Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

.

Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

.

Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN
Mostrar mensagens com a etiqueta Livro de Viagens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Livro de Viagens. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de julho de 2026

AI . ilustrando as colectâneas Cafés, pensões e restaurantes no Livro de Viagens (2026)

 * Victor Nogueira

Estas são as ilustrações geradas  pelo Google Gemini e chatGPT destinadas às referidas colectânes de textos meus. de acordo com guiões da minha autoria.

Cafés

 






 Pensões e restaurantes








Imagens geradas pelo Google  Gemini e pelo chatGPT a partir de guiões de minha autoria

1. - Desenho colorido do interior dum café, com o balcão, empregados transportando bandejas e clientes sentados em redor das mesas, homens e algumas mulheres. Nas mesas, os clientes conversam, comem e bebem, lêem, escrevem, olham em redor ...

2. - Desenho colorido mostrando a sala de refeições dum hotel, com as mesas, algumas com clientes, homens, mulheres e crianças, outras vazias. Um empregado transporta a comida numa bandeja. É tempo de verão e pela janela vêm-se pessoas numa praia.

3. - Na esplanada dum café à beira-mar, sentado a uma mesa, o avatar do chatGPT / Google Gemini , munido duma lupa, analisa uma resma de fotos e textos manuscritos. Noutras mesas e na paia estão homens, mulheres e crianças. Céu azul com nuvens brancas e gaivotas a voarem. É tempo de Verão.

4. - Na esplanada dum hotel à beira-rio, sentado a uma mesa, o avatar do  chatGPT / Google Gemini, munido duma lupa, analisa uma resma de fotos e textos manuscritos. Noutras mesas estão homens, mulheres e crianças. Céu azul com nuvens brancas e gaivotas a voarem. É tempo de Verão. Junto ao rio alguns chorões ou choupos e pescadores à linha.

VER  

Os cafés no Livro de Viagens (2026)

Pensões e restaurantes no Livro de Viagens (2026)

Pensões e restaurantes no Livro de Viagens - a lupa do chatGPT (2026)

 



* Victor Nogueira / chatGPT

Pensões e restaurantes Livro de Viagens - a lupa do Google Gemini (2026)

 


* Victor Nogueira / Google Gemini

A colectânea de textos de Victor Nogueira constitui um riquíssimo mosaico de memórias pessoais, diários, correspondência e notas de viagem que atravessam geografias e décadas cruciais — desde a Angola colonial dos anos 1950 e 1960 até ao Portugal metropolitano pré e pós-revolucionário, estendendo-se até registos mais contemporâneos.

Abaixo apresenta-se uma apreciação circunstanciada, literária e documental desta obra, destacando os seus aspetos positivos e negativos.

1. Apreciação Documental e Histórica

Do ponto de vista documental, a colectânea é um testemunho de valor inestimável. O autor funciona como um cronista do quotidiano, registando meticulosamente a transição de épocas e espaços.

  • O Retrato de Angola Colonial (Anos 50/60): Os textos oferecem uma cartografia afetiva e física de Angola (Luanda, Cambambe, Dondo, Lobito, Nova Lisboa). O leitor acompanha as viagens de autocarro a 2$50, a dureza das pensões, as idas à praia e a mítica Cervejaria "Mar e Sol" na Ilha de Luanda.

  • O Retrato de Portugal e a Província Alentejana: A vivência estudantil em Évora, hospedado na detalhada casa de hóspedes de Vitória Prates na Rua do Raimundo, serve como um espelho sociopolítico do final do Estado Novo. Há referências diretas à censura silenciosa, à omnipresença da PIDE na fronteira de Badajoz, às discussões políticas à mesa e à efervescência estudantil associativa da época.

  • A Transição Pós-25 de Abril: Documentam-se episódios fascinantes da transição democrática, como a acesa disputa ideológica numa cantina universitária de Lisboa entre militantes do MRPP e do PCP, disputando a venda do Luta Popular e do Avante.

