1 de novembro de 2020
Outrora era muito comum ver nas estradas ou pelas ruas os jericos, mulas ou burros, normalmente puxando carroças que transportavam produtos ou pessoas, por vezes comendo placidamente a palha. Outras vezes transportavam no dorso alcofas ou pessoas, por vezes o nédio abade ou o João Semana, de As Pupilas do Senhor Reitor ou o anafado Sancho Pança, o fiel escudeiro e criado de D. Quixote.
Também estes pachorrentos animais, quando não escouceavam ou teimosamente fincavam os cascos dali não arredando, ajudavam puxando os arados ou movendo as noras para delas se extrair a água, para uso doméstico ou irrigação dos campos..
Eram pois instrumento de trabalho e o meio de transporte da plebe, que a fidalguia andava a cavalo, como D. Quixote, no seu esquálido Rocinante.
Mas presentemente e pelas ruas e pelas estradas raro se encontram equídeos, os jericos sendo uma espécie em vias de extinção, sem que a Humanidade com isso se preocupe, inebriada pelos cavalos mecânicos.

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