Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

.

Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

.

Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
Mostrar mensagens com a etiqueta Crimes de Guerra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crimes de Guerra. Mostrar todas as mensagens

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Textos em fevereiro 11

 * Victor Nogueira

2023 02 11 Foto victor nogueira - Vila do Conde - Monumento ao Pescador (2021 09 07 IMG_6589)

Localizada em frente ao Oceano Atlântico, no limite sul do bairro piscatório das das Caxinas, este conjunto escultório em bronze é da autoria dos irmãos Carlos, Eduardo e Ramiro Bompastor, artistas plásticos vilacondenses. Inaugurado em 1994, retrata a bravura e o engenho dos pescadores enfrentando a dureza da sua faina.


2023 02 11  Guerra do Vietname -  Seymour Hersh e o Massacre de My Lai 1963 03 16  ,/ Nick Ut (fotojornalista Prémio Pulitzer) e  "O Terror da Guerra" ou "Napalm Girl" ("A Menina de Napalm")   1972 06 08  

Victor Nogueira  Em tempos o Facebook "apagou" uma publicação minha ilustrada com esta foto alegando que expunha "nudity". Uma outra que me apagou com o mesmo argumento representava uma mãe negra esquálida dando o seio a uma criança negra esquálida. 🙁

Eduardo Martins  faz parte... Eu estive de castigo por imagens que o algoritmo de serviço ,puro como Torquemada ,assim decidiu.


2022 02 11 Todos diferentes todos iguais

Lágrima de preta, de António Gedeão

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão, "Poemas escolhidos", Lisboa, Sá da Costa, 1997

2022 02 11 - Foto victor nogueira - Algés (rolo 550 - Foto em 2000.12)

Inseridas num projecto intitulado "Passeios Públicos-Histórias Privadas", na Rua Afonso Palla, em Algés, estas são duas das quinze esculturas dum conjunto, aí colocadas, todas da autoria de António Quina, Encoberta, á esquerda, uma 3ª escultura.
VER «Desapareceu uma das estátuas da Rua Major Afonso Palla em Algés» in https://gazetademiraflores.blogspot.com/.../desapareceu...
«Percurso de estátuas em Algés» in https://www.minube.pt/.../percurso-de-estatuas-em-alges...

Sobre o Major Afonso Palla VER «Afonso Pala, um Herói Republicano, nasceu há 155 anos» in https://ruascomhistoria.wordpress.com/.../afonso-pala-um.../ 


2020 02 11 Foto de família - estudando asceticamente ou pondo a correspondência em dia, em Luanda, na Praia do Bispo. A camisola foi tricotada pela minha tia Lili.

Carlos Barradas
Era cacimbo?
Responder3 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
Deveria ser nas Férias Grandes A maior parte do ano andávamos em mangas de camisa e no cacimbo muitas vezes só vestíamos camisola à noite, qd fazia mais frio LOL
Responder3 ano(s)Editado
Carlos Barradas
Victor Barroso Nogueira e na Praia do Bispo era mais húmido à conta da brisa marítima!!
Responder3 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
Quando estive em Portugal em 1963, no Porto, a água da praia era gélida, no Verão, e raramente mergulhava no mar. Quando regressei a Luanda passei a ir à praia no cacimbo, pois embora fria, a água era mais quente que em Portugal
🙂
Responder3 ano(s)Editado
Carlos Barradas
Victor Barroso Nogueira eu ainda hoje só consigo tomar banho no Algarve e em dias muito quentes, sou sensível à água fria !! Ah e mergulhei numa Bia na Florida e na Austrália com água a 27 graus!!! Lolololololol
Responder3 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
Carlos Barradas Eh, pá, nem no Algarve, onde estive successivamente em Lagos, Tavira, Portimão e Aljezur. Ia "morrendo" enregelado
Aliás, as únicas praias que me souberam a sal, sol e areia foram as de Aljezur, lembrando vagamente as de Luanda 🙂 🙂
E as praia de setúbal tb são polares. Safa!
Responder3 ano(s)
Carlos Barradas
Victor Barroso Nogueira pois, só em dias bem quentes!! A média de temperatura das praias no inverno e verão são de 15 graus!! Impossível para malta que viveu em África!!
Responder3 ano(s)

2014 02 11 Corto Maltese, um homem de muitas admiradoras e de muitos encantos por elas, mas parece-me que é tudo platónico, talvez por ele ser adepto da igualdade do género, da liberdade e das causas generosas.

Onde termina a liberdade e começam a prisão e a solidão ?

