Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Textos em janeiro 13 Parte II

 * Victor Nogueira



2023 01 13 - Um assessor é mais uma ...."demissão" no Governo?

Se se demitir o porteiro da residência de S. Bento ou a telefonista num qualquer Ministério ou Secretaria de Estado, isso será contabilizado e anunciado como mais uma demissão no Governo do PS? Considerando que a exoneração dum Ministro implica a exoneração de todos os seus Secretários e Subsecretários de Estado, se o referido Ministério tivesse 10 (dez) Secretárias e Subsecretários de Estado, a demissão do Ministro conta como uma ou a comunicação social vai dizer que são 11  (onze)  demissões, misturando alhos com bugalhos!?

Que se cudem os Governos do PS(d) e seus acólitos: não criem Ministérios cada um com mais que uma ou duas Secretarias e Subsecretarias de Estado, não vá desventuradamente o Diabo tecê-las!

PS e PSD são siameses, duas caras da mesma  "moeda". A "oposição" de direita não tem programa alternativo  ao da irmandade do PS, pelo que vive de "escândalos" e da "corrupção" e "nepotismo", em que ambos dão cartas. A política do PS(d)Chega da Iniciativa Liberal e do CDS é  a mesma, indigesta, com  maior ou menor embrulho agridoce, melado ou azedo. Livre dos "empecilhos" e dos freios à esquerda (PCP, Bloco e Verdes), o PS, estribado na maioria absoluta, desenvolve o programa do PSD/IL/CDS e demais acólitos na irmandade e confraria!

Já se organizam manifestações no Largo do Rato contra a "vergonha" do 25 de Abril, "a maior desgraça" na História de Portugal, vozeiam os manifestantes. Dentro em pouco talvez já se organizem ajuntamentos não para comemorar o 25 de Novembro, mas para celebrar o 28 de Maio.

Os “liberais” fazedores de opinião aparentemente demarcam-se daqueles com quem mais se identificam cada vez mais abertamente, subitamente preocupados com o "povo sofredor" que se manifesta invadindo e depredando os edifícios "símbolos e pilares da democracia", tentando inverter as derrotas eleitorais dos seus líderes, como Trump ou Bolsanero.

Ventura do Chega, face ao aparente fracasso  do povo sofredor em Brasília, acaba por declarar que tais manifestações prejudicam, não a extrema-direita mundial, em que se insere, mas a “direita mundial”, a do sistema, em que se insere, de facto.

JMT, o João Miguel Tavares, insurge-se contra os manifestantes, que na opinião dele ultrapassaram as linhas vermelhas, insurgindo-se pelo facto de as forças policiais não terem usado a força letal para dispersar os manifestantes. 

Com eleito, para JMT e seus confrades, ouro sobre azul seria que tivesse havido um banho de sangue na tomada de posse de Lula, com Bolsanero recolhido num hospital em Miami! 

Mas a   catilinária de JMT, na verdade, é a defesa do uso de força letal contra a populaça  que se manifeste  no quadrante do chamam “extrema-esquerda"   caso se insurjam contra os pilares da “democracia” com que ele, Ventura e outros que tais se identificam e defendem, cada vez mais "liberal" e despudoradamente!

Pois JMT  esclarece: «Mas atentar simbolicamente contra os pilares da democracia, e vandalizar as sedes do poder executivo, legislativo e judicial – que no Brasil, ainda por cima, acumulam com o génio do poder artístico nos edifícios deslumbrantes de Oscar Niemeyer –, é não menos ameaçador. É ensaiar um golpe revolucionário que uma democracia não pode tolerar.»

Empolgado e venturoso, JMT acrescenta: 

«Linha vermelha é isto. Neste contexto, pouco interessa que Lula seja corrupto, como eu acredito que ele é. Infelizmente, a democracia tem muitas falhas, e não garante a eleição de anjos ou querubins. Mas ainda ninguém encontrou melhor sistema político. Não há alternativa disponível mais eficaz. Lula é corrupto? Esperemos que daqui a quatro anos apareça um político melhor para tomar o seu lugar.