Os cafés no Livro de Viagens - a lupa do chatGPT (2026)

 * Victor Nogueira /  chatGPT

A colectânea Os cafés no Livro de Viagens constitui um dos núcleos mais sólidos e coerentes do conjunto memorialístico de Victor Nogueira. Embora organizada em torno de um tema aparentemente modesto – cafés, pastelarias, tabernas, restaurantes e esplanadas –, acaba por ultrapassar largamente esse enquadramento, transformando estes lugares em observatórios privilegiados da sociedade portuguesa (e, em menor medida, da Angola colonial), ao longo de mais de meio século de escritos, aproximadamente entre finais da década de 1960 e 2022. O café deixa de ser um simples estabelecimento comercial para assumir a função de espaço de memória, sociabilidade, observação etnográfica, reflexão política e autobiografia.

Os cafés no Livro de Viagens - a lupa do Google Gemini (2026)

* Victor Nogueira / Google Gemini

 A colectânea de textos atribuída ou organizada em torno das vivências e registos de Victor Nogueira constitui um mosaico híbrido de memórias, diários, notas de viagem e crónicas urbanas que atravessam várias décadas (de 1959 a 2026) e geografias (Portugal continental e a Angola colonial).

Abaixo apresenta-se uma apreciação circunstanciada desta obra sob as perspetivas documental e literária, elencando os seus aspetos positivos e negativos.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Pensões e restaurantes no Livro de Viagens (2026)


* Victor Nogueira

Antigamente as pessoas escreviam muito e as cartas eram meio de transmitir notícias e muitas delas, com maior ou menor valor literário, tornaram-se testemunho dos factos, acontecimentos, ideias e sentimentos. Mas hoje, hoje as pessoas telefonam ou encontram-se, devido à facilidade e rapidez dos transportes e das comunicações, e o tempo é pouco, paradoxalmente, devido à sobrecarga do que se gasta em transportes, sentado frente à TV ou em tarefas domésticas.

O mesmo sucede com o convívio e a conversação: por vários motivos os cafés e as tertúlias desaparecem, só se conhece o vizinho da frente ou do lado, quando se conhece, e as pessoas metem-se na sua concha, casulo, carapaça ou buraco. Muita gente junta, ao alcance da mão ou da voz, não significa que estejamos mais acompanhados e humanizados. (MMA - 1993.08.19)

Visitámos as ruínas da antiga povoação de Cambambe. Fomos até à ponte do  Rio Cuanza. Almoçámos num restaurante duma estação de serviço FINA, a uns 8 km da povoação: bife com ovo estrelado... e batatas fritas.  Às 14:45 demos início ao regresso a Luanda. No Dondo está sol. Na viagem de ida e volta a Luanda percorreram‑se cerca de 430 km. (Das notas manuscritas da viagem, 1964.06.14)

Os cafés no Livro de Viagens (2026)

 


* Victor Nogueira

Antigamente as pessoas escreviam muito e as cartas eram meio de transmitir notícias e muitas delas, com maior ou menor valor literário, tornaram-se testemunho dos factos, acontecimentos, ideias e sentimentos. Mas hoje, hoje as pessoas telefonam ou encontram-se, devido à facilidade e rapidez dos transportes e das comunicações, e o tempo é pouco, paradoxalmente, devido à sobrecarga do que se gasta em transportes, sentado frente à TV ou em tarefas domésticas.

