Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Greve Geral da Administração Pública


A Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública convocou para o próximo dia 30 de Novembro, uma greve geral e nacional de trabalhadores da Administração Pública, para exigir melhores salários, uma verdadeira negociação das condições de trabalho e contrariar a destruição dos Serviços Públicos.

Deste modo, a Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública e os Sindicatos da Função Pública do Norte, do Centro, do Sul e Açores e dos Consulados e Missões Diplomáticas iniciaram já o processo de mobilização dos trabalhadores que representam para a participação nesta nova jornada de luta.

Numa altura em que o Governo se mostra intransigente no que toca aos aumentos salariais, tentando impôr percentagens que confirmam a perda de poder de compra já registada em anos anteriores; numa altura em que se perspectiva a entrada em vigor de um novo sistema de avaliação de desempenho que é apenas e só um instrumento de coacção dos trabalhadores; numa altura em que se prepara a destruição do vínculo público e dos sistemas de carreiras e de remunerações, a luta dos trabalhadores da Administração Pública é determinante.
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STAL e STML em Greve também
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Ver poema em José Afonso - Venham mais cinco


VARIAÇÔES SOBRE AS PALAVRAS

* Victor Nogueira

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Límpidas como veludo cálidas, delicadas, saltitantes
brotam dos nossos lábios
as palavras ...
Por entre os dentes cerrados
duras, agrestes, cortantes, irrompem as palavras!
São uma ponte, um muro,
alinhadas ou em torvelinho
enquanto.........o tempo escorre e
.................. .......o carinho apetece.


..........Espelho multifacetado com dois gumes,
..........Crisálida, rede que enleia ou liberta.
,,,,,,,,,.Cegas
..........Têm os nossos olhos
..........Mudas
..........Têm apenas o nosso entendimento
..........E os seus lábios são os nossos lábios.


1992.03.10 - SETUBAL

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Um dia tu virás

* Victor Nogueira
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Um dia tu virás
Enchendo o ar de coralegria
E o meu riso terá a cor do mar
Liberto em tua cantoria


Um dia tu virás
E sentirei a tua pele macia
O ardor do teu andar
Com nenhuma apatia


Um dia tu virás
E os dias cheios de fantasia
Como água a navegar
Preso na magia


Um dia tu virás
E seremos um rio ao luar
ave desperta
rosa aberta
No calor do teu olhar


Um dia tu virás


Um dia ...

Setúbal, 1989.11.06

Criptograma

* Victor Nogueira

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Amor
inverso das sete colinas
uma cidade
...............mudando
uma flor
um samba
..............colorido
..............sensual

terça-feira, 27 de novembro de 2007

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

o que amo em ti é a vida

* Victor Nogueira
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O que amo em ti é a vida
são os campos, as encostas verdejantes
a cidade, os carros que passam
os animais, as plantas e as árvores
as montras iluminadas e coloridas
a chuva na vidraça ou no rosto
o sol, o mar, a brisa
o cheiro a maresia
o perfume das flores
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O que amo em ti é
a verdade
a ternura amor que entre nós é
a camaradagem
o andar que percorre o corpo
sem segredos nem esconderijos
a novidade aventura
o frémito, o prazer, a paz
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Somos milhares somos milhões
...........pelas estradas e pelos atalhos
...........pelos campos e pelos pinhais
...........pelas ruas e pelos becos
na cidade dos homens
................ombro a ombro
................frente a frente
................lado a lado
desencontrados


