Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
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terça-feira, 14 de abril de 2026

As prisões políticas antes e depois do 25 de Abril (2026)

 


Entre 1974 e 1977 a que organizações pertenciam os presos políticos?

Entre 1974 e 1977, o perfil dos chamados “presos políticos” em Portugal mudou bastante em relação ao período do Estado Novo. Já não se tratava, em geral, de opositores ao regime autoritário, mas sim de militantes envolvidos em ações revolucionárias ou consideradas subversivas no contexto turbulento do pós-Revolução dos Cravos e do PREC (Processo Revolucionário em Curso).

Principais organizações associadas a esses presos:

1. Extrema-esquerda revolucionária

  • PRP/BR (Partido Revolucionário do Proletariado / Brigadas Revolucionárias)
    • Uma das mais relevantes.
    • Envolvida em ações armadas (explosões, sabotagens).
    • Vários militantes foram presos ainda em 1974–75.
  • LUAR
    • Já ativa antes do 25 de Abril, manteve alguma atividade depois.
    • Associada a ações armadas contra o regime anterior e, pontualmente, no período revolucionário.
  • Pequenos grupos maoístas ou marxistas-leninistas:
    • MRPP
    • UDP (embora sobretudo política, alguns militantes foram detidos em confrontos)

2. Extrema-direita e contra-revolucionários

  • MDLP
    • Ligado a setores anti-comunistas e a António de Spínola.
    • Envolvido em atentados bombistas contra alvos de esquerda.
  • ELP
    • Também anti-comunista e clandestino.
    • Atuou sobretudo a partir do estrangeiro (Espanha), com incursões e atentados.

3. Militares envolvidos em tentativas de golpe

  • Oficiais ligados a eventos como:
    • 11 de Março de 1975
    • 25 de Novembro de 1975
  • Após estas crises, houve detenções de militares de diferentes fações (à esquerda e à direita).

Síntese

Entre 1974 e 1977, os “presos políticos” pertenciam sobretudo a:

  • Grupos revolucionários de esquerda (especialmente armados, como PRP/BR)
  • Organizações contra-revolucionárias de direita (MDLP, ELP)
  • Militares envolvidos em confrontos políticos dentro das Forças Armadas

Ou seja, tratava-se de um período de forte polarização ideológica, em que detenções tinham frequentemente origem em conflitos políticos ativos, e não num regime repressivo estável como antes de 1974.

Se quiser, posso detalhar casos concretos de presos ou prisões mais mediáticas desse período.

É possível quantificar por organização política?

Resposta curta: não com rigor estatístico sólido por organização.
Mas é possível dar ordens de grandeza e aproximações com base em estudos históricos, arquivos judiciais e trabalhos académicos sobre o PREC.


⚠️ Limitações dos dados

Há três problemas principais:

  1. Definição ambígua de “preso político” no período 1974–77
  2. Registos incompletos ou dispersos (tribunais militares, civis, processos arquivados)
  3. Militantes que transitavam entre organizações ou não tinham filiação formal

📊 Estimativas por organização (ordem de grandeza)

Extrema-esquerda

  • PRP/BR
    👉 ~100 a 200 detidos (1974–76)
    • É o grupo mais bem documentado
    • Inclui detenções após ações armadas e processos judiciais relevantes
  • LUAR
    👉 ~dezenas (20–60)
    • Já em declínio após 1974
  • MRPP
    👉 ~centenas (sobretudo detenções curtas)
    • Muitas detenções em manifestações/conflitos de rua
    • Poucos processos prolongados
  • UDP
    👉 dezenas
    • Maioritariamente detenções episódicas

Extrema-direita / contra-revolucionários

  • MDLP
    👉 ~50–150 detidos
    • Especialmente após 1975
    • Inclui redes ligadas ao exílio e ações bombistas
  • ELP
    👉 ~dezenas (20–80)
    • Menos detidos em Portugal devido à atuação a partir de Espanha

Militares (sem filiação partidária clara)

  • Após o 11 de Março de 1975
  • E o 25 de Novembro de 1975

👉 centenas de detenções temporárias

  • Difícil atribuição a “organizações” formais
  • Inclui oficiais de várias correntes (spinolistas, gonçalvistas, etc.)

