deveras inteligente, já com o pelo a embranquecer apesar da  genica.

 Victor Barroso Nogueira

Na do cimo da torre no alto duma encosta com o parque verde lá em baixo e o estuário do Sado e Palmela no horizonte 😛

7 a        

9 de Maio de 2019

Estou farto do frio, pá! (Calvin, de  Bill Watterson)


9 de maio de 2020
 
Conteúdo partilhado com: Público
Público



foto victor nogueira Forte de Peniche (1988) antigos pavilhões prisionais para confinamento político de alta segurança dos opositores ao regime fascista. e dois poemas de Daniel Filipe
O Viajante Clandestino, por Daniel Filipe
Este é o local, o dia, o mês, a hora.
O jornal ilustrado aberto em vão.
No flanco esquerdo, o medo é uma espora
fincada, firme, imperiosa. Não
espero mais. Porquê esta demora?
Porquê temores, suores? Que vultos são
aqueles, além? Quem vive ali? Quem mora
nesta casa sombria? Onde estão
os olhos que espiavam ainda agora?
O medo, a espora, o ansiado coração,
a noite, a longa noite sedutora,
o conchego do amor, a tua mão...
Era o local, o dia, o mês, a hora.
Cerraram sobre ti os muros da prisão.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

o 1º de Maio de 1962, in Pátria, lugar de exílio, por Daniel Filipe

Regresso pelo tempo ao dia de hoje
primeiro de Maio de 1962
hora segunda da meditação
Ganho de novo consciência do lugar
chegam comboios há mais gente na rua
como se o rio humano recebesse
o agreste tributo de outra oculta nascente
Vêm com o rosto de todos os dias
o olhar de todos os dias
as mãos e os pés de todos os dias
cansados de preencher impressos
moldar metais
afeiçoar madeiras
rodar motores e válvulas
sujos de óleo e poeira
deslumbrados de sol
operários empregados de escritório vendedores de porta a porta
dir-se-ia que cantam
De súbito a cidade parece banhada de alegria
estamos juntos meu Amor
possessos da mesma ira justiceira
Damos as mãos como dois jovens namorados
e sorrimos felizes
à doce primavera acontecida
no magoado coração da pátria
Vêm de toda a parte sem idade
Redescobrem palavras esquecidas
e no silêncio cúmplice desfraldam
um novo e claro amanhecer do mundo

9 de maio de 2021  · 

Foto victor nogueira - Setúbal - Mural executado por  GonçaloMAR, artista de arte urbana com trabalhos já realizados na cidade no Bairro Cor de Rosa ou das Palmeiras, na Belavista. (Canon 192_05 - 2021.05)

VER  Murais em Setúbal 32 - Bairro das Palmeiras (Belavista)

9 de maio de 2022  · 

Foto victor nogueira - Lisboa e Ponte 25 de Abril vistas de Almada e porta-contentores no Rio Tejo

9 de maio de 2022  · 

Assinala-se hoje o 77.º aniversário do Dia da Vitória sobre o nazi-fascismo e o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, em que pereceram mais de 60 milhões de pessoas, na sua maioria civis, e acima de 20 milhões de soviéticos. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), onde se integrava a Ucrânia, o povo soviético e o Exército Vermelho deram o decisivo contributo para a derrota do nazi-fascismo protagonizado por Hitler e Mussolini. 

Salazar dias antes decretara dois dias de luto nacional pela morte de Hitler, o que não impediu que a vitória dos Aliados fosse entusiasticamente comemorada nas ruas, designadamente em Lisboa.  

 "De acordo com testemunhos prestados por quem viveu este acontecimento, o povo de Lisboa saiu à rua gritando vivas aos vencedores deste conflito, hasteando bandeiras dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e do Benfica (ou um pau sem bandeira). Sim, do Benfica, já que a bandeira vermelha da União Soviética – um dos vencedores da guerra na Europa - não era permitida pela PIDE,", um dos sustentáculos do regime fascista português, um regime visceralmente anticomunista  

 VER “As bandeiras da vitória” in https://duas-ou-tres.blogspot.com/.../a-bandeiras-da... . .

Note-se que os Aliados, designadamente os EUA, apesar dos insistentes pedidos da URSS, só decidiram o desembarque na Normandia (Junho de 1944) depois das vitórias do Exército Vermelho em Estalinegrado (Agosto de 1942 a Fevereiro de 1943) e Kursk (Julho de 1942 a Fevereiro de 1943), iniciando este um avanço como rolo compressor até Berlim e possivelmente até ás praias atlânticas em Portugal. 

