Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

.

Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

.

Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
Mostrar mensagens com a etiqueta José Gomes Ferreira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Gomes Ferreira. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Foi-se estreitando a estrada da vida, minguando o horizonte, em Pingos do Mindelo

 

* Victor Nogueira

 Salut, Camarada

Foi-se estreitando a estrada da vida, minguando o horizonte. A 'família' são os amigos, quanto mais solidários, altruístas e desinteressados. Nem todos na 'famiglia' são amigos, 'desinteressados', mas sim com interesses, de olhos postos na 'herança', no saque e nos ganhos.

Foi-se estretrando a estrada da vida, minguando o horizonte. Na beira da sinuosa estrada da vida, junto ao rio esperando a barca para alcançar a outra margem, em pé está um ancião, apoiado numa bengala, com ar sereno e 'fartigado', esperando a vinda do barqueiro e sua barca.

Foi-se estreitando a estrada da vida, minguando o horizonte. Para trás ficam os generosos sonhos de igualdade, solidariedade, liberdade e fraternidadade. Desinteressados os sonhos, em partilha pela Humanidade, com a Paz entre os Povos.

Foi-se estreitando a estrada da vida, minguando o horizonte. Para lá do rio são pedregosos e arenosos os tempos. Para lá do rio, campeiam a desumanidade e a lei da selva, com os quatro Cavaleiros do Apocalipse, carneiros e ovelhas balindo, a caminho do matadouro, hienas, milhafres, vampiros, galináceos e raposas no galinheiro. No ar cinzento amontoam-se negras núvens e relâmpagos, prenunciando apocalípticas, virulentas e tempestuosas tempestades.

Foi-se estreitando a estrada da vida, minguando o horizonte. Para cá do rio havia andorinhas, águias, pardais, leões, tigres, golfinhos, pombas brancas e gaivotas. num rutilante céu azul, coalhado de nuvens brancas, num campo verdejante.

Foi-se estreitando a estrada da vida, minguando o horizonte, Junto ao rio esperando a barca está um ancião, de pé, empunhando uma desfraldada bandeira vermelha.

Salut, Camarada.

«Se puede enganar
a todo el Pueblo
parte del tiempo
Se puede enganar
a parte del pueblo
todo el tiempo
pero no se puede enganar
a todo el pueblo
todo el tiempo.
(Lincoln)

Aqui está a minha esperança! Nós venceremos. Mesmo que eu seja derrotado ou me venda, outros tomarão o meu lugar, empunharão o estandarte. Algum dia venceremos! Algum dia! Salut, camarada! (MCG - 1972.08.13)

Foi-se estreitando a estrada da vida, minguando o horizonte. Esperemos que na outra margem, ainda haja Vida, Sonhos, Luta, União, Fraternidade, Igualdade, Solidariedade e Humanidade. Que a Humanidade possa vencer e crescer em verdes e ubérrimas campinas, com trigais em flor!

