Ao (es)correr da pena e do olhar
Aprender, Aprender Sempre ! (Lenine)
Allfabetização
Escrevivendo e Photoandando
No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.
.
Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.
.
Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.
VNsegunda-feira, 6 de julho de 2026
Os cafés no Livro de Viagens (2026)
* Victor Nogueira
Antigamente as pessoas escreviam
muito e as cartas eram meio de
transmitir notícias e muitas delas, com maior ou menor valor literário,
tornaram-se testemunho dos factos, acontecimentos, ideias e sentimentos. Mas
hoje, hoje as pessoas telefonam ou encontram-se, devido à facilidade e rapidez dos
transportes e das comunicações, e o tempo é pouco, paradoxalmente, devido à
sobrecarga do que se gasta em transportes, sentado frente à TV ou em tarefas
domésticas.
O mesmo sucede com o convívio e a conversação: por vários motivos os
cafés e as tertúlias desaparecem, só se conhece o vizinho da frente ou do lado,
quando se conhece, e as pessoas metem-se na sua concha, casulo, carapaça ou
buraco. Muita gente junta, ao alcance da mão ou da voz, não significa que
estejamos mais acompanhados e humanizados. (MMA - 1993.08.19)
Luanda - Na Baixa, de traçado antigo, na maioria das vezes, encontramos
a zona comercial, com modernos prédios e prédios antigos, de séculos. Esta é o
coração da cidade, com as suas casas comerciais, armazéns, pastelarias, cinemas
e os seus prédios de apartamentos. . (MLF - 1959.07.27) ([1])([2])
Fomos almoçar ao
"Vilela", na Estrada da
CUCA ([3]). Comemos o prato tradicional: bacalhau
assado e churrasco [de frango]. (...)
A esplanada possui um jardim acolhedor e as mesas estão colocadas em redor. ([4])
Após o almoço
fomos todos Cacuaco, Estrada da
Circunvalação, Estrada da Samba e pela cidade. Voltámos para casa tendo estado
a ouvir música. Foi um domingo bem passado. (1964.06.22 - Diário V)
Nova Lisboa Quase todas as tardes íamos a
Nova Lisboa. Na pastelaria Ginga há um painel de Neves e Sousa. Vimos o
Raúl Solnado e o Fernando Pessa no Ruacaná e o filme “O Triunfo de Miguel
Strogoff”. Vimos neste dia um cortejo alegórico. xe "Nova Lisboa:
cortejo alegórico"§Era composto
pelos carros da “Câmara” (um barco com velas e remos), Bailundo (dois carros:
num faz‑se o elogio de Teixeira da Silva, mostrando a homenagem guardada por
duas sentinelas bailundas, e à sua volta raparigas do concelho. Nos lados do
carro lia‑se “Os bravos do Bailundo/De fama universal/Serão sempre no
Mundo//Heróis de Portugal”. O segundo carro do Bailundo era uma fantasia da era
dos foguetes, nele se exibindo o “Bailundo I”, ladeado por deusas (?) e entre
as quais se via um astronauta. Diário III - pag. 27/30)
Nova
Lisboa - Deixámos as malas na estação e fomos lanchar à
pastelaria “Tic Tac” (onde há uma horrível pintura na parede) (Diário III -
pag. 15 - 1962.08.22)
[1] - Caminhos de Ferro de
Benguela
Lisboa - A maior parte dos cafés do Chiado (e do Rossio)
fecharam, um deles transformado em gigantesca loja de música, dele se
conservando apenas a escadaria, como do cinema Éden se conservou apenas a fachada,
e outro, dos alentejanos, ao lado do Teatro D. Maria II se converteu em
estabelecimento bancário. O Nicola, após muitos anos, reabriu ao público, sendo
um ex-libris da cidade, como a Brasileira do Chiado, com a sua fachada arte
nova ou, para outra banda, na Praça do Comércio, o Martinho da Arcada, por onde
poisou o poeta Fernando Pessoa, que
por estes lados passou parte da sua vida lisboeta, cidade onde nasceu defronte
ao Teatro de S. Carlos. São cafés com uma tradição de intelectualidade, do
tempo em que havia tertúlias e outro convívio. Alguns, hoje em dia, como a
Brasileira do Chiado, têm mau serviço e são procurados sobretudo pelos
estrangeiros, que neste tiram fotografias sentados na cadeira vazia ao lado da
mesa e do Fernando Pessoa, ali mesmo ao pé do poeta Chiado e da estátua do
Camões, a quem pouco ligarão, tanto como ao cauteleiro
que no largo de Trindade Coelho, defronte da Igreja de S. Roque, a caminho de
S. Pedro de Alcântara, está rodeado de pombos. Doutros apenas ficou o nome,
como o Chave d'Ouro, A Brasileira do Rossio ou o Mónaco. Com nome mas
resistindo ainda a pastelaria Suíça, outrora da gente bem, como a Versalhes e a Ferrari, estas no Chiado.
Zona intelectual e comercial, o
Chiado tem perdido estes atributos, com o desenvolvimento urbano e a mudança de
modos de viver. (Notas de
Viagem, 1998.Maio)
Estou agora a
lanchar numa pastelaria aqui no Chiado,
que tem penduradas na parede - um armorial, uma couraça, um capacete e duas
espadas do século XVI. Desgraçados dos soldados que usavam tal ferraria em
climas tórridas. (1973.01.04)
Já é sábado, ao entardecer. estou aqui na
esplanada da Pastelaria "Mexicana, aqui na Praça de Londres. As pessoas
falam animadamente; todo o comércio, no entanto, está todo fechado: está em
vigor a semana de 5 dias de trabalho. Assisti, ao meio da tarde, ao
encerramento dos cafés e pastelarias, cujos clientes as abandonaram calmamente
- muitos com pacotinhos de bolos - não fossem
manifestantes (que não cheguei a ver) partirem os vidros. Esperemos que
a "palavra de ordem" não se tenha esquecido que há muita malta que
precisa dos restaurantes para almoçar e jantar; no 1º de Maio, um tipo ainda
aguenta, mas agora... ([5])Ah! neste preciso momento abrem‑se as portas da
pastelaria. talvez o encerramento tenha sido apenas para o tempo da
manifestação dos caixeiros, iniciada no rossio. (foi mesmo!). (MCG -
1974.05.11)
Sentado aqui no "Copacabana" vejo as pessoas que passam aqui
na rua ou que "estacionam" na esplanada. Um velho mal barbeado pede
qualquer coisa às pessoas com chávena, pires e copos mais ou menos vazios
diante de si, mas ninguém lhe liga. Relanceio o meu olhar ao meu redor e são
velhos e velhas que enchem as caderas da esplanada. Além, na
"Mexicana", a juventude é a nota característica. Que fazem estas pessoas ? De que vivem? Tão ociosas que estão!
