Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Na Serra da Estrela (2019)

* Victor Nogueira

3 de junho de 2019 ·

Contraluz na serra da estrela, numa viagem com os alunos da Escola Industrial e Comercial de Évora, em  1975 02 26   

1. - A neve parece esferovite e de vez em quando um tipo enterra-se até aos joelhos. Antes do cume a serra é negra, salpicada de branco; no cimo é um manto branco, que o nevoeiro confundia, tornando fantasmagóricos os vultos. Estava frio, mas suportava-se. 

Encontro-me num café da Covilhã, ( ) que parece um do Porto, enquanto as ruas lá para trás lembravam Sintra. Almoçámos no Fundão, na Escola Secundária, um prédio de habitação adaptado - onde as pessoas tinham um ar seráfico e beatífico, falando com um sotaque de seminaristas, padres ou de freiras de Santa. Zita; - será que a maioria deles são destas bandas? - As miúdas desta região têm um ar rude ou agreste - serrano? - 

Demos liberdade aos miúdos e até agora não tem havido problemas. Estou é maçado, pois a camioneta não é cómoda e por causa da reunião na Escola só me deitei às 3 da matina para levantar-me às 5 1/2. (MCG - 1975.02.26) 

2. - (...) Perguntas-me se gostei da Serra?  Digo-te: vira o postal, e diz-me se essas pedras negras e essa erva amarelecida têm alguma beleza ou alegram o espírito! Imagina esta paisagem embranquecida pela neve, por entre rochas negras! E vai daí compreenderás que tenha arrefecido um pouco o meu entusiasmo... pela Noruega. (MCG - 1975.03.05) 

3. - Terá sido em 1963 que vi nevar pela 1ª vez, como registo no meu diário de então: “Vi nevar pela 1ª vez, quando ia para casa do avô Luís, e à tarde, quando fomos ao café Astória”. (1963.01.13 - Diário III). 

Caíram uns flocozitos de neve que se liquefaziam antes de pousarem no solo. Em Luanda no Natal, coincidente com o pico do calor, na árvore e no presépio a neve era representada com flocos de algodão hidrófilo e, posteriormente, com um spray que solidificava ao contacto com o ar.

Esta minha ida à Serra da Estrela foi uma desilusão, pois o que encontrei nada tinha a ver com as fotos e filmes em que surge “bonitinha”. Na realidade parecia esferovite, com fealdade misturada na berma dos caminhos com a terra acastanhada. No verso duma das fotos anotei na altura “Serra da Estrela, Março 1975 – Numa excursão com alunos da Escola. Fiquei desiludido com a neve. Não há nada como as paisagens verdejantes do Minho. A neve é desoladora.”

Foto editafa pelo google Gemini em 2026 06 03

terça-feira, 3 de junho de 2025

Letras empilhadas, ano após ano, em Junho, 03, (re)colhidas em 2025

 * Victor Nogueira

3 de junho de 2011  · 

Apesar de tudo o mIRC era mais espontâneo e sincero e no FB, para além de antigos colegas, estão algumas pessoas que conheci no mIRC há mais de 10 anos e a quem posso sempre telefonar ou escrever, embora dalgumas destas conheça apenas a voz, a gentileza e a disponibilidade para comigo!

3 de junho de 2011  · 

Carpe Diem - Atrás do Tempo Tempo Vem ?

O pensamento é escravo da vida, e a vida é o bobo do tempo(Shakespeare)-Tudo se destrói, tudo perece, tudo passa; só o mundo é que fica. Só o tempo é que dura(Diderot)-Suprimir a distância é aumentar a duração do tempo.A partir de agora, não viveremos mais;viveremos apenas mais depressa(A.Dumas)-

3 de junho de 2012  · 

Foto Victor Nogueira - Braga (nocturno)

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Manuela Vieira da Silva

Tem arte. Só não consigo percerber o branco em sépia. Ou é luz natural?

13 a

Victor Barroso Nogueira

Manuela Silva É um nocturno, em pose, com iluminação dos candeeiros

13 a

Manuela Vieira da Silva

É claro que é luz dos candeeiros, a pose branca é que não percebo. Ou então, está tão bem apanhada e por isso a agarrou, por somente aquelas janelas estarem acesas, com um carro oculto a passar.

