* Victor Nogueira
26 de maio de 2012
Eu bem sei que isto aqui nas redes sociais e na blogosfera é o mundo do fast write, fast read and discard. Eu bem sei porque mo dizem que escrevo muito, demasiadas linhas. E por isso talvez seja abuso meu partilhar o que talvez não interesse e não desperta grandes comentários nem partilhas de retorno nos comentários. Enfim, sejam ousados (m/f) ... usem o "não gosto", se for caso disso LOL
Uma boa vida
Ali duas velhotas discutem as vantagens de ser criada de servir: ganham bem, vestem os vestidos da senhora, não gastam nada. Uma vida de fidalgas. (MCG - 1974.12.10)
A miúda e a matrona
(...) Era um jardim geometricamente desconfortável, artificial, No coreto a banda tocava. Além, caridosamente, alguém partilhava com os "jardineantes" as goelas do transístor escancaradas. No banco, ao meu lado, uma matrona e uma gaiata conversam banalmente: "Puxa a mala um bocadinho mais para baixo. Isso! Assim! Para que te não vejam as pernas". E eu sorrio-me por entre a sisudez duma "Introdução à Vida Política". Pobres e ridículas gaiatas! Pobres e ridículas matronas! (1)
O miúdo e o carrocel
No mesmo jardim, era um miúdo esfarrapado, sujo, de rosto envelhecido. Dele aproxima-se do guarda, para cobrar o bilhete da entrada, mas o dinheiro não chega. No entanto, o velho, que já terá sido criança, deixa-lo entrar. O miúdo envelhecido corre, para, hesita! Os olhos sorriem no rosto sujo: balancé? carrocel? escorrega? ... ou avião? Não poder ele desdobrar-se! E assim, corre, sobe, escorrega - o mundo é dele. Agarra-lo, sobe, desliza, corre, sobe, desliza, sobe, desliza, corre, sobe, desliza, contorce-se ...
De repente alguém exclama: "MÃE, OLHA ESTE MATULÃO SUJO! VAI-TE EMBORA!" Então, as avózinhas contorcem os lábios num rictus de desprezo, os meninos apedrejam com a língua e crucificam com os lábios. Ele hesita. Baloiça, baloiça, baloiça! Roda, roda, roda, sobe, desliza, corre, sobe, tropeça, sobe, desliza, corre! contorce-se, baloiça, roda ... Olhos brilhantes cheios de felicidade! Um velho num corpo de criança, pequena para a roupa suja, esfarrapada!
As avózinhas contorcem os lábios num rictus de desprezo, os meninos, esses apedrejam com a língua e crucificam com os lábios. Velhas envelhecidas. Garotos moribundos. E uma criança num pequeno corpo de velho! (POE - 1969.02.24) (2)
1 - Do poema Cenas do Jardim, escrito em Évora em 1969.02.24
2 - Ver nota anterior.
Dia de S.Porco
Hoje, em Évoraburgomedieval é terça feira e, para além dos turistas habituais, a Praça do Giraldo e o Café Arcada encontram se cheios de forasteiros, solidamente especados, indiferentes a quem passa e no estorvo provocado. É dia de S. Porco, i.e., dia de mercado, em que os homens vêm à cidade para o negócio do gado, enfiados nos seus fatos escuros, de mau corte, botas enlameadas e chapéu na cabeça. Detesto a sua falta de maneiras, embora por vezes seja uma distracção observar as suas atitudes. O mais interessante neles é o modo como se escarrancham nas cadeiras, à mesa do café, solidamente instalados, o chapéu na cabeça atirado para trás.
Mas para além deles e quotidianamente há outras figuras curiosas no café, figuras de todos os dias nas mesmas posições. Todo um mundo parado, parecendo indiferente à passagem do tempo. (MAF - 1971.10.09)
Évora é uma terça-mercado numa praça.
numa praça em terça-mercado um café.
de um café em praça numa terça-mercado.
de agrários cinzentos..
como cepos sem vida. (POE - (1)
Amanhã é 3ª feira, o meu dia negro, pois a cidade - e o café - enchem-se de alentejanos corpulentos, solidamente parados no meio do caminho, de chapéu na cabeça e fatos escuros, como se nada mais existisse no mundo senão as suas irritantes pessoas ! (NID - 1973 ?)
