Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN

terça-feira, 26 de maio de 2026

em évoraburgomedieval - Retratos (2012)

* Victor Nogueira

26 de maio de 2012

Eu bem sei que isto aqui nas redes sociais e na blogosfera é o mundo do fast write, fast read and discard. Eu bem sei porque mo dizem que escrevo muito, demasiadas linhas. E por isso talvez seja abuso meu partilhar o que talvez não interesse e não desperta grandes comentários nem partilhas de retorno nos comentários. Enfim, sejam ousados (m/f) ... usem o "não gosto", se for caso disso LOL

Uma boa vida

Ali duas velhotas discutem as vantagens de ser criada de servir: ganham bem, vestem os vestidos da senhora, não gastam nada. Uma vida de fidalgas. (MCG - 1974.12.10)

A miúda e a matrona 

(...) Era um jardim geometricamente desconfortável, artificial, No coreto a banda tocava. Além, caridosamente, alguém partilhava com os "jardineantes" as goelas do transístor escancaradas. No banco, ao meu lado, uma matrona e uma gaiata conversam banalmente: "Puxa a mala um bocadinho mais para baixo. Isso! Assim! Para que te não vejam as pernas". E eu sorrio-me por entre a sisudez duma "Introdução à Vida Política". Pobres e ridículas gaiatas! Pobres e ridículas matronas! (1)

O miúdo e o carrocel

No mesmo jardim, era um miúdo esfarrapado, sujo, de rosto envelhecido. Dele aproxima-se do guarda, para cobrar o bilhete da entrada, mas o dinheiro não chega. No entanto, o velho, que já terá sido criança, deixa-lo entrar. O miúdo envelhecido corre, para, hesita! Os olhos sorriem no rosto sujo: balancé? carrocel? escorrega? ... ou avião? Não poder ele desdobrar-se! E assim, corre, sobe, escorrega - o mundo é dele. Agarra-lo, sobe, desliza, corre, sobe, desliza, sobe, desliza, corre, sobe, desliza, contorce-se ...

De repente alguém exclama: "MÃE, OLHA ESTE MATULÃO SUJO! VAI-TE EMBORA!" Então, as avózinhas contorcem os lábios num rictus de desprezo, os meninos apedrejam com a língua e crucificam com os lábios. Ele hesita. Baloiça, baloiça, baloiça! Roda, roda, roda, sobe, desliza, corre, sobe, tropeça, sobe, desliza, corre! contorce-se, baloiça, roda ... Olhos brilhantes cheios de felicidade! Um velho num corpo de criança, pequena para a roupa suja, esfarrapada!

As avózinhas contorcem os lábios num rictus de desprezo, os meninos, esses apedrejam com a língua e crucificam com os lábios. Velhas envelhecidas. Garotos moribundos. E uma criança num pequeno corpo de velho! (POE - 1969.02.24) (2)

1 - Do poema Cenas do Jardim, escrito em Évora em 1969.02.24

2 - Ver nota anterior.

 Dia de S.Porco

Hoje, em Évoraburgomedieval é terça feira e, para além dos turistas habituais, a Praça do Giraldo e o Café Arcada encontram se cheios de forasteiros, solidamente especados, indiferentes a quem passa e no estorvo provocado. É dia de S. Porco, i.e., dia de mercado, em que os homens vêm à cidade para o negócio do gado, enfiados nos seus fatos escuros, de mau corte, botas enlameadas e chapéu na cabeça. Detesto a sua falta de maneiras, embora por vezes seja uma distracção observar as suas atitudes. O mais interessante neles é o modo como se escarrancham nas cadeiras, à mesa do café, solidamente instalados, o chapéu na cabeça atirado para trás.

Mas para além deles e quotidianamente há outras figuras curiosas no café, figuras de todos os dias nas mesmas posições. Todo um mundo parado, parecendo indiferente à passagem do tempo.  (MAF - 1971.10.09)

Évora é uma terça-mercado numa praça.

numa praça em terça-mercado um café.

de um café em praça numa terça-mercado.

de agrários cinzentos..

como cepos sem vida. (POE - (1)

Amanhã é 3ª feira, o meu dia negro, pois a cidade - e o café - enchem-se de alentejanos corpulentos, solidamente parados no meio do caminho, de chapéu na cabeça e fatos escuros, como se nada mais existisse no mundo senão as suas irritantes pessoas ! (NID - 1973 ?)

1 - Do poema Natureza Morta, escrito em Évora

Um homem na Lua

 Ontem um bêbado abordou-me quando via os livros na montra da Livraria dos Salesianos. Queria saber qual era a melhor história que ali estava. Ou a maior ? A de todo o mundo! De todos os tempos. Que todos aqueles livros eram mentiras. Para as pessoas comprarem pensando serem verdades. Era a máquina! Se eu acreditava que o homem tinha ido à Lua, se eu vira com os meus olhos. Que os jornais e os livros só diziam mentiras. Que nenhum homem pudera ter ido à Lua porque ele não vira. E que eu tinha sido enganado pelos jornais. Era mentira, talvez tivessem ido, mas tinham morrido todos. Que isso dos submarinos andarem debaixo de água era diferente: era a Terra.

Quanto pagaria eu para ele me contar uma história daquelas, vinda do fundo do coração? (E vai daí, faz um gesto como que proveniente das profundezas do mesmo mas, ou pela bebedeira, ou lá porque fosse, o gesto iniciou-se baixo demais e não pude deixar de comentar com a minha habitual ironia: "O seu coração está baixo demais!". )

 Quis saber o que eu fazia - se era escritor e já escrevera o meu livro - e não acreditava que eu vivesse do ar e do vento. Enfim, que se tivesse 25 anos como eu estava mas é em Lisboa, que isso sim! E lá se ia agitando desequilibradamente o velho (de 57 anos), num asilo, convidando-me (ou convidando-se) para um copo ali na taberna, beata ao canto da boca com um grande morrão e deitando perdigotos como nuvem rota em dia de inverno. Mas nem queiram saber a insistência com que ele duvidava da ida dos homens à Lua. (MCG - 1972.10.23)

Uma sessão cultural em Évora

Aqui, espalhados pela mesa, vários recortes de jornais, a maioria deles da Isabel da Nóbrega, que já conheço desde há seis anos pelos artigos que tem publicado no "Diário de Lisboa" e na "Vida Mundial". Actualmente já nem sempre aprecio tanto os seus artigos como outrora: porque ela teria mudado a sua maneira de escrever? Ou eu a minha maneira de ser?

