* Victor Nogueira
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Paço d'Arcos
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---------Os dias têm estado óptimos, quentes e cheios de sol. Paço de Arcos é um sítio deveras sossegado. Domingo fui à missa das 11, na capelinha do Paço dos Condes de Alcáçovas [donde vem o nome da vila, pois tem três arcos no piso térreo, virado para o Rio Tejo]. Além desta há uma Igreja, que será substituída por uma outra. Em seguida fomos dar um passeio até ao jardim, onde ficam campos de jogos, parque infantil, bar, cinema e clube [Clube Desportivo e Recreativo de PA, num edifício que foi casino]. (1963.11.17/19 - Diário IV)
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O dia está desagradável no jardim: ventoso e fresco. Ontem o tempo estava estival, dizem as minhas notas. Os carros passam velozmente ali na Marginal e o Tejo é azul. As crianças correm e brincam pelas áleas e vêm-se muitos triciclos e bicicletazinhas. A esplanadaxe "Paço d'Arcos: esplanada no jardim"§ está cheia de gente que conversa. Além à esquerda vejo o barracão feio do cinema da vila [o Chaplin]: apenas três sessões semanais no verão - terças, sábados e domingos. () (MCG - 1972.08.10)
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Encontro me no jardim, rodeado de pessoas, digo, de crianças brincando e do trânsito automóvel. O chão está coberto de folhas secas e amarelecidas, que o vento transporta. Esse vento fresco que me fará ir embora mais cedo porque se torna desagradável. Ultimam se os preparativos para a Festa do Senhor Jesus dos Navegantes, que se realizará nos últimos dias deste mês de Agosto, pelos vistos mês das feiras e festarolas. () (MCG - 1972.08.23)
São 12:30. Ouço o portão chiar e assomo à janela... e não vejo ninguém (Algum miúdo que entrou e saiu, penso eu). Mas eis que batem com a aldraba na porta. Abro a e lá está o carteiro no gesto habitual, mão estendida com as cartas (hoje, apenas carta!) Cumprimentamo nos e agradecemos mutuamente. Fecho a porta. Regresso à sala de estar, pego na tesoura para abrir o sobrescrito, que resguarda as notícias. (MCG - 1972.09.06)
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Desta vez as minhas deambulações trouxeram me até ao Jardim de Paço de Arcosxe . Aqui estou pois, junto à Estrada Marginal, onde passam velozes carros e mais carros. O Tejo está defronte a mim e o Tejo seria uma baía como a de Luanda ou do Rio [de Janeiro] se eu não soubesse. Ao alcance da vista o mar e o Farol do Bugio. Para montante Lisboa, a Ponte e o Cristo. Além é Belém, di lo o monumento que daqui se vê. Os bancos do jardim estão desertos: corre uma aragem fresca e algo desagradável. O jardim tem flores, mas as árvores estão ainda despidas. O céu nublado está belo, ao pôr do sol. As núvens negras nuns sítios, iluminam se noutros. De resto vai se aproximando a hora de jantar - os dias agora estão mais compridos. (s/data - 1972/73 ?)
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Às 14:30 apanharei [em Évora] boleia do Pintassilgo (e da miúda) rumo a Setúbal, onde apanharei a camioneta para Cacilhas, aqui o ferry-boat para o Cais do Sodré e lá o comboio para Paço de Arcos. Em lá chegando à estação, olhos para as malfadadas escadas [escadaria], atravesso a linha, subo as e ala pela Rua Conde de Alcáçovas abaixo, por entre as árvores que a ladeiam até ao fundo, onde viro à esquerda dando de caras com o nº 1 da Rua de Macau. (1973.08.03)
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Ontem o mar estava de tal modo encapelado que as ondas batiam violentamente no paredão, submergindo os carros que passavam na Marginal, entre os quais o nosso. Um espectáculo com piada. Anteontem choveu, relampejou e trovejou de tal modo que até parecia uma das tempestades em Luanda. (1974.01.06)
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Passei pela Tabacaria [Dany] para comprar este postal. Está frio e encontro me sentado num marco de pedra no passeio, onde está o Mercado, defronte ao Correio. (...) As pessoas e os carros passam de regresso a casa e eu quero ver se ainda passo ali pelo "supermercado". (MCG - 1974.09.18)
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O dia hoje está cinzento e montes de jornais e livros enchem aqui a mesa da sala de jantar "O Combate, tem escrito a toda a largura da 1ª página: "A libertação dos trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores". E a titular a 1ª notícia: "MFA, liberal na política, autoritário na economia! A polícia e o exército reprimem os trabalhadores em luta no Ribatejo" (...) Da cozinha vem o ruído das costeletas a fritar. Olho ausente para o espelho defronte a mim,, para ver qual será o próximo tema, e verifico que tenho o cabelo revolto e a barba já se vai notando.(1974.11.20)
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O tempo está húmido e frio e quando cheguei de Lisboa estava farto da viagem e da constipação (...) No comboio duas raparigas - especialmente a que se chamava Nani - tentaram provocar conversa - as deixas foram muitas - mas sem grande resultado. Não sei o que seriam: empregadas de escritório, operárias ou qualquer outra coisa. A máquina de discos aqui doutro café da rua principal de Paço de Arcos transmite qualquer coisa barulhenta e desconchavada cujo estribilho é "Oh Mary". Não vale a pena a troca, pois aqui também não há pregos nem leite. Tenho mesmo de ficar mal jantado. (1974.12.26)
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Hoje não vamos a Lisboa. Passearemos apenas aqui em Paço de Arcos. Sairemos aqui de casa, apreciarei a casa onde moram as minhas tias [na Rua de Macau], que tem um jardim pouco cuidado, que pertence à senhoria [a D. Manuela], que mora no r/c - nós moramos no 1º andar. Atravessamos a linha férrea, iremos até ao Paço dos Condes de Qualquer Coisa - na foto - um recanto bonito e antigo. ()Tomaremos a rua Costa Pinto - com prédios que devem ser do tempo do Marquês de Pombal e, junto à tabacaria, viraremos para o jardim, onde agora está a "feira" [Festa do Senhor Jesus dos Navegantes.() Veremos os cartazes do cinema [Chaplin] [1972] e as pessoas que passeiam. Sentamo-nos no jardim, trocando ideias sobre as notícias do jornal. Ali um jovem casal de namorados troca de vez em quando uma beijoca (quando o polícia não olha!). Esperemos que nenhuma das duas velhotas se escandalize. Retomaremos o passeio pela marginal, ultrapassaremos a doca e iremos até à praia tomar banhos de sol. De mar não, por causa da poluição. E como o tempo falta - a tiragem do correio é às 17 horas - regressaremos passando pelo Mercado e rumo aos CTT, apreciando os prédios do J.Pimenta, junto à Igreja nova [e de estilo moderno], onde nunca entrei. (MCG - 1972.08.02)
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O sol já desapareceu e dele há apenas no horizonte, debruando as colinas, uma faixa vermelho alaranjado. Ali à direita, a estrada para Porto Salvo e polvilhada de casario que vai substituindo os campos onde ainda se pratica a agricultura, agora secos. Ao longe um cão ladra e lá do fundo da casa vem o barulho da televisão. O mundo parece de brinquedo, assim, visto dum nono andar.
