Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

.

Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

.

Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Victor Nogueira - ESCRITicAS


Todo o filme é uma construção irreal do real e isto tanto mais quanto mais "real" o cinema parecer. Por paradoxal que seja! Todo o filme, como toda a obra humana, tem significados vários, podendo ser objecto de várias leituras. O filme, como toda a realidade, não tem um único significado, antes vários, conforme quem o tenta compreender. Tal compreensão depende da experiência de cada um. É do concurso de várias experiências, das várias leituras (dum filme ou, mais amplamente, do real) que permite ter deles uma compreensão ou percepção, de serem (tendencialmente) tal qual são. (excerto do Boletim do Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Janeiro 1973)
Gostei de ver o filme (documentário) "Deserto Maravilhoso" de Walt Disney, mas houve algumas cenas que não percebi. O filme tratava da luta pela vida no Deserto da Califórnia. (1957.04.22)
Fui ao cine Restauração ver o filme "Parada Imperial"
Na Áustria ,quando chegou a Primavera, os jovens de uma aldeia vão a uma feira. Uma das jovens tira um papel da "sorte", que dizia que em Viena havia de encontrar dois jovens, um barão e um artista, e havia de fazer a felicidade de uma parente sua.
Na primeira noite que esteve em Viena foi a um baile, involuntariamente, onde dançou com um príncipe. Um barão que se tinha enamorado dela, quando viu o lenço real que ela tinha na mão, pensou que ela era uma condessa, mas ela é uma simples camponesa.
Ela foi levada a casa ás 5 horas da manhã.
No dia seguinte ele foi ao palacete duma condessa que morava defronte da casa dela, pensando que era nele que morava a camponesa que ele supunha condessa. Ele pede a em casamento, o que lhe é concedido. Entretanto um soldado apaixona se pela camponesa e ela por ele.
Num domingo o Regimento de Infantaria nº 4, onde estava o tal soldado, tem licença para ir para onde quiser menos para os locais onde houvesse música, mas todos foram para um deles.
Lá o Will, o rapaz, compôs uma música para o regimento dele, que é logo executada por todos os de Infantaria nº 4. A rapariga, desejando torná lo célebre, mete a música dentro dum dos pães que o imperador havia de comer, pois a tia dela era a dona da padaria que fornecia a corte. O Imperador achou graça áquele expediente mas a Chancelaria, sem ordem do Imperador, mudou de padaria.
A rapariga, triste por ter arruinado a tia, foi falar ao Imperador e ele nomeou a padaria fornecedora da Corte e mandou publicar a música composta pelo Will, que assim se tornou célebre e passa a ser oficial em vez de "tambor".
A camponesa casou com o Will, a tia dela com o Conselheiro da Corte e o barão com a condessa.
Gostei do filme, que aqui não está muito bem contado. O filme era em Agfacolor. Género: cómico. (1958.10.11 - Diário I)
Fui ao cine Restauração ver o filme "Planeta Proibido".(1) [em Cinemascope, colorido por Eastmancolor. Este filme é uma antecipação científica das viagens dos homens aos outros planetas. (1958.10.25 - Diário I] Os documentários foram dois: "Nova Zelândia" e "Vila Marechal Carmona".
Um disco voador vai em direcção ao planeta "Atlas 4", á procura dos sobreviventes dum disco que 20 anos atrás havia ali aterrado.
Quando iam para aterrar ouviu se no rádio uma voz que os proibia de aterrarem. O comandante aterrou e eis que aparece um autómato que conduz um estranho carro. O comandante, o imediato e o médico entram no carro, que os conduz a casa do único sobrevivente da catástrofe que 20 anos atrás havia acontecido.
Eles comem em casa do sobrevivente e eis que de repente aparece a filha do académico, que era o sobrevivente. Toda a tripulação ficou como que enlouquecida, pois havia mais de um ano que eles navegavam no espaço, por ver aquela beldade.
O académico disse para eles sairem do planeta, pois não estava para enterrá los, como tinha feito aos sobreviventes do disco, por eles não terem resistido áquele planeta. Eles ficam e então o académico mostra lhes um dos laboratórios dos Kels, um povo que dois mil anos antes havia habitado aquele planeta.
Uma noite um dos tripulantes foi assassinado misteriosamente e o disco voador sabotado. O comandante foi falar com o académico e ele disse lhe para ele e os seus subornados partirem daquele planeta, pois a tripulação inteira seria massacrada se ele se não fosse embora.
O comandante ficou e nessa noite o disco foi atacado por um monstro invisível, que matou 4 dos tripulantes. Então o comandante resolveu salvar o académico e a filha dele, a Alta, de quem gostava. O académico não quer ir dali para fora e diz que a filha e ele estavam imunizados, mas a filha já não estava pois amava o comandante.
Nisto o monstro aparece e o académico consegue fechar as portas de aço que circundavam a moradia dele. O monstro fura a parede e os dois homens e a rapariga fogem para o laboratório dos Kels, cuja entrada é fechada por uma porta de ferro que resiste aos raios das pistolas atómicas mas não ao monstro.
Já tudo se considerava perdido quando o académico renegou o monstro, pois este não era outro senão o subconsciente dele, e carrega num botão. Diz então para que ele e a sua tripulação, a partir do momento em que carregara no botão, estejam a milhares de quilómetros daquele planeta. Pouco depois de dizer isto expirou.
O comandante, a rapariga e a tripulação voltam à Terra. Naquele planeta, que tinha explodido 24 horas depois do académico ter carregado no botão, haviam ficado as sepulturas dos tripulantes do disco voador que 20 anos antes havia ali aterrado e as de 6 tripulantes do disco que ia para a Terra. Dessas seis sepulturas, uma era do imediato, outra do médico e as outras quatro de quatro tripulantes.
Este filme fazia me suspense, tamanhos eram os perigos. (1958.10.26 - Diário I)
Fui ver o filme "O Homem do Dia", no cine Restauração. É o primeiro filme português que eu vejo em Magnascope.
Alves Barbosa, o grande ciclista português, vai em 1º lugar. Lá longe, na sua terra, a noiva chora de comoção ao saber que ele vai em 1º lugar. O 2º classificado fá lo sair da pista e o Alves Barbosa fica gravemente ferido. Felizmente os médicos conseguem tirá lo ás garras da morte.
Então ele resolve ir á França, para concorrer á Volta á França em Bicicleta.
Antes de ir casa se. Mas o ciclista que o tinha feito despistar se e que o odiava comete um assalto á própria fábrica onde trabalhavam. As provas são contra o Alves Barbosa, que é preso, no meio da festa do casamento, mas liberto em seguida vai á França concorrer, voltando a Portugal pouco depois.
Entretanto a mulher dele, que estava grávida, foi dar um passeio pelos campos. De repente começou a sentir se mal e desmaiou. Todos andavam á procura dela, pois já se tinha dado pela sua falta. Eis que de repente ouvem um choro de criança. Dirigiram se para esse sítio e viram a mulher do Alves Barbosa desmaiada e tinha dado á luz, ali, um filho.
O pai da rapariga telefonou para o hotel, onde estava o genro, para comunicar a boa nova, mas quem atende é o rapaz que odeia o Alves Barbosa, de maneira que ele recebe o recado e nada diz ao felizardo pai.
A irmão do Mário Pereira, assim se chamava o rapaz que odiava o A. Barbosa, pregou lhe um sermão, por ele odiar um dos seus melhores amigos.
O A. Barbosa, cansado, bem depressa é apanhado pelo Mário Pereira, que o ajuda, pois tinha ficado com remorso do que tinha feito ao amigo. Então, para o encorajar, diz lhe que a mulher teve um filho. Mas eis que a bicicleta dele cai e se quebra. Então o Mário Pereira dá lhe a bicicleta dele, de maneira que depois do Alves Barbosa ter beijado o filho e a esposa, segue o caminho, mas agora em 2º lugar, mas chega á meta em 1º lugar. (1958.12.09 - Diário I)
Fui ver o filme "O Garoto de Charlot", no Restauração. Foi esta a 4ª sessão infantil do Cine Clube de Luanda. Este filme é muito antigo, pois é do tempo do filme mudo. Os documentários foram dois: "A História do Ski na Neve" e outro sobre as Fábricas Volvo e um filme de desenhos animados - "Um Bébé Exemplar" (...) (1959.01.17 - Diário I)
Á tarde fui à 5ª matinée infantil do Cine Clube. Projectaram os documentários de desenhos animados "Em Frente Marche", "Caçadores Mal Sucedidos" e "Perú Frio" e os filmes "Crina Branca" e "O Rapaz e o Macaco". O filme "Crina Branca" já foi projectado na 1ª sessão infantil do Cine Clube de Luanda, em 5.10.57. Este e o filme "O Rapaz e o Macaco" são comoventes. (1959.01.21 - Diário II)
No dia de Natal [de 1957] fui ver o filme "No Mar das Caraíbas", [de] que gostei muito. (1959.01.21 -Diário II)
Fui ao cine-Restauração ver o filme "Perri" de Walt Disney. Projectaram também o documentário "O Homem no Espaço", de Walt Disney. Parte deste documentário vinha no livro de Walt Disney "A Conquista do Espaço", que comprei no passado dia 5.
