Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN

sábado, 3 de novembro de 2007

OBRIGADO - Victor Nogueira




  • Victor Nogueira
Obrigado, muito obrigado
obrigado por todos os presentes que hoje me ofereceste
obrigado por tudo quanto vi, escutei, recebi
obrigado pela luz que me despertou
obrigado pela roupa que me veste, pelas cores que ela
...............tem e pelo corte que a faz bela
obrigado pelo jornal, pelas histórias do Tintin, sorriso semanal, pelas reuniões
...............austeras, pela justiça que se fez, pela partida ganha
obrigado pelo camião do lixo e pelos homens que o acompanham,
...............pelos gritos que soltam de manhã, pelos ruídos da rua que acorda
obrigado pelo metal, entre os dedos apertado, pelo longo lamento que
...............ele solta sob o aço que o morde, pelo olhar satisfeito do contramestre,
...............pelo carinho cheio das peças terminadas
obrigado pelo Camilo e pelo Carlos que se sentaram à minha mesa, pela simplicidade 

...............do Rocha, pela mão do director no meu ombro, pelo
...............sorriso - sempre é sorriso - do Rola, pela malta de Económicas
...............que me reconheceu, pela amizade do Artur e do Luís Filipe
obrigado pela rua acolhedora que recebeu os meus passos, pelas
...............montras das lojas, pelos automóveis, pelos transeuntes, por
...............toda a vida que escorria lenta, entre as paredes das casas,
...............manchadas de sol
obrigado pela comida que me sustentou, pelo copo de café com
...............leite que há pouco me matou a sede
obrigado pelo autocarro que facilmente me levou onde eu queria
...............pela gasolina que o fez funcionar, pelo vento que
...............me afagou o rosto, pelas árvores que me saudavam quando
...............eu ia a passar
obrigado pelas miúdas que encontrei hoje
...............pela graça marota da Isabel, seu sorriso-riso sonoro
...............que alegra a gente
...............pelo ar sereno da Noémia
...............pelo sorriso da garota do Chiado, aquela que tinha uma
...............covinha no queixo,
...............pelas travessuras da Microbianas
...............pelo olá da puta que se cruza comigo diariamente
obrigado pela alegria do Jorge perante os brinquedos que comprara
obrigado pelos bons dias que me desejaram
...............pelos apertos de mão que reparti
...............pelos sorrisos com que me brindaram
obrigado pela mãe que em casa me acolhe, pela sua presença
obrigado pela amizade do pai, apesar do seu silêncio
obrigado pela amizade desajeitada do Zé Luís
obrigado pelo tecto que me abriga, pela luz que me ilumina,
...............pela música que ouço
obrigado pelo Zeca Afonso, pelo Vivaldi
obrigado pelos livros, pelo Steinbeck pelo Jorge Amado,
...............pelo Manuel Alegre e pelo António Reis
obrigado por tantos eles
obrigado pelo ramo de flores,
...............pela erva no telhado, pequenas florestas galgando montes

obrigado pelos dias luminosos
...............pela noite serena
...............pelo céu estrelado
...............pelo silêncio

obrigado pelo tempo que me deste ...
...............pela vida
...............por sentir tudo isto
obrigado por estares aqui
obrigado porque me escutas, me levas a sério. recebes em
...............tuas mãos o feixe dos meus dons para oferecê-los aos
...............outros
obrigado
muito obrigado

Michel Quoist
(adaptado - Évora 1971.ABR.14)
(Setúbal 1989.MAR.01)
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Clicar nas imagens para ver o verdadeiro aspecto gráfico do poema

Victor Nogueira ~ELEGIA PELA MINHA FAMÍLIA DISPERSA


Mindelo - 1974 - Celeste (+), Victor, Zé Barroso (+), Maria Emília (+), Zé Luís (+), António (+), Maria Luísa, Esperança (+) - Foto Manuel N S (*)


Porto - Natal de 1973 - Zé Luís (+), Alexandrina, Zé Barroso (+), Carlos, Teresa, Victor, Isabel, Manuel N S (+), Esperança (+), Celeste (+), Maria Emília (+), António (+) Zé João (+) - Foto Manuel N S (+)


Carcavelos - Zé João (+), Maria Emília (+), Celeste (+), Maria Luísa, Victor, Esperança (+), Susana, Rui Pedro - Foto Manuel N S (+)