1 - Do poema Natureza Morta, escrito em Évora
Um homem na Lua
Ontem um bêbado abordou-me quando via os livros na montra da Livraria dos Salesianos. Queria saber qual era a melhor história que ali estava. Ou a maior ? A de todo o mundo! De todos os tempos. Que todos aqueles livros eram mentiras. Para as pessoas comprarem pensando serem verdades. Era a máquina! Se eu acreditava que o homem tinha ido à Lua, se eu vira com os meus olhos. Que os jornais e os livros só diziam mentiras. Que nenhum homem pudera ter ido à Lua porque ele não vira. E que eu tinha sido enganado pelos jornais. Era mentira, talvez tivessem ido, mas tinham morrido todos. Que isso dos submarinos andarem debaixo de água era diferente: era a Terra.
Quanto pagaria eu para ele me contar uma história daquelas, vinda do fundo do coração? (E vai daí, faz um gesto como que proveniente das profundezas do mesmo mas, ou pela bebedeira, ou lá porque fosse, o gesto iniciou-se baixo demais e não pude deixar de comentar com a minha habitual ironia: "O seu coração está baixo demais!". )
Quis saber o que eu fazia - se era escritor e já escrevera o meu livro - e não acreditava que eu vivesse do ar e do vento. Enfim, que se tivesse 25 anos como eu estava mas é em Lisboa, que isso sim! E lá se ia agitando desequilibradamente o velho (de 57 anos), num asilo, convidando-me (ou convidando-se) para um copo ali na taberna, beata ao canto da boca com um grande morrão e deitando perdigotos como nuvem rota em dia de inverno. Mas nem queiram saber a insistência com que ele duvidava da ida dos homens à Lua. (MCG - 1972.10.23)
Uma sessão cultural em Évora
Aqui, espalhados pela mesa, vários recortes de jornais, a maioria deles da Isabel da Nóbrega, que já conheço desde há seis anos pelos artigos que tem publicado no "Diário de Lisboa" e na "Vida Mundial". Actualmente já nem sempre aprecio tanto os seus artigos como outrora: porque ela teria mudado a sua maneira de escrever? Ou eu a minha maneira de ser?
Vi a apenas uma vez (em Évora) há dois anos, num colóquio sobre poesia ( o Ary dos Santos - conhecido pelas letras da "Desfolhada" e de "Menina" - declamou - e bem - poemas seus ) A esse colóquio o Ary chegou muito atrasado e já "entornado" e com uma garrafa de brandy com que ia molhando as goelas ao longo da sessão.
Quem costuma andar lá pelas reuniões em Évora, como eu, conhece um certo número de autodidactas, o mais enfadonho dos quais é um tipo de bigode e óculos. Pois esses autodidactas - numa atitude compreensível mas inaceitável - aproveitam estas "manifestações " culturais para botar faladura a propósito e - sobretudo - a despropósito.
De modo que para o fim aquilo começou a aquecer - o Ary dos Santos, bêbado, a falar contra a situação, em português vernáculo (e o Presidente da Direcção da Sociedade Operária de Cultura e Recreio Joaquim António de Aguiar muito aflito, por causa da PIDE e dos castos ouvidos das senhoras presentes) os autodidactas discutindo com a assembleia e a mesa, o Victor Ângelo e outros alimentando a discussão (dessa vez não abri o bico, pois por mim falava o ... Ângelo). O José Saramago e a Isabel da Nóbrega procuravam, em vão, acalmar os ânimos. Apaixonei-me pelo rosto da Isabel. Se a vissem, aqueles olhos grandes, as suas mãos, a atenção e o cuidado para não ferir os autodidactas - vaiados pela assistência! Estou a vê la sentada, aflita à procura da palavra e do gesto, falando às pessoas, voltada para elas, aflita por não poder falar com os dois campos simultaneamente, um grande respeito pelas pessoas! Entrevi a depois à saída e fiquei algo desiludido: o seu corpo não me pareceu corresponder à nobreza do seu espírito. Pouco sei dela: que tem escrito alguns romances, que terá dois filhos da minha idade.(MCG - 1972.09.02)
A Bela e o Monstro
Falta falar do enxovalho (que não foi meu). Bem, eu conto. Hoje antes do almoço tive de telefonar (...) por causa de informações sobre o pretendido emprego na CP. Pois as pessoas que pretendiam telefonar eram mais que muitas na tabacaria do cimo da Rua [do Raimundo]. As cabines estavam todas ocupadas e alguns dos "aguardantes" impacientes e apressados. Eis senão quando ... Bem, mas ainda um esclarecimento. Um dos ocupantes duma das cabines era uma tal Bia, prostituta cá da praça. É gorda como um batoque e, para a minha vista, simplesmente asquerosa. (1)
Ora a Bia, quando eu entrei, esperava vez e, entretanto, chegado o momento, ocupara uma das cabines. Cinco pessoas a falarem, outras tantas cabines ocupadas. Eis senão quando a dona do posto abre a cabine nº 1, com a maior sem cerimónia, e diz lhe: "Vamos a sair depressa que há mais gente à espera." Ó céus, o que foste fazer! A mulherzinha, com toda a razão, diga se de passagem, disparatou - Que ela também tinha esperado e que os outros fizessem o mesmo. Muito cordatamente, como devem imaginar, a dona retorquiu-lhe "Vamos lá a fazer pouco barulho e a despachar", o que provocou nova onda de regateirice da outra (de resto estavam uma para a outra, só que a dona não tinha razão!).