Faço horas aqui na Avenida
Guerra Junqueiro, junto à Praça de Londres. (...) Levanto o olhar e dou
pela papelaria em frente; na montra títulos de livros ou assuntos na
"berra": "Sobre o Capitalismo Português", "4
ismos" (uma porcaria!), "O Drama do Chile", "Tarrafal,
Aldeia da Morte", "Watergate, o Processo do Século"´ (e eu a
pensar nos julgamentos de Nuremberga ou de Estocolmo, respectivamente, sobre os
crimes contra a humanidade, dos Nazis e dos Americanos no Vietname!), "O
Capital (Karl Marx), "O Estado e a Revolução" (Lenine), "Como
Iludir o Povo" (idem)...(MCG - 1974.09.12)
Ali as Galerias
ITAU, aqui na Alameda D. Afonso Henriques, estão fechadas - e deve ser há muito - pelo que resolvi sentar‑me na
Esplanada do Pão‑de‑Açúcar a lanchar e, enquanto faço horas para ir até à
Gulbenkian, vou escrevendo. O barulho é muito: dos carros que passam, o roncar
dos motores e as buzinadelas, o chiar dos pneus no asfalto e o roçar das
cadeiras e mesas de ferro no empedrado da calçada, isto sem falar no homem que
varre o passeio e no vozear das pessoas que conversam. Enfim, uma
"sinfonia" pouco agradável, mas lá dentro o ar está quente e de
cortar à faca. (MCG - 1974.10.17)
Esta zona das Avenidas de Paris, de Londres, do Brasil e dos
Estados Unidos, incluindo as Praças de
Londres e do Areeiro, ligadas pela Avenida da Igreja, correspondem ao
desenvolvimento dos anos 50/60, aqui se pretendendo então que coexistissem em áreas recatadas e protegidas do bulício
diversas classes sociais, espalhadas
por vivendas ajardinadas e prédios de andares. Tudo isso ficou para trás e as
avenidas de Roma, dos EUA e do Brasil são continuamente ocupadas por automóveis
em movimento e atravessadas por viadutos ou por túneis, que facilitam o
escoamento do tráfego. Os passeios da avenida de Roma foram parcialmente
ocupados pelos automóveis e as ruas já não se atravessam com o descuido de
outrora. (Notas de Viagem, 1998.Maio)
A viagem para Sobral de Monte
Agraço faz se já de noite, contingências dos passeios em curtos dias de
inverno. Da ruralidade da paisagem não me apercebo, mas sim e apenas do relevo
do terreno, ora subindo, ora descendo, ora curvando, ora contra curvando. A
povoação fica lá em baixo, mas é uma desilusão. Uma igreja barroca, na Praça da
República, e um teatro (Eduardo Costa?), perto da Praça Dr. Eugénio Dias
(médico dos pobres) com elegante coreto, busto do homenageado, fontanário,
edifício da Câmara e uma residência do século XIX. As lojas têm um ar de
antigas, na sua decoração interior. Mais adiante um outro largo arborizado, a
praceta 25 de Abril, de edifícios recentes, permanecendo por enquanto uma casa
estilo chalet, com um corpo estreitinho, lateral, estilo pequeno torreão, e
restaurantes com nomes curiosos: Café Montagreste, Café Restaurante A Toca do
Coelho, Restaurante Pé de Galo, Pastelaria Pan Diogo ... (Notas de viagem, 1998.01.--)
No Jardim da Estrela xe "Lisboa: Jardim da Estrela"§
corre uma aragem fresca, por
vezes desagradável. Está um sol de chuva. Estou sentado numa das mesas da
esplanada do jardim, defronte ao lago de águas esverdinhadas onde se reflectem
as verdes ramagens das árvores. Dois cisnes pretos, de bico vermelho, vogam nas
águas, seguidos por uma ninhada de cisnezitos de penas cinzentas e eriçadas.
Alguém atirou para a água restos de comida. Peixes vermelhos e pretos,
estes mais pequenos, acorrem de todos os lados e disputam-nos. ([6])
Ouve-se o trânsito na Praça da Estrela, as
crianças além no parque infantil e, para lá das árvores, o vozear das pessoas
aqui na esplanada, pedaços soltos de conversas, o cair da água no lago.
Nas áleas passam as pessoas, em grupos ou não. Defronte de mim, na
outra margem, vários bancos, alguns ocupados. Naquele, à esquerda, um casal
idoso. Ele, contempla quem passa e pensa talvez na vida que já lá vai. Ela, de
vestido azul e botas brancas, com casaco de malha preto, faz tricot. Outro
velhote que ocupava o extremo do banco levantou‑se e foi‑se. Estavam, mas já
não estão, no banco seguinte, dois homens, um dormindo, outro espreguiçando‑se.
Uma pomba pousou agora no gradeamento, ao meu alcance, mas já levantou voo.
(NSF - 1968.09.01)
Voltei a Carnide e fiquei com vontade de regressar. Fomos lá almoçar,
num simpático largo arborizado com esplanadas dos restaurantes que o circundam.
(Notas de Viagem, 1996. Verão)
No Jardim da
Estrela xe
"Lisboa: Jardim da Estrela"§ corre uma aragem fresca, por vezes desagradável. Está um sol de
chuva. Estou sentado numa das mesas da esplanada do jardim, defronte ao lago de
águas esverdinhadas onde se reflectem as verdes ramagens das árvores. Dois
cisnes pretos, de bico vermelho, vogam nas águas, seguidos por uma ninhada de
cisnezitos de penas cinzentas e eriçadas.
Alguém atirou para a
água restos de comida. Peixes vermelhos e pretos, estes mais pequenos, acorrem
de todos os lados e disputam-nos. ([7])
Ouve-se o
trânsito na Praça da Estrela, as crianças além no parque infantil e, para lá
das árvores, o vozear das pessoas aqui na esplanada, pedaços soltos de
conversas, o cair da água no lago.
Nas áleas passam as
pessoas, em grupos ou não. Defronte de mim, na outra margem, vários bancos,
alguns ocupados. Naquele, à esquerda, um casal idoso. Ele, contempla quem passa
e pensa talvez na vida que já lá vai. Ela, de vestido azul e botas brancas, com
casaco de malha preto, faz tricot. Outro velhote que ocupava o extremo do banco
levantou‑se e foi‑se. Estavam, mas já não estão, no banco seguinte, dois
homens, um dormindo, outro espreguiçando‑se. Uma pomba pousou agora no
gradeamento, ao meu alcance, mas já levantou voo. (NSF - 1968.09.01)
Safa, que a barulheira aqui no café
repentinamente tornou‑se incomodativa, especialmente com a gritaria das
crianças e o velho aqui atrás de mim tamborilando com a moeda no tampo da mesa.
Lá
fora chove a cântaros e um cartaz anuncia "Pides na Grelha", brevemente nesta terra. As pessoas passam
enfiadas debaixo dos guarda‑chuva e de vez em quando uma lufada de ar frio
invade o café, quando alguém empurra a porta.xe "dias da Revolução:
eleições para Assembleia Constituinte"§
De hoje a dois meses, segundo o Costa Gomes ([8]) haverá eleições [para a Assembleia
Constituinte]. "O voto é a arma do povo" , só que o povo deve andar muito...
desarmado. (...) É Carnaval, mas não
parece, salvo um ou outro mascarado pelas ruas e uma ou outra criancinha. O
tempo não está para folguedos, salvo em Lisboa, onde cerca de 20 000 a 40 000
organizaram uma manifestação contra o desemprego e contra o imperialismo e a
NATO. (...). (MCG - 1975.02.13)
Em Paço de Arcos - O dia está
desagradável no jardim: ventoso e
fresco. Ontem o tempo estava estival, dizem as minhas notas. Os carros passam
velozmente ali na Marginal e o Tejo é azul. As crianças correm e brincam pelas
áleas e vêm-se muitos triciclos e bicicletazinhas. A esplanadaxe "Paço
d'Arcos: esplanada no jardim"§ está
cheia de gente que conversa. Além à esquerda vejo o barracão feio do xe
"Paço d'Arcos: cinema Chaplin"§cinema
da vila [o Chaplin]: apenas três
sessões semanais no verão - terças, sábados e domingos. ([9]) (MCG - 1972.08.10)
O núcleo histórico conserva se, mas já nada existe do tempo em que Paço
d'Arcos era terra de veraneio e banhos de mar, melhor se diria, banhos de rio. Hoje
a praia está poluída e os bancos vão substituindo os restaurantes (Notas de
Viagem, 1997.08.16).