2014 02 11 

o silêncio sonoro das palavras
apenas
e
só
silabadas
enca(n)deadas
Paço de Arcos 2014.02.11

2013 11 02 Setúbal - foto fgp - na 2ª feira de carnaval, outra máscara 

~~~~~ ANéMONA DO MAR ~~~ 

De um punhado
de branca areia salgada
fez-se
verde madeiro
.........................vogando
........................................ao sabor da corrente
na esteira de todos os sorrisos
De ilha em ilha
castelos no ar
que a chuva........gota .......a ........gota
...........................construiu
e o sol dispersou

 
Évora 1969 Fevereiro

Ricardo Jorge Mateus Pina
cara de reformado victor.
Ver tradução10 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
Ainda estava ao serviço na chafarica, Ricardo Jorge Mateus Pina LOL
10 ano(s)
Clara Roque Esteves
Vitor, estava a achar-te muito recauchutado...Mas faz-nos bem reviver o passado de vez em quando. Adorei o poema que, julgo, pertence à tua fase mais rica poeticamente falando, aquela com a qual me identifico mais, por ser mais sensível, mais profunda no mostrar do amar. Obrigada.
10 ano(s)
Ricardo Jorge Mateus Pina
ahahaha. chafarica é um bom nome. eu por cá vou definhando.
10 ano(s)
Judite Faquinha
Clara o que o Victor pode achar de mim pouco me importa!!! Agora o que eu sentir sobre o que ele escreve... sou muito sensível, sobre o que penso e no que sinto, e não sinto o mesmo sobre tudo o leio; tenho um amigo Sociologo... me diz que eu tenho a minha sencíbilidade á flore da pele!!! Pessoalmente, não vou julgar o Victor, que não conheço...no meu coração todos os amigos virtuais são boas pessoas, até que mostrem o contrario OK. Bjs
10 ano(s)
Clara Roque Esteves
Judite Faquinha, comigo? Não percebo o seu comentário. Não li o que o Vitor Victor Nogueira terá escrito sobre si. Eu gosto muito da escrita dele, particularmente a que se situa entre os anos 60 e oitenta.
10 ano(s)
Judite Faquinha
quem escreveu que o Victor e estava achar-te recauchutada... não foi o Victor, nem fui eu... foi a amiga Clara, por isso respondi...quanto ao resto pouco me importa ok. leia o que escreveu em cima!!!
10 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
Judite Faquinha e Clara Roque Esteves A Clara dizia que eu na foto parecia mais novo. Só isso. Zango-me convosco se se zangarem por minha causa LOL Bjos
10 ano(s)
Judite Faquinha
Victor, eu não estou zangada com ninguém!!! Mas a tua amiga Clara sabe muito bem o que escreveu... agora não vá pedir a tua ajuda, só falta o que ela escreveu, acima do meu comentário, que agora Victor... simplesmente desapareceu, e eu sei como se desaparecem quando não nos agrada, quanto ela dizer que na foto perecias mais novo, não é verdade,eu não li nada disso!!! Faz-me um favor? Diz á tua amiga Clara, que eu não gosto de bricadeiras de mau gosto!!! Só te digo desculpa-me...pelo respeito que sinto por ti amigo bjos lololol
10 ano(s)
Donzilia Conceiçao
Outra bela foto tua, com um poema lindo Victor, hoje também é segunda feira e caem umas gotas de chuva, e também o sol dispersa. Só que faz muito frio. mas tu nos aqueces o coração com a tua poesia e com tudo o que escreves, sobre tudo porque és um homem muito sensível, como eu sou que amo poesia e a reviro e viro de pés para o ar porque é bom a gente saber ler e interpretar muitas vezes o seu significado, mas a tua é tão verdadeira que nos deixas sem palavras para a comentar, tem tanta beleza e sensibilidade que nem precisamos pensar, obrigada pelas tuas partilhas e continua, porque eu te gosto de ler e saber que és assim, um beijo amigo
10 ano(s)
Margarida Piloto Garcia
Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii o que para aqui vai, lol. Ai Victor, então tu pões estas fotos e deixas o pessoal descontrolado??? 🙂 🙂 Não conheço a outra senhora, mas todos me merecem respeito, desde que me respeitem, mas conheço a Clara e penso que te tem em estima e consideração. Olha eu cá por mim, gosto muito desta foto. Acho que tens sonhos nos olhos. Beijinhos.
10 ano(s)
Guiomar Pedreira Casas Novas
LINDO POEMA VICTOR NOGUEIRA!
10 ano(s)
Deolinda F. Mesquita
Boa noite Victor. Adorei este poema. Obrigada Bjs
10 ano(s)
Yolanda Botelho
Belo...bjs
10 ano(s)
Maria Mamede
Bjs.
9 ano(s)
Vânia Cairo
Belo poema!!! Bjo
9 ano(s)
Maria Rodrigues
(Y)
9 ano(s)
José Coelho
ABRAÇO
Ver tradução9 ano(s)
Luisa Neves
EXCELENTE. Fica um sorriso. 🙂
9 ano(s)
Madalena Mendes
Bom Domingo, Querido Víctor!
9 ano(s)


2013 02 11 Continuando o meu balde/baile de máscaras neste carnaval de 2013, um auto-retrato telemovelesco. O poema, esses está aqui, logo a seguir

Lassos
como roupa
no chão.......em rodilha
.............Rugas
(imperceptíveis)
.............nos olhos
um leve sorriso:
olá amiga!

um erguer pela gola
um desalento
um sorriso brando

na serenidadde do entardecer
uma enorme interrogação
a luz do candeeiro
o pó dos caminhos

nos lábios
um leve sorriso
(imperceptíveis)
.........ao canto dos olhos
rugas
.........na alma
um enorme cansaço

 
1972.Março.04. Évora 