Luanda - Maria Emília (+), Zé Luís (*), Victor, Manuel (+)


Luanda - Manuel (+), Victor, Maria Emília (+), Zé Luís (+)


Nova Lisboa - Zé Luís (+) Victor
(Foto MENS)


Braga (Bom Jesus) - Victor, António Barroso (+)
(Foto a la minute) 


Victor e Celeste  (+) em Évora (tirada por alguém que ia a passar, a nosso pedido)

Lisboa (Jardim da Estrela) - 
Zé Luús (+), Teresa (namorada), Maria Emília (+), Mariazinha (+), Celeste (+)
(Foto Victor Nogueira)


Carcavelos - Maria Emília (+), Manuel (+), Celeste (+), Lili, Victor, Esperança (+) Susana, Rui Pedro
(Foto JJ Castro Ferreira) (+)


Salvada - Celeste (+), Rui Pedro, Preciosa, António Gato (+), Susana
 (Foto Victor Nogueira)


Salvada - Victor, Celeste /+), Maria Emília, (+) Mariazinha (+), Teresa (+), António, Milinha, (...), (...)


Paço de Arcos - Fátima, Lili, Victor,Maria Emília (+) - foto JJ Castro Ferreira


Carcavelos - José João (+), Maria Emília (+), Fátima
(Foto Victor Nogueira)


Victor, Fátima (foto JJ Castro Ferreira)


Adicionar legenda

(Foto JJ Castro Ferreira)



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Desde então a lista dos que partiram aumentou: o meu avô Luís, o meu irmão, os meus tios José Barroso e José João. E também a mãe dos meus filhos, que nesta altura ainda era viva. Do resto da família, dos meus primos, nada mais soube depois da morte do meu avô Barroso e do meu casamento.
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«Encavalitado nos meus pensamentos»

* Victor Nogueira
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Encavalitado nos meus pensamentos
passo
este quente Domingo de Verão
no exílio deste casarão vazio
enfronhado na presença do que está ausente
Leio
estranho
as palavras outrora alinhadas
como se de outrem me tratasse
Esta velha sensação
..........................aqui renascida
..........................nos sentimentos
adormecidos
Esta guerra
...............entre o fazer
...............e o deixar correr
o tempo
o telefone ali
ao alcance da mão
..............do sentir aprisionado
..............tornado inútil
o gesto risonho
Na praia
...........quase em deserto
o dia cai
lento
....,na escuridão
.....Crescente
.....a frescura
que enche a casa estranha


Setúbal (Figueirinha)
1987.08.03

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

CORAÇÃO ROSA DOS VENTOS

* Victor Nogueira
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A tua carta é um pássaro pintado
.................................................com emoção e alegria!
Cada folha é uma seara dividida em quatro e
na delicadeza do teu olhar
sou um rio
....................leve rumor
....................suave brisa que passa e canta!
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Setúbal, 1992

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Últimas Publicações (2)





Deambulando por Lisboa (30) - A Lisboa Oriental, do Campo das Cebolas aos Olivais

* Victor Nogueira
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A Casa dos Bicos fica para outra banda, perto do Chafariz d'el Rei, marcando o início da Lisboa Oriental, que se estende ao longo do rio, por Santa Apolónia, Xabregas, Beato, Poço do Bispo, Marvila e Braço da Prata até Olivais. Aqui se situa a doca dos Olivais, onde outrora amaravam os hidroaviões e onde nos anos 60 ainda apodreciam alguns.
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Foi zona de quintas, conventos e palácios, que deram origem a sujos aglomerados habitacionais em resultado das fábricas que a partir do século XIX aqui se instalaram. (1) Dos palácios e conventos de outrora pouco resta: o convento da Madre de Deus, outrora banhado pelas águas do rio Tejo, é exteriormente despretensioso, hoje transformado no Museu Nacional do Azulejo, conservando a riquíssima capela em talha dourada. Outros conventos foram reconvertidos, como o dos Grilos, onde está instalada a Manutenção Militar, ou aquele outro que deu origem à estação ferroviária de Santa Apolónia, para não falar nos do Beato ou de Xabregas.
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Exteriormente degradados persistem alguns palácios. Para Marvila, ainda se encontram azinhagas serpenteantes, algumas ladeando pequenas hortas. Objecto de reconversão urbanística parcial em resultado da Expo 98 (Exposição Mundial), daqui saíram instalações petrolíferas e industriais.
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Da ruralidade ainda subsistem alguns largos, como o da Viscondessa dos Olivais em Olivais Velho, no alinhamento da Gare do Oriente, com o seu chafariz, fontanário e urinol do século XIX, para além da rua com casas para os operários da fábrica dum capitalista (Alves Gouveia) (2) que neste largo tinha a sua residência. Da toponímia registo as travessas as travessas dos Buracos e das Courelas
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No Beato, nas minhas deambulações, fui dar a outra vila operária, cujo insólito residia na roupa a secar em cordas que atravessavam a rua de janela a janela, para aproveitar o espaço.
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No Poço do Bispo no Largo David Leandro da Silva sobressai a fachada dos armazéns vinícolas da Abel Maria da Fonseca, talvez parente do José Maria da Fonseca, de V. Nogueira de Azeitão. Neste pequeno largo citadino, com prédios em recuperação, existem palmeiras e um quiosque com azulejos arte nova, como outro similar no Cais do Sodré, para além dum urinol público do início do século XX. (Notas de Viagem, 1998.Maio.01)
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1 - A partir do século XIX as fábricas instalaram-se ao longo do rio, de Xabregas ao Poço do Bispo e de Alcântara a Pedrouços.
2 - Denominada rua das Casas Baratas.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Retrato da jovem madeirense