Enfim .. a Bia julgava-se na praça, a vender peixe e vai daí a dona diz-lhe que ela até fazia bem se não pusesse ali os pés para telefonar. O que tu foste dizer!
Completamente entornado o caldo, a Bia respondeu que aquilo é um posto público, que podia telefonar o tempo que quisesse e que agora é que continuava; que chamassem a polícia se quisesse! A dona não teve outro remédio senão ir tomar ares para a porta, enquanto as empregadas conciliabulavam entre si e os clientes brilhavam pelo silêncio. Quando me vim embora, o "namoro" ao telefone continuava. A afirmação dos seus direitos não lhe deve ter ficado cara e talvez para a próxima a "burguesa" de cabelos brancos e pretensões (a não sei bem quê) pense duas vezes antes de estalar-lhe o verniz. (MCG - 1973.01.10)
1 - Em Évora, nesta altura, a prostituição estava acantonada na Rua do Terrique, que entroncava na Rua da Alagoa ou Cândido dos Reis. Quando se passava nesta, viam-se os homens naquela, com ar mais ou menos comprometido, em fila, à espera de vez para fazerem o serviço, defronte a várias portas dos prostíbulos.
A fúria do Zé do Casarão
Hoje à tarde o dono do Zé do Casarão estava furioso, telefonando quando por lá passei a comprar o "Comércio do Funchal" (agora gastando páginas numa inútil polémica com a "República"; uma guerra de alecrim e manjerona!).
E o senhor desabafou comigo. Estava furioso com o chefe da PIDE. Que mandou lá buscar o último fascículo da "Enciclopédia do Vilhena", que foi devolvido meia hora depois, por um contínuo, que disse: "O senhor chefe diz que pode vender!" Ah! Ah! Ah! Porque, dizia o Zé, isto é um abuso. Se queria ler, pedia-mo emprestado. Porque ele não tem competência para decidir ou não da apreensão de revistas e livros, sem autorização do Ministro do Interior." Ah! Ah! Ah! E acrescento-lhe eu: "E de qualquer modo não podia levá lo sem levantar um auto de apreensão" E lá deixei o Zé, furioso, telefonando não sei para quem." (1) (MCG - 1973.11.27)
1 - No final de 1998 voltei a Évora e onde era a tabacaria do Zé do Casarão havia outra que nada tem a ver com a desta história, atafulhada de papeis e jornais amontoados e impregnada do cheiro a mijo de gato e uma cabine telefónica não tão concorrida como as que havia ao cimo da Rua do Raimundo. Na tabacaria do Zé do Casarão parava uma prostituta de grandes óculos e alguma timidez que, sem provocação, me saudava sempre que nos cruzávamos e a que faço referência no meu poema Obrigado.
Ai que mataram a Maria!
Dois colegas meus foram a Arraiolos apreciar um órgão setecentista pelo qual um deles se apaixonou. Na Igreja entraram e ao coro subiram, para apreciá-lo, autorizados pelo pároco. E ao descerem. o insólito! Não foram presos por uma unha negra.
Contava uma velhota, que tinha estado à janela com o marido: "Ó "qualquer coisa", entraram dois homens para a Igreja, que não conheço!" Tiraram-se de cuidados e assomaram à porta do templo, chamando pela Maria (a mulher da limpeza) Mas da Maria nem voz nem presença.
