Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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terça-feira, 8 de abril de 2025

Em torno de Brecht

 8 de abril de 2012

 
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Aos que vierem depois de nós
Bertolt Brecht
(Tradução de Manuel Bandeira)
Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.
Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?
É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"
Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.
Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.
Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.
Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.
E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
Bertolt Brecht nasceu em Augsburg, Alemanha, em 1898. Em 1917 inicia o curso de medicina em Munique, mas logo é convocado pelo exército, indo trabalhar como enfermeiro em um hospital militar. Aquele que iria se tornar uma das mais importantes figuras do teatro do século XX, começa a escrever seus primeiros poemas e cedo se rebela contra os "falsos padrões" da arte e da vida burguesa, corroídas pela Primeira Guerra. Tal atitude se reflete já na sua primeira peça, o drama expressionista "Baal", de 1918. Colabora com os diretores Max Reinhardt e Erwin Piscator. Recebe, no fim dos anos 20, instruções marxistas do filósofo Karl Korsch. Em 1928, faz com Kurt Weill a "Ópera dos Três Vinténs". Com a ascensão de Hitler, deixa o país em 1933, e exila-se em países como a Dinamarca e Estados Unidos da América, onde sobrevive à custa de trabalhos para Hollywood. Faz da crítica ao nazismo e à guerra tema de obras como "Mãe coragem e seus filhos" (1939). Vítima da patrulha macartista, parte em 1947 para a Suíça — onde redige o "Pequeno Organon", suma de sua teoria teatral. Volta à Alemanha em 1948, onde funda, no ano seguinte, a companhia Berliner Ensemble. Morre em Berlim, em 1956.
O poema acima foi extraído do caderno "Mais!", jornal Folha de São Paulo - São Paulo (SP), edição de 07/07/2002, tendo sido traduzido pelo grande poeta brasileiro Manuel Bandeira.

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Maria Amélia Martins
tinha que ser um homem bom...só um homem bom escreve isto!
13 a

Victor Barroso Nogueira
Para os fascistas e para os defensores do capitalismo era não um homem bom mas um homem a abater, como comunista que era.
13 a

Maria Jorgete Teixeira
Grande Brecht! Sempre atual!
13 a

Maria Lúcia Borrões
Flagrante a coincidência com os princípios do cristianismo.
13 a

José Inácio Leão Varela
Como Marx defendia teorias comunistas, ou melhor marxistas, que,embora nas suas épocas tivessem alguma aplicação prática pela realidade que então se vivia (revolução industrial), hoje estão completamente ultrapassadas,aliás, tal como o capitalismo selvagem. Hoje o materialismo histórico e a teoria do "valor" defendidos pelo marxismo/comunismo estão cientificamente ultrapassados. Contudo, os seus escritos e teorias devem continuar, ainda hoje, a ser documentos históricos de análise e estudo, e apenas isso. Cliquei gosto, apenas porque, embora não seja seu seguidor nem ache qq coincidência de fundo com o Cristianismo (a não ser no ponto em que condenava a exploração do homem pelo homem, coisa que o comunismo - se alguma vez houve comunismo - não se cansou de fazer na prática), acho que Brecht, tal com Marx, deve ser lido e estudado sob o ponte vista meramente histórico....
13 a
José Inácio Leão Varela
...histórico e de análise...
13 a

