Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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quinta-feira, 18 de maio de 2023

Textos em maio 18

 * Victor Nogueira


2023 05 18   Foto victor nogueira - arco íris em Ponte de Lima  (Rolo # 01 2003 28 a 31)  Não parece mas é um arco íris, apesar da sua anémica palidez.  

2022 05 18   Foto victor nogueira - Barcelos - painel de azulejos representando o Paço dos Condes de Barcelos e a ponte sobre o Rio Cávado  (GEDC0380)

Como legenda «Este Palácio dos Duques de Bragança em 1786 (segundo o pintor Manuel Luís Pereira»  

«Foi erguidoa primeira metade do século XV por iniciativa de Afonso I, Duque de Bragança, constituindo-se em um castelo apalaçado. Constituiu-se na edificação mais rica de Barcelos à época em que foi construído.

A decadência deste Paço iniciou-se em finais do século XVIII.

Nas ruínas hoje, já não é visível a primitiva torre, que se situava entre a Ponte de Barcelos e as quatro primitivas chaminés. Ela terá sido bastante danificada quando do terramoto de 1755, vindo a ruir definitivamente em 1801. Em 1872, diante do estado ruinoso do edifício, o município de Barcelos, determinou demolir o que restava. Essa demolição jamais chegou a concretizar-se na totalidade, devido a diversos protestos populares. O que nos restou - pouco mais do que algumas paredes e uma chaminé tubular -, não consegue dar-nos ideia da sua grandeza original

No início do século XX, as suas ruínas passaram a albergar o Museu Arqueológico de Barcelos.» (Wikipedia)


2021 05 18 Foto victor nogueira - Mural na Rua do Gás, em Setúbal. (2016.04.25 Canon 101_04)

Neste quarteirão onde era a Fábrica do Gás, entretanto desactivada e demolida, foram construídos um prédio de habitação e o Quartel dos Bombeiros Voluntários de Setúbal. No muro deste foi pintado este mural, com um camião cisterna  e um prédio em chamas, inundado e explodido, com alguém assomando a uma janela gritando por socorro.

Posteriormente esta pintura foi substituída por outra, de autoria dos Explicit Citizens, com a mesma temática, em 2019.

VER   

Murais e grafitos 109 - Corporações de Bombeiros

Paço de Arcos e a Festa do Senhor Jesus dos Navegantes 02


2020 05 18  Foto Victor Nogueira - Vila Verde coreto (rolo 347 1998.06.07) .

Os coretos são normalmente estruturas "leves", com aspecto dinâmico, de ferro forjado, muitas vezes rendilhado. Mas há também os de betão armado, como o da Serra do Bouro e este, em Vila Verde, com ar pesado, atarracado, pouco atraente.

VILA VERDE

Vila Verde, perto do rio Homem, é uma povoação modesta e plana, com um largo central rectangular (Largo da Feira), arborizado, com comércio lateral. Lá comprei um pijama e camisa de flanela, em pleno verão, por estar cheio de frio devido a uma gripe. (Memórias de Viagem, 1997) 

Trata-se duma povoação sem edifícios notáveis, atravessada por comprida avenida arborizada, o Largo da Feira, em cujos arredores se situam muitos vestígios castrejos. (Notas de Viagens 1998,06.07)



2019 05 18 foto victor nogueira - Vila do Conde 2016 - Largo dos Artistas - Monumento aos Artífices Locais - Aqui se realizava a praça da jorna


2014 05 18 FOTO VICTOR NOGUEIRA - ÉVORA 1980 - piquenique e o R4 (AG - 44 - 62 ) com muitas histórias de atravessar os campos, as veredas e os trilhos do alentejo.

