Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Eu desta escapei


foto victor nogueira


* Victor Nogueira

ESCRITO EM 2012.07.08- Eu desta escapei. Ficaram os efeitos secundários da radioterapia, mas espero dar conta deles. Um dia de cada vez! 

As tuas parecem as minhas viagens de estudante de Évora para Paço de Arcos: autocarro, barco e comboio. A minha tia-avó morava em Paço de Arcos. Em Portugal a minha morada oficial era em Paço de Arcos e não Évora, para ter passe de estudante e em Luanda para ter descontos no avião quando ia de Férias Grandes por intermédio da Procuradoria dos Estudantes Ultramarinos, um organismo governamental que sucedeu à Casa dos Estudantes do Império, extinta pela Polícia Política sob acusação de desenvolver actividades subversivas. Para além das caminhadas a pé, dizia então na brincadeira que só me faltava andar de avião entre Évora e Paço de Arcos. Naquela altura era moço e muitas vezes parava em Setúbal para visitar pessoas amigas. Aquele foi o tempo em que tinha montes de amigos e amigas. Era o tempo em que ainda acreditava nas pessoas. Agora é tudo cinzento, medroso, cheio de medos, cada um por si. Muitas pessoas apesar do 25 de Abril não superaram séculos de Inquisição, Pinas Maniques e Polícias Políticas. Nas redes sociais as amizades são virtuais e cheias de "medos" e de "receios" e de "prisões" quando não dos olhos e das vozes e dos olhos das comadres e da vizinhança- Há muita encenação, para lá das aparências. E na vida real é cada um por si. Setúbal é uma terra tramada. Se soubesse que Setúbal era assim nunca teria ficado aqui. As desilusões resultam das ilusões.



Em Coimbra, com as tias Lili e Esperança - foto jj castro ferreira

ESCRITO EM 2012.07.20 - estou triste e comovo-me ao reler cartas ou poemas que escrevi. Muito daquilo em que acreditei foi um fracasso: o casamento, a marginalização pelos meus camaradas e do sindicato - que não confundo com o partido – daquelas que se "venderam" e traíram os ideais que dizem defender, acomodados às mordomias do capitalismo e as migalhas que lhe caiem nas mãos.

ESCRITO EM 2012.08.18 – Ninguém trata de mim. Trato eu de mim, dos meus pais e às vezes do meu neto. Mas por causa da gastro não fui ao Mindelo com a minha filha, o Sérgio e o Cisco. Nem hoje ao Zoo de Lisboa com o Cisco, o Rui e a Ana Sofia. Mas talvez esteja a melhorar das sequelas.

ESCRITO EM 2013,02.08 – Em Angola nós tínhamos de estudar exaustivamente uma realidade que não ara a nossa e um Pais – Portugal – que a muitos de nós nada dizia. No 7º ano do Liceu em Luanda defendíamos abertamente a independência de Angola nalgumas aulas Até o meu pai já era angolano. entre a ida em 1944 e o regresso, em 1975, apenas esteve cá poucos dias no Natal de 1974.

ESCRITO EM 2013.06.16 - Estou em casa da minha tia, com inércia para sair e sozinhito, mas ainda cá estarei até 3ª se não voltar antes para Setúbal. A minha tia Lili não leva a mal que leve pessoas amigas para amoçarmos com ela. Aliás  já nos meus tempos de estudante levava colegas meus para almoçarem, que ela assim conheceu e por quem me pergunta por vezes. Sou o ajuizado sobrinho querido com quem ela andou ao colo em Luanda ...


em Luanda, 1946

ESCRITO EM 2013.06.26 - Eu nunca te comento ! Logo sou dos maus segundo uma que reclamava do que escrevi há pouco

“Olha, se estou na lista das exclusões, paciência Não é por tão pouco que te excluo e aqui é quase tudo efémero, a vida real, quotidiana, essa é que conta: a mão, a voz, o sorriso, a gargalhada cristalina, as lágrimas de verdade, o brilho no olhar, o suave perfume ... “   

“Dizem que os livros são os nossos melhores e maiores amigos. Mas os livros não se sentam  nossa beira, nem têm olhos, nem sorriem nem nos abraçam, nem connosco passeiam pela rua, pelo campo. Nada podemos dar aos livros senão as letras dos nossos pensamentos ou um pouco de nós para que chegue aos outros.” Os livros têm os olhos que nós temos. E os seus lábios são os nossos lábios. Porque se os livros tivessem olhos e lábios e mãos e dedos seriam talvez pessoas, mas nunca livros. Victor Nogueira (1969) em évoraburgomedieval»

ESCRITO EM 2013,06.27 - Estou de greve, i.e., solidário com ela. Hoje não fiz compras, nem mesmo o Avante. Fi-las ontem.