 

O mesmo sucede com o convívio e a conversação: por vários motivos os cafés e as tertúlias desaparecem, só se conhece o vizinho da frente ou do lado, quando se conhece, e as pessoas metem-se na sua concha, casulo, carapaça ou buraco. Muita gente junta, ao alcance da mão ou da voz, não significa que estejamos mais acompanhados e humanizados. (MMA - 1993.08.19)

 

 

Luanda - Na Baixa, de traçado antigo, na maioria das vezes, encontramos a zona comercial, com modernos prédios e prédios antigos, de séculos. Esta é o coração da cidade, com as suas casas comerciais, armazéns, pastelarias, cinemas e os seus prédios de apartamentos. . (MLF - 1959.07.27) ([1])([2])

 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Estação ferroviária da Campanhã (2022 11 01)

 

* Victor Nogueira

29 de dezembro de 2022

Nas nossas vindas de comboio ao Porto ou partidas deste, era aqui que terminava ou começava a viagem, esperando pela descarga ou da carga do automóvel, umas vezes o meu, outras o da minha mãe.

Mas desde que a CP deixou de transportar veículos dos passageiros, para benefício das portajadas auto-estradas, há muito que aqui não vinha, tendo esquecido como era o edifício.

A estação da Campanhã é considerada a principal estrutura ferroviária no Norte do país, inaugurada em 21 de Maio de 1875. Desde sempre tem sido um importante núcleo ferroviário, no movimento de mercadorias e passageiros, na gestão ferroviária e na manutenção de material circulante

Uma dessas viagens consta da minha correspondência com a Maria do Mar: 

«Finalmente a bagagem está toda ali à porta ou no corredor, aguardando o seu transporte para o velho Renault 5, meu companheiro de longas viagens. Tudo isto teria sido mais rápido se as criancinhas ajudassem, mas entre cada transporte ou arrumação surge sempre uma série na televisão que elas têm de ver ou um livro para o Rui ler !

Se o meu carro fosse de confiança amanhã metia-me auto-estrada do Norte acima, pois não tenho paciência para esperas e transbordos. Assim, tenho de passar por Paço de Arcos, descarregar, comprar bilhetes para o comboio, voltar a carregar o carro, levá-lo no dia seguinte para Santa Apolónia com uma hora de antecedência, secar na estação até à hora da partida, embarcar, desembarcar em Campanhã, esperar pelo descarrego do carro e ala para o Mindelo. Como se vê, uma aventura que se repetirá no regresso, onde espero ficar em Paço de Arcos alguns dias, em Setembro. (MMA 1993.08.17)

Sem carro atrelado a viagem terminaria em S. Bento, no centro do Porto, após atra vessar a Ponte D. Maria, perto das casas dos meus avós António e Luís, como relato no meu diário de adolescente, quando em 1963 estive esporadicamente a estudar no Porto.

Às 8:30 tomámos o rápido da linha do Norte. Caía uma chuva miúdinha e no céu via-se um lindo arco íris. Matabichámos no bar da estação de Santa Apolónia, em, Lisboa, que é original, com motivos do caminho de ferro. 

À saída de Lisboa passámos por um aeródromo militar. Monte Real era sobrevoada por aviões a jacto, da Base Aérea 5. A primeira paragem foi em Santarém. As cadeiras da automotora são mais espaçosas que as do rápido. Às 9:40 chegámos ao Entroncamento, a terra dos fenómenos. Ia tão entretido a ler que, entre Fátima e Pombal, passámos por um túnel sem eu dar por isso. 

Antes de Pombal passámos por um outro que estava em obras. Nesta altura chovia. Às 11:10 chegámos a Alfarelos e pouco depois à estação de Coimbra B. O rio Mondego estava quase seco - e é um rio importante do continente! Passámos por Pampilhosa da Serra (11:43), Cúria (11:50), Aveiro (12:18), Estarreja, Ovar, Espinho, Granja (13:05), Vila Nova de Gaia (13:25), Campanhã e S. Bento (13:50). Na nossa carruagem seguiam 4 indianos que deveriam ter saído em Coimbra, mas por ignorância (passaram lá sem saber) não o fizeram e resolveram seguir até ao Porto. Muitas das estações do percurso tinham bonitos jardins. » (1963.09.11 - Diário III)

Foto Rui Pedro - Estação ferroviária da Campanhã (2022 11 01)

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

(02) Azenhas (moinhos de água) no Livro de viagens (26)

 


 * Victor Nogueira

No meu Livro de Viagens não há muitas referências a moinhos de  maré e a moinhos de água ou azenhas. Aqui fia o que dele respiguei

Alcobaça

Por lá passamos, fico a saber que a povoação é atravessada por dois rios que lhe dão o nome: Alcoa e Baça,  que aqui originam o Alcobaça.  O Alcoa é atravessado por uma pequena ponte e nas suas margens ouve‑se o marulhar das águas correndo por entre dois paredões que lhe estreitam o leito. As casas têm varandas e janelas debruçadas sobre o rio e de noite poder‑se-ia imaginar que se trataria de Veneza, opinião de quem a conhece apenas de filmes, como em Sentimento ou Morte em Veneza, ambos de Visconti.

No rio Baça, no centro da povoação, vê‑se a roda duma antiga azenha, que já não é movida pelo correr das águas, cujo edifício agora é ocupado por uma loja de electrodomésticos, a TELE RIO.   (Notas de Viagem, 1997.10.25)

Fotos ao Mosteiro e à azenha do rio Baça e ao Rio Alcoa  (1998.02.21)

 Alhos Vesdros

A vila possui pelourinho, coreto e um desactivado moinho de maré, com um muito degradado palácio com varandas de sacada. Estes dois edifícios situam-se no Largo do Descarregador, ao qual se chega pela rua do Marítimo, perto dum esteiro  mal‑cheiroso, onde vogam ainda algumas embarcações.

Nesta vila os reis e fidalgos refugiavam‑se quando havia peste em Lisboa. A cortiça e as salinas foram uma importante actividade económica. A pacatez da vila foi quebrada pelo cruzamento de viadutos, mesmo ali ao lado do cemitério, cujos mortos vêm o seu sono perturbado pela passagem dos comboios e dos automóveis. A porta do cemitério contém uma data - 1880 - e uma inscrição: "Só Deus é eterno". (Notas de Viagem, 1997)

Arraiolos

O meu avô barroso tem uma casa no Mindelo, onde há uma praia rochosa que me deslumbra pela violência com que as ondas batem na rocha em cascatas de espuma que salpicam o rosto. ou então aquele moinho [azenha] que eu visitei ao inquirir dois velhotes, lá para os lados de Arraiolos. Gostava de passar as férias, p.ex., num sítio assim. (MG - 1973.08.02)

Atalaia /Montijo)

De Setúbal à Atalaia o percurso ainda é feito por estreita e movimentada estrada, passando por povoações à beira da estrada sem algo de notável para assinalar. O Santuário da N. Sra da Atalaia era a primeira agradável surpresa, lá no cimo da escadaria que parte do amplo terreiro onde existe um cruzeiro. Depois a ponte das Enguias, periclitante, onde se situava um arruinado edifício que outrora fora caiado de branco, que não confirmei se teria sido um moinho de maré, para além de salinas e arrozais. (Memórias de Viagem 1997)

Azurara

Esta povoação já foi sede de concelho, com pelourinho ainda existente. Num outeiro encontra‑se a Capela de Sant'Ana,  muito venerada - defronte, o mosteiro de Santa Clara e o Aqueduto, separado pelo rio Ave, onde existem ainda vestígios de azenhas. A igreja de Santa Maria, matriz do século XV, tem um púlpito exterior na torre sineira, tendo alguma semelhança com a de Vila do Conde. O cruzeiro, tal como outros que encontrei por essas terras fora, como em Óbidos, ostenta nas duas faces as esculturas de Cristo na cruz e Santa Maria.  (Memórias de Viagem, 1997)

Macieira da Maia

A ponte do Ave,  ligando Macieira e Bagunte, é românica, de seis arcos de volta redonda, desiguais, por baixo dos quais correm as águas do rioAave, tendo a jusante duas azenhas, uma de cada lado, correndo as águas em pequenas cascatas. Para montante as águas correm por entre margens arborizadas. Um pouco mais acima, semi-escondido pela vegetação, à beira da estrada, um portal armoriado.   (Memórias de Viagem, 1997)