📈 Leitura global (muito aproximada)

Se agregarmos:

  • Esquerda revolucionária: ~300–600 detenções (muitas de curta duração)
  • Direita contra-revolucionária: ~100–300
  • Militares (eventos políticos): ~200–500

👉 Total possível (com sobreposição): ~600 a 1.200 pessoas detidas em contexto político


🧭 Conclusão técnica

  • Só o PRP/BR permite uma quantificação relativamente consistente
  • Nos restantes casos, estamos perante estimativas historiográficas, não séries estatísticas consolidadas
  • O período é melhor analisado em termos de eventos (golpes, atentados, manifestações) do que por “listas de presos por partido”

Se quiser, posso ir mais fundo e montar uma tabela cronológica (1974–77) com picos de detenções por mês/evento — isso dá uma leitura muito mais precisa do fenómeno do que a divisão por organizações.

ok

Perfeito — vou estruturar isso de forma cronológica para dar uma leitura “operacional” do fenómeno, que é como os historiadores normalmente o tratam.


📅 Cronologia das detenções políticas (1974–1977)

1974 — Pós-Revolução dos Cravos (Abril–Dezembro)

Abril–Junho 1974

  • Libertação massiva de presos do regime anterior
  • Primeiras detenções pontuais:
    • Agentes da antiga polícia política (PIDE/DGS)
    • Elementos associados ao regime deposto

👉 Natureza: “expurgos” do antigo regime, não conflito ideológico novo


Verão–Outono 1974

  • Crescente agitação política e social
  • Primeiras detenções de militantes:
    • PRP/BR
    • MRPP

👉 Natureza: confrontos de rua, ocupações, ações simbólicas


1975 — Ano crítico (pico absoluto)

Janeiro–Fevereiro 1975

  • Radicalização crescente
  • Detenções ainda dispersas (esquerda e direita)

Março 1975 — após o 11 de Março de 1975

👉 Primeiro grande pico de detenções

  • Prisões de:
    • Militares ligados a António de Spínola
    • Civis associados à direita

📊 Ordem de grandeza: centenas de detenções


Primavera–Verão 1975 (PREC no auge)

👉 Detenções frequentes, mas fragmentadas

  • Militantes de:
    • PRP/BR (ações armadas)
    • UDP
    • MRPP
  • Conflitos:
    • Greves
    • Ocupações de terras e fábricas
    • Violência política localizada

📊 Muitas detenções, mas:

  • curta duração
  • difícil contabilização cumulativa

Verão–Outono 1975 — terrorismo político

👉 Intensificação de ações da direita:

  • MDLP
  • ELP

👉 Resultado:

  • Prisões seletivas
  • Investigação de atentados bombistas

Novembro 1975 — 25 de Novembro de 1975

👉 Segundo grande pico de detenções (talvez o maior)

  • Alvos principais:
    • Militares da esquerda radical
    • Paraquedistas e setores próximos do COPCON

📊 Ordem de grandeza:

  • centenas de detenções imediatas
  • muitas libertações semanas depois

1976 — Normalização institucional

  • Entrada em vigor da nova Constituição
  • Redução acentuada da instabilidade

👉 Detenções passam a ser:

  • mais judicializadas
  • menos massivas
  • Casos ligados a:
    • PRP/BR (processos ainda em curso)
    • Redes da direita clandestina

📊 Número global: dezenas a poucas centenas no ano inteiro


1977 — Fim do ciclo revolucionário

  • Situação já próxima de normalidade democrática
  • Detenções residuais:

👉 Associadas a:

  • julgamentos pendentes
  • desmantelamento de redes clandestinas

📊 baixo volume


📊 Síntese dos picos

Período

Tipo de detenções

Intensidade

Abril 1974

Antigo regime

Alta (transitória)

Março 1975

Golpe falhado

🔺 Muito alta

Verão 1975

Conflito político difuso

Média

Nov 1975

Crise militar

🔺🔺 Máxima

1976

Normalização

Baixa

1977

Residual

Muito baixa


🧭 Leitura analítica

  • O fenómeno não é linear → é pulsado por eventos críticos
  • Dois momentos dominam:
    • 11 de Março de 1975
    • 25 de Novembro de 1975
  • A maioria das detenções:
    • foi temporária
    • não resultou em condenações prolongadas

Se quiser dar um passo mais técnico, posso cruzar isto com:

  • tipos de crime (terrorismo, insubordinação, ocupações)
  • ou duração média das detenções por grupo

Isso já entra numa análise quase “forense” do PREC.

No perríofo em causa quantos membros da PIDE/DGS e da LP e quantoss membros do Governos anteriores foram preso?