Vi a apenas uma vez (em Évora) há dois anos, num colóquio sobre poesia ( o Ary dos Santos - conhecido pelas letras da "Desfolhada" e de "Menina" - declamou - e bem - poemas seus ) A esse colóquio o Ary chegou muito atrasado e já "entornado" e com uma garrafa de brandy com que ia molhando as goelas ao longo da sessão.

Quem costuma andar lá pelas reuniões em Évora, como eu, conhece um certo número de autodidactas, o mais enfadonho dos quais é um tipo de bigode e óculos. Pois esses autodidactas - numa atitude compreensível mas inaceitável - aproveitam estas "manifestações " culturais para botar faladura a propósito e - sobretudo - a despropósito.

De modo que para o fim aquilo começou a aquecer - o Ary dos Santos, bêbado, a falar contra a situação, em português vernáculo (e o Presidente da Direcção da Sociedade Operária de Cultura e Recreio Joaquim António de Aguiar muito aflito, por causa da PIDE e dos castos ouvidos das senhoras presentes) os autodidactas discutindo com a assembleia e a mesa, o Victor Ângelo e outros alimentando a discussão (dessa vez não abri o bico, pois por mim falava o ... Ângelo). O José Saramago e a Isabel da Nóbrega procuravam, em vão, acalmar os ânimos. Apaixonei-me pelo rosto da Isabel. Se a vissem, aqueles olhos grandes, as suas mãos, a atenção e o cuidado para não ferir os autodidactas - vaiados pela assistência! Estou a vê la sentada, aflita à procura da palavra e do gesto, falando às pessoas, voltada para elas, aflita por não poder falar com os dois campos simultaneamente, um grande respeito pelas pessoas! Entrevi a depois à saída e fiquei algo desiludido: o seu corpo não me pareceu corresponder à nobreza do seu espírito. Pouco sei dela: que tem escrito alguns romances, que terá dois filhos da minha idade.(MCG - 1972.09.02)

A Bela e o Monstro

Falta falar do enxovalho (que não foi meu). Bem, eu conto. Hoje antes do almoço tive de telefonar (...) por causa de informações sobre o pretendido emprego na CP. Pois as pessoas que pretendiam telefonar eram mais que muitas na tabacaria do cimo da Rua [do Raimundo]. As cabines estavam todas ocupadas e alguns dos "aguardantes" impacientes e apressados. Eis senão quando ... Bem, mas ainda um esclarecimento. Um dos ocupantes duma das cabines era uma tal Bia, prostituta cá da praça. É gorda como um batoque e, para a minha vista, simplesmente asquerosa. (1)

Ora a Bia, quando eu entrei, esperava vez e, entretanto, chegado o momento, ocupara uma das cabines. Cinco pessoas a falarem, outras tantas cabines ocupadas. Eis senão quando a dona do posto abre a cabine nº 1, com a maior sem cerimónia, e diz lhe: "Vamos a sair depressa que há mais gente à espera." Ó céus, o que foste fazer! A mulherzinha, com toda a razão, diga se de passagem, disparatou - Que ela também tinha esperado e que os outros fizessem o mesmo. Muito cordatamente, como devem imaginar, a dona retorquiu-lhe "Vamos lá a fazer pouco barulho e a despachar", o que provocou nova onda de regateirice da outra (de resto estavam uma para a outra, só que a dona não tinha razão!).

Enfim .. a Bia julgava-se na praça, a vender peixe e vai daí a dona diz-lhe que ela até fazia bem se não pusesse ali os pés para telefonar. O que tu foste dizer!

Completamente entornado o caldo, a Bia respondeu que aquilo é um posto público, que podia telefonar o tempo que quisesse e que agora é que continuava; que chamassem a polícia se quisesse! A dona não teve outro remédio senão ir tomar ares para a porta, enquanto as empregadas conciliabulavam entre si e os clientes brilhavam pelo silêncio. Quando me vim embora, o "namoro" ao telefone continuava. A afirmação dos seus direitos não lhe deve ter ficado cara e talvez para a próxima a "burguesa" de cabelos brancos e pretensões (a não sei bem quê) pense duas vezes antes de estalar-lhe o verniz. (MCG - 1973.01.10)

1 - Em Évora, nesta altura, a prostituição estava acantonada na Rua do Terrique, que entroncava na Rua da Alagoa ou Cândido dos Reis. Quando se passava nesta, viam-se os homens naquela, com ar mais ou menos comprometido, em fila, à espera de vez para fazerem o serviço, defronte a várias portas dos prostíbulos.   


A fúria do Zé do Casarão 

Hoje à tarde o dono do Zé do Casarão estava furioso, telefonando quando por lá passei a comprar o "Comércio do Funchal"  (agora gastando páginas numa inútil polémica com a "República"; uma guerra de alecrim e manjerona!).

E o senhor desabafou comigo. Estava furioso com o chefe da PIDE.  Que mandou lá buscar o último fascículo da "Enciclopédia do Vilhena", que foi devolvido meia hora depois, por um contínuo, que disse: "O senhor chefe diz que pode vender!" Ah! Ah! Ah! Porque, dizia o Zé, isto é um abuso. Se queria ler, pedia-mo emprestado. Porque ele não tem competência para decidir ou não da apreensão de revistas e livros, sem autorização do Ministro do Interior." Ah! Ah! Ah! E acrescento-lhe eu: "E de qualquer modo não podia levá lo sem levantar um auto de apreensão" E lá deixei o Zé, furioso, telefonando não sei para quem." (1) (MCG - 1973.11.27)

1 - No final de 1998 voltei a Évora e onde era a tabacaria do Zé do Casarão havia outra que nada tem a ver com a desta história, atafulhada de papeis e jornais amontoados e impregnada do cheiro a mijo de gato e uma cabine telefónica não tão concorrida como as  que havia ao cimo da Rua do Raimundo. Na tabacaria do Zé do Casarão parava uma prostituta de grandes óculos e alguma timidez que, sem provocação, me saudava sempre que nos cruzávamos e a que faço referência no meu poema Obrigado.  

Ai que mataram a Maria!