Caldas da Rainha - O Parque D.
Carlos, que remonta ao século XIX, frondoso e fresco, onde agrada deambular,
com um lago central, possui uma esplanada com péssimo serviço, como aliás
muitas vezes sucede em casos similares, e estátuas espalhadas pelo relvado.
Visitável o Museu da Cerâmicaxe "Caldas da Rainha: Museu da
Cerâmica"§, como a tal do Zé Povinho e do manguito, figura popular tal
como a Maria Paciência, que vi no Museu de Rafael Bordalo Pinheiro em Lisboa.
No Museu José Malhoa existe também uma secção de cerâmica, com objectos da Real
Fábrica do Rato e outros locais, como os dos Bordallos, Maria dos Cacos ou
Manuel Mafra, a destes menos exuberante e multicolor e mais bisonha que a dos
primeiros. No Museu da Cerâmica existe um atelier com azulejos e olaria
executados pelas crianças das escolas da região, num projecto integrado. (Notas
de Viagem, 1997/1998)
Achei interessante, mas não entusiasmante a
torre sineira manuelina, quadrangular, da Igreja do Pópulo, com um relógio em
cada uma das faces e um telhadinho de duas águas por cima de cada um dos lados
da torre. este templo era a antiga capela do hospital e nas traseiras deste
encontra‑se uma frondosa mata e o antigo paço real. De referir a Praça da
República ([10]). Trata-se duma praça
sobre o comprido, como a do Giraldo em Évora, constituída por edifícios de dois
ou três pisos, com varandas de sacada no primeiro andar, onde todas as manhãs
se realiza o mercado de frutas e legumes, de que me lembrava apenas da Pastelaria
Bocage. (Notas de Viagem, 1997/1998)
Setúbal - Uma breve paragem em para
reabastecer a máquina e desentorpecer as pernas. (...) Escrevo enquanto espero
o prego, o Compal de ananás e o iogurte de morango, aqui na esplanada dum café
duma rua azafamada. O céu escureceu e à minha frente está cinzento. Daqui a
pouco deve desabar um dilúvio. Gosto de Setúbal. Não sei bem porquê. É muito
diferente de Évora. É mesmo o seu
contrário: movimento e vida, azáfama e montes de pessoas, ruas largas e
árvores. Reparo mais nas pessoas que em Évora. (MCG - 1972.12.28)
Terminei a minha digressão
turística com uma visita às Igrejas de
Santa Maria e de S. Julião. ([11])
Depois dum lanche frugal,
apanhei a camioneta para Cacilhas, depois
o ferry-boat para o Cais do Sodré e o comboio para Paço de Arcos. Só me faltou
andar de avião. Em Setúbal reconheci
o Zeca Afonso. Refreei o impulso de
perguntar‑lhe "Você é que é o Zeca Afonso?" e deixei‑o seguir para um
café da Praça do Bocage. (MCG - 1972.12.29)
xe "setúbal: café lorimar" §a mudança da paragem do autocarro tornou o café mais frequentado
e menos remansoso em determinadas horas, quando se amontoa pessoal aparecido
sabe-se lá de onde. contudo, em certas horas, ainda continua a ser um local
agradável, acolhedor, como simpáticas são normalmente as proprietárias, entre a
malta conhecidas como as "manas gordas". há um outro café, o das
escadinhas, também simpático embora mais calmo por não estar em sítio de
passagem ou junto a paragem de autocarro.
xe "Setúbal: bairro da Tetra" §Aqui nesta zona residencial ficam parte dos
serviços municipais, em área que era para ser um centro comercial, e talvez
isso explique o hábito que se criou nos cafés das redondezas dos clientes
levarem os comes e bebes para a mesa e, muitas vezes, de retorno para o balcão.
(...) E foi
assim que tudo começou: escolhida a mesa, uns sentaram-se e outros ficaram a
fazer o avio e por isso só depois reparámos que a mesa escolhida estava suja,
pelo que pedimos às manas que a limpassem, o que lhes caíu mal, enervou e fez
com que uma delas derramasse a cafeteira do chá a ferver sobre as minhas calças
o que, diga-se de passagem, não foi pêra doce. Por isso, uma hora depois,
estava "caído" no Centro de Enfermagem, porque me doía cada vez mais
o local da queimadura.
Às
dezoito horas a sala de espera encontra-se habitualmente repleta de pacientes
quase sempre "pacientes" enquanto aguardam o médico ou o enfermeiro,
pelo que resolvi matar o tempo com aquelas revistas e jornais antigos que jazem
nas salas de espera de consultórios. E foi assim que peguei na "Nova
Gente" e procurei o ponto de encontro onde encontrei a Maria Helena,
arquitecta, que mora em Lisboa, cidade que outrora amei mais do que
actualmente, pois entretanto habituei-me ao relativo sossego de Évora xe
"Évora"§xe "Setúbal"§xe "Lisboa"§ e de Setúbal, onde quase tudo está ali ao
alcance da mão, pese embora e por vezes a pasmaceira das terras pequenas,
entremeada embora pelo individualismo e falta de calor e solidariedade das
terras grandes.
Setúbal . Urbanismo) eram salas enormes cheias de vasos e plantas; agora
e desde há uns anos as salas foram sendo divididas e subdivididas em gabinetes
cada vez mais minúsculos. As pessoas estão mais isoladas e formam‑se grupos e
subgrupos, que se encontram em cafés diferentes: os fiscais no café lá em cima,
no Largo, os desenhadores neste ou no café das escadinhas, os técnicos no café
das escadinhas, abandonado que foi o café das manas [na
Avenida Bento Caraça], onde continuo a ir com as arquitectas Arminda ou Nina
e onde vai o pessoal da secretaria. E isto para não falar na Directora, com o
seu séquito (arqº Zé Manel e engª Margarida) que já deixaram de se misturar com
o maralhal. (MMA - 1994.02.20)
Batalha - A vila está cheia de turistas e crianças, estas de
bibe e de balão na mão. O artesanato está presente em muitas lojas, constituído
por peças para turista comprar. No largo onde estão as esplanadas uma exposição
de espantalhos. Nada disto tem a ver com o sítio por alturas do século XV ou
mesmo com o século passado, "retratado" nuns postais reproduzindo
desenhos dum tempo em que por aqui corria um riacho pelos campos descampados,
mas com vegetação e o povo era uma formiga na imensidão do edifício do
mosteiro. (1998.06.03)
Caminha - Praça com esplanada e
chafariz, muito movimentada, onde se situam a casa gótica dos Pitas, armoreada
e brasonada, e os Paços do Concelho. Aqui situam-se também a Torre do Relógio e
a Igreja da Misericórdia (pórtico e arcadas laterais). Desta Praça do Chafariz
parte a R. de S.João (com flores na calçada, exalando um cheiro adocicado e um
pouco nauseante, após a procissão, com banda de música), ao fundo da qual se
encontra a ábside da Igreja Matriz com pórtico interior, no interior das
muralhas do século XVII. Esta igreja é gótica com elementos manuelinos e
renascentistas. De realçar a porta manuelina lateral, profusamente decorada,
bem como o trabalho lavrado de carpintaria do seu tecto. (1998 06 11)
Valhelhas (1/2) Na margem arborizada do rio
Zêzere. Outrora terá sido importante povoação, pertencente à Ordem dos Templários. Largo com chafariz de
duas bicas, pelourinho e igreja com campanário, de granito e com escadaria
exterior. Algumas casas de 2 pisos são de granito, não caiado. Gente nas
esplanadas da Praça Dr. José de Castro. No chafariz uma citação de Corrêa
Garção: “Que eu desta glória ficarei contente/ Se a minha terra amei e a minha
gente.” Houve um castelo que foi demolido e as pedras aproveitadas para outras
construções como a cerca do cemitério, como demolido foi o convento após a
extinção das ordens religiosas. 1997 07 10
Évora Acabei de jantar; o
[Emídio] Guerreiro e eu comprámos comida
no "snack" Camões e viemos de abalada até casa com um carregamento de
salada russa (bah!), filetes de pescada (estavam bons mas tinham espinhas) e
borrego assado com ervilhas (saboroso, mas a carne era tanta como os ossos).