13 a

Victor Barroso Nogueira

Não há qualquer carro a passar, àquela hora da madrugada. Algum que viesse, tê-lo-ia deixado passar antes da foto. A luz à esquerda deve ser do candeeiro, à direita.

13 a

Margarida Piloto Garcia

Para além da escrita também tens prazer na fotografia tal como eu. Não tenho é os conhecimentos técnicos nem disponho de equipamento para certos trabalhos.Gosto deste noturno

13 a

Isabel Maria

Tudo perfeito

13 a

Thatalyscal Scaldelai

Linda demais,inspira tranquilidade,aconchego! 😊

13 a

 3 de junho de 2012 

em évoraburgomedieval - 1971 - 1º semestre


 Isabel Maria

Gostei muito! tens algum livro publicado?bjs

13 a

Victor Barroso Nogueira

Não, Isabel Reis os meus textos literários e as minhas fotos não estão nem organizados nem publicados. Publicados e assinados, apenas artigos na imprensa. Publicados e assumidos pelos vários colectivos, comunicados ou estudos de carácter político ou social

13 a

Belaminda Silva

Bom dia amigo querido,,,lindíssimo!!! Obrigada por partilhares comigo. Gostei. Desejo-te um dia maravilhoso e uma maravilhosa semana. Beijinhos ♥

13 a

José Inácio Leão Varela

O meu amigo Victor Nogueira, soma e segue...e segue bem...mais uma vez o meu abraço pelo bem que escreves e descreves...

13 a

Yolanda Botelho

Gosto de te ler....vou lendo,obrigada por tão boa escrita.Bj

13 a

Graca Maria Rito

Obrigada Victor ! Como sempre , gostei muito . Bom dia !! Bjs

13  a           

3 de junho de 2012  · 

Foto Victor Nogueira - Alcobaça - fachada lateral do Mosteiro (nocturno)

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 Carmen Rosário Montesino

Bela foto, Mestre!

13 a

Isabel Maria

Um olhar de Outono na Primavera!

13 a

Lia Branco

Maravilhosa foto... sépia. Beijinhos

13 a

Manela Pinto

outono, noite... o fotografo nao tem horas

13 a

Yolanda Botelho

linda,linda, linda, esta foto.....bjs amigos

13 a

Ana Sofia Pereira

foto muito bem conseguida 🙂

13 a

Margarida Piloto Garcia

lindíssima com um sabor intenso e antigo

13 a

Francelina Oliveira

Obrigado Vitor.

13 a

Maria Jorgete Teixeira

Nostálgica!

13 a

Alzira Henriques

Obrigado Vitor. Vejo que estiveste em Alcobaça... Podias ter dito alguma coisa... Bjo

13 a

Victor Barroso Nogueira

As fotos são antigas, Alzira Henriques Mas qd aí passar, digo-te :-)*

13 a

Belaminda Silva

Belíssima foto! Amei. Obrigada Victor. Tem uma linda noite , e uma boa semana. Beijinhos♥♥

13 a    


3 de Junho de 2013

por arraiolos 02 (1972/1973)

Sabugueiro # Torre de Coelheiros # Vimieiro


VER  por arraiolos 02 (1972/1973)

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 Cremilde De La Rosa

Textos que ajudam a conhecer um Portugal pouco conhecido. A carqueja também servia de tempero das sopas e da lebre. Obrigada.

12 a

Judite Faquinha

Victor! Texto mais maravilhoso, hoje quem possa ler,e pensar que és tu o criador... não conhecem a verdadeira labuta Alentejana, que espressas-te em premenor... associações os meus amigos Alentejanos, nunca falaram, mas sim, praças de jorna, onde os tabalhadores se juntavam... claro os mais fortes, é que tinham direito ao trabalho! Victor obrigada pela história verídica desta parte do Alentejo ARRAIOLOS. Bjs

12 a

Victor Barroso Nogueira

Judite Faquinha Estas Associações de Trabalhadores rurais existiam durante a I Repúblçica. Os sindicatos de assalariados rurais foram extintos pela ditadua fascista e substituídos pelas Casa do Povo, que congregavam estes com os agrarios,cuja presidênc… Ver mais