(...) Daí a minha defesa do uso de força letal nestas circunstâncias. Ver a polícia recorrer a canhões de água ou a gás lacrimogéneo é um grande avanço civilizacional no controlo de manifestações violentas, em relação a um passado que acabava com gente morta. Mas a polícia não pode deixar as armas no bolso quando uma multidão ululante invade e destrói a casa da democracia. É tibieza. É fraqueza. E é trágico, porque passa a imagem de que é possível fazê-lo sem grandes consequências.»

Não lhe treme a pena nem fraqueja a voz quando classifica  como “revolucionário” um golpe contra-revolucionário, ao bom estilo fascista do Golpe Militar fascista em 28 de Maio de 1926, que abriu caminho ``a chamada “Revolução Nacional do Estado Novo”, o tal que aparentemente teria morrido ,envilecido, em 25 de Abril de 1974. 

Mas na sua catilinária, JMT desvenda o cerne dos pilares e princípios da "sua" democracia: Os Tribunais não condenaram Lula,  na sequência dum processo judicial nebuloso conduzido po Sérgio  Moro. É bem verdade que sob Bolsanero e seus familiares impedem suspeitas de corrupção.  Mas, passando por cima disto como cão por vinha vindimada,  JMT e seus confrades  "c ****-**" para o poder judicial, um dos três pilares da democracia parlamentar.  JMT entende que Lula é corrupto, como corruptos são todos os Governos do PS, mandando às malvas o princípio da presunção da inocência e do priomado dos Tribunais,  passando uma esponja sobre os Governos do PSD e de Bolsanero!

Todos eles iludindo conveniente e ardilosamente uma questão fulcral! Se há políticos corruptos, quem são os empresárias e as empreses que pagam e recompensam a corrupção de que largamente e na sombra beneficiam?!

Quanto ao Governo de Lula da Silva, este é um saco de gatos com interesses antagónicos, lacraus e víboras, na senda duma inconciliável “conciliação de classes”! Quanto ao PS em Portugal, cavalga à desfilada rumo ao abismo, abrindo caminho à contra-revolução! Está-lhe no ADN e na massa do sangue da social-democracia.

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Textos em dezembro 06

 * Victor Nogueira





2022 12 06 - Desta vez concordo com uma das charlas de JMT, a excepção que confirma a regra relativamente ao que escreve e ás suas posições.

2022 12 06 -    Tóininho da Costa, o globe-trotter da "tradição" seja lá o que isso for. Que um governo minoritário do PS liderado pelo Tóino, tenha governado graças á viabilização do PCP (secundado pelo Bloco e Verdes) foi um entorse á tradição do PS desde Mário Soares.
Após este lamentável desvio, agora livre de empecilhos á esquerda, graças ao Chega de Ventura, com inesperada e folgada maioria absoluta, o PS volta á tradição, retomando a rota de longo curso, timonado pelo Tó, não o defenestrado Zé Seguro, "compagnon de route" de esCavaco, Passes de Coelho & Portas do Bloco Central, mas o de La Coste.
Depois do pontapé de saída na procissão ao farol das liberdades e democracia certificadas pela USA/NATO/aiUÉ, a de Zelensky em Kiev, a "tradição" faz com que desassombradamente La Coste viaje, não até aos campos do Alentejo dos pobres, o reino da desolação, mas aos ubérrimos campos do Catar!
Em procissões com Marcelo e Augusto, será no Catar que está o ganho?! O ganho de quem, perguntarão assombrados os pobres, no reino da desolação?!
MARGEM SUL, poema de Urbano Tavares Rodrigues

Ó Alentejo dos pobres
Reino da desolação
Não sirvas quem te despreza
É tua a tua nação.
Não vás a terras alheias
Lançar sementes de morte
É na terra do teu pão
Que se joga a tua sorte.
Terra sangrenta de Serpa
Terra morena de Moura
Vilas de angústia em botão Doce raiva em Baleizão
Ó margem esquerda do verão
Mais quente de Portugal
Margem esquerda deste amor
Feito de fome e de sal.
A foice dos teus ceifeiros
Trago no peito gravado
Ó minha terra morena
Como bandeira sonhada.













2022 12 66 - E se de repente lhe oferecessem flores ou .... o Mundo ás avessas! 