Setúbal, 1982 Janeiro

domingo, 25 de novembro de 2007

sábado, 24 de novembro de 2007

Da Violência e do Género



Victor Nogueira disse...
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Recebi ontem uma visita da São , do blog homónimo, remetendo-me para o post VIOLÊNCIA DE GÉNERO
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É um blog que toma partido e por isso merece uma visita por parte de todos aqueles que amam a Paz, a Liberdade, a Igualdade, a Democracia, em todas as suas vertentes, e a Solidariedade.
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Relativamente ao POST acima citado coloquei o seguinte comentário bastante esquemático, hierarquizado na medida do tempo disponível:
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«1º - a violência dos detentores dos meios de produção sobre os não proprietários «livres»
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2ª - a violência por aqueles exercida através de todos os meios para manter os oprimidos/as alienados da sua força, condicionando a sua consciência através dos órgãos de comunicação as Igrejas, os jornais, a rádio, a TV, a internet e por aí fora)e, em última instância, através de outros meios de repressão, como as leis ou costumes, os tribunais e a polícia, com ou sem brutais cargas policiais (ou o emprego/desemprego/precariedade/trabalho temporário, à hora ou à peça).
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3º - A extrema violência que são a guerra, a concorrência, o individualismo, o isolamento das causas reais (de que esta guerra de sexos é exemplar) e o «isolamento» entre as pessoas e as visões parcelares.
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4 º - A violência extrema iniciada pela Europa mas depois prosseguida por outros [Portugal, Espaanha, Holanda, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Bélgica, EUA) com os «descobrimentos/«encontros de culturas» sobre a maioria dos povos das Américas Central e do Sul, de África e da Ásia, após destruírem as suas economias para impor as relações de mercado capitalista, baseadas nas trocas desiguais e numa dívida externa galopante, não esquecendo que o «mercado» é muito anterior ao aparecimento do «mercado capitalista» e a manta de retalhos que foi o Mapa Côr de Rosa.
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5º - A violência «fomentada» a coberto da xenofobia e do racismo, para dividir povos e trabalhadores com o fim de esconder as verdadeiras intenções bem como a rapacidade e desumanidade dos/as Senhores/as da Terra.
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6º - A violência anterior é exercida, total ou parcialmente, sobre homens, mulheres, crianças e velhos/as, em todo o mundo e em todas as classes sociais.
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7º - Reduzir a causa da violência sobre outros seres a motivações de âmbito psíquico é ver a árvore e não a floresta.
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8 º - A violência doméstica não se reduz àquela do homem sobre a mulher nem apenas ao seu aspecto físico. Há tb a violência psicológica e dentro da família também a da mulher sobre o homem e de um deles ou de ambos sobre as crianças e destas, que não são o bom selvagem nem anjinhos de asas brancas, sobre os adultos, incluindos pais e sobretudo as mulheres (mães/irmãs).
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9. º - Nos locais de trabalho há tb outra forma de violência, o assédio sexual, que assume um aspecto mais gravoso para com as mulheres, mas que, em menor escala também é praticado por mulheres sobre homens.
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10 º - Ainda hoje quem educa as crianças são as mulheres, no sentido duma aparente «submissão» delas para controlarem o «homem» E por aqui me fico, por hoje.
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Síntese - sou contra a violência, mas não sou contra a violència para acabar com aquela necessária para liquidar as que acima referi.
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Tal como a burguesia então revolucionária proclamava noutro contexto, em França em 1789/1793: «só não á liberdade para os inimigos da liberdade». E sobre o conceito e o conteúdo da Liberdade, muito se poderia explanar .
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Os meus blogs pretender ser quotidianamente e no seu conjunto o meu testemunho da minha luta pela liberdade, pela igualdade, pela solidariedade, pela paz e pela justiça no Mundo. Quotidianamente os meus blogs defendem uma outra sociedade mas, curiosamente, aqueles em que tal assume o principal aspecto, são ignorados e muito pouco comentados.
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Refiro-me principalmente ao Kant_O XimPi e ao D'ali e D'aqui . Eles são, todos os dias, o 25 de Novembro (data que pôs termo aos sonhos que a «populaça» depositou na «Revolução dos Cravos» e que tu propões.
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Na badana lateral direita do Kant_O estão entre muitos outros, alguns blogs que lutam por uma outra sociedade. Curiosamente, não têm frequências elevadas nem comentadores diversificados. O que poderia ser um outro motivo de reflexão.
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Mas para ser solidário e contra a violência doméstica - a única referida pelos/as comentadores/as anteriores, eu colocarei um post sobre o que sugeres, com este meu texto.
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Victor Manuel
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Mesmo que este tivesse sido o 1º comentário ao teu post, muitos poucos dos comentadores seguintes nele reparariam. É a BLOGOSFERA.
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E pela iniciativa da São, deixo-vos esta AUDIÇÃO MUSICAL que retirei do seu blog.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Menções do Querubim Peregrino