O filme "Perri" conta a história do esquilo Perri e do esquilo Perro. Todos os filmes de Walt Disney mostram nos a luta pela sobrevivência, em que o mais forte vence o mais fraco, como nos seus filmes "O Deserto Maravilhoso" e "O Leão Africano". Foi um belo filme e nós pagámos 10$00 e vimos um bom filme sem nos arrependermos. Os filmes de Walt Disney são filmes educativos, mas cuja realização não é das mais fáceis. (1959.03.15 - Diário II)
Á noite fomos ver o filme "Aventura no Japão"
O filme é a história dum garoto americano que, de avião, vai para Tóquio ter com os pais. A meio do percurso o avião despenha se no mar. Os pais de Tony, assim se chamava o garoto, sofrem horas de angústia. Entretanto o Tony é recolhido por uma traineira japonesa. Quando o garoto chegou a terra o marido e a mulher, donos do barco, vão telefonar á polícia. Hiko, o filho deles, ouve e, pensando que querem prender o Tony, foge com ele, de maneira que quando os pais do Tony chegaram á aldeia não o encontraram.
O Tony e o Hiko vão ter, á noite, a uma propriedade, onde se ponhem a dormir. De manhã são encontrados pelo lavrador e fogem. A polícia é logo alertada. Tony e Hiko viajam clandestinamente num comboio de mercadorias pensando que ele ia para Tóquio, mas ia para Mara.
Entretanto são distribuídos folhetos aos jornais ingleses e japoneses com o retrato e indicações de Tony.
Em Mara há uma série de peripécias - eles chegam a [...] numa casa de "geishas" - e os dois amigos embarcam clandestinamente num comboio de passageiros que vai para Kioto, em vez de Tóquio.
Na penúltima estação um soldado americano depara com a fotografia de Tony. Telefona á polícia e a polícia de Kioto é alertada.
Eles escapam se sem serem vistos pela polícia e entram num de dois autocarros escolares que iam a uma excursão.
O professor verifica que eles não são alunos dele, mas o japonês Hiko diz que anda a mostrar a cidade ao seu hóspede americano.
Terminada a excursão eles fogem, pois viram jornais com o retrato de Tony, mas uma amiguinha que eles tinham arranjado mostra os jornais ao professor e este comunica á polícia.
Eles fogem para um templo de cinco andares. A polícia vai atrás deles e encurrala os na varanda do último andar.
Eles saltam a varanda e ficam em risco de cair [do telhado].
Os pais dele chegam. A mãe é agarrada pelo chefe da polícia, para não fazer nenhuma loucura. O pai e o comandante da polícia sobem ao sítio onde está Tony. [Fazem uma cadeia humana] O Hiko foge com medo de ser preso pela polícia, mas o pai de Tony agarra-o. O Tony [7 ou 8 anos] e o Hiko [10 ou 11 anos] vão para o hospital, onde recebem muitas visitas e, entre elas, a da amiguinha, que eles tiveram na excursão e do professor dela. FIM
O filme está muito bem feito e com um colorido bom. Era em cinemascope. (1959.0329 - Diário II)
Filmes que vi em Pointe Noire.
Far-west - L'Aigle Solitaire, 5 Fusils à l'Ouest (no Cine Vox), La Derniére Fleche (com Tyrone Power), Je Suis un Aventurier, Tomahawk [este no cine Vox].
Grande Guerra - Kanal (insurreição dos polacos contra os nazis em 1944. Neste filme vêm se os horrores da guerra, só desejada pelos que ficam em casa e não se arriscam como os soldados se arriscam, a morrer sem saber quando), L'Almiral Canaris, no Cine Vox. (Filme de espionagem alemã hitleriana. L'Almiral Canaris, o chefe da espionagem alemã, que sempre foi contra a guerra, e que foi enforcado por ordem de Hitler horas antes dos aliados tomarem a cidade onde ele residia. Grande parte das cenas deste filme são verídicas, pois são provenientes de documentários da época). Le Dictateur (Neste filme, que é de rir até mais não, Charles Chaplin põe no ridículo Hitler), Le Renard des Oceans.
Outros géneros - "Scipion, L'Africaine". La Guerre et La Paix [Impressionantes as marchas da infantaria cerrada contra a artilharia, em vagas sucessivas e dizimadas.] Houve espectadores que abandonaram a sala de exibição (Cine Potinière). O filme tinha muitas cenas cortadas, especialmente no que se refere à derrota dos franceses. Uma cena foi suprimida: quando Napoleão queima as bandeiras francesas, forçado a retirar se da Rússia após a invasão até Moscovo]
Circo - Sous le Grand Chapiteau du Monde (um dos melhores filmes que foram produzidos)
Outros filmes - "Dick Turpin, le Bandit Gentil homme", "Tu Seras un Homme, mon Fils" (com Tironne Power), "Les Grandes Familles" (mostrando que a riqueza não traz a felicidade), "Jordan, le Revolté" (filme de gangsters, no Vox), "Ulisse", "Magie Vert" (vêm se as paisagens do Perú, Bolívia e Brasil)
Hoje devo ir ver um filme cómico: "Comme un Cheveu sur la Soupe". (1959.08.09)
O filme [em Nova Lisboa] era bom. Era "O Triunfo de Miguel Strogoff", baseado no livro de Júlio Verne. O filme não tem nada que lhe dê semelhança com o livro, pois o enredo é totalmente diferente. (MNS - 1962.09.11)
No dia 16 [03.1963] fui ver o filme "O Dia Mais Longo" . Era um bom filme, cuja acção decorria durante o desembarque dos aliados na Normandia, em 1944 (6/6) (Diário III - pag. 155)
Em 14 e 21 de Abril [1963] vi no programa Museu do Cinema "Peck's Bad Boy", com Jackie Coogan, que fez o filme "O Garoto de Charlot" , que vi em tempos.
No dia 9 [Maio 1963] vi na TV o filme "Alarme na Cidade dos Rapazes". Esta obra assemelha se à do Pe. Américo Foi feita pelo Pe. Flanagan, nos EUA. Bom filme [de Norman Taurog, com interpretações de Spencer Tracy e Mickey Rooney]. (Diário III - pag. 164)
No dia 13 [Maio 1963] fui ver "O Parque das Ilusões", no "Águia d'Ouro". Era um filme português, sem pés nem cabeça, como é costume. Interpretado por Laura Alves, Américo Coimbra, Eugénio Salvador. (Diário III - pag. 165)
No domingo, 26 [Maio.1963] vi dois filmes no Coliseu: "Atlas "Uma Rapariga nos teus Braços". Gostei mais deste último.(Diário III - pag. 171)
Vi dois filmes: "Radio Patrulha", no Olímpia, e "O Pombo que Conquistou Roma", no Rivoli. Gostei muito do primeiro [bastante bom] , o segundo comia se [uma comédia razoável]. (MEB - 1963.05.25) [Diário III - pag. 168)
[Em Junho de 1963] vi no programa 7ª Arte o filme "O Homem das Sete Vidas", com Danny Kaye. Era sofrível. (Diário III)
Á tarde fui ao Coliseu [do Porto] ver o filme "A Noiva", o último que vi em Luanda antes do meu embarque. Vê se com agrado, com boas interpretações de António Prieto e Elsa Daniel. As músicas ouvem se com muita satisfação, excepto "Los ojos del diablo", de que não gostei muito. (1963.06.01 - Diário III)
Fui ao Batalha ver o filme "A Coragem é a Senha". Embora fosse cómico, não gostei muito dele. Esperava outra coisa. (1963.07.08 - Diário III)
Fui ao Coliseu [do Porto] ver os filmes "Robin dos Bosques" e "A Conquista do Oregon". Eram sofríveis. No Águia vi "A Epopeia do Pacífico", filme razoável, com algumas cenas bastante boas. Na TV vi "A Vida de Tom Edison", com Spencer Tracy. Óptimo (1963.07.21 - Diário III)
Na TV vi o filme "Bola ao Centro", que não era grande coisa [a gravação sonora era má]. (1963.07.30 - Diário III)
Vi na 7ª Arte, da TV, o filme western "7 Homens Maus". Tinha algumas cenas boas, mas no conjunto não me agradou. (1963.08.06 - Diário III)
Vi no Olímpia (Porto) o filme "Alamo", com John Wayne. Gostei, não obstante o princípio ser um tanto ou quanto parado. Na TV vi "Madame Curie", de que gostei. (1963.08.18/21 - Diário III)
Fui ao Coliseu ver "O Império do Crime" com James Cagney. Era regular. (1963.08.23 - Diário III)
Fui ao cinema [em Monte Real] ver "O Diabo à 4 horas", com Frank Sinatra e Spencer Tracy e "Que Rico Par de Meias" uma comédia bastante "chalada", com a Marujita Diaz. (1963.08.27/31 - Diário III)
Vi na TV o filme "A Vida de Reuter", que era bom (1963.08.27/31 - Diário III)
Vi [em Monte Real] o filme "Adeus, Riviera" que, embora não tendo um argumento por aí além, tinha bons cenários e músicas que são êxitos, como O Sole Mio, Melodia de Amor, Moonlight Serenade, Biquini das Bolinhas Amarelas e muitas outras. (1963.09.6/7 - Diário III)
Fui ao Olímpia (Porto) ver "O Homem que Matou Liberty Valance", com James Stewart e John Wayne. Nos três filmes do John Wayne (O Dia mais Longo, Álamo e este) [este] tem sempre um papel irónico ou coisa que valha. (1963.09.11/14 - Diário III)
Na 7ª Arte vi "A Nobreza Corre nas Veias", com Mickey Rooney, Elizabeth Taylor e Donald Crisp. A Liz Taylor tinha nessa altura 12 anos (1944). Gostei imenso do filme que, principalmente no fim, era emocionante. (1963.09.15/18 - Diário III)
Á noite vi "Os Canhões de Navarone", no Asilo do Terço. Gostei do filme, que era deveras emocionante. (1963.09.23 - Diário III)
Na RTP vi "Aniki-Bóbó" de Manuel de Oliveira. O filme é interpretado por um grupo de miúdos e passa se no Porto, nomeadamente na Ribeira. O filme não era mau, na minha opinião o melhor filme português que já vi. O argumento é razoável. (1963.09.24/25 - Diário III)
Fui ao Águia ver o filme "O Senhor Xis", que se via com agrado, embora tivesse alguns contra sensos. O principal actor, que também realizou, é Nigel Patrick, que tem algumas semelhanças com John Wayne. (1963.09.26/28 - Diário III)
Fui ao Batalha ver "55 Dias em Pequim". Era bom, com cenas emocionantes, e baseava se no cerco de Pequim pelos "Boxers" em 1900. Não gostei muito do desempenho da Ava Gardner. Charlton Heston e David Niven saíram se bem.