Meio queijito (que o Guerreiro tinha) e maçãs (que tenho ali) e fizemos a festa
por 38$50 cada um. Ah! esquecia‑me, como fundo musical a "Pequena Sinfonia
Nocturna", de Mozart. A cadeira
(desmontável) que a minha mãe me deu permite um sentar confortável. Gosto muito
de estar sentado nela: estuda‑se bem. (1974 ABRIL 24)
Évora - Safa, isto hoje é chuva sobre chuva! Já
aborrece tanta água. estou aqui num café ao fundo da Rua Serpa Pinto, para
alinhavar estas linhas. Passei agora pelo sindicato onde arranjei uma colecção
das teses da Conferência da ReformaAagrária.
(1976.11.11)
Mafra - De repente, um edifício enorme,
pesadão, desajeitado e quadrangular, a fachada coberta de janelas, cuja
enormidade surge do contraste com a pequenez do casario circundante. O Palácio
e Convento de Mafra - é dele que se trata - estava em obras, a fachada coberta
de andaimes, o acesso aos claustros vedado, a visita impossibilitada pelo
tardio da hora. Defronte um largo que outrora terá sido um amplo terreiro, hoje
parque de estacionamento automóvel atravessado pelo trânsito. Mais além um
largo arborizado, ladeado de cafés, quase todos fechados por ser feriado.
Na estrada que vem do Sobreiro, o zimbório e os torreões do
Convento emergem lá longe, na paisagem, cercados de andaimes, ao pôr do Sol,
num espectáculo deslumbrante que procurei fixar fotograficamente.
Na estrada para Mafra atravessa-se uma aldeia e uma ponte
sobre um curso de água; lá em baixo, uma graciosa ponte de pedra, com um
simples arco, curvilínea no seu pavimento e parapeitos, que presumo seja a
romana que uma seta indica. (Notas de Viagem, 1997.08.15)
Ericeira
- Viemos hoje até à Ericeira, povoação
de pescadores que os veraneantes descobriram para as suas férias. Ei-los
que passam vagarosamente, atravessando as ruas e os cafés, no seu jeito muito
burguês. de quem nada tem para fazer. E também os bancos do largo, na conversa,
que parece chilreio de pássaros. Aproveito para ir lanchando. A estrada para cá
é muito estreita e cheia de curvas; os carros vêm a passo de boi. (MCG -
1973.06.16)
Domingo fomos até à Ericeira. A povoação não tem já a beleza e o
pitoresco que nela se via. Prédios incaracterísticos ("É o progresso", comentava‑me a
Irene [Pacheco]), ocupados pelos
veraneantes, destroem a beleza e harmonia de que ainda vão sobrevivendo
testemunhos. Café, cinema, praia, passeios, são o entretenimento dos
"estrangeiros", cujo falar parecia mesmo uma chilreada no pequeno
largo, cujos bancos e espaço enchiam com a sua presença. A estrada até à
povoação é muito estreita e atravessa algumas povoações, todas elas vitimas do
"progresso", como se o progresso fosse a construção de casas de
mau-gosto atroz; havia muitos moinhos, a
maioria branquinhos e funcionando, contrariamente ao que sucede no Alentejo.
(1973.09.19)
A viagem para Sobral de Monte
Agraço faz‑se já de noite, contingências dos passeios em curtos dias de
inverno. Da ruralidade da paisagem não me apercebo, mas sim e apenas do relevo
do terreno, ora subindo, ora descendo, ora curvando, ora contra curvando. A
povoação fica lá em baixo, mas é uma desilusão. Uma igreja barroca, na Praça da
República, e um teatro (Eduardo Costa?), perto da Praça Dr. Eugénio Dias (médico dos pobres) com elegante coreto,
busto do homenageado, fontanário, edifício da Câmara e uma residência do século
XIX. As lojas têm um ar de antigas, na sua decoração interior. Mais adiante um
outro largo arborizado, a praceta 25 de Abril, de edifícios recentes,
permanecendo por enquanto uma casa estilo chalet, com um corpo estreitinho,
lateral, estilo pequeno torreão, e
restaurantes com nomes curiosos: Café Montagreste, Café Restaurante A Toca
do Coelho, Restaurante Pé de Galo,
Pastelaria Pan Diogo ... (Notas de
viagem, 1998.01.--)
Óbidos - O Santuário do Senhor da
Pedra parece uma nave espacial atarracada, com os foguetões laterais. Neste
local, junto a uma fonte, foi descoberta uma tosca imagem de pedra,
representando Cristo. Circundando a enorme, incompleta e desajeitada Igreja, um
conjunto de cafés e restaurantes fechados. No largo fronteiro um fontanário
joanino, com desenhos azuis, ao lado duma estalagem. Para ocidente, no
horizonte e ao longo da cumeada, as muralhas da Vila de Óbidos, em contraluz ao
pôr-do-sol. (Notas de Viagem, 1997.06.28)
Maiorga - A povoação possui
muitos cafés e três ruas com nomes de maestros locais. No termo da povoação
situa‑se o degradado Solar do Outeiro, com escadaria exterior, varanda
alpendrada e brasão de armas, que terá belas pinturas nas salas, condenado à
demolição de acordo com notícia lida num jornal.
(Notas
de Viagem, 1998.02.21/22)
Leiria - estamos aqui num café duma estação de serviço à saída de Leiria,
na estrada paraLlisboa. mas que estafa! o engarrafamento de trânsito é tal que
levámos duas horas para fazermos cerca... de 10 km. um quilómetro, já dentro da
cidade, fizemo‑la em meia hora, isto é, à velocidade de 2 quilómetros por hora!
O café é muito barulhento. é uma estafa fazer 300
e tal km duma assentada e ainda faltam 120 e tal! O céu está cinzento de chumbo
e já choveu torrencialmente. Parece‑me que a Beira Litoral é muito pluviosa, o
que não me agrada. Este enorme engarrafamento resulta do facto da Estrada
Nacional passar pelo centro da cidade; é só uma ponte e dois polícias
sinaleiros! Já atestei o [meu] depósito: um Nescafé e uma sandes de
fiambre. Só não havia gasolina super para o carro. Está esgotada aqui na bomba.