Até amanhã    camarada    ou não!

~~~~~~ooo0ooo~~~~~~

Imagem gerada pelo Google Gemini de acordo com sucessivos guiões meus, aos quais não corresponde exactamente. Mas diz a popular sabedoria que nem sempre o óptimo é alcançado e temos de nos contentar com o mal menor, isto é, com a mediania



Jornada | José Gomes Ferreira

Não fiques para trás, ó companheiro,
É de aço esta fúria que nos leva.
Pra não te perderes no nevoeiro,
Segue os nossos corações na treva.

Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
Havemos de chegar ao fim da estrada,
Ao sol desta canção.

Aqueles que se percam no caminho,
Que importa! Chegarão no nosso brado.
Porque nenhum de nós anda sozinho,
E até mortos vão ao nosso lado.

Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
Havemos de chegar ao fim da estrada,
Ao sol desta canção

domingo, 7 de setembro de 2025

Pingos do Mindelo em gotas dispersas

 

*Victor Nogueira

Os dias vão emagrecendo, a favor do aumento da escuridão, atenuada pelos focos cintilantes das lâmpadas, em casa e na rua. Sem rutilância, neblinados e varridos por uma frescura que se nos entranha até aos ossos. Olho-me ao espelho. O cabelo, outrora negro e ondulado, está pintalgado de baços fios brancos, como que polvilhado de cinza, e a pele flácida, com rugas, sinal de que ao viandante pouco caminho lhe resta nos dias e noites que se vão sucedendo até à estação final, o cais da barca de Caronte. Reparo nas costas das mãos, não bronzeadas ou tisnadas, e uma rede de veias azuis, salientes, desenham um emaranhado de malha larga. A barba, que daqui a pouco será ceifada, essa é branca com esparsos fios negros. Porque será que normalmente a barba embranquece mais rapidamente que a cabeleira, seja esta mais ou menos  densa?

Choveu uma noite destas, em grossas bátegas, que levaram o pó sahariano que cobria o Fiesta II desde há largas semanas, desde Setúbal .Terminei a leitura do "Tempo Escandinavo", de José´Gomes Ferreira. Escreveu Urbano Tavares Rodrigues na sua brevíssima nota introdutória ao livro que se trataria da melhor obra de Gomes Ferreira. A mim não me enntusiasmou a sua leitura. Para lá do olhar ácido sobre os autóctones da Noruega, a obra é também um estendal das  frustes relações do narrador com as mulheres nórdicas, um português,  estranho em terra alheia, onde a imaginação  se confunde com a realidade, não se sabendo bem onde termina uma e começa a outra, Salvou-se o último conto, com princípio, meio e fim, intitulado "A ilha do capitão", entre o bas-fond do Cais do Sodré em Lisboa e a ilha perdida do capitão, com uma breve passagem por um monte alentejano.

Terminadas as férias judiciais, a comunicação social dá palco ào espectáculo circense montado por Sócrates no Palácio da Justiça, enquanto, invocando a senilidade de Ricardo Salgado, a desfesa deste pede a anulação da Operação Maquês, entranhada com a solidariedade de Sócrates, que considera uma "vergonha" sujeitar a julgamento o senil mas antigo e poderoso banqueiro, que foi  dono disto tudo, até cair em desgraça. Muita piedade há para certos poderosos, que neste mundo escapam ao julgamento dos tribunais, como Krupp ou Pinochet Tem pois a TV matéria para enchouriçar horas a fio, entremeando as cenas em tribunal com as aventurras e desventurras de Ventura, com macrofones sempre ao dispor, agora que Marcelo de Sousa se retirou praticamente do proscénio e da ribalta, para sossego de Montezero, o espigoso rei das farturas e das opacas transparências, 

Olho para lá da janela e as couves, unípedes, estão quase da altura dum homem meão, enquanto bailam remansosoamenhte, p'ra cá e p'ra lá, tal como o milho e os ramos do limoeiro. O milho, dum verde viçoso, parece-me mais alto que em anos anteriores, sendo uma cortina ou barreira que protege a casa da frialdadade da nortadas, enquanto não vem o tempo da segadura mecânica, sem ranchos, cânticos, enamoramentos e milho-rei.

... ... ... ... ... ... 

Se as manhãs são baças, mesmo que o sol lumine os campos, no início das tardes até ao entardecer a paisagem que daqui avisto até ao renque do milheiral  torna-se clara e límpida, num jogo entre as sombras e a luminosidade que alternam entre si num baile comandado pela brisa que agita os ramos e os caules das plantas. Fora isso, tudo é silêncio, nem sequer se ouvindo os aviões que sulcam o meu espaço aéreo e adjacências.

