Allfabetização
Escrevivendo e Photoandando
No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.
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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.
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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.
VNterça-feira, 8 de abril de 2025
Em torno de Brecht
quarta-feira, 21 de dezembro de 2022
Textos em dezembro 21
* Victor Nogueira
Em destaque e visível da A1 situa-se em Alhandra a Igreja de São João Baptista, com a vila e o Rio Tejo a seus pés, este logo ali, a dois passos. A primitiva igreja matriz, fundada pelo cardeal D. Henrique em 1558, destaca-se na paisagem, por situar-se no alto dum colina, a cerca de 200 metros de altitude, no sítio conhecido como Alto do Castelo ou Miradouro do Castelo.
O actual edifício resulta da reconstrução levada a cabo até 1910, depois de um grande incêndio ter destruído o primitivo, em 1887. Apesar da sua arquitetura depurada e de linhas extremamente simples, alberga no seu interior um espólio de arte sacra dos séculos XVII e XVIII, de grande qualidade plástica, sendo alguns objectos da primitiva igreja e outros provenientes de igrejas de Lisboa, designadamente do antigo Convento do Grilo.
No Porto o edifício dos actuais Paços do Concelho encima a Avenida dos Aliados e a Praça da Liberdade, resultante da demolição dos prédios na zona anteriormente existentes.
Outrora os Paços do Concelho estiveram instalados no Paço Episcopal, nas cercanias da medieval Casa da Câmara ou Casa dos 24. Por seu turno o pelourinho situa-se no Terreiro da Sé Catedral, como pastiche dos anos '40 de século XX.
A Casa dos 24 remonta ao século XV e teria sido a primeira sede do poder municipal, resultando o nome do facto de nela se terem reunido 24 representantes dos vários ofícios da cidade. O edifício ficou destruído depois de um incêndio em 1875 e acabou por ser recuperado pelo arquitecto Fernando Távora em 2000., nele estando presentemente instalado o Museu da Cidade.
VER Pelourinhos 41 / Municípios 23 - Porto
No caminho para as Caldas da Rainha, deparamos com uma Igreja ortogonal, o Santuário do Senhor da Pedra, com um Museu de Arte Sacra que não visitei. (1) O Santuário do Senhor da Pedra parece uma nave espacial atarracada, com os foguetões laterais.
Neste local, junto a uma fonte, foi descoberta uma tosca imagem de pedra, representando Cristo. Circundando a enorme, incompleta e desajeitada Igreja, um conjunto de cafés e restaurantes fechados.
No largo fronteiro um fontanário joanino, com desenhos azuis, ao lado duma estalagem. Para ocidente, no horizonte e ao longo da cumeada, as muralhas da Vila de Óbidos, em contraluz ao pôr-do-sol. (Notas de Viagem, 1997.06.28)
(1) - Museu que acabei por visitar doutra feita, subindo uma estreita escadaria talhada no interior da grossa parede, percorrendo apertados corredores e atravessando salas que guardam os tesouros e peças, visitante solitário e talvez raro, tendo como cicerone a filha do guarda.
VER
## No que respeita aos homens, nem o riso, nem as lágrimas, nem a indignação, mas apenas o entendimento [i.e.saber o porquê] (Espinosa)
## Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada. (...) De maneira idêntica, o principiante que aprende um novo idioma, traduz sempre as palavras deste idioma para sua língua natal; mas só quando puder manejá-lo sem apelar para o passado e esquecer sua própria língua no emprego da nova, terá assimilado o espírito desta última e poderá produzir livremente nela.( Karl Marx, in "O 18 de Brumário de Louis Bonaparte")
## Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo. (Karl Marx)
terça-feira, 31 de maio de 2016
"O fascismo tem origem no marxismo", de Marx a Mussolini ou os novíssimos Tratados de Política
Temos três prémios atribuídos pela CNN ao jornalista, entre 2002 e 2004. Por coincidência, nesta data ocorre a cimeira da vergonha nas Lages e a invasão do Iraque.
Durante a apresentação do livro «A Fúria Divina» fez-se acompanhar por um ex-membro da dita «Al-Qaeda» (ou «CIA»). Após alguma pesquisa em alguns dos seus romances, denoto alguma dificuldade na escolha dos nomes das personagens. Temos um «Dr. Mário Branco», um Tomás (que aparece em 2 romances) e um «Siza».
A meu ver, os guiões são enviados (possivelmente já traduzidos) para o José Rodrigues dos Santos, apenas corrigir as lacunas (como os nomes das personagens). Não parece que a um mero funcionário da RTP que lê notícias e seja professor na Universidade Nova sobre tempo suficiente para escrever romances com 600 páginas e tão diferentes na abordagem dos temas. Além disso, o próprio José Rodrigues dos Santos nunca fala sobre as suas criações literárias. Deixa um e.mail em cada um dos seus livros que pede ao leitor para deixar uma apreciação. Em vez de falar ou escrever sobre os seus livros, aborda outros assuntos. Em vez da ciência da comunicação ou romance, escreve sobre filosofia política. Provavelmente, JRS não ligou ao dito popular «quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão»... Muito provavelmente, não estava nos guiões que lhe enviaram dos livros, aos quais póe o nome, como autor.
Jorge

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