Na "7ª Arte" da TV vi "Uma Furtiva Lágrima" com Alfredo Kraus no papel do cantor lírico Gayam [?]. O filme tinha árias de ópera bastante agradáveis. (1963.10.01 - Diário IV)
Fui ver no Rivoli "Balalaika", filme essencialmente musical. Foi produzido há umas dezenas de anos mas vê se com agrado. (1963.10.2/4 - Diário IV)
Fui ao Batalha ver "A Quimera do Ouro", com o Charles Chaplin. Foi realizado em 1925 e reeditado em 1942, com música e comentários de Chaplin. O filme tinha saltos bruscos, como se estivesse cortado. Via se com um certo agrado. (1963.10.05 - Diário IV)
À tarde fui ao Coliseu (do Porto) ver o "Amor sem Barreiras" (West Side Story). O filme é óptimo, com um bom colorido, música e bailados. O argumento inspira se no "Romeu e Julieta" [de Shakespeare]. Trata se da rivalidade entre dois grupos de West Side [bairro de New York]: os Jactos, americanos, e os Tubarões, porto riquenhos. Termina com uma briga em que morrem os dois chefes e um outro é assassinado. Gostaria de vê lo outra vez. (1963.10.07 - Diário IV) (2)
Na TV vi o filme "Ninotchka", com a Greta Garbo. Não era mau mas não era grande coisa. Era para rir. (1963.10.08 - Diário IV)
A TV apresentará o filme "A Família Minniver", com Greer Garson, Walter Pidgeon (intérprete de "Mme. Curie") e Teresa Wright. O filme era bom e valeu um ÓSCAR a William Willer (realizador) e a Teresa Wright (actriz secundária). O argumento e a música eram agradáveis. (1963.10.15/16 - Diário IV)
A TV apresentará, cerca das 20:00, o filme "A Loja da Esquina", com James Stewart. O filme era bom, bastante cómico. O realizador foi o mesmo de "Ninotchka", Ernst Lubitschk. Com poucas excepções desenrola se na loja da esquina. Um rapaz corresponde se com uma rapariga, no fim ficando surpreendido por se encontrarem. Ela não era outra senão uma das empregadas da loja onde ele trabalhava. (1963.10.22/23 - Diário IV)
À tarde fui ao "Carlos Alberto" ver "Uma Parisiense"e "O Salário do Diabo", o primeiro com Brigite Bardot, Charles Boyer e Henri Vidal, o segundo com Jeff Chandlers (que vira na "Epopeia do Pacífico") O primeiro era uma comédia um pouco livre (e está censurado!). Via se com agrado. Da segunda vez que estive em Pointe Noire vira a apresentação deste filme.
Ao segundo não assisti ao princípio. Era razoável, com algumas cenas emocionantes. Passava se no Oeste moderno. (1963.10.29 - Diário IV)
Ontem vi "A Grande Valsa", a vida romanceada de Johann Strauss. O filme era bom e gostei das "Grande Valsa" e "Danúbio Azul". (1963.11.4/6 - Diário IV)
Terminou [no "Museu do Cinema" da RTP] o filme "O Taxi 9297" de Reinaldo Ferreira. Pelos comentários do cineasta António Lopes Ribeiro o filme está tecnicamente bem feito. Contudo o entrecho não é grande coisa. Opinião pessoal. (1963.11.10 - Diário IV)
Umas observações ao filme da 7ª Arte "Nunca Digas Adeus", com Errol Flynn e Eleanor Parker. Uma comédia boa, embora não seja uma obra prima. A música de fundo era boa, mas o princípio um pouco parado. Tenho pena de não ter visto "Objectivo Burma", com o mesmo actor, já falecido. (1963.11.12 - Diário IV)
Fomos a Lisboa, ao Monumental, ver o filme "Cleópatra", com Liz Taylor. O filme, embora magnificente, era maçador, muito parado e com poucas cenas emocionantes, se é que as havia. A Liz Taylor tem uma boa expressão fisionómica, além de ser bonita. (1963.11.10/21 - Diário IV)
À tarde fomos a Lisboa ver "A Fronteira do Pecado", no Tivoli, com o Charlton Heston, Yvette Mimieux e George Chakiris (de "Amor sem Barreiras"). O filme tinha um enredo bom e cenários agradáveis. (1963.11.22 - Diário IV)
Vou ver "Bíblia"? Vou, não vou ... Quando entrei já Deus ia no 3º dia. O filme desiludiu me imenso. A criação do mundo é qualquer coisa de fantástico, difícil de conceber. Tudo muito verdinho, muito limpinho. E o Adão e a Eva, tão lindos, tão amorosos, tão lourinhos, eles que pouco diferentes seriam dos macacos. O Caim era feio, não se barbeava com Gilette como o Abel. E o Noé? Um simplório, tímido, a dar palmadinhas nos tigres, nos avestruzes, a dar o leitinho aos hipopótamos. Mesmo a voz de Deus nada tinha de solene, de majestosa ! Muitas passagens importantes nem sequer são citadas. A Bíblia é algo que não pode ser transposto para o cinema. A sua linguagem é quase sempre figurada, obscura. É algo que cada um de nós imagina e sente ao lê la. Transplantá la para o cinema é ridicularizá la, identificar Adão com o actor Xis, Sara com a actriz épsilon. E ficamos desiludidos. O filme é muito parado e fez me sono. Não havia meio de aparecer o "FIM". Lá apareceu às 18 h e 30 m. (3)
Como ainda estava a tempo resolvi ir ver "Uma Réstia de Azul", no Estúdio. É a história duma rapariga cega que vivia com a mãe, desnaturada e prostituta, causadora da sua cegueira, e com o avô, um velho bêbedo, que gostava dela mas era um falhado. Apesar deste ambiente pernicioso, ela é uma boa rapariga, sedenta de amor. E no jardim para onde costumava ir, conhece um homem e entre eles surge uma sã amizade. Mas ele era preto, e isso nos EUA é um crime. No entanto ele conseguirá libertá la da mãe. Embora á primeira vista o filme pareça piegas, eu considero o profundamente humano, mostrando nos que ao lado da podridão podem florescer bons sentimentos, ao contrário de muitos outros que só nos apresentam o lado deprimente da vida, sem esperança, trágico, como os de Antonioni (A Noite, O Grito, O Eclipse, O Deserto Vermelho), um Bergman (O 7º Selo, A Fonte da Virgem), entre muitos outros. (MEB - 1966.12.12)
O Cine Clube Universitário de Lisboa exibiu o filme "Jerry 8 3/4", ao contrário do que pensava, não era paródia ao "Felini 8 1/2"; mais uma das habilidadezinhas dos distribuidores portugueses.
O "8 3/4" conta nos a historieta dum grupo de "técnicos" dum célebre actor recém falecido que pretendem transformar um desajeitado mandarete num digno sucessor. Apesar de toda a sua boa vontade, o rapazinho "resiste" heroicamente pois é uma nulidade. No fim, quando a equipa, desiludida, o abandona, ele consegue transformar o espectáculo num retumbante sucesso e faz as pazes com a equipa arrependida, e que não era interesseira, não senhor !
Não pretendo discutir se o Jerry Lewis é ou não um génio digno de enfileirar com um Keaton, os Marx ou um Laurel. De resto, dos "clássicos" apenas conheço Chaplin. Mas nos filmes de Jerry (Enfermeiro Sem Diploma, ... No Japão e nas Noites Loucas do Dr.Jerryl) o personagem principal, o herói da fita, é um pobre diabo, sedento de afecto, desajeitado e sempre metido em alhadas. Eu diria que é um herói caricatural. Faz nos rir, mas não é um rir desopilante. A sensação que se apodera de mim é de constrangimento agravado pelo riso.