Dois colegas meus  foram a Arraiolos apreciar um órgão setecentista pelo qual um deles se apaixonou. Na Igreja entraram e ao coro subiram, para apreciá-lo, autorizados pelo pároco. E ao descerem. o insólito! Não foram presos por uma unha negra.

Contava uma velhota, que tinha estado à janela com o marido: "Ó "qualquer coisa", entraram dois homens para a Igreja, que não conheço!" Tiraram-se de cuidados e assomaram à porta do templo, chamando pela Maria (a mulher da limpeza) Mas da Maria nem voz nem presença.

"Ai que mataram a Maria!" "Ó homem, o melhor é chamar o Cabo da Guarda." (A Igreja fora assaltada na semana anterior). Mas, ou a Maria ou o prior apareceram entretanto. O que livrou um dos "estrangeiros"  do risco e do perigo de justificar (!) o tubo do órgão (uns 40 ou 50 cm) que, ao descer, trazia debaixo do casaco ... como recordação (sim, que um tubo dum órgão setecentista não são ... dois anéis num supermercado). Mesmo sendo diferentes a "lata" e o descaramento. (MCG - 1973.11.27) 

 O raio da tinta pega se à pele

 Olho para os dedos que estão cheios de tinta. Pareço um menino da instrução primária. Como o sistema de enchimento da caneta está estragado - e só em acessórios esta caneta já me gastou mais que uma nova - tenho de fazer uma grande ginástica para enchê-la. É sempre esta fita. E o raio da tinta pega se à pele! (MCG - 1973.01.31) (1)

1 - Anteriormente: "Esta caneta parece me que torna mais ilegível a minha gatafunhada. Mas na sequência de pequenos acidentes em que Janeiro tem sido pródigo, a minha velha "Pelikan" passou à reserva por se ter avariado o sistema de enchimento. Recorri á outra, que tem um aparo demasiado fino" (MCG - 1973.01.16)

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Carlos Rodrigues

Das guerras do alecrim e manjerona à saudade " do tempo que fomos juntos ", Diário vivo e bem conservado, Victor, donde o último parágrafo é mesmo o melhor do Texto. O resto agradavelmente irónico. Abraço, Victor.

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António Couvinha

O chefe da PIDE nesta altura era o chefe Melo.

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António Couvinha

Estive ontem com a Margarida Morgado num encontro Literário em Montemor o Novo. Pode vê-la numa foto abaixo.

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Victor Barroso Nogueira

Cadê a foto, António Couvinha ?:-)

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Victor Freebird

Há "milhares" de anos que nao tinha notícias da Margarida M...Que bom ve-la activa e cheia de ideias! V

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Maria Mamede

Olá Amigo...o que dizes, tem razão de ser...somente às vezes o tempo é curto ; pode parecer desculpa esfarrapada, mas não é! Bjs. M.M.

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Victor Barroso Nogueira

Maria Mamede - Não tens de pedir desculpa. Bjos meus :-)*

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Manuela Vieira da Silva

Com ironia se contam memórias e gentes, tempos que não se repetem, ou se acontecem, já não é bem o mesmo, embora as características de um povo não tenham grandes mudanças visíveis... só na aparência, há coisas que só quem as viveu as consegue escrever. Momentos que não fazem história mas fazem as gentes. Gostei de ler.🙂

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Joao Garcia

Por acaso fui de visita ao dito órgão em Arraiolos julgo que com o Carlos Nunes da Ponte que agora tem outro nome e com quem ia às vezes eu ouvir ele tocar num órgão algures pros lados do tribunal(?)

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Victor Barroso Nogueira

Joao Garcia Eu tb não sabia que o Carlos tinha outro apelido para além daqueles que conhecíamos. Sim, qualquer igreja que tivesse um órgão era aproveitada para os seus ensaios. Em casa da Margarida tocava piano

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Joao Garcia

Pode ter adoptado o apelido da mulher se foi caso disso !

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Victor Barroso Nogueira

Joao Garcia Ele não se casou. Estivemos um dia destes em casa dele- eu, o Aristides e o Viegas.

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Graca Maria Rito

Gostei , muito .... Obrigada amigo ....

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Maria Lúcia Borrões

Palavras para quê? É um artista português... ;-))

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Alice Coelho

Longo ou curto, não é isso que interessa, o verdadeiramente importante é o conteúdo e a maneira sucinta com que se escreve... e eu gosto do que escreves, Victor!!! obrigado e um beijinho

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Yolanda Botelho

Gosto do que escreves.....por vezes não leio logo tudo,vou lendo,só que com muito gosto.Tens histórias deliciosas,obrigada meu esquerdista preferido.

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José Inácio Leão Varela

Tb tive uma altura que me dava para escrever Notas e tb, para além de poucos/as as lerem (eram grandes rsrsr) me disseram que eram mais próprias para um blogue...não continuei apenas porque vi pouco interesse nelas. Mas qq dia volto a tentar...e tu amigo não desanimes e continua pois textos destes vale sempre a pena escreve-los e ler...abraço Victor Nogueira.

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Victor Freebird

Que memória! E que retrato de uma época! Muito bem! VA

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Victor Barroso Nogueira

Maria Emília Não há qe pedir desculpa. Afinal somos amigos "virtuais" desde há uma eternidade, desde o hi5 :-)*

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Victor Barroso Nogueira

Victor Freebird Sou ainda duma geração que, embora dominando a informática quase desde o inicio, ainda é do tempo do papel de carta e das canetas de tinta permanente e dos selos colados num envelope e do marco do correio e do alvoroço de receber e de enviar notícias em suporte não virtual.

Estas memórias são "recortes" de muitas dessas cartas, centenas delas recuperadas, ou rascunhos ou inacabadas, que escrevi, especialmente as destinadas à família em Luanda, Porto ou Lisboa, ou à mãe dos meus filhos ou a algumas das minhas amigas. As que foram escritas aos amigos, essas perderam-se para mim, definitivamente, num qualquer cesto dos papéis deles LOL

São um registo do quotidiano e não só. 🙂

"(…) Antigamente as pessoas escreviam muito e as cartas eram meio de transmitir notícias e muitas delas, com maior ou menor valor literário, tornaram-se testemunho dos factos, acontecimentos, ideias e sentimentos.