Recolhidas estão as moscas, pouco lestas devido talvez à frescura dos dias, assim se tornado presa fácil da espátula que de súbito se aabate sobre elas. Um dia destes dizia-me a Mariana que tinha medo das aranhas, talvez pela viscosidade das teias ou dos seus farrapos que pendem como estalagmites. Mas respondeu-me que não tinha medo das moscas, pouco ou nada convencida pelo meu discurso de que as aranhas são inofensivas para os humanos, amigas destes porque se alimentam de insectos presos nas teias que laboriosamente tecem. Insectos, estes  sim, nocivos e portadores de doenças, como as moscas e os mosquitos. Da mesma má sina gozam as toupeiras, que escavam o solo com os seus túneis, denunciando-se pelos montículos de terra na embocadura dos seus túneis. Indiferentes a este benéfico labor em prol das culturas, são perseguidas e mortas pelos humanos. Mas este ano, ali no quintalejo, não vislumbro as suas tocas, contariamente ao que verificava em anos transactos.

Diz o Dr. Goongle IA que «As doninhas (toupeiras) são benéficas para a agricultura porque arejam o solo, melhorando a drenagem e a absorção de nutrientes, e atuam como controlo natural de pragas, alimentando-se de insetos e larvas prejudiciais às plantas. A sua atividade de escavação também redistribui nutrientes e cria micro-habitats, estimulando a atividade microbiana benéfica no solo, o que aumenta a sua fertilidade e saúde geral.»

Mudando de arte e ofício, resolvi dar uso a massa de canudos (rigatoni ou macarronete), que o Rui havia comprado em tempos e jazia ali numa das prateleiras do armário que serve de despensa. Habitualmente só compro  spaghetti, por vezes tagliatelle, para acompanhar carne, mas também farfalle (laços ou gravatinhas). Para as sopas utilizo normalmente micro-massas, como as pevides  Portanto, lembrando-me de cozinhados meus antigos, resolvi com a rigatoni fazer uma massada com camarão, choco e linguiça.  Em termos de volume o camarão e o choco minguaram imenso, mas o repasto estava mais que minimamente comestível. Para a próxima terei de ver qual o molho que doutra feita utilizei e que tornara o prato saboroso. Diz-me o Dr. Google, onde fui beber esta  minha enciclpédica sapiência, que existem mais de 300 tipos de massas, cujo sabor é mais apurado conforme os molhos mais adequados para cada tipo delas

De Francisco Duarte Mangas - "Geografia do Medo" e o livro que escolhi, dum autor que creio ainda não conhecer, embora a leitura da pequena introdução por Urbano Tavares Rodrigues e as primeiras páginas não me tivessem despertado entusiamo. Contudo, prosseguindo a leitura, esta passou a cativar-me. O enredo é sobre a caça e artes venatórias, em terras bracarenses, entrelaçado com flashes, como episódios da I Grande Guerra, da Guerrra Civil de Espanha, da  guerra colonial portuguesa, do caciquismo e pepotência dos senhores da terra e das almas,  das incursões monárquicas lideradas por Paiva Couceiro e dos levantamentos populares arregimentados pelos membros do clero, ultramontanos servos de Deus, donos dos rebanhos  e  defensores da monarquia deposta pelos heréticos republicanos e jacobinos. As artes venatórias na Geografia do Medo entrelaçam-se com a caça aos animais e a caça aos homens, estes simultaneamente caçadores e presa!

domingo, 1 de janeiro de 2023

Textos em janeiro 01

 * Victor Nogueira

2023 01 01 - Em anos anteriores daqui de casa, no Mindelo, vislumbrei o fogo de artificio em Vila do Conde, a uns 5 km a Norte. Mas o tempo estava frio, ventoso e chuvoso, pelo que ainda não foi desta que fui à cidade para vê-lo. 

De repente comecei a ouvir o estralejar de foguetes, fui ao quintalejo apesar da chuva miudinha, a chamada chuva molha-tolos, mas o fogo mal se vislumbrava, ao contrário de anos anteriores. 

Já passam 22 minutos da meia-noite, ainda se ouvem esparsos estralejos, Do fogo em Vila do Conde fica este vídeo.  "Adivertam-se"!


2020 01 01 foto victor nogueira - fogo de "artifácio" em Setúbal Ano Novo 2020

De repente começou o estralejar do fogo e as cascatas de fagulhas incandescentes, rosa ou branco, em vários pontos, desde a vizinhança e arredores até ao longínquo horizonte. Depois, o silêncio, restando na fímbria do horizonte esparsos e mais ou menos minúsculos fogachos, como corolas abrindo-se. Ao contrário de anos anteriores, não houve o bater de tachos e panelas assinalando a chegada de mais um Ano Novo, o de 2020.


