* Victor Nogueira
Esteve a manhã soalheira, embora o dia se tornasse cinzentonho durante a tarde. Aproveitei para ir ao quintalejo colher alguns limões, quer dos que atapaetavam o solo, os não apodrevidos, quer alguns colhidos das ramadas.Afinal, escondidos, a tangerineira tinha uma meia dúzia de tangerinas, que colhi, com excepão daquela que estoicamente resiste desde há semanas, que avisto da janela da cozinha.. No quintalejo corria uma leve brisa desagradavelmente fria, embora dentro de casa a temperatura esteja amena. No horizonte desapareceram todas as árvores, derrubadas para abertura duma estrada, pondo a descoberto uma fiada de edifícios brancos. Apenas subsistem à direita, marginando a EN 13. By the way: a antiga fábrica do Mindelo, que estava em ruínas, foi demolida. Ainda me lembro de ir lá com o meu tio Zé Barrosos, em 1963, comprar roupa à porta da fábrica, como muitos faziam, por ser mais barata. (1)
Cozinhei novamente ensopado de borrego, que se comia. Terei perdido a minha mo para a cozinha, com o avançar da idade?
Relata a imprensa on line que é grande a afluência às urnas. S. Pedro fechou as torneiras do céu e libertou os raios de sol, mesmo que de inverno sejam. Fe-lo pelo Ventura e / ou jogou pelo Seguro? São insondáveis os mistérios de Deus no Olimpo, embora o Mestre André continue a bater na tecla de que as eleições deverfiam ter sido adiadas, para lhe permitirem mais oito dias de actividdes circenses. Ao fim do dia André irá novamente à missa, antes do início da contagem dos votos, com ar compungido e um batalhão de repórteres e camera-men em seu redor, atropelando-se entre si para registarem as tropias do devoto 4º Pastorinho.
Recorrendo ao chatGPT (*) e ao Google Gemini (**( para ilustrarem este dia de eleições, mas fui forçado a "refinar" o guião em relação à posição das pessoas.
Guião inicial
Desenha. Á esquerda uma sala, com uma mesa, a urna de voto, uma pessoa em pé recebendo o voto dum eleitor. De cada lado do homem que recebe o voto estão sentados dois homens e duas mulheres. Na sala, em fila, algumas pessoas (homens, mulheres, jovens, idosos) aguardam a vez de votarem. Duma ampla janela da sala avista-se o campo, verde, com charcos de água. O céu a esquerda está azul e soalheiro, de nuvens brancas. À direita as núvens que se avistam são cinzentas.
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(1) Na chamada "recta do Mindelo", entre esta freguesia e Vila do Conde, na EN Porto/Viana do Castelo, existia uma importante fábrica têxtil, onde o meu tio Zé Barroso e muito mais gente iam comprar o vestuário, pois á "porta da fábrica" os produtos nela confeccionados eram mais baratos. Hoje a fábrica está encerrada: depois de ter aberto falência em 1993/94. Em 2005 as instalações foram vendidas em hasta pública (sem que os trabalhadores tenham recebido os salários em atraso e as indemnizações) e tudo tem agora um ar de abandono, depois de aparentemente ter falhado o projecto do "Chinese Trade Center" no "Mindelo Park", anunciado com pompa e circunstância em 2010 (muito se usa e abusa de designações em inglês aqui pelo Norte onde Portugal teria nascido, em oposição à moirama de riba e alem-tejo e algarve)
Nesse tempo, nos anos 60, o "pronto-a-vestir" assentava mal (as camisas de flanela tinham normalmente padrões "feios" e era dificílimo encontrar um que me agradasse) e a roupa de quem tinha posses para tal era executada por medida, em modistas e alfaiates: camisas, calças. fatos ... O "mau-gosto" do pronto-a-vestir assumia assim um caracter discriminatório, indicativo/distintivo da classe social. Mais tarde, em évoraburgomedieval, no isese, nos anos 70, o modo de vestir de certo modo distinguia a origem social dos estudantes: "mal-vestidos" parte da "nata" de Champalimauds e companhia, de fato e gravata a pequena burguesia e sem fato e gravata e de kispo ou apenas casaco e calças de ganga as chamadas "camadas" intermédias..
Desde crianças as raparigas das classes populares e da pequena burguesia eram instruídas com maior ou menor habilidade nas artes da costura. As famílias mais remediadas ou de menos posses cerziam e viravam colarinhos, calças e demais roupa.
Em torno da referida fábrica criou a Câmara Vilacondense um parque industrial, o da Varziela, um dos muitos que como cogumelos foram nascendo por esse país fora, funcionando em não poucos casos e com o mínimo de investimento como "depósitos" ou armazéns de comércio por grosso. O de Vila do Conde tem uma característica: está ocupado essencialmente por armazéns chineses. Mesmo que anunciem moda de Itália ou de França, esta é ... "made in China".
De malha ortogonal e alguns becos, a maioria da área ocupada pela "Chinatown" é desarborizada, pejada de automóveis no período de abertura, com um aspecto inóspito e ar de bric-à-brac. O que aliás é característico mesmo da maioria das lojas chinesas de venda a retalho, sucessoras das "lojas dos 300", onde o que se pretende atrair/cativar não é o olhar mas sim a bolsa, por atacado. Na Varziela e para "servir" toda a sua população, um restaurante, um café e um "mini-mercado".

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