Susana Silva
não reconheço ninguém
9 ano(s)
Zulmira Castro Lobo
Faz-me lembrar a minha infância.
9 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
pois ... Susana Silva o AG são o Artur e a Fátima Guerra, para além da Mariazinha, a Celeste, tu, o Miguel Bacelar (teu padrinho) e os filhos entre outros que não identifico. Não sei se a Joana tb está na foto, mas com estes e muitos outros, como o Urs e a Helena Zuber, a Isabel e o marido, o Queiroga e a mulher, o Bizarro e a Helena, a Teresa e o marido,todos com os filhos da tua idade na altura,para além da Noémia, fizemos muitos piqueniques e convívios, para além de irmos a casa uns dos outros 😜
9 ano(s)Editado
Joana Espanca Bacelar
Pois Victor Nogueira, eu estou sentada no chão de blusa amarela e branca, que belos momentos tivemos quer no campo ou em casa uns dos outros como dizes. Obrigada por partilhares estas fotos lindas. Nesta foto as crianças são os meus filhos, Mi, Pedro e João e a tua Susana.
9 ano(s)
Joana Espanca Bacelar
Victor Nogueira, não fomos todos no teu carro pois não?
9 ano(s)
Joao Espanca Bacelar
eu estou ao lado esquerdo, no meio do arbusto 🙂 Não sei se fomos todos na 4L mas recordo passeios onde íamos bem encavalitados
9 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
oh Joana Espanca Bacelar Já passaram tantos anos. Deve haver outro carro, talvez o vosso, que não terá ficado na foto 🙂
9 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
Pois, João Bacelar, naquele tempo não havia cintos de segurnça nem cadeiras para as crianças no banco de trás LOL
9 ano(s)
Joao Espanca Bacelar
hehe.. nem as estradas permitiam grandes velocidades.. lembro-me de que ir a Moura parecia uma travessia de dia inteiro e incluía uma aventura que era passar o Guadiana através de uma barca de madeira.
9 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
LOL João Bacelar. Eu vim um bocadinho mais de longe, do outro lado do equador, e estava sempre em viagem entre Beja, Amareleja, Porto, Barcelos, Lisboa o Luanda, qd fora de évoraburgomedieval. Mas o R4 era um grande carro Um abraço 🙂
9 ano(s)Editado
José Eliseu Pinto
Lembro-me bem da «catrela».
Ver tradução9 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
Eh pá, o que é "catrela" ? ahhhhhhhhhhhhhhh descobri, deve ser corruptela de 4L Jose Eliseu Pinto LOL
9 ano(s)
Maria Rodrigues
Gostoso.tv
2 ano(s)


2014 05 18  Foto Victor Nogueira - setúbal vista do forte de s. filipe

 "UMA MÃO CHEIA DE NADA, OUTRA DE COISA NENHUMA"

1. - A solidão,  mais ou menos sentida, acompanha-nos durante toda a vida. Os outros e as coisas, a nossa acção, ajudam-nos, a muitos, a preencher esse vazio, a evitar que a solidão nos esterilize. Mas devemos encontrar um justo equilíbrio entre os outros, as coisas e nós. Para não sermos absorvidos pelas coisas ou pelos outros e, sobretudo, para que não tentemos absorver o outro, querendo transformá-lo à nossa imagem, qual espelho enganador. É um equilíbrio difícil de alcançar, reconheço o. Mas temos de estar atentos e vigilantes. (NSF - 1971.07.13)

2.- Ás vezes, agora cada vez mais frequentemente, estou consciente disto, das barreiras que cavo ao lançar pontes. Procuro os outros para me encontrar e perco-me no meu egocentrismo alocêntrico. A Associação [de estudantes, o partido, o sindicato] é um meio de esquecer a minha profunda solidão, encontrando-a. Sempre este desejo de sair de mim, de encontrar (-me em) os outros, de encontrar-me nas "coisas" que faço, que passam a ser como se "eu". (No gira-discos: guitarra clássica)

 (...) O ter estado a reler as tuas cartas foi causa de tentar estar contigo, neste fim de tarde eborense; contigo, figura furtiva debaixo dos arcos [arcadas] cheios de gente (antes de conhecer-te), miúdinha de casaco azul e ar agarotado (travesso? expectante?) na estação dos comboios em Évora, num dia chuvoso  de inverno, voz alvoraçada, os óculos escuros, a serenidade, a alegria ou o encantamento nos degraus da Igreja ou ao longo dos caminhos, as mãos e os lábios que se procuram, a espontaneidade. Alegria!

