Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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sexta-feira, 9 de maio de 2025

Letras empilhadas, ano após ano, em Maio, 09, (re)colhidas em 2025

 * Victor Nogueira


9 de maio de 2013  · 

Foto Victor Nogueira - Paço de Arcos  - a casa da Avenida Conde de S. Januário

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 Judite Faquinha

Paço de Arcos, é muito bonito... mas tem em baixo do canto direito, algo muito antigo vê-se pelas telhas de canudo, fez-me lembrar os lavadores publicos... onde se lavava a roupa... já são raros mas ainda se encontra!!! Obrigada amigo Victor pela partilha. Boa noite sonhos felizes, Bjs

11 a

Victor Barroso Nogueira

Judite Faquinha A minha tia-avó e depois os meus pais moraram na vivenda, arrendada, de que se vêm 3 janelas e 1 varanda, à esquerda

11 a

Judite Faquinha

Amigo Victor, pelo aspecto devia de ser uma vivenda com uma bela area e linda senhorial, obrigada pela informação bjs.

11 a  

9 de maio de 2013  ·  

Foto Victor Nogueira - Batente

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Margarida Piloto Garcia

Que bela foto!!! Acho que se podia inventar uma história a partir dela, ou seja, para além de bela é altamente inspiradora.

12 a

Maria Jorgete Teixeira

clássica e misteriosa...

12 a

Carlos Rodrigues

Maravilha de puxador, pena terem tirado a patine e o mistério à porta com esses retoques marados, espero que já os tenham tapado. 🙂

12 a

Maria Rosa Silva

que é linda é ...

12 a

Victor Barroso Nogueira

Força, Margarida Piloto Garcia A imaginação ao poder ! idem, Maria Jorgete Teixeira Carlos Rodrigues - a porta estava em restauro, LOL São as demãos do primário por causa da deterioração. Bjos às moças e abraços aos moços 🙂

12 a

Belmira Patrício

1 toque, 1 repenicado, 2 toques, 2 repenicados... também era assim na minha Madragoa 🙂

12 a

Manuela Miranda

é um portal antigo mas bonito, cá no Norte ainda se encontram assim alguns, gosto do batente. A casa onde eu vivi tinha e eu gostava. Obrigada Amigo beijinhos.

12 a

Ana Estrela

o som do batido pela casa...

12 a

Alice Coelho

❤

12 a

Silvia Guedes

Lindos, esses batentes! Bjis, Vitor!

12 a

Deolinda F. Mesquita

Muito bonito esse batente.

12 a

Yolanda Botelho

Que linda porta.....

12 a

Manuela Vieira da Silva

Esta porta tem muitos mistérios, além das artísticas pinceladas de mar. Gosto.🙂

12 a

Maria Mamede
UMA PORTA PINTADA DE AZUL …
Um azul, quase cinzento
numa altivez de morada
de quem tem gosto diverso
e um batente em “camafeu”
a encimar a entrada…
eis a porta; (não do céu)
moderna em seu retrocesso!

Judite Faquinha

É UMA PORTA IMPONENTE, A RESTAURAÇÃO TIRA-LHE O ESTILO PRÓPRIO, O BATENTE É LINDO,MAS TIRARAM-LHE O CANHÃO ANTIGO, PARA LHE POREM UM MODERNO, MAS O MODERNO, NÃO LHE DARÁ MAIS SEGURANÇA!!! Victor mas é linda. bjs

12 a

Belaminda Silva

Que porta mais linda ! Dava-me muito prazer quando em criança batia em casa de amigos meus com portas com batentes muito parecidos as este. Obrigada Victor pelo miminho. Desejo-te um ótimo final de semana. Beijinho 🙂

12 a

Carlos Rodrigues

Bem sei que são retoques Vitor. Se passares lá daqui a seis meses, vê se já se lembraram de dar o acabamento e com quê ( tecnicismos dirás tu ) depois falamos, que isto à Portuguesa as coisas não são assim tão lineares e até podem ficar aí retoques para uns meses e quando forem a recobrir a aderência ser um desastre. Abraço.

12 a             


9 de maio de 2014  · 

foto Victor Nogueira -1974/75 - cartazes e murais de abril 10 - Paço de Arcos (1976)

A Reforma Agrária resultou de anos de luta dos assalariados rurais do alentejo e do ribatejo, de luta contra os grandes latifúndios e o trabalho de sol a sol, de luta pelas 8 horas de trabalho, de luta contra a repressão exercida pela PIDE e pela GNR a favor dos senhores da terra e de extensos latifúndios onde muitas vezes os povos nem da casa eram donos. Uma das conquistas de Abril desmantelada logo a partir de 25 de Novembro de 1975 pelas sucessivas troikas ps(d)cds desde soares carneiro amaral

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  António M. F. Gato

E qual foi a primeira herdade a ser ocupada pelos trabalhadores, amigo Victor Nogueira?!?

