* Victor Nogueora
A morte do jornalismo na imprensa de 'reverência'
Em Portugal, ao contrário do que por exemplo sucede na Ucrânia, qualquer pessoa pode declarar ser 'comunista', ‘socialista’, ‘democrata-popular’, ’ popular-democrata’, ’social-democrata’ ou ‘liberal’ e, consequentemente, votar, simpatizar ou militar no partido com o qual se identifique.Os partidos têm uma ideologia, um programa, um modelo de sociedade. E têm estatutos, que para além disso definem a organização e os direitos e deveres dos seus militantes. O PCP, afirmando-se comunista, não foge à regra.
Ninguém é obrigado a militar no PCP ou a nele permanecer se discordardos estatutos ou da linha política definida nos Congressos.
Carlos Brito, como outros que foram militantes do PCP, defendeu as posições que entendia mas que não foran aceites pelo colectivo. Uns saíram de sua livre vontade, outros foram expulsos. Carlos Brito, a quem foi aplicada uma sanção de 10 meses de suspensão em 2002, não pediu a demissão. Resolveu ‘autossuspender-se’. Isto é, inventou criativamente a figura de ‘militante que não milita’, que não participa do ‘colectivo’. Entretanto em 2003, foi um dos fundadores da Associação Política Renovação Comunista de que foi dirigente e porta-voz.
Esta organização afirma defender convergências à esquerda e "contribuir para a renovação da identidade, do projecto e da intervenção comunista". Em actos eleitorais, apoiou candidaturas do Partido Socialista, como as candidaturas presidenciais de Manuel Alegre (2011) e de Ana Gomes (2021) e as listas do PS nas eleições europeias de 2014, em detrimento das candidaturas apoiadas pelo PCP. Recentemente Carlos Brito em Alcoutim apoiou a candidatura autárquica do PS contra a coligação que integra o PCP e apoiou Seguro logo desde a 1ª volta, contrariando a orientação do PCP que obriga os seus militantes e apenas estes Mas no seu ecletismo Carlos Brito foi um dos impulsionadores da fundação do Livre, cujas candidaturas ao Parlamento Europeu apoiou em 2014 e 2019, uma vez mais contrariando as candidaturas propostas e apoiadas pelo PCP. Nem o Livtr nem o PS se reclamam como marxistas e muito menso como marxistas-leninistas ou comunistas.
Não se põe em causa que qualquer militante do PCP tenha a liberdade de sair por discordar da linha política, das orientações e da prática do PCP. Ninguém põe em causa que qualquer pessoa possa afirmar-se como ‘comunista’ sem obrigação de militar ou votar no PCP. E, não sendo militante do PCP, tem a liberdade inquestionável de militar ou apoiar qualquer outro partido.
Carlos Brito fez uma opção. Discordando do PCP, não prevalecendo neste o que defendia, não se demitiu. Autossuspendeu-se. É como se numa equipa de futebol um qualquer jogador, discordando do treinador e da Direcção do clube, entrasse em campo e ficasse encostado à baliza. Qualquer pessoa entende que um jogador pode discordar do treinador e da direcção do clube. Mas também me parece claro que não pode encostar-se a baliza, facilitando goleadas do adversário ou apelar à sua equipa para que marque golos na sua própria baliza. Portanto, parece claro que tal jogador ou sai ou é expulso.
Em todos os partidos os respectivos estatutos definem quem pode ser ‘militante’ ou ‘sócio’, bem como os direitos e deveres do ‘militante’ ou do ‘sócio’. E as sanções disciplinares aplicáveis a quem viole os estatutos.
Vai pois um frenesim nas redes sociais e nos órgãos de comunicação do patronato, onde as reivindicações e as lutas dos trabalhadores não são noticiadas, ao contrário do que por exemplo sucede no ‘Avante’ e na imprensa sindical. Órgãos de comunicação social escrita e televisionada, nas mãos do patronato, onde a ‘voz’ do PCP só tem cabimento através do seu silenciamento ou deturpação e falsificação.
Carlos Brito é apenas um pretexto para ‘denegrir’ o PCP. Como o foram os tempos do covid, nos quais tentaram impedir as celebrações do 25 de Abril, as manifestações do 1º de Maio, a realização da Festa Avante! Ou a posição mais que esclarecida de que a Federação Russa é um país capitalista, do qual o PCP discorda frontalmente, e que os conflitos devem ser resolvidos evitando a guerra.
Não espanta, pois, que em órgãos do patronato, no caso o Público e o Expresso, as parangonas sejam como as que encimam esta publicação. Ou que Daniel Oliveira, pela enésima vez, informe que militou na UJC dos 17 aos 20 anos, desvinculando-se então do PCP. E faz paródia com o título do artigo de que é autor. Ana Sá Lopes, por seu turno, faz insídia com trocadilhos no título da sua peça jornalística.
Carlos Brito, Zita Seabra, José Augusto Silva Marques, Manuel Alegre, Pina Moura, José Magalhães, Mário Soares, Barros Moura, Edgar Correia, Vital Moreira, João Amaral, Miguel Portas, Domingos Lopes, Mário Lino, Mário Sottomayor Cardia, Raimundo Narciso, Fernando Luso Soares, entre outros, com diferentes graus de militância, saíram do PCP, tal como os ‘renovadores’ ou a ‘intervenção comunista’, prosseguindo caminhos distintos, não poucas vezes antagónicos aos do PCP. No seu comunicado este reconhece o papel do Carlos Brito entre 1954 e 2002, enquanto seu militante, nao se pronunciando sobre o seu percurso depois desta última data.
Numa altura em que se avizinham tempos tenebrosos, para os povos e para os trabalhadores, os órgãos de informação nas mãos do patronato servem-se da indiscutível ‘militância’ de Carlos Brito entre 1954 e 2002, ano em que se ‘autossuspendeu’ do PCP. E fazem-no por desamor aos ideais comunistas da paz entre os povos, da liberdade, da igualdade e da solidariedade, numa sociedade mais justa e fraterna. Aquela que Carlos Brito afirmava defender, abominada pelos donos da comunicação social e disto tudo, tentando moldar a consciência social e política das populações e dos trabalhadores. Dum lado, a Internacional e Grândola Vila Morena. Do outro, Os Vampiros.





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