 De ti quero recordar tudo isto. O florir do desencontro, apesar da dor na alma, da angústia pela minha inautenticidade. Recebe-a, amiga, a cento e tal quilómetros de distância, separados por mil e uma barreiras criadas por nós.

(...) Todo este cansaço, todo este desalento, pelo clarão súbito da última página [de "Domingo à Tarde", de Fernando Namora], pela consciência de que todas as nossas relações são um jogo cujas regras (subconscientemente) sabemos (mas não queremos admitir), que toda a vida é uma enorme representação teatral, um palco mundano. (Lembras-te, Shakespeare? Lembras-te, Stau Monteiro da "Angústia para o Jantar"?)(1971.12.01/03) 

3. - A vida, é só uma e o "ser estudante" um momento dela. Que futuro será o meu, não sei. Não quero é que ele seja de estagnação. Há sempre - tem, de haver - um modo de conseguir que o momento que passa seja de conhecimento, um conhecimento que só é possível pelos outros e com os outros. A certeza é a nossa morte, tudo o resto é uma tentativa para superá-la ou para sobreviver-lhe. (MCG - 1974.03.13)


Judite Faquinha
Adorei este texto, que me identifico com ele e penso da mesma maneira, temos uma mão cheia de nada!!! Que mais podemos fazer, viver para os outros para nos encontrar-nos... e não encontrar apenas um vazio há nossa volta!!! Assim passará!!! E esquecer-nos de nós próprios. Amei camarada Victor, beijokinhas ❤
8 ano(s)

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2014 05 18  seguro promete «não aumentar a carga fiscal na próxima legislatura». Em Portugal, Francisco Assis cabeça de cartaz do PS sócrates Seguro defende, sempre tem defendido, as alianças post-eleitorais com ... o psd/cds. Tal como outrora fez Mário Soares, o farsante, que tal como sócrates apoiam assis, zorrinho e tuttti quanti. .

Seguro e as narrativas da treta e o "casamento" da "social-democracia" francesa (Hollande) e alemã com merckl e a banca da usura, Até quando, parafraseando Catilina, vós, eleitores, permitireis a mentira das seguras e sócretinas narrativas, escavacadas com passes de coelho por lebre e portas abertas, qualquer que seja o capataz de turno desde soares carneiro amaral do PS(d)CDS ?
«Até quando, Catilina, abusarás
da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Nem a guarda do Palatino,
nem a ronda noturna da cidade,
nem o temor do povo,
nem a afluência de todos os homens de bem,
nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado,
nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?
Oh tempos, oh costumes!» Marcus Tullius Cicero)
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Falido financeiramente, Catilina, filho de família nobre, juntamente com seus seguidores subversivos, planejava derrubar o governo republicano para obter riquezas e poder. No entanto, após o confronto aberto por Cícero no senado, Catilina resolveu afastar-se do senado, indo juntar-se a seu exército ilícito para armar defesa.
No ano seguinte o rebelde falhado caiu, vindo a morrer no campo de batalha.
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Quando "mudança" significa ficar na mesma !
Prometer «não aumentar a
carga fiscal na próxima legislatura»
é prometer que se manterá o actual e insuportável nível de confisco e
espoliação fiscal!
Sociais-democratas aprovam coligação com Angela Merkel
in http://www.publico.pt/mundo/noticia/sociaisdemocratas-alemaes-aprovam-coligacao-com-angela-merkel-1616320


2012 05 18 NOTA IMPORTANTÉRRIMA


AOS MEUS QUERIDOS AMIGOS E AMIGAS DE MIM

HOJE PODEM TELEFOAR-ME PARA O TELEMÓVEL PARA MATARMOS SAUDADES.
em tempo - aproveitem, que o telemóvel finou e depois alegam que não sabiam, que se fartaram de telefonar e que eu não atendi.