De repente em 2022 Holodomor volta á ribalta, com a generalidade da comunicação ocidental sob o escrutínio  do Ministério da Verdade da USA / NATO / aiUÉ afinando pelo mesmo diapasão, o do anticomunismo e falsificação da História. Aqui há dias um dos plumitivos escrevinhava que Holodomor tinha sido o maior genocídio do século XX, passando uma esponja sobre Hiroshima e Nagasaqui, as Guerras da Coreia, do Vietname, da Jugoslávia, do Iraque e no Médio Oriente ou do Holocausto nazi sobre judeus, comunistas, sindicalistas, eslavos, ciganos, todos considerados sub-humanos, ou o assassinato de 500 mil a 1 milhão de comunistas e simpatizantes, na Indonésia. Ou o genocídio dos ameríndios, de 5 milhões de africanos no Estado Livre do Congo, propriedade pessoal de Leopoldo, Imperador dos Belgas. Sem esquecer a perseguição de Israel aos Palestinianos e a uma Palestina Livre. Ou as vítimas das "enclosures"  no Reino Unido, expulsando milhões de camponeses, mão de obra "livre" sem direitos nas manufacturas e fábricas na "acumulação capitalista", que anteriormente beneficiara  do trabalho escravo com origem em África, alimentado o tráfico negreiro para as Américas. 

Surpreendente é ver israelitas solidários com o regime de Kiev / Zelensky, que reabilitou e glorifica os colaboracionistas com o Holocausto nazi, ou os Parlamentos Alemão e outros da aiUÉ pronunciarem-se sobre Holodomor, deixando na sombra o  Holocausto nazi. Estranha democracia esta, que ignora a proibição pela Ucrânia de todos os partidos políticos da oposição, comunista, socialista, social-democratas, liberais, todos acusados de russófilos, enquanto nega direitos e persegue os cidadãos ucranianos russófonos!.

Estranho mundo este, ás avessas!

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«De acordo com o Museu Holomodor, 16 estados para além da Ucrânia reconheceram a fome como genocídio: Austrália, Equador, Estónia, Canadá, Colômbia, Geórgia, Hungria, Letónia, Lituânia, México, Paraguai, Peru, Polónia, Portugal, Estados Unidos e o Vaticano. Alguns outros países, como a Argentina, Chile e Espanha, condenaram-no como “um ato de extermínio”. (in Observador, 2022 11 23)

2019 12 06 foto victor nogueira - Caldas da Rainha - Museu Rafael Bordalo Pinheiro - figuras por ele criadas, distinguindo-se o Zé Povinho e a Maria Paciência 2001.02.13)

VER

museu rafael bordalo pinheiro, nas caldas da rainha

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2014 12 06 OS TRÊS ESTAROLAS; tão amigos que nós eramos (e continuamos a ser, o pagode que se desengane que entre nós é só pagode para enganar os tolos)


2014 12 06 PARA LÁ DA ESPUMA DOS DIAS E DOS HOLOFOTES, alguém fala nas fraudes do BPN, dos submarinos, dos vistos GOLD, do Vara, do Duarte Lima, do BES sem esquecer um dos impolutos donos disto tudo? Sente-se Sócrates traído? Que faz correr Sócrates?

2014 12 06 

Quando um Homem Quiser, de Ary dos Santos

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher! 

2014 12 06 Foto victor nogueira - sei onde foi tirada esta foto, mas não me recordo do nome do local. Ou melhor, talvez tenha sido nos arredores de Vila Real, embora me pareça que não, mas sim durante uma visita a uma igreja ou convento românico perdido no meio de caminhos serranos, estreitos, vicinais e tortuosos. A igreja ficava cá no cimo, em sítio ermo ou muito isolado, e por detrás do fotógrafo. Para ter a certeza do local teria de ver a sequência de fotos no rolo ou rolos de que faz parte


VER
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2013 12 06

as minhas palavras prendem apenas palavras
bordejam o fogo
em malabarismos
eternos e fugazes equilibrismos
estas são as palavras banais
as minhas palavras prendem apenas a virtualidade
e na verdade
o sol delas não queima
o ar delas não refresca
a cor delas não aquece
o sal delas não tempera
a guloseima
seca
arrefece
na espera
de ti
pirilampo borboleteando
presos o gesto e o verbo;
escuta:
um campo de flores esmaecidas
clama por ti
a clave em surdina
suave e colorida musicata
Paço de Arcos 2013.12.06