11 a

Victor Barroso Nogueira

António Manuel Fachadas Gato Não tenho dados que me permitam responder-lhe. As ocupações iniciaram-se em finais de1974 e aqui encontra alguns dados http://analisesocial.ics.ul.pt/.../1223473153H3yJE7un4Pr0...

11 a

António M. F. Gato

Segundo José Soeiro, antigo membro da direcção do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas de Beja e posterior deputado do PCP pelo círculo eleitoral de Beja, a primeira herdade a ser ocupada foi a Herdade do Monte do Outeiro, situada na freguesia de Santa Vitória, concelho de Beja. A ocupação aconteceu a 10 de Dezembro de 1974 e foi resultado do incumprimento da Convenção de Trabalho do Concelho de Beja, documento que teve o aval da Associação Livre de Agricultores (representante dos latifundiários). O livro do antigo sindicalista e deputado, "Reforma Agrária - a Revolução no Alentejo" é um documento obrigatório para aqueles que pretendam conhecer mais detalhes de uma parte da história do Alentejo...   

  

António Manuel Comendinha

A época foi outra, foi a época da Revolução. Actualmente seria impossível implantar uma nova RA. Os novos não sabem nem querem trabalhar os campos e os velhos já não podem. E alguém no dia de hoje que se meta em pequeno ou médio agricultor é só com base em subsídios. Por isso se vê.......tudo ao abandono ou ( cercas, gados, subsídios, caça, turismo rural, etc)...........

11 a        

9 de maio de 2015  · 

 Luanda e a Praia do Bispo 02

* Victor Nogueira (texto e legendas das fotos)

* J J Castro Ferreira (fotos)

Esta nota é a continuação de Luanda e a Praia do Bispo (https://www.facebook.com/notes/victor-barroso-nogueira/luanda-e-a-praia-do-bispo/10152855905704436) . Nela  se reproduzem  fotos, a maioria tiradas pelo meu tio J J Castro Ferreira, em 1958, ano em que regressou a Angola depois de concluir no Porto o curso de arquitectura, numa época em que não havia ensino superior nas colónias portuguesas.

VER  Luanda - a Praia do Bispo em fotos de capa 01  

Luanda - a Praia do Bispo em fotos de capa 03  

Praia do Bispo, em Luanda

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  Maria José Fonseca

Victor, gostei muito de ver todas as fotografias. Conheci muito bem o teu tio, o arquitecto Castro Ferreira. Saudades!

10 a         

Alfredo Sousa Tomaz

Muito bem elaborado este trabalho. Apenas um pequeno reparo. Julgo que a legenda de uma das fotografias que refere as barrocas da praia do bispo, não está correcta. Se repararem há depósitos de petróelo com o símbolo "S" da antiga Sacor. Talvez a zona seja a da Petrangol na estrada para o Cacuaco.

10 a

José Augusto Duarte Ferreira

Era na Boa Vista, a seguir ao Forte da Casa da Reclusão, em direcção ao Cacuaco. Ao fundo vê-se a ponta norte da Ilha.

9 a

Victor Barroso Nogueira

Alfredo Tomás De facto não me recordo de haver depósitos de combustível da Sacor na Praia do Bispo,salvo os da bomba de abastecimento automóvel, creio que da Purfina. Nesta empreitada não "vira" os depósitos na foto. Rectifiquei a respectiva legenda. Grato pela achega e um abraço 🙂

10 a

Victor Barroso Nogueira

Mana Arminda Griff aka manarminda. De facto fazia-me jeito quem graciosamente me ajudasse a organizar e digitalizar os meus textos e fotos, incluindo as memórias do meu exílio em évoraburgomedieval assim como a história da associação dos estudantes do isese . Haja voluntariado LOL

10 a

Maria João De Sousa

Interessante, a partilha das tuas memórias, Victor Barroso Nogueira! Ontem dei-lhe ordem de entrada na minha cronologia, mas esfumou-se-me antes de lá chegar... ou a ferramenta não funciona, ou é dotada de critérios de selecção próprios que transcendem - ou quase... - o meu entendimento. Abraço!

10 a

Tereza Fardilha

Adorei recordar as memórias da minha infância.....tantas e tão belas recordações.....obrigada Victor, bjs

10 a

José Augusto Duarte Ferreira

A Estrela Coimbra vai gostar de ver as fotos da Praia do Bispo...

9 a

José Augusto Duarte Ferreira

Os "zimbros" referidos no início do texto, na verdade chamavam-se zimbos. Embora existam noutros locais, era na Ilha que se encontravam em maior quantidade e eram propriedade do Rei do Congo, sendo proibido apanhá-los, sob pena de morte...