Em "As Noites Loucas do Dr. Jerryl" o herói é um professor ambicionando ser outro, mas que acaba por conseguir o amor da rapariga por ser desajeitado, horrendo mesmo, mas humano, e não por ser o desempenado e cínico D.Juan. Em "The Patsy" (Jerry 8 3/4) ele torna se um grande cómico quando é ele mesmo, sincero e honesto, e quando esquece os ensinamentos da equipa técnica, ensinamentos esses que tinham tornado célebre o falecido actor. Talvez que a mensagem dos seus filmes, a existir, seja mesmo esta: a aceitação de nós mesmos, tal como somos, perante um mundo incompreensivo; o mundo, se não todas as pessoas que nele vivem.
Creio no entanto que esta mensagem é transmitida grosseiramente, duma maneira "pesada" e, como atrás disse, indispondo nos. Um ser normal não pode sentir se à vontade, não pode rir se dos defeitos [deficiências] do próximo.
Um outro aspecto, este técnico, que me chocou, foi o mau gosto das cores. Não pretendo que todos os filmes sejam bonitinhos, verdadeiros tratados de combinação de cores como, por exemplo, "Um Homem e Uma Mulher", de Lelouch, ou "Os Chapéus de Chuva de Cherburgo". Mas aquele encarnado das camisas, , dos tapetes e cortinados e dos vestidos, tudo aquilo despropositado e chocante, sim, qual a finalidade? Se para aumentar o desconforto dos espectadores, então conseguiram no comigo.
Arthur Penn "Bonnie & Clyde" é outro dos filmes do cinema em voga. O seu filme tem escandalizado os puritanos e preocupado os educadores, pelos maus exemplos que poderão levar a juventude a tenta imitar as atitudes do parzinho imoral e amoral. Após a visão do filme encontrei-me a perguntar a mim mesmo qual a finalidade do filme, que pretende o realizador ? Poderá alguém, com um mínimo de, discernimento, sentir simpatia por aqueles dois seres anormais e a sua pandilha, incapazes de Amar, sedentos de sangue ? Cenas como aquela que Bonnie faz à mãe são gratuitas, sem significado, forçadas. O realizador não nos diz qual a razão de ser daqueles indivíduos, ela surge nos naturalmente. Bonnie, que se entrega ao primeiro homem, selvaticamente, porque ele cortou dois dedos do pé para escapar aos trabalhos forçados e assalta lojas por exibicionismo, Clyde, um tarado sexual - só no fim consegue ter relações sexuais com a amante - um exaltado. O resto da quadrilha ? C.W.Moss, um atrasado mental, o irmão de Clyde e a sua histérica mulher filha de um pastor. Em o "Assalto ao Casino" sentimos pena do castigo que recai sobre Jean Gabin e o Alain Delon; mas poderá alguém sentir piedade pela quadrilha do senhor Penn? Sentimo nos chocados, é certo, mas depois daquelas carnificinas, que mereciam eles ? (APC - 1968.03.18)
Eu e a Estrela [Coimbra] fomos ao cinema ver um filmezeco ligeiro - "A Dança dos Diamantes" - cuja acção decorre em Lisboa; meteu atentados à bomba, espiões, contrabandistas, perseguições em calhambeques, assassínios em barda, enfim, era para rir, mesmo amareladamente. (NSF - 1968.07.02)
Fomos ao Trindade ver a ópera portuguesa "Proteu" Depois fui ao cinema com o Júlio Van Der Kellen e o António Luís: uma "judokada" - "O Judoka, Agente Especial" Uma "cowboyadazita", o que sucede geralmente quando não sou eu a escolher o filma. (NSF - 1968.08.05)
Fui ontem ver um filme todo bonitinho, [Viver por Viver] bestialmente policrómico, cheio de grandes planos, com um Montand cínico, uma Girardot boazinha (entenda-se, com bons sentimentos) e uma americanazinha (Candide Bergen) com um sorrizito fácil e encantador. Um filme pleno de ternura e tédio. O Montandzinho engana a mulher com a maior das calmas, o desavergonhado; ela, "tadinha", quer salvar o casamento e finge que é parva e cega. O amor consegue sublimidades! Enfim, tantas vezes vai o cântaro à fonte...! Claro, o sol quando nasce é para todos - já lá dizia o Waskylcowskix - e ela manda-o ver se está a nevar e - fazendo das tripas coração - leva uma vida airada com o Henriquinho. Entretanto o Bertinho (Montand) cai prisioneiro dos vietcong - era repórter - ninguém sabe dele. Lá na longínqua América e apesar dos seus desesperados esforços para retomar a sua juventude estílo "made in USA", esquecer a Europa e o Bertinho e casar com um americano de Boston ou de Houston, a Candide (que já não é) devora os jornais em busca de notícias do ex-queridinho (e eu tão longe para poder consolá-la e extasiar-me face ao seu " Candide sourire"!). Ah!, mas as saudades da Girardot não são menores. Mas os viets, no fundo, são bons rapazes ( ... se não fosse aquela simpatia pelo Mao e aversão pelo Johnson, os melhores motores marítimos e o talco do bébé ... ) e o repórter é libertado. Roído de saudades (ai, que nostalgia!) regressa ao lar! que encontra vazio. Parte para os Alpes,"à la recherche du temps perdu", perdão, da Giradinha. Ela fá-lo passar maus bocados (a sádica ou a vingaça é o prazer dos deuses) mas, oh! abismo insondável do coração humano! oh! maravilha das maravilhas! oh! paradoxo dos paradoxos! o gelo do ambiente não consegue evitar a fusão do gelo dos seus coraçõezinhos!... Tudo termina em bem: volta o disco e toca o mesmo. Ou não? Tudo isto misturado com tiradas sublímes: "Cada vez que um vencedor espezinha um vencido, é a dignidade humana que é espezinhada!" "Nós, os mercenários, somos a ponta de lança da Civilização Ocidental: defendêmo-la do comunismo!"Oh! pobres ismos" tendes um grande guarda-roupa e umas largas costas!
O filme: "Viver por Viver"; o realizador: Claude Lelouch, o tal de "Um homem e uma mulher". Desta feita abusou. Um filme recreativo: a vista delira com isso. Mas, ... só? Mais nada? Que sensaboria! Uma das cenas do filme impressionou-me bastante: aquele excerto (seria?) do jornal de actualidades cinematográficas, mostrando o brutal espancamento de africanos por tropas Congolesas. Homo homini lupus. Um sentimento, misto de raiva, desespero e impotência apoderou-se de mim. (JJF - 1968.08.17)
Tendes visto na rua aqueles miúdos que confrontam, amigavelmente, as suas forças? Já reparastes que normalmente os risos terminam em lágrimas, de ódio ou dor, e a brincadeira deixa de sê lo? Em tempos vi um filme que expunha este problema, cujo desfecho me surpreendeu, por imprevisível. Chamava se "Desafiando o Perigo" O seu enredo resume se em poucas linhas. Um navio norte americano equipado com mísseis, comandado por um oficial despótico, que exigia dos seus homens esforços sobre humanos, persegue um submarino adversário, procurando encurralá lo, destruí lo mesmo (embora estivessem as respectivas nações em guerra fria, apenas). A louca perseguição continua. O submarino adversário tinha a reserva de oxigénio praticamente esgotada e tinha de vir à superfície renová lo. A presença do barco norte americano, por motivos que já esqueci, impedia isso.(Não quero garantir, mas parece me que este forçou o submarino a violar águas territoriais). Estava portanto num dilema: ou continuava submerso, e toda a tripulação pereceria, ou vinha à superfície, o que lhe não convinha (talvez porque seria apresado pelo navio dos EUA). O estado de tensão da população deste último era enorme mas ninguém conseguia dissuadir o comandante da sua provocação. Deu se o inevitável: o oficial que comanda os mísseis, esgotado, carregou inadvertidamente no botão. Ouve se o silvo do míssil: as caras estupefactas ou aterrorizadas dos que ocupavam a sala de comando. O filme termina com um lindo cogumelo que se eleva do mar, a base alongando se, enquanto a cúpula se alarga. (NSF - 1968.08.21)
Vi no S.Jorge uma comédia - "Não perca a Cabeça" - com os actores da série "Com jeito vai ...". O argumento contava nos as aventuras de dois nobres ingleses que, durante a Revolução Francesa, se dedicam à não menos nobre tarefa de salvar as cabeças (claro, coladas aos respectivos corpos) dos que iam ser guilhotinados, para desespero do Senhor Cidadão Chefe da Polícia Secreta. Ri me, mas fiquei mal impressionado com as cenas passadas no cadafalso. Detesto tal género de humor negro. Lembro me duma anedota do Vilhena que vi, há muito tempo, na capa duma revista humorística: um carrasco, de machado em punho, dizia para um homem ajoelhado defronte do cepo: "Se tornas a tirar a cabeça dou te um par de estalos". Os bonecos do Vilhena são repugnantes, cheios de borbulhas, por vezes disformes. Tanto tempo volvido, o asco, a repugnância que então senti ainda se não desvaneceram. Decididamente e apesar de algumas saborosas gargalhadas, o filme não me agradou. E também por causa do efeminado de alguns dos personagens, como o Duke de Pommfrit (Duque da Batata Frita) ou o cidadão Cambert. (NSF - 1968.09.08)
Ontem a RTP na sua noite de cinema transmitiu o filme italiano "S.Francisco de Assis", realizado Liliana Cavani. O apresentador comparou-o ao "Evangelho segundo S.Mateus", de Piero Paolo Pasolini, premiado pelo Office Catholique International du Cinema (?) - OCIC - este último filme, cinematização daquele Evangelho, caracteriza-se pela rudeza e crueza das suas imagens e cenas. Os seus personagens são gente do povo: não são bonitinhos, como Adão e a Eva da "Biblia". Este realizador é comunista, e há pouco tempo viu galardoado por aquele organismo um outro filme seu, o que levantou uma onda de protesto por parte de determinado sector dos católicos!
