Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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domingo, 2 de agosto de 2026

Lumpen (2013)

 * Victor Nogueira

2 de agosto de 2013

 Esta gente, mandantes e manageiros, não é gente da alta. É  o lumpen da burguesia, na desumanidade.

As que brincam aos pobrezinhos. Os que mandam aguentar, ai aguentar. Os que mandam emigrar,, mas não saiem da sua zona de conforto no Governo, nos conselhos de administração, em off-shores, os que chamam piegas aos portugueses (m/f) qd sempre foram os meninos da mamã e os queixinhas na escola ("não fui sessôra, foi aquele"),  os que acham que oo desemprego é uma nova oportunidade para melhorar de vida, os dos que dos sem abrigo apenas conhecem aqueles que dorrmem no pórtico do seu banco da usura enquanto a polícia os não  enxota (aos  sem-abrigo, naturalmente). As que vivem da caridadedezinha noutros bancos que enchem a bolsa do grande patronato. Aqueles que mandantes ou simples manageiros consideram a humanidade descartável, incluindo que ente o diabo e o inferno escolheem oo grande patronato, como seguro UGT.  

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Escreve Pacheco Pereira no Abrupto

«A dama Espírito Santo que disse ao Expresso que os da sua laia, os ricos, iam para a Comporta “brincar aos pobrezinhos”, também vale pelo que vale. Zero. Mas já que a dama gosta de brincar “aos pobrezinhos”, então vamos brincar a sério. Vamos atribuir casa no Barreiro à dama, num dos dormitórios lisboetas que ali se fizeram há vinte anos, dar-lhe, vá lá, mais do que o salário mínimo nacional, 600 euros brutos, por exemplo, dar-lhe um emprego em Lisboa, num lar da Misericórdia, numa cantina, que é o que faz quem ganha esta fortuna, um marido a preceito, talvez funcionário da Câmara, mil euros brutos, dois filhos que está bem para a natalidade da classe dos ricos, agora a brincar aos pobrezinhos. Depois, acordamos todos os dias a dama, às 6 da manhã, merenda para os meninos, barco, autocarro, oito horas de trabalho, mais autocarro e barco e fazer o jantar. Aturar o marido, os filhos, limpar a casa. No dia seguinte, a mesma coisa, no dia seguinte, a mesma coisa. Um ano a “brincar aos pobrezinhos”, e aos “pobrezinhos de cima, porque os pobrezinhos de baixo estão na limpeza e no desemprego. Um ano. Sem Xanax. Ao fim do ano, volta para a Comporta. As mãos não são as mesmas. O cabelo não é o mesmo. A roupa não é a mesma. O marido e os filhos não são os mesmos. A cabeça? Não sei. Mas também não deve estar na mesma. Um ano a 600 euros não ajuda a querer “brincar aos pobrezinhos”. Agora já podem dar-lhe o Xanax, o Valium, o que quiser. Vai precisar.»

 https://abrupto.blogspot.com/2013/08/como-os-pobrezinhos-dama-espirito-santo.html? 

sábado, 19 de outubro de 2024

Em torno de Sebastião Gouveia e Melo

 


* Victor Nogueira

2024 10 19 – 

A cultura da acefalia na Central da contrainformação, nos ataques e apoucamento de PN Santos, na esteira de Miguel Sousa Tavares. Na caixa de comentários dum jornal público de "reverência" alguém escreve a propósito duma entrevista ao actual   Secretário-Geral do PS:

” Gouveia e Melo assusta a partidocracia por ter demonstrado capacidade de liderança, organização e independência. Alguém como Pedro Nuno Santos, sem profissão conhecida a não ser político e acionista da empresa familiar, teme a perda de influência que alguém independente possa desencadear no aparelho de Estado. Eanes foi também tudo isso até ter promovido o PRD. Não há que haver estigma por potencialmente um futuro ex-militar ocupar a Presidência. Pelo menos ele teve uma atividade digna e com competência, algo que duvido o entrevistado possa gabar-se.» 

E um outro comenta: «Claro que Gouveia e Melo não tem nenhum pensamento político. É precisamente isso que o torna tão popular. É virgem...»

Mas …. Mário Soares exerceu a profissão durante quanto tempo? E Francisco Assis? E Paulo Portas? E Passos Coelho? Que os habilitava a ingressarem na política a tempo inteiro?  Defende-se que o almirante das vacinas é competente, com a garantia de não ter pensamento político, com a missão de pôr Portugal a marchar em ordem unida)? Hum, dois, direita, direita?! Porque, ao contrário dos “políticos”, os “independentes”, que não fazem política, exercem ‘uma atividade digna e com competência, algo que duvido o entrevistado [PN Santos] possa gabar-se.»

 

EM TEMPO – O Público, apesar do lead, com este título-chamariz, consegue desviar os potenciais leitores do cerne da entrevista, omitindo deliberadamente o essencial para colocar em foco o que nem nota de rodapé deveria ser.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Textos em janeiro 13 Parte II

 * Victor Nogueira



2023 01 13 - Um assessor é mais uma ...."demissão" no Governo?

Se se demitir o porteiro da residência de S. Bento ou a telefonista num qualquer Ministério ou Secretaria de Estado, isso será contabilizado e anunciado como mais uma demissão no Governo do PS? Considerando que a exoneração dum Ministro implica a exoneração de todos os seus Secretários e Subsecretários de Estado, se o referido Ministério tivesse 10 (dez) Secretárias e Subsecretários de Estado, a demissão do Ministro conta como uma ou a comunicação social vai dizer que são 11  (onze)  demissões, misturando alhos com bugalhos!?

Que se cudem os Governos do PS(d) e seus acólitos: não criem Ministérios cada um com mais que uma ou duas Secretarias e Subsecretarias de Estado, não vá desventuradamente o Diabo tecê-las!

PS e PSD são siameses, duas caras da mesma  "moeda". A "oposição" de direita não tem programa alternativo  ao da irmandade do PS, pelo que vive de "escândalos" e da "corrupção" e "nepotismo", em que ambos dão cartas. A política do PS(d)Chega da Iniciativa Liberal e do CDS é  a mesma, indigesta, com  maior ou menor embrulho agridoce, melado ou azedo. Livre dos "empecilhos" e dos freios à esquerda (PCP, Bloco e Verdes), o PS, estribado na maioria absoluta, desenvolve o programa do PSD/IL/CDS e demais acólitos na irmandade e confraria!

Já se organizam manifestações no Largo do Rato contra a "vergonha" do 25 de Abril, "a maior desgraça" na História de Portugal, vozeiam os manifestantes. Dentro em pouco talvez já se organizem ajuntamentos não para comemorar o 25 de Novembro, mas para celebrar o 28 de Maio.

Os “liberais” fazedores de opinião aparentemente demarcam-se daqueles com quem mais se identificam cada vez mais abertamente, subitamente preocupados com o "povo sofredor" que se manifesta invadindo e depredando os edifícios "símbolos e pilares da democracia", tentando inverter as derrotas eleitorais dos seus líderes, como Trump ou Bolsanero.