Victor Barroso Nogueira
Bem, Varela José Inácio, aqui não dá para debater. Mas o capitalismo é por natureza intrínseca desumano, "selvagem", genocida, auto-fágico e predador e apenas na Europa, desde o fim da 2ª guerra mundial até à implosão do Bloco socialista, foi forçado a assumir um rosto pretensamente humano, ao contrário da miséria que instaurou nas colónias portuguesas, holandesas, britânicas, belga, francesas, espanholas, alemãs e italianas nas Américas, Ásia e África, aniquilando povos e culturas e respectivas economias e sociedades. São cerca de 500 anos de intolerância, rapina e genocídio. Hoje estamos perante uma crise mundial cuja saída é a derrota do capitalismo ou a destruição da vida humana na terra ou a regressão à pré-história. A análise marxista não está ultrapassada e a experiência socialista numa URSS invadida desde 1917 até à barbárie nazi - invasão apoiada pela Grâ Bretanha, EUA e França mais ou menos veladamente até às vitórias do Exército Vermelho em Estalinegrado e Kursk. Um bloco cercado e sujeito à ameaça nuclear depois dos crimes contra a humanidade perpetrados pelos EUA em Hiroshima e Nagasaki, num país já derrotado, para amedrontar a URSS e experimentar os efeitos da bomba atómica. E pergunto - É de rosto humano e não selvagem o capitalismo nos EUA e agora na União Europeia, cujos efeitos da crise se fazem sentir e Portugal ? Hoje o capitalismo não se baseia na produção mas na pura especulação bolsista com "dinhero" que não tem qualquer equivalência na esfera da produção. Os EUA emitem notas que nem valem o papel em que são impressas, desde o fim do Padrão Ouro por Nixon no início dos anos setenta do século passado, que pôs fim aos acordos de Bretton-Woods. A teoria marxista do valor-trabalho, cujos antecessores foram Adam Smith e David Ricardo está ultrapassada? Ultrapassada em quê e porquê? Em tempo - Marx nunca foi marxista mas a sua análise do capitalismo continua válida. E o capitalismo talvez seja de facto o fim da história, não por bondade sua mas pk as saídas da crise situam-se a um nível crescentemente mais elevado em termos de guerra e destruição. E a próxima guerra, como disse, significará o fim da humanidade ou a sua regressão à idade das cavernas.
e de Brecht

Perguntas de um Operário Letrado
Quem construiu Tebas, a das sete portas?… Ver mais
 
Privatizado
Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.… Ver mais
 
Se os Tubarões Fossem Homens
Bertold Brecht… Ver mais
13 a

José Inácio Leão Varela
Claro, amigo Victor Nogueira...eu apenas me meti na conversa porque gosto, às vezes, de filosofar sobre assuntos interessantes como este, principalmente, com amigos que embora possam não ter as minhas ideias, não deixam de ser amigos...só isso...Resumido, e saio já, condeno o comunismo mas também não defendo o capitalismo... fizeste bem em publicar Bretch, só que para mim as suas teses sobre socialismo, tal como as de Marx, para mim estão cientifica e historicamente ultrapassadas, assim como as do capitalismo selvagem; mas isto não significa que devam ser ignoradas... saio já...um abraço amigo...
13 a

Victor Barroso Nogueira
Varela José Inácio Em Doutrinas Sociais, no ISESE, na intragável sebenta do Pires Lopes sj que parágrafo sim parágrafo não a propósito e sobretudo a despropósito desancava no Marx (mais tolerantes eram o Vaz de Carvalho sj em História das Teorias Políticas ou em Teorias Sociológicas ou o Augusto da Silva, sj, em Sociologia II), a súmula era "o capitalismo tem algumas coisas más, o socialismo algumas boas mas a verdade está na Doutrina Social da Igreja" e assim se formavam os quadros dirigentes das grandes empresas capitalistas e da Administração Pública, para geri-las com abertura e rosto humano. Eu recusei-me a fazer o exame de Doutrinas Sociais [cadeira do 2º ano] nos moldes do professor da mesma, o Pires Lopes, sj, em que se media apenas a capacidade acrítica de encornanço, e fui deixando a cadeira para trás até que no 5º ano disse ao Augusto Silva sj que me recusava a fazer o exame nos moldes fixados pelo professor pelo que não poderia terminar o curso pelo que, em alternativa, propunha-me fazer um trabalho escrito sobre um tema à minha escolha e a defendê-lo num exame oral. A Direcção do ISESE contrapopôs-me fazer um exame escrito sobre a matéria da cadeira e apresentar um trabalho escrito com um tema por mim escolhido, sem provas orais. Entreguei a prova escrita em branco e o trabalho foi sobre A Doutrina Social da Igreja e a Paz no Mundo, em que questionava a Guerra Colonial Portuguesa.

Naturalmente fui aprovado com apenas dez valores. Mas voltando atrás, desde há umas décadas, tudo o que aprendemos para "suavizar"e "almofadar" as relações entre patrões e não patrões não tem qualquer aplicação na "Europa com Eles", teorias "subversivas" pois o gado está ali à espera com o ferrete do desemprego para aceitar trabalhar como burro amarrado à nora. E o gado ou aceita ou morre se não tiver engenho e arte para mudar o estado súcial das nações.

Em Direcção de Empresas I, lecionada também pelo Pies Lopes sj, no 1º ou 2º anos, também só tive a brilhante nota de 10 valores pois na oral o Pires Lopes defendia que o Director de Pessoal numa empresa podia humanizar as relações de trabalho e eu contrapunha-lhe que o Director de Pessoal era um assalariado como os restantes trabalhadores e ou cumpria as orientações da Administração ou era despedido. Naturalmente nenhum de nós convenceu o outro mas ele tinha o poder de me reprovar ou dar apenas... 10 valores no exame final, o que fez LOL Abraço, Varela
13 a

Victor Barroso Nogueira
Em tempo, Varela José Inácio No nosso curso de 68/69 a esmagadora maioria dos estudantes de Doutrinas Sociais deixou de comparecer às aulas a meio do capitalismo, tendo sido acordado com o professor assinar o ponto do início de cada aula, para não perdermos o ano por faltas, abandonando de seguida a sala de aulas. Mas antes do início da Doutrina Social da Igreja o Pires Lopes sj afixou um aviso em que revogava a sua decisão, voltando a ser obrigatória a assistência às aulas. Após algumas reuniões a maioria resolveu acatar a decisão do professor pelos que os recalcitrantes tiveram também de "render-se", sob pena de perderem o ano por faltas. De modo que na primeira aula de DSI depois do prof entrar levantei-me e disse que ele havia faltado à palavra dada e que as aulas continuavam do mesmo estilo e sem qualquer interesse para mim e que era obrigado a assistir as mesmas para não reprovar. Disse e sentei-me. Sucessivamente levantaram-se o Viegas e o Pingarilho que declararam "Faço minhas as palavas do Victor" sentando-se de sequida. E assim venceu o Piricas. LOL
13 a

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Textos em dezembro 21

 * Victor Nogueira 


2022 12 21 - Foto Victor Nogueira -  Alhandra - Igreja de S. João Baptista  (2022 10 31 IMG_0507) 

Em destaque e visível da A1 situa-se em Alhandra a Igreja de São João Baptista, com a vila e o Rio Tejo a seus pés, este logo ali, a dois passos.  A primitiva igreja matriz, fundada pelo cardeal D. Henrique em 1558, destaca-se na paisagem, por situar-se no alto dum colina, a cerca de 200 metros de altitude, no sítio conhecido como Alto do Castelo ou Miradouro do Castelo. 

O actual edifício resulta da reconstrução levada a cabo até 1910, depois de um grande incêndio ter destruído o primitivo, em 1887. Apesar da sua arquitetura depurada e de linhas extremamente simples, alberga no seu interior um espólio de arte sacra dos séculos XVII e XVIII, de grande qualidade plástica, sendo alguns objectos da primitiva igreja e outros provenientes de igrejas de Lisboa, designadamente do antigo Convento do Grilo.


2021 12 21 - "Havia uma regra muito reveladora: os escravos deviam continuar analfabetos. No sul, antes da guerra civil, os brancos que ensinassem um escravo a ler eram severamente punidos. 'Para criar um escravo satisfeito, escreveu Bailey mais tarde, é necessário cria-lo estúpido. É necessário obscurecer sua visão moral e intelectual e na medida do possível aniquilar o poder da razão.' É por isso que os senhores devem controlar o que os escravos ouvem, vêem e pensam. É por isso que a leitura e o pensamento crítico são perigosos, na verdade subversivos, numa sociedade injusta." (Carl Sagan in «O mundo assombrado pelos demónio:s a ciência viva como uma vela no escuro »


2021 12 21 - Humorando


2021 12 21 - Fotos victor nogueira - Porto - Paços do Concelho, pelourinho e Sé Catedral  

No Porto o edifício dos actuais Paços do Concelho encima a Avenida dos Aliados e a Praça da Liberdade, resultante da demolição dos prédios na zona anteriormente existentes.

Outrora os Paços do Concelho estiveram instalados no Paço Episcopal, nas cercanias da medieval Casa da Câmara ou Casa dos 24. Por seu turno o pelourinho situa-se no Terreiro da Sé Catedral, como pastiche dos anos '40 de século XX.

A Casa dos 24 remonta ao século XV e teria sido a primeira sede do poder municipal, resultando o nome do facto de nela se terem reunido 24 representantes dos vários ofícios da cidade. O edifício ficou destruído depois de um incêndio em 1875 e acabou por ser recuperado pelo arquitecto Fernando Távora em 2000., nele estando presentemente instalado o Museu da Cidade. 