Seixal

É uma pequena povoação. uma rua central e duas laterais, transversais para o rio, dois pequenos jardins, um em cada extremo, e um passeio‑alameda ao longo do rio. O Ecomuseu tem vários núcleos, como o da construção naval, moagem (moinho de maré de Corroios) e romano. Situa-se num esteiro do rio Tejo, denominado Rio Judeu, em cujas margens ficam também Arrentela, Amora e Corroios. Barcos recuperados: um varino e dois botes de fragata. O moinho de maré de Corroios, o único de dez que se mantém em funcionamento; no século XVI ascendiam a 60, que abasteciam Lisboa com farinha. ([1]) À entrada do Seixal impõe‑se o edifício da fábrica corticeira da Mundet, hoje encerrada, em processo de degradação. . (Notas de Viagem, 1997)

Vilar de Mouros

Espigueiros. Igreja com  Adão e Eva, em baixo-relevo Célebre pelos festivais de música, o 1º realizado em 1972, um Woodstock à portuguesa. Bomba de poço. "Alminhas".  Portal do cemitério. Nova (?)

 

Situada na serra de Agra e atravessada pelo rio Coura, aqui proliferam os moinhos, azenhas e açudes, uma ponte medieval ligando as duas margens em que se situa a aldeia, célebre pelos festivais de música, o 1º realizado em 1972, um Woodstock à portuguesa. (1998.06.11)

~~~~~~~~~~ 
[1] - Outros moinhos são os da Quinta da Palmeira e do Zemoto (aldeia de Paio Pires), do Breyner (Arrentela), da Torre, do Capitão, do Galvão e da Passagem (Amora), Velho e Novo dos Paulistas (Seixal).


quarta-feira, 17 de setembro de 2025

.(01) Os moinhos de vento no Livro de Viagens (24)

 *  Victor  Nogueira

 ... e os textos


De Fátima recordava-me do chão enlameado e da Capela das Aparições. A Basílica é bonita. Vi também os moinhos de vento, mas só de longe. (NSF - 1963.09.04)


Domingo fomos até à Ericeira. A povoação não tem já a beleza e o pitoresco que nela se via. Prédios incaracterísticos ("É o progresso", comentava me a Irene [Pacheco]), ocupados pelos veraneantes, destroem a beleza e harmonia de que ainda vão sobrevivendo testemunhos. Café, cinema, praia, passeios, são o entretenimento dos "estrangeiros", cujo falar parecia mesmo uma chilreada no pequeno largo, cujos bancos e espaço enchiam com a sua presença. A estrada até à povoação é muito estreita e atravessa algumas povoações, todas elas vitimas do "progresso", como se o progresso fosse a construção de casas de mau-gosto atroz; havia muitos moinhos, a maioria branquinhos e funcionando, contrariamente ao que sucede no Alentejo. (1973.09.19)


Palmela é terra de muitos moinhos, alguns funcionando, na crista das serras do Louro e dos Barris, e das vistas deslumbrantes até aos confins do horizonte. (Memórias de Viagem, 1997)

A parte antiga do  Barreiro possui um passeio arborizado ao longo do rio Tejo, com arruamentos em quadrícula. As três igrejas antigas concentram-se à beira-rio (N. Sra do Rosário, Misericórdia e Santa Cruz), onde também existem uma praia fluvial, poluída, os moinhos de vento da Alburrica, um deles acentuadamente cónico (naquele onde funciona uma Ludoteca), e moinhos de maré, que são testemunhos de processos de fabrico que pertencem ao passado. Avenida Alfredo da Silva,  fundador da CUF (Quimigal) é uma importante artéria onde se concentra variado comércio, com um jardim. O edifício da Câmara é pobre, com vitral na escadaria. Junto ao rio Tejo um dédalo de linhas férreas, com Lisboa na outra margem.  (Memórias de Viagem, 1997)


