* Victor Nogueira
lavras
de silêncio o caminho
Aprender, Aprender Sempre ! (Lenine)
No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.
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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.
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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.
VN* Victor Nogueira
* Victor Nogueira
16 de abril de 2020
Gaeiras - A caminho das Caldas, situa-se esta povoação, cujo nome resultaria do facto de nela existirem caieiras ou caiadeiras. A terra é também conhecida pelo célebre vinho com o seu nome.
No largo de S. Marcos encontramos um coreto, casas modestas e duas casas senhoriais, uma delas a Quinta da Ermida e a outra a Quinta das Gaeiras, similar a um solar francês, pintada de amarelo ocre, tal como a pequena ermida de S. Marcos; a côr amarela é a marca dos seus proprietários, os Pinto Basto, e encontramo la noutras casas de habitação, mais modestas, num fontenário, numa degradada casa de dois pisos num largo arborizado e, mais adiante, nas instalações vinícolas.
Mais adiante a modesta Igreja de N. Sra. da Ajuda, onde encontramos a sra. D. Clarisse, professora primária aposentada e de ar senhorial embora filha de motorista dos senhores da terra, que nos conta histórias da terra e dos seus donos.
Perto, numa rua estreita, alguns edifícios de dois pisos são-nos referenciados como um antigo hospital, com doze camas, hoje transformado em casas de habitação.
Nos arredores, à entrada de quem vem de Óbidos, perto da casa rural da Quinta das Janelas, visitamos as ruinas do Convento de S. Miguel das Gaeiras, cujos frades inicialmente estavam em Peniche donde vieram por temor dos assaltos dos piratas, sem que por isso desistissem das oferendas forçadas dos pescadores e doutras mordomias, tudo para glória de Deus. Na fachada do edifício devassado, de cujo interior têm roubado painéis de azulejos, sobressaem uma imagem do Arcanjo S. Miguel e dois outros painéis de azulejos, um representando S. Roque e outro S. Barnabé, encimados por uma imagem de S. Miguel, colocada em nicho.
É impossível penetrar no edifício, com aberturas emparedadas, pelo que me limito a rodeá-lo; tem uma aprazível mata e nas traseiras um arco, uma fonte monumental e uma casa de fresco, tudo muito degradado, com incrustações e azulejos vandalizados.
Da toponímia registo as ruas da Bomba de Água, do Vale dos Ventos, das Escolas, da Ermida, do Lugar de Além e Principal, bem como a travessa da Rua Principal. (Notas de Viagem, 1998.01.14 e 1998.02.07)
ª Victor Nogueira
Entre 1974 e 1977 a que organizações pertenciam os presos
políticos?
Entre 1974 e 1977, o perfil dos chamados “presos
políticos” em Portugal mudou bastante em relação ao período do Estado Novo. Já
não se tratava, em geral, de opositores ao regime autoritário, mas sim de
militantes envolvidos em ações revolucionárias ou consideradas subversivas no
contexto turbulento do pós-Revolução dos Cravos e do PREC (Processo
Revolucionário em Curso).
Principais organizações associadas a esses presos:
1. Extrema-esquerda revolucionária
2. Extrema-direita e contra-revolucionários
3. Militares envolvidos em tentativas de golpe
Síntese
Entre 1974 e 1977, os “presos políticos” pertenciam
sobretudo a:
Ou seja, tratava-se de um período de forte polarização
ideológica, em que detenções tinham frequentemente origem em conflitos
políticos ativos, e não num regime repressivo estável como antes de 1974.
Se quiser, posso detalhar casos concretos de presos ou prisões mais mediáticas desse período.
É possível quantificar por organização política?
⚠️ Limitações dos dados
Há três problemas principais:
📊 Estimativas por
organização (ordem de grandeza)
Extrema-esquerda
Extrema-direita / contra-revolucionários
Militares (sem filiação partidária clara)
👉 centenas de
detenções temporárias
📈 Leitura global (muito
aproximada)
Se agregarmos:
👉 Total possível (com
sobreposição): ~600 a 1.200 pessoas detidas em contexto político
🧭 Conclusão técnica
Se quiser, posso ir mais fundo e montar uma tabela
cronológica (1974–77) com picos de detenções por mês/evento — isso dá uma
leitura muito mais precisa do fenómeno do que a divisão por organizações.
ok
Perfeito — vou estruturar isso de forma cronológica para dar
uma leitura “operacional” do fenómeno, que é como os historiadores normalmente
o tratam.