Mas retomemos o fio à meada. Voltemos ao "S.Francisco de Assis". Após uma juventude despreocupada, Francisco resolve despojar-se de todos os seus bens materiais e viver segundo o desprendimento evangélico. Em breve se juntam a ele dois outros homens. A sua vida miserável, o seu deprendimento dos bens materiais, escrupuloso respeito pelos preceitos evangélicos "Vai, vende tudo o que possuíres, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro nos Céus; depois vem e segue-me." e "Não vos inquieteis quanto à vossa vida, com o que haveis de comer ou de beber, nem quanto ao vosso corpo com que haveis de vestir. (...) O Vosso Pai Celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso. Procurai primeiro o seu reino e a sua justiça, e tudo o que mais vos será dado por acréscimo. Não vos inquieteis, portanto, com o dia de amanhã.", tudo isto, como escrevia eu, escandaliza a hierarquia da igreja, ameaçada pela proliferação de heresias como a dos Albigenses. Mas não só a hierarquia; os leigos, demasiados realistas e comprometidos com os bens materiais, fazem chacota deles. Estou a lembrar-me daquela cena em que Franscisco envia os seus companheiros em diferentes direcções para pregarem a boa nova. Rufino terá que falar na Sé. Balbucia, suplica que seja enviado outro em seu lugar, pois não sabe falar e tem vergonha de fazê lo em frente aos seus familiares e amigos que abandonou para seguir Franscisco. Este, para humilhá-lo pelos seus escrúpulos, ordena-lhe que vá, ... apenas de calções. A medo, entra na igreja, atravessa a multidão atónita e dirige-se para o altar. A assembleia começa a vaiá-lo. Cada vez mais constrangido, perturbado pelo clamor e pela chacota crescentes, não consegue senão repetir, quase inaudivelmente "Cristo disse: Amai-vos uns aos outros ..." Como são despreziveis os homens com a sua miserável tacanhez de espírito, a sua estupidez, a sua falta de caridade, a sua superioridade farisaica!
O número dos adeptos de Francisco aumenta mais e mais e os problemas também. São já tantos que este desconhece muitos deles. Incapazes de aceitarem a total renúncia de bens e cuidados materiais, eles criticam-no frequentemente, mesmo quando ele afirma não ser nada de transcendente o que propõe: viverem, voluntáriamente, como a esmagadora maioria dos seus semelhantes, que nada possuíam e viviam miserávelmente. Há aqui uma situação flagrantemente semelhante à do mundo dos nossos dias, em que o número de miseráveis suplanta, de longe, o dos opulentos. Pretendem uma renovação da ordem, a escritura de novas regras, "onde esteja escrito o que devem fazer e o que devem deixar de fazer". E Francisco não consegue convencê-los de que não é necessário que os doutores as escrevam porque já as possuem: o Evangelho.
Há em Francisco uma constante preocupação pela vivência da doutrina cristã, uma vivência real, traduzida em acções, em modos de vida. Na sequência daquela cena que atrás transcrevi, Francisco, também em calções, entra na igreja, dirige-se para junto de Rufino. Mas este está demasiado perturbado. Francisco, olha á sua volta (o pandemónio é indescretível) apodera-se dum crucifixo e coloca-o junto a Rufino. O pandemónio reduz-se cada vez mais, transforma-se num múrmúrio e esvai-se. Francisco, então, inicia um àspero discurso no qual critica todos aqueles que se prostam e reverenciam um pedaço de madeira enquanto, numa atitude pouco caridosa e fraterna, apupam um semelhante seu que lhes vai falar da Palavra de Deus.
Em todo o filme transparece uma crítica contra a inautenticidade da aplicação do Evangelho por parte dos fiéis e da hierarquia, contra a falta de confiança nos cuidados da Providência Divina, contra a vassalagem daqueles "homens de pouca fé" a dois senhores diferentes. (...) (NSF - 1968.10.05)
Fui há pouco ao cinema ver um filme de desenhos animados. "Asterix e Cleópatra", interessante mas inferior á banda desenhada. Foi um dia de festa para a petizada, nesta cidade [de Évora] onde raramente as crianças são lembradas. (NSF - 1970.05.17)
Vi "O Salário do Medo" (era um bocado lamechas nas cenas com a rapariga), "Desejo Perverso" e "O Passageiro da Chuva", com Charles Bronson. A construção e a interpretação deste último agradaram me sobremaneira.(NSM - 1971.09.03)
Talvez vá ao cinema ver um filme do Cantinflas. O humor dele é muito ingénuo mas à falta de melhor !... (1972.08.03)
Depois do jantar fomos ao S.Jorge ver uma comédia - "Smic, Smac, Smoc". Gostei. (MCG - 1972.08.17)
O filme de hoje, "O Cangaceiro", contava a história do Lampião, cangaceiro, salteador e assassino do Nordeste Brasileiro, espécie de Robin Hood que assaltava os ricos para dar aos pobres Manobrado pelo Governo da Baía, liquida todos os grupos do cangaço da região d'Água Branca supondo que o Governo satisfaria as suas reivindicações da reforma agrária (o NE brasileiro, terra de sede e fome, é propriedade dos "coronéis", latifundiários lá do sítio.) Mas o que o Governo pretende não é a melhoria das condições de vida do povo, mas sim expulsá lo (ou massacrá lo, como efectivamente sucedeu) por causa do petróleo que entretanto se descobriu na região. Ao ver se traído - o seu bando estava destinado a ser massacrado - o Lampião revolta se contra o Governo - inutilmente, aqui para nós. O interesse do filme estava na denúncia da exploração dos recursos naturais pelos potentados económicos estrangeiros, muito interessados nos seus interesses e nada no das populações, contando para isso com a cumplicidade dos governos nacionais, cujos funcionários sempre lucram umas migalhas. Mas o filme, para além disso, não tinha grande interesse. O que já não sucederá com o "António das Mortes", do cineasta brasileiro Glauber Rocha, referido na Vida Mundial de hoje e em exibição num cinema de Lisboa (MCG - 1972.10.27)
"A Solteira e o Atrevido"era uma comédia. (O título original era "O Sexo e a Rapariga Solteira") Era para rir! (MCG - 1972.11.04)
Um filme de acordo com o estado financeiro da malta: "O Preço da Fome", estilo comédia "inespecial", que terminava de modo trágico, ilógico no tom que o filme mantivera até então (MCG - 1972.11.09)
Fui ao Núcleo Juvenil de Cinema de Évora ver pela 3ª vez "Sentimento", de Luchino Visconti. Uma fotografia bela, expressionista, um tema interessante, algumas cenas chatas. Daqui a pouco talvez volte novamente ao cinema para ver um filme com Peter Sellers. (MCG - 1972.12.05)
Amanhã ou depois o Salão Central [Eborense] exibirá um filme de Charlot que reverei com agrado: "Tempos Modernos". (1973.02.13)
Fui ontem ao cinema ver "Nossa Senhora de Paris", baseado num romance de Victor Hugo. Uma tragédia ... Morre tudo, minha gente: a cigana Esmeralda (que amava a vida), o padre (que desejava a cigana inacessível - que odiava a vida), o sineiro corcunda (que descobrira a vida graças à cigana) e muitos mendigos que a queriam libertar. Gramei o filme, pelo modo como retratava (fielmente ?) o ambiente medieval e a sua miséria (que são de todos os tempos, afinal). (MCG - 1973.03.09)
Com uma assistência relativamente reduzida foi projectada na 4ª feira passada o filme "A Súbita Riqueza dos Pobres Camponeses", narrando as relações de poderio político e religioso exercido sobre os camponeses que cometem um assalto a um carro transportando o produto de impostos e as consequências que advêm para os autores de tal assalto, quando descobertos pela justiça: a pena capital, após o arrependimento e remorsos de todos salvo um, que afirma querer morrer como um homem, apesar de todas as pressões que sobre ele se exercem. (Núcleo Juvenil de Cinema de Évora, Boletim 1973.Abril)
Fui ontem ao cinema, por desfastio, ver uma comédia da série "Com jeito ... vai": contava esta o malogrado assalto a uma maternidade para roubar um lote de "pílulas". Toda a história gira à volta de partos e das confusões em que se mete um dos assaltantes, disfarçado de enfermeira. Apesar de algumas cenas bem apanhadas, o filme era muito fracote. (MCG - 1973.04.13)