Em 1944, face ao falhanço da Operação Barbarossa,  líderes e  chefes militares nazis (como o Almirante Canaris, o General Rommel ou o Coronel Stauffenberg, entre outros) pretenderam afastar Hitler e fazer uma paz separada com a França, EUA e Reino Unido, que lhes permitisse concentrar todas as forças na frente Leste, o que não foi aceite. Falhado o atentado contra Hitler, em 20 de Julho de 1944, os conspiradores foram condenados á morte ou forçados ao suicídio. 

 Em 1945, após o suicídio de Hitler com Berlim ocupada pelo Exército Vermelho, o Governo nazi alemão, pretendendo prosseguir a guerra conta a URSS,  deu instruções para que a rendição fosse feita em Reims, apenas perante os representantes da França, EUA e Reino Unido, com exclusão dos soviéticos, o que sucedeu. Face a isto, a URSS exigiu que a rendição incondicional fosse assinada em Berlim, o que aconteceu no final do dia 8, quando em Moscovo, devido á diferença horária, já era o dia 9. 

 Na sequência do fim da Guerra na Europa e de acordo com os restantes Aliados a URSS declarou guerra ao Japão, a que se seguiria a sua invasão pelo Exército Vermelho.  

Antecipando-se, sobre um Japão irremediavelmente derrotado, os EUA, como manobra intimidatória, lançaram duas bombas atómicas sobre cidades sem interesse militar, como Hiroxima e Nagasáqui, nunca tendo sido julgados e condenados por estes dois crimes contra a humanidade, que arrasou as cidades e mataram de imediato ou nos meses seguintes entre 150 mil a 240 mil civis, fora as sequelas nos anos seguintes e por várias gerações.

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 Joana Espanca Bacelar

Victor, por acaso viste ou ouviste esta descrição nos meios de CS? Eu também não!

3 a

Victor Barroso Nogueira

Joana Espanca Bacelar Em Portugal, que foi um dos membros "democráticos" fundadores da NATO nunca se comemorou posteriormente, pelo menos oficialmente, o Dia da Vitória. Mas alguma imprensa tem-no referido, até onde dei por isso

3 a                    

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Letras empilhadas, ano após ano, em Abril, 10, (re)colhidas em 2025

 * Victor Nogueira

10 de abril de 2013

A vida é um pass(e)ar sem retorno!

VER  A vida é um pass(e)ar sem retorno!

10 de abril de 2014  · 

Ernie Pike é o personagem duma banda desenhada, da autoria de Héctor Germán Oesterheld, cujo primeiro desenhador foi Hugo Pratt.  Oesterheld  foi executado em 1977 em plena ditadura fascista argentina, por causa duma sua obra sobre Che Guevara,  considerada como a mais bela história escrita sobre o revolucionário e guerrilheiro da Revolução Cubana, também ele assassinado pelas mesmas forças fascistas, estas bolivianas. 

Ernie Pike não é um  “herói” mas sim um perdedor, correspondente de guerra designadamente na Coreia e no Vietname, tendo como inspiração um repórter real, correspondente de guerra, Ernie (Ernest) Pyle. morto no Japão em 1945

Ernie Pike é um narrador de histórias, não baseadas em batalhas reais ou feitos militares do ponto de vista oficial, mas em soldados anónimos, cujas  tragédias têm origem em mal-entendidos ou desencontros,  histórias sem “heróis” nem “bons” e “maus”; são  personagens que enlouquecem, que matam amigos por engano ou por terem acreditado erradamente que haviam sido por eles traídos, que procuram ser assassinados para evitar uma morte horrível, ou que são forçados a matar os camaradas mortalmente feridos e que não podem ser deixados para trás  ou cujo sofrimento procuram abreviar. 

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  Maria João De Sousa

Obrigada, Victor Nogueira! Não conhecia, de todo, este personagem que me parece muito interessante pelo que dele descreves!

11 a

Ricardo Jorge Mateus Pina

interessante. tb. não conhecia.

11 a

  Clara Roque Esteves

Uma lição de pedagogia. Valeu! Obrigada e um abraço grande.

11 a                

10 de abril de 2017  · 

foto Victor Nogueira - Lisboa - armas de Lisboa no Chafariz da Praça da Armada em 2017.04.09

