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Nem dei pelo Carnaval, que aliás não foi tema de reportagens na imprensa on line que leio, se exceptuar notícias de que tinha sido adiado em algumas localidades, devido ao carrossel de tempestades que varreu Portugal. Os dias têm estado cinzentos, embora hoje o tempo continue ameno, de céu azul com desvanecidas nuvens brancas. Ao contrário de anos anteriores, não há voos de pombos ou de gaivotas, aterrando no campo verde em busca de alimento. Os novos métodos de ceifa e debulha mecanizadas terão diminuido a quantidade de grão desperdiçado. Com as ventanias a esmagadora maioria dos limões têm-se desprendido dos ramos, apodrecendo no solo.
Continuo tendo como interlocutor os meus botões, falando apenas com a vizinha Amélia quando aqui vem e hoje com o Paulo, carpinteiro. Ontem telefonou-me a Faia Maria, com a sua voz ridente e juvenil. Outrora telefonava a muitas amizades, mas presentemente não me apetece fazê-lo. Para além da Faia Maria apenas tenho falado telefonicamnte com a Elsa, minha conterrânea da Praia do Bispo, em Luanda. Por escrito, no Messenger, o Rui é com quem mais tenho 'falado'
Fora isso prossigo as minhas pesquisas, leituras e produção de guiões para ilustrar textos meus, como os que encimam esta publicação. Estou quase a terminar a leitura de 'Por Dentro do Chega, A Face Oculta da Extrema-Direita em Portugal', calhamaço de investigação do jornalsta Miguel Carvalho, de quem em tempos lera 'Quando Portugal Ardeu: histórias e segredos da violência política no pós-25 de Abril', dedicado aos ataques da rede bombista de extreama direita que pôs o país a ferro e fogo, especialmente a norte de Rio Maior. Creio que dele também terei lido 'A Última Criada de Salazar', que relata a história de Rosália Araújo , uma jovem que foi a última empregada doméstica a servir, dos 13 aos 19 anos, António de Oliveira Salazar no palácio de São Bento,
Olho para lá da janela e do silêncio que me rodeia. As nuvens acinzentaram-se e cobrem agora quase todo o céu.Abro a vidraça e chove a cântaros, a frialdade invadindo a sala e arrefecendo-me as mãos, enquantos as gotas de água que escorrem do telhado dedilham sons compassados como se fossem prdrinhas saltitando com leveza.
Notícias do Bloqueio II
Estão suspensas as palavras
Proibidos os gestos
de ternura, amizade e amor.
O silêncio invade as ruas
entra nas casas
senta-se á mesa da gente.
Que sentido tem dizer
amor
amiga
camarada
companheiro?
Que sentido tem
abrir as mãos e os olhos
e perguntar qual o significado do
que vemos, ouvimos, entendemos e sentimos?
Gaivotas loucas, alvoraçadas, enchem os ares
de movimento e ruído
enquanto a vida escorre pelos dedos
indiferente
medíocre
submissa.
(Setúbal, 1985.10.02 )
Continua em em torno do silêncio
Ijustrações do chatGPT (*) e do Google Gemini (**) segundo guiões de minha autoria
Desenha 1. Á esquerda um campo verde, com um cacto candelabro, um imbondeiro, uma palmeira, um pinheiro manso, uma laranjeira com laranjas, uma oliveira. No ar esvoaçam águias, pombos e andorinhas No campo um elefante, uma zebra, um boi e uma ovelha. 2. Ao centro no areal duma praia, está em destaque um homem idoso, apoiado numa bengala, olhando em frente. Junto a ele está uma gaivota. 3. Á direita é o mar, cintilante, levemente ondulado. As ondas morrem em rendilhados de espuma na praia. No mar dois golfinhos. 4. No horizonte o céu é azul com nuvens brancas. Á direita um sol vermelho espreita por entre as nuvens,As nuvens estão com tons avermelhados 5. No campo desenha girassóis, papoilas e craveiros Desenho realista
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Anoiteceu completamente. Para lá da jsanela, no horizonte, tremulizam luzes, como se fosem pirilampos ou estrelas a anos-luz. Não sei se o ruído que ouço é dos aviões, da ventania ou de chuva a cair. São 22:10. Assomo à janela, abro a portada e tudo é calmaria neste momento. Não chove, mas está um frio miudinho, como se gotículas fozze, colando-se-nos à pele, Se fosse Verão, seriam gotículas de suor. Houve-se o troar dum avião, cada vez mais distante. Afinal não será o vento. Daqui a pouco deverá outra aeronave sobrevoar o 'meu' espaço aéreo.. Meto-me para dentro e fecho a janela.
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