A Editora de Querubim Peregrino convidou-me a passar pelo seu blog através do post Queridos/as Amigos/as . Lá fui e agradeço-lhe a distinção e a simpatia que tem demonstrado por mim. Calhou terem sido publicados à mesma hora dois textos, cabendo afinal o 1º lugar à Sophiamar, a quem deixo um olá !
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O que para mim é verdadeiramente importante é o que lá deixei registado:
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«Victor Nogueira disse...
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Olá :-)
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Dei pela tua passagem pelo «Ao (es)correr da pena e do olhar» e aqui vim. Embora englobado numa citação genérica, agradeço a distinção. Mas a maior distinção para mim é que as minhas «seis» chagas ou blogs cumpram a missão que a cada um deles confiei e que os participantes neles participem e os divulguem. Eu sou apenas um simples grão de areia ou a pinga de óleo numa engrenagem e num universo que a cada um de nós ultrapassa,
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Um Bjo
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VM »
22 de Novembro de 2007 21:21
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Posto isto, a melhor retribuição que posso dar-vos e à Maria Faia é que embarquem «Viajando pela Blogosfera» e, se quiserem, façam uma paragem em «Fui como ervas e não me arrancaram (18) - Porque estou na Blogosfera».
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À Maria Faia e a quem me visita, escreve, incentiva e/ou opina. a expressão do meu reconhecimento. Sou apenas aquilo que faço, simultâneamente agente e espectador, pelos meus olhos e sobretudo pelo olhar de outrem. E de novo para Querubim Peregrino, Maria Faia

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

SEM A VENTURA


* Victor Nogueira
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clique na imagem para visualizar melhor

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

ELEGIA POR UMA CERTA JUVENTUDE


  • Victor Nogueira


Eram jovens
.........passeando como fantasmas
com fatos talhados à medida duma roda sem destino.



Sorriam
e o sorriso era
.................uma vereda para lado nenhum
.................uma vida de sonhos amortalhados.



Eram jovens
de gestos calculados
...............com mil olhos e
......................dez mil bocas em cadeia



E no entanto
para lá deste horizonte cinzento
debruado a cetim
as gaivotas (não) eram águias inatingíveis!

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1991.03.20 - Setúbal

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Amanhecer




  • Victor Nogueira

Tu és a clara madrugada

esperança minha

de ser amada



Tu és a risonha

..... .....serena madrugada

esperança minha

de ser amado

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Setúbal 2005.03.07

fotografia de autor não identificado - Castelo e Paço de Belmonte

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

TELEDRAMÁTICO

* Victor Nogueira

1 / 3


2 / 3
3 / 3


Clique nas imagens para ampliar

domingo, 11 de novembro de 2007

Menções - Kalinka

Kalinka disse ...

Amigas e Amigos, tenho andado afastada do kalinka e dos vossos blogues! (...)

Alguém escreveu: Demorei porque isto dá cá uma trabalheira!! e, tem toda a razão...

Façam o favor de recolher os vossos «miminhos».
Os prémios, distinções e desafios continuam no mundo da blogoesfera!


Não sei bem quantas pessoas me cabe premiar, mas aqui vão as minhas nomeações:


(...)