Ventura do Chega, face ao aparente fracasso  do povo sofredor em Brasília, acaba por declarar que tais manifestações prejudicam, não a extrema-direita mundial, em que se insere, mas a “direita mundial”, a do sistema, em que se insere, de facto.

JMT, o João Miguel Tavares, insurge-se contra os manifestantes, que na opinião dele ultrapassaram as linhas vermelhas, insurgindo-se pelo facto de as forças policiais não terem usado a força letal para dispersar os manifestantes. 

Com eleito, para JMT e seus confrades, ouro sobre azul seria que tivesse havido um banho de sangue na tomada de posse de Lula, com Bolsanero recolhido num hospital em Miami! 

Mas a   catilinária de JMT, na verdade, é a defesa do uso de força letal contra a populaça  que se manifeste  no quadrante do chamam “extrema-esquerda"   caso se insurjam contra os pilares da “democracia” com que ele, Ventura e outros que tais se identificam e defendem, cada vez mais "liberal" e despudoradamente!

Pois JMT  esclarece: «Mas atentar simbolicamente contra os pilares da democracia, e vandalizar as sedes do poder executivo, legislativo e judicial – que no Brasil, ainda por cima, acumulam com o génio do poder artístico nos edifícios deslumbrantes de Oscar Niemeyer –, é não menos ameaçador. É ensaiar um golpe revolucionário que uma democracia não pode tolerar.»

Empolgado e venturoso, JMT acrescenta: 

«Linha vermelha é isto. Neste contexto, pouco interessa que Lula seja corrupto, como eu acredito que ele é. Infelizmente, a democracia tem muitas falhas, e não garante a eleição de anjos ou querubins. Mas ainda ninguém encontrou melhor sistema político. Não há alternativa disponível mais eficaz. Lula é corrupto? Esperemos que daqui a quatro anos apareça um político melhor para tomar o seu lugar.

(...) Daí a minha defesa do uso de força letal nestas circunstâncias. Ver a polícia recorrer a canhões de água ou a gás lacrimogéneo é um grande avanço civilizacional no controlo de manifestações violentas, em relação a um passado que acabava com gente morta. Mas a polícia não pode deixar as armas no bolso quando uma multidão ululante invade e destrói a casa da democracia. É tibieza. É fraqueza. E é trágico, porque passa a imagem de que é possível fazê-lo sem grandes consequências.»

Não lhe treme a pena nem fraqueja a voz quando classifica  como “revolucionário” um golpe contra-revolucionário, ao bom estilo fascista do Golpe Militar fascista em 28 de Maio de 1926, que abriu caminho ``a chamada “Revolução Nacional do Estado Novo”, o tal que aparentemente teria morrido ,envilecido, em 25 de Abril de 1974. 

Mas na sua catilinária, JMT desvenda o cerne dos pilares e princípios da "sua" democracia: Os Tribunais não condenaram Lula,  na sequência dum processo judicial nebuloso conduzido po Sérgio  Moro. É bem verdade que sob Bolsanero e seus familiares impedem suspeitas de corrupção.  Mas, passando por cima disto como cão por vinha vindimada,  JMT e seus confrades  "c ****-**" para o poder judicial, um dos três pilares da democracia parlamentar.  JMT entende que Lula é corrupto, como corruptos são todos os Governos do PS, mandando às malvas o princípio da presunção da inocência e do priomado dos Tribunais,  passando uma esponja sobre os Governos do PSD e de Bolsanero!

Todos eles iludindo conveniente e ardilosamente uma questão fulcral! Se há políticos corruptos, quem são os empresárias e as empreses que pagam e recompensam a corrupção de que largamente e na sombra beneficiam?!

Quanto ao Governo de Lula da Silva, este é um saco de gatos com interesses antagónicos, lacraus e víboras, na senda duma inconciliável “conciliação de classes”! Quanto ao PS em Portugal, cavalga à desfilada rumo ao abismo, abrindo caminho à contra-revolução! Está-lhe no ADN e na massa do sangue da social-democracia.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Textos em janeiiro 02

 Victor Nogueira


2022 01 02 - Putin faz uma guerra de memória, afirma Maria Stepánova. E vai daí, lê-se o texto desta escritora russa, best-seller no «ocidente», e pasma-se com os laudatórios a quem de nós quer fazer tótós. E perguntar-se-á: apenas a Rússia e a Polónia fazem Guerras da Memória, embora por motivos diametralmente opostos? A história é ou não contada e afeiçoada na versão / visão dos vencedores e dos senhores, mas não a  do pé descalço e dos vencidos? E que faz a Ucrânia, quando faz o banimento da cultura russa, persegue os cidadão ucranianos russófonos e russófilos, ao mesmo tempo que reabilita e glorifica os banderantes colaboracionistas com os Eiszengruppen nazis?

«A que chama guerra de memória?

Tenho pensado muito na memória da Guerra Fria, sobretudo em países como a Rússia ou a Polónia, que estão tentar construir uma memória completa ao adoptar uma certa versão da história e prometer uma pena para os que não a apoiarem ou para quem apontar incongruências acerca de alguns acontecimentos que não sejam reconhecidos pela polícia de estado. Por exemplo, a Polónia está a criminalizar todas as menções a cidadãos polacos envolvidos no Holocausto durante a ocupação alemã.

A Rússia está a prometer consequências sérias para aqueles que compararem a União Soviética dos anos trinta e quarenta à Alemanha de Hitler, ao ponto de a visão da História promovida pelo estado ser profundamente problemática para a população. Há uma guerra promovida por um estado e parte da população discorda do abuso de poder por parte desse estado; um abuso que se apoia na promoção de uma versão da História em relação ao país vizinho. E está a fazê-lo usando qualquer coisa parecida com a velha guerra de trincheiras.

Já não é a memória da Guerra Fria, mas continua a ser uma memória de guerra. Os métodos são bem arcaicos. Há um anacronismo nesta guerra. Não vemos drones, nem novos instrumentos de guerra. E sabemos que a Rússia soube usá-los na Síria. Mas agora o que fizeram foi praticamente uma encenação de algumas memórias, ou talvez de alguns filmes sobre acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. Só que na Rússia. Ataques, bombardeamentos. Se no dia 7 de Agosto de 1941 começaram a bombardear Kiev, agora, uns oitenta anos depois, a Rússia volta a bombardear Kiev usando os mesmos métodos, a mesma lógica. É bizarro.

