* Victor Nogueira
1 de novembro de 2024
Está de cinza, tristonho, o dia de todos os santos. pluvioso e frio, aqui, quase à beira-rio. No parque verde as folhas das árvores embrunecem, anunciando a vinda do tempo em que se desprenderão dos ramos para atapetar o solo, dum castanho dourado, embora sobre a relva, sempre verde. Lá em baixo, no relvado, pousam demoradamente as gaivotas, quietas e sossegadas.
Não é costume que assim seja. Não será alimento pois esse buscam-no nos contentores, a meio do largo. Espaçadamente, uma e outra, em voo planado, cruza os ares. Não se vislumbram os pombos e tudo em redor e dentro de mim é silêncio!
O largo está vazio de gente, passando com destino ou sentadas nos bancos ou nos muretes, os jovens e as mulheres conversando ou contemplando quem passa, os homens por vezes jogando às cartas, a miudagem jogando à bola, por vezes rematando contra uma das paredes, grafitada, riscos nela gravados sem engenho e arte.

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