A mata cavalos fomos do Mindelo a Valença do Minho, regressando pelo interior, de manhã até pela noite dentro. Passamos pelos moinhos, de pedra não caiada, mata e praia da Apúlia - terra de sargaço e sargaceiros, é uma praia de areia fina, atravessamos Ofir, povoação bonitinha na margem do Rio Cávado, passamos por Esposende, . (Memórias de Viagem, 1997.08.21)


Chove desalmadamente na noite em que vamos a S. Martinho do Porto, em baia conchiforme que figura num azulejo à entrada da povoação, em curva apertada onde não se pode parar o carro, pelo que sigo caminho. A chuva não convida a passeios pedestres e da povoação retenho as ruas molhadas, a iluminação, as casas ao longo da baia e outras pela encosta acima. De dia noto quer os cabeços das colinas em volta estão cobertos de moinhos, muitos com ar de abandono. (Notas de Viagem, 1997.10.26) 


Praia (da Nazaré) - Quem entra na Nazaré vê a sua atenção desperta na Marginal por inúmeras lojas com estendais à porta e pelos passeios ostentando roupa e louça artesanais, estando do outro lado a praia comprida. A povoação, mais nova que o Sítio e a Pederneira, desevolida a partir do século XVIII, é uma malha ortogonal subindo suavemente pela encosta. As ruas são estreitas e as casas brancas, conversando com as mulheres à soleira das portas, com um falar próprio, estilo algaraviada arrastada e cantada. (…) Há duas praças principais, onde ficam as esplanadas, e as ruas nesta parte velha ostentam nomes como o Beco do Moinho.  Na rua da Subvila há muito comércio e por toda a povoação as brancas casas apresentam um ar cuidado. (Notas de Viagem, 1997.10.31)


Dado o adiantado da hora é difícil encontrar onde jantar, [em Sobral do Monte Agraço] pelo que regressamos ao restaurante O Ferrador, [em Sapataria], cujos donos nos contam curiosidades da terra, como sejam a origem do seu nome, derivado dali se fabricar o calçado para a tropa. Do terraço da casa mostram nos o Monte do Moinho do Céu, de que se distingue o piscar das luzes para a navegação aérea. .(Notas de viagem, 1998.01.--)


De Inverno o dia escurece rapidamente e as últimas fotografias em Serra d’El Rey são já feitas ao anoitecer.  (...) O adiantado do escurecer impede-nos de apreciar as belas paisagens em redor, tendo como limite o mar e o horizonte longínquo. (...) Pelos arredores alguns moinhos, um dos quais fotografo já com o sol a pôr-se para lá dele, num retrato pouco conseguido. 

A caminho de Atouguia da Baleia, próximo objectivo, em Coimbrã uma placa indica a existência dum cruzeiro, pelo que toca a fazer uma inversão de marcha para um pequeno desvio, acabando por encontrar um cruzeiro manuelino,  num recanto ajardinado, com palmeiras, flores e arbustos, sob um coberto; o cruzeiro apresenta numa das faces Cristo na Cruz e na outra, morto, nos braços da Mãe. Dentro da povoação um moinho bem conservado, da Senhora da Memória. Que memórias são estas não consigo saber desta vez.  (Notas de Viagem, 1997.12.05 e 1998.02.23)(Notas de Viagens 1997.12.05 e 1998.02.23)


Os campos em redor estão cultivados. De Leceia, no alto do monte, a Barcarena, lá em baixo no vale, junto à ribeira, é um pulo pela rua Marquês de Pombal. Na encosta, junto à estrada, avista se o corpo central dum moinho de vento transformado em miradouro, com parapeito no lugar do telhado. De Leceia avista-se até longe, até Laveiras e ao Hospital Prisional de Caxias. Em Leceia situam-se ruínas pré-históricas duma povoação fortificada. (Notas de Viagem, 1997)