Quem é amigo, quem é ? Beijos às moças e abraços aos moços 🙂

domingo, 26 de julho de 2015

antónio barroso, entre remelhe e goios


gravura in https://www.facebook.com/media/set/?set=a.857160091003872.1073741926.501667793219772&type=3 
(Angola - 'no Tempo do Kaparandanda')

António de Sousa Barroso, natural de Remelhe (Barcelos) e que foi missionário no Congo e Bispo do Porto, era primo do meu avô materno, António dos Santos Barroso, natural de Goios (Barcelos)


Sobre António de Sousa Barroso se fala em

Remelhe (Barcelos) 

- http://aoescorrerdapena.blogspot.pt/2014/09/remelhe-barcelos.html

Goios - a Páscoa numa aldeia minhota (1974) - http://aoescorrerdapena.blogspot.pt/2010/04/goios-pascoa-numa-aldeia-minhota-1974.html

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

entre o rio douro e o rio minho: esculturas, pelourinhos e cruzeiros

* Victor Nogueira (texto e fotos)


O tema é o da epígrafe nas fotos tiradas entre os Rios Douro e Minho neste Verão de 2014. 

Cruzeiros são grandes cruzes de pedra ou de madeira que se erguem normalmentemente nos adros das igrejas, nas praças, nos cemitérios. Contudo muitos muros e pórticos são também encimados por pequenas cruzes, normalmente de pedra granítica. 
As Alminhas são padrões de culto aos mortos, consideradas património artístico-religioso. São pequenos altares onde se pára um momento para orar. Nelas podem colocar-se velas, lamparinas acesas ou  flores, deixadas por quem passa. 
Dum modo geral as alminhas são erguidas em encruzilhadas de caminhos, quase sempre em caminhos rurais, em matas ou perto de cursos de água, embora também se possam encontrar alminhas junto às estradas nacionais. Outras podem ser incrustadas em velhos muros ou na frontaria de casas, sendo construídas nos mais diversos materiais.
O Pelourinho, popularmente designado também como picota, é uma coluna de pedra colocada num lugar público de uma cidade ou vila onde eram punidos e expostos os criminosos. Tinham também direito a pelourinho os grandes donatários, os bispos, os cabidos e os mosteiros, como prova e instrumento da jurisdição feudal.
Os pelourinhos, pelo menos desde finais do século XV, são considerados o padrão ou o símbolo da liberdade e autonomia municipais.  

Para além das obras atrás referidas, este post inclui esculturas e baixos-relevos, de caracter religioso ou profano.

http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/entre-o-rio-douro-e-o-rio-minho.html

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

photoandarilhices entre os rios Douro e Minho, no Verão de 2014

* Victor Nogueira


Parafraseando Mateus [22 - 1:46], João Baptista Cansado da Guerra abriu as portas e janelas, sem choro nem ranger de dentes, com leve aceno e rendilhado sorriso. Contudo ninguém verdadeiramente o reconheceu, apenas duas caminheiras o olharam de relance e com brevidade, prosseguindo no entanto o seu caminho e peregrinação.  O caminho não de Santiago, o Mata-Mouros. não o das estrelas ou do Cruzeiro do Sul,  mas o terreno trilho, feito de (des)ilusões e de  iridiscentes e flácidos balões plenos de palavras vãs, de ar e vento, como brisa que não aquece o coração nem refresca a alma.