Sombria será a sombra
luminoso gioco
negra negra sufocante
ou
fresca refrescante
Para cá da sombra o foco
o olhar
vela luciforme
gira-sol radiante
meu e teu
para lá do contorno
a paleta das flores
multicolores
o mar, a brisa, o azul de anil
ao meu lado
saltério sem sombra
sal da terra sem mistério
estás tu
só eu te vejo e sinto
e isso nos basta !
Paço de Arcos 2013.12.06



2012 12 06 - Óscar Niemeyer

«Os mesmos jornais e televisões que atacam os comunistas sem piedade rendem homenagem a Oscar Niemeyer. Porque era um génio, porque era um sonhador, porque era um humanista. Mas nunca por ter sido comunista. Essa é a parte que escondem para que não se saiba que é a rebeldia que estimula a arte e a cultura. Niemeyer era comunista como Pablo Picasso, Bertolt Brecht, Pablo Neruda, Carlos Paredes, Lopes Graça, Maiakovsky, Lorca e Tina Modotti." (pelo Bruno Carvalho)»

Em Portugal morreram outros dois comunistas - Joaquim Benite, encenador teatral, e Papiniano Carlos, escritor 



2012 12 06 Foto e texto - Victor Nogueira Núvens - Boletim metrilógico


BOLETIM METRILÓGICO

Uva a uva
chove chuva
molhada
miúdagraúda
ensopa a roupa
fria
de cinza
noite e dia
cansa a dança
em rodo-rio 

Manela Pinto
gosto, tem muito jeito o rapaz tanto para fotografia como para poesia, eu so quero saber para quando o livro, vou-me zangar contigo
11 ano(s)
Ana Estrela
metrilógico? é a l´gica ao metro?
11 ano(s)
Margarida Piloto Garcia
E uma certa tristeza a ensopar a alma.
11 ano(s)
Maria Márcia Marques
Cansa a dança, molha a chuva, cai a noite, vem o dia e rodopia a tua imaginação à volta das palavras cheias de mosto que escorre das uvas..
11 ano(s) 
Victor Barroso Nogueira
Ana Estrela METRILÓGICO TEM MUITAS LEITURAS, corruptela de "meteorológico". Podes interpretar buscando significados, tantos como te aprouver e até onde a imaginação te levar combinando ou associando - metro, métrica, lógica, ilógica,relógio, metrónomo, ritmo, tempo, etc etc etc
11 ano(s)
Ana Estrela
obrigada amigo; eu só estava atentar pôr um pouco de graça em tanta nuvem hih
11 ano(s)
Manuela Vieira da Silva
E eu que ando a molhar de lágrimas o coração, além de molhada a pele, fria que fere. Gostei do frio, Victor Nogueira. Bjos.🙂
11 ano(s)

Setúbal 2012.12.06


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2010 12 06 - O dia esteve cinzento e de aguaceiros, com menos frio enquanto as gaivotas planavam velozes para lá da janela. O dia passou, agora é noite, amanhã será novo dia e assim sucessivamente até ao instante final  e último !

domingo, 13 de fevereiro de 2022

(quase) diário da campanha 24 - o(s) dia(s) seguinte(s)

 * Victor Nogueira


«Esta histeria do “atentado” serviu para quê, exactamente?»

O Público é  um dos órgãos de comunicação social pretensamente equidistantes, "imparciais", "pluralistas",  balançando entre os bolos e o chicote, entre o sim, o não e o talvez, com o jornalista bonzão e o jornalista mauzão, conforme os olhares, mas pendendo no essencial para as "direitas"

Neste artigo  Ana Sá Lopes, sem ir ao fundo da questão,  "espanta-se" com a chinfrineira  feita pela comunicação social em torno dum alegado "terrorista" e dum virtual "atentado", um "case study" que ela sugere seja  objecto de abordagem nas escolas de jornalismo. 

Mas, pelos caminhos da escrita, lá vai fazendo referência a um dos artigos do "incendiário" jornalista João Miguel Tavares. - muito poder e graças deve ele ter para ser citado pelos colegas com outras e adversárias visões.

Neste caso do alegado "terrorista" até concordo com parte da análise de JMT, mas não com as suas conclusões finais e  na pretensa e angelical inocência do articulista.

Cum caraças. Não é que no seu artigo João Miguel Tavares afirma e conclui que a "argolada" da judiciária foi "apadrinhada" pelo governo do PS? 

Com efeito no artigo JMT afirma: "com a ajuda do governo, a PJ está a tentar recuperar o protagonismo de há 20 anos. Ou muito me engano, ou a razão para a cara do joão estar espalhada por todo o lado é essa." 

Isto na sequência dum bombástico título «esta histeria do “atentado” serviu para quê, exactamente?»

Escutemos pois como, como selectivo e de olhar vesgo, enviesado, afinando a bazuca, conclui JMT a sua peça jornalística, ao estilo "tiro e queda"?

«A PJ foi durante décadas a instituição-estrela da investigação em Portugal. A partir dos anos 2000, na sequência do caos que foi o processo Casa Pia e com a ascensão da criminalidade económica, perdeu terreno para o Ministério Público. Agora, com a ajuda do Governo, a PJ está a tentar recuperar o protagonismo de há 20 anos. Ou muito me engano, ou a razão para a cara do João estar espalhada por todo o lado é essa. E não é bonita de se ver.»

Nos entrefolhos já tina trazido á colação um outro João, outra pretensa vítima da “Judite”, um João de apelido .... Rendeiro, no desenvolvimento referido, a talhe de foice, por João Miguel Tavares, o 3º pastorinho.

Qual o benefício para o governo do PS, deste modo e no rítulo e no lead capciosamente referido por?  

Com mil diabos e recorrendo a uma dica de Ana Sá Lopes, referindo a Fox Crime, de que também sou teleespectador (passe a publicidade). Qual o Qual o benefício para o governo do PS no alegado  apadrinhamento desta saída da "Judiciária", a quem não estão cometidas as funções e responsabilidades de "espiões" nas "espionagens" e no "contraterrorismo".?

Considerando as barricadas em que se coloca e os acrisolados amores de JMT, a quem beneficia a pretensa "argolada" da "Judite"? Quem é na realidade o criminoso no caso do "terrorismo"? Quem do crime beneficia e procura tirar proveito, com a ajuda prestimosa da comunicação social?  

O ps? Hum! Hum! Ch€g@-te ... P'raqui ou p'ráli?  P'ra cá" ou P'ra lá? (Victor Nogueira)

«Esta histeria do “atentado” serviu para quê, exactamente?» por jmt in https://www.publico.pt/.../histeria-atentado-serviu...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

(quase) diário da campanha 21 - o(s) dia(s) seguinte(s)

 * Victor Nogueira


"Normalizar partidos radicais? Sim! Aprendi com Mário Soares", afirma JMT ou - AS MISTIFICAÇÕES DE JOÃO MIGUEL TAVARES - MÁRIO SOARES, O REVISIONISMO HISTÓRICO, O FASCISMO, O ANTICOMUNISMO MILITANTE E O "$ÚCIA£I$MO" EM £IB€RDAD€.

Em 1926, ano do golpe militar fascista, em Portugal, para além das organizações anarquistas,  havia dois partidos anticapitalistas, todos de base operária, que defendiam o "socialismo": o Partido Socialista Português, fundado em 1875 (mil oitocentos e setenta e cinco) e o Partido Comunista Português, fundado em 1921, na sequência da dissolução da II Internacional, verificada em 1916.

O golpe fascista de 1926 teve como finalidade a instauração duma ditadura que perdurou até 1974, que suprimiu liberdades, direitos e garantias, incluindo a proibição de partidos políticos, salvo a "União Nacional" de "Deus, Pátria, Família," Tudo pela Nação / Nada contra a Nação".