A quantificação aqui é mais sólida do que no caso das organizações revolucionárias, mas mesmo assim continua a depender de fontes dispersas (processos judiciais, comissões de saneamento, estudos académicos). Ainda assim, há ordens de grandeza relativamente consensuais.


📊 1) Membros da PIDE/DGS

Após o 25 de Abril de 1974

  • Detenção imediata de agentes e dirigentes
  • Inclui:
    • Inspetores
    • Informadores relevantes
    • Quadros superiores

👉 Estimativa global:

  • ~1.000 a 1.500 detidos nos meses após a revolução

Evolução:

  • Muitos libertados entre 1974–1976
  • Alguns julgados em processos longos (Tribunal Militar / tribunais plenários adaptados)

👉 Condenações efetivas:

  • algumas dezenas a poucas centenas, dependendo do critério (penas efetivas vs. suspensas)

📊 2) Membros da Legião Portuguesa

  • Organização muito mais ampla e heterogénea
  • A maioria dos membros não foi presa

👉 Detenções focaram-se em:

  • Dirigentes
  • Elementos envolvidos em repressão ativa

👉 Estimativa:

  • ~100 a 300 detidos

📊 3) Membros de governos do Estado Novo

Inclui ministros, secretários de Estado e figuras de topo associadas a:

  • Marcelo Caetano
  • Fase final do regime

Situação típica:

  • Muitos foram:
    • detidos temporariamente
    • ou colocados sob vigilância

👉 Estimativa:

  • ~20 a 50 figuras governativas detidas (na maioria por períodos curtos)

Nota importante:

  • Casos de longa prisão foram raros
  • Vários acabaram:
    • exilados
    • ou afastados da vida pública

📊 Síntese global

Grupo

Detidos (estimativa)