Não foram contudo dias solitários como os do estuário do Sado, à beira rio, entre a serra e o mar. Nas suas deambulações entre os rios Douro e Minho, às refeições ou na esplanada da praia no Mindelo, teve a companhia do Paulo e dos seus primos e primas do lado materno, de Barcelos (Goios e Pedra Furada), da Teresa, do Zé e  da Carolina, da Isabel e do Carlos, do Alcino e da Guiomar, da Nini, do Ricardo e do Tiago, da Amélia ... Para além dos dedos de conversa com a vizinhança  ou ao telefone ... Mais prolongados tivessem sido os dias e mais teriam sido as companhias e as tertúlias com pessoas abertas e calorosas.

O Norte não tem tantos dias luminosos e soalheiros como os que caracterizam as terras meridionais, da moirama.E disso se ressentem as fotos Das minhas photoandarilhices publicadas no Kant_O_Photomatico [http://kantophotomatico.blogspot.pt/] fica o índice:  [clicando em cada título é direccionado para o respectivo post]

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Entre as margens dos rios Ave e Cávado: Vilarinho, Goios e Barcelos

* Victor Nogueira (texto e fotos)
* Paulo Lobarinhas (texto)


De Vilarinho, Goios e  Barcelos se falou em notas anteriores: "entre os rios Ave e Cávado; de Vairão a Junqueira" (1), "Goios, Pedra Furada e Remelhe" (2) e  "Barcelos e Barcelinhos" (3).

Vilarinho fica numa encruzilhada de caminhos movimentada e desta feita paro e pelo centro deambulo. As escolhas do fotógrafo "iludem" as aberrações e fixam apenas o que não é agressivo: o jardim, algumas casas mais ou menos antigas. Dissonante uma estátua dum peregrino de Santiago, como se fosse representado com blocos Lego, em cujo pedestal figuram os nomes das terras atravessadas pelos peregrinos a caminho do santuário, na vizinha Galiza. A torre medieval não passa de pastiche, escondendo o reservatório elevatório de água da povoação. No café onde entro para tomar  um "carioca" discute-se a última novidade do dia: um incêndio inadvertidamente ateado por uma eventual queima, com intervenção  dos bombeiros e da polícia, para apurar eventual matéria criminal pois ainda estamos na época de defeso das queimadas, para prevrenir a eclosão de fogos florestais.

O termo "vilarinho" deriva de "vilar" ou  lugarejo, designando os seus moradores ou um pequeno lugar. A toponímia refere alguns, como Vilarinho das Furnas, Fonte de Vilarinho, Vilarinho de Negrões, Vilarinho de Samardã, Vilainho de Arcos, S. Miguel de Vilarinho, Vilar de Perdizes,  Vilar de Mouros, Vilar de Andorinho, Areias de Vilar, Vilar de Ferreiros ...


De Goios falam as legendas de algmas fotos O termo Góios deriva do latim Gáudios, em vez de gandia, os gozos ou prazeres de Nossa Senhora e tanto que se diz Santa Maria de Góios. Havia outrora muitas imagens da Senhora do Ó, representando a Virgem pejada ou grávida, mas muitas delas foram destruídas pelos párocos, que as consideravam ímpias.

(1) http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/entre-os-rios-ave-e-cavado-de-vairao_5.html

(2) http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/goios-pedra-furada-e-remelhe.html
83) http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/barcelos-e-barcelinhos.html


 http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/09/entre-as-margens-dos-rios-ave-e-cavado.html

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Remelhe (Barcelos)

1997

Terra natal de D. António [de Sousa] Barroso", Bispo do Porto  nos alvores da República, onde, no cemitério local, se encontra a sua capela tumular, local de peregrinação. Defronte um monumento à mesma personalidade, no largo onde tem início uma "avenida" com o seu nome. É uma aldeia modesta, numa zona acidentada e verdejante. (Memórias de Viagem, 1997)