MANO VICTOR:
http://osabordolhar.blogspot.com/
http://kantoximpi.blogspot.com/

,

Por aqui me fico, pedindo desculpas a quem não nomeei, pois da próxima vez poderá ser a vossa vez...
posted by Kalinka @ 18:34 Terça-feira, Outubro 30, 2007
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Olá :-) Se bem percebi, o meu prémio é o dos ursinhos, não? Bjos VM

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OLÁ MANO VICTOR
O PRÉMIO QUE TE DOU É O DA AMIZADE,
OU SEJA,
O DOS URSINHOS
E O OUTRO DO ANEL DA AMIZADE TAMBÉM.
Por vezes pensas que me esqueço de TI, mas estás enganado, não me esqueço e se leste o meu post eu lá dizia que NÃO TENHO TEMPO PARA NADA.
beijinhos, mana Kalinka


quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Netamizades no Cantinho da Zé

Netamizades.


5
10
2007

Há os amigos que estão ao teu lado, pegam-te na mão ou dão-te um carolo. E depois há os amigos que estão à distância de cliques, da leitura de um post ou da digitalização de um comentário. Destes últimos apenas sabes o mesmo que sabem todos. Não deixam de ser amigos de quem leio algo a um ritmo quase diário.

A ideia veio de Djamb: quem são os meus netamigos? Hoje destaco por ordem alfabética:


__________________

Victor Nogueira (06:24:36) :
Olá, Zé do Canto.Saí lá do meu Kant_O para saber de ti e ao sabor do olhar encontrei esta distinção.Isto são distinções sérias e com elas não se brinca. Qualquer dia mando-te uma Évora do Rui Pedro para a Paloma conhecer.Então não participas nos Convívios do Ao Sabor do Olhar?Ciao
bjo
VM

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Carros eléctricos ou bondes


* Victor Nogueira
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Enquanto não ilustro Deambulando por Lisboa (30) - A Lisboa Oriental, do Campo das Cebolas aos Olivais , convido-vos a dar um salto ao Brasil e a partir daí correrem mundo viajando de bonde ou carro eléctrico. O apeadeiro é já aqui:
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sábado, 3 de novembro de 2007

LIBERDADE







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«Erguer uma vez mais os diques»

  • Victor Nogueira


Erguer uma vez mais os diques
Tapar os interstícios da muralha
que rompeste impetuosamente
Baixar lentamente a viseira
Repor a máscara
Impassível
Numa pirueta
Até que o coração pare
E a serenidade regresse

OBRIGADO - Victor Nogueira




  • Victor Nogueira
Obrigado, muito obrigado
obrigado por todos os presentes que hoje me ofereceste
obrigado por tudo quanto vi, escutei, recebi
obrigado pela luz que me despertou
obrigado pela roupa que me veste, pelas cores que ela
tem e pelo corte que a faz bela
obrigado pelo jornal, pelas histórias do Tintin, sorriso semanal, pelas reuniões
austeras, pela justiça que se fez, pela partida ganha
obrigado pelo camião do lixo e pelos homens que o acompanham,
pelos gritos que soltam de manhã, pelos ruídos da rua que acorda
obrigado pelo metal, entre os dedos apertado, pelo longo lamento que
ele solta sob o aço que o morde, pelo olhar satisfeito do contramestre,
pelo carinho cheio das peças terminadas
obrigado pelo Camilo e pelo Carlos que se sentaram à minha mesa, pela simplicidade
do Rocha, pela mão do director no meu ombro, pelo
sorriso - sempre é sorriso - do Rola, pela malta de Económicas
que me reconheceu, pela amizade do Artur e do Luís Filipe
obrigado pela rua acolhedora que recebeu os meus passos, pelas
montras das lojas, pelos automóveis, pelos transeuntes, por
toda a vida que escorria lenta, entre as paredes das casas,
manchadas de sol
obrigado pela comida que me sustentou, pelo copo de café com
leite que há pouco me matou a sede
obrigado pelo autocarro que facilmente me levou onde eu queria
pela gasolina que o fez funcionar, pelo vento que
me afagou o rosto, pelas árvores que me saudavam quando
eu ia a passar
obrigado pelas miúdas que encontrei hoje
pela graça marota da Isabel., seu sorriso-riso sonoro
que alegra a gente
pelo ar sereno da Noémia
pelo sorriso da garota do Chiado, aquela que tinha uma
covinha no queixo,
pelas travessuras da Microbianas
pelo olá da puta que se cruza comigo diariamente
obrigado pela alegria do Jorge perante os brinquedos que comprara
obrigado pelos bons dias que me desejaram
pelos apertos de mão que reparti
pelos sorrisos com que me brindaram
obrigado pela mãe que em casa me acolhe, pela sua presença
obrigado pela amizade do pai, apesar do seu silêncio
obrigado pela amizade desajeitada do Zé Luís
obrigado pelo tecto que me abriga, pela luz que me ilumina,
pela música que ouço
obrigado pelo Zeca Afonso, pelo Vivaldi
obrigado pelos livros, pelo Steinbeck pelo Jorge Amado,
pelo Manuel Alegre e pelo António Reis
obrigado por tantos eles
obrigado pelo ramo de flores,
pela erva no telhado, pequenas florestas galgando montes