9 a

José Augusto Duarte Ferreira

Aqui fica uma lembrança para o amigo Víctor, obtida em 1965 a partir da Fortaleza de S. Miguel, mais ou menos no ângulo duma das fotos acima.

Victor Barroso Nogueira

Grato 🙂

9 a

José Augusto Duarte Ferreira

Grato fico eu por ter tido a oportunidade de ver tão bom trabalho. Abrç.

9 a

Estrela Coimbra

Obrigada Victor gostei muito de ver e recordar!

9 a

9 de maio de 2016  · 

foto victor nogueira - serra da arrábida  .convento (novo) de N Sra da Arrábida, construído no século XVI e que foi pertença dos Franciscanos.

Parece uma aldeia de brinquedo ou de bonecas, tão pequenas são as casas. Nem parece um convento, se pensarmos que eles deveriam ter claustro(s). Naquele tempo neste sítio agreste muito difícil deveria ser o acesso, por aquelas penedias escalavradas, com o azul das águas lá em baixo. Poderia ser na Grécia, mas fica em Portugal, com vegetação mediterrânica única e preservada, o "maquis"

O filme "O Convento", de Manoel de Ol iveira, baseado numa novela de Agustina Bessa Luís, foi rodado neste Convento da Arrábida, em 1995,

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 Judite Faquinha

Conheço a serra mas nunca fui ao convento... mas adoro passar pela serra e pular de um lado para o outro como cabra montês...e ver o mar na sua imensidão do seu azul...obrigada camarada Victor pela partilha feliz noite beijokinhas ❤

9 a          

9 de maio de 2016  · 

8 de maio de 1945 – a II  Guerra Mundial terminou na Europa, com a rendição incondicional da Alemanha após a queda de berlim, prosseguindo na Ásia contra oJjapão, que se renderia incondicionalmente apenas a  15 de Agosto. Os Aiados decidiram que a vitória seria internacionalmente comemorada em 9 de Maio  - o Dia da Vitória .


1ª Parada da Vitória em Moscou - 1945 - Áudio em Inglês (First Victory Parade in Moscow 1945)

9 de maio de 2018  · 

Foto rui pedro em 2018.05.08 Tratamento de imagem VN - A Évora, a turbo-aspiradora, segue-me por toda a casa, muitas vezes com a cama e o cobertor, num misto de Snoopy e Linus, personagens dos Peanuts. Vou para o escritório, para a a sala, à casa de banho  ou à cozinha e se me demoro quase sempre dou por ela ao meu lado, deitada na sua cama ou cobertor,  enroscada sobre si mesma, quando não encosta a cabeça ao meu colo a pedir-me festas e cafuné quase ronronando e lambendo-me as mãos com o seu olhar de corça ou bambi, como a que em Luanda tínhamos no quintal.. É um animal deveras inteligente, já com o pelo a embranquecer apesar da  genica.

 Victor Barroso Nogueira

Na do cimo da torre no alto duma encosta com o parque verde lá em baixo e o estuário do Sado e Palmela no horizonte 😛

7 a        

9 de Maio de 2019

Estou farto do frio, pá! (Calvin, de  Bill Watterson)


9 de maio de 2020
 
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foto victor nogueira Forte de Peniche (1988) antigos pavilhões prisionais para confinamento político de alta segurança dos opositores ao regime fascista. e dois poemas de Daniel Filipe
O Viajante Clandestino, por Daniel Filipe
Este é o local, o dia, o mês, a hora.
O jornal ilustrado aberto em vão.
No flanco esquerdo, o medo é uma espora
fincada, firme, imperiosa. Não
espero mais. Porquê esta demora?
Porquê temores, suores? Que vultos são
aqueles, além? Quem vive ali? Quem mora
nesta casa sombria? Onde estão
os olhos que espiavam ainda agora?
O medo, a espora, o ansiado coração,
a noite, a longa noite sedutora,
o conchego do amor, a tua mão...
Era o local, o dia, o mês, a hora.
Cerraram sobre ti os muros da prisão.
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o 1º de Maio de 1962, in Pátria, lugar de exílio, por Daniel Filipe

Regresso pelo tempo ao dia de hoje
primeiro de Maio de 1962
hora segunda da meditação
Ganho de novo consciência do lugar
chegam comboios há mais gente na rua
como se o rio humano recebesse
o agreste tributo de outra oculta nascente
Vêm com o rosto de todos os dias
o olhar de todos os dias
as mãos e os pés de todos os dias
cansados de preencher impressos
moldar metais
afeiçoar madeiras
rodar motores e válvulas
sujos de óleo e poeira
deslumbrados de sol
operários empregados de escritório vendedores de porta a porta
dir-se-ia que cantam
De súbito a cidade parece banhada de alegria
estamos juntos meu Amor
possessos da mesma ira justiceira
Damos as mãos como dois jovens namorados
e sorrimos felizes
à doce primavera acontecida
no magoado coração da pátria
Vêm de toda a parte sem idade
Redescobrem palavras esquecidas
e no silêncio cúmplice desfraldam
um novo e claro amanhecer do mundo