Tenho a convicção de que Putin e os seus apoiantes estão profundamente insatisfeitos por viverem no século XXI. E não é que quisessem apenas viver no século XX, mas era mais fácil organizarem as suas máfias debaixo da mesa e continuarem como se nada fosse, numa sociedade em que não havia qualquer espécie de activismo, movimentos de mulheres, blá blá... Era apenas o grande jogo oligarca dos que estão no poder. Não sabemos o que vai sair daqui, mas acho que estamos sob uma grande ameaça.» (

Que diz a autora noutro passo da entrevista: 

«Este é um livro de não-ficção porque não inventei ou acrescentei qualquer espécie de enredo. Não é um trabalho de jornalismo, mas é uma tentativa de escrever o que aconteceu como aconteceu. Comecei a escrever fisicamente este livro quando tinha dez anos. 

Rebobinando, que diz Stepánova?:

«Por exemplo, a Polónia está a criminalizar todas as menções a cidadãos polacos envolvidos no Holocausto durante a ocupação alemã.

A Rússia está a prometer consequências sérias para aqueles que compararem a União Soviética dos anos trinta e quarenta à Alemanha de Hitler, ao ponto de a visão da História promovida pelo estado ser profundamente problemática para a população. Há uma guerra promovida por um estado e parte da população discorda do abuso de poder por parte desse estado (...)» (in Público 2023 01 02)

Estamos conversados sobre a bizarria desta salgalhada em torno da(s) memória(s) distorcida(s) de Maria Stepánova.

EM TEMPO - Escreve um -dos comentadores no Público, on line;

Francisco M. INICIANTE

«A memória como outros elementos sociais é sempre negociada. Pode ser colectiva mas também tão individual ao ponto de se tornar irreconhecível. Nós em Portugal tanto cremos que a carreira da Índia acabou com as caravanas terrestres e pelo Mar Vermelho e Golfo Pérsico entre Ásia à Europa que nada se conta que as caravanas simplesmente foram desviadas para norte, para a Rússia. Que São Petersburgo só vingou depois de Pedro I ter "forçado" os comerciantes a trazer as suas mercadorias ao novo Bazar de São Petersburgo em vez de Moscovo. Que o "grande jogo" dos ingleses na Ásia central tinha como objectivo acabar com essas caravanas que faziam uma tal concorrência ao comércio por mar. A memória de Moscovo da Sr.a Stepanova é bem diferente da de um Russo de Vladivostok ou das dos do Donbass.*



2022 01 02 - HÁ 4 ANOS, MARCELO DE SOUSA, O GLOBE-TROTTER, PARABENIZANDO O SEU IRMÃO BOLSANERO, O INGRATO QUE SE NÃO CANSOU DE DESFEITEÁ-LO E FAZÊ-LO ENGOLIR SAPOS: «“Como eu disse e como disse o Presidente Bolsonaro, era uma reunião entre irmãos e entre irmãos o que há a dizer se diz rápido, como se diz em família”.

2018 01 02 - Foto Victor Nogueira - em setúbal, fogo de artifício na passagem do ano visto duma das varandas no cimo da torre no alto duma encosta. Não tão majestoso como o da beira rio, para nornordeste também houve festa: no Faralhão e Praias do Sado, na Azeda e muito mais para lá, talvez no Montijo ou Pinhal Novo, embora neste caso muito minúsculo. Suponho que também terá havido em Palmela,  mas não reparei nele,caso tenha sido lançado.

2018 01 02 foto victor nogueira - Super Lua-Cheia em Setúbal, ao anoitecer do 1º de Janeiro

Num jogo de esconde não esconde  vislumbro a Lua na rua, lá no alto, com as nuvens que placidamente deslizam em vai-vem.como se fossem fantasmas vaporosos e eu pergunto-me: vais ou vens ? Muito ?  Pouco ? Nada ?

Ver a anterior Super Lua Cheia de 2017 em  A Super Lua de 2017, em Setúbal

 
2017 01 02 A propósito de quem "cobrou" no inFaceLock porque apenas cerca de 25 dos cerca de 5 mil amigos no inFaceLock lhe desejou "Boas Festas".
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Olha, [...] Bom Ano. E tu, lembraste-te de mim, [telefonaste-me ou ao menos enviaste-me um SMS ou MSG no chat] ? Lembraste-te de mim, que deixaste de partilhar comigo até que eu deixei de fazê-lo contigo [ou continuo a fazê-lo, porque ainda te considero] ? Gosto de ti, gosto do modo como escreves mas ... A amizade e a estima vivem da realidade, do gesto e do afecto físicos.
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Bom ano, [...] A vida é feita de palavras sem conteúdo ? Se estivesses em Portugal, eu convidar-te-ia para minha casa, para saireis comigo ou ajudar-te-ia se fosse caso disso. E tu, se estivesses em Portugal ou eu na tua terra, farias o mesmo em relação em mim [sobretudo na festinha da família, a do Natal, mas não da Amizade, em que todos somos Irmãos, diz a conversa da treta ]?
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A tua seria para mim uma casa aberta como a minha é para quem dela precise e tenha a minha estima, como para toda a gente era a dos meus pais em Angola mas não é a casa da maioria das pessoas no inFaceLock ? Sabem as pessoas do inFaceLock se estou só ou acompanhado, triste ou alegre, doente ou cheio de saúde, se estando doente, a minha doença é terminal e dolorosa ou não ?
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Bom Ano, [...], sem tretas!


2015 01 02 foto victor nogueira - pôr-do-sol na foz do Rio Ave (Vila do Conde - entrada da barra) 2015.01.01

Por estas bandas nortenhas está muito frio e gélido, mas sem as temperaturas negativas de setúbal. Dizem que de manhãzinha por vezes os campos estão cobertos de neve, mas deve ser geada. Fora isso, os dias estão soalheiros, de céu azul. com núvens boas para fotografar o pôr-do-sol. Contudo o entardecer do 1º dia do ano esteve neblinado.

Ali na varanda - batida pelo sol o dia inteiro - o tempo está quentinho, para ler estirado numa cadeira desdobrável.



domingo, 20 de março de 2022

Cansado de notícias da Ucrânia? Reaja, malhando no PCP!

  Victor Nogueira

Barbara Reis não sofre de iliteracia pelo que outros serão os males de que padece, que a levam a manipular tão despudoradamente a "realidade". .

Quem contrariasse a guerra colonial, era "comunista", "traidor", pago por Moscovo. No séc. XXI, dia após dia, nenhuma guerra teve tal "realce” e bombardeamento anestesiante como esta. A “guerra” ao covid foi substituída pela da Ucrânia, dia após dia, com maioria de articulistas sujeitos ao mesmo diapasão, com modus operandi similar: Se questionas a “ordem” social ou a “guerra”, se defendes a Paz, és um Putinista, a soldo de Moscovo. A propósito e a despropósito, malha-se no PCP, pois é preciso que se não questione a “ordem” social estabelecida no “Mundo Livre”, a liberdade da ordem capitalista que vigora nos EUA, na EU, nas Arábias, na Rússia … nem que para isso seja necessário manipular, com o arsenal da Guerra Fria, mesmo que a próxima acabe com a vida neste minúsculo planeta em torno do Sol.