Em consequência disso, o Partido Comunista Português passou á clandestinidade, sendo objecto duma violenta repressão durante décadas, enquanto o Partido Socialista Português autodissolveu-se em 1933 (mil novecentos e trinta e três). O que foi fundado por Mário Soares em 1973, sem base nem tradição operárias, nada tem a ver com o seu antecessor.

Deste modo, durante o fascismo em Portugal houve apenas dois partidos: a "União Nacional" / "Acção Nacional Popular", de Salazar e Caetano, e "O Partido", proibido, forçado á luta na clandestinidade, perseguido e violentamente reprimido, mas que todo o mundo sabia qual era.

Até 1974 sabia lá a generalidade do povo português quem era Mário Soares e muito menos sabia lá da existência do chamado Partido Socialista, fundado em 1973 (mil novecentos e setenta e três) na Alemanha Federal com os dinheiros da social-democracia europeia!

Em 1933, conjuntamente com a Constituição fascista, foi promulgado o Estatuto do Trabalho Nacional que, para além de proibir o direito á greve (artº 9º), estipulava que “A direcção das empresas, com todas as suas responsabilidades, pertence de direito aos donos do capital social ou aos seus representantes. Só por livre concessão deles o trabalhador pode participar na sua gerência, fiscalização ou lucros das empresas” (artº 15º) e que “O direito de conservação ou amortização do capital das empresas e o do seu justo rendimento são condicionados pela natureza das cousas, não podendo prevalecer contra ele os interesses ou os direito do trabalho” (artº 16º). Resumindo: "Tudo pelo Kapital, Nada contra o Kapital":

E porque no 25 de Abril de 1974 houve uma ruptura com o fascismo e a guerra colonial (colonialismo aparentemente defendido por JMT) a ala spínolista no MFA foi derrotada nos sucessivos golpes contra-revolucionários e nas eleições para a Assembleia Constituinte e subsequentes para a Assembleia da República, os partidos e movimentos fascistas, incluindo o MDLP/ELP, liderado por Spínola, ficariam impedidos de concorrer.

Em 1974 e 1975, na sequência do 25 de Abril, cresceu e radicalizaram-se os movimentos das populações e dos trabalhadores, designadamente na Cintura Industrial de Lisboa e em Setúbal, onde se localizavam as unidades industriais com centenas ou milhares de operários, e no Alentejo e parte do Ribatejo, onde se concentrava o proletariado rural, que dera início á Reforma Agrária com a ocupação dos latifúndios. Por outro lado, na sequência do malogro do golpe contra-revolucionário de 11 de Março de 1975, o Conselho da Revolução havia procedido á nacionalização da banca e de outros sectores estratégicos da economia.

Face a esta realidade, Mário Soares, assumindo encobertamente a liderança da contra- revolução, tudo fez para tentar impedir a promulgação da Constituição em 1976, incluindo o apelo á intervenção militar estrangeira para "esmagar" o que Soares dizia ser "a comuna de Lisboa" (e de Setúbal). Esse seu propósito malogrou-se, pois não teve o apoio do General Costa Gomes, Presidente da República designado pelo MFA como sucessor do General Spínola, que se havia demitido na sequência do golpe contra-revolucionário de 28 de Setembro de 1974.

A contra-revolução, no entanto, ganhara uma força determinante, a partir do 25 de Novembro de 1975, embora a componente fascista nas Forças Armadas tivesse sido travada pela ala social-democrata do MFA, que a impediu de levar por diante o seu propósito de liquidação física dos comunistas, dos sindicalistas e seus aliados, a que nem socialistas e sociais-democratas teriam conseguido escapar.

Até que em 1987 Mário Soares, na qualidade de Presidente da República, deu início á normalização do fascismo (travestido de “ditadura”, tout court) ao homenagear, reabilitar e condecorar o General Spínola, apresentando como fundamento os «feitos de heroísmo militar e cívico e por ter sido símbolo da Revolução de Abril e o primeiro Presidente da República após a ditadura», ...

... heroísmo militar e cívico, exuberantemente demonstrados na guerra colonial e como líder contra-revolucionário.

Logo após as eleições de 1975 Mário Soares meteu o socialismo na gaveta, tão bem aferrolhado que o Partido Socialista se perdeu.