Mas hoje, hoje as pessoas telefonam ou encontram-se, devido à facilidade e rapidez dos transportes e das comunicações, e o tempo é pouco, paradoxalmente, devido à sobrecarga do que se gasta em transportes, sentado frente à TV ou em tarefas domésticas [ou a teclar horas seguidas, infindas, nas salas de conversação].

O mesmo sucede com o convívio e a conversação: por vários motivos os cafés e as tertúlias desaparecem, só se conhece o vizinho da frente ou do lado, quando se conhece, e as pessoas metem-se na sua concha, casulo, carapaça ou buraco. Muita gente junta, ao alcance da mão ou da voz, não significa que estejamos mais acompanhados e humanizados. (…)"

(Victor Nogueira à «Maria do Mar», 18.08.1993).

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Margarida Piloto Garcia

Olha Victor, eu gosto imenso de te ler.É extenso o que escreves e tem muito para assimilar, mas o ritmo é rápido e atractivo. Tal como diz o poeta, " primeiro estranha-se e depois entranha-se ".Sabe bem ler todas estas vivências de extrema riqueza.Eu agradeço imenso a partilha do teu espólio de vida.

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Elena Viqueira

Me alegra haber descubierto una gran experiencia, gracias por poder leer sus escritos

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Ver tradução

Maria Lúcia Borrões

Qual é o problema de ser extenso? (Qualificativo que é bastante subjectivo, diga-se em abono da verdade). Ler-te é um prazer, por isso quanto mais extenso, melhor!

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Graça Maria Teixeira Pinto

Obrigada pela partilha.Gosto destas memórias !

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Victor Barroso Nogueira

Varela José Inácio Qd quiseres criar um blog fala comigo. Já vou no 11º, 10 dos quais um pouco abandonados devido ao último que criei este mês LOL

http://kantodointegral.blogspot.pt/

Kant_O_dos_Integrais

KANTODOINTEGRAL.BLOGSPOT.COM

Kant_O_dos_Integrais

Kant_O_dos_Integrais

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Victor Barroso Nogueira

LÚcia - se naquele tempo já houvesse o facebook e similares nunca teriam sido publicados de Camões Os Lusíadas ou Guerra e Paz de Tolstoi ou A Comédia Humana, de Balzac, ou o Memorial do Convento ou Levantados do Chão, de Saramago, ou os Irmãos Karamazov, de Dostoiévski, ou do mesmo, Crime e Castigo ou de James Joyce - Ulisses, ou ... ou ... Têm muitas linhas e não se entendem num golpe de vista. NOTA BEM - não me estou a comparar a estes escritores LOL Bjos meus, Maria Lúcia Borrões que não complementa as minhas memórias Bi-LOL

Cadê "O Dia Seguinte" ? Tri - LOL

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Maria Lúcia Borrões

1ª parte- Não estás a comparar-te mas podias... 2ª parte-Sorry, sorry, sorry... 😢. 3ª parte-Bjinhos

14 a

Victor Barroso Nogueira

Lúcia - eu sou um simples cronista do quotidiano, de sketches, talvez com linguagem cinematográfica. Muito melhor a efabular e a escrever novelas é o meu filho Rui Pedro LOL

14 a

Maria Lúcia Borrões

Concordo que os teus escritos são altamente cinematográficos. Eu gosto! Adoro estar a ler um livro e estar a vê-lo adaptado ao cinema. Muitos dos meus escritores preferidos têm essa característica.

14 a

A poesia em Maio 26 (2014)

 * Victor Nogueira

26 de maio de 2014 
Conteúdo partilhado com: Público
entre eros e fero ferro
vai vogando, conde niño,
é mal, é vero e não erro
no ermo, sem guarida, sózinho.
não há mal nem bem que resista
nem sol, luar no horizonte
são como pardais sem alpista
mar sem ribeira que se afronte
setúbal 2014.05.26

Em torno da cadeia de Sintra (2015)

 


* Victor Nogueira

26 de maio de 2015

Foto victor nogueira - Sintra - São 3 as janelas gradeadas com vista soalheira e verdejante, num amplo salão, que me dizem ter sido a cadeia de Sintra, talvez em tempos medievos, atendendo a um arco ogival cuja vetustez não garanto, perto das Escadinhas de Lord Byron (o poeta romântico), e do hotel Lawrence (fundado em 1764) - não o das Arábias e dos "Sete Pilares da Sabedoria", livro cuja leitura vivamente aconselho, onde o deserto surge cheio de vida e diversidade paisagística, nada tendo a ver com o do célebre filme de David Lean interpretado por Peter O´Toole.  

Hoje o que teria sido a cadeia é um local coberto e mal amanhado para estacionamento não de cavalgaduras mas sim de automóveis, através dum estreito acesso, em ruas sinuosas e de calçada irregular, polida pelos passeantes. Se cadeia  foi e se as vistas de então fossem semelhantes às de hoje, não teria o ar soturno e sombrio de outras enxovias, como as do Limoeiro, em Lisboa, ou daquela no Porto em que estiveram  presos Camilo Castelo Branco e Ana Plácido, estes cada um para sua banda porque  para escãndalo já chegavam os seus adúlteros amores e as tragédias do "Amor de Perdição".

Há muitas décadas que não ia a Sintra de comboio e a estação cheia de barreiras para controle de  blhetes dos passageiros já não é o que era. Mas adelante. 

Pela vila e na encosta do Castelo dos Mouros acima  -  que me faz lembrar Coimbra em torno da Sé Velha e da Calçada do Quebra-Costas - pelas estreitas ruas ou pelo amplo largo do Palácio da Vila, acotovelam-se turistas, incluindo brasileiros com seu falar cantante. Num banco um jovem alegre e risonho, colorido nas suas vestes e pele como se fosse uma estátua de bronze, toca viola e amealha uns cobres deixando-se fotografar junto às turistas.

Entramos na Igreja de S. Martinho, templo medieval completamente derrubado pelo terramoto de 1755 e muito descaracterizado. Insólito: pelos bancos algumas pessoas sentadas e duas delas  embrenhadas em ver talvez vídeos em tablets ou smartphones.  Uma placa publicita um Museu de Arte Sacra que não vislumbramos nem nos afadigamos a procurá-lo.