9 de maio de 2021  · 

Foto victor nogueira - Setúbal - Mural executado por  GonçaloMAR, artista de arte urbana com trabalhos já realizados na cidade no Bairro Cor de Rosa ou das Palmeiras, na Belavista. (Canon 192_05 - 2021.05)

VER  Murais em Setúbal 32 - Bairro das Palmeiras (Belavista)

9 de maio de 2022  · 

Foto victor nogueira - Lisboa e Ponte 25 de Abril vistas de Almada e porta-contentores no Rio Tejo

9 de maio de 2022  · 

Assinala-se hoje o 77.º aniversário do Dia da Vitória sobre o nazi-fascismo e o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, em que pereceram mais de 60 milhões de pessoas, na sua maioria civis, e acima de 20 milhões de soviéticos. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), onde se integrava a Ucrânia, o povo soviético e o Exército Vermelho deram o decisivo contributo para a derrota do nazi-fascismo protagonizado por Hitler e Mussolini. 

Salazar dias antes decretara dois dias de luto nacional pela morte de Hitler, o que não impediu que a vitória dos Aliados fosse entusiasticamente comemorada nas ruas, designadamente em Lisboa.  

 "De acordo com testemunhos prestados por quem viveu este acontecimento, o povo de Lisboa saiu à rua gritando vivas aos vencedores deste conflito, hasteando bandeiras dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e do Benfica (ou um pau sem bandeira). Sim, do Benfica, já que a bandeira vermelha da União Soviética – um dos vencedores da guerra na Europa - não era permitida pela PIDE,", um dos sustentáculos do regime fascista português, um regime visceralmente anticomunista  

 VER “As bandeiras da vitória” in https://duas-ou-tres.blogspot.com/.../a-bandeiras-da... . .

Note-se que os Aliados, designadamente os EUA, apesar dos insistentes pedidos da URSS, só decidiram o desembarque na Normandia (Junho de 1944) depois das vitórias do Exército Vermelho em Estalinegrado (Agosto de 1942 a Fevereiro de 1943) e Kursk (Julho de 1942 a Fevereiro de 1943), iniciando este um avanço como rolo compressor até Berlim e possivelmente até ás praias atlânticas em Portugal. 

Em 1944, face ao falhanço da Operação Barbarossa,  líderes e  chefes militares nazis (como o Almirante Canaris, o General Rommel ou o Coronel Stauffenberg, entre outros) pretenderam afastar Hitler e fazer uma paz separada com a França, EUA e Reino Unido, que lhes permitisse concentrar todas as forças na frente Leste, o que não foi aceite. Falhado o atentado contra Hitler, em 20 de Julho de 1944, os conspiradores foram condenados á morte ou forçados ao suicídio. 

 Em 1945, após o suicídio de Hitler com Berlim ocupada pelo Exército Vermelho, o Governo nazi alemão, pretendendo prosseguir a guerra conta a URSS,  deu instruções para que a rendição fosse feita em Reims, apenas perante os representantes da França, EUA e Reino Unido, com exclusão dos soviéticos, o que sucedeu. Face a isto, a URSS exigiu que a rendição incondicional fosse assinada em Berlim, o que aconteceu no final do dia 8, quando em Moscovo, devido á diferença horária, já era o dia 9. 

 Na sequência do fim da Guerra na Europa e de acordo com os restantes Aliados a URSS declarou guerra ao Japão, a que se seguiria a sua invasão pelo Exército Vermelho.  

Antecipando-se, sobre um Japão irremediavelmente derrotado, os EUA, como manobra intimidatória, lançaram duas bombas atómicas sobre cidades sem interesse militar, como Hiroxima e Nagasáqui, nunca tendo sido julgados e condenados por estes dois crimes contra a humanidade, que arrasou as cidades e mataram de imediato ou nos meses seguintes entre 150 mil a 240 mil civis, fora as sequelas nos anos seguintes e por várias gerações.

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 Joana Espanca Bacelar

Victor, por acaso viste ou ouviste esta descrição nos meios de CS? Eu também não!

