Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Deambulando pelo município de Oeiras

* Victor Nogueira
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Paço d'Arcos
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---------Os dias têm estado óptimos, quentes e cheios de sol. Paço de Arcos é um sítio deveras sossegado. Domingo fui à missa das 11, na capelinha do Paço dos Condes de Alcáçovas [donde vem o nome da vila, pois tem três arcos no piso térreo, virado para o Rio Tejo]. Além desta há uma Igreja, que será substituída por uma outra. Em seguida fomos dar um passeio até ao jardim, onde ficam campos de jogos, parque infantil, bar, cinema e clube [Clube Desportivo e Recreativo de PA, num edifício que foi casino]. (1963.11.17/19 - Diário IV)
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O dia está desagradável no jardim: ventoso e fresco. Ontem o tempo estava estival, dizem as minhas notas. Os carros passam velozmente ali na Marginal e o Tejo é azul. As crianças correm e brincam pelas áleas e vêm-se muitos triciclos e bicicletazinhas. A esplanadaxe "Paço d'Arcos: esplanada no jardim"§ está cheia de gente que conversa. Além à esquerda vejo o barracão feio do cinema da vila [o Chaplin]: apenas três sessões semanais no verão - terças, sábados e domingos. (1) (MCG - 1972.08.10)
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Encontro me no jardim, rodeado de pessoas, digo, de crianças brincando e do trânsito automóvel. O chão está coberto de folhas secas e amarelecidas, que o vento transporta. Esse vento fresco que me fará ir embora mais cedo porque se torna desagradável. Ultimam se os preparativos para a Festa do Senhor Jesus dos Navegantes, que se realizará nos últimos dias deste mês de Agosto, pelos vistos mês das feiras e festarolas. (2) (MCG - 1972.08.23)