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O artigo é exemplar. Abre com a carta duma leitora contra o modo como o Público “trata” a Guerra na Ucrânia:, como se não houvesse outros temas que não Rússia e Ucrânia, Conclui BR, por isso, “que deve ser militante do PCP”. A partir daí ataca e deturpa as posições deste, que aliás tem muitas outras preocupações, silenciadas pelos mass media. Mas lendo comentários on line, a leitora não é caso único, nem consta que muitas das personalidades que se manifestam contra a guerra, mesmo jornalistas, sejam … do PCP. Não se pode é misturar a condenação da Guerra, de qualquer guerra, com a defesa do belicismo. BR sabe que há manipulação e propaganda oriunda das partes envoltas no conflito, mas “esquece” isso. O final do artigo poderia ter sido os “heróis” da ilha que afinal estão vivos, Felizmente!

 .• JM Iniciante 

Que nojo de comentário.

19.03.2022 15:16 

ip

Malha-se no PCP porque tem tomado posições aberrantes e desumanas. Como os nossos pais e avós da oposisão democrática se afastaram do PCP devido às suas posições a favor das invasões da Checoslováquia em 1968. 

19.03.2022 15:48

Há décadas houve um “acordo de cavalheiros” garantindo que a NATO não iria para o Leste europeu, após a dissolução do Bloco Socialista e do Pacto de Varsóvia. Em 2015 houve acordos em Minsk para pôr fim á guerra no leste da Ucrânia e garantir a autonomia de Donetsk e de Lugansk, que nunca foram cumpridos. Consta que a Ucrânia pretendia aderir á NATO, o que seria uma ameaça para a Federação Russa, ao pôr em causa o conceito de segurança colectiva, definido pela Carta da ONU e pela Acta de Helsínquia, Se a Rússia e a Ucrânia são países capitalistas, se já não existe a ameaça comunista na Europa, porque se mantém a NATO? Se na UE existe o “mercado” e livre concorrência, porque não pode a Europa comprar petróleo, gás natural e outros produtos à Rússia, a preços mais vantajosos que os dos EUA?

20.03.2022 21:05

PL .Experiente 

A NATO é uma aliança militar de países democráticos. O que isso tem de mal? Os ditadores não gostam que as democracias sejam fortes. 

19.03.2022 10:25

Entre os países fundadores da NATO figura o Portugal de Salazar e Caetano, que não era propriamente uma democracia, A NATO era uma aliança dita "defensiva" contra o Bloco Socialista na Europa, que aliás já desapareceu, devido ás conversões que eram os desejos da Senhora na Cova da Iria.


quinta-feira, 3 de março de 2022

«#PensebempensePúblico» Expresso «#liberdadeparainformar»

  


«#PensebempensePúblico» Expresso «#liberdadeparainformar»


