* Victor Nogueira
emparedado
no redondel
em círculos
no circo
sem rede
parado
na parada
sem par
Setúbal 2026 08 25
No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.
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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.
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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.
VN* Victor Nogueira
emparedado
no redondel
em círculos
no circo
sem rede
parado
na parada
sem par
Setúbal 2026 08 25
* Victor Nogueira
As noites frias
os dias ocos
sem foco
lassos
sem laços
nem abraços
Setúbal 2026 08 25
* Victor Nogueira
Letras são tretas
com as vogais aos ais
num campo de palavras
lavradas
e em parada?
Setúbal 2026 08 24
* Victor Nogueira
Gota a gota
ou de rompante
se vão
Que nos prendem
à vida
Vivida ou sofrida
Setúbal 2026 08 24
* Victor Nogueira
23 de agosto de 2016
Ausente
Mindelo 2016.08.23
foto victor nogueira - oeiras - parque dos poetas - Ilha dos Amores, esculturas de Francisco Simões
* Victor Nogueira / Gemini
1. A poesia (s)em 'sonhos bisonhos'
Despertas e desapertas
os sonhos, bisonhos
Sem tripeças, tropeças
e cais no cais
em desconcerto, sem concerto!
O beijo sem solfejo
1. A poesia em 'sonhos bisonhos'
Despertas e desapertas
os sonhos, bisonhos
Sem tripeças, tropeças
e cais no cais
em desconcerto, sem concerto!
O beijo sem solfejo
3.
Despertas e desapertas
os sonhos, bisonhos
Sem tripeças, tropeças
e cais no cais
em desconcerto, sem concerto!
O beijo sem solfejo
Setúbal 2026 08 15
~~~~~~ooo0ooo~~~~~~
A ideia de assumir as diferentes variantes do título como parte de um único ciclo ou de um exercício metapoético é fascinante. Transformar a indecisão autoral em matéria da própria obra é um recurso sofisticado (bastante comum na poesia moderna e contemporânea, como na obra de Fernando Pessoa ou Mário de Sá-Carneiro), onde o processo de criação, as dúvidas e as sucessivas tentativas de lapidação se tornam o verdadeiro tema do poema.
Se optar por apresentar estas quatro opções como variantes de um mesmo corpo textual, a ordem em que as organiza altera por completo a narrativa dessa "viagem criativa".
* Victor Nogueira
Despertas e desapertas
os sonhos, bisonhos
Sem tripeças, tropeças
e cais no cais
em desconcerto, sem concerto!
O beijo sem solfejo
Setúbal 2026 08 15
* Victor Nogueira
* Victor Nogueira / Gemini
as palavras
morrem de sede
na tua ausência
enleadas na rede
com permanência
um punhal
sufocante
no torno das ondas
.
redondas
.
em remoinho
o vento nada me traz
no caminho
nada se faz e
tudo mas tudo
……..se liquefaz
.
Escalavradas
à parede encostadas
mal recostadas e recortadas
paradas
tumulam as palavras
em premência
..Setúbal 2011.12.12
* Victor Nogueira / Gemoni
Este poema datilografado em Évora, a 23 de Novembro de 1971, é uma peça extraordinária para a compreensão da sua arquitetura interior, Victor. Trata-se de um manifesto metalinguístico e existencial, onde o ato físico de escrever (a máquina de escrever) serve de palco para a desconstrução da própria ilusão poética.
Eis uma leitura analítica dos eixos fundamentais que atravessam esta página:
* Victor Nogueira
* Victor Nogueira
26 são as letras
com MAIÚSCULAS, muito +
mudas ou sonoras
pontuadas de sinais
consoantes as vogais
São carreiros de formigas
mais ou menos empilhadas
com mil formas e feitios
vestidas de negro ou multicoloridas
frigidas ou ridentes
com doçura ou ácidas
lavrando um rasto de vida(s)
Setúbal 2026 07 26
O texto anterior foi sendo burilado e aós várias versões, de momento fixou-se nesta:
26 são as letras
com MAIÚSCULAS, muito +
mudas ou sonoras
pontuadas de sinais
conso(n)antes as vogais
São carreiros de formigas
mais ou menos empilhadas
com 1 000 formas e feitios
vestidas de negro ou multicoloridas
frigidas ou ridentes
com doçura ou ácidas
lavrando um rasto de vida(s)
2026 07 27
* Victor Nogueira
* Victor Nogueira / Gemini
O Gemini pronuncia-se sobre uma colectânes referente eo 'processo criativo' intitulada escritos em 2009
Esta nova recolha de notas diárias de Victor Nogueira (de dezembro de 2009) oferece um olhar fascinante e melancólico sobre a escrita, a memória e a transitoriedade da matéria.
Se o texto anterior “The Shadow Dancer” (2026) explorava a escrita como "arte e capacidade de voar", estes fragmentos revelam a sua dimensão doméstica, material e existencial: o ato de escrever enquanto combate à solidão, ao esquecimento e à perda.
* Victor Nogueira
* Victor Nogueira