 
~~~~~~~~~~

2017  01 01 - Por aqui está um 1º de janeiro luminoso, límpido e soalheiro, embora gélido, de sol de inverno, que não aquece mas arrefece e "enrijesse" os músculos
😛
 

2017 01 01 - Há 6 anos, em 2017 01 01 Fogo de artifício da passagem de ano em Vila do Conde visto da minha casa no Mindelo, 7 km a sul

  • 2014 01 01 Foto Victor Nogueira - Vila Nogueira de Azeitão - pelourinho (pormenor)  - O Pelourinho ou picota, é uma coluna de pedra erguida em lugar público de uma cidade ou vila, onde eram punidos e expostos os condenados. Constituía o símbolo da autoridade e liberdade municipais. Erguidos sempre em frente ao edifício da câmara, muitos tinham, no topo, uma pequena casa em forma de guarita, feita de grades de ferro, onde os delinquentes eram expostos para a vergonha pública e sujeitos aos dichotes e agressões dos passantes Noutros locais, os presos eram amarrados às argolas e açoitados ou mutilados, de acordo com a  gravidade do delito e os costumes da época. Azeitão foi constituída como município, desagregado de  Sesimbra, em 1859, com sede em Vila Fresca de Azeitão até 1786, quando transitou para Vila Nogueira.  O município foi extinto em 1855, na sequência da reorganização administrativa resultante das Revoluções Liberais, sendo integrado no de Setúbal.

VER  
Graça Maria Teixeira Pinto
Imaginar os desgraçados ali pendurados...🙁
10 ano(s)
José Manuel Marques
Obrigado Vitor. Bom ano!
10 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
Fragoso Albertina Não é sharia mas a justiça medieval e, posteriormente, a absolutista
10 ano(s)
Editado
Deolinda F. Mesquita
Bom Ano Victor Nogueira.
10 ano(s)
Isabel Maria
A minha terra tem um assim como existe ainda o Largo do Pelourinho...fazem parte da nossa História é certo mas não gosto.
10 ano(s)
Laura Rijo
Olá Victor boa noite. Bom começo de Ano 2014.
10 ano(s)
Manela Pinto
muito bem sr historiador
10 ano(s)
Manuela Vieira da Silva
Os que roubaram ao Estado, os que fizeram fraudes, os corruptos... todos os que se aproveitam do Estado para se encherem de milhões... deviam de ser expostos nos pelourinhos da principais cidades, a começar em Lisboa e Porto... não estou a ser extremista, extremistas são eles na sua miopia e ignorância. Tenho dito!
10 ano(s)
Donzilia Conceiçao
Conheço este Pelourinho quando vivi em BREJOS DE AZEITÃO, te digo amigo que devia existir ainda estes monumentos onde constasse que estas bestas que nos governam fossem expostas e lembradas por todos quanto passem. Tu meu amigo, porque não te aproveitam para discutires a história deste povo e País, tu é o que mais se intende, porque tu és integro, um beijo querido camarada e amigo do meu ❤
10 ano(s)
Viriato F. Soares
Boa tarde Victor, sempre interessante a história dos pelourinhos, não conhecia a deste . Bom ano de 2014!
10 ano(s)
Judite Faquinha
Victor, eu conheci este Pelourinho, mas há muitos anos que não vou para aqueles lados, nem sei se existe? Mas lembra-me de dizer ao meu pai, que cada ponta dos quatro suportes me fazia lembrar cabeças de serpentes de boca aberta com a lingua de fora metia respeito, mas recordar é viver!!! bjinhos.
10 ano(s)
Luiza Samora
Nenhuma descrição de foto disponível.
10 ano(s)
Victor Barroso Nogueira
Judite Faquinha O pelourinho ainda existe; a foto é de 2013. Aliás todos os pelourinhos - e fotografei muitos em portugal de lás a lés - estão classificados e "protegidos"
10 ano(s)
Judite Faquinha
Obrigada Victor, pela informação...claro que devem estar protegidos, mas eu já desconfio de tudo, mas qualquer das maneiras fico-te grata jinhos.
10 ano(s)
Maria Rodrigues
(Y)
9 ano(s)
Maria João De Sousa
Este é particularmente bonito, com a esfera armilar lá no topo... obrigada, Victor Nogueira! 🙂
9 ano(s)


