Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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sábado, 13 de maio de 2023

Textos em maio 13

 `Victor Nogueira

2023 05 13 1917 - sete anos antes, em 1910, havia sido proclamada a República em Portugal e, pouco depois, promulgada a Lei da Separação da Igreja e do Estado, que passava a ser laico. Deste modo o catolicismo deixou de ser a religião oficial do Estado, o que constituiu um golpe no poder da Igreja Católica, que reagiu com uma virulenta  campanha contra a República.

Em 1916, a 9 de Março, Portugal declara oficialmente guerra à Alemanha, entrando oficialmente na I Grande Guerra (1914 / 1918), embora já houvesse escaramuças entre os dois países nas fronteiras das colónias de ambos em África. Devido à guerra a crise económica e social em Portugal agravou-se.

Com uma população maioritariamente rural e analfabeta, sob influência dos párocos, reinavam o obscurantismo e a superstição. É neste contexto que se multiplicam fenómenos como o da Cova da Iria, a maioria dos quais se extinguem logo à nascença.

Embora inicialmente não apoiado pela Igreja, em breve o da Cova da Iria é por ela aproveitado e desenvolvido. De “aparições” passam depois a “visões”, com a finalidade de pôr fim à guerra e o triunfo do catolicismo em todo o Mundo. O lugar enlameado e agreste nos confins do Mundo transforma-se num rendoso e rentável Santuário, cujas finanças o Estado não controla, no meio duma cidade. Com o tempo Fátima torna-se uma das pontas de lança contra o “comunismo” e o “ateísmo”.

Em 1917, sem jornais, rádio ou televisão,  para a maioria da população, analfabeta, supersticiosa, o mundo acabava ali, num círculo de poucos quilómetros em redor. Para lá deste círculo conheciam apenas o que o pároco lhes incutia e transmitia, o que os feirantes ou os emigrantes torna-viagem contavam no regresso ou de passagem.

Saberiam as três crianças e a generalidade da população rural que lá longe, em 1917, havia um país chamado Rússia, ortodoxo, semifeudal, de população igualmente miserável e analfabeta, governado por um czar todo-poderoso cujo poder lhe fora outorgado por Deus? Saberiam lá que, daí a meses, ia haver uma Revolução de cariz comunista, liderada pelos bolcheviques, que subverteria a (des)ordem social lá reinante?

Contrariando os preceitos evangélicos, Fátima, pela interposta Virgem Maria, tornou-se o altar do Deus atemorizante do Antigo Testamento, um altar pagão, de crendice, alienação e superstição, pregando a submissão aos poderosos, de aceitação duma vida sofrida e de sofrimento, pregando o espírito medieval de cruzada, agora contra os ideais comunistas, os da solidariedade, da igualdade e da fraternidade entre a Humanidade.

2023 05 13  A 13 de Maio e com o devido respeito, não indo Maomé, salvo seja, à Montanha, vai a Montanha ... a Roma, duma cajadada Zelesnnky, matando duas lebres, salvo seja: o Papa Francisco, líder da Igreja Católica Apostólica Romana, e Giorgia Meloni, alegada admiradora de Mussolini e líder do Governo Italiano, que agora eufemisticamente é designado como de "direita radical"

2023 05 13  Nas duas Grandes Guerras as Igrejas Cristãs (Católica, Ortodoxa e Protestantes ou Reformadas) abençoaram os exércitos cujos membros se matavam mutuamente, com maior ou menor ferocidade.  

Na II Grande Guerra a Igreja Católica esteve abertamente ao lado de Mussolini, que em consequência da Concordata de Latrão (1929)  cedia um bairro de Roma ao Papado, para funcionar como Estado independente (o Estado do Vaticano). Terminado o conflito, a Santa Sé garantiu uma rota de fuga para criminosos nazis, rumo à América Latina.

Em contrapartida este renunciava aos territórios que até ao século XIX constituíam o Estado Pontifício, extintos e anexados em 1870 pelas tropas de Garibaldi e Victor Manuel II, Rei de Itália (Unificada)  

Por este Tratado a ICAR recebia uma avultada indemnização, reconhecia Roma como capital da Itália e esta proclamava a Religião Católica como religião oficial do Estado,  como aliás sucedeu em Portugal com a Concordata de 1940, firmada entre o Estado do Vaticano e o  Governo Português, liderado por Oliveira Salazar.

A I Grande Guerra esteve na origem da cisão no movimento operário socialista e à dissolução da I Internacional (Associação Internacional dos Trabalhadores), entre os que defendiam a participação na Guerra e os que a ela se opunham, em nome da Paz e do Internacionalismo Operário, anticapitalista e anti-imperialista.