ARQUESOC.GEP.MSSS.GOV.PT

http://arquesoc.gep.msss.gov.pt/Associação%20de%20Classe%20dos%20Trabalhadores%20Rurais%20da%20Igrej

http://arquesoc.gep.msss.gov.pt/Associação%20de%20Classe%20dos%20Trabalhadores%20Rurais%20da%20Igrej

12 a

Victor Barroso Nogueira

Olha, Judite Faquinha tb acabei de descobrie isto http://colectivolibertarioevora.wordpress.com/.../poemas.../

Poemas sociais editados pela Associação dos Trabalhadores Rurais Escourelense (Escoural-Évora)...

COLECTIVOLIBERTARIOEVORA.WORDPRESS.COM

Poemas sociais editados pela Associação dos Trabalhadores Rurais Escourelense (Escoural-Évora)...

Poemas sociais editados pela Associação dos Trabalhadores Rurais Escourelense (Escoural-Évora)...

12 a

Judite Faquinha

Victor amigo, obrigada pela tua atenção de me esclareceres... e mostrares estes poemas, o pobre, está sempre arrumado... eu conheço o Escoural e Evora!!! Eu não conheci os reis mas a minha avó trabalhava o dia de sol a sol para ganhar 5 reis por semana, beijokinhas... Victor pela paciência que tens para comigo, do coração te agradeço boa noite sonhos felizes.

12 a

Manuela Vieira da Silva

Cultura é isto, as memórias de um povo que tu tão bem retratas e documentas. Bjos.🙂

12 a

Graça Maria Teixeira Pinto

Enquanto vou lendo as tuas crónicas, vou percebendo como um filho da burguesia se mudou para o outro lado da barricada.Fascinante, também essa parte...Pelo menos, para mim.Bj Victor.

12 a

Judite Faquinha

Victor, fiquei comuvida, que nem falei das fotos que adorei, de nosso Alentejo Inponente e grandiozo!!! Beijocas!!!

12 a

Belaminda Silva

Gostei dos textos e das fotos! Obrigada camarada Victor, pela partilha e por nos dares a conhecer estas Historias e documentos que tu tão bem retratas. Feliz tarde para ti amigo. Beijinhos 🙂

12 a

Isabel Dias Alçada

Feliz noite amigo narrador de histórias maravilhosas !

12 a

António Couvinha

Vimieiro; e não Vimeiro!

12 a

Victor Barroso Nogueira

Sorry, António Couvinha

12 a

António Couvinha

Tudo bem amigo. É que o meu pai e avô nasceram nessa terra: Vimieiro. Abraço e obrigado pelas recordações.

12 a

Victor Barroso Nogueira

Está rectificado, António Couvinha

12 a

Filomena Pita Soares

Grandes recordações Victor!

Tenho uma ideia desses inquéritos !

12 a

Victor Barroso Nogueira

Não me lembro se tu e o joão fizeram parte da equipa, Filomena Pita Soares Mas entre outros, estavam o Nunes da Ponte, a Domings e creio que o Emídio Guerreiro A equipa era toda de estudantes do isese

12 a

Filomena Pita Soares

Eu não fiz parte porque fui apenas nesse ano para Évora.

12 a

Luisa Neves

Obrigada por mais um brilhante texto. Abraço. 😉

12 a

Victor Barroso Nogueira

http://colectivolibertarioevora.wordpress.com/.../poemas.../

Poemas sociais editados pela Associação dos Trabalhadores Rurais Escourelense (Escoural-Évora)...

COLECTIVOLIBERTARIOEVORA.WORDPRESS.COM

Poemas sociais editados pela Associação dos Trabalhadores Rurais Escourelense (Escoural-Évora)...

Poemas sociais editados pela Associação dos Trabalhadores Rurais Escourelense (Escoural-Évora)...

12 a

José Manuel Candeias

Boas lembranças, Victor Nogueira! Abraço

12 a

Ana Maria Madail

Lindissimo texto.. Gostei.. Grata pela partilha.