Voltando à "prisão" cuja janela ilustra este post, lembro-me do casarão duma amiga numa vila alentejana (Sousel), remontando aos tempos do senhor D. Manuel I, embora as janelas deste não tivessem grades mas sim uns banquinhos de pedra de cada lado, adossados à parede,  para as damas outrora apreciarem o movimento da ruas, talvez bordando e cavaqueando entre si, resguardadas embora e possivelmente por detrás das janelas com adufas, como  aquelas que ainda existem no Algarve, sobretudo em Tavira, e que foram preservadas nos balcões duma das ruas do centro histórico de Braga.

E se pachorra houver para ler, aqui se fala duma outra cadeia, a de Arraiolos, nos idos de 1973.  - 

Na cadeia e no tribunal de Arraiolos

Esta foto pertence à antiga cadeia de Sintra, perto das Escadinhas de Lord Byron (o poeta romântico), e do hotel Lawrence?

«Sim, precisamente. Esta foto mostra uma das janelas com fortes grades de ferro da ruína da antiga Cadeia Comarcã de Sintra (também historicamente referida como Cadeia Velha).

O edifício em ruínas situa-se precisamente na encosta arborizada junto ao centro histórico, muito próximo das Escadinhas de Lord Byron e a escassos metros do mítico Lawrence's Hotel (o hotel mais antigo da Península Ibérica, onde o poeta britânico e também Eça de Queirós se hospedaram).

As grades de ferro nas janelas rasgadas na pedra, rodeadas pela densa vegetação da Serra de Sintra, são uma marca muito caraterística desse local, evocando o passado prisional daquela estrutura em pleno coração da paisagem romântica.» (Google Gemini 2028 05 26)

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Distopias, santas alianças e mistificações (2026)

 


* Victor Nogueira

Cuba é desde há décadas alvo dum brutal e criminoso cerco pelo Tio Sam, qualquer que seja o manajeiro de turno? No problem, it’s a problem, Cuba é uma 'ditadura' e não um casino e prostíbulo como nos democráticos tempos de Fulgêncio Baptista.It’s a problem. A Venezuela, tal como o Chile de Allende e Cuba de Fidel e Guevara, recusam ser o quintal dos EUA? It’s a problem. No problem. Rapta-se o Presidente e apoia-se um Governo fantoche que facilita o democrático saque da Venezuela pelos EUA  The problem? No Chile porque o povo escolheu, irresponsavelmente, segundo Kissinger, a via socialista, tal como Chavez na Venezuela ou Fidel em Cuba.  It’s a problem.  DemocraCia há só uma, a do Tio Patinhas e mais nenhuma. Israel executa uma política genocida e de apartheid na Palestina, com o beneplácito do Tio Patinhas e com o apoio deste ataca e bombardeia o Irão, visando alvos civis? No problem. O Irão é vítima dum embargo desde há décadas? No problem. O Irão é uma feroz ditadura teocrática, e não um bar aberto petrolífero, como nos democráticos tempos de Reza Palhavi, apoiados pelo Unce Sam, cujo papel-moeda do dolar reza 'In God we trust' e se pede a benção de evangelistas para as 'tropelias' do farol da democraCia. Israel executa uma política genocida e de apartheid na Palestina, com o beneplácito do Tio Patinhas e com o apoio desta ataca e bombardeia o Irão, visando alvos civis? No problem. Israel é a única democracia no Médio Oriente. O Irão retalia atacando pacíificas, inocentes e beneméritas bases militares dos EUA noutros países árabes? Credo, condene-se o Irão por este injustificado e criminoso acto.  Desde o Golpe de Maidan, em 2014, o regime de Kiev bombardeia as populações ucranianas russófonas no Donbass? No problem. A Ucrânia é o farol da democracia e dos valores do ‘ocidente’ alargado, que até recupera e glorifica como heróis os colaboracionistas com as hordas nazis genocidas do povo ucraniano. No problem, it’s not a problem.  A Ucrânia bombardeia alvos civis em território russo? No problem. Moscovo bombardeia Kiev, alegadamente visando alvos civis? it’s a problem. A Rússia é uma feroz e corrupta autocracia que glorifica o Exército Vermelho que derrotou as hordas nazifascistas genocidas e libertou os sobreviventes dos campos de concentração e de extermínio dos nazis. No problema,   A Rússia é uma sanguinária e corrupta autocracia. Ao contrário dos EUA, o Paraíso na Terra

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A Santa Aliança PS+PPD/PSD+CHEGA+CDS/PP+Bloco+Livre+PAN, unidos como os dedos da mão, ...

... a favor da 'democracia' ucraniana de Herr Zelensky, que proibiu onze partidos políticos e homenageia os colaboracionistas com as hordas nazis

A Santa Aliança PS+PPD/PSD+CHEGA+CDS/PP+Bloco+Livre+PAN, unidos como os dedos da mão, ...

...contra Cuba.

Contra esta 'Santa Aliança', apenas o PCP

Esta votação na Assembleia da República realizou-se no dia 8 de maio de 2026. 

Trata-se do Projeto de Resolução n.º 841/XVII/1.ª, apresentado pelo partido Iniciativa Liberal (IL), que recomenda ao Governo português a defesa do povo cubano e a promoção do respeito pelos direitos, liberdades e garantias fundamentais em Cuba. 

Luanda - aldeia de pescadores na Samba (2015)

 


* Victor Nogueira

24 de maio de 2015

foto jj  castro ferreira - luanda - aldeia de pescadores na samba -  uma paisagem seca, árida, calcárea, de capim e plantas xerófilas como o imbondeiro, à esquerda. Um dongo ou piroga com vela desfraldada (a profundidade do mar não permitiria o ximbicar) e duas outras canoas varadas no areal. As cubatas, casas de pau-a-pique com paredes e telhado de folhas de palmeira, uma delas com a roupa estendida no varal, a secar.

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Maria José Fonseca - Mais uma foto dum sítio que faz parte das minhas recordações. Obrigada Victor. Beijinho

11 a

Manuela Miranda - Lindo este lugar Amigo , os lugares de onde vivem os pescadores são sempre lindos, Estou a lembrar-me de Nazaré também é um lugar lindo, Afurada em Vila Nova de Gaia e Matosinhos também foi já não é tanto, mas gosto desta por causa das casinhas Obrigada Amigo Sê Feliz beijinhos

11 a

Maria Lisete Almeida - Grata pela partilha Amigo Victor Nogueira. Estes lugares, embora não façam parte das minhas lembranças, são para mim de uma beleza que me sensibiliza.