* Victor Nogueira

Os seus directores, jornalistas e comentadores não sofrem de iliteracia. No mínimo poderíamos dizer que a maioria deles sofre de desonestidade intelectual. Na realidade cumprem uma agenda, serem a voz do dono. A Verdade é só uma, a voz da América fala Verdade, a única Verdade admissível.
É a democracia liberal, prima direitíssima da democracia orgânica, a de Salazar e Caetano. Não informam. Manipulam, conscientemente ou a soldo.
Sombrios e tenebrosos são os tempos que se avizinham, sombrios e tenebrosos são os tempos para os povos e para quem trabalha e produz.
O que eles não perdoam nem esquecem é que o PCP, Bloco e Verdes, em 2015, tenham viabilizado um Governo minoritário do PS que se preparava para reconhecer a “vitória” do PáF
O que eles não perdoam nem esquecem é que o PCP, Bloco e Verdes, em 2015, tenham contribuído para o afastamento dum Governo do PSD/CDS, tutelado por Cavaco e sempre elogiado por Marcelo, seu sucessor em Belém.
Mas tudo está bem quando termina bem. Pela mão de Santos Silva, António Costa, Cisco Assis, Carlos César, Sérgio Pinto, Manuel Alegre e companha o PS voltou ao redil. O redil dos negócios favorecidos pelo “centrão”, redil donde na realidade nunca o PS saiu. Usando uma expressão cara a certos dirigentes do PS, agora é hora de malhar nos comunistas e nos sociais-democratas. Ou … “Quem se (intro)mete com o Kapital, leva!”
No aproveitar é que está o ganho: “É fartar e malhar, vilanagem.” As vozes do dono assim “ordem(h)am”.
Depois da “geringonça”, preparem-se para a traquitana das “direitas” com as “direitíssimas”
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«Quando os nazistas levaram os comunistas, eu me calei; afinal de contas, eu não era comunista. / Quando eles prenderam os social-democratas, eu fiquei calado; eu não era social-democrata. / Quando eles levaram os sindicalistas, eu fiquei em silêncio; eu não era sindicalista. / Quando eles vieram por mim, não havia mais ninguém para protestar.» (Martin Niemöller)
(Victor Nogueira) 2022 03 03
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QUINTA-FEIRA, 3 DE MARÇO DE 2022 - Começou Jornal Público, 3/3/2022, POR JOÃO RAMOS DE ALMEIDA
Manuel Carvalho, director do jornal Público, assinou um editorial que, creio, mais tarde achará excessivo. Todos andamos nervosos com a guerra e com as suas implicações, mas, de repente, acabamos por participar nessas consequências.
O primeiro parágrafo parece zangado:
"A invasão da Ucrânia expôs com crueza a dificuldade de o PCP fazer parte de qualquer solução governativa numa democracia europeia". Mais adiante continua: "Os comunistas nunca esconderam a sua aversão à democracia liberal [muito se gosta de usar palavras na moda!], à União Europeia e, claro está à NATO. Como nunca esconderam a sua admiração velada por ditadores, como Nicolas Maduro, ou regimes autoritários como a China".(...) Quando, como agora, é preciso escolher [!] entre autocratas e democracias [!] o verniz do PCP estala e a sua essência emerge". "O PCP estava e continua na margem dos valores ou da história".
Tudo isto é dito sobre a votação no Parlamento Europeu da resolução sobre a invasão da Ucrânia. Ora, o Manuel deveria ter lido com atenção a dita resolução que tem 20 (!) considerandos e 46 (!) pontos de resolução. Quando se quer unir, reduz-se as arestas; quando se quer demarcar, acentuam-se as diferenças. Qualquer esforço sério, teria separado as propostas a aprovar. Uma declaração de princípios, uma proposta de acção. Mas não. Tudo parece ter sido embrulhado com uma intenção clara: à pala de uma condenação consensual à invasão - sim, o PCP condena a invasão! - embrulhar e fazer passar uma "declaração de guerra" nada consensual, ao fortalecer-se militarmente a própria NATO, numa iniciativa belicista que, a fazer o seu caminho face a uma invasão militar, conduzirá tudo à desgraça.
Ora, em vez de discutir isso, o Manuel retirou a conclusão primária - o PCP não condena a invasão! Talvez o PCP devesse dar mais atenção à forma como se afirma publicamente. Mas nada permite ao Manuel Carvalho extrapolar daquela forma. E assim deixou-se rebolar por essa rampa inclinada, no desvario assente numa base errada, embrulhando-se com toda a direita em ebolição.
Desvario semelhante, dessa vez olhando para a Rússia Soviética, era esgrimido pelo regime de Salazar, pela sua polícia político-ideológica e até pela própria pena de Salazar. Basta folhear os seus discursos, para se tornar claro o quão era impensável uma participação comunista num governo - um elemento da 5ª coluna do "imperialismo soviético"- porque o seu fim era... criar uma ditadura! Isto dizia a PIDE ou Salazar! E, por incrível que pareça, essa dificuldade em aceitar comunistas no seu seio - já nem falo das prisões e das mortes por isso motivadas - foi igualmente colocada por membros da administração dos Estados Unidos, como Henry Kissinger, já no pós-25 de Abril, porquanto o PCP era membro de uma Internacional que reinaria no Pacto de Varsóvia. E Portugal, como membro da NATO - aliás desde o tempo de Salazar! - nunca poderia permitir ter um inimigo no seu seio. E esta filosofia vem trespassando o debate e, de ora em quando, mesmo em tempo de democracia liberal, lá surge o argumento de que, quem é contra a NATO, nunca poderá fazer parte do governo de um país que é seu membro! Como se os povos ou os seus representantes precisassem primeiro de se inscrever no clube militar para poder exercer os seus direitos!
Tudo isto vem, portanto, de longe. E pena é que Manuel Carvalho não tenha tido em conta isso, quando usa ideias que ecoam há mais de 100 anos, em muitas circunstâncias. Possivelmente, não se terá apercebido do que disse. E, como é boa pessoa, lá colocará a mão na consciência. Mas o importante é que tudo o que escreveu, ficou. E, aliás, entronca já noutros comentários que vão fazendo o seu percurso.
O académico António Costa Pinto, igualmente boa pessoa, escreveu no seu Facebook algo com o mesmo corolário, mas noutro sentido:
"Já me tinha esquecido do famoso "complexo militar-industrial" Norte Americano, uma marca analítica antiga [!], mas João Oliveira, do PCP, ressuscitou-o hoje [!], a propósito da invasão da Ucrânia. É verdade que o declínio (e no passado ascenso) eleitoral do PCP tem pouco a ver com as suas posições internacionais. Mas reconheça-se que a coerência ideológica anti-UE e anti-"imperialismo norte-americano", em plena crise provocada pela invasão da Ucrânia pela Russia vai ditando a sua progressiva irrelevância política.
Sobre isso, relembro um texto de Mário Soares de 2008 que Costa Pinto sempre elogiou. Mas Costa Pinto nem sequer é o mais agressivo: a direita cerra fileiras nas colunas de opinião dos orgãos de comunicação social:
"A guerra na Ucrânia confirmou a essência de PCP e BE" (Tiago Dores). "Comunistas e bloquistas são tão perigosos como o Chega" (Luís Rosa). "Como mostra a guerra na Ucrânia, o Chega apoia a democracia e está ao lado dos aliados ocidentais de Portugal" (João Marques de Almeida). "E agora? O que dizem todos aqueles que acharam que o PCP e o BE eram bem-vindos ao sistema democrático? Os que se desfaziam com a simpatia de Jerónimo e com o aggiornamento de Louçã e Catarina?" (Raquel Abecassis). "Nunca falha: se amanhã a Noruega entrasse em guerra com a Coreia do Norte, ninguém duvida para que lado tombariam os discursos do PCP e os corações do BE" (Alberto Gonçalves). "Vão os países democráticos ceder à chantagem do regime herdado da ditadura soviética, reciclada há mais de três décadas, e entregar os seus restos à corte de um ex-agente do KGB?" (Manuel Villaverde Cabral). "A ‘hora mais negra’ regressou à Europa com a infame invasão da Ucrânia pelo banditismo político-militar do czar soviético Vladimir Putin. É altura de evocar Winston Churchill" (Joao Carlos Espada). "Putin acredita que os Estados ocidentais não intervirão militarmente na Ucrânia devido ao receio de uma escalada para um confronto nuclear. Talvez esteja na altura de o Ocidente surpreender Putin" (Samuel da Paiva Pires). "Durante décadas construímos uma civilização-casulo. Ou seja um mundo suficientemente rico para pagar para que não o ataquem. Mas agora o nosso casulo foi brutalmente rasgado pelo brutalidade de Putin" (Helena Matos).
Expulsem a esquerda! Vamos para a guerra! Pena que os comentadores comentem tanto a espuma dos dias e tão pouco a sua estrutura. Talvez assim se conseguisse mudar para melhor.
POSTADO POR JOÃO RAMOS DE ALMEIDA ÀS 3.3.22

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

(quase) diário da campanha 27 - o(s) dia(s) seguinte(s)

 * Victor Nogueira 



1.  - Foi errado o "nacional-porreirismo" dos partidos na tal reunião, assim como o silêncio do Presidente da República, apresentado como jurista e emérito constitucionalista. Mas as posteriores posições do PSD, como esta, parecem  pura chicana, pois havia concordado na tal reunião informal que todos os votos deveriam ser contados, sem que tenha sido noticiado.

2. -  Depois da tal reunião o PSD, como fizera com o PEC IV, deu uma cambalhota. Em 2019 o PSD foi derrotado nas legislativas, Rui Rio não quis mas foi forçado a tomar posse como ... deputado, ele que concorrera a .... 1º Ministro. 

O político apresentado como homem democrata e político honrado, revelou-se um exímio especialista em tiros nos pés, errático e gelatinoso, mas que a partir de certa altura a comunicação social pretendeu apresentar como um grande estadista que poderia derrotar o PS, quando de facto PS e PSD sempre se entenderam nas matérias estruturantes. 

Porque haveria o eleitorado de preferir uma cópia contrafeita, errática, ao original, mais eficiente na defesa e concretização dos interesses comuns a quem na verdade os sustentam e os representam no PS(d)?


Santos Silva, o homem das "direitas", que não simpatiza com as "esquerdas", como  Presidente da Assembleia da República? Francisco Assis, o anticomunista primário,  como Presidente da "Concertação Social"? Manuel Alegre, no Conselho de Estado, o das "touradas", que se transformou em "Cavaleiro", não da "Esperança", mas da "triste figura"? 

Que mais nos irá oferecer o PS na bandeja de António Costa, após a saída de Ferro Rodrigues da Assembleia da República e de Francisco Louçã (do Bloco) e Domingos Abrantes (do PCP), nas anteriores legislaturas eleitos pelas listas do PS minoritário,  em Governo(s) viabilizado(s) pelas "esquerdas"?  


