Fotos de capa em janeiro 04
* Victor Nogueira
No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.
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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.
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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.
VNFotos de capa em janeiro 04
* Victor Nogueira
* Victor Nogueira
2023 01 03 - Fotos victor nogueira e Rui Pedro - Porto (Campanhã) - O Astro Cervejaria e Petisqueira (2022 11 01)
O Astro é uma Cervejaria Petisqueira estabelecida no Porto desde 1979, atestando que é nela que se encontram as “verdadeiras bifanas”, garantindo que não comer nela uma bifana é como ir uma vez na vida ao Porto e não beber um vinho do Porto (na "berdade berdadinha", produzido no Alto Douro e Trás-os-Montes e armazenado em Gaia, transportado em barcos rabelos). Ou como "ir a Roma e não ver o Papa"!
Mas o proprietário, o senhor Albino, também afirma que “o caldo verde está ao nível das bifanas, pois não há hora do dia em que não esteja fresco, quente e pronto a comer”.
Mas não se ficam por estes as vitualhas recomendadas, a encomendar, de comer e chorar por mais: moelas, sandes de presunto, rissóis de carne, rissóis de camarão, pasteis de bacalhau e panados, tudo isto bem regado com vinho, cerveja ou bebidas não alcoólicas. Quanto à cervejola, um alambique à entrada permite que seja tirada directamente do produtor ao consumidor, atesta um cartaz no interior, por cima do balcão.
Mais propriamente «Cerveja natural de Adega / acabada de fazer / Directamente da Fábrica para o seu copo // Estrella Galicia / Cerveja de adega»
No exterior, uma esplanada. No interior, o alambique e duas salas de refeição, uma delas mais para dentro, soalheira e recatada. Foi na mais buliçosa, à entrada, que abancámos.
Dizem que os olhos também comem, mas, talvez problema oftalmológico meu, nada do que estava exposto no balcão me fez salivar.
2023 01 03 - Era uma vez um menino pobre que aos pontapés na bola entrou no circ(ul)o dos gladiadores. Dizem os "entrendidos" e as "entrendidas" que ele é o maior gladiador do Mundo e arredores, aquEle que nos "Lusíadas", fosse o Camões vivo, seria louvado, cantado como aquEle que, inquestionavelmente desde os afonsinos, foi o que mais deu a conhecer os tugas nas Sete Terráqueas Partidas , chutando, pontapeteando e cabeceando.
Fosse Camões vivo e seria a Ele e não a D. Sebastião que o pobre vate dedicaria os Lusíadas e seria a Ele que pediria a tença para não morrer só e abandonado, lançado à vala comum.
Ao pé d'Ele, a tença de Murça são migalhas, pois diz a notícia:
«Cristiano Ronaldo foi oficializado como reforço do Al Nassr na passada sexta-feira. O internacional português, de 37 anos, que rescindiu contrato com o Manchester United antes do Mundial 2022, assinou contrato válido até 2025.
Segundo a imprensa saudita, Ronaldo vai ganhar 500 milhões de euros até ao final do contrato e terá recebido mais de 100 milhões só de prémio de assinatura.»
Cem milhões só por pôr um rabisco numas papeletas! E mais ....
Que valem um par de sapatos vermelhos de Murça comparados a modestíssimas prebendas como os presentes da Georgina, a mais que tudo, isto é, "calhambeques" e "Donas Elviras" como um Brabus 800 Widestar (c. 366 000 euros), um Cadillac Escalade (c. 87 mil euros) e um Rolls-Royce Dawn (c. 400.000)? Ah! ditosa Pátria, esta que tais heróis e filhos coloca no Panteão dos Deuses!
https://www.noticiasaominuto.com/.../ja-vai-em-tres-todos...
2023 01 03 - Marcelo de Sousa é uma espécie de Rei-Sol ou Presidente-Rei numa monarquia de Direito Divino, omnisciente e omnipresente, uma espécie de Papa laico, pastoreando, iluminando e conduzindo o rebanho, salvo seja!
Razão tinha Passes de Coelho para o não querer como Presidente da República apoiado pelo PPD/PSD? Marcelo sobre (quase) tudo perora, isto é, desde que isso permita que o seu PPD / PSD cole os cacos e se assuma como alternativa, desde que por Ele majestaticamente orientado pelas veredas e pradarias.
Marcelo de Sousa talvez pretenda figurar na História Lusitana, ombreando talvez com Viriato, Afonso Henriques, Vasco da Gama ou Pedro Cabral. Mas ... um Presidente-Rei como Marcelo, como seria pelos vindouros cognominado?
Como seria justamente reconhecido um tal Venerando Chefe de Estado, Supremo Magistrado da Nação? O "Centopeia" ou "Carrocel", por deslocar-se com uma centúria de perninhas por toda a parte, numa imparável roda-viva? O "Globe-Trotter" que corre Seca e Meca dando a conhecer Portugal ao Mundo? O "Grafonola" ou "Jukebox", que sobre (quase) tudo perora e dá música? Ou simplesmente como o "Presidente Reissol"?
Victor Nogueira
«A que chama guerra de memória?
Tenho pensado muito na memória da Guerra Fria, sobretudo em países como a Rússia ou a Polónia, que estão tentar construir uma memória completa ao adoptar uma certa versão da história e prometer uma pena para os que não a apoiarem ou para quem apontar incongruências acerca de alguns acontecimentos que não sejam reconhecidos pela polícia de estado. Por exemplo, a Polónia está a criminalizar todas as menções a cidadãos polacos envolvidos no Holocausto durante a ocupação alemã.