 ~~~~~~~~~~

2011 02 11 Nem somos piegas como o farsola invertebrado quer fazer crer nem o problema se restringe a Portugal e à Grécia, antes é um problema de sobrevivência da própria humanidade e da vida na terra, postos em causa por um sistema- capitalista-autofágico, desumano e predador. 

E não devem ser o farsolas, comparsas e seus patões quem deve ditar as nossas palavras de ordem. Porque não "Fulano a luta é de todos" ou "Fulano contra os escravocratas" ou "Fulano Todos em 11 de Fevereiro" ?

Clara Roque Esteves
Vitor, concordo com toda a tua argumentação, discordo da terminologia. Detesto os fulanos mas prefiro chamar-lhe filhos da mãe...
11 ano(s)
José Eliseu Pinto
Como tu próprio dizes, Victor, há que chamar os bois pelos nomes.
E não há que ser condescendente com a canalha, a bem da clareza de entendimento, sobre o que se está a passar sob os nossos narizes.
11 ano(s)

domingo, 21 de agosto de 2022

Textos em agosto 21

 * Victor Nogueira

2022 08 21 - Repetindo uma atoarda um leitor on line, a propósito da denúncia pela Amnistia Internacional da utilização de "escudos humanos" pelas forças armadas ucranianas, escreve:

«Alguém tem que perguntar à AI como é que se defendem cidades de serem invadidas sem colocar material de guerra dentro da cidade. É uma curiosidade que tenho e que gostava de ver explicada.»

Enquanto outro escreve, no seu arrazoado entrando em contradição consigo próprio:

«Dois pesos e duas medidas ? Pôr o invadido no mesmo patamar do invasor , diz muito sobre parcialidade do opinador . e quem quer saber do comunicado da amnistia internacional , quando os carniceiros violadores e saqueadores russos atacam e matam sem dó nem piedade e arrasam cidades inteiras , prática que já usaram noutros países , os ucranianos fazem o que podem para travar os invasores e assim preservar o país e a vida dos seus . . .»

Para além de não haver notícia de que as forças armadas russas, na Ucrânia ou noutros conflitos, tenham arrasado cidades inteiras (ao contrário do que é prática dos EUA em todo o mundo - Dresden, Hiroshima, Nagasaqui, Vietname, Cambodja, Coreia. Médio Oriente ...) o opinador defende o uso de escudos humanos pelas forças armadas ucranianas. isto é, a utilização de civis ucranianos para preservarem a vida de ... ucranianos!

Ora:

O Direito Internacional Humanitário plasmado em Protocolos Adicionais das Convenções de Genebra (1949), entre outros tratados internacionais, proíbem taxativamente o uso de "escudos humanos", voluntários ou involuntários, pelas forças beligerantes, para se protegerem ou protegerem as suas instalações ou locais estratégicos ou tentarem dissuadir as forças adversas dum ataque directo. O uso de "escudos humanos" é considerado um crime de guerra, susceptível de ser presente a Tribunal Penal Internacional.

VER https://stories.agazeta.com.br/politica/entenda-o-que-sao-crimes-de-guerra-0322


2022 08 21
- O Provedor "critica" o Público quanto á sua política editorial relativa á cobertura parcial da guerra na Ucrânia e a Direcção do jornal publica o texto, acessível apenas aos assinantes.  E deste modo o  "Público" desvaloriza o público, mantendo as críticas deste e do Provedor do Leitor em modo privado! É com esta "massa" que o Público/SONAE pretende amassar e vender o que apregoa ser um "jornalismo de qualidade"? 



2022 08 21 -  Diz a notícia que «Lusa - As Forças Armadas vão acompanhar dois navios de guerra russos no mar português, com destino ao Mediterrâneo, nos próximos dias, informou este domingo o EMGFA, assinalando que se trata de "um procedimento normal". »

Se isto é um procedimento normal e corriqueiro, porque carga de água o Público on line e a restante imprensa dão a noticia com grandes parangonas?

Completamente alienados, a maioria dos comentadores do Público on line, nesta notícia e a despropósito, regozijam-se com o atentado que vitimou a jornalista russa Darya Dugina enquanto vituperam a Rússia e defendem que a Marinha de Guerra Portuguesa deveria afundar todos os navios russos que navegassem nas águas territoriais portuguesas.

EM TEMPO - O Público eliminou todos os comentários on line relativos a esta notícia.