São 12:30. Ouço o portão chiar e assomo à janela... e não vejo ninguém (Algum miúdo que entrou e saiu, penso eu). Mas eis que batem com a aldraba na porta. Abro a e lá está o carteiro no gesto habitual, mão estendida com as cartas (hoje, apenas carta!) Cumprimentamo nos e agradecemos mutuamente. Fecho a porta. Regresso à sala de estar, pego na tesoura para abrir o sobrescrito, que resguarda as notícias. (MCG - 1972.09.06)
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Desta vez as minhas deambulações trouxeram me até ao Jardim de Paço de Arcosxe . Aqui estou pois, junto à Estrada Marginal, onde passam velozes carros e mais carros. O Tejo está defronte a mim e o Tejo seria uma baía como a de Luanda ou do Rio [de Janeiro] se eu não soubesse. Ao alcance da vista o mar e o Farol do Bugio. Para montante Lisboa, a Ponte e o Cristo. Além é Belém, di lo o monumento que daqui se vê. Os bancos do jardim estão desertos: corre uma aragem fresca e algo desagradável. O jardim tem flores, mas as árvores estão ainda despidas. O céu nublado está belo, ao pôr do sol. As núvens negras nuns sítios, iluminam se noutros. De resto vai se aproximando a hora de jantar - os dias agora estão mais compridos. (s/data - 1972/73 ?)
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Às 14:30 apanharei [em Évora] boleia do Pintassilgo (e da miúda) rumo a Setúbal, onde apanharei a camioneta para Cacilhas, aqui o ferry-boat para o Cais do Sodré e lá o comboio para Paço de Arcos. Em lá chegando à estação, olhos para as malfadadas escadas [escadaria], atravesso a linha, subo as e ala pela Rua Conde de Alcáçovas abaixo, por entre as árvores que a ladeiam até ao fundo, onde viro à esquerda dando de caras com o nº 1 da Rua de Macau. (1973.08.03)
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Ontem o mar estava de tal modo encapelado que as ondas batiam violentamente no paredão, submergindo os carros que passavam na Marginal, entre os quais o nosso. Um espectáculo com piada. Anteontem choveu, relampejou e trovejou de tal modo que até parecia uma das tempestades em Luanda. (1974.01.06)
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Passei pela Tabacaria [Dany] para comprar este postal. Está frio e encontro me sentado num marco de pedra no passeio, onde está o Mercado, defronte ao Correio. (...) As pessoas e os carros passam de regresso a casa e eu quero ver se ainda passo ali pelo "supermercado". (MCG - 1974.09.18)
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O dia hoje está cinzento e montes de jornais e livros enchem aqui a mesa da sala de jantar "O Combate, tem escrito a toda a largura da 1ª página: "A libertação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores". E a titular a 1ª notícia: "MFA, liberal na política, autoritário na economia! A polícia e o exército reprimem os trabalhadores em luta no Ribatejo" (...) Da cozinha vem o ruído das costeletas a fritar. Olho ausente para o espelho defronte a mim,, para ver qual será o próximo tema, e verifico que tenho o cabelo revolto e a barba já se vai notando.(1974.11.20)
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O tempo está húmido e frio e quando cheguei de Lisboa estava farto da viagem e da constipação (...) No comboio duas raparigas - especialmente a que se chamava Nani - tentaram provocar conversa - as deixas foram muitas - mas sem grande resultado. Não sei o que seriam: empregadas de escritório, operárias ou qualquer outra coisa. A máquina de discos aqui doutro café da rua principal de Paço de Arcos transmite qualquer coisa barulhenta e desconchavada cujo estribilho é "Oh Mary". Não vale a pena a troca, pois aqui também não há pregos nem leite. Tenho mesmo de ficar mal jantado. (1974.12.26)
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Hoje não vamos a Lisboa. Passearemos apenas aqui em Paço de Arcos. Sairemos aqui de casa, apreciarei a casa onde moram as minhas tias [na Rua de Macau], que tem um jardim pouco cuidado, que pertence à senhoria [a D. Manuela], que mora no r/c - nós moramos no 1º andar. Atravessamos a linha férrea, iremos até ao Paço dos Condes de Qualquer Coisa - na foto - um recanto bonito e antigo. (3)Tomaremos a rua Costa Pinto - com prédios que devem ser do tempo do Marquês de Pombal e, junto à tabacaria, viraremos para o jardim, onde agora está a "feira" [Festa do Senhor Jesus dos Navegantes.(4) Veremos os cartazes do cinema [Chaplin] [1972] e as pessoas que passeiam. Sentamo-nos no jardim, trocando ideias sobre as notícias do jornal. Ali um jovem casal de namorados troca de vez em quando uma beijoca (quando o polícia não olha!). Esperemos que nenhuma das duas velhotas se escandalize. Retomaremos o passeio pela marginal, ultrapassaremos a doca e iremos até à praia tomar banhos de sol. De mar não, por causa da poluição. E como o tempo falta - a tiragem do correio é às 17 horas - regressaremos passando pelo Mercado e rumo aos CTT, apreciando os prédios do J.Pimenta, junto à Igreja nova [e de estilo moderno], onde nunca entrei. (MCG - 1972.08.02)
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O sol já desapareceu e dele há apenas no horizonte, debruando as colinas, uma faixa vermelho alaranjado. Ali à direita, a estrada para Porto Salvo e polvilhada de casario que vai substituindo os campos onde ainda se pratica a agricultura, agora secos. Ao longe um cão ladra e lá do fundo da casa vem o barulho da televisão. O mundo parece de brinquedo, assim, visto dum nono andar.
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Passei a manhã lendo ou gravando música - desta vez brasileira - para além de ter ajudado a minha tia lavando a louça e na parte das lides domésticas resultantes da minha estadia. À tarde fui com a Susana ver o comércio de Paço de Arcos e passear pelo jardim.
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(...) Olho novamente pela janela e o céu é agora azul escuro, com um leve debrum alaranjado no horizonte. Piscando, um avião passa além, enquanto lá em baixo fieiras de luzes assinalam as estradas, as casas e os automóveis. (MMA - 1986.08.15)
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Estendendo se perante mim a estrada para Porto Salvo (5) e o campo cada vez mais polvilhado de casas que se vão juntando até formar novos povoados. (...) Olho pela janela para o céu azulado e para os campos verdejantes. (CTT b - 1988.03.06)
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(...) Cada vez mais as casas vão substituindo os campos, daqui até Porto Salvo. Aqui o vento uiva ou silva; às vezes, como esta madrugada, parece a chuva miudinha, como esta noite de mau dormir. (MMA - 1988.08.15)
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Aqui na Tapada do Mocho, como na maioria do concelho de Oeiras, continua a falta de água. Habituamo-nos à facilidade de simplesmente rodarmos uma torneira para obter água em abundância pelo que é um aborrecimento o racionamento e o termos de andar suados e peganhentos por não se poder tomar banho ou termos de nos lavar a prestações.
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Ainda tenho de ir à Rua de Macau, a casa dos meus pais, buscar uns recipientes de água da torneira para fazer face à seca. (MMA - 1993.08.19)
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Finalmente a água voltou: barrenta, jorrando das torneiras aos borbotões ruidosos. Finalmente o prazer de abrir o chuveiro e sentir a carícia da água tépida deslizando pelo nosso corpo!
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O calor continua e o corpo cobre-se de camadinhas de finas gotículas de suor que se não evaporam, tal como sucedia em Luanda. (MMA - 1993.08.20)
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O Patrão Lopes - salva vidas (émulo do Cego de Maio, da Póvoa de Varzim) é um dos "heróis" ou personalidades de Paço de Arcos, onde o Clube Desportivo ocupa o edifício do antigo casino, com varanda envidraçada, perto dos Fornos da Cal, recuperados. No jardim arborizado com um café-restaurante esplanada existem algumas casas apalaçadas coexistindo com prédios de vários pisos ou casas térreas humildes e as instalações sanitárias públicas são art Déco. Na rua Costa Pinto, autarca doutros tempos, existe um "Palacete", com fachada de azulejos azuis, que foi pensão e albergou o Quartel dos Bombeiros Voluntários. Os portões ainda lá estão, enferrujados, com azulejo com emblema dos Bombeiros Voluntários. O núcleo histórico conserva se, mas já nada existe do tempo em que Paço d'Arcos era terra de veraneio e banhos de mar, melhor se diria, banhos de rio. Hoje a praia está poluída e os bancos vão substituindo os restaurantes.
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A toponímia do centro histórico regista nomes tradicionais, uns, aristocratas, outros, para além doutras personalidades. Registo assim os becos do Moreira e de Gould, as travessas Regueira dos Arcos (T), Ermida (T), Praia (T), Forte de S.Pedro (T), os largos de S. João, dos Fornos (L), Fonte de Maio (R), Fornos (R), Vista Alegre (R), Passarinhos (R), o Caminho do Mocho. Outros topónimos estão relacionados com a implantação da república: as praças da República e de José Fontana, o largo 5 de Outubro, a rua Cândido dos Reis, ou com a aristocracia: o Conde de Alcáçovas, (senhor do Paços dos Arcos, lembrado em rua, largo e travessa), o Conde S. Januário (avenida), os Condes de Cuba e de Rio Maior (ruas), o Marquês de Fronteira (rua), o Marquês de Pombal (rua), os viscondes de Porto Salvo e de Paço de Arcos (ruas).
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A Fonte de Maio agora seca depois de tempos de inquinamento, no entroncamento da avenida Conde S. Januário com a Estrada de Paço de Arcos (para Porto Salvo), deu nome ao aglomerado que hoje está integrado na vila. Persistem algumas casas de quinta, umas bem conservadas, outras degradadas, sobranceiras à ribeira da Laje, que corre lá no fundo do vale pedregoso, onde houve uma pedreira, hoje atravessado por um viaduto, que substitui a estreita estrada tortuosa que a ligava à Tapada do Mocho, hoje bairro social, a caminho de Cacilhas. (Notas de Viagem, 1997)
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NOTA - A casa da minha tia Esperança (arrendada), onde ficaram os meus pais depois de ela ir morar para a Tapada do Mocho na casa do meu tio José João, ficava perto do Centro Histórico da Vila - era uma zona arborizada de vivendas e descendo-se umas escadinhas, perto da casa onde morava então a Eunice Muñoz, atravessava-se a linha férrea e a dois passos era o centro, quase como uma pacata vila de província, onde se destacava uma pensão decadente num edifício azulejado, que já fora importante, em cujas traseiras havia «barracas» de habitação e uma oficina de automóveis. Reconstruíram o edifício, nas trazeiras construíram uma fileira de casas que atravancou ainda mais o trânsito e as ruas, a maioria pedonais, e Paço de Arcos, a minha terra em Portugal, perdeu-se para mim como Luanda. Com a morte ou a dispersão de familiares, amigos e colegas, Portugal tornou-se definitivamente para mim terra de exílio, desentaizamento e desterro completos. E Setúbal - aparentemente tão parecida com Luanda vista do Forte de S. Filipe e com as suas buganvílias (?) - foi uma escolha errada - terra de ninguém. (2008.02.5)
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Oeiras