Com efeito, na sua entrevista a Maria João Avilez, recolhida em três alentados volumes (1996/1997), Mário Soares confessa que defendera o "socialismo" apenas porque se o não tivesse feito não teria tido votos. (Victor Nogueira)

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«(...) Não preciso de gostar de André Ventura para defender os seus direitos políticos. Basta que o Chega cumpra dois requisitos básicos: abster-se do recurso à violência e respeitar o processo democrático.

(...) Aquilo que defendo que seja feito ao Chega nos dias de hoje é aquilo que Mário Soares defendeu que fosse feito ao PCP na segunda metade da década de 70. E resultou. Sei que as pessoas à esquerda ficam muito chocados quando as pessoas à direita comparam o Chega com o PCP ou com o Bloco, porque acreditam que não há amor platónico a Cuba, à Venezuela ou à Coreia do Norte que possa ser equiparado às tiradas xenófobas a propósito dos ciganos. Dou isso de barato. Mas reparem: nos anos 70 o amor não era só platónico. 

(...)  E, no entanto, o que é que fizeram Mário Soares, o PS e os moderados do MFA após o 25 de Novembro? Isto: esforçaram-se ao máximo para manter o PCP dentro do regime, quando toda a direita militar exigia a sua ilegalização. Melo Antunes, logo no dia 26, afirmou que não havia forma de construir a democracia sem o PCP – e tinha toda a razão. Os comunistas haviam somado 700 mil votos nas eleições para a Constituinte. É claro que não se podiam deixar 700 mil pessoas à porta da democracia em 1975. E também não se podem deixar 385 mil [eleitores do Chega] à porta da democracia em 2022.

Normalizar o Chega – no sentido de reconhecer ao partido os mesmos direitos políticos dos outros – não significa deixar de combater as suas péssimas ideias, ou a forma como explora os piores sentimentos das pessoas. (...) » 

E blá blá blá., com o apoio da generalidade da comunicação social, com a sua "liberdadeparainformar" "pensebempensepublico" DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA E TRABALHO (sem direitos, liberdades e garantias)."

2022 02 10

domingo, 6 de fevereiro de 2022

(quase) diário da campanha 18 - o(s) dia(s) seguinte(s)

 * Victor Nogueira


CUIDEM-SE. SEM VIRAR DE PÁGINA E POSIBILIDADE DE RE-ELEIÇÃO, MARCELO COM AS MÃOS LIVRES PREPARA-SE PARA PASSAR DE INTRIGUISTA A FAVOR DO SEU PSD E CONTRA A SOLUÇÃO DUM GOVERNO VIABILIZADO EM 2015 PELO pcp, BLOCO E  VERDES, PARA VIGILANTE ACTIVO, SEMPRE MAS SEMPRE A FAVOR DO SEU PSD.  

 Entretanto, no Público, João Miguel Tavares é um dos que defende estrenuamente que a "democracia" impõe" que seja eleito um deputado do Ch€g@ como Vice Presidente da Assembleia da República. Não um qualquer deputado mas um "ideólogo" que militou activamente   e com provas dadas na direita contra-revolucionária e bombista, de 1975 a 1977, insurgindo-se contra "A insuportável superioridade moral em relação ao Ch€g@."  

João Miguel Tavares não é um Zé Ninguém, João Miguel Tavares é aquele personagem que há uns anos, em 2019, Marcelo Rebelo de Sousa, na qualidade de Presidente da República, escolheu para presidir ás Comemorações do Dia da Raça, rectifico, ´presidir à Comissão das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. (https://www.presidencia.pt/.../presidente-da-republica.../

), realçando do seu curriculo  o facto de "tendo colaborado no Diário de Notícias e no Correio da Manhã e foi subdiretor da Time Out, colaborando atualmente com o Público, o Observador, a TSF e a TVI.»  