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Passei a manhã lendo ou gravando música - desta vez brasileira - para além de ter ajudado a minha tia lavando a louça e na parte das lides domésticas resultantes da minha estadia. À tarde fui com a Susana ver o comércio de Paço de Arcos e passear pelo jardim.
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(...) Olho novamente pela janela e o céu é agora azul escuro, com um leve debrum alaranjado no horizonte. Piscando, um avião passa além, enquanto lá em baixo fieiras de luzes assinalam as estradas, as casas e os automóveis. (MMA - 1986.08.15)
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Estendendo se perante mim a estrada para Porto Salvo () e o campo cada vez mais polvilhado de casas que se vão juntando até formar novos povoados. (...) Olho pela janela para o céu azulado e para os campos verdejantes. (CTT b - 1988.03.06)
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(...) Cada vez mais as casas vão substituindo os campos, daqui até Porto Salvo. Aqui o vento uiva ou silva; às vezes, como esta madrugada, parece a chuva miudinha, como esta noite de mau dormir. (MMA - 1988.08.15)
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Aqui na Tapada do Mocho, como na maioria do concelho de Oeiras, continua a falta de água. Habituamo-nos à facilidade de simplesmente rodarmos uma torneira para obter água em abundância pelo que é um aborrecimento o racionamento e o termos de andar suados e peganhentos por não se poder tomar banho ou termos de nos lavar a prestações.
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Ainda tenho de ir à Rua de Macau, a casa dos meus pais, buscar uns recipientes de água da torneira para fazer face à seca. (MMA - 1993.08.19)
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Finalmente a água voltou: barrenta, jorrando das torneiras aos borbotões ruidosos. Finalmente o prazer de abrir o chuveiro e sentir a carícia da água tépida deslizando pelo nosso corpo!
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O calor continua e o corpo cobre-se de camadinhas de finas gotículas de suor que se não evaporam, tal como sucedia em Luanda. (MMA - 1993.08.20)
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O Patrão Lopes - salva vidas (émulo do Cego de Maio, da Póvoa de Varzim) é um dos "heróis" ou personalidades de Paço de Arcos, onde o Clube Desportivo ocupa o edifício do antigo casino, com varanda envidraçada, perto dos Fornos da Cal, recuperados. No jardim arborizado com um café-restaurante esplanada existem algumas casas apalaçadas coexistindo com prédios de vários pisos ou casas térreas humildes e as instalações sanitárias públicas são art Déco. Na rua Costa Pinto, autarca doutros tempos, existe um "Palacete", com fachada de azulejos azuis, que foi pensão e albergou o Quartel dos Bombeiros Voluntários. Os portões ainda lá estão, enferrujados, com azulejo com emblema dos Bombeiros Voluntários. O núcleo histórico conserva se, mas já nada existe do tempo em que Paço d'Arcos era terra de veraneio e banhos de mar, melhor se diria, banhos de rio. Hoje a praia está poluída e os bancos vão substituindo os restaurantes.
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A toponímia do centro histórico regista nomes tradicionais, uns, aristocratas, outros, para além doutras personalidades. Registo assim os becos do Moreira e de Gould, as travessas Regueira dos Arcos (T), Ermida (T), Praia (T), Forte de S.Pedro (T), os largos de S. João, dos Fornos (L), Fonte de Maio (R), Fornos (R), Vista Alegre (R), Passarinhos (R), o Caminho do Mocho. Outros topónimos estão relacionados com a implantação da república: as praças da República e de José Fontana, o largo 5 de Outubro, a rua Cândido dos Reis, ou com a aristocracia: o Conde de Alcáçovas, (senhor do Paços dos Arcos, lembrado em rua, largo e travessa), o Conde S. Januário (avenida), os Condes de Cuba e de Rio Maior (ruas), o Marquês de Fronteira (rua), o Marquês de Pombal (rua), os viscondes de Porto Salvo e de Paço de Arcos (ruas).
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A Fonte de Maio agora seca depois de tempos de inquinamento, no entroncamento da avenida Conde S. Januário com a Estrada de Paço de Arcos (para Porto Salvo), deu nome ao aglomerado que hoje está integrado na vila. Persistem algumas casas de quinta, umas bem conservadas, outras degradadas, sobranceiras à ribeira da Laje, que corre lá no fundo do vale pedregoso, onde houve uma pedreira, hoje atravessado por um viaduto, que substitui a estreita estrada tortuosa que a ligava à Tapada do Mocho, hoje bairro social, a caminho de Cacilhas. (Notas de Viagem, 1997)
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NOTA - A casa da minha tia Esperança (arrendada), onde ficaram os meus pais depois de ela ir morar para a Tapada do Mocho na casa do meu tio José João, ficava perto do Centro Histórico da Vila - era uma zona arborizada de vivendas e descendo-se umas escadinhas, perto da casa onde morava então a Eunice Muñoz, atravessava-se a linha férrea e a dois passos era o centro, quase como uma pacata vila de província, onde se destacava uma pensão decadente num edifício azulejado, que já fora importante, em cujas traseiras havia «barracas» de habitação e uma oficina de automóveis. Reconstruíram o edifício, nas trazeiras construíram uma fileira de casas que atravancou ainda mais o trânsito e as ruas, a maioria pedonais, e Paço de Arcos, a minha terra em Portugal, perdeu-se para mim como Luanda. Com a morte ou a dispersão de familiares, amigos e colegas, Portugal tornou-se definitivamente para mim terra de exílio, desentaizamento e desterro completos. E Setúbal - aparentemente tão parecida com Luanda vista do Forte de S. Filipe e com as suas buganvílias (?) - foi uma escolha errada - terra de ninguém. (2008.02.5)
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Oeiras
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A vila de Oeiras está ligada ao Marquês de Pombal, onde este tinha o seu palácio e domínios senhoriais no século XVIII, hoje retalhados e distribuídos por várias entidades. As diversas quintas constituíam um complexo, com uma parte de recreio e outra de exploração económica, esta com adega, celeiro, lagar, criação de bichos da seda, pombal, olivais, vinhedos e pomares. Presentemente a povoação que se desenvolveu em torno da quinta tem muito comércio na sua zona histórica mas não atrai passear e deambular nela devido à estreiteza das ruas e à intensidade do trânsito automóvel. Na parte antiga predominam as vivendas com jardins, que dão lugar a prédios altos nas recentes zonas de expansão em antigas quintas, que por vezes dão o nome aos novos bairros, como o da Quinta das Palmeiras ou da Quinta do Marquês.
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Recentemente o largo principal, i.e., a Praça 5 de Outubro, foi transformado em zona pedonal, mas não é sítio de passeio e permanência, parece-me, pois Oeiras é para mim estrada de passagem. E depois o largo central, onde fica a Igreja de N.Sra da Purificação de Oeiras, tem alguns edifícios desenquadrados, enormes e feios, sem graça ou poder cativante, incluindo o Quartel dos Bombeiros Voluntários.
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Oeiras é atravessada pela ribeira da Laje, curso de água mal-cheiroso ao longo do jardim da povoação onde outrora havia um parque de campismo. O jardim é aprazível e florido.