Vamos lá ver se haverá até lisboa, já que pelo caminho até aqui não havia. Ao
menos já não há aquelas bichas monstras de há algumas semanas. (MCG - 1974.04.16)
O deambular leva‑nos até à Praça
Francisco Rodrigues Lobo, poeta, com edifícios de arcadas, ladeada de cafés e
onde outrora se realizava diariamente o mercado, ao ar livre. Mas disso dá
conta apenas um painel de azulejos junto a um muro perto do rio Lis. (Notas de Viagem, 1997.11.01)
Alcobaça - Foram poderosos os
frades da Ordem, dona das ricas terras agrícolas (coutos) em redor e dos seus
habitantes, do interior até ao mar. A vila é alegre, de casas com traça antiga,
cuidadas, havendo muitas para alugar, poucas arruinadas. Apesar de ser noite e
da chuva, as ruas e os cafés estão cheios de gente e parece que estes têm
freguesias distintas: os jovens, as pessoas bem vestidas... Porque por lá
passamos, fico a saber que a povoação é atravessada por dois rios que lhe dão o
nome: Alcoa e Baça, que aqui originam o Alcobaça. ([12]) O Alcoa é atravessado por uma pequena ponte e
nas suas margens ouve‑se o marulhar das águas correndo por entre dois paredões
que lhe estreitam o leito. As casas têm varandas e janelas debruçadas sobre o
rio e de noite poder‑se-ia imaginar que se trataria de Veneza, opinião de quem
a conhece apenas de filmes, como em Sentimento
ou Morte em Veneza, ambos de
Visconti. ([13]) (Notas de Viagem, 1997.10.25)
Sítio da Nazaré - Neste largo ou
Terreiro da Romaria existem vários estabelecimentos comerciando louça e
vestuário artesanais, para além de restaurantes e cafés, um relembrando o
antigo casino do Sítio. Artesanato típico da Nazaré, para além do vestuário das
mulheres e dos pescadores, são os objectos miniaturais que reproduzem
instrumentos e objectos de trabalho ligados à faina piscatória e marítima.
Visto das arcadas do santuário, o largo com as suas palmeiras tem um ar
magrebino. Para além da Ermida da Memória, um cruzeiro dá conta da passagem de
Vasco da Gama por este local, em peregrinação, antes e depois da sua viagem à
Índia. . (Notas de Viagem,
1997.10.31 e 1997.11. 01)
Turquel - Prosseguindo a viagem a corta mato,
para sul, deparamos com Turquel, outrora denominada Villa Nova de Turquel, com
prédios modernos, altos, e com mais
vida, nos cafés - parece uma povoação mais cosmopolita e modernaça, até
no trajar das pessoas. contudo é uma povoação menos simpática que a anterior,
com o pelourinho perdido no meio de casas sem história. (Notas
de Viagem, 1998.02.08)
A caminho de Santarém - De Setúbal à Atalaia o percurso
ainda é feito por estreita e movimentada estrada, passando por povoações à
beira da estrada sem algo de notável para assinalar. O Santuário da N. Sra da Atalaia
era a primeira agradável surpresa, lá no cimo da escadaria que parte do amplo
terreiro onde existe um cruzeiro. Depois a ponte das Enguias, periclitante,
onde se situava um arruinado edifício que outrora fora caiado de branco, que
não confirmei se teria sido um moinho de maré, para além de salinas e arrozais.
Da estrada a seguir recordo
apenas que era arborizada em muito troços, atravessando povoações como as
referidas onde não parávamos a não ser para tomar o pequeno-almoço num qualquer
café à beira do caminho. (Memórias de Viagem, 1997)
Coimbra - São cerca de 18 horas e há 1 [uma] que terminou a sessão
inaugural do Seminário Sobre a Democratização do Ensino. [1974] Estou aqui num café (O Mandarim), meu
velho conhecido, com a malta de Évora. Está frio e ameaçando chuva. Ficámos num
lar de estudantes, ao cimo duma ladeira imensa. Perante a enormidade do tempo à
minha frente - só logo às 22 horas há uma sessão de cinema sobre a campanha de
alfabetização. Sinto-me aborrecido. Tenho que arranjar com que ocupar o tempo.
Amanhã quero ver se vou à matinée ver um filme "A Estratégia da
Aranha" [de Bertolucci]. (MCG -
1974.11.13)
Aqui na esplanada
do café Moçambique está frio e
húmido e os meus sapatos parecem autênticos chafarizes. Lá dentro o ruído e o
fumo não são convidativos. De resto este café, como um outro aqui ao lado, têm
um cheiro esquisito, que não sei bem definir, talvez resultante do aglomerar de
corpos. São 20:50 e daqui a pouco tenho de ir ao outro lado da praça apanhar o autocarro.
(MCG - 1974.11.15)
Serra
da Estrela - A neve parece esferovite e de vez em quando um tipo enterra-se até aos joelhos. Antes do cume a
serra é negra, salpicada de branco; no cimo é um manto branco, que o nevoeiro
confundia, tornando fantasmagóricos os vultos. Estava frio, mas suportava-se.
Encontro-me num café da que parece um do Porto, enquanto as ruas lá para trás
lembravam Sintra. Almoçámos no Fundão,
na Escola Secundária, um prédio de habitação adaptado - onde as pessoas tinham
um ar seráfico e beatífico, falando com um sotaque de seminaristas, padres ou
de freiras de Santa. Zita; - será que a maioria deles são destas bandas? - As
miúdas desta região têm um ar rude ou agreste - serrano? - Demos liberdade aos
miúdos e até agora não tem havido problemas. Estou é maçado, pois a camioneta
não é cómoda e por causa da reunião na Escola só me deitei às 3 da matina para
levantar-me às 5 1/2. (MCG -
1975.02.26)
Porto - Vi pela 1ª vez, quando ia para
casa do avô Luís, e à tarde, quando fomos ao Café Astória. (1963.01.13 - Diário
III)
Como
tem chovido a cântaros, limitámo‑nos a ir comer qualquer coisa ao café Águia, o café dos estudantes. Foi
o que deduzi das inúmeras placas académicas que ornam as paredes. (1963.01.06 -
Diário III)
As pessoas aqui no
Porto, tanto homens como mulheres, falam um português vernáculo que nem fazeis
ideia. Aí quem fala assim são os carroceiros. (...) Aí em Luanda
(que é uma aldeola na opinião de muito parolinho) respeita‑se a ordem de
chegada. Aqui não.
Nos eléctricos é a
mesma coisa. é um vale‑tudo. e não são capazes de oferecer o lugar a uma
senhora ou a uma pessoa idosa. Vai‑se a um café à noite, está tudo cheio de
estudantes (raparigas) a fumarem até altas horas. quando é só isso! (...)
Tirando a parte central (com os seus anúncios luminosos, o
Porto, quase se pode dizer, é a cidade das trevas. O mesmo não se pode dizer de Luanda, que embora não seja uma cidade‑luz,
sempre é melhor neste ponto (NSF - 1963.01.28).
No terreno
que se estende da Capela dos Anjos à Rua de Cedofeita construiu‑se um comprido
prédio de dois ou três andares, de traço arquitectónico esquisito. Na esquina
abriu café, muito "mal frequentado"-. e falo assim, pois como
classificar os estudantes, que ocupam cadeiras e mesas durante horas, a troco
duma bica ou de um pingo (o alfacinha garoto)?! (NSF - 1968.09.16)
Safa, que o Porto é frio, duma frialdade
enregelante. Estou aqui num café na Rua Formosa, aguardando o pequeno
almoço. A casa
do meu avô Luís está superlotada - os meus tios estão lá - e resolvi ficar numa
pensão, que só de pensar nela me arrepio. Ali a Pensão Brasil (3 estrelas) já
deve ter tido uma certa categoria - no tempo em que as pensões eram uma casa,
mas agora está em franca decadência, porca, suja e desleixada. 100 paus é a
diária dum quarto num quinto andar. Enfim... O velho, dono da pensão, estava
ontem às voltas com um dedo entalado, enrolado num pano que enchia a casa de
vinagre.