2023 05 13  Credo, Jesus, Maria, Santíssima, balha-nos Nossa Senhora da Agrela!  Então os putinistas da Eurovisão não darão palco aos gorjeios musicais de S. Zelensky, na super opera intitulada "Armas, cada vez mais armas, money, cada vez mais money"? Chamem o Milhazes e rapaziada associada para exigirem de imediato  a reparação desta afronta à liberdade e à democracia, cancelando de imediato o putinesco Festival da Eurovisão!


2020 05 13   Foto victor nogueira - rolo 360 - Manteigas - Igreja de S Pedro e coreto (1998.07.09)

Manteigas

“Coração da Serra da Estrela” - surge lá no fundo do desfiladeiro. cercada de altas montanhas.  Duas igrejas, uma em cada extremo, cada uma com seu coreto. Casas brancas, janelas de guilhotina, caiadas e degradadas. No centro histórico  as ruas são muito estreitas, com 2 ou 3 pisos, o granito coberto por cal branca. O tempo não chega para visitar as “maravilhas” naturais. Fica na margem do Rio Zêzere. (Notas de Viagens, 1998.07.09)


2018 05 13 Nas minhas arrumações descobri a minha caderneta escolar liceal na qual consta esta foto do artista aos 10 anos de idade, vestindo a fatiota com que fiz a 1ª comunhão (católica). Que me lembre foi uma das duas únicas vezes em que usei lacinho ao pescoço e esta teria sido a 1ª foto tipo passe que me foi tirada.nos dias da minha já relativamente longa vida. Se este lacinho era branco, o outro, muito posterior, era vermelho.


2017 05 13 A 12 e 13 de Maio parece que o inFaceLock está no vazio ! Estarão o maralhal e a malta com as Tvisões na Cova da Iria !?

Por mim, fixo-me entre os policiais no FoxCrime e "Genius", biografia de Eisntein, o da Teoria da Relatividade, no National Geographic Channel !

Música, maestros e maestrinas que a 13 de maio estejam com e na Cova da Iria in 


A 13 de Maio!!! - Hino Nossa Senhora de Fátima

2017 05 13 foto victor nogueira - auto-estrada do oeste cerca de Torres Vedras em 1998.01.14


2014 05 13  - 40º Aniversário do 25 de Abril - os valores de Abril no futuro de Portugal - Cartaz do PCP

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2014 05 13  O inFaceLock é como a vida real, só que por aqui há mais máscaras e lantejoulas e menos freio para as inibições de muitos/as. E muitas e variadas narrativas, para (quase) todos os gostos, olhares e apetites  😛

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Beijo solfejo
espelho
caminho de carinho
céu sem véu
meu e teu

VN 2012 05 13
O oelhone
Nas jotas nasceu
envelheceu
envileceu
escavacou
aluno certinho
na senda de sócretinho
zézinho durão
figurinha mas não figurão
só-ares da companhia
pingo doce que se fez amargo
aziago
para o povo parado
mal passado
passajado
de negro cravejado
a 13 de maio
pasmado
na cova … da iria
Victor Nogueira
Setúbal
2012.05.13
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2012 05 13 Esforça-se uma pessoa a escrever,melhor ou pior, e depois as pessoas na maioria buscam significados e "estórias" e "enguiam" em torno da "cabedela" 
Pois é, nada podemos dar aos livros senão letras do nosso pensamento e os seus olhos e llábos são os olhos e lábios não de quem escreve mas sim de quem (tres)lê 🙂
Durante muitos anos supus que as Crónicas de António Lobo Antunes eram-no com base na vida dele. Mas depois concluí que não, que nem sempre é / será assim, porque ao escribador todos os malabarismos são permitidos para dar alguma cor (esta e não outra) à vida que vai encarreirando em signos na folha branca ou no monitor.

segunda-feira, 13 de março de 2017

As noites estão a ficar solitárias

* Victor Nogueira

No canal Fox Crimes há interessantes séries policiais, que vejo com agrado, duas delas australianas: "Os Mistérios do Dr. Blake" e "Os Mistérios de Miss Fisher", localizadas respectivamente nas cidades de Ballarat e de Melbourne. Normalmente em cada episódio há um problema ou questão social como pano de fundo..

A primeira envolve um médico algo tímido que tem consultório clínico e exerce medicina legal em colaboração com a polícia local e situa-se nos anos a seguir à 2ª Guerra Mundial, em que participou. Saborosa e deliciosa a relação entre Blake e a desenvolta Jean, sua assistente e governanta.