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Perto do centro e bordejando a antiga propriedade agrícola de Pombal fica um edifício que dá o nome à Junção do Bem (Est), (
6) designação com o seu quê de poético. Mas também no centro da vila fica a rua das Alcássimas, de feição rural com pátios, que vai desembocar no largo do Avião Lusitânea, no qual Gago Coutinho e Sacadura Cabral fizeram a 1ª travessia do Atlântico Sul. Mas apesar do nome, aqui não está qualquer réplica do avião como aquela que implantaram em Lisboa junto à Torre de Belém, talvez porque o espaço aqui não é desafogado e a rua é estreita, escondida, sem
mar ao pé, que tal não pode pretender ser o aqueduto vizinho que outrora regava as terras do senhor Marquês de Pombal, em largo e rua lembrado.
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Aquele aqueduto dá o nome a uma rua, perto da rua da Biblioteca Operária Oeirense. Uma das casas da rua das Alcássimas (nºs 28 a 38) possui no seu interior um mosaico romano. Já nos arredores do primitivo núcleo populacional e nele hoje integrado encontramos as ruas Lagares da Quinta (R), Quinta Grande (R) e Caminho da Quinta. (Notas de Viagem, 1997.08.20)
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Santo Amaro de Oeiras
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Estamos aqui no Motel de Santo Amaro.O meu pai acabou de dar cabo dum pacote de amendoins que comprou na Boca do Inferno (na foto muito apaziguado). O céu está cinzento de chumbo e o motel está quase vazio. Além uma senhora faz crochet e, lá fora, o mar morre serenamente nas rochas. Lá no motel ainda joguei nas máquinas e também 3 desafios de futebol [matraquilhos] com o meu pai, tendo ganho dois. (MCG - 1974.01.02)
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Pelo interior de Oeiras
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Leceia
Leceia é para mim uma povoação onde ressalta uma modesta igreja branca com barras azuis, com um relógio de sol na frontaria, dedicada a N.Sra da Piedade. No seu interior existem vários painéius de azulejos. No terreiro fronteiro existe um coreto sem cobertura e os terrenos circunvizinhos encontram se escalavrados. Perto desta igreja um outro largo, o largo do Marco, agradável, arborizado, com bancos voltados para um carcomido marco cilíndrico de pedra num afloramento rochoso. Um marco semelhante, melhor conservado, encontra-se junto à igreja. As casas são incaracteristicamente suburbanas, embora persistam numa encosta algumas antigas, nas íngremes ruas tortuosas. Uma delas é pedonal, em escadaria, com um muro rural de pedras sobrepostas, como que protegendo um quintalinho com uma oliveira e couves. No sopé desta rua destaca-se uma vivenda com um maciço e tosco leão de pedra na entrada, mirando uma esfera, com um cata-vento original na chaminé: Pégaso, o cavalo alado. No cimo da rua que estamos a referir existe uma modesta casa rural arruinada, com a bandeira do PCP na parede, em sumida pintura vermelha, e a foice e o martelo nas vidraças que restam.
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Um agora abandonado Centro de Trabalho do PCP numa terra tão pequena talvez explique o nome das ruas: travessa General Humberto Delgado, ruas Henrique Galvão do Movimento das Forças Armadas, para além da omnipresente rua... 5 de Outubro. Outras artérias estão ligadas aos descobrimentos, como a rua Vasco da Gama e a travessa das Descobertas. Por detrás da igreja, na rua do mesmo nome, uma casa simples, com duas portas laterais e uma janela ao centro, com uma pequena varanda exterior à direita, com parapeito de ferro e vasos de flores.
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Os campos em redor estão cultivados. De Leceia, no alto do monte, a Barcarena, lá em baixo no vale, junto à ribeira, é um pulo pela rua Marquês de Pombal. Na encosta, junto à estrada, avista se o corpo central dum moinho de vento transformado em miradouro, com parapeito no lugar do telhado. De Leceia avista se até longe, até Laveiras e ao Hospital Prisional de Caxias.
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Em Leceia situa se ruínas pré históricas duma povoação fortificada. (Notas de Viagem, 1997)
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Barcarena
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Vista de Leceia e mesmo doutros pontos, o que sobressai em Barcarena é a sua enorme igreja, de S. Pedro, no centro da povoação, com um adro com vista para a ribeira e para um pequeno jardim público, bem como o edifício que foi do quartel dos Bombeiros Voluntários. O primitivo templo foi destruído pelo terramoto de 1755, que na área de Oeiras e Paço d'Arcos provocou grandes prejuízos. Uma outra igreja, arruinada e em processo de recuperação, a capela de S. Sebastião, protector das pestes e dos artilheiros, caracteriza-se por dois corpos, o anterior cilíndrico e o posterior de secção rectangular. No centro algumas casas antigas demonstram a importância doutrora. Mais para a extrema, a sul, um cemitério. A povoação é atravessada pela malcheirosa ribeira do mesmo nome (ou de Agualva) e a sua zona central é incaracterística e confusa, nela sobressaindo o edifício dos bombeiros voluntários, estilo Estado Novo, com alpendre de arcada na fachada central. Perto de Barcarena, à entrada de quem vem de Porto Salvo, em Ribeira Abaixo, à sombra da igreja lá no alto, um tanque coberto para a lavagem de roupa, junto aos canaviais que marginam cá em baixo a ribeira de Barcarena Perto de Barcarena e de Tercena situa se a desactivada fábrica de pólvora que vem dos tempos do senhor D. Manuel I, cuja reutilização está em curso, incluindo a criação dum espaço museológico. Esta fábrica deu alguma importância a esta povoação, relativamente às circunvizinhas.
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Nas cercanias da fábrica, perto da ponte que atravessa a ribeira, encontram se a Quinta da Ponte (na Estrada de Leceia) e a Quinta de S. Miguel (na Estrada do Cacém), esta em estilo romântico (manuelino), oitocentista. Por estas bandas os caminhos são vicinais, estreitos, tortuosos e bordejados por altos muros. Tudo tem ainda um ar rural e verdejante, abundando oliveiras e algumas figueiras, contrastando gritantemente com os viadutos e autoestradas que cada vez mais cruzam esta região. De Barcarena para norte parte uma rua estreita e curvilínea, rumo a Tercena, com algumas casas mais nobres, uma das quais tem na sua fachada um colorido painel de azulejos representando o Palácio da Pena em Sintra. Já fora da povoação, na estrada municipal 578 e á direita encontramos a Quinta do Sobreiro, do século XVII, debruçada sobre o vale, murada, mas permitindo ver uma escadaria exterior dando para uma varanda de alpendre, coberta, no 2º piso (loggia).
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Daqui avistamos os campos cultivados e, mais para lá, a mole imensa e "urbana" de Cacém. (Notas de Viagem, 1997)
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Cacilhas
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Esta povoação de Oeiras, pertinho do grande Centro Comercial e do largo da fonte luminosa, placa circulatória para vários caminhos. Pouco resta da modesta povoação que já existia no século XVI: uma casa rural arruinada, com telhado de quatro águas e escada de pedra, exterior, num pequeno outeiro, sobranceira à estrada e às casas da cooperativa, na outra banda, com vista para o vale. Situada junto à estrada da Ribeira da Laje, a povoação "velha" é dividida pela estreitíssima estrada de Cacilhas, que logo adiante se perde num conjunto de casas rurais recuperadas, prosseguindo serpenteando pelos campos. Defronte a estrada de Cacilhas atravessa a estrada da Ribeira da Laje e transforma-se em rua da Mãe de Água (R), que se encontra no fundo do vale, na outra margem: um edifício cilíndrico, mãe de água ou mina de água, como as que mais adiante dará nome à estrada da Mina (Est, já em Carcavelos: Bairro da Mina.
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De Cacilhas e a caminho da Laje, no fundo do vale à esquerda avistam se os arcos duplos dum aqueduto e uma quinta perdida no arvoredo. (Notas de Viagem, 1997)
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Linda a Pastora
Alcandorada na AE, pela encosta acima, mantém um ar de povoação rural, de edifícios em degradação, perdida no meio da auto-estrada e das vivendas que se vão construindo mais a cima. As ruas são estreitas, labirínticas, tortuosas, algumas simples becos ou pedonais de escadaria acima (ou abaixo), como na Alfama lisboeta, algumas conservando os nomes característicos de outrora: Linda a Pastora: Mouras (Bc)"§ Namorados (Bc), Pombais (Bc), Veríssimo (Bc), Carambola (T), e da Bomba (T), (este terminando no Casal do Poço, mesmo ao lado da auto estrada) e Lavra (Calç), Rei (Calç), Lavra ® e Serra de S.Miguel ®, Bica (L. A meia encosta, com um pequeno adro, situa se a Capela de S. João Baptista, de traça simples e barras azuis, para além do quartel de bombeiros voluntários. As casas são ainda rurais e uma delas com uma data: 1848, possuindo outras registos de azulejos, actuais. Na rua do Lavra um cão, de ar triste e cara de urso, olha para a rua, o pescoço enfiado nas grades, não ladrando a quem passa. Sentada no poial duma casa uma velhota costura e resisto à tentação da fotografia. As Fontes de Santa Ana e outra no adro da Igreja possuem painéis de azulejos com cenas campestres.
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Mais para oriente, sobranceiras e ao longo da auto-estrada, estendendo se até ao Santuário da Senhora da Pedra, muitas barracas e casas abarracadas.
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Foi esta uma terra de vistas aprazíveis, sobre o vale verdejante do Jamor, terra agrícola e bucólica, que se perdeu, não se ouvindo já quaisquer rumorejar das águas ou da folhagem, chilrear de pássaros ou chocalhar de animais; hoje, a paisagem são os carros passando velozes na auto-estrada, num rumor contínuo, vinte e quatro horas em vinte e quatro horas, em manobras por vezes mais ou menos arriscadas e enfeixando se uns nos outros. Cesário Verde, que por aqui deambulou, não encontraria já o bucolismo que descreveu nos seus poemas. (Notas de Viagem, 1997)
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Carnaxide
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Perto de Carnaxide vindo de Linda a Pastora pela Estrada da Rocha encontra se o Santuário da Senhora da Pedra (Carnaxide) ao lado a ribeira de, onde no século XIX (1823), numa gruta, foi descoberta uma imagem da Virgem Maria, que deu o nome ao Santuário. No local há uma pequena mata e um busto do poeta e conselheiro Thomaz Ribeiro, que deu nome ao Largo, perto da velha ponte do Santuário da Senhora da Rocha, de 1883. Anualmente, em Maio, realiza se uma romaria no Santuário da Sra. da Pedra
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Carnaxide, a 5 km de Algés e 4 km de Queluz, foi outrora terra de trigais. A auto-estrada e o Estádio do Jamor destruíram o bucolismo do vale. Na Serra de Carnaxide existem respiradouros, mãe de água do aqueduto de Carnaxide, elementos visíveis da estrada, que também abastecia o aqueduto das Águas (Lisboa). No centro da primitiva povoação destaca se a Igreja Matriz de S. Romão e à roda desta igreja, no largo Almirante Gago Coutinho, estão as ruas tradicionais e as casas de quinta progressivamente integradas no espaço urbano, como a Casa de Saúde de Carnaxide, antiga Quinta da Igreja. O primitivo centro urbano está muito degradado e descaracterizado, persistindo designações de artérias como do Sapateiro (Bc), do Machado (Bc), do Lavadouro (T), Escadinhas (T), Lameiro (T) e do 5 de Outubro, Chafariz (Calç), Pátria Nova (L), Portal das Taipas (R), Portal das Terras. No adro da igreja de Carnaxide, arborizado, encontra se um coreto, sem coberto, e um chafariz, com um painel de azulejos e brasão de Oeiras, datado de 1952. Nas trazeiras deste encontra se um outro chafariz, este reconstruído na sequência do terramoto de 1755. Um portal duma antiga quinta ostenta ainda uma data do século XVIII. Na rua Visconde Moreira de Rey encontram se a Casa Gabri, onde residiu Camilo Castelo Branco, e o Palacete da Quinta das Torres, revivalista, como se fora um castelo medieval, para além da Quinta do Morval, que outrora integrava as duas anteriores. (Notas de Viagem, 1997)
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Linda a Velha
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É Linda a Velha uma povoação completamente descaracterizada, de outrora restando apenas no que seria o antigo centro da aldeia desaparecida algumas edificações: a Capela de N.Sra do Cabo, o coreto encravado num gaveto, a Quinta dos Arciprestes e duas ou três casas de dois pisos e telhado de quatro águas, ali na avenida Tomás Ribeiro, cerca da calçada do Chafariz e do beco da Machada (Bc), urbanizada a Quinta das Biscoiteiras. De referir o nome da calçada Forno (Calç e do beco das Poças. A estrada que liga esta povoação a Algés é feia, com barracas e edifícios incaracterísticos.Os poetas Tomás Ribeiro e Almeida Garrett não reconheceria seguramente as paisagens e locais que elogiaram e cantaram nos seus escritos. (Notas de Viagem, 1997)
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Algés e Dafundo
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Algés era uma Praça de touros num vasto descampado, hoje demolida. É também o chalet denominado Palácio Anjos do nome do seu primeiro proprietário, um tal Policarpo Anjos, e o mercado estilo Estado Novo. Que mais é para mim Algés? Um largo com restaurantes e estátuas de pedra simbolizando tipos populares. Uma rua que bordeja a oriente o Palácio Anjos, artéria que sobe a partir da marginal, com prédios de vários pisos e muitas e coloridas lojas de comércio.
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O núcleo primitivo de Algés de Cima conserva algumas características rurais, que se foi estendendo em direcção ao rio Tejo, até às praia, primeiro frequentada pela alta sociedade, como as de Paço de Arcos e de Santo Amaro de Oeiras, mais tarde reservada para as classes populares enquanto os Estoris se iam desenvolvendo.
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Mais para ocidente, fica o Dafundo, com o Aquário Vasco da Gama, a linha dos eléctricos (dos que ainda restam) e o Clube de Natação que tomou o nome das duas terras: o Algés e Dafundo. Nesta povoação do Dafundo se encontram ainda chalets, palacetes e os edifícios de antigas quintas, hoje integrados na malha urbana. (Notas de Viagem, 1997)
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Cruz Quebrada
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De assinalar uma ponte filipina, sobre o Rio Jamor, parte da antiga Estrada Real, e o Aquário Vasco da Gama, no Dafundo. Na rua Sacadura Cabral encontram-se edifícios como o Palácio da Cruz Quebrada, que foi residência do Marquês de Pombal, o Palacete de Santa Sofia, do século XIX, ao bom estilo revivalista ou a Quinta de S. Mateus, possivelmente construído no século XVIII.