Aconselhei‑o a pôr
o dedo em água quente e hoje lá me foi dizendo que estava melhor. (...) No
Porto, nova aventura: onde ficar? Pego na lista telefónica, retiro uma série de
endereços de pensões e... nova preocupação. E então, os preços?! Pego em mim e
venho andando, tentando adivinhar a categoria da pensão - e consequente
modicidade do preço - pela fachada. E assim caí [nesta] espelunca. (MCG - 1974.09.22)
Ponte de Lima situa‑se no caminho de Santiago
de Compostela, destacando‑se uma ponte de pedra, medieval, com 27 arcos, que
substitui as barcas que outrora ligavam as duas margens do Rio, largo com cafés
com toldos e chafariz, numa margem (Praça Luís de Camões - Café Casa Havanesa) (Memórias de Viagem, 1997)
Ponte da Barca - Para mim a povoação, em anfiteatro
na margem esquerda do rio Lima, é a praça com casario antigo e casas dos
séculos XVII e XIX, dominada pela igreja matriz: a Praça da República é
arborizada, com trânsito intenso, ladeada de bancos e alguns cafés. Um pouco
adiante existe uma pequena ponte medieval, com dez arcos, unindo as duas
margens do rio Lima. Característico também é o jardim-passeio (dos Poetas) com
esplanadas à beira do rio Lima, arborizado e com um vasto alpendre de arcadas,
antio mercado, num topo, perpendicular ao curso de água e perto do pelourinho. Nesta
povoação nasceu Frei Agostinho da Cruz, poeta arrábido. (Memórias de Viagem, 1997)
Moita - Célebre pelas largadas de toiros pelas ruas,
como em Alcochete As paredes dos cafés estão cheias de cartazes alusivos a
touradas, existem algumas tertúlias tauromáquicas e murais alusivos ao mesmo
tema. (Notas de Viagem, 1997)
Pinhal
Novo - sandes de fiambre. Entretanto, nem de propósito, as mesas
estavam cada uma com seu papelinho. ([14])
(...) Pelo vidro da montra do café avista‑se o edifício da estação dos caminhos
de ferro: conto 4 chaminés, enquanto se cruzam um miúdo de bicicleta e um
tractor com atrelado. Um vasto rossio de terra batida estende‑se lá fora,
rodeado de casas caracteristicamente incaracterísticas. Lá ao fundo, uma mata
enfezada e amarelecida. Alguns carros parados e pessoas sentadas pelos bancos.
O café do leite sabe mal. No largo uma igreja por caiar, um coreto e um parque
infantil, tudo com um ar desgracioso.
Aqui no café as pessoas jogam à
"batota", ali num canto, enquanto outras duas estão lendo os jornais.
Um outro personagem, atarracado, de boné e óculos, vai vasculhando a carteira e
lendo os papéis que dela retira. Por trás de mim ouço vozes e algaraviada, bem
como os tacos batendo nas bolas de bilhar. O casaco incomoda‑me, pois tolhe‑me
os movimentos. Sinto‑me encalorado. (...) São quase 17 horas e daqui a 10
minutos é o comboio. Farto-me de percorrer um Portugal desconhecido.
(1974.11.28)
O
Pinhal Novo é uma pequena povoação plana, desenvolvida à sombra do cruzamento
de vias-férreas com destinos variados. Desenvolveu‑se ultimamente com muito
prédios de vários andares. A rua principal, estrada nacional, arborizada e com
largo passeio estilo alameda, concentra o comércio e os cafés, locais de
convívio. Defronte à estação ferroviária, com painéis de azulejos representando
cenas e monumentos da região, ficam um jardim arborizado e um amplo
"rossio", onde no 2º domingo de cada mês se realiza o mercado
mensalxe "feiras e mercados: Pinhal Novo"§, muito concorrido e
variado. No jardim um avião no parque infantil é a alegria da petizada. De
referir a igreja, edifício branco destacando‑se na verdura do jardim, em cujo
interior existem modernos painéis de
azulejos narrando a anunciação e nascimento de Cristo, intercalados com painéis
coloridos com legendas explicativas. (Memórias de Viagem, 1997)
Samouco
(Alcochete) - Caminhando pelo Largo 25 de Abril, o silêncio da noite é quebrado
pelo falatório duma velha de negro a uma esquina, a mão na orelha, a cabeça
inclinada ... insólito, no largo deserto, a mulher de negro não estava louca,
não, mas falava apenas pelo telemóvel! Modernices.
Nos muitos cafés, à noite, a freguesia era
esmagadoramente masculina, talvez também operários da ponte vasco da gama, em
construção. (Notas de Viagem, 1998.01.09)
Casa Branca (Évora) - O bar
da estação continua a mesma confusão no atender dos clientes, que sempre lhe conheci: a malta amontoada ao
balcão corrido de mármore, molhado do pano gorduroso que o "limpou" O
homem afadiga‑se a vender bifanas, cervejas, refrigerantes e cafés. Atende‑nos
sem critério, na sua calma fleumática, atropelando a ordem de chegada. Os
fregueses impacientam‑se, nervosos, um olho no patrão, outro no comboio, não vá
este desandar inopinadamente. Finalmente o comboio põe‑se em marcha e balança
mais que navio em mar tempestuoso (NID - 1974.01.09 - ?) ([15])
Uma pequena vila alentejana,
Sousel, incaracterística, de não sei quantas centenas de habitantes, de casas
baixas, caiadas, de ruas mal pavimentadas, sem cinemas, sem um bom café, tendo
apenas para oferecer a quem passa uma atmosfera de profunda serenidade, de
grande e verdadeira calma. ("NSM" - 1969)
Igrejinha
(Arraiolos) . Escrevo dum café aqui na
Igrejinha, enquanto espero que o
empregado me traga os comes‑e‑bebes que enganarão o estômago até à hora do
jantar, em Évora. A tarde hoje está "porreirinha", mas a
produtividade tem sido pouca. (..) A Igrejinha tem sido para mim uma terra
"difícil". Numa venda, um velhote meio cego queria que
eu o inquirisse, porque tinha muito que falar. Que nós só escolhíamos quem
queríamos para falar e não quem sabia e dizia isto batendo com uma grossa
bengala no chão. Tive, pois, que tentar desenlear os enredos de que me
apercebi. Quando dei por isso estava no centro duma multidão, que na maioria me
dava razão - pelo menos ali - incluindo o velhote, agora mais calmo. Eu até nem
sabia que uma mulher me tinha posto na rua (segundo as conversas dela com as
vizinhas) porque eu andava a querer saber da vida dela (se poupava dinheiro,
onde o guardava, se fora ela que dera de mamar aos filhos, se o médico
assistira ao parto...) - Tinha‑la inquirido sobre a Vida da Família, cujo
inquérito tem perguntas delicadas. e ela mostrara‑se muito agreste e
desconfiada, atitude que até compreendo, tanto mais que o marido emigrara há 15
dias. Mas depois do meu discurso as pessoas davam‑me razão, que sim, que já
outros tinham andado a fazer aquelas "procuras" ("A minha mulher
e eu também respondemos e não tinha nada de mal, nenhuma falta de
respeito" ou "Sempre há gente muito estúpida") E assim se
amainou a tempestade. Mas outra me esperaria, ao inquirir um taberneiro velhote
que é seareiro (este ano é o último, pois aquilo não dá) Às tantas um homem com
ar espertalhote (46 anos, ao que me disse) intrometeu‑se na conversa, porque
quisera emigrar, mas não pudera por causa da idade. E vai daí gerou‑se uma
conversa sobre o que valia mais, se o lido (estudos) ou o corrido (prática) e,
portanto, se um jovem ou um homem da idade dele ("Qual escolhia o
senhor?", perguntava‑me); sobre o estado da agricultura, cuja solução,
para os presentes (suponho que seareiros e proprietários ou rendeiros de
quintais de 0.5 a 5 ha.) era a distribuição das grandes terras por quem
quisesse nelas trabalhar, completamente inconscientes de que o mundo é outro
para além daquelas terras, insensível a métodos e processos de exploração
agrícola ultrapassados, sem respeito pelo "corrido" doutras eras. Um
outro proprietário com quem falara - esse já com propriedades maiores, estava
consciente - como alguns outros - da necessidade do cooperativismo me da
agricultura de grupo, da mecanização e da introdução de novas culturas e processos
de cultivo, do regadio e da exploração pecuária (que não é ter meia dúzia de
ovelhas e uma vaca). Mas as pessoas, segundo eles, são muito desconfiadas,
pensam sempre que o vizinho o quer enganar e armam‑se em
"espertalhões".(1973.03.26)
Amareleja
- Esta é uma terra como poucas, aldeia,
grande embora, mas com... postais turísticos E bem povoada de mirones nas esquinas. O Largo
do xe "ruas, becos, largos e travessas:Regato (L)"§Regato é o Giraldo do sítio, com muita gente
conversando, acima do qual existe um jardim. Dois cafés: o dos ricos... e o dos
pobres, como não podia deixar de ser. Tal como sucede com as duas Sociedades
[Recreativas]. (MCG - 1972.10.17)
Safara - Aldeia modesta, onde existe um
largo com a torre do relógio, a igreja, cafés e as duas colectividades
tradicionais nas povoações alentejanas: a dos ricos e a dos pobres. A casa da
Bia Almeida, de dois pisos, com um quintal grande. Mora no 1º andar, ao qual se
ascende através duma escadaria exterior de pedra, que desemboca numa
varanda-galeria com colunas. Todos os quartos estão ligados entre si e
situam-se em redor dum salão central, para o qual todos têm portas.