2022 02 17

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Ucrânia - A guerra e a(s) verdade(s)



* Victor Nogueira

Segundo o articulista, europeísta  convicto e militante, o "amigo" americano não merece crédito, desde a guerra do Iraque, mas Putin é pior. Declara o articulista: os EUA manipulam a informação, mas Putin manipula muitíssimo mais, especialmente as redes sociais, escreve o articulista. A Rússia nada tem de democrático e quer acabar com a "democracia" nos países "independentes" após a implosão da União Soviética. Um horror. 

Diz o articulista, prosseguindo: Putin, um manipulador que pretende ser visto inquestionavelmente como «um arauto da paz e da ordem internacional» Sim, porque é mentira que os americanos queiram envolver a Europa «numa guerra contra a Rússia.» pois a NATO nunca interviria na Ucrânia pois esta não é membro da dita cuja.

Para o articulista «uma das consequências da desinformação em torno desta crise é que o movimento pacifista na Europa ainda não acordou para esta grave ameaça à paz e não está nas ruas a fazer pressão sobre Putin, como no passado fez sobre Bush durante a guerra no Iraque.» 

Mas ... não eram falsos os argumentos que a tríade Bush, Aznar, Blair e Barroso agitou: de Saddam possuir armas de destruição maciça? Se assim foi, porque seria mais credível o espantalho agitado por Biden  e certos vassalos "europeístas" acerca da "certeza" duma invasão da Ucrânia  em vias de ser perpetrada pela Rússia?

Um dos objectivos de Putin, segundo o articulista, seria impedir a entrada da Ucrânia para a Nato. Ora essa não adesão  teria consequências que «poderiam ser devastadoras para a Europa de Leste, fragilizando as suas democracias e a sua integração na Europa democrática.»  

Costas larguíssimas têm as putativas "democracias", Estado-Unidense e da Europa do neoliberalismo capitalista

Contudo, apesar de todo o enviesamento do "democrático" articulista, anti-Putin e pró-Nato, a leitura do artigo permite ver o que de facto são as preocupações da Rússia e os objectivos dos EUA/NATO, entre cujos fundadores esteve a chamada "democracia orgânica" de Salazar e Caetano, no mínimo dos mínimos ... admiradores do fascismo e do nazi-fascismo.  

Se a União Soviética e os países socialistas europeus foram varridos do mapa, se o "comunismo" falhou face ao triunfo da capitalista Civilização Ocidental, porque não foi a NATO dissolvida, porque se mantém, alargando o seu domínio  de Norte a Sul, de poente para nascente, por todo o Atlântico, pelo Índico e pelo Pacífico?

Parafraseando slogans dos tempos da "guerra fria", segundo a "Voz da América", "A verdade é só uma, Radio Moscovo não fala Verdade" 

Mas verdade, verdadinha, de fonte segura, desde os finais do século XX,  Moscovo é a capital dum país cujo modo de produção é ... capitalista, antagónico do modo de produção socialista da implodida URSS. Na mira da NATO/OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte)  (Victor Nogueira)

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ANÁLISE - A guerra e a verdade, por Álvaro Vasconcelos 15 de Fevereiro de 2022

A primeira vítima da guerra é a verdade. Sabemos isso desde há muito e a guerra de informação à volta do conflito na Ucrânia não é exceção.

A informação americana deixou de ser credível para muitos, sobretudo depois da Guerra do Iraque e da desinformação sobre o programa nuclear e sobre as armas químicas que, bem sabiam, não existiam. Por arrasto, a informação dos governos europeus, mesmo os que se opuseram à Guerra do Iraque, tornou-se também menos credível.

Por outro lado, Putin, especialista em desinformação e mestre na utilização das redes sociais, conta com muitos que, por antiamericanismo, estão prontos a vê-lo como um arauto da paz e da ordem internacional, ou seja, a aceitar sem questionar os seus objetivos e a sua narrativa. Reflexo desta realidade são afirmações como a de que os americanos querem envolver-nos numa guerra contra a Rússia. Afirmação absurda, já que os americanos sabem que a Rússia não é o Iraque e que tal guerra levaria a um confronto termonuclear e à destruição da vida no hemisfério Norte. Putin sabe que a NATO nunca virá em defesa da Ucrânia, que não é membro da Aliança.

Uma das consequências da desinformação em torno desta crise é que o movimento pacifista na Europa ainda não acordou para esta grave ameaça à paz e não está nas ruas a fazer pressão sobre Putin, como no passado fez sobre Bush durante a guerra no Iraque. Afinal, é a paz na Europa que está em causa.

Comecemos pelo que sabemos da estratégia de Putin: concentração de forças militares significativas na fronteira e chantagem de guerra, acompanhada de exigências que implicam uma revisão da ordem europeia, nomeadamente o fim do alargamento da NATO para leste.

Ora, Putin sabe que nunca terá uma garantia legal de não alargamento da NATO. O seu objetivo é forçar o Governo da Ucrânia, através da ameaça de guerra, a ceder em três questões: na aspiração a ser membro da NATO; no reconhecimento de que a Crimeia é parte da Rússia; e na aceitação da independência da região separatista de Donbass. O seu objetivo é ainda mais ambicioso: uma mudança de regime em Kiev, o que poderá acontecer se o Governo de Zelenskii capitular às exigências do Kremlin. Neste caso, o Presidente ucraniano poderá ter de se demitir, o caos instalar-se na Ucrânia, criando a possibilidade de se vir a instalar um Governo pró-russo. Aliás, a pressão militar já está a enfraquecer, seriamente, o Governo ucraniano, dado o seu impacto económico e o isolamento aéreo do país.

As consequências da capitulação da Ucrânia poderiam ser devastadoras para a Europa de Leste, fragilizando as suas democracias e a sua integração na Europa democrática. Putin também sabe isso. Se o conseguisse, reverteria as conquistas democráticas e de integração do pós-Guerra Fria.

A estratégia americana para contrariar os objetivos de Putin é menos clara. Procura dissuadir uma possível invasão militar, ameaçando a Rússia com pesadas sanções, acompanhadas por um reforço limitado da capacidade militar da Ucrânia. Mas Biden também declarou, desde o início da crise, que nenhum soldado americano morreria pela Ucrânia.

Os Estados Unidos aceitam reabrir as negociações sobre a redução de mísseis de médio alcance e sobre o controle de manobras militares no Leste da Europa, mesmo que rejeitem pôr fim à chamada política de portas abertas da NATO ou ao estacionamento de forças militares nos países do antigo Pacto de Varsóvia, hoje membros da Aliança, como as repúblicas bálticas.

Mais difícil de perceber é a razão dos constantes alertas da Casa Branca de que a Rússia pode invadir a qualquer momento, reforçados pela retirada de pessoal diplomático. Tal estratégia facilita o objetivo russo de máxima pressão e de causar danos graves à economia da Ucrânia.