Ontem fui ao cinema, mas o filme era uma chanchada: contava a vida dos polícias, nos E.U.A.; um deles alista se para ganhá lo, para poder terminar o curso de Direito, mas apaixona se de tal modo pela profissão, influenciado pelo companheiro, já velhote, que não quer outra coisa! Entretanto apanha um balázio no estômago mas consegue safar se. Algum tempo depois quem se safa também é a mulher e ele fica na ronda. O amigo reforma se - já estava um pouco descrente de que conseguisse endireitar o mundo - e, perdendo o sentido á vida, suicida se (em bom português, de plateia, mete uma bala nos cornos - a mulher também o largara "a long time ago") O nosso ex estudante de Direito - sim, que ele até abandonou os estudos - dá lhe para a pinga - nada de carrascão, só uísque, em garrafas estrategicamente espalhadas pelo percurso da ronda! Olarilas! Enfim, estava um perfeito copofónio! Eis senão quando, oh!" milagre, descobre ... o quê? O AMOR, na pessoa duma enfermeira, que até é preta! (não te esqueças que os EUA são têm graves problemas racistas.) Era uma miúda bestial, que o faz ver que a "polícia" não era tudo na vida. Casaram se, está se mesmo a ver. Saíam os espectadores contentes. Isso querias tu! Os filmes de agora são outra louça. Isso era antigamente! Isso sim! Apanhou outro balázio no estômago que se apagou ali, enquanto o diabo esfrega um olho! FIM
O filme não tinha "garra" e, não sendo apologético dos "Centuriões do Século XX" - assim se chamava, como esses homens que no Império Romano defendiam a ORDEM (mas que ordem?) apesar da ingratidão dos restantes cidadãos. Até que vieram os Bárbaros, que deram cabo do Império ... (isto é das falas do filme!) À vol d'oiseau fala se na delinquência juvenil, assaltos, prostituição, homosexualismo, exploração de emigrantes clandestinos, desavenças familiares (vá lá, que não meteram os hippies á baila!) Pois é, mas tudo isto sem curar de saber a razão de todas aquelas mazelas. Numa atitude fatalista, se não pessimista, da evolução da sociedade, levando á descrença dos polícias sobre o êxito da sua missão repressiva para a manutenção da "ordem". Vê lá tu, ... por exemplo, o problema da prostituição: as mulheres não se prostituem por fatalidade. Fazem no, sim, por razões psico sociológicas e sociológicas: mau ambiente familiar, miséria, desenraizamento afectivo, instabilidade emocional, incultura, marginalização e isolamento na grande "cidade" ... É um problema social, de "des organização" da sociedade, de incapacidade de relacionação das pessoas umas com as outras. (há mais, mas fiquemos por aqui). Se os homens fazem a sociedade, esta também os faz. É possível modificá la! Será moroso? É POSSÍVEL! mudando a naquilo que a desorganiza e, desorganizando as, desorganiza também aqueles que nela habitam! Pois, sabem qual é a proposta do realizador do filme (ou quem quer que seja que tinha a "massa" para produzi lo? Sim, que na democrática América da Estátua da Liberdade o produtor é o senhor do filme, e pode adulterá lo á sua vontade, sem dizer água vai ao autor. Não será o caso, mas a história do cinema é fértil em episódios destes!) Pois, o bom do nosso amigo, quem quer que ele seja, pela boca do polícia velhote, descrente, vivendo para aquilo, resolve as coisas á sua maneira. A prostituição? Mas é tão fácil! Uma passagem lenta com o carro patrulha. Á segunda, quem não tivesse desandado, esquadra com ela. Nessa noite não havia "negócio" ('Tás a ver a quantidade de carros e polícias que seriam necessários. Sim, que para resultar os carros tinham que passar incessantemente, todo o dia, em todas as ruas, pelo menos nas de má nota! [Claro, se calhar lucrariam as mais "desafogadas", com carro, apartamento e telefone]. E a "mercadoria"subia de preço, porque tudo o resto continuaria na mesma. Mas é ilegal a polícia actuar assim (ninguém pode ser preso sem culpa formada se não em flagrante delito!) Ora o velhote resolve as coisas á sua maneira e marimba se para os códigos e juízes! De resto, quem se queixará? Os proxenetas? Pois é ... É como o filme de que se falava no último boletim do Núcleo Juvenil de Cinema: "A Súbita Riqueza dos Camponeses Pobres ". Os tipos assaltaram a carroça dos impostos extorquidos pelo Príncipe para o faustoso casamento da princesa. Os camponeses eram pobres e não podiam pagar impostos?! E então, a princesa deixaria de casar se faustosamente , como convinha á sua condição? Lá estava o juiz inteligente, que descobre os "miseráveis" assaltantes, que alguns até se denunciam para ver se salvam a pele! Que a vida, apesar de tudo, é a única certeza. Mesmo que miserável! E exigem as autoridades e os padres o arrependimento público de todos - condenados á morte para não morrerem de fome - E aqui, o realizador deste filme, propõe outra leitura crítica da realidade, pela boca de um dos padres: desde Lutero, a religião está ligada ao poder civil, é o seu sustentáculo. [Por oportunismo dos príncipes alemães, Lutero teria proclamado aquilo que desde Constantino a Igreja Católica tem como princípio de actuação. ] É pois necessário que os criminosos sejam castigados, para sossego dos "príncipes" e aquietação dos que - justamente ou não - tenham a veleidade de querer perturbá lo. (MCG - 1973.04.16)
Ontem sempre fui ao cinema e gramei o filme (4), ironizando sobre uma jovem que, no século passado, partia para Paris em busca do amor! Uma "piquena maravilha, muito bacana", como diria o amigo Pedro. (...) A rapariga, Lamiel, diz que não é o Conde que a rapta mas sim ela que rapta o Conde. (MCG - 1973.04.27)
Ontem sempre fui ao cinema ver "Roma". O filme era demasiado cruel, impiedoso. O Fellini, o realizador, ao mesmo tempo que apresenta imagens da Roma dos nossos dias, como ele a "vê", contrapõe-lhes a Roma dos seus tempos de escola e de jovem recém-chegado à grande cidade. É uma Roma repugnante, asquerosa, que desfila perante os nossos olhos. Desde a casa de hóspedes, atravancada de móveis e pessoas como a do actor decadente, a do motorista de autocarros, criança grande e filho ridículo (em cuecas dormindo na sala de jantar e depois aconchegado nos braços da mãe, enorme e cruel matrona, dona da pensão), mais a criada (que devia fazer os seus biscates com os hóspedes) e muitos outros que já esqueci, figuras grotescas deambulando pela casa. E aquela gente toda - de todos os prédios - comendo nos passeios, em mesas,... Ah! mas o que me repugnou mais foram as cenas nos bordéis. Nunca imaginara que aquilo fosse assim! O realizador mostra-nos os hippies pelas escadarias, estando simplesmente ou beijando se ou acariciando se enquanto outros (e outras) tomam banho nús nas fontes. "No nosso tempo o amor era muito mais complicado" e, em contraposição a câmara começa a percorrer uma rua miserável e arruinada, onde passam soldados aos grupos e aparece, a uma porta, insólito, um bidé muito branco. Os soldados entram numa casa e aparece um corredor estreito e comprido, apinhado de homens. Ao fundo perpassam mulheres de seios descobertos. Ás tantas estamos numa sala onde desembocam duas escadas, dividida ao meio por um corrimão de ferro. Dum lado os pretendentes, do outro as "pretendidas", que terminada a função exibem as suas "graças", qual gado numa feira em exibição. Têm um ar gasto, trágico, emurchido, algumas simplesmente repugnante, como de resto toda a cena. Pergunto-me como as relações entre os seres humanos podem chegar a um tal grau de degradação, qual o prazer que pode haver num acto assim mecanizado e aviltado. Havia também os bordéis de luxo: esses seriam os do Fellini. Salas enormes de colunas, espelhos e sofás, onde os homens aguardam. Aqui elas descem de elevador. Como as outras (embora com melhor aspecto, pois estão ainda uns degraus a cima) vêm mais ou menos despidas, mais dinâmicas. O "material" exibe-se, é escolhido, e o comprador lá sobe no elevador até ao quarto luxuoso. (MCG - 1973.07.16)
Gostei da interpretação da actriz que interpretava o personagem da "Maria Papoila". O filme teve para mim um valor documental; apreciei as máquinas de lavar roupa e os aspiradores, bem como aquela menina bem que metia o namorado em casa às três da matina. E ainda falam dos tempos de hoje! Antes "O Pátio das Cantigas". (1973.09.05)
O filme de ontem, "A Vizinha do Lado" tinha as suas cenas com piada, mas nada valia. Não sabia era que já naquele tempo os filmes portugueses mostravam aquelas mulheres desavergonhadas, como diria a D.Vitória [minha hospedeira em Évora] a irem para a cama com os amantes. Ai que escândalo! (MCG - 1973.09.20)
Á noite fomos ver um filme de desenhos animados, o "Lucky Luke" Tinha cenas com piada, mas prefiro a banda desenhada. Os filmes de desenhos animados deste género não entusiasmam nem nos fazem "viver", como os outros de "carne e osso", passe a expressão. (1973.09.23)