Já tinha amizades noutras redes sociais como o msn, o hi5 ou dos chats no mIRC. Ou dos blogs. Muitas estão no FB. E depois os camaradas e antigas amizades e colegas, que nos vamos descobrindo mutuamente. Dizem-me que há quem me queira conhecer pessoalmente - até no Brasil - devido ao que escrevo - e nada de especial escrevo. Algumas d "elas", após conhecerem o escriba em carne e osso, zarpam a grande velocidade e não regressam. Devem imaginar um príncipe de olhos azuis, atlético, louro e sai-lhes este


em Paço de Arcos - foto jj castro ferreira


Com nariz grande, olhar estrelado, 
Baixo, cabelo negro, ondulado, 
Magro, moreno, mui desajeitado, 
Nada ou p'la vida sempre perdoado.

Buscando amizade, mau achado, 
Agindo calma ou mui despeitado, 
O êxito logrou, mal torneado, 
Com persistência e pouco alegrado.

Tolerante, mas não libertário, 
Conduzindo, longe da multidão, 
Na vida procurando liberdade.

Em tudo mal, buscando seu contrário, 
Com ar sério ou risonha feição, 
Mal sente, co'a razão, felicidade.

1989.09.10 – Setúbal

Perguntam-me que lhes faço. Que lhes faço ? Se calhar a pergunta certa seria "que quereriam ou esperariam elas que eu lhes fizesse" ?

Há muito que em Setúbal não vou ao Mercado do Livramento. Salvo Ah! na verdade fui muitas vezes, quando havia greves, para  a difícil tarefa de convencer os comerciantes a aderirem ou participando nos  piquetes de greve.

Em conversa com ... (5) TODO O MUNDO e NINGUÉM DECLARAÇÃO
Maria do Mar, Maria Papoila, Maria dos Mil Sóis Rendilhados, Maria Vai com as Outras, Niña do Beco dos Passarinhos, Joana Princesa com Sabor a Cravo e Canela ou Princesa do Meio Caminho Andado, Princesa (Simplesmente), Fatma das Caldas, Fátma da Ilhoa da Floresta Queimada, Gaivotinha, Raposinha, Madre Abadessa Diabinho Diabeza, Musa d'Ante, Luciferazinha, Diabrete, Nlña de Aguiar e Belmonte, Joana da Côr do Trigo em Flor ou Joana Ratinho são personagens talvez verdadeiros mas com nomes inventados. João Bimbelo, João Baptista Cansado da Guerra ou o Conde Niño são personagens e como tal não existem. Se existissem, então eles não estariam de parabéns por qualquer delas. Mas elas, talvez os merecesssem, apesar de inventadas pelo escriba, a quem teriam deixado para trás :-) . Talvez porque o escriba, embora malabarista do verbo bordejando a chama, pouco valor teria nas histórias que inventava com a liberdade, engenho e arte que a todos os escribas é permitido. .
Victor Nogueira aka Kant_O_XimPi.Manog .

PS – Mais declara o escriba que não costuma ficar a chorar pelo leite derramado e do passado procura reter apenas aquilo em que foi feliz. O resto, o resto são «estórias», como agora se diz.
Publicada por Victor Nogueira à(s) Domingo, Dezembro 09, 2007

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Os dias não são todos iguais