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A vila de Oeiras está ligada ao Marquês de Pombal, onde este tinha o seu palácio e domínios senhoriais no século XVIII, hoje retalhados e distribuídos por várias entidades. As diversas quintas constituíam um complexo, com uma parte de recreio e outra de exploração económica, esta com adega, celeiro, lagar, criação de bichos da seda, pombal, olivais, vinhedos e pomares. Presentemente a povoação que se desenvolveu em torno da quinta tem muito comércio na sua zona histórica mas não atrai passear e deambular nela devido à estreiteza das ruas e à intensidade do trânsito automóvel. Na parte antiga predominam as vivendas com jardins, que dão lugar a prédios altos nas recentes zonas de expansão em antigas quintas, que por vezes dão o nome aos novos bairros, como o da Quinta das Palmeiras ou da Quinta do Marquês.
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Recentemente o largo principal, i.e., a Praça 5 de Outubro, foi transformado em zona pedonal, mas não é sítio de passeio e permanência, parece-me, pois Oeiras é para mim estrada de passagem. E depois o largo central, onde fica a Igreja de N.Sra da Purificação de Oeiras, tem alguns edifícios desenquadrados, enormes e feios, sem graça ou poder cativante, incluindo o Quartel dos Bombeiros Voluntários.
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Oeiras é atravessada pela ribeira da Laje, curso de água mal-cheiroso ao longo do jardim da povoação onde outrora havia um parque de campismo. O jardim é aprazível e florido.
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Perto do centro e bordejando a antiga propriedade agrícola de Pombal fica um edifício que dá o nome à Junção do Bem (Est), (6) designação com o seu quê de poético. Mas também no centro da vila fica a rua das Alcássimas, de feição rural com pátios, que vai desembocar no largo do Avião Lusitânea, no qual Gago Coutinho e Sacadura Cabral fizeram a 1ª travessia do Atlântico Sul. Mas apesar do nome, aqui não está qualquer réplica do avião como aquela que implantaram em Lisboa junto à Torre de Belém, talvez porque o espaço aqui não é desafogado e a rua é estreita, escondida, sem mar ao pé, que tal não pode pretender ser o aqueduto vizinho que outrora regava as terras do senhor Marquês de Pombal, em largo e rua lembrado.
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Aquele aqueduto dá o nome a uma rua, perto da rua da Biblioteca Operária Oeirense. Uma das casas da rua das Alcássimas (nºs 28 a 38) possui no seu interior um mosaico romano. Já nos arredores do primitivo núcleo populacional e nele hoje integrado encontramos as ruas Lagares da Quinta (R), Quinta Grande (R) e Caminho da Quinta. (Notas de Viagem, 1997.08.20)
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Santo Amaro de Oeiras