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A povoação desenvolveu-se nos finais do século XIX com a construção das linhas do caminho de ferros e dos eléctricos, tornando-se uma estância balnear como sucedeu com as restantes povoações ao longo da chamada linha ou costa do Estoril. Contudo, dos chalets desse tempo pouco resta, substituídos por incaracterísticos edifícios.
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Entre a marginal e Linda a Velha fica o Vale do Jamor, com o Estádio Nacional e a mata, zona de lazer e de estar. (Notas de Viagem, 1997)
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Porto Salvo
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Povoação vítima da urbanização desregrada, Porto Salvo conserva a Igreja de N.Sra da Apresentação, de meados do século XVII, local que foi de peregrinação e onde se realiza uma festa anual, sem o brilho de outrora, perdida a importância das artes da pesca e dos pescadores e navegantes. Abaixo da Igreja um terreiro, usado para mercado, com fontanário e coreto. A Ermida foi construída em cumprimento duma promessa feita por marinheiros, que perdidos no mar, haviam dito que a ergueriam no primeiro cabeço que avistassem junto à costa. Um dos dois paineis de azulejos existente no alpendre,ambos representando milagres da padroeira, encontra se bastante degradado. Esta igreja possui dois cruzeiros, um no meio do adro e outro adossado à fachada principal.
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Persistem no núcleo antigo edifícios com as características de outrora: casas térreas ou com dois pisos, com pátios e respectivos anexos, como celeiros, adegas e currais. Como não podia deixar de ser nesta zona e não só, tem a inevitável rua Marquês de Pombal, para além de topónimos como o Casal das Chocas e as ruas do Casal do Deserto (R, das Portelas ®, da Ribeira de Porto Salvo ® da Fonte ®, da Lameira ®, da Oliveira ® ou na Tapada do Linho. (Notas de Viagem, 1997)
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Vila Fria é um típico bairro clandestino de vivendas de pobres, com ruas estreitas e tortuosas onde mal cabem dois carros, pois todo o terreno tem de ser aproveitado para loteamento. À entrada, na estrada de Paço d’Arcos, uma fonte atesta a benemerência dum proprietário agrícola, um tal Isidoro da Costa, que no século XIX e à sua conta a construiu à entrada da herdade para serventia do povo; trata se do Chafariz de Canejo Uma bica com azulejos, que também predominam nas fachadas das casas, chama a atenção. O Palácio da Pena em Sintra é um motivo dominante nesta região, talvez porque a massa imponente da serra se impõe lá para ocidente. As ruínas duma quinta com capela privativa chamam por enquanto a atenção do passante. (Notas de Viagem, 1998.01.31)
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Laje
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Laje é uma feia povoação atravessada pela ribeira da Laje (Oeiras), com artérias com nomes "característicoscomo beco do Monte (Bc), Larga ®, Estreita ®, Ponte ® Pedregueira ®, Casal do Matos ® (da vintena existente já no século XVI) ou da Ribeira do Laje ® e outras como as ruas 1º de Maio, do 25 de Abril e da Constituição ou largo da República. Tem uma igreja de construção recente, mas feiosa, e no beiral dalgumas casas existem pombos de barro vermelho, como encontrei com profusão na ilha da Madeira. As casas são pomposamente designadas por "vivendas", quando não passam de barracos. Uma rua estreita bordeja o cimo da encosta, lá em baixo, à noite, o escuro vale e ao longe o perpassar das luzes vermelhas dos automóveis, passando rápidos na auto-estrada, como se fossem fugazes morrões de cigarros.
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O que é surpreendente numa povoação nova são as estreitíssimas ruas direitas, onde mal cabe uma pessoa, como se estivessemos numa qualquer cidade medieval. (Notas de Viagem, 1997)
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Laveiras
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De Laveiras, para Norte, avista se a Quinta do Jardim, possivelmente do século XVII, com arco túnel sobre a estrada e capela central. Do núcleo primitivo restam as casas "rurais" em torno do coreto em ruas como a Calçadinha do Jardim, o Beco Chafariz (Bc), que me parece ser uma bica de 1896 no Largo do Cirilo. Nas cercanias um prédio de vários andares, estilo vila operária, e um chalet muito degradado e, um pouco mais acima, situa se a Igreja de N.Sra das Dores, com um pequeno adro fronteiro a que se ascende, por um dos lados, através duma escadaria. Mais para longe as ruas têm nomes de quintas, como as de Santo António, do Pedrógão ou de Santo António da Mina. A povoação é atravessada pela ribeira de Barcarena. A quinta de Santo António da Mina pertencia ao vizinho Convento da Cartuxa e remonta ao século XVII, possuindo no seu interior belos painéis de azulejos.
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Já na zona residencial nova, a caminho de Caxias, o rio Tejo refulge lá em baixo e, mais longe, avista se o farol do Bugio à entrada da barra. Junto à urbanização da Quinta do Alto, com a vista ainda não totalmente tapada pelos edifícios, a minha atenção é desperta para uma insólita construção, estilo mourisco, que o dono, um goês, diz ser indiana; no quintal desta residência despertam a atenção um aviário estilo oriental e um painel de azulejos, que me diz reproduzir a casa onde nascera em Goa. (Notas de Viagem, 1997, 1998.01.26)
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Leião
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Leião é uma povoação com muitas vivendas em construção. Para ocidente avista se a Serra de Sintra, onde o sol se põe numa cintilante bola de fogo alaranjada. Nos arredores da povoação, bordejando a estrada, um chafariz com uma cruz e um pequeno tanque coberto, adjacente, para lavagem da roupa. Uma bomba de gasolina, da Repsol, desfeia a já de si incaracterística povoação, com uma modesta igreja com vasto adro e parque infantil adjacente. O centro de Leião é muito pequeno, pedonal, com algumas casas de aspecto rural. Lá se encontra a inevitável referência ao 5 de Outubro, desta feita um largo. (Notas de Viagem, 1997)
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Talaíde
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Talaíde estende se pelos municípios de Oeiras e Cascais. É uma povoação feia, dividida por uma ribeira e unida por uma ponte. Existem algumas casas de aspecto rural e a zona oeirense apresenta um aspecto mais novo e agradável. Relembrando tempos antigos, algumas casas denominam se de "casais" e as ruas têm nomes "significativos" como são os da Paz ®, da Fé ® e da Ribeira (R). (Notas de Viagem, 1997)
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Tercena
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Tercenaxe confina com Massamá. É uma povoação com um ar airoso e desafogado, no limite que separa os municípios de Oeiras e de Sintra. tem enormes edifícios e ruas arborizadas, sobressaindo umas construções pintadas de amarelo gritante, semelhantes a respiradouros de aqueduto, como o de Carnaxide. No relvado bordejando a rua deparamos com umas esculturas de pedra, representando troncos de árvores descarnados. A igreja de Santo António remonta ao século XVIII, possuindo no seu interior alguns painéis de azulejos. (Notas de Viagem, 1997)
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Carcavelos
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Feira de, às 5ªs. feiras, especializada na venda de vestuário, espalhado ao longo das ruas da povoação, deste modo animada na sua pacatez. (Notas de Viagem, 1997)
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Entre Cacilhas e Sassoeiros, na Estrada da Mina, fica o Bairro da Mina, do mesmo nome, incaracterístico. A mina é uma mãe de água, situada no Bairro da Mina (Carcavelos), entroncamento das ruas do Comércio e e da e do Marquês de Pombal. (Notas de viagem, 1998.01.27)
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Sassoeiros
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Perdido no meio dos prédios que "urbanizam" quintas como a do Marquês, da Bela Vista e das Palmeiras, no limite entre Oeiras e Carcavelos encontramos um "centro" com casinhas engraçadas, térreas. Trata se de Sassoeiros No cimo dum largo que afinal é beco (largo Cassano) encontra se uma casa reconstruída, com um pequeno alpendre avançado e águas furtadas. Persistem algumas casas rurais, uma delas no Canto Vilas Boas e outra no largo Vasco d'Orey. Este e o largo nobre, com o edifício duma enorme quinta num dos lados, defronte a uma casa de dois pisos, escadaria exterior e telhados de quatro águas. Aliás encontram se ainda várias casa com escadaria exterior. Na rua Júlio Silveira, que desemboca no largo Vasco d'Orey, encontra se um edifício de dois pisos, degradado, sede duma associação cultural que, pelo aspecto degradado, ou é muito fraca de dinheiro ou já está inactiva. Na mesma rua uma mercearia e um restaurante ocupam um edifício com portas enfeitadas com baixos relevos amarelos. Perto do supermercado do Pingo Doce está conservado o que resta duma antiga quinta, a da Serra, com capela privativa, que pertenceu ao Marquês de Pombal. (Notas de viagem, 1997 e 1998.01.27)
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Tiago, nao sei se sequer se devo comentar.