Á noite fui ver o filme da TV - "O Fugitivo", do John Ford. Aquelas audiências lá em baixo são muito comentadas. Então com o filme de ontem! Um filme exemplar, não haja dúvidas. Lá estava dito porque eram perseguidos os padres (pregavam a resignação e a humildade, com a promessa dum reino melhor ... no outro mundo. Claro que tal "resignação" favorecia os latifundiários lá do sítio, mas isso o legendador não escreveu, talvez porque lá não fosse dito ou mostrado). Mas o que a Isabel e a Adélia retinham era o comportamento do tenente da polícia, matando tantos inocentinhos, um patife que seduzira e abandonara uma rapariguinha tão girinha como era a Maria Dolores, de resto vítima da soldadesca, na cantina; por isso a Adélia se revoltava contra as revoluções e o derramamento de sangue (como na Rússia, onde não há liberdade e são materialistas, segundo ela) Enfim ... assim se vai vai prevenindo a revolução - que a PIDE e a Polícia poderiam, doutro modo, não chegar para as "encomendas". E o assaltante americano, coitadinho, que ladrão, sim, castigado, sim, mas ... protector da religião. (MCG - 1974.01.23)
Cheguei agora do cinema (5): um "croupier" assalta um milionário à saída do casino onde este ganhava uma fortuna. Uma mulher é testemunha do assalto e o "croupier" passa a ser vítima da chantagem dela: o silêncio em troca do seu "amor". Entretanto a polícia (paga pelo milionário), investiga e o rapaz tenta escapar-se à teia em que se viu envolvido. Assim, torna a mulher (ex esposa do milionário) sua cúmplice numa tentativa de homicídio do milionário. Ficam quites, mas perde o dinheiro roubado que já lá não está enterrado (retirado, penso eu, pela mulher). Volta assim às mesas de jogo do casino, para dar dinheiro aos outros. O único beneficiário foi, aparentemente, a polícia. Enfim ... não percebi lá muito bem o contra golpe final. (1974.02.17)
Fomos ao cinema ver um filme muito idiota e sem graça: "Sexo Nunca, Somos Britânicos" (MCG - 1973.03.19)
À noite fui ao cinema ver "Burgueses, Malteses e às Vezes", (6) que era português e passado em Angola, nomeadamente em Luanda. (MCG - 1974.04.27/28)
Fui ontem ao cinema ver um filme com o Jean Paul Belmondo: "O Magnífico" uma sátira aos filmes de espionagem estilo James Bond, de supermachos másculos, duros e dinâmicos, com "ordem para matar". Merlin é um escritor, pobre diabo frustrado que escreve romances - 42 em 15 anos - que são o reflexo da sua frustração e anseios - que projecta nos personagens e nas histórias estereotipadas na qual se reunirão os seres frustrados que todos nós somos, desde a mulher a dias ao marinheiro, metidos na mediocridade do dia a dia cinzento e sem futuro. Merlin é um quarentão, divorciado, sem dinheiro - os lucros do seu trabalho são para o editor - Tatiana, a heroína do seu último romance, é a jovem inglesa, estudante de sociologia, sua vizinha no pardieiro que habitam; a jovem com quem dorme - no livro - com os maiores requintes, repouso e companhia do guerreiro invencível do romance que o dia a dia real esmaga e nega. Mas ... que ia eu dizer, ah! pois, toda esta cultura é uma masturbação. As aventuras no cinema, as fotografias e os anúncios pseudo eróticos nas revistas, na televisão., nas ruas, que despertam desejos de ternura, pela identificação - quando os despertam, ternura que a cidade violentamente nega. Resta nos a lucidez e este vazio de vida que não sei se alguma vez [deixará de] existir[á]. (MCG - 1974.04.06)
Vi ontem o filme da "Noite de Cinema" - "O Caso Cícero", do Manckiewicz. Ah!Ah! Gramo aquele humor á inglesa. Faz me lembrar um outro filme dele, mais recente: "O Perfume do Dinheiro". (MCG - 1974.04.10)
Faço horas para ir até ao cinema [de Paço d'Arcos], ver uma "cowboyada". Já ontem à noite lá fui e têm piada estes [filmes]"spagetti" italianos, com uma violência risível, embora a história seja linear e sem enredos, tirada e mastigada a papel químico. (MCG - 1974.09.08)
Afinal o filme de ontem era um grande barrete. A "cowboyada" do dia anterior ("Chamavam lhe Aleluia") tinha mais piada. A sessão de anteontem tinha 2 filmes; o outro era um "policial" do Claude Chabrol ("O Carniceiro") como sempre metendo sádicos, assassinatos e tarados sexuais. A professorinha primária do filme - uma lourinha gira com olhos azuis tinha um Citroen 2 cavalos e ia passear para o campo com o apaixonado - que era o assassino - que ia jantar com ela ou fazer serão. Sozinhos em casa, imaginem. E todos gramavam a professora na aldeia. (MCG - 1974.09.09)
"A Grande Farra": uma grande estupidez, aquilo das pessoas comerem até rebentarem. Achei o filme chato e quanto às "cenas eventualmente chocantes", (7) a minha moralidade e a minha teoria há muito que deixaram de ser burguesas. (MCG - 1974.10.17)
Perante a vastidão da tarde que se abria perante mim resolvi ir ao S. Jorge ver o celebérrimo "O Último Tango em Paris", que ainda me deixou mais desmoralizado, não "pelas cenas eventualmente chocantes" - uma mulher nua passeando se pelo ecrã ou filmagem do acto sexual por duas vezes - mas porque estou farto de "non sense" embora eu saiba que tudo isto da vida e dos sentimentos é tudo uma ilusão (...) (MCG - 1974.10.19)
Ontem fui ao cinema ver "Laranja Mecânica" [de Stanley Kubrick]. O supra sumo da violência , dizia a crítica. Da violência, tenho visto e sentido pior.


O filme (8) era uma chachada: mulheres nuas, relações sexuais nas posições mais variadas, enfim quilómetros de celulóide para vender, sem gosto ou interesse. (1975.03.25)
De modo que fui até ao cinema, após uma longa ausência, desta feita para ver, sózinho e numa sala quase vazia, "Ana e suas Irmãs", uma comédia do Woody Allen, um autor e actor que aprecio. (...) (MMA - 1986.12.17)
Vi na TV dois filmes de que gostei: Nova Geração (American Grafitti), enternecedor, sobre os amores dos adolescentes, e O Lugar do Morto, estilo policial e passado em Lisboa. (MMA - 1987.01.08)
E eu pego numa história, a do filme de ontem - O Fabricante de Ídolos, transmitido pela RTP. Prossigo falando da história de quem, com qualidades e capacidades, se viu impedido duma carreira musical por razões que não dominava. Por isso se transferiu para outrem e o moldou à sua imagem e semelhança. Deste modo o jovem cozinheiro se transformou e o amador se transformou na coisa amada, como escreveu um poeta; deste modo surgiu aquele ser agressivo, gerador de instabilidade e de multidões descontroladas e a sua "agressiva" música que falava de amor.
Mas teria mesmo o jovem cantor sido moldado à imagem e semelhança do empresário e pacientemente suportou as peias em que o quiseram envolver? Noutras circunstâncias e com outra consciência o empresário se construiu como cantor que também falava de amor, mas de um jeito sereno, para pessoas calmas e em ambiente sem bulício.
Qual era a verdadeira personalidade do cantor, empresário dos outros e por fim de si mesmo? (MCG - 1988.07.22)
Eis-me, pois, regressado a Setúbal, onde amanhã começa mais um Festival de Teatro, este homenageando o Mário de Sá Carneiro, mas que não me seduz muito pelo programa apresentado. Outrora sempre vinham cá companhias de todo o país, das consagradas, que nos permitiam ver ou rever as peças durante o ano representadas em Lisboa, Porto e arredores. E assim se vai perdendo o teatro. Mas não só o teatro. [Também o cinema ] Agora foi a vez do Casino Setubalense, ultimamente especializado em pornografia, após a fase do kung-fu e dos lacrimejantes filmes indianos, onde uma vez consegui ver "Por Favor Não Me Mordam o Pescoço", do Polanski, por uma daquelas insólitas surpresas proporcionadas pelo exibidor. Segue-se este encerramento ao do Luísa Todi (agora Forum Municipal), ao do Bocage, ao do Grande Salão Recreio do Povo (agora Banco, preservada a fachada) ou ao do Salão da Sociedade Recreativa Perpétua Azeitonense. Consequências do vídeo, embora nada se compare ao envolvimento duma ecrã maior ou menor ou do cavaquear no intervalo, ritual também já ultrapassado nas salas de bolso que proliferam nos centros comerciais, desaguando os espectadores directamente para os corredores "montrados" e feéricamente coloridos. (MBC - 1990.09.19)
É um filme sobre a Guerra da Independência dos Estados Unidos, com o Al Pacino e a Michele Pfeiffer, dois actores que aprecio. Acabei de ver uma comédia japonesa gravada há dias, chamado "A Cobradora de Impostos Ataca de Novo". Entretanto já vou a meio daquele de que te falei na carta anterior, sobre a Revolução Americana, cuja actriz principal é a Natasha Kinski e não a Michelle Pffeifer. Setúbal, (MMA - 1993.08.07 )
De modo que vi forçadamente uma comédia romântica (9) na Televisão, onde no fim todos(as) casam e presumívelmente viveram felizes até ao fim dos seus dias, como nas histórias de fadas. A história passava-se nos Estados Unidos, pretensamente numa colónia de emigrantes portugueses que tinham um restaurante especializado em ... pizzas deliciosas, com ingredientes cujo segredo passava de geração em geração desde uma avó algarvia!