2014

A caminho  de Barcelos inesperadamente a placa toponímica indica Remelhe e resolvo fazer um desvio. Sem indicações, perco-me num labirinto de estreitos caminhos vicinais, deparando-me com um tanque de lavagem público e com algumas latadas sobreviventes do que no Minho era característica desaparecida, a uva para o vinho substituída pelo milho matéria-prima para as rações do gado bovino. Finalmente dou com o lugar, um café numa esquina  da estrada e ao fundo da rua o cemitério, a igreja paroquial e o monumento ao mais ilustre filho da terra. À entrada do cemitério a capela tumular de D. António Barroso, com vitrais narrando passos da sua vida, e no exterior múltiplas placas  evocativas na fachada principal e painéis de azulejos figurando as casas onde nasceu e viveu (suponho que durante os seus dois exílios na I República), para além dum mapa mundi com os locais onde exerceu a sua actividade religiosa.  A pequeníssima Capela do Senhor dos Passos, é a que se encontra ao lado da estrada, no cruzamento desta com a Avenida que dá acesso à Igreja Paroquial.

Nas Inquirições de 1220 Remelhe vem com a designação “De Santo Jacobo de MoInes”, nas Terras de Faria. Ainda existe a sua igreja Matriz, no lugar de Santiago. Nesta capela, antiga Igreja Paroquial, conferiu por vezes ordens sacras o bispo do Porto D. António Barroso, quando do seu exílio da diocese. 



Capela de Santiago (século XVII)

ANTÓNIO DE SOUSA BARROSO












jazigo da família















VEM DE  Barcelos
http://kantophotomatico.blogspot.pt/2014/08/barcelos.html


7. - Engano muito propagandeado e mentiras, com algumas verdades sobre D. António Barroso, Bispo do Porto

 A matança dos «inocentes», segundo a História do Senhor M. Lima
* Victor Nogueira

(...)

7. - Engano muito propagandeado e mentiras, com algumas linhas sobre D. António Barroso, Bispo do Porto

E vamos ao que me levou a escrever esta longa crónica - D. António Barroso, Bispo do Porto e que foi primo do meu avô materno. O então Bispo do Porto, corajosa e conscientemente, foi o único Bispo Português que mandou ler na sua diocese, a do Porto, a «Pastoral do Episcopado Português» e por isso foi exilado, tal como posteriormente D. António Ferreira Gomes, também Bispo do Porto, mas este por ordem de Salazar.


Sei da história e dos escritos de D. António Barroso, filho de camponeses pobres, embora houvesse na família lavradores abastados, como os pais do meu avô materno. D. António era, ao que me consta, conhecido como o «pai dos pobres». Como D. Manuel Martins, também proveniente da diocese do Porto, 1º Bispo de Setúbal, era o Bispo Vermelho, tal como D. Helder Câmara, no Brasil. E que dizer de Oscar Romero, Arcebispo de Santiago, em El Salvador, onde a Ditadura apoiada pelos EUA fuzilou 1500 sacerdotes católicos que estavam do lado dos pobres, nem escapando Óscar Romero, defensor do Direitos Humanos e do Povo e dos miseráveis, de ser deliberadamente morto a rajadas de metralhadora, a mando da ditadura, cujo mandante nunca foi julgado nem condenado?


Pois é, senhor M. Lima. Voltemos a D. António Barroso. Depois do 25 de Abril tive oportunidade de calcorrear Portugal inteiro.

Em Remelhe, continua lá uma avenida com o nome dele, que termina na porta do cemitério. Cá fora, um cuidado memorial com o busto em bronze, Lá dentro, logo à entrada, a capela com o seu caixão, bem cuidada e com exemplares dum folheto periódico livremente distribuído, relativo ao Bispo, tendo o pároco a meu pedido oferecido-me uma colecção quase completa. Por detrás da capela, um cuidado obelisco onde primitivamente fora colocado o caixão.


Em Barcelos, em lugar de destaque, uma cuidada estátua dele, em corpo inteiro, no Largo com o mesmo nome, entre o edifício da Câmara e o antigo Palácio Ducal./Museu Arqueológico, ao lado da Igreja Matriz. A principal rua comercial de Barcelos (antiga Rua Direita), lá continua com o seu nome. Nas férias de Verão, quando vou ao Norte, em Barcelos as lojas ostentam cartazes impressos para avisar da romagem no final de Agosto até Remelhe, com inscrições, para assistir à missa pelo seu falecimento. Cordialmente, peço sempre um cartaz numa das lojas e simpaticamente mo oferecem quando digo que sou da família do Senhor D. António.


No Porto é que fia mais fino. No tempo de Salazar só encontraram uma ruela esconsa para lhe dar o nome. Lá continua triste, feia, bem perto da Rotunda da Boavista. Ah! E junto ao Convento de Santa Clara (é este o nome, parece-me) há um memorial recente e bem cuidado, salvo erro mandado edificar por uma associação de benemerência com o seu nome. E uma Associação ou Comissão para a sua beatificação, mas esse processo anda parado, não por causa do 25 de Abril, mas porque Roma tem dado prioridade ao fundador da Opus Dei, aos padres fuzilados pela República Espanhola ou aos pastorinhos de Fatima, os do Santuário.


Mas pelo Código Postal verifica-se que o nome de D. António Barroso figura em artérias de outras localidades – Águas Santas (Maia), Ermesinde (Valongo), Cernache de Bom Jardim (Sertã), Valejas (Oeiras), Ronfe (Guimarães), S. Miguel da Carreira (Barcelos). E participou no Concurso do Maior Português de Sempre, foi modestamente votado e lá tem a sua biografia no site da RTP.


O site da eb1-remelhe faz-lhe referência. Há um site na internet - http://www.remelhe.bcl.pt/antoniobarroso.htm. e livros sobre ele podem ser adquiridos. Regularmente leio nos jornais referências a ele e ao seu processo de canonização. E no site da diocese do Porto lê-se « A sua memória nunca foi esquecida. Provam-no a Capela-jazigo no cemitério de Remelhe, erguida por subscrição pública, logo após a sua morte; o I Congresso Missionário Português, em Barcelos, no ano 1931; a sua estátua imponente no centro de Barcelos; os painéis de azulejo com cenas da sua vida missionária, no Seminário de Cernache do Bonjardim (hoje, da Sociedade Missionária da Boa Nova); as romagens ao seu túmulo dos "Amigos de D. António Barroso", através dos anos, até aos nossos dias; a fama persistente de santidade, que levou a Diocese do Porto a introduzir o seu processo de canonização, em 1993, e que está em curso nas instâncias do Vaticano.
Para mim é-me indiferente a canonização de D. António Barroso. Não fico mais rico ou mais pobre nem acredito em milagres e santuários nem no regresso de D. Sebastião, seja numa manhã de nevoeiro ou num dia de sol. E só falo disto porque neste caso o senhor M. Lima está ou foi mal informado.
.
8. – Em jeito de conclusão


(...)


Regressando a D. António Barroso, que foi Bispo do Porto, este não foi ostracizado pela 2ª República, iniciada a 25 de Abril de 1974, que também não proíbe a organização de colóquios nem de romagens, nem apagou o seu nome ou destruiu os monumentos nem inibe que a imprensa fale dele ou extinguiu a Obra de Benemerência com o seu nome ou proibiu a venda e circulação dos seus escritos.

(...)  2008.11.15

http://daliedaqui.blogspot.pt/2008/01/matana-dos-inocentes-segundo-histria-do.html

ELEGIA PELA MINHA FAMÍLIA DISPERSA


Meu avô António Barroso
primo de Bispo
de S. Salvador do Congo e do Porto,
a quem puxaram as barbas nos alvores da República
filho de lavradores abastados de Barcelos
casado jovem
             guarda livros num banco
passando  noites somando
                   intermináveis colunas de cifras
                   e o dinheiro que faltava para tantos filhos.

(...) 1985.11.13
http://aoescorrerdapena.blogspot.pt/2007/11/elegia-pela-minha-famlia-dispersa.html