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Estamos aqui no Motel de Santo Amaro.O meu pai acabou de dar cabo dum pacote de amendoins que comprou na Boca do Inferno (na foto muito apaziguado). O céu está cinzento de chumbo e o motel está quase vazio. Além uma senhora faz crochet e, lá fora, o mar morre serenamente nas rochas. Lá no motel ainda joguei nas máquinas e também 3 desafios de futebol [matraquilhos] com o meu pai, tendo ganho dois. (MCG - 1974.01.02)
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Pelo interior de Oeiras

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Leceia

Leceia é para mim uma povoação onde ressalta uma modesta igreja branca com barras azuis, com um relógio de sol na frontaria, dedicada a N.Sra da Piedade. No seu interior existem vários painéius de azulejos. No terreiro fronteiro existe um coreto sem cobertura e os terrenos circunvizinhos encontram se escalavrados. Perto desta igreja um outro largo, o largo do Marco, agradável, arborizado, com bancos voltados para um carcomido marco cilíndrico de pedra num afloramento rochoso. Um marco semelhante, melhor conservado, encontra-se junto à igreja. As casas são incaracteristicamente suburbanas, embora persistam numa encosta algumas antigas, nas íngremes ruas tortuosas. Uma delas é pedonal, em escadaria, com um muro rural de pedras sobrepostas, como que protegendo um quintalinho com uma oliveira e couves. No sopé desta rua destaca-se uma vivenda com um maciço e tosco leão de pedra na entrada, mirando uma esfera, com um cata-vento original na chaminé: Pégaso, o cavalo alado. No cimo da rua que estamos a referir existe uma modesta casa rural arruinada, com a bandeira do PCP na parede, em sumida pintura vermelha, e a foice e o martelo nas vidraças que restam.
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Um agora abandonado Centro de Trabalho do PCP numa terra tão pequena talvez explique o nome das ruas: travessa General Humberto Delgado, ruas Henrique Galvão do Movimento das Forças Armadas, para além da omnipresente rua... 5 de Outubro. Outras artérias estão ligadas aos descobrimentos, como a rua Vasco da Gama e a travessa das Descobertas. Por detrás da igreja, na rua do mesmo nome, uma casa simples, com duas portas laterais e uma janela ao centro, com uma pequena varanda exterior à direita, com parapeito de ferro e vasos de flores.
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Os campos em redor estão cultivados. De Leceia, no alto do monte, a Barcarena, lá em baixo no vale, junto à ribeira, é um pulo pela rua Marquês de Pombal. Na encosta, junto à estrada, avista se o corpo central dum moinho de vento transformado em miradouro, com parapeito no lugar do telhado. De Leceia avista se até longe, até Laveiras e ao Hospital Prisional de Caxias.
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Em Leceia situa se ruínas pré históricas duma povoação fortificada. (Notas de Viagem, 1997)
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Barcarena

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Vista de Leceia e mesmo doutros pontos, o que sobressai em Barcarena é a sua enorme igreja, de S. Pedro, no centro da povoação, com um adro com vista para a ribeira e para um pequeno jardim público, bem como o edifício que foi do quartel dos Bombeiros Voluntários. O primitivo templo foi destruído pelo terramoto de 1755, que na área de Oeiras e Paço d'Arcos provocou grandes prejuízos. Uma outra igreja, arruinada e em processo de recuperação, a capela de S. Sebastião, protector das pestes e dos artilheiros, caracteriza-se por dois corpos, o anterior cilíndrico e o posterior de secção rectangular. No centro algumas casas antigas demonstram a importância doutrora. Mais para a extrema, a sul, um cemitério. A povoação é atravessada pela malcheirosa ribeira do mesmo nome (ou de Agualva) e a sua zona central é incaracterística e confusa, nela sobressaindo o edifício dos bombeiros voluntários, estilo Estado Novo, com alpendre de arcada na fachada central. Perto de Barcarena, à entrada de quem vem de Porto Salvo, em Ribeira Abaixo, à sombra da igreja lá no alto, um tanque coberto para a lavagem de roupa, junto aos canaviais que marginam cá em baixo a ribeira de Barcarena Perto de Barcarena e de Tercena situa se a desactivada fábrica de pólvora que vem dos tempos do senhor D. Manuel I, cuja reutilização está em curso, incluindo a criação dum espaço museológico. Esta fábrica deu alguma importância a esta povoação, relativamente às circunvizinhas.
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Nas cercanias da fábrica, perto da ponte que atravessa a ribeira, encontram se a Quinta da Ponte (na Estrada de Leceia) e a Quinta de S. Miguel (na Estrada do Cacém), esta em estilo romântico (manuelino), oitocentista. Por estas bandas os caminhos são vicinais, estreitos, tortuosos e bordejados por altos muros. Tudo tem ainda um ar rural e verdejante, abundando oliveiras e algumas figueiras, contrastando gritantemente com os viadutos e autoestradas que cada vez mais cruzam esta região. De Barcarena para norte parte uma rua estreita e curvilínea, rumo a Tercena, com algumas casas mais nobres, uma das quais tem na sua fachada um colorido painel de azulejos representando o Palácio da Pena em Sintra. Já fora da povoação, na estrada municipal 578 e á direita encontramos a Quinta do Sobreiro, do século XVII, debruçada sobre o vale, murada, mas permitindo ver uma escadaria exterior dando para uma varanda de alpendre, coberta, no 2º piso (loggia).
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Daqui avistamos os campos cultivados e, mais para lá, a mole imensa e "urbana" de Cacém. (Notas de Viagem, 1997)
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Cacilhas