E eu a pensar que as pizzas eram uma especialidade italiana. Nada como estas histórias americanas para melhor ficarmos a conhecer este Portugal á beira-mar plantado. É verdade que durante o filme só se falava inglês e que as únicas palavras portuguesas constavam dos cartazes turísticos nas paredes do referido restaurante. Ah! mas não haja desesperos, porque deram a festa de casamento duma das três meninas luso mericanas do filme e durante a mesma os espectadores foram brindados com duas canções em português castiço e mau sotaque: a Sapateia açoriana e um fado lisboeta, que já não me lembro bem se era aquele da morte da andorinha que não põe termo à Primavera.
O filme era muito ajuízado Pois é, mas uma das meninas, a doidivanas que andava com este e com aquele, casou com o filho dum ricaço, nos primórdios canalizador, enriquecido à custa do seu (dele) trabalho (quando me parece que apenas se enriquece à custa do trabalho ... dos outros). A outra menina, que também gostava do fornicanso, mas só com o noivo, todo de moral á moda antiga, acabou por render-se-lhe, casando com o dito cujo,. um pescador cujo pai seria patrão da futura sogra, embora não me tenha ficado claro se o dito pai era dono dum barco de pesca. A mais intelectual e santinha, irmã da primeira, perdeu o arquitecto de cuja filha era baby-sitter, pois o dito intelectual (muito parecido fisicamente com o meu chefe) preferiu continuar com a esposa legítima. E embora a santinha tivesse rasgado o cheque dos serviços prestados como baby-sitter, por causa das confusões, não perdeu tudo, pois sempre conseguiu ingressar na prestigiada Universidade de Yale, para tirar um curso de Astronomia, graças a um empréstimo-donativo da bondosa patroa da pizzeria. (MMA - 1993.08.10)
Bem, lá voltei aqui depois de ver o filme Armadilha Mortal, com suspense e surpresas no enredo umas atrás das outras. Os principais intérpretes eram o Michael Caine, que aprecio, e o Cristopher Reeve (o Super-Homem, que acho um canastrão). (MMA - 1993.09.10 B)
Dos filmes que abordam a relação entre um homem e uma mulher há dois que aprecio sobremaneira, embora sejam de géneros diferentes. Talvez porque me identifique com os personagens masculinos, isto é, com o modo como através deles as coisas são apresentadas. Um deles, África Minha, com Meryl Streep e Robert Redford, é um drama. O outro, que de novo revi há pouco com boa disposição e sonoras gargalhadas, é Um Amor Inevitável (no original When Harry met Sally), com Billy Crystal e Meg Ryan.
O filme conta com humor a história dos (des)encontros do Harry e da Sally. No primeiro detestaram-se, porque nada tinham em comum (o que não foi o nosso caso), no segundo tornaram-se amigos (o que aconteceu connosco) e no terceiro casaram-se (o que ainda não sucedeu connosco). O primeiro encontro é numa viagem que fazem juntos, para a universidade, durante a qual Harry afirma que é impossível um homem e uma mulher atraente serem amigos porque surge sempre o desejo de sexo pelo meio. Na sequência do segundo encontro, anos mais tarde, Harry confessa a um amigo que é amigo de Sally e como não há mais nada pelo meio não precisa de mentir-lhe e podem falar e estar á vontade um com o outro. Á terceira casam-se mesmo. O filme tem cenas deliciosas. Numa delas, na fase em que eles são apenas amigos, á mesa dum restaurante Harry gaba-se do seu sucesso entre as mulheres, o que leva Sally a interrogá-lo sobre os fundamentos da sua presunção. Perante a convicção dele de que um orgasmo não se simula, ela, na cadeira, com a voz e gestos, "representa" uma cena de amor e orgasmo, finda a qual termina voltando á pose anterior como se nada se tivesse passado perante a estupefacção dos comensais e o embaraço do presunçoso. Pois é, nesta sociedade pretensamente dominada pelos homens, a estes cabe a presunção da iniciativa, mas nem sempre a conseguem fechar com chave de ouro! Em África Minha identifico-me com o modo como aquele homem e aquela mulher tentaram e em certa medida conseguiram viver o seu amor respeitando a independência de cada um deles. (MMA - 1993.09.15)
No domingo á tarde fui com o Rui e a Susana ao Jumbo comprar material escolar para o caçula depois de termos ido a uma das salas de cinema do centro comercial ver um filme de que te falei anteriormente: Dennis, o Pimentinha, sobre as diabruras duma criancinha traquinas. Embora me tivesse rido nalgumas cenas, achei o filme inferior a qualquer um dos da série Sozinho em Casa, não só porque nestes o miúdo/actor era mais expressivo, mas também porque nestes a história tinha mais consistência. Embora qualquer deles sejam filmes para miúdos cujo principal intérprete é uma criança, são duma extrema violência sobre os bandidos, adultos, que sofrem autênticos tratos de polé. Mas a verdade é que o Rui e os seus amigos deliram com tais cenas de violência, muito semelhantes ás dos filmes de desenhos animados, sobretudo dos de origem norte-americana que a televisão passa nos programas infantis. (MMA - 1993.09.20)
Bem, vou fazer para ali uma mistela para comer. Depois acabarei de ver um filme policial que gravei esta madrugada. (Um outro, do Jerry Lewis, que não aprecio muito e me causa um certo constrangimento, ficou sem o final, devido ao incumprimento de horários pela televisão).
Nas minhas idas a Lisboa, acabadas as reuniões, vou até ao cinema. Gosto de ir às sessões do fim de tarde. Duma das últimas vezes gostei muito da Idade da Inocência: um filme muito bonitinho, de Martin Scorcese, mas duma extrema violência, passado na alta sociedade nova iorquina da passagem do século. Sob o manto diáfano das boas maneiras e dos sorrisos, a extrema violência da hipocrisia e das convenções sociais, da escolha da segurança e do bem-estar em detrimento da loucura do amor e da paixão.
Outro filme que vi foi M.Butterfly. A Madame Butterfly é uma ópera que canta os amores dum ocidental por uma japonesa, que se suicida quando aquele a abandona, comoventemente para o público ocidental. Com base nisso, o filme narra a paixão (verídica) dum diplomata francês pela intérprete de M.Butterfly no Teatro de Pequim. E o que parecia uma grande paixão, iniciada na China e prosseguida em Paris, anos mais tarde, não passaria duma sórdida história da paixão e degradação dum homem apaixonado por outro homem, ambos presos e condenados por espionagem.
Claro que uma leitura linear pode levar-nos a perguntar como pode um diplomata desconhecer que na China os papéis femininos eram interpretados por homens (como aliás na Europa, nos tempos de Shakespeare ou de Gil Vicente) ou como pode um homem manter uma relação amorosa com uma mulher (afinal homem) que simula uma gravidez ( que implica a existência de relações sexuais ) sem que alguma vez durante anos o suspeite? (Aliás caso semelhante teria acontecido em Portugal com a história da generala). Mas é o próprio francês que nos dá a resposta, quando afirma que se apaixonou não por um homem, mas sim por uma mulher criada por um homem (e quem melhor que um homem pode saber o que um homem pretende duma mulher, perguntar-se-á? Ou, na mesma ordem de ideias quem melhor que uma mulher para saber o que uma mulher espera de um homem? ). E no fim é o francês que se suicida, num acto teatral, travestido de Madame Buterfly, enquanto o espião chinês é deportado para a China).
Afinal todo o amor (ou a paixão?) não será senão uma encenação, uma ilusão dos sentidos, uma elaboração mental, uma construção ( social ? ) que em certa medida a sabedoria popular expressa em ditos do género O amor é cego ou Quem o feio ama, bonito lhe parece ?! O que me levaria ao programa do Júlio Machado Vaz, Sexualidades, que já não via há muito tempo, ontem dedicado ao namoro e ao casamento ou ajuntamento, ao (des)conhecimento das pessoas, aos papeis masculinos e femininos, com filhos, filhas e algumas mães e nenhum pai. Por sinal todas as mães presentes (nenhuma divorciada ou solteira) com ausentes mas compreensivos maridos. É impressionante como a maioria dos homens e das mulheres (esposas e mães incluídas) se educam mutuamente, não para a liberdade e o respeito mútuo, não para a entreajuda e a solidariedade, mas para a negação disto tudo. Aqueles seriam pais e filhos diferentes da maioria, apesar de tudo. É difícil ser diferente, querer construir uma relação à margem das convenções sociais, que não libertam mas aprisionam. (MMA - 1993.09.20)


1 - Inspirado na peça "A Tempestade", de Shakespeare.
2 - Voltei a ver o filme em 1963.10.31
3 - "Estive a ler o "Genesis" e cheguei à conclusão que o filme "A Bíblia" é fiel ao livro, embora não cite algumas passagens, como por exemplo a embriaguez de Noé. (...) Será sempre uma deturpação dos textos bíblicos - refiro me ás imagens, dado o seu carácter comercial" (MEB - 1966.12.16)
4 - Título não registado.
5 - Título não registado
6 - O verdadeiro título é "Malteses, Burgueses e ás Vezes"
7 - Aviso que acompanha determinados filmes.
8 - Não fixei o título.
9 - Pizza, Amor e Fantasia (Mystic Pizza)

Sem comentários: