* Victor Nogueira
3 de junho de 2019 ·
Contraluz na serra da estrela, numa viagem com os alunos da Escola Industrial e Comercial de Évora, em 1975 02 26
1. - A neve parece esferovite e de vez em quando um tipo enterra-se até aos joelhos. Antes do cume a serra é negra, salpicada de branco; no cimo é um manto branco, que o nevoeiro confundia, tornando fantasmagóricos os vultos. Estava frio, mas suportava-se.
Encontro-me num café da Covilhã, ( ) que parece um do Porto, enquanto as ruas lá para trás lembravam Sintra. Almoçámos no Fundão, na Escola Secundária, um prédio de habitação adaptado - onde as pessoas tinham um ar seráfico e beatífico, falando com um sotaque de seminaristas, padres ou de freiras de Santa. Zita; - será que a maioria deles são destas bandas? - As miúdas desta região têm um ar rude ou agreste - serrano? -
Demos liberdade aos miúdos e até agora não tem havido problemas. Estou é maçado, pois a camioneta não é cómoda e por causa da reunião na Escola só me deitei às 3 da matina para levantar-me às 5 1/2. (MCG - 1975.02.26)
2. - (...) Perguntas-me se gostei da Serra? Digo-te: vira o postal, e diz-me se essas pedras negras e essa erva amarelecida têm alguma beleza ou alegram o espírito! Imagina esta paisagem embranquecida pela neve, por entre rochas negras! E vai daí compreenderás que tenha arrefecido um pouco o meu entusiasmo... pela Noruega. (MCG - 1975.03.05)
3. - Terá sido em 1963 que vi nevar pela 1ª vez, como registo no meu diário de então: “Vi nevar pela 1ª vez, quando ia para casa do avô Luís, e à tarde, quando fomos ao café Astória”. (1963.01.13 - Diário III).
Caíram uns flocozitos de neve que se liquefaziam antes de pousarem no solo. Em Luanda no Natal, coincidente com o pico do calor, na árvore e no presépio a neve era representada com flocos de algodão hidrófilo e, posteriormente, com um spray que solidificava ao contacto com o ar.
Esta minha ida à Serra da Estrela foi uma desilusão, pois o que encontrei nada tinha a ver com as fotos e filmes em que surge “bonitinha”. Na realidade parecia esferovite, com fealdade misturada na berma dos caminhos com a terra acastanhada. No verso duma das fotos anotei na altura “Serra da Estrela, Março 1975 – Numa excursão com alunos da Escola. Fiquei desiludido com a neve. Não há nada como as paisagens verdejantes do Minho. A neve é desoladora.”
Foto editafa pelo google Gemini em 2026 06 03

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