* Victor Nogueira
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Alva
impulsiva
de cabelo negro e farto
de nariz arrebitado
.....boca lisa
.....queixo recortado
.......................maneirinha
Eis a Fátima miudinha
.......................bonitinha
Num mar de estrelas
..........a voz cristalina
..........o olhar brilhante
..........aberto ou em surdina
..........o (so)riso cativante
Transparente cintilante
.........................ternurinha saborosa
.........................um pé de dança aqui
.........................envolvente e carinhosa
........................uma cantiguinha ali
Mulher sedutora
de fábulas narradora!

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

à guida sem amor hoje


* Victor Nogueira / M.M.
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na sua aconchegadora toca
rodeada dos seus amores
a guida
..............................com bach e beethoven
..............................deleita-se
..............................com as “humanidades”
..............................masturba-se
..............................com a Poesia
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..........."La poésie c’est tout autre chose
...........“La poésie c’est l’ indisible
...........“Ce qu’ on ne voit pas
...........“Ce qu’ on aime trop
...........“Pour pouvoir le dire!”
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(palmas, muitas palmas, delirantes)
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de vez em quando desce ao povoado
............vibra...... sofre .......horroriza-se
(coro)..... muito .....muito .....muito muuuiito .....(num crescendo, ecoante)
... e volta para a sua toca
escandalizada com os terra-a-terra
com os espíritos práticos..................desprezíveis
.............................................................a quem deve os livros
.....................................................................................os discos
.............................................................e tudo aquilo com que
.............................................................na segurança vai vivendo
.............................................................coitada da margarida
tão sensível
tão cheia de amor pelos outros
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(soluços, lágrimas, oceanos de lágrimas)
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os outros ahhh ! os outros !!!
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.................“Et pour toi mil fois merde
.................“je te le dis!
.................“que sais-tu de poésie, toi
.................“qui regarde les journaux
.................“aux yeux avides de voisine
.................“qui aime trop les nouvelles
.................“qui ne veut que savoir
.................“ce Qui se passe au monde?”
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(indignação, himalaias de indignação)
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.....................com a Poesia
.....................masturba-se
.....................com as “humanidades”
....................deleita-se
....................com bach e beethoven
....................a guida
....................rodeada dos seus amores
....................na sua aconchegada toca.
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1971.07.24 - Évora
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Os versos em itálico são de M.M. e depois foi a minha resposta , que os incorporou. Mas continuámos amigos.

Deambulando pelo Kant_O (1)


* Victor Nogueira
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sábado, 27 de outubro de 2007

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Duas propostas para deambular: azulejos e palácios

Lisboa - Palácio dos Almadas ou da Indepêndencia

Ainda photandando por Carnide e Luz

Decoração da estação do metro na Pontinha


Decoração da estação do metro na Pontinha

Santuário de N. Sra da Luz - Carnide

Santuário de N. Sra da Luz - Carnide

Palácio da Quinta do Caupers (actual Quinta da Luz) no Largo da Pimenteira e sede da JF



Luz era, no séc. XVIII, um importante pólo de atracção na freguesia de Carnide. Aí, realizavam-se feiras e romarias que traziam ao local muitos visitantes durante os meses de Verão. As procissões e romarias da Nossa Senhora da Luz eram grandes acontecimentos, nos quais até a Nobreza participava.
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A igreja de N. Sra da Luz, foi edificada em 1575 para substituir uma antiga ermida, tendo sofrido graves danos com o terramoto de 1755, resistindo a capela mor, o arco do cruzeiro e parte das paredes do corpo da igreja. Aqui está sepultada a Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I, que incentivou bastante a construção deste templo, que também incluía um hospital. No retábulo da capela-mor podemos observar pinturas feitas por Diogo Teixeira e Francisco Venegas. (Monumento Nacional)
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Estação do Metro na Pontinha
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A estação Pontinha abriu ao público em 1997, o projecto arquitectónico é da autoria da Arq.ª Ana Nascimento e a intervenção plástica é de Jacinto Luís. Esta estação, localizada numa zona de transição de três concelhos (Lisboa, Odivelas e Amadora) é geradora de grandes fluxos de tráfego, de e para o centro da cidade, constitui um dos terminais da linha da Gaivota e faz parte de um importante interface intermodal. O edifício da estação, que lhe é exclusivo, está situado no centro de uma praceta e tem apenas um piso, o do átrio, acima do nível do solo. Em todas as quatro fachadas e parte da cobertura, em abóbada, existem amplas aberturas envidraçadas permitindo a iluminação com luz natural do espaço interior. Ao entrarmos na estação verificamos que o átrio é constuído por uma "passerelle" larga que a atravessa de lado a lado, ligando as duas entrada e deixando amplas aberturas de um lado e de outro relativamente aos topos da estação. Estas aberturas unificam o espaço interior até ao nível dos cais e, como num passe de mágica, somos transportados do piso térreo em que nos encontramos, vindos do exterior, para o piso mais elevado, visto agora do interior da estação. A autora do projecto de arquitectura utilizou os azulejos de revestimento para desenhar linhas oblíquas de cores puras que percorrem, entrecruzando-se, os vários níveis em que se desenvolvem as paredes da estação, contribuindo assim para reforçar a unificação do espaço interior. No que respeita à intervenção plástica, Jacinto Luís apresenta-nos uma série de nove obras pintadas sobre madeira versando temas de natureza morta seguindo a via artística do hiper-realismo, de que Jacinto Luís é seguidor.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Photoandando por Lisboa - Carnide e Luz





Vista aérea da Quinta da Luz


Carnide e arredores



Carnide


Carnide - Bairro da Quinta da Luz


Carnide - Bairro da Quinta da Luz


Carnide - Registo de Santo António


N. Sra da Luz



Carnide


Carnide - Convento de N. Sra. da Conceição


Carnide - Centro histórico


Carnide - Centro histórico


Carnide - Centro histórico (coreto)


Carnide - Centro histórico


Carnide - Centro histórico


Carnide - Centro histórico ( o registo foi colocado mais acima)


Carnide - foto paulo cesar



Carnide


Igreja de Carnide - Autoria Foto Portuguese_eyes 2005


Brasão do extinto Concelho de Belém, no Largo da Luz


Alunos do Colégio Militar, em uniforme de gala


Feira da Luz - 2006


aaa_sized - feira da luz


aaa_sized - feira da luz


Carnide - Centro histórico



Carnide 1929



Carnide - Centro histórico
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Para saber mais ver:


Deambulando por Lisboa (29) - Carnide e Luz


Carnide (Lisboa) - Wikipédia




Lenda de N. Sra da Luz (1)



Pedro Martins, português de origem humilde, nascido em Carnide, possuía no Algarve algumas terras herdadas por sua mulher, senhora de alguns haveres. Certa vez, quando para lá se dirigia a fim de cuidar de sua propriedade, foi aprisionado pelos mouros numa das incursões feitas pelos infiéis em território cristão e levado para o norte da África. Naquela ocasião, por volta de 1453, sobre a fonte do Machado, em Carnide, começou a aparecer uma luz misteriosa, cuja origem ninguém conseguia descobrir. Andava o povo alarmado e de Lisboa e dos arredores chegava muita gente para ver o fenômeno, começando o lugar a ser chamado: "A Luz".

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Pedro Martins, no seu cativeiro, desanimado da intercessão dos homens para libertá-lo, recorreu àquela que é o Socorro dos Aflitos e a Esperança dos Desesperados. Suas orações foram ouvidas pela Virgem Maria que lhe apareceu trinta noites seguidas em sonho, procurando consolá-lo. Na ultima noite Ela prometeu-lhe que ao acordar se encontraria em Carnide, mas que aí deveria procurar uma imagem sua escondida perto da fonte do Machado, em sítio que lhe seria indicado por estranha luz. Quando a encontrasse, deveria erguer no local uma ermida em sua homenagem.

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No dia seguinte, como a Virgem Maria lhe havia anunciado Pedro Martins amanheceu em sua querida cidade natal. Em agradecimento por tão milagrosa libertação, o ex-cativo procurou logo realizar o desejo da Mãe Santíssima. Em companhia de um parente, saiu certa noite à procura da imagem. A luz cintilava sobre a fonte. Caminharam por entre o arvoredo e notaram que ela ia se deslocando até que em determinado momento parou. Limparam o local e ao removerem algumas pedras encontraram a efígie da Rainha do Céu.

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Assim que se espalhou a notícia do feliz achado, grande foi a afluência do povo ao lugar, e a Virgem Maria aí começou a ser invocada com o título de Nossa Senhora da Luz.Logo que pôde, Pedro Martins iniciou a construção da ermida com a permissão do bispo de Lisboa, que se prontificou a lançar a primeira pedra em solene cerimônia religiosa. Mais tarde esta capela foi substituída por suntuoso templo, inaugurado em 1596.

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A festa de Nossa Senhora da Luz começou a ser celebrada todos os anos e as casas nobres portuguesas disputavam entre Si a honra de se encarregarem das despesas. Este grandioso santuário, entretanto, foi quase totalmente destruído pelo terremoto que assolou Lisboa em 1755, catástrofe que, segundo piedosa lenda, deu origem à construção de Nossa Senhora da Luz de Diamantina.

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Contam que a distinta dama D. Teresa de Jesus Corte Real, durante a imensa tragédia que destruiu Lisboa, suplicou a proteção da Senhora da Luz e conseguiu refugiar-se com seu esposo e empregados domésticos em uma capela dedicada à Mãe de Deus. Seu marido havia sido designado para o posto de funcionário do "Contrato de Diamantes" em Minas Geras e ela prometeu então que, se conseguisse chegar ao Brasil sã e salva, faria erigir na colônia uma capela à Virgem da Luz. Aqui chegando, fixou residência no Arraial do Tejuco e alguns anos depois mandou construir nos arredores da vila urna pequena igreja. Diz a tradição que ao lado do templo, em cumprimento a outra promessa feita por seu pai à Senhora da Luz durante o terrível terremoto, fez erguer um recolhimento para a educação de órfãs, preparando-as para a vida. .

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Cada moça que se casava, após esmerada educação, recebia um faqueiro de prata e três mil cruzados, quantia que dava para construir uma boa casa.

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D. Teresa Corte Real faleceu em 1826 e seu corpo foi sepultado debaixo do coro da igreja que fundara, na qual também foi colocado um seu retrato a óleo feito pelo pintor Manuel Pereira.

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Nos fins do século passado, a igrejinha estava prestes a ruir, porém o seu vigário conseguiu angariar fundos para reconstrui-la. No dia 20 de maio de 1900 ela foi solenemente reaberta aos fiéis e a imagem da Padroeira recolocada em seu antigo altar após solene procissão acompanhada de uma chuva de flores atiradas das sacadas pela senhoras de Diamantina. Todas as ruas estavam profusamente ornarmentadas e iluminadas para homenagear aquela que, tendo gerado a Luz do Mundo, bem mereceu o título de Nossa Senhora da Luz.Contudo, esta devoção em terras brasileiras não nasceu em Minas Gerais, pois a mais antiga igreja dedicada a Senhora da Luz em nosso pais foi a de São Paulo, fundada primeiramente no Ipiranga, por volta de 1580, e depois transferida para o atual bairro da Luz, em 1603. Foi na primeira capela, citada pelo Padre Anchieta em urna de suas cartas, que um frade franciscano, capelão da armada de Diogo Flores Valdez, foi assassinado por um soldado ao pedir esmolas para os pobres.