Observações

PIDE/DGS

~1.000 – 1.500

Maior número, ação imediata pós-revolução

Legião Portuguesa

~100 – 300

Foco em dirigentes

Governos anteriores

~20 – 50

Detenções curtas na maioria


🧭 Interpretação técnica

  • O maior volume de detenções não está no PREC ideológico (1975), mas sim:
    👉 no momento inicial de rutura com o regime anterior (1974)
  • A lógica foi:
    • neutralização rápida dos aparelhos repressivos
    • seguida de:
    • libertações progressivas e judicialização parcial
  • Comparando:
    • PIDE/DGS → alvo principal e massivo
    • Legião Portuguesa → secundário
    • elite governativa → simbolicamente visada, mas pouco encarceramento prolongado
~~~~~~ooo0ooo~~~~~~

Durante o período conhecido como "Verão Quente" de 1975, no contexto do Processo Revolucionário em Curso (PREC) após 25 de Abril de 1974, as principais organizações terroristas de extrema-direita que operaram em Portugal foram:
  • MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal): Fundado em maio de 1975, era liderado por figuras como o general António de Spínola e envolvia figuras da direita radical como Fernando Pacheco de Amorim. O grupo foi responsável por uma vasta campanha de bombardeios e violência política, focada principalmente no Norte do país, envolvendo sedes do PCP e outras organizações de esquerda.
  • ELP (Exército de Libertação de Portugal): Criado a 6 de janeiro de 1975, era uma organização terrorista com ligações à antiga PIDE/DGS (criada por Barbieri Cardoso, ex-subdiretor da PIDE), com base e direção em Madrid. O ELP também foi responsável por ações violentas e bombistas na mesma época. 
Principais características e contexto:
  • Vaga Terrorista: Estas organizações foram responsáveis ​​por centenas de ações violentas (entre maio de 1975 e abril de 1977, estimam-se cerca de 600 ações, incluindo bombas, assaltos a sedes e agressões), com o objetivo de travar a influência comunista e a revolução em curso.
  • Anticomunismo: Mais de 70% das ações ocorreram no Norte, especificamente o PCP (34% das ações).
  • Rede de Apoio: As redes terroristas de direita tiveram apoio na zona de Braga, com envolvimento de setores conservadores da Igreja Católica, e fizeram parte de uma estratégia golpista que, em 1975, levou o país à beira de uma guerra civil. 
É importante notar que, embora o MDLP e o ELP tivessem objetivos comuns anticomunistas, por vezes operavam de forma distinta, mas durante o "Verão Quente" de 1975, as suas ações contra o avanço da extrema-esquerda confundiram-se na luta armada. 
🛡️ Características Principais do 'Mara da Fonte'
  • Apoio Institucional: Foi organizado por figuras como o Cónego Eduardo Melo Peixoto (Braga) e reforçado por Arcebispo de Braga, D. Francisco Maria da Silva.
  • Nome Histórico: O nome foi inspirado na Revolução da Maria da Fonte de 1846 , evocando uma revolta popular e tradicionalista contra o governo central. 
📉 Impacto no PREC
  • Barreira Geográfica:
    • Dividiu Portugal efetivamente em dois: o Sul (revolucionário, com ocupações de terras) e o Norte (reacionário e conservador).
    • Criou "zonas libertadas" onde o governo central de Lisboa e o COPCON (de Otelo Saraiva de Carvalho) não conseguiam exercer autoridade.
    • Mobilização de Massas:
      • Uso de sinos das igrejas para convocar populações rurais para “defender uma religião” contra o “ateísmo comunista”.

Gravura gerada pelo chatGPT

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Pingos do Mindelo, com sol, sem salero

 


(**)

(*)

(*)

(*)

(**)

Nem dei pelo Carnaval, que aliás não foi tema de reportagens na imprensa on line que leio, se exceptuar notícias de que tinha sido adiado em algumas localidades, devido ao carrossel de tempestades que varreu Portugal. Os dias têm estado cinzentos, embora hoje o tempo continue ameno, de céu azul com desvanecidas nuvens brancas. Ao contrário de anos anteriores, não há voos de pombos ou de gaivotas, aterrando no campo verde em busca de alimento. Os novos métodos de ceifa e debulha mecanizadas terão diminuido a quantidade de grão desperdiçado. Com as ventanias a esmagadora maioria dos limões têm-se desprendido dos ramos, apodrecendo no solo.

Continuo tendo como interlocutor os meus botões, falando apenas com a vizinha Amélia quando aqui vem e hoje com o Paulo, carpinteiro. Ontem telefonou-me a Faia Maria, com a sua voz ridente e juvenil. Outrora telefonava a muitas amizades, mas presentemente não me apetece fazê-lo. Para além da Faia Maria apenas tenho falado telefonicamnte com a Elsa, minha conterrânea da Praia do Bispo, em Luanda. Por escrito, no Messenger, o Rui é com quem mais tenho 'falado'

Fora isso prossigo as minhas pesquisas, leituras e produção de guiões para ilustrar textos meus, como os que encimam esta publicação. Estou quase a terminar a leitura de 'Por Dentro do Chega, A Face Oculta da Extrema-Direita em Portugal', calhamaço de investigação do jornalsta Miguel Carvalho, de quem em tempos lera 'Quando Portugal Ardeu: histórias e segredos da violência política no pós-25 de Abril', dedicado aos ataques da rede bombista de extreama direita que pôs o país  a ferro e fogo, especialmente a norte de Rio Maior. Creio que dele também terei lido 'A Última Criada de Salazar', que relata a história de Rosália Araújo , uma jovem que foi a última empregada doméstica a servir, dos 13 aos 19 anos,  António de Oliveira Salazar no palácio de São Bento, 

Olho para lá da janela e do silêncio que me rodeia. As nuvens acinzentaram-se e cobrem agora quase todo o céu.Abro a vidraça e chove a cântaros, a frialdade invadindo a sala e arrefecendo-me as mãos, enquantos as gotas de água que escorrem do telhado dedilham sons compassados como se fossem prdrinhas saltitando com leveza.

     Notícias do Bloqueio II

        Estão suspensas as palavras
        Proibidos os gestos
                   de ternura, amizade e amor.
         O silêncio invade as ruas
                   entra nas casas
                   senta-se á mesa da gente.
         Que sentido tem dizer
                   amor
                   amiga
                   camarada
                   companheiro?
         Que sentido tem
                   abrir as mãos e os olhos
                   e perguntar qual o significado do
                   que vemos, ouvimos, entendemos e sentimos?
         Gaivotas loucas, alvoraçadas, enchem os ares
         de movimento e ruído
         enquanto a vida escorre pelos dedos
                   indiferente
                   medíocre
                   submissa. 

(Setúbal, 1985.10.02 )

Continua em em torno do silêncio

Ijustrações do chatGPT (*) e do Google Gemini (**) segundo guiões de minha autoria

Desenha 1. Á esquerda um campo verde, com um cacto candelabro, um imbondeiro, uma palmeira, um pinheiro manso, uma laranjeira com laranjas, uma oliveira. No ar esvoaçam águias, pombos e andorinhas No campo um elefante, uma zebra, um boi e uma ovelha. 2. Ao centro no areal duma praia, está em destaque um homem idoso, apoiado numa bengala, olhando em frente. Junto a ele está uma gaivota. 3. Á direita é o mar, cintilante, levemente ondulado. As ondas morrem em rendilhados de espuma na praia. No mar dois golfinhos. 4. No horizonte o céu é azul com nuvens brancas. Á direita um  sol vermelho espreita por entre as nuvens,As nuvens estão com tons avermelhados   5. No campo desenha girassóis, papoilas  e craveiros Desenho realista