Enquanto no Público São José Almeida afirma que "O PSD tem de se modernizar organicamente, mas também no discurso político e na atitude com que se apresenta ao eleitorado" de modo a não perder o "comboio da refundação da direita" que está em marcha, Ana Sá Lopes, no mesmo Público, carpe mágoas, resultantes da quebra eleitoral do Bloco e do estado comatoso do PSD por não se ter demarcado do Ch€g@, 

Simultaneamente  JMT "defende" que a não eleição dum Vice-Presidente pelo Ch€g@, representa  "um corte com a tradição parlamentar desde 1975", acrescentando do alto do seu pedestal que   

"Há gente com uma ideia muito errada do que é a democracia. A democracia não existe para limitar o pensamento. Existe para que grupos de cidadãos com opiniões políticas divergentes possam discordar sem o recurso à violência (...)    É para que tanto as ideias que consideramos aceitáveis, como aquelas que consideramos inaceitáveis, possam entrar em conflito de forma pacífica, de acordo com as regras regimentais. Se tudo correr bem, as melhores ideias impõem-se e as piores ideias são descartadas. Se tudo correr mal, ganham as más ideias, mas a cada quatro anos é-nos oferecida uma nova oportunidade de lutar para que as boas ideias (que são sempre as nossas, e nunca as dos outros) vençam. (...)  

Idiotas são aqueles que não entendem a regra mais básica dos regimes democráticos: respeitar o voto, respeitar os adversários, e nunca, mas nunca, falar com eles de cima para baixo."  

Do alto do seu pedestal no jornal Público, patrocinado pela Sonae, / Modelo Continente Nosso Super / NOS TV,  João Miguel Tavares, ex-comissário e jornalista, DIXIT E ...  

"honni soit qui mal y pense" (MALDITO SEJA QUEM NISTO VIR MALDADE" 


2022 02 06

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Por que foi tão pouca gente ao funeral de Soares? pergunta angustiosamente JMT


* Victor Nogueira

João Miguel Tavares é um cronista do Público que assina como "jornalista" as suas crónicas neoliberais, uma espécie de neocon caseiro. Sobre Soares escreveu nestes últimos dias duas crónicas magistrais:
1. - O meu Soares não foi o melhor Soares 
2. . Por que foi tão pouca gente ao funeral de Soares?

Nesta última lamenta a ausência de amplas massas populares que ingratamente não estiveram presentes no funeral de Soares contrariamente ao que sucedeu com o de Álvaro Cunhal, neste caso e segundo JMT devido à "extraordinária capacidade de mobilização do PCP, e o facto de a devoção comunista estar mais próxima de um fenómeno religioso do que político." Segundo JMT "É muito triste esta incapacidade de nos sentirmos em dívida para com os melhores de nós. E de lhes prestarmos o justo tributo enquanto tal." lamentando "a incapacidade da nossa democracia em produzir os seus próprios heróis" no século XX.
Ora, na crónica anterior de JMT intitulada "O meu Soares não foi o melhor Soares " está por ele exposto o motivo desta "democracia" de que Soares foi o avô e Cavaco o pai não terem "heróis" que a burguesia possa incensar.
Com efeito, começa a referida crónica de JMT "Soares não teve sempre razão, mas teve razão nos momentos fundamentais, e essa é uma dívida inestimável que o país tem para com ele." concluindo a mesma afirmando que "O mais importante é aquilo que está escrito na nota que o Partido Comunista Português escreveu acerca da sua morte. Soares, lamenta o PCP, destacou-se “no combate ao rumo emancipador da Revolução de Abril”. Acreditem: não há mais belo obituário. É por causa desse combate que todos devemos tanto a Mário Soares.", conclui JMT
Pelos vistos, o "Todos" de JMT afinal e apenas uma pequena parte e essa não inclui a esmagadora maioria do "ingrato" povo português que JMT abomina e pelo qual tem profundo desprezo

Por que foi tão pouca gente ao funeral de Soares?

O meu Soares não foi o melhor Soares

É muito triste esta incapacidade de nos sentirmos em dívida para com os melhores de nós. E de lhes prestarmos o justo tributo enquanto tal.
PUBLICO.PT|DE JOÃO MIGUEL TAVARES

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Lisboa - Largo do Carmo em 25 de Abril de 1974
 

Lisboa  - 1º de Maio de 1974


Lisboa  - 1º de Maio de 1974


Helena Vieira da Silva - A poesia está na rua - 25 de Abeil de 1974


Lisboa, 15 de Junho de 2005 - funeral de Álvaro Cunhal