12 a

Joana Espanca Bacelar

Que belas fotos e que bom recordar ao ler estes textos, obrigada Vitor.

12 a

Vânia Cairo

Que maravilha, amigo Victor Nogueira!!! Bjo

12 a




3 de junho de 2014  · 

A SAGA DE CARLOS E CARLOTA NO REINO DOS TRISTES E O zé povinho AGUILHOADO

Deve ser triste ser candidato/a a Rei/Rainha. Em crianças têm o destino marcado que é não poderem escolhê-lo e depois têm de esperar que o rei ou o herdeiro morram para que o destino se cumpra. Isto sem falar na profunda aberração que é mesmo na democracia burguesa da "igualdade" haver uma casta de sangue, a única com direito a governar e a mordomias pagas pelo pagode, cercada de outros "iluminados" de sangue nobilitados em guerras de saque e de extermínio ou pelo vil metal.

cartoon de Rafael Bordalo Pinheiro

3 de junho de 2019  · 

contraluz na serra da estrela, numa viagem com os alunos da Escola Industrial e Comercial de Évora, em  1975 02 26   

1. - A neve parece esferovite e de vez em quando um tipo enterra-se até aos joelhos. Antes do cume a serra é negra, salpicada de branco; no cimo é um manto branco, que o nevoeiro confundia, tornando fantasmagóricos os vultos. Estava frio, mas suportava-se. 

Encontro-me num café da Covilhã, ( ) que parece um do Porto, enquanto as ruas lá para trás lembravam Sintra. Almoçámos no Fundão, na Escola Secundária, um prédio de habitação adaptado - onde as pessoas tinham um ar seráfico e beatífico, falando com um sotaque de seminaristas, padres ou de freiras de Santa. Zita; - será que a maioria deles são destas bandas? - As miúdas desta região têm um ar rude ou agreste - serrano? - 

Demos liberdade aos miúdos e até agora não tem havido problemas. Estou é maçado, pois a camioneta não é cómoda e por causa da reunião na Escola só me deitei às 3 da matina para levantar-me às 5 1/2. (MCG - 1975.02.26) 

2. - (...) Perguntas-me se gostei da Serra?  Digo-te: vira o postal, e diz-me se essas pedras negras e essa erva amarelecida têm alguma beleza ou alegram o espírito! Imagina esta paisagem embranquecida pela neve, por entre rochas negras! E vai daí compreenderás que tenha arrefecido um pouco o meu entusiasmo... pela Noruega. (MCG - 1975.03.05) 

3. - Terá sido em 1963 que vi nevar pela 1ª vez, como registo no meu diário de então: “Vi nevar pela 1ª vez, quando ia para casa do avô Luís, e à tarde, quando fomos ao café Astória”. (1963.01.13 - Diário III). 

Caíram uns flocozitos de neve que se liquefaziam antes de pousarem no solo. Em Luanda no Natal, coincidente com o pico do calor, na árvore e no presépio a neve era representada com flocos de algodão hidrófilo e, posteriormente, com um spray que solidificava ao contacto com o ar.

Esta minha ida à Serra da Estrela foi uma desilusão, pois o que encontrei nada tinha a ver com as fotos e filmes em que surge “bonitinha”. Na realidade parecia esferovite, com fealdade misturada na berma dos caminhos com a terra acastanhada. No verso duma das fotos anotei na altura “Serra da Estrela, Março 1975 – Numa excursão com alunos da Escola. Fiquei desiludido com a neve. Não há nada como as paisagens verdejantes do Minho. A neve é desoladora.”

3 de junho de 2022  · 

Foto Rui Pedro - Uma tarde destas, na estrada da Baixa de Palmela, pedi ao Rui Pedro que fotografasse o aqueduto, mas, viajando aquele no banco do pendura,  o condutor ficou no "apanhado"

  Carlos Barradas Teixeira

Corrigido e reenquadrado! 