3 a

Victor Barroso Nogueira

Joana Espanca Bacelar Em Portugal, que foi um dos membros "democráticos" fundadores da NATO nunca se comemorou posteriormente, pelo menos oficialmente, o Dia da Vitória. Mas alguma imprensa tem-no referido, até onde dei por isso

3 a                    

sábado, 26 de abril de 2025

Letras empilhadas, ano após ano, em Abril, 26, (re)colhidas em 2025

 * Victor Nogueira 



26 de Abril de 2012

falando com os meus botões

O telemóvel cai ao chão e não sei de cor o pin, pois desligou. Mas já não estás ali ao fundo na cozinha ou já não atenderás mais o telefone, para mo dizeres. Está vazio de ti o meu lugar que passara a ser o teu, defronte para a janela e para o céu multivariado, perante a qual passavam rápidas as gaivotas em voo planado ou os pombos – estes poisando por vezes no peitoril da varanda,imóveis ou com a cabeça a dar a dar. O céu límpido ou acastelado de nuvens, cinzentas de chumbo ou em flocos brancos, azul ou laranja ou vermelho da cor do fogo, ao nascer,  com ou sem lua cheia à noite. Por vezes cruzado pelo rasto dum avião a jacto. O teu cantinho, como o designavas. Pedias-me sempre para voltares para minha casa, para o teu cantinho. Desde há semanas que ter-te-ás convencido que tal não era possível – como irias perceber a política criminosa desta gentalha que destrói a vida de tanta gente, gentalha da mesma laia daquela responsável por uma guerra colonial que nunca entendeste e que foi a causa da morte do teu filho caçula ? – E passaste então a perguntar ao dono de lar se eu podia ir para lá viver, para eu não voltar para setúbal, até que te encerraste em ti e deixaste de ser capaz de telefonar-me ou de atender o telefone, a persiana do quarto encerrada. Deixaste de ler o jornal diariamente ou os livros que regularmente te levava. Pelo evoluir do teu carcinoma ou porque desistiras de viver.


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26 de Abril de 2012

Cartaz do 1º de Maio (CGTP)   -  Contra a exploração e empobrecimento / Mudança de Púlíticas / Emprego | Direitos | Salário | Serviços Públicos 

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26 de abril de 2014  ·   · 

NOS 40 ANO$ DO 25 DE ABRIL 12 - A "UNANIMIDADE", os CONSENSOS e a "UNIÃO NACIONAL" e as juntas de "SALVAÇÃO NACIONAL" ou gato escondido com rabo de fora

Não, não se trata de socialismo envergonhado do ps(d)cds / Soares Carneiro Amaral Trata-se de fraude e mentiras deliberadas como Mário Nobre Soares reconheceu em alentada entrevista em 3 volumes: "se não defendessem o socialismo não teriam votos" em 1974/76. Não se trata do "Socialismo em Liberdade" mas da "Liberdade do Súcialismo". Verdadeiramente, ao Estado Social que dizem defender, o que apadrinharam foi o "Estado Súcial".

40 anos depois de abril, as fraudes vão-se desvendando, mas o voto e a escolha do eleitorado - afastado o "poder na rua", da populaça cheirando a suor e catinga - vão para a abstenção ou para os pinóquios do costume ou para as manifestações "inorgânicas" e "apartidárias", contra o Grande Capital nacional e transnacional bem organizado e unido. 

Os heróis do 25 de Abril, para a classe dominante, são  salgueiro maia, o "puro" que não se meteu na política, regressando ao quartel, mas que esteve no 25 de novembro com spínola (outro que se reclamava da "pureza" do 25 de Abril), vasco lourenço e jaime neves, ou otelo, o incontinente verbal que em 1975 dizia que punha todos os contra-revolucionários na Praça de Touros (embora se recusasse a norte de rio maior a pôr termo ao terrorismo bombista do elp/mdlp/cónego melo/spínola aliados ao ps(d)cds) ou que se fosse hoje não faria o 25 de abril, depois de em 25 de novembro se ter fechado em parte incerta  e abandonado as "suas" tropas na rua. Otelo que se candidatou a presidente da república para anos depois dizer que votara não nele próprio mas em Eanes, porque "a democracia estava consolidada".  Se assim pensava, porque concorreu, dividindo o eleitorado e a unidade da esquerda ? 

40 anos depois de Abril, nas comemorações do "branqueamento" e do "consenso", soares eanes sampaio balsemão otelo dão-se as mãos, tal como seguro sócrates escavaco barroso passes de coelho portas por lebre. Faltam lá os já falecidos marcelo sá carneiro e spínola, este por soares considerado o símbolo do 25 de Abril.

Nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril,  porque será que os do "consenso" não falam em Vasco Gonçalves, Costa Gomes, Rosa Coutinho ou mesmo em Melo Antunes ? Será porque estes defendiam o socialismo ou se opuseram à ilegalização dos comunistas ou contra spínola soares carneiro promulgaram em 1976 a Constituição que defendia o socialismo, o poder das classes trabalhadoras e uma sociedade sem classes ?

26 de abril de 2014  · 

foto victor nogueira - 1974/75 - cartazes e murais de abril 04 - Paço de Arcos (1978)

Rumo ao Socialismo / Defendemos a Reforma Agrária / o Controle Operário / Nacionalizações 

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  Helder Estêvão Candeias Dordio

Ainda acreditas no Papai Noel?? Zé Pinto. A esperança dos pobres, é a certeza dos Ricos.