11 a

Teresa Mercês de Mello - Que saudades e que fotografia linda! Obrigada Victor.

11 a

Judite Faquinha º Bela foto camarada Victor, e à sempre encanto nas sonas de pescadores, e a sua azáfama, na arte de pescar que eu adoro a sua labuta, por vezes pondo a própria vida em risco pelo mar agitado... na sona da Costa que eu assistia muitas vezes...e me encantava. Obrigada Victor pela partilha beijokas ❤
11 a - Manuela Vieira da Silva
O local dos simples, como simples o seu seu viver. ❤
10 a

O PCP e a eustanásia (2018)

 24 de maio de 2018

 O PCP e a EUTANÁSIA - Discutem-se os argumentos e ponderações do PCP? Não. São questionáveis e discutíveis? Sim, tanto como os dos que se lhe opõem. E lá vem a despropósito o CDS, o social-fascismo mais o Estalinismo. e patatipatatá. Aos comunistas pelo menos uma sugestão: leiam semanalmente o Avante, para saberem as posições do PCP

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JMC . E quem não quer ler imprensa partidária? Fica com o infeliz discurso do deputado Oliveira...

8 a

Victor Barroso Nogueira - Este foi o texto integral que João Oliveira deu a conhecer em Conferência de Imprensa. Não foi deturpado ou escamoteado pela Imprensa escrita e televisiva, mais virada para a saga do chamado futebol ?
https://www.pcp.pt/posicao-politica-do-pcp-sobre-provocacao-da-morte-antecipada?
8 a
JMC - Victor Barroso Nogueira, lamento, não concordo nem aceito como boa a argumentação utilizada.
8 a
Victor Barroso Nogueira - Leste o texto na íntegra? Discordas em tudo? Discordas até disto? «6. É esta a concepção de vida profundamente humanista que o PCP defende e o seu projecto político de progresso social corporiza. Uma concepção que não desiste da vida, que luta por condições de vida dignas para todos e exige políticas que as assegurem desde logo pelas condições materiais necessárias na vida, no trabalho e na sociedade.

Perante os problemas do sofrimento humano, da doença, da deficiência ou da incapacidade, a solução não é a de desresponsabilizar a sociedade promovendo a morte antecipada das pessoas nessas circunstâncias, mas sim a do progresso social no sentido de assegurar condições para uma vida digna, mobilizando todos os meios e capacidades sociais, a ciência e a tecnologia para debelar o sofrimento e a doença e assegurar a inclusão social e o apoio familiar.

A preservação da vida humana, e não a desistência da vida é património que integra o humanismo real – e não proclamatório – que o PCP assume nos princípios e na luta.»?
8 a
JMC - meu caro, é irrelevante se discordo de tudo ou só de parte, quando considero que esta decisão viola a liberdade individual de qualquer cidadão, em seu perfeito juízo, decidir que a vida lhe é insuportável e querer ter uma morte assistida. Eu quero esse direito para mim...
8 a
Victor Barroso Nogueira - Eu, eu, eu. Pois EU gostaria que as pessoas idosas não fossem despejadas em lares, autênticos depósitos de pessoas à espera da morte. EU gostaria que a carga de cuidar das pessoas doentes ou incapacitadas recaísse também na sociedade. EU, que todos os dias visitei e estive com os meus pais num lar, EU gostaria que o meu pai não tivesse morrido em sofrimento, mandado do lar para morrer no banco de urgência só num corredor apinhado e do banco reenviado para o lar para morrer neste e assim em ciclo durante cerca duma semana. EU gostaria de ter tido condições para que os meus pais e muitas pessoas idosas tivessem condições para viverem os últimos tempos de vida com dignidade – fosse a vida longa ou breve - a dignidade que resulta de ter trabalho, salário, assistência na doença, habitação e uma reforma condignas. EU defendo que antes do “direito” à morte assistida estivessem a “solidariedade”, a “entre-ajuda”, e o “direito” a uma vida com dignidade, com respeito pelos direitos a esta associados. Mas isto sou EU desfasado a pensar em “NÓS”, com laços.
8 a
JMC - Só falo por mim. Passa bem.
8 a
Victor Barroso Nogueira -  Eh pá, não pessoalizes, pois considero-te uma pessoa solidária !.
8 a
JMC - sou naturalmente uma pessoa solidária, sim senhor. Toda a minha vida pessoal e profissional o testemunha.
8 a
JEB - Compreendo e respeito a tua opinião José Manuel mas tenho a mesma opinião que o Eu do Victor. Abraço aos dois
8 a
JMC - Joana o respeito é igual, mas penso assim e fiquei chocado com a justificação do Oliveira...
8 a
JEB - não ouvi o João Oliveira! só li o comunicado do Avante com o qual me identifico.
8 a
Victor Barroso Nogueira - Joana O João Oliveira leu o comunicado na íntegra. Mas não o leu da melhor forma nem com fluência, como podes verificar

https://www.pcp.pt/pcp-afirma-sua-oposicao-legislacao-que-institucionalize-provocacao-da-morte-antecipada?

A poesia em Maio 24 (2020)

 


24 de maio de 2020

vive
e
convive
convida
com vida
sem vida o covid
e vive a vida
com destemor
afecto humor cor
amor e fantasia
sem azia
antes morrer de pé do que de rastos
2020.05.24

domingo, 24 de maio de 2026

Os pombos na estalagem (2026)

 

* Victor Nogueira

Voam alto as gaivotas, debicam pelo chão os pombos, lá em baixo, no largo. Por vezes, muito raramente, pousam no peitoril das varandas, estáticos, mirando em redor, ou olhando-nos de lado, com a cabeça a dar-a-dar. Dum pombo correio que pernoitou na minha cozinha, entrando pela janela aberta, já falei. Creio que duma outra vez uma pomba fez ninho num dos vasos da varanda da sala, donde abalou apenas depois dos filhotes crescerem e voarem. 

Hoje de manhã, ao entrar na cozinha, ouvi um alvoroço e vi dois pombos voarem, batendo as asas, escapulindo-se pela janela aberta. Fui até `sala, para continuar a empreitada de ver westerns de realizadores como George Cukor, John Ford,  Howard Hawks, Anthony Mann, Nicholas Ray, Gordon Douglas ...