Jornada - José Gomes Ferreira / Fernando Lopes Graça

Não fiques para trás, ó companheiro,
É de aço esta fúria que nos leva.
Pra não te perderes no nevoeiro,
Segue os nossos corações na treva.
‎
Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
Havemos de chegar ao fim da estrada,
Ao som desta canção.
‎
Aqueles que se percam no caminho,
Que importa! Chegarão no nosso brado.
Porque nenhum de nós anda sozinho,
E até mortos vão ao nosso lado.
‎
Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
Havemos de chegar ao fim da estrada,
Ao som desta canção.

o ÚLTIMO DIA DE 2012, COMO SE  UMA SÍNTESE FOSSE, ESTEVE FRIO, TRISTE E CINZENTO. O 1º de 2013 está límpido, azul, claro e cintilante em setúbal. Que seja este o do nosso futuro, de luta mas de solidariedade. 

~~~~~~~~~

2012 01 01 - O maior problema não são as reformas, altas ou baixas. O problema é a banca, apesar da crise, a ter 45 € de lucros por minuto e ser ela a causadora e beneficiária da crise. O problema é o governo proteger a banca e as grandes superfícies comerciais, beneficiárias da liquidação de milhares de pequenas e médias empresas e de milhares de postos de trabalho. O problema é que as alterações dos horários de trabalho rumo à escravatura beneficiarem as grandes superfícies comerciais, que de mão beijada e com custos inferiores vão aumentar lucros e liquida outros tantos milhares de postos de trabalho. O problema é destruir o serviço nacional de saúde com benefício das Misericórdias e outras Unidades Privadas de saúde, cujo único objectivo é maximizar o lucro. O problema é que há 27 anos que a maioria dos eleitores votam sempre cada vez pior pelos mesmos, em círculo masoquista e vicioso.O problema são as manobras de engenharia financeira e as fugas aos impostos dos milionários portugueses e das grandes empresas. O problema é os órgãos de comunicação social estarem nas mãos do grande Capital que "filtra" a realidade de acordo com os seus egoístas interesses. O problema são as televisões e seus noticiários e programas na maioria abjectos e cretinizantes. O problema é a maioria das pessoas distraírem-se com o acessório e deixarem passar o essencial, como convém a abutres, hienas, chacais, tubarões e polvos que se querem assenhorar-se do poder reduzindo a Humanidade à escravatura e descartabilidade.

Maria Amélia Martins
grande discurso amigo, deste eu gosto, agora o outro é mais do mesmo...e isto de sacrifícios...apetece-me dizer um palavrão..
12 ano(s)



2012 01 01 - Jornada de Fernando Lopes Graça e José Gomes Ferreira - Gravura de Ribeiro de Pavia   