3 a

Victor Barroso Nogueira

C Manuel B Teixeira Grato e abraço 🙂

3 a

            

3 de junho de 2024  · 

Foto  victor nogueira - Pôr do sol em Setúbal, como se fora o alvorecer  (2024 05 31   IMG_4717)

Estando voltado para NNE, do cimo da torre o normal é ver o nascer do sol, mais ou menos deslumbrante. Mas por vezes também é possível vislumbrar o pôr do sol, normalmente um debrum alaranjado na linha do horizonte, com Palmela ao fundo. Como nesta fotografia. A disposição topográfica deste prédio onde moro permite que cada  uma das quatro fachadas seja banhada pelos raios solares, sucessivamente, do nascer ao pôr do sol!

3 de junho de 2024  · 

Todos diferentes, todos iguais, uma só Humanidade - Paz e coexistência!


sábado, 22 de outubro de 2016

Neve em Vila do Conde ?


foto victor nogueira - vila do conde

Neva em Vila do Conde ? Ou tem nevado ? Népias. A long time ago - era eu menino e moço - e no Porto caíram sobre mim flocos de neve, na Praça da Liberdade, que mal esbranquiçaram o solo

É tão linda a neve, nos filmes e nos postais ilustrados ! Pois foi uma desilusão numa visita de estudo à Serra da Estrela, que fiz com alunos da antiga EIC Évora nos idos de '77: Parecia-me esferovite branca misturada com acastanhada lama.

Por aqui o sol começou a romper as núvens azulando o céu, mas logo deve chuviscar.

Pois, mas a foto é um arranjo do Google, que sem me consultar decidiu colocar o que lá não estava: neve. Tenham um bom e soalheiro fim-de-semana



na Serra da Estrela nos anos '70

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

por sintra

Por Sintra

1968
Caixa de texto: Sintra Uff! Que calor Até parece o Abril em Luanda! Hoje a temperatura baixou um pouco mais, em relação aos dias anteriores. Mas mesmo assim... O ar está seco e quente; sinto-me pegajoso, indisposto. Calor, só calor; nem uma leve brisa para refrescar; quando corre não é senão um bafo quente. As engrenagens cerebrais estão emperradas, o raciocínio faz-se ao retardador! A casa é um forno, a rua um inferno. Nem sequer tenho tido coragem de ir à praia, não obstante a sedução dum mergulho infindável nas águas do oceano, melhor, do Tejo.
Ontem fui com o Manel [filho mais novo da dona da casa onde, estudante de Económicas, eu alugara um quarto] até Sintra. A viagem de comboio, na ida e na volta, foi um suplício. Mas lá, meu Deus, que paraíso! Um parque aprazível, o rumorejar da brisa por entre as ramagens, a quietude, o sossego! Por lá ficamos largos momentos, eu com a "História da Música Europeia", O Manel com "O Pequeno Lorde" (NSF - 1968.07.24)

1974
Sintra estende‑se por além abaixo, casario emergindo do meio do arvoredo ou dos campos verdejantes e ensombrados pelo dia cinzento e chuvoso. Lá ao fundo as montanhas e na mão esquerda uma sandes de queijo e presunto. Daqui a pouco seguiremos até à Boca do Inferno, perto de Cascais. Aqui atrás de mim duas velhotas filosofam sobre as misérias dos católicos (parecem‑me beatas e quando entrámos [no café à beira da estrada] estava uma desabafando: "o que nós fomos e ao que chegámos! " (...) O comboio de Sintra desliza lentamente lá em baixo no vale. A sandes de presunto e queijo estava saborosa. (1974.01.02)

1997

Duas feiras têm renome. Uma é a Feira de S. Pedro de  (2º e 4º domingo de cada mês), com mais de dois séculos de idade, instituída para satisfazer semestralmente as necessidades das populações da região, muito afastadas de Lisboa e sem facilidade de transportes. Trata‑se duma feira eclética, onde se vende um pouco de tudo, desde vestuário a produtos hortícolas e fruta até ao pão saloio, passando pelos alfarrabistas, antiquários e coleccionismo. Outra é a Feira das trouxas, na Malveira, quase diária, onde se vendem roupas bem como artigos domésticos e alimentares. (Notas de Viagem, 1997)

2013
A Sintra   - a Capital do Romantismo -  tornei muitas vezes mas dessas  nas minhas notas encontro  apenas uma - 2000.10.29 Sintra (museu do brinquedo - Centro histórico) -  e quanto às fotos, essas encontram-se por digitalizar.