Ao fazer um intervalo e voltar à cozinha, lá estava de novo o par de pombos, um pousado no peitoril da varanda, outro na mesa onde tomo as refeições no cimo desta torre no alto duma encosta. Impávidos e serenos, indiferentes à minha 'discreta' presença, deixaram-se fotografar para a posteridade. Lá os deixei sossegados, até que resolvessem abalar. 

2018 08 05 Foto victor nogueira - Há muito que as andorinhas desapareceram de Setúbal e aqui na Lanchoa  as gaivotas, em voos rápidos, planados  ou batendo as asas, vão expulsando os pombos, que por vezes pousavam nos parapeitos das minhas varandas, imóveis ou andando com a cabeça a dar-a-dar. Este é um deles, mas não o pombo correio que uma vez e durante a noite, cansado, se abrigou na minha cozinha. partindo mal alvoreceu.

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Imagens erados pelo Google Gemini e chatGPT

VER  

Há muito que as andorinhas desapareceram

Animais, nossos irmãos

sábado, 23 de maio de 2026

Na morte de Gilberto Santos (2021)

 


* Victor Nogueira

23 de maio de 2021 
Conteúdo partilhado com: Público

Um dia destes telefonou-me o Gilberto, falando-me de si. Prometi telefonar-lhe, mas entretanto fiquei surdo, tinham de escrever-me as falas para comigo, mas recuperei algum tempo depois. Dizia para com os meus botões: "Tenho de telefonar ao Gilberto, tenho de ir ao Barreiro vê-lo». Soube há pouco que o Gilberto faleceu hoje.

O Gilberto foi um homem solidário, generoso, prestável, com uma fala mansa e sorridente que, muitíssimo mais que meu camarada e companheiro de muitas décadas de lutas políticas e sindicais, foi meu amigo e de quem procurei ser amigo, a quem muito devo: a sua atenção, o seu gesto solidário, a sua prestimosidade. À Celeste e à Nádia, o meu abraço fraterno.

O LUGAR DA CASA, por Eugénio de Andrade

Uma casa que fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia.

 


CANTO MOÇO, por José Afonso

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara

Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca

O tempo voa (2016)

 


* Victor Nogueira

23 de maio de 2016

O TEMPO VOA - Prefiro as tardes e as noites, pois ambas são longas e estas silenciosas após o bulício, ao contrário das manhas demasiado curtas e avessas à lassidão

setúbal 2016.06.22

Imagem - O relógio voador, de Susanne Philippson

sexta-feira, 22 de maio de 2026

A HONRA, A FIDELIDADE E A COERÊNCIA NA troika PS(d)CDS (2014)

 


ª Victor Nogueira

22 de maio de 2014

Esta gente, incluindo aquela dos ex- que apoiam o cisco assis seguro sócrates, como carlos brito, joana amaral dias, basílio horta e antónio capucho sem esquecer ferreira leite ou marcello são coerentes - não defendem senão o capital, com maior ou menor artimanha (arte e manha). O barco, não lhes interessa, desde que leve a água ao moinho dos patrões. Dos grandes patrões ! Os dos cifrões e dos feijões !  Quanto ao mexilhão ... que se lixe !

SOARES E SEU UMBIGO (2014)

 

ª Victor Nogueira 

22 de maio de 2014

SOARES E SEU UMBIGO - Em artigo num jornal diário Mário Soares apela ao voto na TROIKA CISCO ASSIS SEGURO SÓCRATES. E fá-lo com cicuta ou arsénico. 

Mário Soares é coerente consigo próprio desde sempre. Já elogiou Passos de Coelho contra Sócrates, já confessou desde há muito que arrumara o socialismo na gaveta, tão bem aferrolhado que os seus sucessores, entre os quais figura Victor Constânci, nunca o encontraram. Aliás em alentada entrevista em 3 volumes a Maria João Avillez confessou que apenas defendera o socialismo pk se o não tivesse feito em 1975/76 o PS não teria votos. Bem pode fazer números circences no Carmo que o seu voto vai para a bancada do seguro onde pontificam cisco assis zorrinho e ana gomes que defendem governos em coligação /articulação com os do psd-cds. Como ele fez.Vai longa e pesada a barca de cisco assis seguro sócrates com tantos ex- como basílio, joana, brito, capucho....E agora só-Ares, que nunca foi socialista

Assim como Ferreira Leite /PSD defende que o eleitorado deve penalizar o seu partido, Soares com arte e manha diz que sim, que o ps é e sempre será o seu partido, mesmo que perca estas eleições. Com amigos destes o psd e o ps não precisam de inimigos !

https://www.publico.pt/2014/05/22/politica/opiniao/o-ps-sempre-esteve-acima-de-mim-proprio-1637035

Gonçalo F. Caramelo: boca e dentes (2025)

 


22 de maio de 2025

2025 05 22 Foto victor nogueira - Torres Vedras Anúncio de dentista 'Caramelo' ( F1070047 Foto entre 1997 / 2000)

Curiosidades publicitárias  - Gonçalo F. Caramelo: boca e dentes / prótese e ortodoncia


Brilhante, límpido e de anil está o céu ... (2016)

 



* Victor Nogueira

22 de maio de 2016

Brilhante, límpido e de anil está o céu, parado o ar, reverdecidos os campos o silêncio em torno de mim quebrado apenas pelo dedilhar rápido e seco no teclado. Não há música envolvente e assim pego em mim, livro no bolso, e rumo ao mar e ao sol poente, a máquina fotográfica como outra companhia. Considerando como Barthes “O que a fotografia reproduz no infinito aconteceu apenas uma vez: ela repete mecanicamente o que não poderá nunca mais se repetir existencialmente”.