~~~ OUVE A SEGUIR ~~~~~ 


Lena Duarte Resende
Já li este livro há muitos anos
11 ano(s)
Joaquim Carmo
Obrigado, Victor Nogueira! Bom ano 2013!
11 ano(s)
Deolinda F. Mesquita
Li e tenho este Livro há muitos anos, muito velhinho, tem uma capa assim.... Lembro bem quando o li e a transformações que aconteceram em mim. Adorei ver o meu livro aqui 🙂 como adorei ouvir o coro de Lopes Graça também apareceu Vitorino. Obrigada Victor, bjs
11 ano(s)
Belaminda Silva
Obrigada pela partilha, nunca li este livro mas talvez um dia destes vá à biblioteca para ver se por lá o encontro para puder ler.
Beijinhos camarada 🙂
11 ano(s)
Fernando Silva
Companheiros, uni-vos!
11 ano(s)
Fernando Silva
Fernando Lopes Graça, presente! José Gomes Ferreira, presente!
11 ano(s)
Carlos Rodrigues
Alves Redol ! Acho que aprendi a ler nos seus livros. Ainda a semana passada estive com a Fanga e o Anúncio na mão, onde encontrei escrito a lápis o preço - Vinte escudos !Comprado numa Livraria da Calçada do Combro. Que saudade.
11 ano(s)
Manuela Vieira da Silva
Levantam-se as vozes da contestação, levanta-se o espírito da união, acordem memórias da revolução. Tantas prendas neste (re)começo. Ainda tens 364 dias Victor Nogueira. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Beijinho. Coragem!!!
11 ano(s)
Maria Jorgete Teixeira
Belo romance do neo realismo português! Saudades!
11 ano(s)
Jorge Santos Forreta
Excelente, o pai do neorealismo e o livro que lhe deu início ! (apesar da minha área não ser esta)
10 ano(s)
Jorge Santos Forreta
Nem devia ousar comentar !
10 ano(s)

  ~~~~~~
o ÚLTIMO DIA DE 2012, COMO SE  UMA SÍNTESE FOSSE, ESTEVE FRIO, TRISTE E CINZENTO. O 1º de 2013 está límpido, azul, claro e cintilante em setúbal. Que seja este o do nosso futuro, de luta mas de solidariedade.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Brinde aos que partiram



Mindelo - Natal 1973 - Foto MNS (+) - Celeste (+), Victor, Maria Emília (+), tio Zé Barroso (+), avô Zé Luís (+), avô Barroso (+), Tia Maria Luísa, tia-avó Esperança (+)
(+) - já faleceram
* Victor Nogueira

A morte nunca fez parte da minha vida e na família, tirando o meu avô materno ("sempre de preto, viúvo"), nunca pusemos luto e não fazemos o culto dos mortos. Os que morrem permanecem vivos  enquanto estiverem na memória dos sobreviventes que em vida com eles conviveram, com as boas e as más recordações. O que valorizo e prezo são as boas memórias.

Não sei porquê mas a morte mais antiga que tenho em memória é a do Marechal Carmona, falecido a  18 de Abril de 1951. Lembro-me apenas da foto do seu caixão num jornal de Luanda. Antes disso havia falecido a minha avó materna, Francisca, no Porto, entre 1946 e 1948, que não chegou a conhecer o neto. Alzira era a minha avó paterna, de quem eu gostava muito  e que andou comigo ao colo em Luanda e no Porto, faleceu nesta cidade em 1956. 

Depois, lembro-me apenas da morte da Aldinha, amiga de infância, creio que de leucemia, dum colega do Liceu   num desastre aéreo no Sul de Angola, e do meu vizinho  e companheiro de brincadeiras na Praia do Bispo,  o Dinho (Eduardo), logo no início da Guerra Colonial, falecido em combate. Sem esquecer o Dr. Carlos Coimbra. Em  1968 falecera em Luanda o Cunha, alfarrabista, de que falo em http://mundophonographo.blogspot.pt/2007/10/retratos-2-o-cunha-alfarrabista-em.html

1971 é o ano da morte da Isabel, num acidente de salto em para-quedas e de que falo em "Retratos (4) - A Belocas" 