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O segundo templo da Virgem da Luz acompanhou toda a história da cidade de São Paulo, tendo sido instalado ao lado da Capela o famoso Recolhimento da Luz fundado por um grupo de religiosas. Atualmente, depois de reformados, tanto o templo como o convento deram lugar ao Museu de Arte Sacra da capital paulista, onde se encontram preciosidades históricas e artísticas do Estado bandeirante.0 culto a Nossa Senhora da Luz, difundido pelos jesuítas e beneditinos, deu origem a diversos santuários no Rio de Janeiro e nos Estados do Sul do Brasil, principalmente Paraná e Rio Grande.

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A cidade de Curitiba se iniciou em torno de uma capela, onde a Mãe da Luz era venerada pelos seus inúmeros milagres. Sobre a sua fundação existe interessante lenda, que passaremos a narrar:

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Na segunda metade do século XVII, Gabriel de Lara, seguindo os faiscadores de ouro, cruzou a serra do Mar e encontrou uma pequena povoação no sítio dos Pinhais, onde em 1659 seria fundada a vila de Nossa Senhora da Luz. Dizem que seus primeiros habitantes foram membros da bandeira de Antônio Domingues, que em 1648 se dirigia ao sul do país. No entanto, segundo a lenda, os bandeirantes se haviam estabelecido um pouco além, nas margens do rio Atuba, onde ergueram uma ermida à Senhora da Luz.Com o andar do tempo, os rudes penetradores do sertão notaram que a imagem da Virgem tinha sempre os olhos voltados para os campos aos quais os índios denominavam Curitiba (Pinhais). Aquela região era dominada pelos ferozes cainguangues, ciosos de seus bosques de pinheiros. Contudo, Nossa Senhora insistia em mirá-la, pois todas as manhãs aparecia com os olhos luminosos voltados para o poente.

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Tal foi a insistência da Virgem, que os sertanejos resolveram sondar a possibilidade da conquista do sítio indicado pela Padroeira. Com seus aprestos de guerra seguiram para a esplanada dominada pelos bárbaros caingangues, prontos para o combate.Em vez da luta prevista como certa, o que ocorreu foi a acolhida generosa e cordial. Do chefe indígena para o chefe branco partiu apenas um aceno acolhedor. Os arcos foram jogados no chão em sinal de paz e a cuia de mate, símbolo da hospitalidade, foi oferecida ao chefe índio, rodando depois pelos guerreiros brancos.

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A Cidade de Luz, no Oeste de Minas Gerais, iniciada em 1790 em torno de uma capelinha dedicada a Nossa Senhora da Luz e desde 1918 sede da Diocese, recebeu no dia 2 de fevereiro de 1995 preciosa escultura de sua Padroeira, que lhe foi doada pela câmara Municipal de Lisboa. Esta imagem, abençoada no santuário de Carnide, em Portugal, construído junto à fonte do Machado, onde em 1453 0 humilde Pedro Martins obteve da Mãe Santíssima um estupendo milagre, é toda em mármore branco e foi recebida com grandes festejos populares e comemorações cívicas na progressista cidade mineira e entronizada na bonita catedral.

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Existe ainda na Cidade de Luz interessante monumento erguido em 1993 para comemorar o 75º aniversário da criação do Bispado, no qual foi colocada uma efígie de bronze de Nossa Senhora da Luz, cópia daquela trazida pelos portugueses em 1503, que se encontra em exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo.A invocação de Nossa Senhora da Luz é bastante difundida no Brasil, pois existem 21 paróquias a Ela dedicadas.

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Fonte: "Invocações da Virgem Maria no Brasil", de Nilza Botelho Megale, Ed. Vozes, 4a. ed., pp. 274-279.

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(1) - Nas minhas deambulações por Portugal tenho encontrado inúmeras Igrejas ou Santuários que foram construídos em locais então e muitas vezes de difícil acesso onde teria aparecido uma escultura/imagem de Cristo ou da Virgem. Para além da N. Sra da Luz (Carnide - Lisboa), há o Santuário de Nossa Senhora da Rocha, em Carnaxide (Oeiras), o do Senhor Jesus da Pedra (Óbidos), o de Nossa Senhora dos Remédios (Peniche), o da Senhora do Almortão (Idanha-a-Nova), o de Nossa Senhora da Luz (Mourão), o Santuário de Nossa Senhora da Luz (Cós - Alcobaça - fonte milagrosa) ...