* Victor Nogueira

ESCRITO EM 2012.08.18 - Os dias não são todos iguais. Há sol e lua, noite e dia, céu azul ou cinzento, as flores e as plantas mudam quotidianamente, para além da minha página no inFaceLock ir variando. Os blogs, 'tadinhos, é que estão abandonados; também só um "louco" é que tem 12 ou 13 blogs. Já não tenho pachorra de publicar em cada um deles diariamente.Sim, continuo a fotografar mas não tenho postado nem aqui nem no meu blog Kant_O_Photomatico
Nunca mais a médica dá conta dos efeitos secundários da radioterapia por causa do carcinoma, embora Roma e Pavia não se façam num dia. Quando vou ao Hospor às consultas de outras especialidades faço um desvio pela radioterapia  e é sempre uma festa que fazemos. Aliás, são sempre super simpáticos, salvo na última operação que lá fiz, ao síndroma do canal cárpico.
Mas também tenho sido sempre bem tratado no hospital público, mais pelos médicos que pelas enfermeiras,, algumas delas muito senhoras do seu nariz.
Na última consulta da gastro no Hospor descobri que a médica também é de Luanda e em parte das consultas falamos dos nossos gostos literários e recomendamos livros um ao outro, para leitura.
No início a minha filha censurava-me porque andar stresssada com a minha doença, enquanto segundo ela eu levava tudo numa boa, na brincadeira, mas eu retorquía-lhe que à morte ninguém escapa, quer ela venha inopinadamente quer com data marcada e que portanto o melhor é não fazermos tragédias com isso.
ESCRITO em 2013.02.07 - Vim para Portugal em 1968 para prosseguir estudos universitários mas voltava a Luanda sempre nas Férias Grandes. Mas no Verão/Cacimbo de 1973 fiquei em Portugal para passá-las com a minha namorada alentejana com quem vim a casar em 1975. Entretanto tinha havido o 25 de Abril, Em 1976 nasceu a Susana e em 1980 o Rui e não ia voltar com a guerra civil e as crianças. Depois em 1986 foi o divórcio e resolvi condicionar a minha vida e carreira profissional para acompanhar o crescimento dos filhos Agora é tarde para voltar mas se pudesse regressar a 1986, teria voltado para Angola. Se ainda estaria vivo ou não, desconheço
ESCRITO em 2013.02.07 - Voltei. Está um frio gélido, entorpecente não tenho lareira para me sentar defronte a ver o bailar das chamas a sala é gélida e deveria ter posto vidros duplos enquanto tinha dinheiro, isto é, antes dos sócretinos passes de coelho.
Temos de poupar na electricidade e vou estirar-me não no sofá mas na cama a continuar a ler de John Le Carré "O venerável espião". Gosto de Smiley, o agente secreto de Sua Majestade, não estilo James Bond mas sim inspector Maigret de Simenon.
Não, não tenho saudades do passado mas sim de sensações e sentires. Não tenho saudades de Portugal, muito pequeno e mesquinho. Teria saudades talvez das gentes dos campos do Alentejo - mas não das vilas e cidades - das pessoas dos campos da Beira Baixa e das suas povoações, sobretudo da Covilhã, mas também das aldeias que visitei e das gentes do Barreiro, de Lamego e de Trás os Montes. Mas nada disto me prende a Portugal e tornei-me um homem sem pátria, um eterno expatriado.

Foto Victor Nogueira

domingo, 28 de agosto de 2016

Da Carta, a partir dum texto de Sílvia Mendonça

 

marco do correio em Beja - foto victor nogueira - Daqui a pouco vou sair - à chuva, ao vento, desafiando as intempéries e o furor das divindades - para meter esta presença de mim no marco do correio. (MCG - 1973.01.16)


Da Carta - segundo Garcia de Resende, António Jacinto, Manuel Bandeira e Victor Nogueira

por Victor Nogueira a Domingo, 17 de Outubro de 2010 às 10:06

 (com algumas repetições porque em se não mudando a vida não se podem mudar/não mudam os gestos dela e da galeria de recados serão retirados/as os/as mudos/as e calados/as)

Da Carta
1. Se as cartas não fossem cartas, muitas vezes escreveria a V.M. como desejo, mas porque o são o não ouso fazer, pois as não leva o vento, como palavras e plumas, antes se guardam tão bem, que a todo o tempo se pode pedir razão de ...como se escreveram e porque as escreveram (…) (Garcia de Resende a D. Francisco de Castelo Branco, 20.11.1535).
.
2. (…) Antigamente as pessoas escreviam muito e as cartas eram meio de transmitir notícias e muitas delas, com maior ou menor valor literário, tornaram-se testemunho dos factos, acontecimentos, ideias e sentimentos. Mas hoje, hoje as pessoas telefonam ou encontram-se, devido à facilidade e rapidez dos transportes e das comunicações, e o tempo é pouco, paradoxalmente, devido à sobrecarga do que se gasta em transportes, sentado frente à TV ou em tarefas domésticas. O mesmo sucede com o convívio e a conversação: por vários motivos os cafés e as tertúlias desaparecem, só se conhece o vizinho da frente ou do lado, quando se conhece, e as pessoas metem-se na sua concha, casulo, carapaça ou buraco. Muita gente junta, ao alcance da mão ou da voz, não significa que estejamos mais acompanhados e humanizados. (…) (Victor Nogueira à «Maria do Mar», 18.08.1993)