Voltei lá, dividido entre o Palácio da Vila – que nunca teria visitado – ou as Quintas da Regaleira ou de Monserrate, estas nos arredores. Optei pela Vila e o seu palácio do tempo dos senhores D. Dinis, D. João I e, profundamente remodelado, por D. Manuel  I.  Estacionei o carro longe, supondo que  perto do centro não haveria lugares, que afinal eram mais que muitos. Segui pela avenida, o Paço da Vila surgindo por entre o arvoredo, avenida onde se encontram muitas esculturas, na chamada Volta do Duche, integradas numa exposição ao ar livre, denominada Sintra, Arte Pública, na sua X edição, subordinada ao tema “O Transcendente” e patente até Junho de 2014, com obras de artistas de várias nacionalidades.

Para além desta “galeria” e do frondoso arvoredo, a imponente Fonte Mourisca (1922), revivalista, coberta de azulejos hispano-árabes ou mudejáres e o Museu Anjos Teixeira (pai e filho), ambos escultores neo-realistas. Pelo caminho parei para lanchar no simpático Espaço [da Condessa] d’ Edla, que foi esposa de D. Fernando II, viúvo da Rainha D. Maria II, monarca a quem se deve a construção do Palácio da Pena. O Espaço, para além de alojamento, comercializa produtos regionais e serve deliciosa doçaria. Mas para quem aprecia as lides culturais, um outro café, o da Saudade, é palco de saraus literários; a sua decoração é no entanto mais “tradicional”, como se loja antiga fosse pelos seus armários, embora também não faltem nele as actividades de mercancia.

O Palácio Real ou da Vila – com uma enorme e variada representação de azulejos hispano-árabes - é reconhecível pelas suas gigantescas chaminés cónicas e é um dédalo com os acrescentos feitos em múltiplas campanhas de obras, tendo sido originalmente uma edificação árabe. Foi muito utilizado na Idade Média como refúgio da Corte durante os meses de verão e para a prática da caça.

Se o Palácio me deslumbrou do exterior, o seu interior não me encantou quanto ao recheio, embora na idade média o mobiliário não primasse pela abundância e variedade; camas de dossel, contadores, arcas ou burras (cofre-fortes), tapeçarias nas paredes (apenas uma exposta). Mais recentes, enormes guarda-fatos onde á vontade se poderiam esconder uma dúzia de Miguéis de Vasconcelos, passe o evidente exagero.

No labirinto que é o palácio destacam-se a Sala dos Archeiros, a Sala Moura (ou dos Árabes), a Sala das Pegas, a Sala dos Cisnes e a Sala dos Brasões — que ostenta a representação das armas de 72 famílias nobres portuguesas mais importantes da época e dos oito filhos de D. Manuel I —, a Sala das Sereias e a Sala da Audiência. Na sala dos Brasões, representando cenas de ar livre do século XVIII, o revestimento azulejar das paredes deve-se a grandes mestres da azulejaria lisboeta da altura.

Atravesso vários pátios, vislumbro um jardim ao estilo francês, vejo o quarto onde até à morte esteve prisoneiro o rei D. Afonso VI e desemboco na enorme cozinha que não tem para mim a beleza, encanto e monumentalidade da do Mosteiro de Alcobaça, Também não fiquei seduzido pela Capela Real.

Quanto ao Palácio, uma última nota – tudo agora é ao estilo caça-níqueis segundo as regras de marketing, como já verificara no Oceanário de Lisboa - neste, a visita termina na loja. Naquele, depois de comprados os bilhetes, os visitantes perdem-se na loja até descobrirem que a entrada para o Palácio é … defronte.

Terminada a visita dou uma volta pelo Centro Histórico; lá em cima, alcandorado, o Castelos dos Mouros. Mas este, o Palácio da Pena, Monserrate e a Regaleira ficarão para outra visita, pois descobri que é possível apanhar um dos autocarros que regularmente fazem a ligação a estes lugares.