Depois acontecem mortes que me marcaram tanto como a da Isabel: a do meu avô materno em 1976, a do meu avô paterno e, em 1987, aquela  a partir da qual a morte passou a ser na minha consciência algo inelutável, mais ou menos imprevisto, que deve ser encarado com um misto de estoicismo e naturalidade: a do meu irmão Zé Luís. Dele falo em "Ecce Homo" (http://aoescorrerdapena.blogspot.pt/2012/01/victor-nogueira-ecce-homo.html ). O meu irmão suicidou-se na semana seguinte à morte de José Afonso e foi para mim contrastante o acompanhamento do funeral deste e o do meu irmão.

Entretanto foram falecendo outros familiares: a minha tia-avó Esperança, os meus tios José e José João, a Celeste, a tia da Fátima, nas Caldas da Rainha, a Mariazinha .. e alguns bons amigos como o Miguel Bacelar, o Aníbal Queiroga, o dr. Armindo Gonçalves, a Fátima Oliveira, os camaradas Gilberto de Oliveira, Luís Sá, Carlos Arede, Costa Feijão,  Eduarda Silva e Manuel Salazar, o Pe Augusto da Silva, sj … Dalgumas destas mortes falo em "Elegia pela minha família dispersa", em  http://aoescorrerdapena.blogspot.pt/2007/11/elegia-pela-minha-famlia-dispersa.html , sem esquecer a mais recente, a da Paula por mim referida em Maria Lua e a "A Condição Humana" ( http://aoescorrerdapena.blogspot.pt/2016/05/maria-lua-e-a-condicao-humana.html )

Quando me reformei, passado umas semanas voltei ao serviço e foi uma festa o acolhimento que me fizeram com beijos e abraços, o que me levou a comentar com a minha habitual ironia que se falecesse na semana seguinte teria um grande cortejo mas que se fosse daí a um ano diriam: “Olha, o gajo (ou o dr.) morreu e não soubemos; ainda bem, assim não tivemos de ir ao enterro”. Pois foi a constatação despojada que tive quando há uns anos faleceram os meus pais, com a comparência de um ou dois amigos e de apenas parte da família, a do Sul.

Que fica para além da memória ? Ficam as perguntas que não foram feitas, as histórias que não foram contadas, as palavras e os gestos que se retraíram e, por vezes, a sensação de que alguns deles estão aqui ao nosso lado.

Com Eugénio de Andrade fica "O lugar da Casa"

Uma casa que fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem

com o repentino canto da cotovia.

E, com acompanhamento, a Dança de Balcão, pelos Virgem Suta, em 



Ou a Jornada de José Gomes Ferreira



1. - Dança de Balcão - Virgem Suta

Teima, a preguiça a tomar posse
Este corpo já pesado,
Belo vinho meu ele fosse,
Não estaria aqui plantado.
Mas já leva minha conta
Que tabernas, agradece
Mais dinheiro eu tivesse
E ficaria, ficaria todo cá.

REFRÃO:
Brinde a nós,
Brinde aos avós.
Que se houver céu não estão lá sós.
Brinde a vós,
E já sem voz.
Brinde a quem aí vier.

Teima, a preguiça a ser maior
E a vontade de abalar
Mais um copo abaladiço
E outro p'ra recomeçar
Esta dança de balcão,
Que à parte os abraços
Nada deixa, nada fica
Nas histórias, nas histórias
P'ra contar.

REFRÃO:
Brinde a nós,
Brinde aos avós,
Que se houver céu não estão lá sós.
Brinde a vós,
E já sem voz.
Brinde a quem aí vier.  

Só.

2. - Jornada (José Gomes Ferreira e Fernando Lopes Graça)

"Não fiques para trás, ó companheiro,
É de aço esta fúria que nos leva.
Pra não te perderes no nevoeiro,
Segue os nossos corações na treva.

Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
Havemos de chegar ao fim da estrada,
Ao sol desta canção.

Aqueles que se percam no caminho,
Que importa! Chegarão no nosso brado.
Porque nenhum de nós anda sozinho,
E até mortos vão ao nosso lado.