~~~~~~ooo0ooo~~~~~~

Anoiteceu completamente. Para lá da jsanela, no horizonte, tremulizam luzes, como se fosem pirilampos ou estrelas a anos-luz. Não sei se o ruído que ouço é dos aviões, da ventania ou de chuva a cair. São 22:10. Assomo à janela, abro a portada e tudo é calmaria neste momento. Não chove, mas está um frio miudinho, como se gotículas fossem, colando-se-nos à pele, Se fosse Verão, seriam gotículas de suor. Ouve-se o troar dum avião, cada vez mais distante. Afinal não será o vento. Daqui a pouco deverá outra aeronave  sobrevoar o 'meu' espaço aéreo..  Meto-me para dentro e feccho a janela. Parafraseando Alberto  Caeiro, n'o gardador de rebanhos', não me despeço da Lua, invisível, pois começou hoje a fase Crescente, a caminho da Lua Cheia, que na sua plenitude ocorrerá a 3 de Março.

XLIX

 

Meto-me para dentro, e fecho a janela.

Trazem o candeeiro e dão as boas-noites.

E a minha voz contente dá as boas-noites.

Oxalá a minha vida seja sempre isto:

O dia cheio de sol, ou suave de chuva,

Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,

A tarde suave e os ranchos que passam

Fitados com interesse da janela,

O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,

E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,

Sem ler nada, sem pensar em nada, nem dormir,

Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito,

E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

2ª volta, no dia seguinte, em Pingos do Mindelo

 


2026 02 09 Eleições Presidenciais 2026- 2ª volta - O dia seguinte (chatGPT)

* Victor Nogueira

Acordei com o que me parece ser uma valentíssima constipação, daquelas que pedem cama, abafos e bebidas quentes. A manhã esteve cinzenta, com o nevoeiro tornando a paisagem fantasmagórica, como cortina que a partir do meio campo ocultava o horizonte.

Não estou eufórico. Os 3,5 milhões de votos que ‘o Homem que veio de Penamacor’ obteve não são garantia de que a 'democracia' sobreviverá. A 'esperança' da geringonça que permitiu ao PS de enCosta ganhar uma maioria absolua, sem 'empecilhos' à esquerda, não impediu que este, viderinho, a desperdiçasse, abrindo caminho ao pântano da traquitana da AD, capitaneada por Montezero. e ao crescimento do Chega sob a omnipresente batuta do Mestre André.

O ‘Homem que veio de Penamacor’ teve o apoio das elites da IL, do CDS e do PSD, defensoras do consenso neoliberal em que também milita o PS de Luís Carneiro e toda a sua ala direita que o metastizou. Por seu turno, Herr Venturra armou-se em paladino da ‘gente de bem’, contra o ‘socialismo’, contra o sistema, contra as elites, contra 50 anos de corrupção, desordem e bandalhalheira. Arrecadou cerca de 2 milhões de votos conra os 3,5 milhões que lhe deram com os pés.

Até à 3ª volta que se avizinha, folgam as costas? Para já Seguro admitiu promulgar o Código de Trabalho de Montezero & Rosário Palma, desde que a UGT o avalizasse, introduzindo-lhe algumas alterações cosméticas. Para isso conta desde já com as aperturas do ‘Homem que veio de Espinho’. Sintomaticamente, Seguro prescindiu do aval da CGTP. Chega-lhe a prestimosa UGT.

Como Montezero quer cumprir a legislatura, para isso contará com o sentido de estado de Seguro e Carneiro? Se assim for, com o agravamento das condições de vida da maioria do eleitorado, os 3,5 milhões serão chão que deu uvas numa 3ª volta.

Para esta perfilam-se Herr Venturra e Cotim de Figueiredo, Este pretende lançar um movimento de extrema-direita, mais finório e menos arruaceiro. Para já deramlhe palanque e um púlpito para pregar como comentador televisivo. Tendo admitido votar em Venturra numa 2ª volta, por ter perdido a cabeça, alegou, agora reencotrou-a, descobrindo que o líder do Chega é … ‘socialista’, contra ele se preparando para terçar armas, em defesa de libérrimas liberdades.