2019 08 21 - foto victor nogueira . pombas nas ruínas do baluarte setecentista de santo antónio e dum antigo tanque de rega agrícola

2015 08 21 - Foto Victor Nogueira - Portimão - ponte sobre o rio Arade

DO MEU LIVRO DE VIAGENS (1986 -antes da construção da chamada Via do Infante)  - Por uma estrada atravancada de carros, espinha dorsal transversal do Algarve, fomos [de Lagos] até Faro. Pelo caminho, lá em baixo, Portimão à beira do curso de água, com os seus restaurantes característicos de sardinhadas. A cidade situa se na foz da Ribeira do Arade.. Do cimo da ponte, lá em baixo, os restaurantes com a fumarada da sardinha assada e o reflexo das traineiras nas águas que balouçam suavemente. Foi importante centro ligado à indústria conserveira, como Peniche, Setúbal e Matosinhos, hoje em decadência.  (1986)

Ao pé de Portimão uma ponte parecida com a de Vasco da Gama, no rio Tejo. O rio Arade está seco e cheira mal. Muito trânsito. Atravessamos Alcantarilha com a Igreja lá no cimo, meia tapada por um enorme edifício antigo cor de rosa escuro. Passamos pela Zoomania (ou Zoomarina?)

2000.04.21 – 135 km

(Portimão)

À saída de Portimão a caminho de Monchique, fotografia a pombal. De Portimão até Monchique a estrada corre por entre pequenas elevações cobertas por arvoredo, tudo verdejante. Aqui e além, muito raramente, um pequeno grupo de casas. Cruzamo-nos com um grupo de turistas com tendas e alforges. Atrás do selim. (?) Acabaram os burros que transportavam as pessoas, as mercadorias e as bagagens e em substituição ficam as bicicletas. Não se dá cabo da saúde dos burros e as pessoas ganham-na pedalando. À beira da estrada, aqui e além, vende-se artesanato do Alentejo e laranjas vistosamente floridas. A 2 km de Monchique a subida torna se mais acentuada e curvilínea. 


2014 08 21 - foto victor nogueira . Ponte de Lima  (Praça da República e estátua de D. Teresa, condessa de Portucale)

2014

Situada na margem do Rio Lima, a sua ponte de que restam troços romanos foi importante via de comunicação durante séculos, embora das fortificações medievais restem apenas alguns panos de muralha e torres. É uma vila aprazível mas nesta 2ª  feira os forasteiros eram imensos tal como os automóveis  estacionados por todo o lado, devido à movimentada feira quinzenal.  Encontrar lugar para estacionar é mais difícil do que descobrir uma agulha num palheiro.Desistimos de parar aqui para tomar o café e deambular e seguimos para Arcos de Valdevez, onde almoçaremos, deixando Ponte da Barca para trás. 

Saídos da Vila vamos em busca do Festival das Flores e deparamos com um jardim agradável á beira duma praia fluvial donde se avista Arcozelo – a povoação defronte de Ponte de Lima, na outra margem do rio, e uma torre ameada. Há banhistas estendidos pela relva, na maioria jovens, uma das quais desenha a paisagem envolvente num caderno. No rio evoluciona uma canoa e na esplanada não há “comes”, apenas “bebes”. O que me faz lembrar que há uns anos estivemos em Ponte de Lima para comer papas de serrabulho, um típico prato minhoto confeccionado com sangue de porco, carne de galinha, carne de porco, salpicão, presunto, chouriço, cominhos, limão e pão ou farinha de milho, entre outros ingredientes, constituindo normalmente uma sopa alentada ou acompanhamento dos rojões à moda do Minho, por exemplo. 

Mas esta referência deve-se ao facto de na altura a jovem e simpática empregada que nos servia afirmar, perante a minha incredulidade, que desconhecia onde ficavam Lisboa ou Setúbal.

1997

Situa‑se no caminho de Santiago de Compostela, destacando‑se uma ponte de pedra, medieval, com 27 arcos, que substitui as barcas que outrora ligavam as duas margens do Rio Lima  Largo com cafés com toldos e chafariz, numa margem (Praça Luís de Camões - Café Casa Havanesa), a Igreja de Santo António da Torre Velha, na outra, em Arcozelo. Ruas medievais com imponente Torre da Cadeia, um dos poucos vestígios que restam da fortificação medieval, derrubada no século XIX. A praça Luís de Camões, em aterro roubado ao rio, fica no início da Avenida dos Plátanos e possui um chafariz quinhentista com as armas da vila, o casario reflectindo-se nas águas ribeirinhas. A maciça Torre do Postigo tem marcas das cheias do Rio Lima, em 1809 e 1987. As paredes pintadas de branco ou azulejadas dumas casas contrastam com a pedra escura, granítica, justaposta, de outras. O Palácio dos Marqueses de Ponte de Lima é uma construção desgraciosa, ameada, flanqueada por duas pesadas torres, semelhante a muitas que existem pelas terras do Norte.

Do outro lado da ponte fica  o bairro de Além-da-Ponte, onde se destaca a ermida de Santo Ovídio e, e, pano de fundo, a serra de Arga.