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Esta povoação de Oeiras, pertinho do grande Centro Comercial e do largo da fonte luminosa, placa circulatória para vários caminhos. Pouco resta da modesta povoação que já existia no século XVI: uma casa rural arruinada, com telhado de quatro águas e escada de pedra, exterior, num pequeno outeiro, sobranceira à estrada e às casas da cooperativa, na outra banda, com vista para o vale. Situada junto à estrada da Ribeira da Laje, a povoação "velha" é dividida pela estreitíssima estrada de Cacilhas, que logo adiante se perde num conjunto de casas rurais recuperadas, prosseguindo serpenteando pelos campos. Defronte a estrada de Cacilhas atravessa a estrada da Ribeira da Laje e transforma-se em rua da Mãe de Água (R), que se encontra no fundo do vale, na outra margem: um edifício cilíndrico, mãe de água ou mina de água, como as que mais adiante dará nome à estrada da Mina (Est, já em Carcavelos: Bairro da Mina.
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De Cacilhas e a caminho da Laje, no fundo do vale à esquerda avistam se os arcos duplos dum aqueduto e uma quinta perdida no arvoredo. (Notas de Viagem, 1997)
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Linda a Pastora

Alcandorada na AE, pela encosta acima, mantém um ar de povoação rural, de edifícios em degradação, perdida no meio da auto-estrada e das vivendas que se vão construindo mais a cima. As ruas são estreitas, labirínticas, tortuosas, algumas simples becos ou pedonais de escadaria acima (ou abaixo), como na Alfama lisboeta, algumas conservando os nomes característicos de outrora: Linda a Pastora: Mouras (Bc)"§ Namorados (Bc), Pombais (Bc), Veríssimo (Bc), Carambola (T), e da Bomba (T), (este terminando no Casal do Poço, mesmo ao lado da auto estrada) e Lavra (Calç), Rei (Calç), Lavra ® e Serra de S.Miguel ®, Bica (L. A meia encosta, com um pequeno adro, situa se a Capela de S. João Baptista, de traça simples e barras azuis, para além do quartel de bombeiros voluntários. As casas são ainda rurais e uma delas com uma data: 1848, possuindo outras registos de azulejos, actuais. Na rua do Lavra um cão, de ar triste e cara de urso, olha para a rua, o pescoço enfiado nas grades, não ladrando a quem passa. Sentada no poial duma casa uma velhota costura e resisto à tentação da fotografia. As Fontes de Santa Ana e outra no adro da Igreja possuem painéis de azulejos com cenas campestres.
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Mais para oriente, sobranceiras e ao longo da auto-estrada, estendendo se até ao Santuário da Senhora da Pedra, muitas barracas e casas abarracadas.
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Foi esta uma terra de vistas aprazíveis, sobre o vale verdejante do Jamor, terra agrícola e bucólica, que se perdeu, não se ouvindo já quaisquer rumorejar das águas ou da folhagem, chilrear de pássaros ou chocalhar de animais; hoje, a paisagem são os carros passando velozes na auto-estrada, num rumor contínuo, vinte e quatro horas em vinte e quatro horas, em manobras por vezes mais ou menos arriscadas e enfeixando se uns nos outros. Cesário Verde, que por aqui deambulou, não encontraria já o bucolismo que descreveu nos seus poemas. (Notas de Viagem, 1997)
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Carnaxide