VER  Pelourinhos 41 / Municípios 23 - Porto


2021 12 21 - Chuva e trovoada, chuva miudinha ou de rajada, com dias cinzentos e pardacentos,   os tempos entremados de azul e cinza, mais ou menos nublados ou toldados. Chegou o Inverno, com gélidas frialdades!
 ... ... ...
O tempo escorre e de repente, olhando para lá da vidraça, constato que no horizonte tudo está uniformemente cinzento. Foi-se o céu azul e, sem ele,  cintilam alguns  relâmpagos, quase de seguida trovejantes, como bombardas, tudo tristonhamente ensombrando.



x

2019 12 21 -foto victor nogueira - interior do Santuário do Senhor da Pedra, em Óbidos

No caminho para as Caldas da Rainha, deparamos com uma Igreja ortogonal, o Santuário do Senhor da Pedra, com um Museu de Arte Sacra que não visitei. (1)  O Santuário do Senhor da Pedra parece uma nave espacial atarracada, com os foguetões laterais. 

Neste local, junto a uma fonte, foi descoberta uma tosca imagem de pedra, representando Cristo. Circundando a enorme, incompleta e desajeitada Igreja, um conjunto de cafés e restaurantes fechados. 

No largo fronteiro um fontanário joanino, com desenhos azuis, ao lado duma estalagem. Para ocidente, no horizonte e ao longo da cumeada, as muralhas da Vila de Óbidos, em contraluz ao pôr-do-sol. (Notas de Viagem, 1997.06.28)

(1) - Museu que acabei por visitar doutra feita, subindo uma estreita escadaria  talhada no interior da grossa parede, percorrendo apertados corredores e atravessando salas que guardam os tesouros e peças, visitante solitário e  talvez raro, tendo como cicerone a filha do guarda.

VER



2017 12 21 / 2015 01 11 TODOS DIFERENTES TODOS IGUAIS - UMA SÓ HUMANIDADE


## No que respeita aos homens, nem o riso, nem as lágrimas, nem a indignação, mas apenas o entendimento [i.e.saber o porquê] (Espinosa)

## Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada. (...) De maneira idêntica, o principiante que aprende um novo idioma, traduz sempre as palavras deste idioma para sua língua natal; mas só quando puder manejá-lo sem apelar para o passado e esquecer sua própria língua no emprego da nova, terá assimilado o espírito desta última e poderá produzir livremente nela.( Karl Marx, in "O 18 de Brumário de Louis Bonaparte")

## Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo. (Karl Marx)


2012 12 21 -  os votos para além das aparências natalícias
@Angeli
 - Folha de S. Paulo 11.nov.1998 - declaração - dos direitos humanos


2012 12 21 somos filhos da madrugada

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2011 12 21 - Águas passadas não movem moinhos? Bem ... enquanto passaram podem ou não tê-los movido e assim ajudado ou não a produzir a farinha para o pão que alimenta o corpo sem o qual o espírito não existe. 

Ricardo Jorge Mateus Pina
se não moveram.... se moveram é porque o homem/ espirito produziu o pão. parece-me que sem a anterioridade do homem/espirito não existe nem farinha, nem pão. há uma solução vitor: acreditares em milagres.
12 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
Oh Ricardo, a matéria precede o espírito e não acredito em milagres LOL
12 ano(s)
Ricardo Jorge Mateus Pina
claro que a matéria precede o espirito. o problema é epistemelógico: o conhecemos e como conhecemos. por longos caminhos andariamos numa conversa deste teor.
12 ano(s)
Ricardo Jorge Mateus Pina
o que conhecemos.
12 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
Tu éd que falaste em milagres, não eu 🙂
12 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
o espírito só existe em função do homem/matéria
12 ano(s)
Ricardo Jorge Mateus Pina
falemos antes de razão e se existe na razão conhecimentos apriori que não advêm dos sentidos e que possibilitam o conhecimento fenomenológico. pois o conhecimento da coiosa em si é impossivel. outra constatação é que os sentidos nos enganam.
12 ano(s)
Ricardo Jorge Mateus Pina
coisa em si
12 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
lol isto é um debate demasiado profundo para a leveza do inFaceLock
12 ano(s)
Ricardo Jorge Mateus Pina
claro vitor. começamos por kant e não terminamos. bom natal.
12 ano(s)
Carlos Rodrigues
Vitor, entre o teu Blog Kantiano e os outros Marxistas, foste pela opção menos Natalícia, mesmo assim Boas Festas.
12 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
Carlos, não entendo mas Natal é qd um homem quiser LOL
12 ano(s)
Carlos Rodrigues
Ora aí é que é, onde é que eu já ouvi isto ? E olha tanto é assim que os do Olimpo estão a ver se o conseguem colocar para sempre no rol dos esquecidos, juntamente com os Perdidos e Achados das Férias, do trabalho, da Saúde, Xiça, mas é Natal, sim senhor, vamo-nos deixar de rabugens até ao 2012 ( Leia - se fim do mundo ). Boas Festas, sempre.
12 ano(s)
Ana Maria Eyng
QUE COISA LINDA VITOR FELIZ NATAL PRA VOCE
12 ano(s)