A Europa tem procurado desenvolver uma estratégia liderada pelo Presidente francês em coordenação com o chanceler alemão. A estratégia europeia acompanha a americana na denúncia da pressão militar russa e na ameaça que representa para a paz, mas tem uma nuance importante, e nisso se diferencia da americana: aceita o redesenhar da ordem europeia, o que pode incluir garantias de que a NATO não se alargará mais para leste.

Os europeus procuram também uma saída pacífica para o conflito no Donbass, com base nos acordos de Minsk, assinados pelos ucranianos no final da intervenção militar russa de 2014. Ao fazê-lo, a Europa está a dizer aos ucranianos que o Donbass será de facto uma região quase independente – como a Abecásia, na Geórgia, depois da intervenção russa de 2008 – e que não há solução militar para garantir a unidade da Ucrânia, mas apenas uma solução política, que implica que o poder de atração da Ucrânia seja maior do que o da Rússia. Desse poder de atração faz parte a perspetiva de integração económica na União Europeia e, a prazo, a integração plena.

Se a Ucrânia se mantiver unida face à pressão militar pode ser que a diplomacia europeia seja bem-sucedida. Putin poderá retirar as tropas dizendo que as suas preocupações sobre a ordem europeia foram atendidas e tendo conseguido que o gasoduto Nord Stream II já não poderá ser posto em causa.

A unidade da Ucrânia na democracia e na prosperidade e a convivência pacífica entre as suas componentes ocidental e russófila deve ser vista não só como a melhor solução para a crise, mas como um factor essencial do projecto de unidade democrática da Europa toda – do Atlântico aos Urais.

Fundador do Forum Demos


2022 02 15

domingo, 13 de fevereiro de 2022

(quase) diário da campanha 24 - o(s) dia(s) seguinte(s)

 * Victor Nogueira


«Esta histeria do “atentado” serviu para quê, exactamente?»

O Público é  um dos órgãos de comunicação social pretensamente equidistantes, "imparciais", "pluralistas",  balançando entre os bolos e o chicote, entre o sim, o não e o talvez, com o jornalista bonzão e o jornalista mauzão, conforme os olhares, mas pendendo no essencial para as "direitas"

Neste artigo  Ana Sá Lopes, sem ir ao fundo da questão,  "espanta-se" com a chinfrineira  feita pela comunicação social em torno dum alegado "terrorista" e dum virtual "atentado", um "case study" que ela sugere seja  objecto de abordagem nas escolas de jornalismo. 

Mas, pelos caminhos da escrita, lá vai fazendo referência a um dos artigos do "incendiário" jornalista João Miguel Tavares. - muito poder e graças deve ele ter para ser citado pelos colegas com outras e adversárias visões.

Neste caso do alegado "terrorista" até concordo com parte da análise de JMT, mas não com as suas conclusões finais e  na pretensa e angelical inocência do articulista.

Cum caraças. Não é que no seu artigo João Miguel Tavares afirma e conclui que a "argolada" da judiciária foi "apadrinhada" pelo governo do PS? 

Com efeito no artigo JMT afirma: "com a ajuda do governo, a PJ está a tentar recuperar o protagonismo de há 20 anos. Ou muito me engano, ou a razão para a cara do joão estar espalhada por todo o lado é essa." 

Isto na sequência dum bombástico título «esta histeria do “atentado” serviu para quê, exactamente?»

Escutemos pois como, como selectivo e de olhar vesgo, enviesado, afinando a bazuca, conclui JMT a sua peça jornalística, ao estilo "tiro e queda"?

«A PJ foi durante décadas a instituição-estrela da investigação em Portugal. A partir dos anos 2000, na sequência do caos que foi o processo Casa Pia e com a ascensão da criminalidade económica, perdeu terreno para o Ministério Público. Agora, com a ajuda do Governo, a PJ está a tentar recuperar o protagonismo de há 20 anos. Ou muito me engano, ou a razão para a cara do João estar espalhada por todo o lado é essa. E não é bonita de se ver.»

Nos entrefolhos já tina trazido á colação um outro João, outra pretensa vítima da “Judite”, um João de apelido .... Rendeiro, no desenvolvimento referido, a talhe de foice, por João Miguel Tavares, o 3º pastorinho.

Qual o benefício para o governo do PS, deste modo e no rítulo e no lead capciosamente referido por?  

Com mil diabos e recorrendo a uma dica de Ana Sá Lopes, referindo a Fox Crime, de que também sou teleespectador (passe a publicidade). Qual o Qual o benefício para o governo do PS no alegado  apadrinhamento desta saída da "Judiciária", a quem não estão cometidas as funções e responsabilidades de "espiões" nas "espionagens" e no "contraterrorismo".?

Considerando as barricadas em que se coloca e os acrisolados amores de JMT, a quem beneficia a pretensa "argolada" da "Judite"? Quem é na realidade o criminoso no caso do "terrorismo"? Quem do crime beneficia e procura tirar proveito, com a ajuda prestimosa da comunicação social?  

O ps? Hum! Hum! Ch€g@-te ... P'raqui ou p'ráli?  P'ra cá" ou P'ra lá? (Victor Nogueira)

«Esta histeria do “atentado” serviu para quê, exactamente?» por jmt in https://www.publico.pt/.../histeria-atentado-serviu...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

(quase) diário da campanha 22 - o(s) dia(s) seguinte(s)

 * Victor Nogueira


PÚBLICO renova painel de colunistas

Carmo Afonso, Cristina Roldão, Luísa Semedo e Rogério Casanova enriquecem o mais abrangente e plural painel de colunistas da imprensa portuguesa.



Mas os "responsáveis" pelo Público acreditam serem todos os seus leitores simples tótós? No caso em apreço, de pluralismo, é mais "higiénico" o Público ter articulistas assumida e claramente comprometidos com partidos políticos, em igualdade de "éne caracteres com espaços" e o mesmo realce / destaque, do que articulistas e jornalistas pretensamente independentes e pretensamente equidistantes ou descomprometidos, de que João Miguel Tavares e Manuel Carvalho são exemplo. Dentro do actualmente enviesado pluralismo, para na edição on line encontrar certos articulistas que não sejam, por ex.,JM Tavares ou JP Pereira é preciso andar á procura dos seus escritos.  Fazem falta, por ex, Pais Mamede, Francisco Louçã, Bagão Felix, entre outros, como Manuel Loff, Rui Tavares ... Estes não "enganam"! 

2022 02 11

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

(quase) diário da campanha 21 - o(s) dia(s) seguinte(s)

 * Victor Nogueira


"Normalizar partidos radicais? Sim! Aprendi com Mário Soares", afirma JMT ou - AS MISTIFICAÇÕES DE JOÃO MIGUEL TAVARES - MÁRIO SOARES, O REVISIONISMO HISTÓRICO, O FASCISMO, O ANTICOMUNISMO MILITANTE E O "$ÚCIA£I$MO" EM £IB€RDAD€.