3.  Carta de um Contratado    - António Jacinto
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Eu queria escrever-te uma carta
Amor
uma carta que disesse
deste anseio
de te ver
deste receio de te perder
deste mais que bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue...
.
Eu queria escrever-te uma carta amor
uma carta de confidências íntimas
uma carta de lembranças de ti
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como macongue
dos teus seios duros como maboque
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí...
.
Eu queria escrever-te uma carta
amor
que recordasse nossos dias na capôpa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura nossa separação...
.
Eu queria escrever-te uma carta
amor
que a não lesses sem suspirar
que a escondesses de papai Bombo
que a sonegasses a mamãe Kieza
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento...
Eu queria escrever-te uma carta
amor
uma carta que te levasse o vento que passa
uma carta que os cajus e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que se o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levasse puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor...
.
Eu queria escrever-te uma carta...
.
Mas ah meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem que tu não sabes ler
e eu - Oh! Desespero - não sei escrever também!
    4. - Escrevivendo e Photoandando por ali e por aqui «Ao lermos uma novela ou uma história imaginamos as cenas, a paisagem, os personagens, dando a estes uma voz, uma imagem física. Por isso às vezes a transposição para o cinema revela-se-nos uma desilusão. Quando leio o que a Maria do Mar me escreve(u) surge perante mim a sua imagem neste ou naquele momento da nossa vida, uma pessoa simples, encantadora, gentil e delicada.» Victor Nogueira . 
    .
    5. -    Dizem que os livros são os nossos melhores e maiores amigos. Mas os livros não se sentam á nossa beira, nem tem olhos, nem sorriem nem nos abraçam, nem connosco passeiam pela rua, pelo campo. Nada podemos dar aos livros senão as letras dos nossos pensamento ou um pouco de nós  para que chegue aos outros. Os livros têm os olhos que nós temos. E os seus lábios são os nossos lábios. Porque se os livros tivessem olhos e lábios e mãos e ded s seriam talvez pessoas mas nunca livros. Évora 1969.Março.19 Victor Nogueira 

    6. - Aqui estou no meu quarto, buscando para ti as palavras que não encontro, corpo sem imaginação mas irritado e desassossegado pela constipação que me percorre as veias e me enche dum nervoso miudinho. Busco para ti as palavras dos outros, nos livros dos outros, os ponteiros aproximando‑se das nove e trinta, hora da vinda do homem que levará de mim as letras que cadenciadamente vão surgindo no papel branco que já não é só! Busco as palavras e apenas encontro estas, hoje vazio de ti pela tua ausência, ontem pleno pela nossa presença. São vinte e uma e vinte, hora de parar, os livros espalhados pela mesa, o corpo quebrado, a imaginação e a voz quase secas e frias. Daqui desta terra, para ti noutra terra, te abraço e beijo com ternura e amizade, na memória do tempo que fomos juntos. Aqui estou!
    .
    Évora, 1972.09.21 (Do Victor Manuel para a Maria Papoila ou Maria Vai Com as Outras)


    7. -Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)  ****

8. Daqui a pouco vou sair - à chuva, ao vento, desafiando as intempéries e o furor das divindades - para meter esta presença de mim no marco do correio. (MCG - 1973.01.16)

9. - O Apartado 65 ([1]) pede‑me para dizer‑te que tem sentido muito a tua falta e que se sente muito sozinhito (como diria o João Machado); ele bem gostaria de dar‑me o contentamento das tuas notícias, e para isso bem se mantém alerta e vigilante, numa expectativa gorada sempre que se ouvem os passos do carteiro e o acender da luz. Mas é quase tudo ali p'ró lado, p'ró 63, que por sinal até é uma agência de casamentos muito falada nos pequenos anúncios do Diário de Notícias ! Coitadinho, eu bem lhe digo que se não preocupe por ter a mala vazia quando lá vou, mas que queres, fica sempre triste por não me contentar. Digo‑lhe que os negócios do 63 são outros, que ali o 65 é mais para outros negócios, de coração ou não, mas ele não se convence. Lá o deixo meditabundo, mas diz‑me lá. C., que mais lhe hei‑de eu dizer? Ás vezes torno lá à tarde, para fazê‑lo apanhar uma lufada de ar fresco, mas ele mostra‑me logo que não! Vês, C., vês o que fazes? Habituaste‑lo mal e agora ...

Sim, que o desconsolo dele acaba por ser contagioso. (MCG - 1973.04.12).




[1] - Sempre tive apartado em Lisboa, enquanto estudante, e em Évora, até de lá sair. Dava-me liberdade de mudar de quarto quando tivesse de acontecer ou de reexpedir a correspondência, quando em férias. Em Lisboa o apartado ficava na Estação dos CTT da Praça do Comércio, perto dos Paços do Concelho e era, salvo erro, o 2354.

10. - Vai uma pessoa de manhã ao correio, para o monte das que esperam pela abertura dos portões. Vai uma pessoa após o almoço, a cidade envolta num bafo quente Penosamente o corpo abre caminho pelas ondas de calor. Sai do Arcada, curva à esquerda, segue em frente até ao Largo do Sertório. Faltam só 20 passos, 19. 18 ... 10 . 9 . 8 . 7 . 6 . 5 . 4 . 3 . 2 . 1 . (Uffa, finalmente a sombra dos arcos do correio, agora mais bonito porque deitaram abaixo o prédio nas traseiras do edifício da Câmara Municipal - o prédio que agora se avista é lindo. Deviam, no terreno vago, plantar erva e árvores frondosas. E colocar bancos. Mas tá quieto! Já andam lá tractores a escavar. Deve ser para outro prédio.) Entretanto entro no edifício. Viro à esquerda, dirijo‑me para o apartado e ... levanto‑me da mesa onde estou e procuro no monte das cartas e ... ah! deve estar ali. EUREKA - cá está! Não é! Olha, não encontro. Paciência. Mas que baldes de água ando apanhando! Safa! Nem um postalinho! (MCG - 1973.06.17)