Em primeiro lugar, partir do principio que Portugal nao e de pessoas de pele castanha e um escandalo. Portugal e de todos os cidadaos qualquer que seja a cor da sua pele, religiao,...
Segundo, nunca pensei que muitos dos grafittis fossem feitos por um grupo qualquer determinado de pessoas (ha em Portugal a tradicao dos morais -PCP. MRPP... e outros), ha tambem grupos neonazis que deixam a sua marca por todo o lado)
O que queres dizer com este post?
? Tiago
Mas qual é a vossa dúvida? Por acaso eu estou a defender a mensagem que está pintada no muro? Por acaso têm lido os comentários sobre os grafittis em diversos blogs, não só sobre a Alta? E, caramba, não só nos blogs, na rua, na maneira como algumas pessoas acham que a sua qualidade de vida diminui drasticamente por a parede do seu prédio ter um rabisco feito sei lá por quem, nos corajosos que dizem "se eu o apanhar a fazer aquilo pinto-o todo e obrigo-o a limpar a parede com a língua!". Nunca ouviste isto, Rodrigo, não?
Como espero que seja óbvio, também não estou a defender a liberdade de expressão para rabiscos murais. Muitas deles acho-as imorais. E ponho os murais políticos completamente de parte nesta discussão, Ana.
Tiago, estava só a tentar perceber melhor o contexto do teu post. :)
Eu acho que o contexto é muito claro e gosto muito do post. E concordo tb com o último comentário do Tiago.
E não estão cansados de como todos nos melindramos com estes assuntos e lemos demais nas entrelinhas?
Este post faz todo o sentido, a Alta de Lisboa quer queiramos quer não é uma zona bem complicada, isso acontece não só pela parte de quem foi realojado como também pelo preconceito de quem vive nos edifícios de venda livre. Acho que infelizmente ainda se pensa muito em função do mundo em que cada qual vive e quem é de fora é sempre visto com desconfiança, acaba por ser uma visão, a meu ver, bastante primária que cria ainda mais problemas.
Quanto a questão dos tags (grafittis são diferentes e frases idiotas escritas nas paredes também) não gosto nada mas penso que temos que nos habituar a (con)viver com eles.
Pois é..existe por vezes o problema da interpretação e por isso mesmo "solicitei mais esclarecimentos" :)))))
Pessoalmente, acho que os tags, grafittis e as frases idiotas -roubada ao João :)- estragam o ambiente circundante (o mesmo vai para os cartazes publicitários colocados nas paredes dos prédios e outras estruturas). Não gosto, chateia-me e mais, acho que devia haver uma coima associada. Para mim, isto é tão chato ou mais como o "cócó de cão" perdidos nos passeios das nossas ruas.
PS: Gosto de grafittis mas quando bem feitos e nos sitios certos. Até considero muitos como sendo arte
Peco desculpa pela minha ignorancia.
Tiago na altura percebi que nao eras tu o autor do comentario que citas.
como sou imigrante sou especialmente sensivel a estes comentarios.
A outra questao e que vivo num pais constituido por imigrantes. Alguns recem chegados dizem muitas vezes: George Washington tambem era um imigrante.
Quanto aos grafittis:
Vamos aprender entao a conviver com os grafittis e tags?
Porque?
Nao sao proibidos por lei?
Rodrigo,
O que queres dizer com "bem-feitos e nos sítios certos"? Quem avalia a qualidade? Quem decide o local? Há um limiar de qualidade para passar a ser arte? Imposto por quem?
Isto faz-me lembrar o filme "O Gosto dos Outros". Viram?
Ana, também vivi 4 anos nos Estados Unidos e a realidade no que diz respeito a este problema é exactamente a mesma. Não vivemos propriamente num mundo perfeito ou para não ir tão longe não vivemos na Suissa, ser proíbido por lei não significa que não se faça, é razão até para fazer mais, é um desafio, o gozo ou o risco é maior. Isto não é só a nossa realidade é a realidade global acontece em todos os paises ocidentais.
Rodrigo, os tags as frases idiotas e muitos dos grafittis estragam mesmo o ambiente circundante, são horriveis, são proíbidos e há mesmo coimas para que os fizer. Estou completamente de acordo com tudo o que dizes, mas ou chamas a polícia cada vez que vez um puto a fazer tags ou lhe dás um estalo ou organizas uma brigadas de vigilância na tua zona ( com camâras ou não, para depois levares à polícia e eles não fazerem nada)ou ficas chateado, indignado mas vais-te habituando há situação. Porque tu não tens solução, a policia não tem solução e quando mais chateado ficares mais tags vais ter à tua porta. É chato não existir solução para tudo mas por vezes essa é a realidade. Para te dizer a verdade parece-me mais importante encontrar outras actividades e interresses para quem faz tags do que propriamente andar a correr atrás deles.
Já agora só mais uma coisa, tenho um sobrinho que estuda numa escola particular bem conhecida, há 2 anos atrás 1/4 da turma dele andava de spray na mão a fazer tags, sabes porquê?
porque dava adrenalina, porque era proíbido, porque as pessoas não gostavam.
Hoje felizmente encontraram outros divertimentos alternativos igualmente interessantes e já não fazem tags.