obrigado pelos dias luminosos
pela noite serena
pelo céu estrelado
pelo silêncio

obrigado pelo tempo que me deste ...
pela vida
por sentir tudo isto
obrigado por estares aqui
obrigado porque me escutas, me levas a sério. recebes em
tuas mãos o feixe dos meus dons para oferecê-los aos
outros
obrigado
muito obrigado

Michel Quoist
(adaptado - Évora 1971.ABR.14)
(Setúbal 1989.MAR.01)
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Clicar nas imagens para ver o verdadeiro aspecto gráfico do poema

Victor Nogueira ~ELEGIA PELA MINHA FAMÍLIA DISPERSA


Mindelo - 1974 - Celeste (+), Victor, Zé Barroso (+), Maria Emília (+), Zé Luís (+), António (+), Maria Luísa, Esperança (+) - Foto Manuel N S (*)


Porto - Natal de 1973 - Zé Luís (+), Alexandrina, Zé Barroso (+), Carlos, Teresa, Victor, Isabel, Manuel N S (+), Esperança (+), Celeste (+), Maria Emília (+), António (+) Zé João (+) - Foto Manuel N S (+)


Carcavelos - Zé João (+), Maria Emília (+), Celeste (+), Maria Luísa, Victor, Esperança (+), Susana, Rui Pedro - Foto Manuel N S (+)


Luanda - Maria Emília (+), Zé Luís (*), Victor, Manuel (+)


Luanda - Manuel (+), Victor, Maria Emília (+), Zé Luís (+)


Nova Lisboa - Zé Luís (+) Victor
(Foto MENS)


Braga (Bom Jesus) - Victor, António Barroso (+)
(Foto a la minute) 


Victor e Celeste  (+) em Évora (tirada por alguém que ia a passar, a nosso pedido)

Lisboa (Jardim da Estrela) - 
Zé Luús (+), Teresa (namorada), Maria Emília (+), Mariazinha (+), Celeste (+)
(Foto Victor Nogueira)


Carcavelos - Maria Emília (+), Manuel (+), Celeste (+), Lili, Victor, Esperança (+) Susana, Rui Pedro
(Foto JJ Castro Ferreira) (+)


Salvada - Celeste (+), Rui Pedro, Preciosa, António Gato (+), Susana
 (Foto Victor Nogueira)


Salvada - Victor, Celeste /+), Maria Emília, (+) Mariazinha (+), Teresa (+), António, Milinha, (...), (...)


Paço de Arcos - Fátima, Lili, Victor,Maria Emília (+) - foto JJ Castro Ferreira


Carcavelos - José João (+), Maria Emília (+), Fátima
(Foto Victor Nogueira)


Victor, Fátima (foto JJ Castro Ferreira)


Adicionar legenda

(Foto JJ Castro Ferreira)



 .