11. - São 12:30. [Em Paço de Arcos] ouço o portão chiar  e assomo à janela ... e não vejo ninguém (Algum miúdo que entrou e saiu, penso eu). Mas eis que batem com a aldraba na porta. Abro a e lá está o carteiro no gesto habitual, mão estendida com as cartas (hoje, apenas carta!) Cumprimentamo nos e agradecemos mutuamente. Fecho a porta. Regresso à sala de estar, pego na tesoura para abrir o sobrescrito, que resguarda  as notícias da Celeste.  "Olá, mocinho! Tenho apenas 21 anos dizem me (a idade das, de algumas liberdades consentidas) ... " e continuo numa surpresa crescente, como a quem se revela numa faceta até aí ignorada. Todo eu sou uma crescente surpresa estupefacta! Apago o gira discos - que transmite canções do Nelson Eddy. Estou agradavelmente surpreendido e preciso de concentrar me para perceber isto tudo, estas linhas inabituais. Volto ao princípio. Releio com os olhos, com a inteligência, com sofreguidão, com todo o meu ser, para aperceber me duma Celeste desconhecida. Surpreso, não tanto pelo conteúdo, mas pela forma, pela linguagem invulgar (nela). É verdade que há alguns "senãos". (Não me apercebi ainda, p.exemplo, que ela soubesse que existe uma "certa técnica" aprendida, de beijar).  Continuo a ler e, repentinamente, tudo se desmorona, numa enorme decepção. "Não Victor, tens razão, o palavreado não é meu ... "

Resta me pois saber como é a personagem dum conto de [Urbano] Tavares Rodrigues com quem te queres identificar. É uma curiosidade desenganada que fica em mim. (MCG - 1972.09.06)

12. - Estou na estação dos CTT na Batalha {no Porto]; a escrivaninha treme que se farta com o esforço que um "hominho" faz para fechar um envelope. Uma mulherzinha procura quem lhe preencheu um telegrama para dar‑lhe qualquer coisa. E ao contar‑me isto poisa‑me a mão no braço. Gosto da gente do Porto; parece‑me mais humana que a de Lisboa e de Évora. (NSF - 1970.12.26)

13. - Comigo, aqui na mesa encarnada do Arcada, após o jantar, a minha mãe e o Jorge, que trabalha como ajudante de carpinteiro, vencendo uma jorna de 70 $ 00. Em Setúbal ganharia 120 $ 00, mas os pais prendem‑no aqui no burgo [Évora] (...) O Camilo [Monteiro] Carlos [Nunes da Ponte] não apareceram por aqui. O Jorge está aqui com uma conversa muito adulta, apesar dos seus dezasseis anos. Ele agora está atrapalhado. Por causa da minha mãe passou a tratar‑me por "Senhor Victor" e por "vocemecê" [abandonando o "Victor" e o "tu"] (...) Perguntei ao Jorge se queria escrever qualquer coisa [para ti, nesta carta], mas ele não quer, pois diz que parece mal a letra dele ao pé da minha de doutor.  (MCG - 1973.12.06)

14. - Manuel Bandeira - CARTAS DE MEU AVÔ

A tarde cai, por demais
Erma, úmida e silente...
A chuva, em gotas glaciais,
Chora monotonamente.

E enquanto anoitece, vou
Lendo, sossegado e só,
As cartas que meu avô
Escrevia a minha avó.

Enternecido sorrio
Do fervor desses carinhos:
É que os conheci velhinhos,
Quando o fogo era já frio.

Cartas de antes do noivado...
Cartas de amor que começa,
Inquieto, maravilhado,
E sem saber o que peça.

Temendo a cada momento
Ofendê-la, desgostá-la,
Quer ler em seu pensamento
E balbucia, não fala...

A mão pálida tremia
Contando o seu grande bem.
Mas, como o dele, batia
Dela o coração também.

A paixão, medrosa dantes,
Cresceu, dominou-o todo.
E as confissões hesitantes
Mudaram logo de modo.

Depois o espinho do ciúme...
A dor... a visão da morte...
Mas, calmado o vento, o lume
Brilhou, mais puro e mais forte.

E eu bendigo, envergonhado,
Esse amor, avô do meu...
Do meu, — fruto sem cuidado
Que ainda verde apodreceu.

O meu semblante está enxuto.
Mas a alma, em gotas mansas,
Chora abismada no luto
Das minhas desesperanças...

E a noite vem, por demais
Erma, úmida e silente...
A chuva em pingos glaciais,
Cai melancolicamente.