Já mudou de nome a Rua de Dentro da Vila, mas persistem a Calçada dos Artistas e as ruas da Fonte da Vila, do Arrabalde, Formosa, para não falar do Largo da Feira.

Pelas terras em redor as casas solarengas lembram a riqueza e conforto dos senhores daqueles campos férteis. (Memórias de Viagem, 1997)


2011 08 21 - Na vida tudo passa, tudo esquece, tudo morre. Ficam apenas a cinza dos corações queimados, o sabor amargo das (des)ilusões e o pó de lantejoulas ! VN dixit.~

2010 08 21 - Lima Limão

A novela jornalística actual gira à volta de Limas - por um lado a enorme fortuna de Tomás Feteira a partir das limas de Vieira do Minho, que lhe permitiram chegar a ser um dos homens mais ricos do mundo, deixando uma  enorme fortuna em bolandas com herdeiros e presumíveis herdeiros e um falecimento à mistura em que aparece ou não envolvido outro Lima, advogado da companheira e ex-secretaria do arqui-milionário, assassinada ou executada no Brasil.

Numa reportagem no Público conta-se o sucesso das limas de Vieira do Minho com repressão sobre os trabalhadores, bufaria, PIDE e sobre-exploração da mão de obra, no tempo de Salazar, crias e mandantes, com retorno aos explorados dumas migalhas a serem administradas por mais uma benemérita Fundação mai-la Junta de Freguesia. Tudo isto numa grande embrulhada com triliões de tostões à mistura e o ponteiro da balança a dar-a-dar !!

Publicada por Victor Nogueira em Mu(n)do Phonographo Sábado, Agosto 21, 2010

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Textos em agosto 08

 * Victor Nogueira

2022 08 08 - Diz a notícia que «A Amnistia Internacional disse este domingo "lamentar profundamente a angústia e a raiva" que causou ao alegar que as forças ucranianas estavam a desrespeitar as leis internacionais ao expor os civis ao fogo russo. "Enquanto defendemos totalmente as nossas descobertas, lamentamos a dor causada", indicou o grupo de defesa dos direitos humanos, reiterando que "nada do que documentámos sobre a ação das forças ucranianas justifica de forma alguma as violações russas".»

Declarações vergonhosas. A Amnistia Internacional lamenta profundamente a dor e a raiva que o seu  único relatório causou por denunciar alegados crimes de guerra e contra a humanidade perpetrados pelas forças armadas ucranianas, quando nunca lamentou a dor e a raiva que os seus recorrentes  relatórios terão causado por denunciarem  crimes de guerra e contra a humanidade alegadamente praticados pelas forças armadas russas.

Cereja em cima do bolo. A Amnistia Internacional afirma que "nada do que documentámos sobre a ação das forças ucranianas justifica de forma alguma as violações russas" 

Raciocinando a contrario senso, a Amnistia Internacional relativiza a gravidade dos alegados crimes das Forças Armadas ucranianas? 

Isto é, estes crimes ucranianos poderão ser justificados  ou minimizados se como justificação invocarem os das Forças Armadas russas?

Uma vergonha esta justificação da Amnistia Internacional, que aparentemente considera injustificados os alegados crimes russos que poderiam ser a justificação desculpabilizante dos crimes ucranianos, qualquer que tenha sido a motivação destes últimos!

Fosse isenta e a Amnistia Internacional lamentaria apenas e tão somente os crimes de guerra e contra a humanidade, indistintamente.

Agindo como agiu e se justifica, a Amnistia Internacional, face às posições de Kiev e da sua directora na Ucrânia, fez um frete ao governo de Zelensky e a USA/NATO/aiUÉ?


2022 08 08 - Ninguém segura Marcelo, ansioso por apertar a mão do irmão Bolsanero, que após a parabenização pelo Presidente da República Portuguesa não tem senão desfeiteado este? 

A foto da parabenização vale mais que mil palavras: "chega p'ra lá, siô Marcelo"?


2021 08 08 Foto victor nogueira - Grafito em Setúbal (HPIM3941) - A imagem remete para o 25 de Abril de 1974, mas desconheço o que significa o 50, pois a foto é muito anterior a 2021, ano do seu 47º aniversário.

sábado, 6 de agosto de 2022

Textos em agosto 06

 * Victor Nogueira

2022 08 06 - HIROSHIMA E NAGASAKI - MAIS BRILHANTE QUE MIL SÓIS

Há 77 anos, em 6 de Agosto de 1945, pelos EUA foi lançada a 1ª bomba nuclear, em Hiroshima, feito repetido a 9 de Agosto, sobre Nagasaki. Estas duas cidades japonesas não tinham interesse militar e o Japão já estava derrotado.

As duas bombas nucleares arrasaram a esmagadora maioria dos edifícios e provocaram de imediato entre 150 mil a 250 mil mortos, a esmagadora maioria civis. Dezenas de milhares morreram nos anos subsequentes, para além de muitos nascituros com malformações congénitas.