Não tendo levado guia turístico procurei o Posto de Turismo Mas neste e noutros municípios este e outros municipais foram “privatizados” e, pelo menos em Sintra, nada sabem informar. Já em casa descobri que 3 dos folhetos que recolhera sem prestar muita atenção são roteiros – Museus, Fontes e roteiro de S. Pedro. Mas isso seria desconhecido da simpática recepcionista, que no entanto me informara que o Museu do Brinquedo ainda não fora encerrado, na sequência da extinção governamental de inúmeras fundações.

Dei pois uma breve volta pelo centro da Vila, não percorrendo desta feita as ruelas pela encosta acima que calcorreara doutras vezes, Em fim de viagem rumo ao Guincho, através duma estreita e sinuosa estrada e de frondoso e cerrado arvoredo. Ao longo dela muitas quintas, que deveriam ser de gente endinheirada, quintas de lazer sem actividade produtiva relevante que fosse necessária para os respectivos proprietários.

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Mas referências a Sintra  surgem em muitos escritos meus, como os que a seguir se transcrevem.



1973
Lisboa
Ao entardecer de ontem as ruas da Baixa tinham um cheiro a chuva – um cheiro bom – enquanto as montras ao longo das ruas eram um apelo pelos saldos, principalmente vestuário. (…) Está hoje um calor abafado, sem nada da leveza das semanas anteriores. Prevê‑se, segundo os jornais, o racionamento de água em Lisboa. Água que já falta há muito nos concelhos limítrofes de Oeiras, Sintra e Cascais, onde pessoas há que não se podem lavar senão com águas de garrafão, tipo Luso e similares. Isto se não quiserem cheirar a sovaquinho e plantarem uma hortazita na sujidade do corpo. Entretanto a cólera alastra pela Itália e a Companhia das Águas de Lisboa vai informando que lançará mais desinfectante nas águas e, à cautela, a Direcção‑Geral de Saúde faz as recomendaçõezinhas da praxe, sem qualquer interesse dada… a falta de água. (MCG – 1973.09.05)

1975
Serra da Estrela
A neve parece esferovite e de vez em quando um tipo enterra-se até aos joelhos. Antes do cume a serra é negra, salpicada de branco; no cimo é um manto branco, que o nevoeiro confundia, tornando fantasmagóricos os vultos. Estava frio, mas suportava-se. Encontro-me num café da Covilhã ([1]) que parece um do Porto, enquanto as ruas lá para trás lembravam Sintra. Almoçámos no Fundão, na Escola Secundária, um prédio de habitação adaptado - onde as pessoas tinham um ar seráfico e beatífico, falando com um sotaque de seminaristas, padres ou de freiras de Santa. Zita - será que a maioria deles são destas bandas? - As miúdas desta região têm um ar rude ou agreste - serrano ? - Demos liberdade aos miúdos e até agora não tem havido problemas. Estou é maçado, pois a camioneta não é cómoda e por causa da reunião na Escola só me deitei às 3 da matina para levantar-me às 5 1/2. (MCG - 1975.02.26)
(...) Perguntas-me se gostei da Serra? vira o postal, e diz-me se essas pedras negras e essa erva amarelecida têm alguma beleza ou alegram o espírito! Imagina esta paisagem embranquecida pela neve, por entre rochas negras! E vai daí compreenderás que tenha arrefecido um pouco o meu entusiasmo... pela Noruega. (MCG - 1975.03.05)

1994
Ilha da Madeira
E por deambulações, um fim-de-semana destes, no final de Abril, fui até à Madeira, à terra do Alberto João (Jardim), como lá é conhecido. Tirei algumas fotografias e comprei alguns postais; visitei a ilha quase toda, que em muitos sítios me fazia lembrar terras do continente: aqui as Serras do Gerês ou de Sintra, além a linha do Estoril, acolá a Serra da Arrábida ou os socalcos dos vinhedos do Rio Douro (MMA - 1994.06.15)
1997
Barcarena
De Barcarena para norte parte uma rua estreita e curvilínea, rumo a Tercena, com algumas casas mais nobres, uma das quais tem na sua fachada um colorido painel de azulejos representando o Palácio da Pena em Sintra. Já fora da povoação, na estrada municipal 578 e á direita encontramos a Quinta do Sobreiro, do século XVII, debruçada sobre o vale, murada, mas permitindo ver uma escadaria exterior dando para uma varanda de alpendre, coberta, no 2º piso (loggia).