Desde então a lista dos que partiram aumentou: o meu avô Luís, o meu irmão, os meus tios José Barroso e José João. E também a mãe dos meus filhos, que nesta altura ainda era viva. Do resto da família, dos meus primos, nada mais soube depois da morte do meu avô Barroso e do meu casamento.
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«Encavalitado nos meus pensamentos»

* Victor Nogueira
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Encavalitado nos meus pensamentos
passo
este quente Domingo de Verão
no exílio deste casarão vazio
enfronhado na presença do que está ausente
Leio
estranho
as palavras outrora alinhadas
como se de outrem me tratasse
Esta velha sensação
..........................aqui renascida
..........................nos sentimentos
adormecidos
Esta guerra
...............entre o fazer
...............e o deixar correr
o tempo
o telefone ali
ao alcance da mão
..............do sentir aprisionado
..............tornado inútil
o gesto risonho
Na praia
...........quase em deserto
o dia cai
lento
....,na escuridão
.....Crescente
.....a frescura
que enche a casa estranha

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

CORAÇÃO ROSA DOS VENTOS

* Victor Nogueira
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A tua carta é um pássaro pintado
.................................................com emoção e alegria!
Cada folha é uma seara dividida em quatro e
na delicadeza do teu olhar
sou um rio
....................leve rumor
....................suave brisa que passa e canta!
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Setúbal, 1992

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Últimas Publicações (2)





Deambulando por Lisboa (30) - A Lisboa Oriental, do Campo das Cebolas aos Olivais

* Victor Nogueira
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A Casa dos Bicos fica para outra banda, perto do Chafariz d'el Rei, marcando o início da Lisboa Oriental, que se estende ao longo do rio, por Santa Apolónia, Xabregas, Beato, Poço do Bispo, Marvila e Braço da Prata até Olivais. Aqui se situa a doca dos Olivais, onde outrora amaravam os hidroaviões e onde nos anos 60 ainda apodreciam alguns.
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Foi zona de quintas, conventos e palácios, que deram origem a sujos aglomerados habitacionais em resultado das fábricas que a partir do século XIX aqui se instalaram. (1) Dos palácios e conventos de outrora pouco resta: o convento da Madre de Deus, outrora banhado pelas águas do rio Tejo, é exteriormente despretensioso, hoje transformado no Museu Nacional do Azulejo, conservando a riquíssima capela em talha dourada. Outros conventos foram reconvertidos, como o dos Grilos, onde está instalada a Manutenção Militar, ou aquele outro que deu origem à estação ferroviária de Santa Apolónia, para não falar nos do Beato ou de Xabregas.
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Exteriormente degradados persistem alguns palácios. Para Marvila, ainda se encontram azinhagas serpenteantes, algumas ladeando pequenas hortas. Objecto de reconversão urbanística parcial em resultado da Expo 98 (Exposição Mundial), daqui saíram instalações petrolíferas e industriais.
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Da ruralidade ainda subsistem alguns largos, como o da Viscondessa dos Olivais em Olivais Velho, no alinhamento da Gare do Oriente, com o seu chafariz, fontanário e urinol do século XIX, para além da rua com casas para os operários da fábrica dum capitalista (Alves Gouveia) (2) que neste largo tinha a sua residência. Da toponímia registo as travessas as travessas dos Buracos e das Courelas
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No Beato, nas minhas deambulações, fui dar a outra vila operária, cujo insólito residia na roupa a secar em cordas que atravessavam a rua de janela a janela, para aproveitar o espaço.
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No Poço do Bispo no Largo David Leandro da Silva sobressai a fachada dos armazéns vinícolas da Abel Maria da Fonseca, talvez parente do José Maria da Fonseca, de V. Nogueira de Azeitão. Neste pequeno largo citadino, com prédios em recuperação, existem palmeiras e um quiosque com azulejos arte nova, como outro similar no Cais do Sodré, para além dum urinol público do início do século XX. (Notas de Viagem, 1998.Maio.01)
__________
1 - A partir do século XIX as fábricas instalaram-se ao longo do rio, de Xabregas ao Poço do Bispo e de Alcântara a Pedrouços.
2 - Denominada rua das Casas Baratas.