O objectivo destes feitos era intimidar a URSS, até aí aliada na guerra contra o nazi-fascismo e determinante na sua derrota, permitindo paralelamente testar os efeitos das bombas nucleares.

Estas foram até ao momento as únicas usadas como arma, pois entretanto a então URSS também conseguira começar a sua produção.

Os EUA pensaram repetir a façanha, anos depois, admitindo a utilização de armas nucleares nas guerras do Camboja e da Coreia.

De 1946 a 1958, os EUA utilizaram como cobaia as populações das Ilhas Marshall, no Oceano Pacífico, efectuando 67 testes nucleares, com nefastos efeitos radioactivos que se mantêm ainda no presente. (ver https://super.abril.com.br/.../ilhas-marshall-onde-eua.../ )

Por estes crimes de guerra e contra a humanidade nunca foram os EUA julgados. Note-se que os EUA recusam reconhecer a jurisdição dos Tribunais Penais Internacionais, desde que estes pretendam ter a ousadia de julgá-los.

2022 08 06 - OS BONS, A INOCENTE E OS BÁRBAROS MAUS DA FITA - Oksana Pokalchuk, que se demitiu por sua livre iniciativa, «escreveu que tentou dissuadir a organização de publicar o relatório tal como foi publicado.» E fê-lo, porquê?  

Diz a peça que «“Desde o início da agressão em larga escala, não deixámos de enfatizar as violações dos direitos humanos e do direito humanitário internacional cometidas pela Rússia, país agressor. Documentámos minuciosamente estas violações, e elas constituirão a base de numerosos procedimentos legais e ajudarão a levar os responsáveis à justiça”.

A ucraniana, que pertenceu à AI durante sete anos, afirma que o relatório não poderia “deixar de conter informações sobre o outro lado da guerra, sobre o país que a iniciou”.

“A organização elaborou material que soou como sendo de apoio às narrativas russas. Com o objectivo de proteger os civis, a investigação tornou-se, em vez disso, um instrumento de propaganda russa... »

~~~~~~~~~~

.Trocando por miúdos, questiono-me: A secção da Amnistia Internacional na Ucrânia "ENFATIZA" os alegados crimes de guerra cometidos pelos invasores, os russos, colhendo minuciosa documentação. 

Mas a ora demissionária defende candidamente que  recolher e divulgar (apenas) provas documentais sobre alegados crimes de guerra cometidos pelas forças ucranianas "defensivas" é um contributo que  favorece a narrativa e a propaganda russa. 

Mas  enfaticamente esconder ou minimizar  esses alegados  crimes ucranianos e divulgar apenas os alegados crimes russos, não contribui para fortalecer a narrativa  e a propaganda ucraniana, a da USA/NATO/aiUé? 

Porque carga de água os alegados crimes de guerra e contra a humanidade cometidos pelas forças ucranianas e pelas forças russas teriam de constar dum mesmo relatório e não de relatórios distintos? Independência e equidistância seria exigir e reclamar que fossem recolhidas provas documentais relativas a  ambos os lados, sem enfatizar uns em detrimento de outros.

Ah! mas os russos são os invasores e os ucranianos são os defensores, justifica com alegada inocência a agora auto demissionária .dirigente da Amnistia Internacional na Ucrânia!  

2022 08 06 - A peça jornalística do estoura milhões em rapidinha no negócio do arrecada biliões, o Bezos da Amazon agora empresário investindo no turismo de alto coturno, estratosférico e aeroespacial. 

Reza a peça que «São já 35 as pessoas no mundo que foram ao espaço e, com o crescimento do turismo espacial, o número só tenderá a aumentar» em viagens que duram cerca de 11 minutos. dos quais 3 sem gravidade na cápsula para os indómitos sertanejos poderem ostentar a medalha de "verdadeiro astronauta".

2022 08 06 - Barreto, o intelectual, o estudioso,  o sociólogo, o vendedor pago pelo Pingo Doce para publicitar a garrafeira comercializada por esta cadeia, desta feita escreve esta peça digna duma antologia da mistificação  O que faz correr Barreto?   

By the way - Faz hoje 77 anos que os EUA iniciaram a era do terror com o lançamento da 1ª bomba nuclear. sobre Hiroshima,  seguida da ª2ª, três dias depois, sobre Nagasaqui, alvos civis sem interesse militar, e que assassinaram de imediato entre 150 mil a 250 mil civis, a que se seguiram dezenas de milhares de mortos nos anos seguintes,  Foram as duas únicas bombas nucleares lançadas para impedir o avanço das ideias comunistas e socialistas, pois entretanto a então URSS conseguiu passar a produzi-las. 

Nunca os EUA, esse farol da Democracia e dos Direitos Humanos, foi presente a qualquer Tribunal Penal Internacional que o julgasse por estes crimes de guerra e contra a Humanidade. 

No seu arrazoado Barreto, que não é  obtuso, que não é um dos "sofisticados pensadores de boulevard e de universidade, mais  orientados para sublinhar as equivalências" entre democracias e autocracias, pois "todos os regimes e sistemas têm defeitos", assim sinistramente amalgamando, embora desta amálgama, segundo Barreto,  os sofisticados pensadores de boulevard apenas excluam «o fascismo, diabo por excelência, inferno por definição e capitalista por obrigação».

Que mais afirma Barreto, que não é obtuso nem intelectual de boulevard?

«Nas democracias, geralmente ocidentais, há enormes problemas e defeitos. Será necessário dizê-lo? Há desigualdade social, opressão económica, exploração e outras formas de desigualdade (étnica, racial, de género, de geração, de religião). Em quase todas as democracias, há pobreza, desemprego, marginalidade, criminalidade e tráfego de droga. Podem existir formas opressivas de convívio social, incluindo o machismo, o racismo, a intolerância religiosa, a exploração sexual e a violência de costumes. Há democracias com excessos de burocracia, de militarismo e de fanatismo religioso. Como há, em quase todas as democracias, corrupção a mais. Em certas democracias, há fabricantes e comerciantes de armas com grande capacidade para influenciar as autoridades políticas.»

Paralelamente, o que sucede nas  autocracias despóticas como as da Rússia e da China? Segundo Barreto, «Repúblicas e democracias populares são democracias de cenário, com liberdades de associação e de expressão limitadas ou inexistentes. A regularidade da eleição e o sufrágio secreto são ficções. O domínio do Estado, das Forças Armadas e do partido do governo é total. A liberdade económica é limitada. A criação cultural é controlada. O direito de associação é condicionado. O direito à greve é crime. A liberdade religiosa é inexistente. Nunca um partido, que não seja o do governo, ganhou uma eleição. A vigilância policial é uma arte elevada à perfeição.» Pelo contrário, nada disto sucede nas democracias que Barreto enaltece e designa como .... "ocidentais"

O homem, Barreto, escreve isto e não lhe caem os dentes e cresce o nariz como ao Pinóquio, o boneco criado Geppetto! 

~~~~~~~~~~

2022 08  06 - 

 Ele - Tão gira

🙂
Ela - ,com 61...
Ele - A cor da beleza não tem idade
😛
Ela - ... tão romântico...
💙
Ele - Há imagens que despertam ou reavivam as cores da memória e fazem pulsar o coração, nas asas do vento LOL


2016 08 06 -  Foto victor nogueira - em  Lisboa 1963 09 10

Em 1963/64 estive um ano a estudar no Porto e assisti à inauguração da Ponte da Arrábida, sobre o Rio Douro. Por essa altura, no Verão, com o meu avô Luís, passámos parte das Férias Grandes nas Termas de Monte Real com final em Lisboa. É dessa altura esta foto que tirei do Castelo de S. Jorge, ainda a Ponte sobre o Rio Tejo estava a ser construída. Em 1966 estava de novo em Portugal, para frequentar o curso de Economia, tendo então e pela TV  assistido à sua inauguração.  Sobre a Ponte 25 de Abril "falo" em 

em torno da ponte 25 de abril



Hiroshima


Dresden

2014 08 06 - Um crime contra a Humanidade PARA QUE A MEMÓPRIA NÃO ESQUEÇA A MONSTRUOSIDADE DO CAPITALISMO

- Em 6 e 9 de Agosto de 1945 e com a Alemanha nazi derrotada pela URSS após as batalhas de estalinegrado e de kursk e o Japão tb derrotado, os EUA - que pretendia de facto aniquilar a URSS e o comunismo, conjuntamente com o Reino Unido de Churchill e a França de De Gaule - lançou duas bombas atómicas sobre alvos civis - Hiroshima e Nagasaqui - que arrasaram as cidades e provocaram de. imediato cerca 140 mil e 80 mil mortos - totalizando 220 mil mortos - sem falar nas sequelas humanas que ainda se fazem sentir entre os sobreviventes e seus descendentes.

O verdadeiro objectivo foi intimidar a URSS, obrigando a uma corrida aos armamentos. Nunca o Bloco Socialista incluindo a URSS lançaram bombas atómicas mas os EUA pensaram fazê-lo de novo durante a Guerra da Coreia.

Registe-se que em 1945 com bombardeamentos convencionais os EUA haviam morto cerca de 30 mil civis em Dresden (Alemanha) e 100 mil em Tóquio (Japão), respectivamente em Fevereiro (13 e 15) e Março.