11 a

Helder Estêvão Candeias Dordio

Não quer dizer que deixemos de lutar pelo nosso idílico, mas já perdi a fé, a esperança e as forças, sobretudo quando aqueles que estão ao mesmo nível, e em vez de nos ajudarmos, são os que nos atraiçoam mais .....

11 a

Victor Barroso Nogueira

Por acaso, Helder Estêvão Candeias Dordio, o autor da foto e do post sou eu, que aliás há muitíssimos anos deixei de acreditar no Pai Natal e nunca acreditei na senhora de Fátima LOL

11 a

Helder Estêvão Candeias Dordio

não, refiro-me à troca de nomes. As ideias e pensamentos, valem pelo que valem, os Humanos é que as prevertem sempre a favor deles, quando lhes damos o poder.

11 a

Francisca Sepúlveda

Nem um bocadinho de saudades destes tempos. A utopia irrecional...

11 a

Octávio Guedes Coelho

Obrigado pela partilha. Não foram tempos fáceis, mas fazem parte da História recente. Boa noite e excelente domingo. Abraço.

11 a

Elsa Cardoso Vicente

Parte da nossa História, grata pela excelente partilha Victor Nogueira, abraço

11 a

26 de abril de 2016  · 

foto victor nogueira - cabo espichel e enseada da praia dos lagosteiros onde se encontram pegadas de dinossauros

26 de abril de 2017  · 

Não, não são desenhos meus mas "brincadeiras" do meu tio José João, que era arquitecto. Na família, para além dele, desenhavam bem os meus pais e o meu irmão, assim como o meu filho Rui Pedro, embora me diga que não. Quanto a mim, não creio que eu tenha arte para desenhar.

 
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fotos victor nogueira - forte de Peniche, cerca de 1987, que foi prisão politica de alte segurança, o que não impediu a fuga de Àlvaro Cunhal e outros nove dirigentes e militantes comunistas em 3 de Janeiro de 1960. Depois de muitas vicisitudes, nele será instalado o Museu Nacional da Resistência e da Liberdade – Fortaleza de Peniche.


DOIS POEMAS

1. - Daniel Filipe
Este é o local, o dia, o mês, a hora.
O jornal ilustrado aberto em vão.
No flanco esquerdo, o medo é uma espora
fincada, firme, imperiosa. Não
espero mais. Porquê esta demora?
Porquê temores, suores? Que vultos são
aqueles, além? Quem vive ali? Quem mora
nesta casa sombria? Onde estão
os olhos que espiavam ainda agora?
O medo, a espora, o ansiado coração,
a noite, a longa noite sedutora,
o conchego do amor, a tua mão...
Era o local, o dia, o mês, a hora.
Cerraram sobre ti os muros da prisão.
r. David Mourão-Ferreira - Abandono (Fado de Peniche)
Por teu livre pensamento
Foram-te longe encerrar.
Tão longe que o meu lamento
Não te consegue alcançar.
E apenas ouves o vento
E apenas ouves o mar.
Levaram-te, a meio da noite:
A treva tudo cobria.
Foi de noite, numa noite
De todas a mais sombria.
Foi de noite, foi de noite,
E nunca mais se fez dia.
Ai! Dessa noite o veneno
Persiste em me envenenar.
Oiço apenas o silêncio
Que ficou em teu lugar.
E ao menos ouves o vento
E ao menos ouves o mar

26 de Abril de 2020

1º de Maio . 2 séculos de lutas operárias

26 de abril de 2020 
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CONFINAMENTO COMPULSIVO DAS PESSOAS COM MAIS DE 70 ANOS?
QUE DIZ O ARTº 3º DA CONSTITUIÇÃO?