E enquanto anoitece, vou
Lendo, sossegado e só,
As cartas que meu avô
Escrevia a minha avó.
© MANUEL BANDEIRA 
In A cinza das horas, 191


15







Carnaval em Luanda - postal editado pelo CITA (Centro de Informação e Turismo de Angola) - c. 1965

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                   16. -          Rio Grande - Postal dos Correios



Querida mãe, querido pai. Então que tal? 

Nós andamos do jeito que Deus quer 

Entre dias que passam menos mal 

Em vem um que nos dá mais que fazer 

Mas falemos de coisas bem melhores 
A Laurinda faz vestidos por medida 
O rapaz estuda nos computadores 
Dizem que é um emprego com saída

Cá chegou direitinha a encomenda 
Pelo "expresso" que parou na Piedade 
Pão de trigo e linguiça pra merenda 
Sempre dá para enganar a saudade

Espero que não demorem a mandar 
Novidade na volta do correio 
A ribeira corre bem ou vai secar? 
Como estão as oliveiras de "candeio"?

Já não tenho mais assunto pra escrever 
Cumprimentos ao nosso pessoal 
Um abraço deste que tanto vos quer 
Sou capaz de ir aí pelo Natal


                            17. -   Tony de Matos - Cartas de amor



Como jurei,
Com verdade o amor que senti
Quantas noites em claro passei
A escrever para ti
Cartas banais
Que eram toda a razão do meu ser
Cartas grandes, extensas, iguais
Ao meu grande sofrer

Cartas de amor
Quem as não tem
Cartas de amor
Pedaços de dor
Sentidas de alguém
Cartas de amor, andorinhas
Que num vai e vem, levam bem
Saudades minhas
Cartas de amor, quem as não tem

Porém de ti
Nem sequer uma carta de amor
Uma carta vulgar recebi
Pra acalmar minha dor
Mas mesmo assim
Eu para ti não deixei de escrever
Pois bem sabes que tu para mim
És todo o meu viver

Cartas de amor
Quem as não tem
Cartas de amor
Pedaços de dor
Sentidas de alguém
Cartas de amor, andorinhas
Que num vai e vem, levam bem
Saudades minhas
Cartas de amor, quem as não tem.
 

sábado, 27 de agosto de 2016

Pingos do Mindelo 02


aboboreira em flor

2016.08.22 - O milheiral verdejante é uma cortina à espera das ceifeiras debulhadoras e dos tractores que levarão a colheita para as fábricas que a transformará em ração para o gado. Nas trazeiras do quintal estão a horta e o pomar: couves, batatas, abóboras ... A oliveira, a tangerineira e o limoeiro pouco cresceram, ao contrário da árvore da borracha. Na correnteza do quintal a nascente, a floricultura de que desconheço o nome, conjuntamente com a palmeira. As borboletas esvoaçam rápidas mas ainda não saltaricam pássaros no quintal e no muro. 

2016.08.24 /25 - Toda a noite trovejou e a manhã está fria, húmida e cinzenta, convidando ao borracho, sem Cinderela. Tudo é silêncio, salvo o sobrevoo dos aviões de Pedras Rubras (para mim é sempre este o nome e não Sá Carneiro). Depois de almoço virá o pedreiro, para reparação do telhado. A remodelação da cozinha terá de ficar para outro ano. Vou aproveitar o dia cinzento para  escrever o artigo para o jornal sindical subordinado ao tema "a cantiga é uma arma". Antes será a quotidiana leitura de imprensa on line e de blogs, num dos quais estou em polémica (1). A trovoada afastou-se mas a manhã continua cinzenta.

Falei com o sr Virgíllio, pedreiro (trolha, diz-se no Norte) e as obras no telhado quase de certeza não serão este ano. A tarde foi de céu azul com flocos de núvens brancas que por vezes largavam uns pingos de chuva estilo "molha tolos" e "molha tólas". Espero que Agosto termine e com ele a época de praias e dos engarrafamentos e do pára-arranca. Passo pela tabacaria em Areias, na vizinha freguesia de Árvore, para encomendar as Graphic Novels semanalmente distribuídas pelo Público. 

Reconhecem-me a empregada, a dona do café e a empregada ou dona do mini-mercado onde vou comprar pilhas para o esquentador. Sigo para Azurara, em busca duma oficina-auto e aproveito para fotografar de novo a Igreja de Santa Maria a Nova. Regresso ao Mindelo onde vou lanchar à Pastelaria Santa Clara, cujos donos também me reconhecem. Todos me reconhecem de anos anteriores e me falam simpaticamente.