A Rússia está a prometer consequências sérias para aqueles que compararem a União Soviética dos anos trinta e quarenta à Alemanha de Hitler, ao ponto de a visão da História promovida pelo estado ser profundamente problemática para a população. Há uma guerra promovida por um estado e parte da população discorda do abuso de poder por parte desse estado; um abuso que se apoia na promoção de uma versão da História em relação ao país vizinho. E está a fazê-lo usando qualquer coisa parecida com a velha guerra de trincheiras.
Já não é a memória da Guerra Fria, mas continua a ser uma memória de guerra. Os métodos são bem arcaicos. Há um anacronismo nesta guerra. Não vemos drones, nem novos instrumentos de guerra. E sabemos que a Rússia soube usá-los na Síria. Mas agora o que fizeram foi praticamente uma encenação de algumas memórias, ou talvez de alguns filmes sobre acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. Só que na Rússia. Ataques, bombardeamentos. Se no dia 7 de Agosto de 1941 começaram a bombardear Kiev, agora, uns oitenta anos depois, a Rússia volta a bombardear Kiev usando os mesmos métodos, a mesma lógica. É bizarro.
Tenho a convicção de que Putin e os seus apoiantes estão profundamente insatisfeitos por viverem no século XXI. E não é que quisessem apenas viver no século XX, mas era mais fácil organizarem as suas máfias debaixo da mesa e continuarem como se nada fosse, numa sociedade em que não havia qualquer espécie de activismo, movimentos de mulheres, blá blá... Era apenas o grande jogo oligarca dos que estão no poder. Não sabemos o que vai sair daqui, mas acho que estamos sob uma grande ameaça.» (
Que diz a autora noutro passo da entrevista:
«Este é um livro de não-ficção porque não inventei ou acrescentei qualquer espécie de enredo. Não é um trabalho de jornalismo, mas é uma tentativa de escrever o que aconteceu como aconteceu. Comecei a escrever fisicamente este livro quando tinha dez anos.
Rebobinando, que diz Stepánova?:
«Por exemplo, a Polónia está a criminalizar todas as menções a cidadãos polacos envolvidos no Holocausto durante a ocupação alemã.
A Rússia está a prometer consequências sérias para aqueles que compararem a União Soviética dos anos trinta e quarenta à Alemanha de Hitler, ao ponto de a visão da História promovida pelo estado ser profundamente problemática para a população. Há uma guerra promovida por um estado e parte da população discorda do abuso de poder por parte desse estado (...)» (in Público 2023 01 02)
Estamos conversados sobre a bizarria desta salgalhada em torno da(s) memória(s) distorcida(s) de Maria Stepánova.
EM TEMPO - Escreve um -dos comentadores no Público, on line;
Francisco M. INICIANTE
«A memória como outros elementos sociais é sempre negociada. Pode ser colectiva mas também tão individual ao ponto de se tornar irreconhecível. Nós em Portugal tanto cremos que a carreira da Índia acabou com as caravanas terrestres e pelo Mar Vermelho e Golfo Pérsico entre Ásia à Europa que nada se conta que as caravanas simplesmente foram desviadas para norte, para a Rússia. Que São Petersburgo só vingou depois de Pedro I ter "forçado" os comerciantes a trazer as suas mercadorias ao novo Bazar de São Petersburgo em vez de Moscovo. Que o "grande jogo" dos ingleses na Ásia central tinha como objectivo acabar com essas caravanas que faziam uma tal concorrência ao comércio por mar. A memória de Moscovo da Sr.a Stepanova é bem diferente da de um Russo de Vladivostok ou das dos do Donbass.*
2022 01 02 - HÁ 4 ANOS, MARCELO DE SOUSA, O GLOBE-TROTTER, PARABENIZANDO O SEU IRMÃO BOLSANERO, O INGRATO QUE SE NÃO CANSOU DE DESFEITEÁ-LO E FAZÊ-LO ENGOLIR SAPOS: «“Como eu disse e como disse o Presidente Bolsonaro, era uma reunião entre irmãos e entre irmãos o que há a dizer se diz rápido, como se diz em família”.
2018 01 02 - Foto Victor Nogueira - em setúbal, fogo de artifício na passagem do ano visto duma das varandas no cimo da torre no alto duma encosta. Não tão majestoso como o da beira rio, para nornordeste também houve festa: no Faralhão e Praias do Sado, na Azeda e muito mais para lá, talvez no Montijo ou Pinhal Novo, embora neste caso muito minúsculo. Suponho que também terá havido em Palmela, mas não reparei nele,caso tenha sido lançado.
* Victor Nogueira
2023 01 01 - Em anos anteriores daqui de casa, no Mindelo, vislumbrei o fogo de artificio em Vila do Conde, a uns 5 km a Norte. Mas o tempo estava frio, ventoso e chuvoso, pelo que ainda não foi desta que fui à cidade para vê-lo.
De repente comecei a ouvir o estralejar de foguetes, fui ao quintalejo apesar da chuva miudinha, a chamada chuva molha-tolos, mas o fogo mal se vislumbrava, ao contrário de anos anteriores.
Já passam 22 minutos da meia-noite, ainda se ouvem esparsos estralejos, Do fogo em Vila do Conde fica este vídeo. "Adivertam-se"!