Artigo 13.º (Princípio da igualdade)
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
ISTO TIRA-ME DO SÉRIO. ENTÃO UM CIDADÃO OU CIDADÃ NO PLENO USO DAS SUAS FACULDADES MENTAIS PODE SER "LIMITADO" NO EXERCÍCIO DAS SUAS LIBERDADES, DIREITOS E GARANTIAS?
VÃO OBRIGAR OS MAIORES DE 70 ANOS A USAREM A ESTRELA DE DAVID? VÃO ADMINISTRATIVA E LIMINARMENTE SEREM DECLARADOS INCAPAZES E / OU INTERDITOS TODOS OS MAIORES DE 70 ANOS INDEPENDENTEMENTE DO QUE A LEGISLAÇÃO ESTABELECE E GARANTE?
VÃO NOMEAR CURADORES PARA TODOS OS MAIORES DE 70 ANOS, COMO SE FOSSEM PSIQUICAMENTE INCAPAZES E SEM CAPACIDADE DE AUTO-DETERMINAÇÃO?
NO TEMPO DO FASCISMO, DA REPRESSÃO, DA FOME, DA GUERRA COLONIAL E DA MISÉRIA HAVIA A LENGA-LENGA MENTIROSA DE QUE OS COMUNISTAS MATAVAM OS VELHOS COM UMA INJECÇÃO ATRÁS DA ORELHA E TORNAVAM AS MULHERES PROPRIEDADE COLECTIVA, PARA ASSUSTAREM A POPULAÇA QUE OUSASSE PÔR EM CAUSA O FASCISMO, AO REIVINDICAR E LUTAR POR MELHORES CONDIÇÕES DE VIDA E DE TRABALHO!
E AGORA, AO ARREPIO DA CONSTITUIÇÃO E DAS DECLARAÇÕES DOS DIREITOS DA HUMANIDADE, VÃO CONSTRUIR "LAZARETOS" OU "GAFARIAS" OU "CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO", TALVEZ CERCADOS DE ARAME FARPADO, ELECTRIFICADO, PARA OS VELHOS, A "PESTE GRISALHA" INFECTO-CONTAGIOSA?
E NÃO VÊM QUE ISTO É MAIS UM PASSO NA ORQUESTRAÇÃO PARA UMA SOCIEDADE CONCENTRACIONÁRIA, DE ESCRAVOS E SUB-HUMANOS AO SERVIÇO DOS SENHORES DA TERRA?
NUMA COMPLETA IRRACIONALIDADE MUITAS PESSOAS ACEITARAM COMO PERFEITAMENTE NATURAL
1. - A SUSPENSÃO DE DIREITOS, LIBERDADES E GARANTIAS, COMO OS DE RESISTÊNCIA, DE REUNIÃO, DE ASSOCIAÇÃO, DE CIRCULAÇÃO, DE GREVE, DE ACTIVIDADE SINDICAL, ENTRE OUTROS
3. - ACEITARAM COMO NATURAL O CONFINAMENTO INSANO DUMA PARTE DA POPULAÇÃO ENQUANTO A RESTANTE GARANTIA AS SUAS NECESSIDADES BÁSICAS
3. - ALUCINADAS DE MEDOS, RECEIOS E INSANAS ANGÚSTIAS INDUZIDAS PELA COMUNICAÇÃO E REDES SOCIAIS, TORNARAM-SE INTOLERANTES A QUEM PENSASSE DE MODO DIFERENTE, COM SLOGANS ESTILO "foda-se, fica em casa" EM NÃO POUCOS CASOS IGUALARAM-SE AOS BUFOS DA PIDE AO "DENUNCIAREM" À POLÍCIA QUEM PENSA DE MODO DIFERENTE E CIRCULA PELAS RUAS, MESMO QUE CUMPRAM E RESPEITAM AS DIRECTIVAS SANITÁRIAS.
4. - OSTRACIZARAM O PESSOAL DOS ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE, DOS SUPERMERCADOS, DAS FORÇAS DE SEGURANÇA, PARA QUE "NÃO PUSESSEM EM CAUSA A "segurança" DOS VIZINHOS.
5. - MUITOS TRANSFORMADOS EM ZOMBIES, SERES SEM ALMA, NEGANDO A NATURAL CONVIVIALIDADE E A EXPRESSÃO E PARTILHA DOS GESTOS FÍSICOS DE TERNURA, AMIZADE, AMOR, O OUTRO TRANFORMADO EM INIMIGO, EM POTENCIAL ALVO A ABATER, ESCOLHENDO A VEGETATIBILIDADE FETAL EM VEZ DA VIDA DESASSOMBRADA.
COMO ESCREVEU Martin Niemoller A PROPÓSITO DO NAZI-FASCISMO
Quando os nazistas levaram os comunistas,
eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista.
Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata.
Quando eles levaram os sindicalistas,
eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista.
Quando levaram os judeus,
eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu.
Quando eles me levaram,
não havia mais quem protestasse.

26 de abril de 2021  · 

Viva o 1º de Maio!


26 de abril de 2022  · 

Foto victor nogueira - Museu ferroviário na antiga estação ferroviária do Pinhal Novo (202204 21) Carreta ferroviária (railway handcar), accionada a pedal, para verificar o estado da linha férrea.


26 de abril de 2023 
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Público
Pão, Paz e Liberdade - Tarjeta do 1º de Maio de 1962, violentamente reprimido em Lisboa e no Porto, com prisões, de mortos e de feridos, devido a acção conjunta da Polícia de Choque, das Brigadas da Legião Portuguesa e da PIDE.