Em casa e num dos meus blogs encontro um simpático comentário a uma das publicações. (2) “LM, paris disse... OL'a, j'a l'a vaõ tantos anos, sou a Lidia Martinez e fiz a capa desta maravilha! Merci...abraço de Paris. agosto 20, 2016 “ Esta banda iconoclasta e baseada em sonoridades  da música popular portuguesa, para além de vários EP's, gravou um LP chamado "Epopeia", manão caiu nas boas graças mercantis para renovada difusão.

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(1) -farsas e farsantes in http://mundophonographo.blogspot.pt/2016/08/farsas-e-farsantes.html  
(2) epopeia - filarmonica fraude in http://galeriaphotomaton.blogspot.pt/2010/05/epopeia-filarmonica-fraude.html 





2016.08.26 – O electricista Ricardo, cuja empresa também faz trabalhos de canalizador (picheleiro é a designação por estas bandas)  sempre apareceu e está resolvida a pingadeira duma torneira, que inundava a cozinha, e do esquentador a gás, que não conseguia ligar, obrigando-me a gélidos e diários banhos de chuveiro. 



No jardim sobressaem rosas vermelhas e esvoaçam borboletas. Uma rola pousa no muro, mas segue viagem. O sol brilha no céu azul límpido. Esta fresco dentro de casa e quente na rua. Á 6ª é dia de mercado semanal em Vila do Conde, ocupando o parque no centro da cidade onde tenho sempre lugar para estacionar gratuitamente o Fiesta. 



De tarde vou até ao cruzamento de Areia, na vizinha freguesia de Árvore, à tabacaria, ver se veio a Graphic Novel que semanalmente é distribuída pelo Público, mas em vão. Este cruzamento de ruas amplas com luxo de semáforos e passadeira para peões, conduz à praia do Areal, para Oeste, à primitiva e labirintica povoação, para Leste. Para Norte ficam Azurara e a antiga Estrada Porto-Viana do Castelo e para Sul, atravessando uma mata de pinheiros e eucaliptos e milheirais, o Lugar da Igreja, na freguesia do Mindelo. Já não há vinhedos nos campos de entre Douro e Minho, substituídos por milheirais para produção de racção para o gado. Mas, com a crise da produção leiteira, esta será mais uma cultura em crise. Muitas destas freguesias, como a do Mindelo, com o apelo das praias e a comodidade do metropolitano de superfície que substituiu  o comboio transvia, tornaram-se num continuum urbanizado ligando antigos e labirínticos "lugares", alguns deles com casas de lavoura, entremeando campos agrícolas e algum gado..

Segui até á praia, cheia de veraneantes e alguns lugares para estacionar o Fiesta, mas como não trouxe calções de banho vestidos não estaciono e sigo para o Outlet situado na vizinha freguesia de Modivas, a sul do Mindelo, pois preciso de comprar um jogo de lençóis para a cama. 



O Outlet, sempre cheio de gente, não tem livraria (salvo um pequeno stand no meio dum dos corredores), como não tem Vila do Conde, nem cinemas ou supermercado. Para além da área de restauração a maioria das lojas são de vestuário, nesta época com saldos cujos descontos oscilam entre os 30 e os 80 %. A decoração da entrada principal tem como motivo guitarras e galos. Comprei alguns livros em saldo, a maioria romances, alguns policiais. (3)

(3) Real, Miguel - O Feitiço da Índia; Pires, José Cardoso - Balada da Praia dos Cães; Bessa-Luís. Agostina - As Chamas e As Almas; Himes, Chester - Cidade Escaldante; White, Lionel - O Roubo no Hipódromo; Howard, Hartley - O Funeral Foi o Começo; Paiva, Maria Valentina - Álvaro Cunhal ao Canto do Espelho, Albuquerque, Afonso - Cartas Para El-Rei D. Manuel I


Mas continuo a leitura duma interessante obra sobre o Golpe Militar de 28 de Maio de 1926 (4), que na verdade eram vários golpes conjunturalmente unidos, desde o republicano "liberal" de Mendes Cabeçadas, oficial da Armada, em Lisboa, até ao ditatorial de Gomes da Costa, General de Cavalaria, em Braga, passando pelos Integralistas Lusitanos e pelos fascistas Camisas Azuis de Rolão Preto e os restauracionistas da Monarquia derrubada em 1910. 

Seguindo dia a dia a imprensa enfeudada a diferentes forças políticas representativas de interesses e forças económicas diversificadas e antagónicas, desde os industriais aos agrários, e os comunicados dos vários partidos políticos e das facções militares em confronto, assistimos pelo olhar do autor à passividade expectante dos vários partidos republicanos, incluindo o Partido Socialista Português, e ao alheamento dos Anarquistas e do movimento sindical onde eram a força dominante no sentido de convocar a “greve geral revolucionária” e chamar o operariado e as massas para a rua em defesa duma República que lhes fora por não poucas vezes violenta e sangrentamente adversa. Massas populares incluindo a pequena burguesia e a estudantada de Lisboa e Coimbra que num país predominante rural e analfabeto, vitoriavam em Braga e em Lisboa as forças em parada militar do “quarteleiro” e volúvel General Gomes da Costa, autoritário, que, após afastar Mendes Cabeçadas, haveria de ser rapidamente afastado e exilado pelo “maçon” General Carmona, o qual abriria caminho a Oliveira Salazar, apoiados nesta fase pela Igreja Católica e pelos agrários. 

