* Victor Nogueira
Num Carnaval pegado andamos quase todos nóe e deve ser por isso, para não rebentarmos de alegria, que esCavaco tentou e passes de coelho (quase) conseguiu ... proibir o feriado, com prejuízo para os festejos e para a economia dos municípios.
Esta gente do porrete e do escavaco nem válvulas de escape permite, tudo de castigo, por andarem a gastar acima das posses - coitadinha da banca e dos milionários - vá, a crise é grande, é preciso "trabucar", reanimar as exportações, tudo na miséria, nada de economias e folguedos de carnaval - tudo de cinzas coberto deve ficar para maior glória do grã-cifrão.
Nunca apreciei o Carnaval que era tema de redacções do estilo O Carnaval, A Primavera ou "Que queres ser quando fores grande" Não me recordo de alguma vez ter-me mascarado, quanto muito apenas uma caraça. Nas redações lá vinha a inevitável referência "à carne a vala", da folia que antecedia a quaresma das cinzas até à 6ª Feira Santa - em que se não podia ouvir música, antes meditar na Paixão e Morte de Cristo, Nosso Senhor que ressuscitaria em grande no Domingo de Páscoa, aquele em que pelo menos uma vez no ano se devia comungar.
Mas retornando ao Carnaval, sempre me causou uma certa perplexidade que em Portugal, sociedade machista de pegas, toiros, engates e mulheres submissas ao estilo faduncho do "!Não Venhas Tarde", de Carlos Ramos, homens pretensamente másculos se disfarçassem de mulher. Do que recordo do Carnaval são as criancinhas mascaradas e das brincadeiras estúpidas e de mau-gosto, como atirar farinha, ovos ou urina para cima dos transeuntes. Farinha que em Luanda tb se lançava na rua ou para dentro dos automóveis, obrigando-nos a fecha os vidros e trancar as portas Em Luanda havia tb corsos carnavalescos indígenas, animados e multicolores, que foram proibidos após o início da guerra colonial em 1961.
Aqui há uns anos ao deambular por Oeiras com uma amiga minha, o passeio terminou inesperadamente com o arremesso por pretensos foliões de ovos que a deixaram a escorrer pela cara e fato claras e gemas. Enfim ....
Embora os houvesse, não me lembro de haver corsos carnavalescos em Portugal antes do 25 de Abril como hoje existem, uma caricata e tola imitação do Brasil, onde nesta altura está sol e faz calor - como em Luanda, enquanto que em Portugal está frio e muitas vezes chove, obrigando as "corsantes" quase despidas a tiritarem e baterem os dentes.
Querer transpor para o inverno festejos como se no trópico sul estivéssemos é aquilo a que se poderá chamar uma mera "macaquice de imitação"
Na foto do Centro de Informação e Turismo de Angola, dos anos 60 do passado milénio - Carnaval em Luanda
2014 Março 01