No seu longo poema "Pátria, lugar de exílio", o poeta Daniel Filipe fala dessa manifestação e jornada de luta:

«(…)
Neste ano de 1962
não como Hazim Hikmet no avião de pedra
mas na minha cidade
livre de ir onde quiser
e no entanto prisioneiro
neste ano de 1962
exactamente
em Lisboa
Avenida de Roma número noventa e três
às três horas da tarde
Neste ano de 1962
encostado a uma esquina da estação do Rossio
esperando talvez a carta que não chega
um amor adolescente
meu Paris tão distante
minha África inútil
aqui mesmo
aqui de mãos nos bolsos e o coração cheio de amargura
(…)
4ª canção
Roga por nós, ó pátria, ó sonho sem fronteira!,
por nós, a quem recusam a alegria,
a liberdade, o pão de cada dia
a vida verdadeira!
Ó pátria canta! Do teu presepe imaginário,
ergue a voz dulcíssima, magoada,
e estilhaça de esperança as paredes do aquário,
ó pacífica pomba engaiolada.
Contigo iremos pela noite fora,cantando.
« Erguendo rútilas bandeiras
por sobre aldeias, campos, sementeiras,
como os arcanjos portadores da aurora».
Como lobos de súbito
irrompem na planície citadina
carregados de morte
Seu nome é violência
Trazem nas mãos mortíferos sinais
e de órbitas vazias
caminham em silêncio
envoltos na terrível solidão
do crime encomendado
Marginam as esquinas
escondem o rosto sob o aço liso
dos negros capacetes
e anónimos ocultos
pela espessa cortina de ódio e névoa
como robots avançam
A morte engatilhada
espera o momento de partir Agora
Cumpra-se o ritual
Uma voz grita Viva
a liberdade, O coro lhe responde
pontuado de tiros
Canalhas Temos fome
Arranquemos as pedras da calçada
Ó meu amor resiste
Resiste de olhos secos
Sem lágrimas Sem medo Só talhada
no silex da ira
Pronta a dar corpo ao sonho
e entanto testemunha do martírio
companheira e amante
De mãos dadas cantando
abrimos flores às balas assassinas
merecemos a vida
(…)
Neste ano de 1962
primeiro de maio
ao começo da noite
podemos finalmente olhar no espelho a nossa muda imagem
sem temor nem vergonha
Na solidão do quarto, meu Amor
podemos pela primeira vez
deixar de recear futuros julgamentos
e as perguntas silenciosas nos olhos dos vindouros
esquecer a humilhação, o insulto sem resposta
que foi o nosso pão quotidiano e áspero
Agora poderemos ser de novo homens
livres, ainda que presos
mastigando a comida sem o sabor a lágrimas
antes com o sal da esperança
merecido tempero, paga justa da luta
Renegamos o passado maculado de angústias
esquecemos as pequenas diárias covardias
os negócios onde tudo se perde e até a honra
Neste primeiro de Maio de 1962
podemos finalmente sorrir sem amargura.»
.
in Pátria, lugar de exílio, pp.13-35, Editorial Presença, 1974.

26 de Abril de 2025

 25 de Abril - Itália (1945) e Portugal (1974)

O 25 de Abril é uma data histórica em Portugal e na Itália, tendo ambos de comum celebrarem a queda do fascismo, respectivamente em 1974 e 1945, dia de feriado em ambos os países. Na Itália e em Portugal a Igreja Católica, na generalidade, foi suporte e apoio dos regimes naquelas datas derrubados pelo movimento popular e de resistência.

Não sei o que sucedeu na imprensa italiana neste ano de 2025. Em Portugal a morte do líder religioso Francisco I serviu de pretexto ao Governo e demais forças da direita revanchista para tentarem impedir ou condicionar as comemorações e celebrações populares da queda do fascismo, do fim da guerra colonial e da instauração da Democracia.

Duas flores, rubras, representam essa data: papoilas em Itália, cravos em Portugal. Uma designada como o Dia da Libertação (Itália), outra como o Dia da Liberdade (Portugal). Duas canções simbolizam o 25 de Abril: "Bella Ciao" (Itália) e "Grandola, vila morena" (Portugal).

Não conseguiram impedir a ampla participação nas comemorações e manifestações, mas a generalidade da comunicação on line tem dado amplo e destacado tratamento à morte e cerimónias fúnebres em Roma, colocando quase em nota de rodapé e praticamente sem cobertura fotográfica as comemorações do 51º aniversário do 25 de Abril e 50º das eleições para a Assembleia Constituinte. Nos noticiários televisivos, as aberturas e destaques noticiosos são em torno de Francisco I.

Em procissão e farisaicamente deslocaram-se a Roma, para as cerimónias fúnebres, a nata do Estado Português, “representado” pelo PR Marcelo de Sousa, pelo PAR Aguiar-Branco e pelo PM Montenegro, para “homenagearem” laudatoriamente quem se situava nos antípodas da sua política: a recusa do neoliberalismo, a defesa da Paz entre os Povos e uma política a favor não dos detentores da riqueza, mas sim dos deserdados da fortuna.