📅 Cronologia das
detenções políticas (1974–1977)
1974 — Pós-Revolução dos Cravos (Abril–Dezembro)
Abril–Junho 1974
👉 Natureza: “expurgos”
do antigo regime, não conflito ideológico novo
Verão–Outono 1974
👉 Natureza: confrontos de
rua, ocupações, ações simbólicas
1975 — Ano crítico (pico absoluto)
Janeiro–Fevereiro 1975
Março 1975 — após o 11 de Março de 1975
👉 Primeiro grande pico
de detenções
📊 Ordem de grandeza: centenas
de detenções
Primavera–Verão 1975 (PREC no auge)
👉 Detenções
frequentes, mas fragmentadas
📊 Muitas detenções, mas:
Verão–Outono 1975 — terrorismo político
👉 Intensificação de ações
da direita:
👉 Resultado:
Novembro 1975 — 25 de Novembro de 1975
👉 Segundo grande pico
de detenções (talvez o maior)
📊 Ordem de grandeza:
1976 — Normalização institucional
👉 Detenções passam a ser:
📊 Número global: dezenas
a poucas centenas no ano inteiro
1977 — Fim do ciclo revolucionário
👉 Associadas a:
📊 baixo volume
📊 Síntese dos picos
|
Período |
Tipo de detenções |
Intensidade |
|
Abril 1974 |
Antigo regime |
Alta (transitória) |
|
Março 1975 |
Golpe falhado |
🔺 Muito alta |
|
Verão 1975 |
Conflito político difuso |
Média |
|
Nov 1975 |
Crise militar |
🔺🔺 Máxima |
|
1976 |
Normalização |
Baixa |
|
1977 |
Residual |
Muito baixa |
🧭 Leitura analítica
Se quiser dar um passo mais técnico, posso cruzar isto com:
Isso já entra numa análise quase “forense” do PREC.
No perríofo em causa quantos membros da PIDE/DGS e da LP e
quantoss membros do Governos anteriores foram preso?
A quantificação aqui é mais sólida do que no caso das
organizações revolucionárias, mas mesmo assim continua a depender de fontes
dispersas (processos judiciais, comissões de saneamento, estudos académicos).
Ainda assim, há ordens de grandeza relativamente consensuais.
📊 1) Membros da PIDE/DGS
Após o 25 de Abril de 1974
👉 Estimativa global:
Evolução:
👉 Condenações efetivas:
📊 2) Membros da Legião
Portuguesa
👉 Detenções focaram-se
em:
👉 Estimativa:
📊 3) Membros de governos
do Estado Novo
Inclui ministros, secretários de Estado e figuras de topo
associadas a:
Situação típica:
👉 Estimativa:
Nota importante:
📊 Síntese global
|
Grupo |
Detidos (estimativa) |
Observações |
|
PIDE/DGS |
~1.000 – 1.500 |
Maior número, ação imediata pós-revolução |
|
Legião Portuguesa |
~100 – 300 |
Foco em dirigentes |
|
Governos anteriores |
~20 – 50 |
Detenções curtas na maioria |
🧭 Interpretação técnica
* Victor Nogueira
Pacheco Pereira cilindrado por André Ventura, num 'debate' viciado. Resumo do 'reality show': "Posso falar?" repetido vezes sem conta e cordatamente por Pacheco Pereira. com um moderador que deu completa roda-livre a Ventura enquanto a CNN passava em rodapé as atoardas deste. Um macro tema - o 25 de Abril, e dois micro temas: a descolonização e a corrupção depois do 25 de Abril.
Salazar segundo Ventura, enquanto Presdente do Conselho, nunca assimou uma ordem para matar ou prender quem quer que fosse, enquanto depois do 25 de Abril o 1º Ministro assinava mandatos em branco para prender pessoas, que eram violadas e torturadas.
André reconheceu que se a Espanha invadisse Portugal era seu dever patriótico combater contra os invasores. Mas são criminosos e mereciam a prisão todos os que em África atacaram o exército português. Os responsáveis pelo descalabro da descolonização, segundo Ventura, foram os comunistas, Mário Soares e Álvaro Cunhal. Responsáveis pela violência depois de Abril? As FP 25, os comunistas e o Bloco de Esquerda. Os 'criminosos' nas colónias foram os que mataram e violaram homens, mulheres e crianças. metendo no mesco saco a UPA/FNLA (apoiada pelos EUA) e o MPLA (apoiado pela URSS e pela social-democracia nórdica). Em 500 anos Portugal levou a África a civilização, estradas, escolas, hospitais, barragens, tudo miseravelmente abandonado na sequència da descolonização. Nem uma palavra sobre o tráfico negreiro e o regime de 'contrato'.
Por mais 'Posso falar?' e contextualizações que JPP pretendesse introduzir, tudo era cilindeado por Ventura com a complacência do 'moderador'.
Nem uma palavra sobre massacres como os de Batepá, Pidgiguiti, Wiriamu, Baixa do Cassange ...Ou em Luanda, a seguir ao 4 de Fevereiro de 1961 pelas milícias brancas da OPVDCA, após o assalto do MPLA às cadeias da cidade para libertar presos políticos.
Nem uma palavra sobre quem eram os presos 'políticos' depois do 25 de Abril: ex-PIDES e membros de organizações terroristas de extrema-direita, como o ELP, ;aria MDLP e a . 'Maria da Fonte', esta ligada à Diocese de Braga da Igreja Católica.
Nem uma palavra sobre os direitos e liberdades, negados ou severamente condicionados, durante o fascismo. Nem uma palvra sobre a situação social antes do 25 de Abril e a emigração. Nem uma palavra sobres os direitos políticos, laborais e sociais conquistados e acolhidos na Constituição de Abril, entre cujos constituintes se encontravam 'criminosos' que a ajeitaram de acordo com os seus interesses e os dos comunistas, segundo Ventura..