Nas minhas deambulações surgem pessoas, por vezes apenas para enquadrar ou "dar" vida à cena. Raramente surge "A Pessoa" e quando "a musa" existe fica - entre nós e sem vós o registo. Ou como se fora aparição de Hitchcock nos seus filmes de "mistério" e "suspense"

O livro é uma biografia de Luís XIV, ontem adquirido no alfarrabista, por causa das séries televisivas "Mosqueteiros" e "Versailles".

fotos victor nogueira . pôr-do sol e nuvens entre Almada e Setúbal ou, mais precisamente, entre os estuários do tejo e do sado

quinta-feira, 21 de maio de 2026

As grandes manobras do ps assis sócrates seguro! (2014)

 21 de maio de 2014

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As grandes manobras do ps assis sócrates seguro ! Apoiados por Carlos Brito, Joana Amaral Dias, Basílio Horta e António Capucho e outros do mesmo barco, o barco dos ex- (f/m)

• «Pode ser necessário (um governo de Bloco Centra), não o descarto.»  Entrevista de Ana Gomes ao SOL (28/03/2014)

• «Nesse sentido, sou tão anti-comunista como o Paulo Rangel» Francisco Assis (cabeça de lista PS ao Parlamento Europeu), na TVI24 - Prova dos 9, 30 Janeiro 2014

• «Será mais fácil dialogar com partidos situados mais à direita» Francisco Assis em entrevista a RR, 19 Fevereiro 2013

• «Sou contra a reestruturação da dívida, porque seria uma tragédia nacional. Portugal necessita de cumprir com os seus compromissos internacionais.» Entrevista de António José Seguro ao Jornal do PS - Acção Socialista - Junho de 2011

• «Não há década perdida nenhuma, houve áreas em que o país se robusteceu» Francisco Assis na SIC (20 Fevereiro 2014)

• «Creio que neste momento não devemos falar da renegociação da dívida, devemos antes falar da necessidade de cumprirmos integralmente aquilo que nos propusemos concretizar.» Entrevista de Francisco Assis ao Jornal do PS - Acção Socialista - Junho de 2011

• «Sou acusado de preferir entendimentos à direita. Eu não prefiro entendimentos à direita, não é uma questão de preferir, é uma constatação da realidade, apesar de tudo, nalgumas questões essenciais, tem sido até aqui mais exequível fazer alguns entendimentos com o PSD. Por exemplo, nas políticas europeias, nas políticas económicas» Francisco Assis à Antena 1, 10 de Outubro 2014

• «Eu não fico nada satisfeito, pelo contrário, profundamente preocupado, quando vejo o 1º ministro a ser sistematicamente apupado, porque acho isso mau.» Francisco Assis em entrevista a RR, 19 Fevereiro 2013

• «... , e estão os dois contra o referendo, e estão os dois pelo federalismo, e estiveram os dois nas administrações das empresas... PS e PSD vivem, no plano do estado, em união de facto.»  Paulo Portas em acção de campanha de 2009 (RTP, 31 Maio 2009)

https://www.facebook.com/photo/?fbid=10202539139265106&set=a.1124829846327

Memórias de José Afonso (2016)

 


21 de maio de 2016

* Victor Nogueira
onteúdo partilhado com: Público* Victor Nogueira
1. - Ali no gravador canta o Zeca Afonso, que tinha uma voz muito bonita. E ao mesmo tempo fico triste com elas (canções), porque me fazem lembrar o tempo do fascismo, quando havia esperança de lutar e conseguir um mundo melhor, sem guerra,. nem miséria, nem fome, mas onde houvesse alegria, liberdade e paz. (SNS - 1987.04.26)
2. - Se me ficasse apenas pela aparência do que os meus olhos vêm, a neblina e o cinzento que envolvem a cidade prenunciariam um dia frio, de chuva miúdinha. Mas o suor goticular que permanece à flor da pele sem que se evapore indica que o resto do dia, para além de nublado, será quente e húmido. Uma boa chuvada seguramente que refrescaria o tempo e afastaria este pesado chumbo que me envolve, que em Luanda, na estação quente, prenunciaria grandes e violentas bátegas de água quando não relampejantes e ensurdecedoras trovoadas. Mas este é um país de brandos costumes, de pequenas tempestades, de meias águas e de meias tintas. (Setúbal, MMA - 1994.06.15)
3. - O Mesquita é um incompetente, não prepara as lições e mete água. Mas é o Mestre, Senhor todo poderoso enquanto os estudantes continuarem a falar pelos cafés, cada qual metido no seu individualismo, no seu morno egoísmo, na sua indiferença quotidiana! (MCG - 1972.10.18)
4. - Quando um dia for escrita a história do Instituto , verifica-se-à quão castradora foi a sua acção - e esterilizante - quão veementemente destruiu nas pessoas a espontaneidade, a solidariedade, a camaradagem. Não propriamente destruir, porque nesta maldita sociedade portuguesa feudalizada, cinco séculos de história contribuíram para nivelar as pessoas no temor, na mediocridade e na inautenticidade. A coragem, a hombridade, a lealdade, o entusiasmo inovador, eis o que falta ao castrado povo português! (NSM - 1971.01.14)
5. - Sou (sobretudo) aquilo que faço e não apenas aquilo que digo..(VN)
6. - Vejo hoje no Instituto o dr. Amílcar Mesquita, o Rola, o Director do Instituto e outros professores. Sobe por mim a contrariedade que me despertam: o arrivismo, a cretinice, o autoritarismo, a desumanidade dum país de que a escola é o reflexo pela política dos jesuítas. Sobe por mim o desejo de gritar NÃO a tudo isto que profundamente abomino e que tão dolorosamente suportei durante estes seis anos de luta para não me deixar negar. (MCG – 1974.04.27/28)
7.- Salut, camarada!
Se puede enganar
a todo el pueblo
parte del tiempo
Se puede enganar
a parte del pueblo
todo el tiempo
pero no se puede enganar
a todo el pueblo
todo el tiempo. (Lincoln)
Aqui está a minha esperança! Nós venceremos. Mesmo que eu seja derrotado ou me venda, outros tomarão o meu lugar, empunharão o estandarte. Algum dia venceremos! Algum dia! Salut, camarada! (MCG - 1972.08.13)
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* José Afonso
“Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é que fica. Quando as pessoas param há como que um pacto implícito com o inimigo, tanto no campo político, como no campo estético e cultural. E, por vezes, o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os alíbis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campos de luta”. Em entrevista a Viriato Teles, in «O Jornal», 27/4/84.

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José Eliseu Pinto - Gosto. Muito. E procuro ajustar a minha vida a princípios como este, da mesma natureza, de idêntica inspiração filosófica e de igual valia ética. Mas devo confessar que me custa tanto vê-los ignorados como vê-los apregoados sem consequência.
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Carlos Barradas - Convivi bastante com ele quando passávamos férias na casa da Ana do Ó na Fuzeta!! 10 a