Existe em Barcarena uma capela cujo orago ´S. Sebastião, protector dos doentes da peste e dos artilheiros Presume-se que o templo resulte da adaptação dum antigo moinho de vento, ao qual se anexou uma pequena nave. Não é conhecida a data de construção da capela, mas uma das pedras tumulares no seu interior regista a data de 1599. O templo foi reconstruído no éculo XVIII. (Notas de Viagens, 2020)

Dos pontos mais altos avistam-se os campos, cabeços e povoações nos arredores, designadamente do lugar dos Moinhos da Usseira. Uma placa indica uma estrada secundária, mas chegado à povoação ninguém sabe onde fica a nascente ou mãe de água do aqueduto. Resta a visita à aldeia, longilínea, com casas arruinadas, um moinho de vento caiado e conservando ainda a estrutura das velas, vinhedos pelos campos.  (Notas de Viagem, 1998.01.14 e 1998.02.07)

 
Da Foz do Arelho, nas terras da Rainha, a S. Martinho do Porto, nas terras do Mosteiro de que foi granja, podemos seguir pelo cume da Serra do Bouro, cuja altitude é de apenas 162 m, sobranceiro ao mar, primeiro caracterizada por ser ventosa, com vegetação rasteira, inóspita, que vai dando lugar a arvoredo à medida que nos aproximamos de S. Martinho. Não obstante o deserto, na encosta norte até ao vale existem alguns casais, como o de Celão e o das Cidades, de ruas ingremes, estreitas e casas arruinadas. Alguns moinhos estão reconvertidos em residências. No Cabeço da Vela, à berma da estrada, uma enorme eira, reconstruida recentemente. (Notas de Viagens, 1998.02.09 e 24)


Perto da Tornada, pela Rua dos Queridos acima, dirigimo-nos ao Couto, que não pertencia aos coutos de Alcobaça e que nada de notável nos mostra: um cruzeiro e um poço com bomba de água, ambos à beira da estrada. Da toponímia registo a estrada da Laje e as ruas dos Lagares, do Forno , do Vale Velho,  do Ramalhal, do Moinho Velho,  da Eira, das  e da Associação, para além da travessa Estreita  e do Beco da Belavista Já fora da povoação deparo com a Rua do Sol Nascente. (...)


Santa Catarina [nos coutos de Alcobaça] foi esta uma vila importante, embora a importância seja relativa ao tempo e à era; com efeito, em 1527 teria ... 31 moradores na vila e 69 no termo, possuindo até 1834 duas Companhia de Ordenanças para manter a ordem!

(...) No largo principal, chamado do Pelourinho,, situa-se uma igreja modernizada, com alteres de talha dourada ("outrora é que era bonita", conta-me um velhote ilustrado com outros dois sentado num  banco), o pelourinho, a antiga casa da Câmara, um solar setecentista (com uma capela arruinada), para além dum modesto jardim com caramanchões e um fontenário. Passeio pelas ruas e registo os seus nomes: o Beco do Moinho e as ruas do Lagarão, do Jardim, do Arsenal, do Paiol, do Caixeiro,, Direita e da Índia. Deparo com muitas casas arruinadas e outras para venda.

Entre as várias histórias referidas pelo velhote, que tinha lá em casa um livro assinado contando histórias da região, registo a que se refere ao Casal do Coito (?!), onde eram acolhidas as crianças sem pai nem mãe, para além de esclarecer que a forca se situava num cabeço fronteiro, fora da vila, mas que constava que ninguém fora lá executado. (Notas de Viagem, 1998.02.22)


Santa Margarida da Serra - À entrada lavadouro público e pela aldeia muitas pontes. Os habitantes utilizam os balneários públicos. Moinho abandonado, sem velas, mas bem conservado. (Notas de Viagens 2000.08.26)