PARA QUE A MEMÓRIA NÃO ESQUEÇA

2013 08 06 - PARA QUE A MEMÓRIA E A HUMANIDADE NÃO ESQUEÇAM NEM PERDOEM

1945.08.06 - 2013.08.06 - 68º aniversário

Depois da barbárie nazi-fascista e na sequência do extermínio dos ameríndios e das populações africanas, uma nova escalada na barbárie dos crimes contra a humanidade, esta perpetrada pelos EUA - a 1ª bomba nuclear - lançada a 6 de Agosto de 1945 sobre objectivos civis - para intimidar a então URSS cujo contributo fora determinante para a vitória dos Aliados e para estudar os efeitos das radiações. Feito repetido a 9 de Agosto, sobre Nagasaki. Feito que o General Mc Arthur tentou repetir anos depois na Guerra da Coreia, para evitar a derrota dos EUA pelos guerrilheiros coreanos.

As estimativas do primeiro massacre por armas de destruição maciça sobre uma população civil apontam para um número total de mortos a variar entre 140 mil em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki, sendo algumas estimativas consideravelmente mais elevadas quando são contabilizadas as mortes posteriores devido à exposição à radiação. As duas únicas bombas nucleares lançadas até ao momento foram-no pelos EUA.


2010 08 06 - Portugal dos Pequeninos, Sociedadezinha Anónima

Não conheço outros países além de Luanda e Portugal. Escrevo Luanda porque li algures que havia uma Angola cosmopolita, relativamente tolerante e não racista sediada em Luanda, e uma Angola do Mato, com outra vivência, que eu não tive, mais telúrica mas também mais tacanha, pese embora o empreendedorismo de muitos emigrantes e o facto de constar que em Angola quem ganhou as eleições ter sido o General Humberto Delgado.

Mas Portugal é uma terra em inho, de medos ancestrais, como diria O'Neill, um país de bufozinhos, de invejosinhos, de vistas curtinhas, de desenrascansozinho, de anomimatozinho, tudo bem aproveitadinho para esconder a grande criminalidade e gatunagem, encoberta durante séculos pela bufaria da Santa Inquisição, da PIDE ou de certa Partidocracia, como aquela que levou um certo Coelho a afirmar que quem se mete com o PS leva, um certo Pepe Sócrates a autodefinir-se como um animal feroz ou um certo Portas a defenestrar Freitas do Amaral e entregar a fotografia deste na sede do Rato !

Pois o Portas lá voltou outra vez a ser o bombo da festa, para dar descanso ao mano Sócrates. Depois da história dos submarinos envoltos em luvas, surge a venda por tuta e meia duma pistola metralhadora concebida em Portugal e que na onda das privatizações lá se foi, dando proveitosos lucros a quem a comprou ao preço da uva mijona.

Logo os opinion makers de bancada on line, desta vez no Correio da Manha, opinaram, alguns em defesa de Portas e, não tendo lido o texto da notícia em papel, perorava um deles que se tinha sido vendida era porque não prestava.

Estes comentadores de bancada normalmente escondem-se atrás dum nick - "anónimo" - e um deles, a propósito de Portugal ser o País da União Europeia com mais contratos a prazo, opinava que os bons trabalhadores não precisavam de ter medo porque o patronato os sabe distinguir ! Este ou é capacho ou patrão, mas no 1º caso a hora dele soará!

São do mesmo calibre daquele que afirmava que os sindicalistas e comunistas são uma corja de madraços e calões, que nada querem fazer a não ser destruir as empresas.

Um dia destes o Provedor do Leitor do Público, subsidiado benemeritamente pelo Tio Belmiro, dava conta do facto das pessoas se esconderem por detrás do anonimato, de usarem nicks de outros leitores e de muitas vezes comentarem a mesma noticia com nicks diferentes mas que o sistema de livre opinião instituído não permitia controlar ou evitar estas anomalias. Prometendo voltar ao assunto, o Provedor descansou !

Estou a ler uma obra em dois volumes da autoria de J. M. Campos (quem será?), editada pelos Amigos do Livro e intitulada - "Opressão e Repressão - Subsídios para a História da PIDE". Uma das memórias mais antigas que tenho é a duma fotografia do caixão do General Carmona, publicada num jornal de Luanda. Pois aquele velhinho de ar sereno, bondoso e aristocrático que nunca aparece a fazer a saudação fascista ao contrário de Salazar, no tempo em que empalmou Mendes Cabeçadas e Gomes da Costa, como Presidente do Ministério assinou legislação que decidia o julgamento sumário e fuzilamento de todos os civis que fossem encontrados com armas ou bombas. Afinal, no tempo da benemérita Ditadura Militar, a pena de Morte foi reintroduzida em Portugal, embora a Constituição de 1933 a prescrevesse, apesar de haver malandros que posterior e maldosamente se punham ao alcance dos disparos acidentais da PVDE/PIDE,/DGS da GNR e da PSP, como Dias Coelho, Catarina Eufémia, Alfredo Dinis ou o General Humberto Delgado, entre muitos outros!!! Isto para não falar nos indígenas das ex-colónias, seres primitivos mergulhados nas trevas da escuridão a que o homem branco se propunha arrancar, devagar, devagarinho!

Continua no D'Ali e D'Aqui

.Publicado no Mu(n)do Phonographo