Joana,
"bem-feitos e nos sítios certos"? Quem avalia a qualidade? Quem decide o local? Há um limiar de qualidade para passar a ser arte? Imposto por quem?
Foi uma opinião puramente pessoal, e os critérios de avaliação são baseados na minha experiência de vida e personalidade. Podemos depois ter uma conversa mais detalhada sobre isso. :)
Agora em termos de sociedade:
São questões que não devem ser deixadas ao senso comum pois se há "coisa" que é variável essa é o gosto. Como tal, a sociedade deve criar regras (como já existem) e aplicar coimas para assim se
evitar por exemplo as "frases idiotas e ofensivas" que foram colocadas a vermelho vivo ao pé do Aguias da Musgueira. Já agora, que achas delas? :)
O que é certo e assumido por mim, é que não gosto de ver grafittis\tags e afins nas paredes do prédio ondo moro e neste caso também em toda a sua zona circundante, pois acho (de acordo com o meu senso comum) que não existe qualquer espaço para esse tipo de devaneios artisticos.
João,
Eu só estava a dar uma opinião sobre o facto concreto dos grafittis/tags e não a comentar as suas causas e ou métodos de resolução. Concordo com o cenário que expões.
Um blog em fogo interno de posts que dá gosto ver!
Eu que não gosto nada dos republicanos americanos tive de reconhecer a chapelada do antigo chefe de polícia de NY (olá Ana)quando cá veio há uns anos explicar como tinha conseguido fazer diminuir drasticamente os niveis de criminalidade na metrópole. E disse qualquer coisa como isto "Criminalidade é criminalidade, seja um roubo, um assassinato ou a destruição da propriedade alheia (como é a grafitagem, seja de carruagens de metro seja de facadas de prédios). E a criminalidade castiga-se. Ponto. No mercy.) Rejeite ou não o nosso politicamente correcto este pragmatismo americano o facto é que as ruas se tornaram mais seguras para todos.
Relembro o que me parece esquecido nesta discussão: grafitar é, antes de mais, estragar algo que é de alguém - seja esse alguém um privado ou todos nós. É isso que deve ser combatido e não a a falta de estética da maior parte das "pixações" como lhes chamam os brasileiros. Sim, porque se fosse por critérios estéticos, então também as nossas damas políticas e para-políticas já tinham ido todas dentro à conta das aberrações que resolvem vestir... E ainda andam por aí.
A polícia não "pode" fazer nada? Não quer. Ninguém acha que é assim tão grave estragar a parede do parceiro... Vocês não acham, pois não? E se fosse o vosso carro? As vossas roupas? A vossa cara?
Quanto à "tua" frase Tiago: é tenebrosa, mas é sempre um bocadinho mais inteligente que os "Beto loves Sónia" ou "qxswpkxz" que enchem a paisagem. Não chega aos calcanhares de "Mortos pra fora dos cemitérios - A terra a quem a trabalha!" ou "P..... ao poder que os filhos já lá estão!" mas pelo menos faz pensar.
As discussões são como peças de dominó, se puxas um três, a pedra a seguir pode puxar outro número diferente e lá diverge a conversa do rumo inicial.
Não era minha intenção debater o que fazer às "pixagens" e aos "pixadores". Só acho que não chega para essa discussão dizer que são sempre os mesmos a fazê-lo, que só uns têm défice de civismo, como acho que a máxima da justiça popular do "eu fazia e acontecia" é também parola e ridícula. Porque não resolvia, e porque duvido sequer que 1% dos que dizem isso fizessem alguma coisa se presenciassem o gravoso acto.
Mas sim, também não gosto das tags ou pixagens. O problema é que me entristece que isso seja motivo para maior indignação e cólera que os crimes de colarinho branco, a fuga ao fisco e a corrupção que têm minado a sociedade portuguesa. Mais uma vez, toda a gente diz: "os políticos são todos corruptos" da mesma forma simplista que dizem "os pretos são todos delinquentes". A indignação não passa daí, resignada e conformada, servindo o insulto como forma de desabafo e retaliação. Como diz o João Lobo Antunes, "toda a gente diz mal dos médicos mas toda a gente gosta do seu médico". Há chavões que nos toldam o raciocínio.
Num país onde todos este crimes são cometidos impunemente, onde um carro mal estacionado pode atrasar durante horas a passagem de um eléctrico sem quaisquer consequência para o responsável, onde políticos são absolvidos de corrupção apesar da condenação dos corruptores, querer que a polícia saia à rua para punir sem misericórdia os prevaricadores dos rabiscos é de uma desproporção extraordinária. O que é mais prejudicial às nossas vidas? Os inestéticos, abusivos e vandalizates rabiscos ou a imoralidade vivida no seio da fiscalidade, a incompetência e corrupção do planeamento urbano ou a falta de civismo que passamos uns aos outros nas filas de trânsito?
Se pudessemos escolher um destes males para erradicar, qual escolheríamos?
Tiago
amigo obrigada por criares este espaco. nao nos conhecemos fisicamente mas ja partilhamos tantas opinioes. assim se cria uma comunidade diversa/plural.
em relacao a pergunta, nao creio que tenha de escolher. tal como o mayor que o Pedro cita eu acredito que Crime e crime e ha castigo adequado. Pago impostos para que tal aconteca.
Ana,
obrigado pela saudação. Retribuo dizendo que é um prazer contar com a tua presença.
Tens toda a razão quanto aos direitos das pessoas que pagam impostos. Mas é preciso saber se toda a gente anda realmente a pagar impostos, se o dinheiro dos impostos (os cobrados e os que deviam ser cobrados) é suficiente para tudo, e como está a ser aplicado o dinheiro dos impostos (os cobrados, claro).
Nesta equação toda vamos chegar a conclusões terríveis. Os impostos não estão a ser cobrados a todos, há muita gente que consegue fugir, há uma economia paralela cristalizada culturalmente (a maioria das pessoas acha que quem foje aos impostos é mais inteligente que o sistema e não percebe que o prejuizo é da comunidade), e, por fim, chegaremos à conclusão que muitos dos administradores dos dinheiros públicos são maus merceeiros. Alguns até desonestos.
E agora? Continuo a dar-te razão, mas vamos chatear-nos mais pelos rabiscos ou pelos grandes responsáveis pela fuga aos impostos?
"Se eu os apanhasse a fugir aos impostos fazia-lhe isto e acontecia-lhes!",
popular exaltado com a fraude fiscal
tens razao
quem me dera saber a resposta.
a verdade e que um sistema social so funciona se for bem gerido e monitorizado.
acho que nos devemos exaltar com tudo, mas nao com todos. ha muitas pessoas em Portugal que pagam impostos, que cumprem todas as regras sociais e merecem viver em "paz".
Tiago,desculpa a ofensa mas todos esses argumentos são demagogia. Vamos deixar a pequena criminalidade em paz porque a grande não é perseguida? É precisamente por isso que a grande existe!
Por muito que nos desgoste a rudeza e "primarismos" americanos, eles ao menos não brincam - melhor, a mensagem que emitem é a de que não se brinca com a lei. Se foges aos impostos sais de casa ou do emprego com um par de pulseiras a envolverem-te os pulsos, se danificas propriedade privada idém,se matas alguém...