Em 1926, ano do golpe militar fascista, em Portugal, para além das organizações anarquistas,  havia dois partidos anticapitalistas, todos de base operária, que defendiam o "socialismo": o Partido Socialista Português, fundado em 1875 (mil oitocentos e setenta e cinco) e o Partido Comunista Português, fundado em 1921, na sequência da dissolução da II Internacional, verificada em 1916.

O golpe fascista de 1926 teve como finalidade a instauração duma ditadura que perdurou até 1974, que suprimiu liberdades, direitos e garantias, incluindo a proibição de partidos políticos, salvo a "União Nacional" de "Deus, Pátria, Família," Tudo pela Nação / Nada contra a Nação".

Em consequência disso, o Partido Comunista Português passou á clandestinidade, sendo objecto duma violenta repressão durante décadas, enquanto o Partido Socialista Português autodissolveu-se em 1933 (mil novecentos e trinta e três). O que foi fundado por Mário Soares em 1973, sem base nem tradição operárias, nada tem a ver com o seu antecessor.

Deste modo, durante o fascismo em Portugal houve apenas dois partidos: a "União Nacional" / "Acção Nacional Popular", de Salazar e Caetano, e "O Partido", proibido, forçado á luta na clandestinidade, perseguido e violentamente reprimido, mas que todo o mundo sabia qual era.

Até 1974 sabia lá a generalidade do povo português quem era Mário Soares e muito menos sabia lá da existência do chamado Partido Socialista, fundado em 1973 (mil novecentos e setenta e três) na Alemanha Federal com os dinheiros da social-democracia europeia!

Em 1933, conjuntamente com a Constituição fascista, foi promulgado o Estatuto do Trabalho Nacional que, para além de proibir o direito á greve (artº 9º), estipulava que “A direcção das empresas, com todas as suas responsabilidades, pertence de direito aos donos do capital social ou aos seus representantes. Só por livre concessão deles o trabalhador pode participar na sua gerência, fiscalização ou lucros das empresas” (artº 15º) e que “O direito de conservação ou amortização do capital das empresas e o do seu justo rendimento são condicionados pela natureza das cousas, não podendo prevalecer contra ele os interesses ou os direito do trabalho” (artº 16º). Resumindo: "Tudo pelo Kapital, Nada contra o Kapital":

E porque no 25 de Abril de 1974 houve uma ruptura com o fascismo e a guerra colonial (colonialismo aparentemente defendido por JMT) a ala spínolista no MFA foi derrotada nos sucessivos golpes contra-revolucionários e nas eleições para a Assembleia Constituinte e subsequentes para a Assembleia da República, os partidos e movimentos fascistas, incluindo o MDLP/ELP, liderado por Spínola, ficariam impedidos de concorrer.

Em 1974 e 1975, na sequência do 25 de Abril, cresceu e radicalizaram-se os movimentos das populações e dos trabalhadores, designadamente na Cintura Industrial de Lisboa e em Setúbal, onde se localizavam as unidades industriais com centenas ou milhares de operários, e no Alentejo e parte do Ribatejo, onde se concentrava o proletariado rural, que dera início á Reforma Agrária com a ocupação dos latifúndios. Por outro lado, na sequência do malogro do golpe contra-revolucionário de 11 de Março de 1975, o Conselho da Revolução havia procedido á nacionalização da banca e de outros sectores estratégicos da economia.

Face a esta realidade, Mário Soares, assumindo encobertamente a liderança da contra- revolução, tudo fez para tentar impedir a promulgação da Constituição em 1976, incluindo o apelo á intervenção militar estrangeira para "esmagar" o que Soares dizia ser "a comuna de Lisboa" (e de Setúbal). Esse seu propósito malogrou-se, pois não teve o apoio do General Costa Gomes, Presidente da República designado pelo MFA como sucessor do General Spínola, que se havia demitido na sequência do golpe contra-revolucionário de 28 de Setembro de 1974.

A contra-revolução, no entanto, ganhara uma força determinante, a partir do 25 de Novembro de 1975, embora a componente fascista nas Forças Armadas tivesse sido travada pela ala social-democrata do MFA, que a impediu de levar por diante o seu propósito de liquidação física dos comunistas, dos sindicalistas e seus aliados, a que nem socialistas e sociais-democratas teriam conseguido escapar.

Até que em 1987 Mário Soares, na qualidade de Presidente da República, deu início á normalização do fascismo (travestido de “ditadura”, tout court) ao homenagear, reabilitar e condecorar o General Spínola, apresentando como fundamento os «feitos de heroísmo militar e cívico e por ter sido símbolo da Revolução de Abril e o primeiro Presidente da República após a ditadura», ...

... heroísmo militar e cívico, exuberantemente demonstrados na guerra colonial e como líder contra-revolucionário.

Logo após as eleições de 1975 Mário Soares meteu o socialismo na gaveta, tão bem aferrolhado que o Partido Socialista se perdeu.

Com efeito, na sua entrevista a Maria João Avilez, recolhida em três alentados volumes (1996/1997), Mário Soares confessa que defendera o "socialismo" apenas porque se o não tivesse feito não teria tido votos. (Victor Nogueira)

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«(...) Não preciso de gostar de André Ventura para defender os seus direitos políticos. Basta que o Chega cumpra dois requisitos básicos: abster-se do recurso à violência e respeitar o processo democrático.

(...) Aquilo que defendo que seja feito ao Chega nos dias de hoje é aquilo que Mário Soares defendeu que fosse feito ao PCP na segunda metade da década de 70. E resultou. Sei que as pessoas à esquerda ficam muito chocados quando as pessoas à direita comparam o Chega com o PCP ou com o Bloco, porque acreditam que não há amor platónico a Cuba, à Venezuela ou à Coreia do Norte que possa ser equiparado às tiradas xenófobas a propósito dos ciganos. Dou isso de barato. Mas reparem: nos anos 70 o amor não era só platónico. 

(...)  E, no entanto, o que é que fizeram Mário Soares, o PS e os moderados do MFA após o 25 de Novembro? Isto: esforçaram-se ao máximo para manter o PCP dentro do regime, quando toda a direita militar exigia a sua ilegalização. Melo Antunes, logo no dia 26, afirmou que não havia forma de construir a democracia sem o PCP – e tinha toda a razão. Os comunistas haviam somado 700 mil votos nas eleições para a Constituinte. É claro que não se podiam deixar 700 mil pessoas à porta da democracia em 1975. E também não se podem deixar 385 mil [eleitores do Chega] à porta da democracia em 2022.

Normalizar o Chega – no sentido de reconhecer ao partido os mesmos direitos políticos dos outros – não significa deixar de combater as suas péssimas ideias, ou a forma como explora os piores sentimentos das pessoas. (...) » 

E blá blá blá., com o apoio da generalidade da comunicação social, com a sua "liberdadeparainformar" "pensebempensepublico" DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA E TRABALHO (sem direitos, liberdades e garantias)."

2022 02 10