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Perto de Carnaxide vindo de Linda a Pastora pela Estrada da Rocha encontra se o Santuário da Senhora da Pedra (Carnaxide) ao lado a ribeira de, onde no século XIX (1823), numa gruta, foi descoberta uma imagem da Virgem Maria, que deu o nome ao Santuário. No local há uma pequena mata e um busto do poeta e conselheiro Thomaz Ribeiro, que deu nome ao Largo, perto da velha ponte do Santuário da Senhora da Rocha, de 1883. Anualmente, em Maio, realiza se uma romaria no Santuário da Sra. da Pedra
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Carnaxide, a 5 km de Algés e 4 km de Queluz, foi outrora terra de trigais. A auto-estrada e o Estádio do Jamor destruíram o bucolismo do vale. Na Serra de Carnaxide existem respiradouros, mãe de água do aqueduto de Carnaxide, elementos visíveis da estrada, que também abastecia o aqueduto das Águas (Lisboa). No centro da primitiva povoação destaca se a Igreja Matriz de S. Romão e à roda desta igreja, no largo Almirante Gago Coutinho, estão as ruas tradicionais e as casas de quinta progressivamente integradas no espaço urbano, como a Casa de Saúde de Carnaxide, antiga Quinta da Igreja. O primitivo centro urbano está muito degradado e descaracterizado, persistindo designações de artérias como do Sapateiro (Bc), do Machado (Bc), do Lavadouro (T), Escadinhas (T), Lameiro (T) e do 5 de Outubro, Chafariz (Calç), Pátria Nova (L), Portal das Taipas (R), Portal das Terras. No adro da igreja de Carnaxide, arborizado, encontra se um coreto, sem coberto, e um chafariz, com um painel de azulejos e brasão de Oeiras, datado de 1952. Nas trazeiras deste encontra se um outro chafariz, este reconstruído na sequência do terramoto de 1755. Um portal duma antiga quinta ostenta ainda uma data do século XVIII. Na rua Visconde Moreira de Rey encontram se a Casa Gabri, onde residiu Camilo Castelo Branco, e o Palacete da Quinta das Torres, revivalista, como se fora um castelo medieval, para além da Quinta do Morval, que outrora integrava as duas anteriores. (Notas de Viagem, 1997)
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Linda a Velha

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É Linda a Velha uma povoação completamente descaracterizada, de outrora restando apenas no que seria o antigo centro da aldeia desaparecida algumas edificações: a Capela de N.Sra do Cabo, o coreto encravado num gaveto, a Quinta dos Arciprestes e duas ou três casas de dois pisos e telhado de quatro águas, ali na avenida Tomás Ribeiro, cerca da calçada do Chafariz e do beco da Machada (Bc), urbanizada a Quinta das Biscoiteiras. De referir o nome da calçada Forno (Calç e do beco das Poças. A estrada que liga esta povoação a Algés é feia, com barracas e edifícios incaracterísticos.Os poetas Tomás Ribeiro e Almeida Garrett não reconheceria seguramente as paisagens e locais que elogiaram e cantaram nos seus escritos. (Notas de Viagem, 1997)
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Algés e Dafundo

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Algés era uma Praça de touros num vasto descampado, hoje demolida. É também o chalet denominado Palácio Anjos do nome do seu primeiro proprietário, um tal Policarpo Anjos, e o mercado estilo Estado Novo. Que mais é para mim Algés? Um largo com restaurantes e estátuas de pedra simbolizando tipos populares. Uma rua que bordeja a oriente o Palácio Anjos, artéria que sobe a partir da marginal, com prédios de vários pisos e muitas e coloridas lojas de comércio.
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O núcleo primitivo de Algés de Cima conserva algumas características rurais, que se foi estendendo em direcção ao rio Tejo, até às praia, primeiro frequentada pela alta sociedade, como as de Paço de Arcos e de Santo Amaro de Oeiras, mais tarde reservada para as classes populares enquanto os Estoris se iam desenvolvendo.
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Mais para ocidente, fica o Dafundo, com o Aquário Vasco da Gama, a linha dos eléctricos (dos que ainda restam) e o Clube de Natação que tomou o nome das duas terras: o Algés e Dafundo. Nesta povoação do Dafundo se encontram ainda chalets, palacetes e os edifícios de antigas quintas, hoje integrados na malha urbana. (Notas de Viagem, 1997)
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Cruz Quebrada

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De assinalar uma ponte filipina, sobre o Rio Jamor, parte da antiga Estrada Real, e o Aquário Vasco da Gama, no Dafundo. Na rua Sacadura Cabral encontram-se edifícios como o Palácio da Cruz Quebrada, que foi residência do Marquês de Pombal, o Palacete de Santa Sofia, do século XIX, ao bom estilo revivalista ou a Quinta de S. Mateus, possivelmente construído no século XVIII.
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A povoação desenvolveu-se nos finais do século XIX com a construção das linhas do caminho de ferros e dos eléctricos, tornando-se uma estância balnear como sucedeu com as restantes povoações ao longo da chamada linha ou costa do Estoril. Contudo, dos chalets desse tempo pouco resta, substituídos por incaracterísticos edifícios.
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Entre a marginal e Linda a Velha fica o Vale do Jamor, com o Estádio Nacional e a mata, zona de lazer e de estar. (Notas de Viagem, 1997)
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Porto Salvo