Santo Amador fica
num desvio da estrada para Safara. É uma aldeia pequena, onde as casas
tradicionais coexistem e vão sendo substituídas pelas "mansões" dos
emigrantes. Creio que é uma terra de pequenos seareiros, com os seus cafés
(tabernas), a igreja e a sociedade recreativa. Nos arredores improvisa‑se um
cercado para as corridas de touros, que num certo ano ruiu. As mulheres
permanecem em casa, às vezes na má-língua, enquanto os homens convivem de
taberna em taberna, convidando-se mutuamente para copos de vinho, chegando ao
fim do dia bêbedos a casa. Depois... os copos acabaram por ser substituídos por
chávenas de chá. Ao fim do dia os cérebros teriam deixado de estar toldados,
mas os nervos talvez ficassem mais á flor da pele. (Memórias de Viagem, 1997.08.20)
Vendas Novas, no caminho de Évora para Setúbal, nada tem de relevante:
uma povoação de casas dum ou dois pisos, uma larga avenida de passagem com
comércio e alguns cafés, para além dos canhões na parada fronteira ao quartel,
espécie de museu militar que desperta a tenção do viandante apressado.
No século XVIII era um lugarejo com uma venda
para almocreves e viandantes, onde em 1728 D. João V - vejam lá - mandou
fazer um enorme palácio para acolher
durante duas noites duas princesas em trânsito cruzado e viagem de noivado e
entrega, uma em Portugal, outra em Espanha! Nesse palácio ficou posteriormente
instalado o quartel atrás referido. (Memórias
de Viagem, 1997)
Braga - No alinhamento da avenida central, arborizada, lá ao fundo, o monte
verdejante do Bom Jesus. Nesta avenida edifícios pesados, de granito. Um tem
dois cães alados. É a rua das sapatarias e da moda. Café Sporting em frente à
Casa do Benfica. (Note-se que perto do Hotel da Estação fica o Café ...
Benfica).
(…) À confusão da cidade
moderna, o sossego do centro histórico merece referência. O que deveria ser
talvez designada por Rua Direita dá origem às ruas D. Diogo de Sousa e do
Souto, ligando respectivamente o Campo98.06.07) das Hortas (e Arco da Porta
Nova) ao Largo do Barão de S. Martinho (Café a Brasileira) e à Praça Central. (98.06.07)
Orca - Cafés abertos até
tarde. Muita gente idosa e sentados às portas, muitas flores nas ruas
1998.07.11 (?)
Proença a Velha
Não há telefone público, salvo
no café, que está fechado. Uma pessoa deixa usar o seu telefone. Casas de
granito, pelourinho, algumas delas caiadas (98.06.07)
Idanha a Velha
Numa taberna um velhote diz
quadras “contestatárias” enquanto a dona do café para
outras mais bonitas. Delas se dá exemplo:
Adeus Idanha a Velha | Duas coisas te dão graça | É o alto do castelo |
O pelourinho na Praça - Popular
Adeus ó Idanha a Velha | Pequenina
airosa | À entrada tem um cravo | E à saída uma rosa - Popular
Adeus ó Idanha a Velha | Que tanta nomeada tens | Que dentro de ti há
dois burgueses | Que são senhores de todos os teus bens - José Bernardo (carvoeiro) (
1998.07.13)
Aguieira - Capela N. Sra da Guia (1985)
Não á a capela de N. Sra da
Esperança, que procuro. Aquela é nova, sem beleza, fachada de azulejos de WC,
aberta para o velório duma senhora que morreu no Porto.
Cá em cima, numa curva da estrada, um modesto café
onde pouco há para comer ou beber. 98.09.14
Cascais
No centro, muitos restaurantes
e cafés
Costa Pinto nasceu em Cascais,
de cuja Câmara foi presidente desde 1909 e durante 20 (?) anos (1998 12 12)
Minas de S. Domingos
Igreja alterada. Bairro
operário, de casario térreo e uniforme. Coreto no meio das árvores em largo
bordejado por casas dispersas, que não eram dos operários. No café mudam o
programa para futebol, sem saber das pessoas que viam programa de animais.
1999.02.20
Enxara dos Cavaleiros - Entramos
num café para lancahar e um homem novo de cabelo cortado à escovinha conta a
sua história, enquanto lança furtivas miradas ao espelho: chegado ao barbeiro,
estando neste muita gente, oferece umas cerveja a quam lhe der a vez. Ninguém
aceita, até que alguém contrapropõe que o deixariam passar se cortasse o cabelo
à escovinha. Após pequena reflexão concordou, depois de pagar uma rodada a 4
dos 7 que lhe deram vez, todo ufano da sua esperteza, pois os outros ainda lá
estavam!
1999.07.17
Passamos por Porte Garcia – Meia
dúzia de casas e o Café Sol e Serra. 2000.04.19
Pelo Algarve, nos cafés, há um pratinho de amêndoas
para as pessoas se servirem graciosamente. 2000.04.23
Alandroal
Vila onde
não conseguimos almoçar: os poucos cafés e restaurantes fechados por ser
Domingo. Foto ao castelo, tirada de longe; o castelo tem uma torre de menagem branca, que mais parece
mirante árabe. A vila é pequena e o castelo dentro das muralhas resume-se a uma
rua. Casas pobres, embora arranjadas.
(2000 09 17)
Reguengos de Monsaraz
Não parece uma vila alentejana. No largo principal,
arborizado, ficam vários cafés, bancos, uma farmácia, uma pensão e uma enorme e
insólita igreja, para além de algum comércio. (2000 09 17)
Campo Maior
Casas caiadas de branco e bem cuidadas, a maioria
com varandas de ferro; retalhos de chita protegem as portas, em vez de estores.