 (4) Madureira, Arnaldo - 28 de Maio, a Génese do Estado Novo, 2016 Clube do Autor SA - 

2016.08.27 - O sono e o despertar são pesados, sem alegres e coloridos toques de alvorada. Tudo é silêncio e pelo ruido alguém tira o carro do quintal e deixa o motor a trabalhar ao ralenti. Um avião sobrevoa o campo nesta manhã cinzenta mas para logo e para domingo e 2ª prevê-se tempo soalheiro. 

O milheiral perfila-se no campo defronte da janela como se fosse um corpo de lanceiros esperando não a batalha mas a ceifa. Pardais surdem rápidos e por vezes saltaricam no muro, junto ao qual e neste momento passa um tractor, o condutor olhando cá para dentro mas não tenho tempo para acenar a sua curiosidade aldeã. 

O sol vai rompendo e transforma o cinza mortiço em fulgurante azul prenunciando jogos de luz e sombra. As pegas e pombos começaram a debicar as couves pelo que a vizinha Amelia ofereceu-se para colhê-las e tratá-las para que eu as conserve para as minhas sopas. 


Almoço na cozinha, na pequena mesa de apoio que utilizo também para as refeições; defronte a mim o campo ainda coberto de milho que esconde a paisagem e as casas junto à estrada Porto-Viana do Castelo. Por cima do milheiral espreitam as copas das árvores junto à estação de serviço. Para lá dela a chamada recta do Mindelo e a zona industrial de Vila do Conde, onde se situam as abandonadas instalações da Fábrica do Mindelo, onde outrora o meu tio Zé Barroso ia comprar as camisas à porta da fábrica. Contudo uma grande parte dessa zona é ocupada por armazéns de venda por grosso de mercadorias chinesas, predominantemente vestuário. A ela me referi em ….."cidade" chinesa entre o Mindelo e Vila do Conde, ao fim do dia" in 
http://kantophotomatico.blogspot.pt/2015/08/chinatown-entre-o-mindelo-e-vila-do.html 

Embora aqui no Mindelo só tenha TDT, estou sujeito aos horários de transmissão para visionar as séries televisivas nos parcos canais de sinal aberto disponíveis. Mas os programas da RTP posso visioná-los durante 8 dias no computador, através da RTP Play. Ainda não consegui entender-me com a IRIS para ver on line outras séries ou filmes, como as do Canal FoxCrime, FoxMovies, Move, Hollywood e RTP Memória. Na RTP 2 estou a ver – Príncipe - uma incongruente série diária espanhola passada no enclave espanhol de Ceuta, misturando investigação policial e romance cor-de-rosa de amores impossíveis entre irredutíveis “cristãos” e “mouros”, envolvendo corrupção policial, tráfico de drogas e jiadismo. Sem o nível da italiana Gomorra ou da francesa Um Crime, Um Castigo ou da galega O Códice. Nesta encontro alguns actores duma outra que apreciei, Hospital Real, esta passada no século XVI e em Santiago de Compostela, tal como O Códice, embora este - uma investigação policial - se desenrole nos tempos actuais.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

primeiras máquinas fotográficas

caixote Kodak Brownie

A minha 1ª máquina fotográfica foi um daqueles caixotes da Kodak, embora o meu pai tivesse uma reflex analógica de origem japonesa, cujas fotos não era possível revelar em Angola mas tinham de ser remetidas para a Alemanha Mas nessa reflex não estava eu autorizado a mexer senão sob estrita supervisão paterna.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Those were the days (11)




Se os putos de hoje sentissem a mesma alegria que eu senti quando recebi de presente uma Kodak Instamatic, de certeza que  seriam mais felizes e não torceriam o nariz de enjoo e enfado, quando os pais lhes oferecem umsmartphone que não seja topo de gama.
https://cronicasdorochedo.blogspot.pt/2016/08/those-were-days-11.html


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

De que falamos quando falamos de BURKINI ?

De que falamos quando falamos de BURKINI ? Que o distingue em feitio do traje duma mergulhadora ? Uma mulher em bikini ou top less e fio dental será mais livre e menos submissa ao companheiro, irmãos, filhos e netos que lhe ditam como deve vestir-se, que comportamentos deve ter, com quem deve sair ou relacionar-se, que sítios pode frequentar ?