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2010 11 21 - Que estou cansado e que o FaceBook é muito «baralhento» 🙂

terça-feira, 31 de maio de 2016

"O fascismo tem origem no marxismo", de Marx a Mussolini ou os novíssimos Tratados de Política

* Victor Nogueira

Antigamente havia e não sei se ainda hà a Reader's Digest, que publicava romances "condensados" na  revista e em volumes "encadernados" com capas vistosas para colorir as prateleiras. E há também os Ghost Writers ou "escritores fantasmas" que a granel ajudam a preencher com destaque e vistosamente as prateleiras de supermercados e de livrarias. É perfeitamente aceitável que quem publica queira ver o retorno chorudo dos seus escritos e engendre campanhas publicitárias com temas "fracturantes". Se AAA é ligeirinho para Professor de Política na Católica, já RS é um politicólogo de última apanha. Não é preciso queimar as pestanas a ler calhamaços dos clássicos e  dos novíssimos marxistas. Basta ler os romances de Rodrigo dos Santos. As novíssimas "condensações". Que geram milhares de páginas em comentários on line que são um case study sobre a ignorância atrevida,  preconceito ou má-fé, onde se misturam alhos com bugalhos. Afinas RS só escreve porque não gosta de ler. Ele o afirmou, do alto da sua auto-suficiência. É tudo uma questão de "espertos", "experts", "espetos" ou espectros. Com ou sem "fantasmas" à  mistura na escrita. É a publicidade - gratuita - e a bolsa. Para esse filme não dou esmola.



José Rodrigues dos Santos tem um livro publicado em 1992, com o título «Comunicação» que deve ser a tese de doutoramento em Ciência da Comunicação. Depois, está 10 anos sem publicar. Em 2002, surgem três livros com o seu nome. Uns cadernos de guerra divididos em 2 volumes; outra obra sobre guerra e o seu primeiro romance. A partir de 2004, temos um romance por ano, publicado com o nome de José Rodrigues dos Santos. 

Temos três prémios atribuídos pela CNN ao jornalista, entre 2002 e 2004. Por coincidência, nesta data ocorre a cimeira da vergonha nas Lages e a invasão do Iraque.

Durante a apresentação do livro «A Fúria Divina» fez-se acompanhar por um ex-membro da dita «Al-Qaeda» (ou «CIA»). Após alguma pesquisa em alguns dos seus romances, denoto alguma dificuldade na escolha dos nomes das personagens. Temos um «Dr. Mário Branco», um Tomás (que aparece em 2 romances) e um «Siza».

A meu ver, os guiões são enviados (possivelmente já traduzidos) para o José Rodrigues dos Santos, apenas corrigir as lacunas (como os nomes das personagens). Não parece que a um mero funcionário da RTP que lê notícias e seja professor na Universidade Nova sobre tempo suficiente para escrever romances com 600 páginas e tão diferentes na abordagem dos temas. Além disso, o próprio José Rodrigues dos Santos nunca fala sobre as suas criações literárias. Deixa um e.mail em cada um dos seus livros que pede ao leitor para deixar uma apreciação. Em vez de falar ou escrever sobre os seus livros, aborda outros assuntos. Em vez da ciência da comunicação ou romance, escreve sobre filosofia política. Provavelmente, JRS não ligou ao dito popular «quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão»... Muito provavelmente, não estava nos guiões que lhe enviaram dos livros, aos quais póe o nome, como autor.

Jorge

http://otempodascerejas2.blogspot.pt/2016/05/chamem-o-112-ele-esta-uma-febre.html
http://observador.pt/opiniao/de-marx-a-mussolini/

OPINIÃO

O espetro

Desde há anos vivemos o regresso da parafernália anticomunista como no tempo de Salazar.
https://www.publico.pt/opiniao/noticia/o-espetro-1733453?frm=opi