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Povoação vítima da urbanização desregrada, Porto Salvo conserva a Igreja de N.Sra da Apresentação, de meados do século XVII, local que foi de peregrinação e onde se realiza uma festa anual, sem o brilho de outrora, perdida a importância das artes da pesca e dos pescadores e navegantes. Abaixo da Igreja um terreiro, usado para mercado, com fontanário e coreto. A Ermida foi construída em cumprimento duma promessa feita por marinheiros, que perdidos no mar, haviam dito que a ergueriam no primeiro cabeço que avistassem junto à costa. Um dos dois paineis de azulejos existente no alpendre,ambos representando milagres da padroeira, encontra se bastante degradado. Esta igreja possui dois cruzeiros, um no meio do adro e outro adossado à fachada principal.
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Persistem no núcleo antigo edifícios com as características de outrora: casas térreas ou com dois pisos, com pátios e respectivos anexos, como celeiros, adegas e currais. Como não podia deixar de ser nesta zona e não só, tem a inevitável rua Marquês de Pombal, para além de topónimos como o Casal das Chocas e as ruas do Casal do Deserto (R, das Portelas ®, da Ribeira de Porto Salvo ® da Fonte ®, da Lameira ®, da Oliveira ® ou na Tapada do Linho. (Notas de Viagem, 1997)
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Vila Fria é um típico bairro clandestino de vivendas de pobres, com ruas estreitas e tortuosas onde mal cabem dois carros, pois todo o terreno tem de ser aproveitado para loteamento. À entrada, na estrada de Paço d’Arcos, uma fonte atesta a benemerência dum proprietário agrícola, um tal Isidoro da Costa, que no século XIX e à sua conta a construiu à entrada da herdade para serventia do povo; trata se do Chafariz de Canejo Uma bica com azulejos, que também predominam nas fachadas das casas, chama a atenção. O Palácio da Pena em Sintra é um motivo dominante nesta região, talvez porque a massa imponente da serra se impõe lá para ocidente. As ruínas duma quinta com capela privativa chamam por enquanto a atenção do passante. (Notas de Viagem, 1998.01.31)
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Laje

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Laje é uma feia povoação atravessada pela ribeira da Laje (Oeiras), com artérias com nomes "característicoscomo beco do Monte (Bc), Larga ®, Estreita ®, Ponte ® Pedregueira ®, Casal do Matos ® (da vintena existente já no século XVI) ou da Ribeira do Laje ® e outras como as ruas 1º de Maio, do 25 de Abril e da Constituição ou largo da República. Tem uma igreja de construção recente, mas feiosa, e no beiral dalgumas casas existem pombos de barro vermelho, como encontrei com profusão na ilha da Madeira. As casas são pomposamente designadas por "vivendas", quando não passam de barracos. Uma rua estreita bordeja o cimo da encosta, lá em baixo, à noite, o escuro vale e ao longe o perpassar das luzes vermelhas dos automóveis, passando rápidos na auto-estrada, como se fossem fugazes morrões de cigarros.
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O que é surpreendente numa povoação nova são as estreitíssimas ruas direitas, onde mal cabe uma pessoa, como se estivessemos numa qualquer cidade medieval. (Notas de Viagem, 1997)
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Laveiras

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De Laveiras, para Norte, avista se a Quinta do Jardim, possivelmente do século XVII, com arco túnel sobre a estrada e capela central. Do núcleo primitivo restam as casas "rurais" em torno do coreto em ruas como a Calçadinha do Jardim, o Beco Chafariz (Bc), que me parece ser uma bica de 1896 no Largo do Cirilo. Nas cercanias um prédio de vários andares, estilo vila operária, e um chalet muito degradado e, um pouco mais acima, situa se a Igreja de N.Sra das Dores, com um pequeno adro fronteiro a que se ascende, por um dos lados, através duma escadaria. Mais para longe as ruas têm nomes de quintas, como as de Santo António, do Pedrógão ou de Santo António da Mina. A povoação é atravessada pela ribeira de Barcarena. A quinta de Santo António da Mina pertencia ao vizinho Convento da Cartuxa e remonta ao século XVII, possuindo no seu interior belos painéis de azulejos.
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Já na zona residencial nova, a caminho de Caxias, o rio Tejo refulge lá em baixo e, mais longe, avista se o farol do Bugio à entrada da barra. Junto à urbanização da Quinta do Alto, com a vista ainda não totalmente tapada pelos edifícios, a minha atenção é desperta para uma insólita construção, estilo mourisco, que o dono, um goês, diz ser indiana; no quintal desta residência despertam a atenção um aviário estilo oriental e um painel de azulejos, que me diz reproduzir a casa onde nascera em Goa. (Notas de Viagem, 1997, 1998.01.26)
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Leião

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Leião é uma povoação com muitas vivendas em construção. Para ocidente avista se a Serra de Sintra, onde o sol se põe numa cintilante bola de fogo alaranjada. Nos arredores da povoação, bordejando a estrada, um chafariz com uma cruz e um pequeno tanque coberto, adjacente, para lavagem da roupa. Uma bomba de gasolina, da Repsol, desfeia a já de si incaracterística povoação, com uma modesta igreja com vasto adro e parque infantil adjacente. O centro de Leião é muito pequeno, pedonal, com algumas casas de aspecto rural. Lá se encontra a inevitável referência ao 5 de Outubro, desta feita um largo. (Notas de Viagem, 1997)
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Talaíde

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Talaíde estende se pelos municípios de Oeiras e Cascais. É uma povoação feia, dividida por uma ribeira e unida por uma ponte. Existem algumas casas de aspecto rural e a zona oeirense apresenta um aspecto mais novo e agradável. Relembrando tempos antigos, algumas casas denominam se de "casais" e as ruas têm nomes "significativos" como são os da Paz ®, da Fé ® e da Ribeira (R). (Notas de Viagem, 1997)
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Tercena