Este chafariz, construído entre 1845-46, é alimentado pelo Aqueduto das Águas Livres, através de uma derivação feita a partir do Chafariz das Necessidades, não da fonte do obelisco, mas de outra encostada à cerca do convento oratoriano. Assente num pódium redondo, com escadarias alternadas e 2 bicas para os animais, encontra-se uma grande caixa de água paralelepipédica, de base quadrada, definida nos cantos por 4 pilastras rematadas por entablamento dórico, das quais 4 mascarões, recuperados do Chafariz do Campo de Santana, que nunca chegou a ser construído, jorram água para os respectivos tanques. A face principal do chafariz, virada para a rua e para o quartel, ostenta 2 tabelas, uma com as armas da cidade e a outra com a seguinte inscrição: "N.10/CAMARA MUNICIPAL/1845". Acima do entablamento evidencia-se um pedestal sob a forma de pirâmide quadrangular, de arestas curvilíneas, decorada na base com folhas de acanto e encimada por uma estátua do Deus Neptuno, recuperada do Chafariz do Campo Grande, após a sua demolição em 1850

10 de abril de 2018  · 

foto victor nogueira - os tesouros do 'necas'

10 de abril de 2019  · 

foto  victor nogueira - vista aérea de évorburgomedieval, dum voo em teco-teco pilotado pelo meu colega Seruca Salgado em 1974.12 - Évora, ínsula de pedra e cal, de ruas  estreitas e tortuosas, perdida na imensidão da planura alentejana, onde os relógios haviam parado algures, séculos atrás.

10 de abril de 2020  · 

 
foto victor nogueira - Águeda  'marking' 1998 09 14  rolo 373 -

MARKING É A CIÊNCIA DE ELUDIR E É PRATICADO NOS GRANDES ESPAÇOS

10 de abril de 2023  · 

A foto é de autoria do meu tio JJ Castro Ferreira e no lado esquerdo da vivenda geminada (nºs 42 e 44), sita na Praia do Bispo, moravam os Nogueira da Silva, figurando na mesma os filhos, Victor e Zé Luís. Seguramente que a página "Luanda - imagens dos velhos tempos" a terá extraído dum dos meus blogs ou da minha página do FB, sem que quem a publicou tivesse a cortesia de referir a sua origem e autoria

No quintal vê-se ou o Ford Consul da Maria Emília ou a carrinha Morris Minor do Manuel. O Bairro era servido por duas carreiras de autocarros, creio que com intervalos de meia hora, com percursos inversos, sendo o Largo D. Fernando, na Baixa, o local de início e de término de ambas as carreiras.

O percurso era pela  Rua Duarte Pacheco Pereira, Largo D. Afonso Henriques, Avenida Álvaro Ferreira (ou do Hospital), Samba, Praia do Bispo, Rua D. Francisco Soveral, Avenida dos Restauradores de Angola,  ou o inverso. Defronte à nossa casa ficava uma das paragens de autocarro, que se vê na foto,  a nº 7, proveniente da Samba. A outra era a nº 13.

Era no caramanchão que líamos, estudávamos ou jogávamos às cartas ou jogos de tabuleiro, nos dias de canícula.

Esta era a 2ª vivenda geminada para quem vinha do Morro de S. Miguel. Na 1ª morou o escultor Bragança e esposa (D. Fernanda) e depois outra família. Á direita da mesma, moraram sucessivamente os Coimbra e os Fardilha. Na 2ª vivenda, à esquerda, moravam os Nogueira da Silva e à direita, sucessivamente, os Balsa e os Sequeira. Na 3ª vivenda, à esquerda, habitavam os Paninho Birrento e, à direita, os Andrade Ferreira. Na 4ª vivenda, à esquerda, morava uma família indiana, cujo nome não fixei (as raparigas eram muito belas e um dos filhos chamava-se Gil).

Eramos os miúdos destas vivendas que conviviam uns com os outros. Depois, tínhamos alguns amigos mais para diante, junto à bomba de gasolina, como os Bustorff., para lá da Igreja de S. Joaquim.   

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 Clara Roque Esteves

Excelente memória, Vítor. Eu vivia no Bairro do Clube Militar, em Lourenço Marques. Só me recordo do nome de 1 família porque vieram para cá depois do 25 de Abril e nós íamos visita- los a Vila Real de Santo António em Agosto. Eles foram viver para lá.

Páscoa Feliz. Saúde.

2 a

Responder

Victor Barroso Nogueira

Clara Roque Esteves Vivi lá de 1956 a 1972, embora desde 1966 apenas nas Férias Grandes. Em 1973 passei-as em Portugal, em 1974/75 deu-se o 25 de Abril, terminei o curso, casei-me, nasceu a Susana, começou a guerra civil e nunca mais voltei à minha Pátria.

2 a

Clara Roque Esteves

Victor Barroso Nogueira, em vim em 1965 para Coimbra. Só ia a Luanda em Agosto e o parte de Setembro. Os meus Pais vieram em Agosto de 1975. Só o meu irmão voltou a Luanda, em serviço. E a minha filha mais nova esteve 3 meses em serviço também. Não gostou e veio embora.