"Ai que mataram a Maria!" "Ó homem, o melhor é chamar o Cabo da Guarda." (A Igreja fora assaltada na semana anterior). Mas, ou a Maria ou o prior apareceram entretanto. O que livrou um dos "estrangeiros" do risco e do perigo de justificar (!) o tubo do órgão (uns 40 ou 50 cm) que, ao descer, trazia debaixo do casaco ... como recordação (sim, que um tubo dum órgão setecentista não são ... dois anéis num supermercado). Mesmo sendo diferentes a "lata" e o descaramento. (MCG - 1973.11.27)
O raio da tinta pega se à pele
Olho para os dedos que estão cheios de tinta. Pareço um menino da instrução primária. Como o sistema de enchimento da caneta está estragado - e só em acessórios esta caneta já me gastou mais que uma nova - tenho de fazer uma grande ginástica para enchê-la. É sempre esta fita. E o raio da tinta pega se à pele! (MCG - 1973.01.31) (1)
1 - Anteriormente: "Esta caneta parece me que torna mais ilegível a minha gatafunhada. Mas na sequência de pequenos acidentes em que Janeiro tem sido pródigo, a minha velha "Pelikan" passou à reserva por se ter avariado o sistema de enchimento. Recorri á outra, que tem um aparo demasiado fino" (MCG - 1973.01.16)
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Carlos Rodrigues
Das guerras do alecrim e manjerona à saudade " do tempo que fomos juntos ", Diário vivo e bem conservado, Victor, donde o último parágrafo é mesmo o melhor do Texto. O resto agradavelmente irónico. Abraço, Victor.
14 a
António Couvinha
O chefe da PIDE nesta altura era o chefe Melo.
14 a
António Couvinha
Estive ontem com a Margarida Morgado num encontro Literário em Montemor o Novo. Pode vê-la numa foto abaixo.
14 a
Victor Barroso Nogueira
Cadê a foto, António Couvinha ?:-)
14 a
Victor Freebird
Há "milhares" de anos que nao tinha notícias da Margarida M...Que bom ve-la activa e cheia de ideias! V
14 a
Maria Mamede
Olá Amigo...o que dizes, tem razão de ser...somente às vezes o tempo é curto ; pode parecer desculpa esfarrapada, mas não é! Bjs. M.M.
14 a
Victor Barroso Nogueira
Maria Mamede - Não tens de pedir desculpa. Bjos meus :-)*
14 a
Manuela Vieira da Silva
Com ironia se contam memórias e gentes, tempos que não se repetem, ou se acontecem, já não é bem o mesmo, embora as características de um povo não tenham grandes mudanças visíveis... só na aparência, há coisas que só quem as viveu as consegue escrever. Momentos que não fazem história mas fazem as gentes. Gostei de ler.🙂
14 a
Joao Garcia
Por acaso fui de visita ao dito órgão em Arraiolos julgo que com o Carlos Nunes da Ponte que agora tem outro nome e com quem ia às vezes eu ouvir ele tocar num órgão algures pros lados do tribunal(?)
13 a
Victor Barroso Nogueira
Joao Garcia Eu tb não sabia que o Carlos tinha outro apelido para além daqueles que conhecíamos. Sim, qualquer igreja que tivesse um órgão era aproveitada para os seus ensaios. Em casa da Margarida tocava piano
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Joao Garcia
Pode ter adoptado o apelido da mulher se foi caso disso !
13 a
Victor Barroso Nogueira
Joao Garcia Ele não se casou. Estivemos um dia destes em casa dele- eu, o Aristides e o Viegas.
13 a
Graca Maria Rito
Gostei , muito .... Obrigada amigo ....
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Maria Lúcia Borrões
Palavras para quê? É um artista português... ;-))
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Alice Coelho
Longo ou curto, não é isso que interessa, o verdadeiramente importante é o conteúdo e a maneira sucinta com que se escreve... e eu gosto do que escreves, Victor!!! obrigado e um beijinho
14 a
Yolanda Botelho
Gosto do que escreves.....por vezes não leio logo tudo,vou lendo,só que com muito gosto.Tens histórias deliciosas,obrigada meu esquerdista preferido.
14 a
José Inácio Leão Varela
Tb tive uma altura que me dava para escrever Notas e tb, para além de poucos/as as lerem (eram grandes rsrsr) me disseram que eram mais próprias para um blogue...não continuei apenas porque vi pouco interesse nelas. Mas qq dia volto a tentar...e tu amigo não desanimes e continua pois textos destes vale sempre a pena escreve-los e ler...abraço Victor Nogueira.
