* Victor Nogueira
Em 1º plano as couves, a árvore da borracha e o limoeiro, com gigantescos limões. Ao fundo as roseiras e, para lá do muro, um vasto milheiral, ainda em crescimento, que nos protege da agreste nortada.
No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.
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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.
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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.
VN* Victor Nogueira
Em 1º plano as couves, a árvore da borracha e o limoeiro, com gigantescos limões. Ao fundo as roseiras e, para lá do muro, um vasto milheiral, ainda em crescimento, que nos protege da agreste nortada.
* Victor Nogueira
Este ano a festa dos aniversários do Rui e da Mariana foi no parque de merendas do Moinho de Maré da Mourisca, com miudagem e alguns adultos, numa tarde amena, soalheira e sem moscas, que noutro ano enxameavam o o parque de Merendas e arraial da Capela de S. Luís. Estando sombreada a mesa, isso prejudicou as artes do fotógrafo, como a seguir se constata.


Dona Gertrudes a desconfinar ainda será a razão de meus sopapos.
Faz hoje 10 meses que comecei um dia normal e por volta da hora de almoço soube que ia ser pai. Saí do hospital e fui a casa, apanhei uma bolsa, uma mala e um saco de bébé. Levei Évora e Indie ao quarto que aguardava Dona Gertrudes e disse-lhes o que se estava a passar. Saí de casa de sacola ao ombro pronto para a guerra. Ao fim da noite aguardei, ora ansioso e sozinho ora emocionado e com irmã. Ainda hoje, há 10 meses as enfermeiras fizeram-me despir a t-shirt e colocaram Dona Gertrudes, com minutos de liberdade sobre minhas peludas tetas, não havendo disto registo senão na minha memória. Voltei para casa sozinho. Mas no amanhã voltei a segurá-la no meu colo.