Daqui avistamos os campos cultivados e, mais para lá, a mole imensa e "urbana" de Cacém. (Notas de Viagem, 1997)

Leião
Leião é uma povoação com muitas vivendas em construção. Para ocidente avista‑se a Serra de Sintra, onde o sol se põe numa cintilante bola de fogo alaranjada. Nos arredores da povoação, bordejando a estrada, um chafariz com uma cruz e um pequeno tanque coberto, adjacente, para lavagem da roupa. Uma bomba de gasolina, da Repsol, desfeia a já de si incaracterística povoação, com uma modesta igreja com vasto adro e parque infantil adjacente. O centro de Leião é muito pequeno, pedonal, com algumas casas de aspecto rural. Lá se encontra a inevitável referência ao 5 de Outubro, desta feita um largo. (Notas de Viagem, 1997)

Cascais

Situa-se numa baia amena. A Câmara, com frontaria de azulejos, situa‑se numa largo pedonal, calcetada, onde... passam carros.. A Cidadela é uma fortificação imponente, numa praça ajardinada e arborizada. Perto, o Museu Biblioteca dos Condes de Castro Guimarães, no Parque da Gandarinha, com aprazível jardim e praia privativa. Dá na vista a fachada azulejada do edifício onde estão instalados os Paços do Concelho e que foi residência do Conde da Guarda. Nos arredores, na Estrada do Guincho, praia de dunas donde se avista ao longe a serra de Sintra, situa‑se a Boca do Inferno, arriba rochosa e cavernosa onde o mar bate com violência, onde se realiza uma feira ao longo da estrada. Na praia do Guincho foi cometido o crime de que fala José Cardoso Pires no seu romance “A Balada da Praia dos Cães”. (Notas de Viagem, 1997)

1998
Santarém
É bonita a entrada em Santarém, proveniente do Sul: primeiro avista‑se o castelo ao longe. Mudando de ponto de visão panorâmica, das Portas do Sol, no Castelo cujo interior está ajardinado, avista‑se a estreita e longa ponte metálica de D. Luís (1881) e, mais além, a lezíria ribatejana e as vilas de Chamusca, Alpiarça e Almeirim.  Vindo do Sul, à cidade chega‑se por uma ladeira íngreme, como em Sintra, com uma capela mais em baixo, a meio da encosta, para além da Fonte das Figueiras, alpendre ameado no exterior da muralha medieval, com três arcos ogivais . (Memórias de Viagem, 1997 / 1998)
Vila Fria
Vila Fria [Porto Salvo] é um típico bairro clandestino de vivendas de pobres, com ruas estreitas e tortuosas onde mal cabem dois carros, pois todo o terreno tem de ser aproveitado para loteamento. À entrada, na estrada de Paço d’Arcos, uma fonte atesta a benemerência dum proprietário agrícola, um tal Isidoro da Costa, que no século XIX e à sua conta a construiu à entrada da herdade para serventia do povo; trata se do Chafariz de Canejo Uma bica com azulejos, que também predominam nas fachadas das casas, chama a atenção. O Palácio da Pena em Sintra é um motivo dominante nesta região, talvez porque a massa imponente da serra se impõe lá para ocidente. As ruínas duma quinta com capela privativa chamam por enquanto a atenção do passante. (Notas de Viagem, 1998.01.31)


fotografias em photoandando por sintra
Sobre Sintra, Arte Pública X – ver





[1] - Da Guarda e da Covilhã nada me lembro. Talvez corresponda a esta última cidade a memória dum agradável jardim no centro da povoação. Ou será Castelo Branco, que também possui um parque ajardinado?  A Guarda ficou no meu imaginário por causa duma cozinheira daqui natural, que tivemos em Luanda, a senhora Ana, que falava da Sé da Guarda como edifício cuja construção não fora terminada. Ou a memória da história me traiu ou a história não terá sido esta, pois o edifício foi concluído, embora com morosidade no tempo, o que à época era habitual. Um dos seus arquitectos foi Mestre Boitaca. (1997)