14 a
Victor Freebird
Que memória! E que retrato de uma época! Muito bem! VA
14 a
Victor Barroso Nogueira
Maria Emília Não há qe pedir desculpa. Afinal somos amigos "virtuais" desde há uma eternidade, desde o hi5 :-)*
14 a
Victor Barroso Nogueira
Victor Freebird Sou ainda duma geração que, embora dominando a informática quase desde o inicio, ainda é do tempo do papel de carta e das canetas de tinta permanente e dos selos colados num envelope e do marco do correio e do alvoroço de receber e de enviar notícias em suporte não virtual.
Estas memórias são "recortes" de muitas dessas cartas, centenas delas recuperadas, ou rascunhos ou inacabadas, que escrevi, especialmente as destinadas à família em Luanda, Porto ou Lisboa, ou à mãe dos meus filhos ou a algumas das minhas amigas. As que foram escritas aos amigos, essas perderam-se para mim, definitivamente, num qualquer cesto dos papéis deles LOL
São um registo do quotidiano e não só. 🙂
"(…) Antigamente as pessoas escreviam muito e as cartas eram meio de transmitir notícias e muitas delas, com maior ou menor valor literário, tornaram-se testemunho dos factos, acontecimentos, ideias e sentimentos.
Mas hoje, hoje as pessoas telefonam ou encontram-se, devido à facilidade e rapidez dos transportes e das comunicações, e o tempo é pouco, paradoxalmente, devido à sobrecarga do que se gasta em transportes, sentado frente à TV ou em tarefas domésticas [ou a teclar horas seguidas, infindas, nas salas de conversação].
O mesmo sucede com o convívio e a conversação: por vários motivos os cafés e as tertúlias desaparecem, só se conhece o vizinho da frente ou do lado, quando se conhece, e as pessoas metem-se na sua concha, casulo, carapaça ou buraco. Muita gente junta, ao alcance da mão ou da voz, não significa que estejamos mais acompanhados e humanizados. (…)"
(Victor Nogueira à «Maria do Mar», 18.08.1993).
14 a
Margarida Piloto Garcia
Olha Victor, eu gosto imenso de te ler.É extenso o que escreves e tem muito para assimilar, mas o ritmo é rápido e atractivo. Tal como diz o poeta, " primeiro estranha-se e depois entranha-se ".Sabe bem ler todas estas vivências de extrema riqueza.Eu agradeço imenso a partilha do teu espólio de vida.
14 a
Elena Viqueira
Me alegra haber descubierto una gran experiencia, gracias por poder leer sus escritos
14 a
Ver tradução
Maria Lúcia Borrões
Qual é o problema de ser extenso? (Qualificativo que é bastante subjectivo, diga-se em abono da verdade). Ler-te é um prazer, por isso quanto mais extenso, melhor!
14 a
Graça Maria Teixeira Pinto
Obrigada pela partilha.Gosto destas memórias !
14 a
Victor Barroso Nogueira
Varela José Inácio Qd quiseres criar um blog fala comigo. Já vou no 11º, 10 dos quais um pouco abandonados devido ao último que criei este mês LOL
http://kantodointegral.blogspot.pt/
Kant_O_dos_Integrais
KANTODOINTEGRAL.BLOGSPOT.COM
Kant_O_dos_Integrais
Kant_O_dos_Integrais
14 a
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Victor Barroso Nogueira
LÚcia - se naquele tempo já houvesse o facebook e similares nunca teriam sido publicados de Camões Os Lusíadas ou Guerra e Paz de Tolstoi ou A Comédia Humana, de Balzac, ou o Memorial do Convento ou Levantados do Chão, de Saramago, ou os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski, ou do mesmo, Crime e Castigo ou de James Joyce - Ulisses, ou ... ou ... Têm muitas linhas e não se entendem num golpe de vista. NOTA BEM - não me estou a comparar a estes escritores LOL Bjos meus, Maria Lúcia Borrões que não complementa as minhas memórias Bi-LOL
Cadê "O Dia Seguinte" ? Tri - LOL
14 a
Maria Lúcia Borrões
1ª parte- Não estás a comparar-te mas podias... 2ª parte-Sorry, sorry, sorry... 😢. 3ª parte-Bjinhos
14 a
Victor Barroso Nogueira
Lúcia - eu sou um simples cronista do quotidiano, de sketches, talvez com linguagem cinematográfica. Muito melhor a efabular e a escrever novelas é o meu filho Rui Pedro LOL
14 a
Maria Lúcia Borrões
Concordo que os teus escritos são altamente cinematográficos. Eu gosto! Adoro estar a ler um livro e estar a vê-lo adaptado ao cinema. Muitos dos meus escritores preferidos têm essa característica.
14 a













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