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Tercenaxe confina com Massamá. É uma povoação com um ar airoso e desafogado, no limite que separa os municípios de Oeiras e de Sintra. tem enormes edifícios e ruas arborizadas, sobressaindo umas construções pintadas de amarelo gritante, semelhantes a respiradouros de aqueduto, como o de Carnaxide. No relvado bordejando a rua deparamos com umas esculturas de pedra, representando troncos de árvores descarnados. A igreja de Santo António remonta ao século XVIII, possuindo no seu interior alguns painéis de azulejos. (Notas de Viagem, 1997)
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Carcavelos

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Feira de, às 5ªs. feiras, especializada na venda de vestuário, espalhado ao longo das ruas da povoação, deste modo animada na sua pacatez. (Notas de Viagem, 1997)
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Entre Cacilhas e Sassoeiros, na Estrada da Mina, fica o Bairro da Mina, do mesmo nome, incaracterístico. A mina é uma mãe de água, situada no Bairro da Mina (Carcavelos), entroncamento das ruas do Comércio e e da e do Marquês de Pombal. (Notas de viagem, 1998.01.27)
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Sassoeiros

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Perdido no meio dos prédios que "urbanizam" quintas como a do Marquês, da Bela Vista e das Palmeiras, no limite entre Oeiras e Carcavelos encontramos um "centro" com casinhas engraçadas, térreas. Trata se de Sassoeiros No cimo dum largo que afinal é beco (largo Cassano) encontra se uma casa reconstruída, com um pequeno alpendre avançado e águas furtadas. Persistem algumas casas rurais, uma delas no Canto Vilas Boas e outra no largo Vasco d'Orey. Este e o largo nobre, com o edifício duma enorme quinta num dos lados, defronte a uma casa de dois pisos, escadaria exterior e telhados de quatro águas. Aliás encontram se ainda várias casa com escadaria exterior. Na rua Júlio Silveira, que desemboca no largo Vasco d'Orey, encontra se um edifício de dois pisos, degradado, sede duma associação cultural que, pelo aspecto degradado, ou é muito fraca de dinheiro ou já está inactiva. Na mesma rua uma mercearia e um restaurante ocupam um edifício com portas enfeitadas com baixos relevos amarelos. Perto do supermercado do Pingo Doce está conservado o que resta duma antiga quinta, a da Serra, com capela privativa, que pertenceu ao Marquês de Pombal. (Notas de viagem, 1997 e 1998.01.27)
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1 - Este cinema, entretanto transformado em pardeeiro, foi demolido em 1998.
2 - Aqui se realiza mensalmente uma Feira de Velharias, que noutros dois domingos tem lugar em Oeiras e em Algés. (1998)
3 - Trata-se do Conde de Alcáçovas, que nos anos 90 o doou à Câmara. Conta a tradição que das suas varandas D. Manuel I assistia à passagem das naus para a Índia. O Palácio tem capela privativa e perto dele fica a capela do Senhor Jesus dos Navegante, outrora venerada por pescadores e mareantes. Com a edificação da nova igreja, de estilo moderno, este templo ficou transformado em, capela mortuária.
4 - A Festa do Senhor Jesus dos Navegantes, para além do arraial, inclui uma procissão que percorre as ruas da vila e a benção dos barcos (de pesca), tradição abandonada, retomada e de novo abandonada pois a pesca ... foi um ar que lhe deu! (1997.09.16)
5 - Porto Salvo fica a poucos quilómetros de Paço de Arcos, após a confusão actual dos acessos à autoestrada do Estoril. Povoação dormitório, tem de relevante a Igreja da Senhora de Porto Salvo, cabeço avistado por marinheiros perdidos, que aí edificaram uma capela, transformada em terra de peregrinação para gente ligada ao mar. O templo, do século XVIII, tem um alpendre e terreiro. No alpendre, ladeando a porta principal, dois painéis de azulejos, um dos quais destruído. No da direita conta-se a história dum moço cujos amos mandaram comprar vinho e que encontrou a mãe no caminho. Uma lápide regista o nome dos membros da Mesa que no início deste século mandaram construir o terreiro, em memória para o futuro, que perdura. Anualmente há as Festas de Porto Salvo, feira pobre no meio da selvazinha de betão (Notas de Viagem, 1997.08.16).
6 - Nome possivelmente derivado da antiga casa da Quinta da Costa ter sido ocupada pelo Sanatório Balnear Ana Maria Vale do Rio, doado em 1912 à Associação de Beneficência - A Junção do Bem.

1 comentário:

Maria, Simplesmente disse...

Pela primeira vez fiz uma viagem que gostei, na zona onde vivo há tantos anos.
Pois é, a falta dum gia leva a isto.
Abriu-me o apetite para me pôr a caminho e conhecer algumas zonas do município de Oeiras. As camionetas estão perto e vou mandar, mais uma vez D. Preguiça embora.
È uma questão do tempo aquecer um pouco mais, oe dias serem maiores, e tenho que conhecer, não digo tudo, mas alguns lugares que me despertaram a curiosidade.
Gostei desta viagem.
Bj
Maria