A segunda situa-se nos loucos anos 20, com uma desenvolta, destemida e ociosa jovem australiana pobre que herdou uma fortuna, educada na Europa e que colabora com o Inspector da Polícia local no desvendar de crimes. Tal como em Blake aqui também há um enredo amoroso que se desenvolve entre Miss Fisher e o tímido e conservador Inspector JacK ou entre a recatada mas determinada Dot e Williams, o assistente do Inspector.
Num dos episódios de Miss Fisher (3ª temporada, 5º episódio - "Death & Hysteria") este termina com uma elegíaca canção comovente cuja letra transcrevo e que me faz lembrar os Virgem Suta e a:sua "Dança de Balcão"., apesar das enormes diferenças na música e no poema de cada uma delas.

THERE'S A LONG, LONG TRAIL A-WINDING
poema de Stoddard King e música de  Alonzo "Zo" Elliott,

As noites estão a ficar solitárias
Os dias são muito longos
Estou a ficar cansado de apenas
Ouvir a tua canção.
Há um caminho muito longo
Para percorrer
Para a terra dos meus sonhos
Onde os rouxinóis cantam
E os raios lunares brancos.
Há uma longa noite à nossa espera
Até que os meus sonhos se concretizem
Até ao dia que eu ande
Por esse longo caminho contigo.

Podem ouvir a canção a parti do minuto 53 no vídeo que reproduz o referido episódio






Trata-se duma popular canção da I Grande Guerra, cujo texto original é

THERE'S A LONG, LONG TRAIL

Nights are growing very lonely,
Days are very long;
I'm a-growing weary only
List'ning for your song.
Old remembrances are thronging
Thro' my memory
Till it seems the world is full of dreams
Just to call you back to me.

Chorus:
There's a long, long trail a-winding
Into the land of my dreams,
Where the nightingales are singing
And a white moon beams.
There's a long, long night of waiting
Until my dreams all come true;
Till the day when I'll be going down
That long, long trail with you.

All night long I hear you calling,
Calling sweet and low;
Seem to hear your footsteps falling,
Ev'ry where I go.
Tho' the road between us stretches
Many a weary mile,
I forget that you're not with me yet
When I think I see you smile.

Chorus:
There's a long, long trail a-winding
Into the land of my dreams,
Where the nightingales are singing
And a white moon beams.
There's a long, long night of waiting
Until my dreams all come true;
Till the day when I'll be going down
That long, long trail with you.



Theres A Long Long Trail A Winding Sung By John McCormack

Compiled by http://www.WW1Photos.com Lyrics and MP3 download available at http://ww1photos.com/TheresALongLongT... Photos & Film footage from The Great War Archive, University of Oxford (www.oucs.ox.ac.uk/ww1lit/gwa); © [Imperial War Museum Film and Video Archive

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MPG Victor, também sou fã destas séries e se calhar pelos mesmos motivos.


Victor Barroso Nogueira Se calhar vemos as mesmas séries, como Inspector Morse, Endeavour, Inspector Lewis ou a Vera, estas britânicas e de fino humor  Mas tb há outra como Elementar, uma paródia hilariante ao Sherlock Holmes, transposto para Nova Iorque, na actualidade


JC Estou "comungando " do teu (bom ) gosto , Victor ... Sigo a do Dr. Blake , com muito agrado . Abraço , pá .

MP Sou maluca por policiais e no dr já vi anti comunismo mas lá o papo tal como outros por gostar de policiais bem feitos 



Victor Barroso Nogueira O Blake e a Jean não me parece que sejam anticomunistas e um dos taxistas "sócios" da Miss Fisher é comunista, embora estes na austrália não sejam lá muito bem vistos LOL

JC Pois parece que não ... os cangurus terão mais ..."sorte " .. eheheheheh

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A guerra e o romance

 goya - os desastres da guerra

* Victor Nogueira
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Acabei de reler de Erich Maria Remarque a obra "A Oeste Nada de Novo" e  a sequência que desconhecia "O Caminho do Regresso", o primeiro passado nas trincheiras da I Guerra Mundial, que na altura se supunha ser a última, e o segundo sobre a desmobilização, o caos e o desencanto após o término da mesma para os alemães. Os livros deste autor foram queimados pelos nazis pelo seu pacifismo, mas neles a guerra   e os seus horrores perpassam como leve e suave brisa, sem a truculência verbal e a violência inscritas na obra de Sven Hassel. 
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É verdade que Remarque nas obras posteriores descreve com ironia mas também com leveza a violência e o absurdo do III Reich e a integração natural de muitos deles no processo de "democratização" da Alemanha Federal, como se tivesse havido uma esponja que apagasse a bestialidade, a corrupção e o arrivismo dos "fiéis" servidores do nacional socialismo nas fileiras das Forças Armadas nazis.
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A mesma leveza que perpassa pela obra denunciadora de Hans Helmut Kirst e que não existe em Simonov ou Manfred Gregor, muito mais "cinematográficos" na sua linguagem ou forma de expressão, tal como Sven Hassel
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