Teremos pois uma embrulhada entre homens do sistema contra homens do sistema e do anti-sistema. No horizonte, ainda semiencoberto, perfila-se um 3º movimento, liderado por um homem que paira acima do sistema, diz ele. Trata-se do Almirante Passaláqua, submarinista, o da Voz de Comando. Alcançará também palanque e púlpito para uma prédica semanal?


Resolvi pois ilustrar este meu estado de espírito e das várias imagens geradas pelo chatGPT e pelo Google Gemini a partir dum guião de minha autoria escolii duas para foto de capa.

Guião

Á esquerda desenha um craveiro com cravos vermelhos, uma roseira com rosas cor de rosa e uma laranjeira com laranjas. O solo é verde. Á direita desenha uma uma árvore de ramos descarnados. O campo é arenoso e pedregoso, com tufos de erva ressequida. No solo ovos de serpente, algumas a romperem a casca. As raízes das plantas penetram no solo, perfurando um túnel que vai da esquerda para a direita. vindas da esquerda, serpentes e e ratazanas corroem as raízes da roseira, do craveiro e da laranjeira. Á esquerda o céu é azul, com núvens brancas e cinzentas. Á direita o céu está coberto de nuvens cinzentas. Á esquerda esvoaçam gaivotas, andorinhas e vampiros. Á direita esvoaçam vampiros. Á direita, junto à arvore, está uma hiena.


A TALHE DE FOI-SE, no dia seguinte ao dia seguinte, Passaláqua escreeve um longuíssi artigo no 'Público', com o título 'Estudo do Improviso'. Entre o lead e os parágrafos finais escreve:

«O primeiro-ministro deve refletir se a ministra da Administração Interna tem condições para permanecer no lugar. Parecer-me-ia adequado que a ministra pedisse, por sua iniciativa, a exoneração.


(…) Em resumo: somos, demasiadas vezes, o país do improviso. Mas não temos de continuar a sê-lo.

Precisamos de mudar. Os tempos que se aproximam exigirão um preço elevado aos Estados e populações que não se prepararem.

Precisamos de mudar. Os tempos que se aproximam exigirão um preço elevado aos Estados e populações que não se prepararem.»

Teremos mais outro colunista, cronicando em 'Público?

Olho para lá da vidraça: Goteja água do telhado e no quintelejo novos limões juntaram-se aos que vão apodrecendo em torno do limoeiro. O dia continua cinzentesco, como o de ontem, e o nevoeiro, menos cerrado, torna fantasmagóricos os edifícios e as poucas árvores que se vislumbram no horizonte.

Continuo a leitura de 'Por dentro do Chega', de Miguel Carvalho, e de José Cardoso Pires vou iniciar 'O burro-em-pé'. concluída a 'República dos Corvos', que incluia 'Dinossauro Excelentíssimo', mas não as 21 ilustrações de João Abel Manta, na edição de 1972. 'Dinossauro Excelentíssimo' também está incluído n'O burro- em-pé'.


2024 11 18 - 2 escritos sobre amizade


SER AMIGO

Ser amigo é colorido presente
Ao darmos nossa mão, mas sem maldade,
Mantendo a vera luminosidade
Do silêncio ou do verbo assente.

Na tarde calma, serena, luzente,
Ou de noite, dia sem claridade,
É uma dádiva, felicidade,
Esta da vigília ser não dormente.

Amigos têm vária feição:
Dão-nos sua tristeza ou alegria,
Compartilhando bons e maus momentos.

Velho, novo, mulher, homem, bem são;
Na estrada e no dia-a-dia
Nem sempre atentos, prontos, nos tormentos.
.
.

1989.09.03 (3)
[1989.12.22]
~~~~~~~~~~


Ser amigo ou amante


Terra construída
feita.......................,de
.................................portas que se não fecham
.................................janelas que se abrem
.................................rasgadas ao sol
...................................................à chuva
.................................ou nas noites do lobisomem
........................................plenilúnio da sereia
.................................a ...sombra refrescante
........................................brisa no campo sem fronteiras
Presente
a presença
........................atenta
........................necessária
.........................livre
resguardada
sem muros nem barreiras

Setúbal 1989 03 11


Galeria chat GPT e Google Gemini