Pelourinho com ferros e estátua da justiça. Muitas
estações da via sacra, mas sem o luxo de Borba. Os baixos relevos na maioria
das casas foram caiados de branco, não sobressaindo por um colorido diferente.
O castelo tem uma rua em redor e uma porta renascença numa das torres. Os habitantes são afáveis e têm uma voz
cantante. Terra do Nabeiro e dos Cafés Delta, não tem na parte antiga qualquer
largo grande defronte da igreja. Nas ruas ainda persistem alguns restos de
enfeites da Festa das Flores. 2000.09.17
Borba
Foto a barbearia Crispim. No largo principal há muitos cafés e muito movimento. A região é
das “terras brancas”, não pela existência de neve mas sim devido à cal e ao
uso abundante de mármore nas povoações. 2000.09.17
Reguengos
de Monsaraz
Não parece uma vila alentejana. No largo principal,
arborizado, ficam vários cafés, bancos, uma farmácia, uma pensão e uma enorme e
insólita igreja, para além de algum comércio.
Fotos a uma chaminé e a casas antigas. 2000 09 17
Saída de Setúbal: o dia está nublado e triste. Na
área de serviço pedem 1 000$ por uma chávena de café, gira, mas muito cara,
pelo que a não compramos. 2000 11 11
Vila Nova de Cacela
Vila grande, várias casas novas. Povoação
simpática. Foto a cartaz “É proibido urinar”
Passamos por Manta Rota, com nada
para assinalar. Cafés, restaurantes e geladarias só devem abrir no verão. (2000
11 13)
[1] - Quando terminava o ano
lectivo os estudantes ocupavam a rua defronte ao Liceu Salvador Correia,
obstruindo o trânsito e “baloiçando” os automóveis com os ocupantes lá dentro.
Numa das vezes descarregaram, espalhando pela via pública, as laranjas transportadas
numa camioneta. Num dos anos o filho do Governador Geral Sá Viana Rebelo também
foi preso, enquanto reclamava a sua filiação, com o polícia a retorquir “Pois,
pois, e eu sou o Presidente da República". A verdade é que dessa vez e passado pouco tempo tinha sido toda a malta
libertada!
[2] - O Liceu situava-se na Rua
Brito Godins, no cimo duma alameda ajardinada, rodeado dum amplo recinto O
edifício é constituído por dois claustros, azulejados e ajardinados. possuindo
dois corpos laterais, um deles com a torre sineira e outro com o salão de
festas, ginásio e balneários. Havia Liceu apenas e Luanda, Sá da Bandeira e
Nova Lisboa, que me lembre, e em Luanda havia praxes semelhantes às de Coimbra.
Embora não fosse generalizado o uso de fato preto e capa, aos caloiros fazia‑se
a coroa, podendo ser protegidos pelos veteranos (repetentes do 6º e 7º anos),
estando os alunos do 1º ano sujeitos a que os dos anos subsequentes lhe
batessem na careca. E no fim do ano
havia barracadas e estudantadas como a que se referiu neste
parágrafo.
[3] - Fábrica e marca de cerveja
da Companhia União Cervejeira de Angola.
[4] - Bacalhau assado com batatas,
cebola e regado com azeite , frango assado com batatas fritas e piri‑piri que
se visse, bife com batatas fritas com ovo a cavalo, cerveja (CUCA ou NOCAL) com
gambas e tremoços como aperitivo faziam parte da ementa habitual ou de fim de
semana.
[5] - No 1º de Maio passei o dia
inteiro sem comer; estava tudo fechado.
[6] . Numa visita ao Aquário Vasco
da Gama, em Maio de 1998, reparei numa cena insólita: à entrada existe um
pequeno lago, onde muitos peixes vermelhos se amontoavam, acotovelando-se, a boca aberta e fora de água, aguardando que os
visitantes lhes atirassem comida, vendida em pequenas esferas de plástico
transparente. E para ali estavam naqueles preparo, talvez horas seguidas!
Reflexos condicionados, embora talvez merecedores da expressão estúpidos que nem uma galinha! Nada como
a inteligência dos cães, que tenho
visto nas ruas dirigirem-se à passadeira dos peões para atravessá-la. Contudo
por vezes há cenas risíveis, como a daquele gato que majestosa e lentamente
atravessava pela passadeira, até ouvir o barulho dum carro e acelerar o passo,
como sucede com os humanos. (1998.Maio)
[7] . Numa visita ao Aquário Vasco
da Gama, em Maio de 1998, reparei numa cena insólita: à entrada existe um
pequeno lago, onde muitos peixes vermelhos se amontoavam, acotovelando-se, a boca aberta e fora de água, aguardando que os
visitantes lhes atirassem comida, vendida em pequenas esferas de plástico
transparente. E para ali estavam naqueles preparo, talvez horas seguidas!
Reflexos condicionados, embora talvez merecedores da expressão estúpidos que nem uma galinha! Nada como
a inteligência dos cães, que tenho
visto nas ruas dirigirem-se à passadeira dos peões para atravessá-la. Contudo
por vezes há cenas risíveis, como a daquele gato que majestosa e lentamente
atravessava pela passadeira, até ouvir o barulho dum carro e acelerar o passo,
como sucede com os humanos. (1998.Maio)
[8] - Presidente da República,
nomeado pelo Movimento das Forças Armadas.
[9] - Este cinema, entretanto
transformado em pardeeiro, foi demolido em 1998.
[10] - Largo, Praça ou Rua da
República, 5 de Outubro e Miguel Bombarda xe "implantação da República
(1910)"§encontram-se um pouco por todo o Portugal! Tal como o Marquês de
Pombal.
[11] - A igreja de Santa Maria é a
Sé, com aspecto imponente; a de S. Julião, destruida pelo terramoto de 1755,
tem um aspecto desgracioso, mas conserva
dois portais manuelinos.
[12] - Conta a lenda que o rio Baça
e o rio Alcoa resultam das lágrimas de dois jovens e pobres namorados que as
vicissitudes da vida separaram, mas que se voltaram a encontrar. E do
reencontro nasceu o rio ... Alcobaça, junção dos seus nomes..
[13] - Noutra visita nocturna
descobrimos finalmente o castelo, perto do qual estivemos doutra vez. Numa
curva da estrada, um caminho lamacento leva-nos a um amontoado de pedras
postas, dizem, para inglesa ver, quando Isabel II de Inglaterra visitou
Portugal. Dali se avista o Mosteiro e a povoação, iluminados lá em baixo. O
castelo teria origem goda, embora a ele estejam ligadas lendas mouriscas.
[14] - Trata‑se de convocatórias
policopiadas para uma sessão de esclarecimento e dinamização cultural da 5ª
Divisão do MFA, em 29 e 30 Novembro 1974, que utilizo para escrever no verso.
[15] - As viagens faziam‑se em
carruagens velhíssimas, como refiro a propósito doutra viagem (MCG -
1973.01.04). Carruagens sem aquecimento, com bancos corridos, cada um com
portas laterais nos extremos, como se vê nos filmes dos anos 40. Havia dessas
carruagens também na linha Barreiro - Setúbal. Quando a viagem para Évora era
nocturna, na Casa Branca havia apenas uma sala gélida à espera para recostar o
corpo e um bar fechado para aconchegar o estômago.
Gravura gerada pelo chatGPT de acordo com guião de minha autoria
desenho colorido do interior dum café, com o balcão, empregados transportando bandejas e clientes sentados em redor das mesas, homens e algumas mulheres. Nas mesas, os clientes conversam, comem e bebem, lêem, escrevem, olham em redor ...