2 a                             

10 de abril de 2024  · 

Foto victor nogueira - Setúbal Av António Maria Portela - Gagan Supermarcado (2024 04 02 IMG_4331)

Este é um minimercado indostânico, da Série Gralhas. Os raios solares paulatinamente foram apagando uma letra, pondo a descoberto o texto inicial, não um "supermercado" mas um "supermarcado".

Outras fotos minhas registaram outras "gralhas". Em Águeda,à porta dum estabelecimento comercial, um letreiro manuscrito elucidava que "MARKING É A CIÊNCIA DE ELUDIR E É PRATICADO NOS GRANDES ESPAÇOS", enquanto em Atouguia da Baleia um letreiro anunciava o que naquele estabelecimento se comerciava: "Loja Nova - Flores Brimquedos Loiças Farramentas"

10 de Abril de 2025

Foto Victor Nogueira - Setúbal - Interface rodoviario (2025 03 26 IMG_5638)

Situado junto à estação ferroviária na Praça do Brasil, o Interface Rodoviário, um projeto estruturante para a promoção da intermodalidade e da utilização do transporte público, foi inaugurado no dia 16 de setembro de 2021, numa iniciativa integrada na Semana Europeia da Mobilidade.

terça-feira, 25 de março de 2025

Memórias da juventude

 

25 de março de 2015  ·   · 

Tereza Fardilha

Aniversário do Victor Nogueira, 1965, na casa da Praia do Bispo, estou eu e a Lena,

Sim Mila, sou a menina das trancinhas pretas, a das trancinhas louras é a Lena, 

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Estrela Coimbra

E a minha Mãe Regina (Gininha) Coimbra!

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25 de março de 2015  ·   · 

Tereza Fardilha

Eu e a Lena, minha irmã, na casa do Victor Nogueira

Ru, durante anos fomos vizinhos em Luanda, principalmente com o irmão, Zé Luis, brincávamos....éramos muito amigos!! Há anos que não sabia deles.

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Estrela Coimbra

E a minha Mãe Regina (Gininha) Coimbra também está nesta foto.

9 a


25 de março de 2015  ·

 Maria José Fonseca

Aqui vai a fotografia da tua mãe, eu, minha mãe e outras duas professoras, em dia de festa na Escola Industrial de Luanda .

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Victor Nogueira

Ah ! Lembro-me da tua mãe, embora raramente eu fosse à Escola Industrial. Gracias  

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segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Fm Luanda, na Praia do Bispo

 


16 de setembro de 2020

 
Conteúdo partilhado com: Público
foto victor nogueira - na Praia do Bispo.
As casas do Estado para Funcionários Públicos eram na Praia do Bispo vivendas geminadas, com dois pisos.
Esta faz parte duma série de fotos coloridas, da mesma altura, mas o Zecas Jones só as digitalizou a preto e branco. Nesta foto lá está no colo dele um dos vários gatos, faltando nesta foto de família o cão, talvez o Jack II.
Estando a estudar em Portugal, só ia a Luanda nas Férias Grandes. Pois o Jack II, ainda estava eu longe de casa, pressentia a minha chegada e começava a correr como louco no quintal, num vaivém entre as traseiras e o portão da frente, saltando para mim, desaustinado, mal eu saía do carro, vindo do aeroporto..
Os gatos proliferavam no quintal à vontade, mas uma vez a nossa mãe entendeu que a gataria era já demasiada e pegou numa das gatas e nos seus recém-nascidos gatitos e foi largá-los nos arredores de Luanda. Eis senão quando, passado algum tempo, reapareceu a gata, esquálida, com um dos filhotes transportado pelo cachaço, pelo que foram recebidos de braços abertos.
As escadas também contariam uma história. Em miúdo, na ausência dos nossos pais, resolvi beber um cálice de vinho do Porto e gostei tanto do doce que emborquei mais alguns. Claro que subi a escada de gatas até ao quarto onde me deitei na cama para que mais ninguém soubesse, até me passarem as “tonturas”. Em consequência e durante décadas não conseguia beber vinho do Porto.
Sobre tratamentos de choque. Ninguém na família era ou foi fumador, salvo o meu avô Luís. que do Porto enviava aos netos chocolates, entre outras coisas, alguns dos quais imitavam cigarros numa embalagem de cigarros. Mas a nossa mãe deu-nos um tratamento de choque: ofereceu-nos cigarros, que acendeu, dizendo-nos que engolíssemos o fumo.
Não sei se foi por isso ou pelo facto de ninguém da família em Luanda fumar que não apanhámos o "vício". Mas na verdade, apesar de estar convencido que não fumava, a verdade é que o meu Diário de 1958 / 59, da pré adolescência, revela que fumava às escondidas dos nossos pais.