Aqui, é o laxismo perante as coisas pequenas que se reflecte nas coisas grandes e não o contrário.
Rigorosamente como a educação das crianças: se transigimos nas regras básicas, como quereremos que elas se tornem adultos que respeitem as regras gerais?
Não fico ofendido, Pedro. Gostava de perceber porque é que a relação entre pequeno e grande crime existe de tal forma, a sério. Porque é que um é consequência do outro. Garanto que não é falta de vontade minha de entender isso assim, mas não encontro essa relação tão directa, tão causa-efeito.
Mas tomando isso como verdadeiro, considerando que o que permite a grande fraude é a desmoralização quotidiana da amoralidade cívica, o problema resume-se aos rabiscos?
E aqui voltamos ao início (isto já deu tantas voltas que parece um carrossel). Se as pessoas passam à frente em filas de trânsito, se não dão o lugar em transportes públicos a pessoas mais necessitadas, se cospem no chão, se vão ao Domingo passear a Sintra com a família e deitam o lixo na mata, se ouvem falar de corrupção flagrante e não se revoltam, porque ficam tão exaltadas com os rabiscos? O que me parece, e deu origem ao post, é que existe, para além de uma inversão de valores muito grande, uma tendência para ajuizar tudo com base numa série de preconceitos primários do tipo "eu tenho horror a pretos, a comunistas e a maricas".
Bem, não vou falar mais nestas desproporção de reacção, já pareço um lunático de tanto me repetir. Não quis pôr em causa quem levanta e tem levantado os problemas do vandalismo público através dos rabiscos. É uma situação real que pode ser legitimamente contestada. Só quis mostrar o outro lado do preconceito muitas vezes expresso em comentários, mas isso já o disse, não foi? Se não foi ainda o posso dizer outra vez.
P.S. Lebro-me agora de Itália e dou a mão à palmatória pela minha ignorância. É um país com uma riqueza patrimonial fabulosa, com um respeito pela sua história, pela sua cultura, que permite manter lindíssimas desde a cidade às aldeias mais remotas, mas no entanto os escândalos de corrupção são incontáveis. Estou certo? é mesmo assim? Como funciona aqui a relação pequeno-grande crime?
Já agora, gosto dessa dos Estados Unidos serem um país onde a lei se cumpre. Efectivamente não há grafitti, não há assaltos, não há crimes violentos, as pessoas não podem comprar uma armasó porque o desejam. É um país também que não não se mete com a soberania dos outros países, não mata presidentes alheios para colocar no seu lugar ditadores militaristas, não invade um país à revelia das Nações Unidas rebetando-o à bomba, deixando o Museu principal com séculos de História ser saqueado mas protegendo os poços de petróleo. Os melhores exemplos vêm dos Estados Unidos, de facto.
Grande discussão esta, só agora me apercebi. Concordo com a última observação do Tiago. Os Estados Unidos têm tanto de bom como de mau, e os piores exemplos também. E esqueceste-te de referir a pena de morte, já para não falar do ataque de hoje ao Iraque.
Quanto aos emigrantes aplaudo as anunciadas facilidades para a sua legalização (na realidade não sei se funcionarão) porque acho que os imigrantes não roubam o trabalho a ninguém (têm é sido bastante explorados por alguns "patrões" tugas, que também exploram não imigrantes e isso, sim, deve ser combatido). Isto levar-nos-ia à questão do desemprego que na estatística tem subido, mas que tenho dúvidas se na realidade é mesmo assim. Nas zonas não urbanas talvez seja, mas aqui à nossa volta custa-me a acreditar (acho que os verdadeiros desempregados nem sequer contam para a estatística) - os licenciados não arranjam "emprego" na sua área mas "trabalho" há em qualquer área, o salário e os horários não são os melhores e muita gente prefere receber o subsídio a trabalhar 8 ou 10 horas por um valor mesmo que pouco mais alto, por isso quem vem de fora aceita qualquer coisa, mas nesse caso não está a roubar nada a ninguém (nem de outra forma o estaria). Se calhar por isso é que se diz "desemprego" e não "sem trabalho". Já não há empregos meus amigos. Se assim não fosse as nossas casas não tinham sido construídas (já para não falar nos estádios, expos, pontes e alquevas). Precisamos dos imigrantes para ocupar as casas que as nossos autarcas dexaram construir, para aumentar a natalidade, para "produzir" e consumir e para aguentarem a economia. Falou-se da chamada economia paralela e embora não queira dizer que há boa e má, olhem que ela tem aguentado muita coisa ao longo dos tempos e não deve ser confundida com fuga aos impostos. Não se fez nada contra a especulação imobiliária que encheu os bolsos de alguns (a quem não foram cobradas mais valias), mas passa-se uma multa ao velho comerciante por não ter a caixa registadora regulamentar e se calhar meter ao bolso a moeda de euro da última transacção. Pois é, crime quando é crime deve ser todo punido e a injustiça faz parte do mundo. Paciência.
Quanto aos grafittis e afins chateiam-me as "frases idiotas" e as assinaturas nas paredes mas algumas coisas até gosto de ver como os desenhos que estão, por exemplo, nos muros exteriores da escola da Damaia, mas acho que não os gostaria de ver em prédios de habitação (e não tenho o complexo nimby, por isso nem no meu nem no dos outros), mas acho que impedí-lo não passa por fazermos caça ao criminoso e claro que não são (só) os pretos a riscarem as paredes e muito menos os carenciados porque as tintas não são baratas (embora possam ser roubadas, acho que quem não tem dinheiro para comer não vai roubar latas de tinta). Acho que certas coisas como estas, puníveis por lei, não o sendo na prática mais valia não serem consideradas crime. Se se fizesse ao contrário, admitindo que em alguns locais os muros pudessem ser invadidos por tinta em vez de o proibirmos talvez se solucionasse parte do problema, ou estou errada? Os miúdos precisam de espaço para extravasar as emoções. Por isso dizem os psis que nos quartos, na escola, etc. se coloque papel de cenário nas paredes para se exprimirem, mas para quê o papel se já lá está a parede?. Quanto ao preconceito há-o em todo o lado e não é nada fácil acabar com ele, o que não quer dizer que se cruzem os braços e se deixe andar. Eu prefiro perder o meu tempo com isso do que a contestar os grafittis, é certo. E incluo-me nos 99% ou mais de pessoas que não me manifestaria perante a "grafitagem" ao vivo. Aliás, presenciei num sábado à tarde umas miúdas a escreverem e a desenharem numa parede do parque infantil perto da minha casa. A primeira reacção foi aproximar-me e abordá-las, mas quando olhei para elas e pensava - vou dizer - "isso não se faz", mas já há outras assinaturas e bonecos na parede?, vou dizer "agora têm que limpar o que fizeram"? olharam para mim e foram-se embora a correr e eu não fui, obviamente, atrás delas. Fiquei a olhar para os bonecos e a pensar que com aquela idade por acaso nunca escrevi nas paredes nem nas carteiras, tinha outras formas de comunicar com o mundo (bilhetinhos e recados, porque não havia SMS nem emails), mas nas várias escolas onde andei as mesas menos rabiscadas eram as que se podiam facilmente limpar (com tampo em fórmica). Por isso se calhar a culpa é "nossa, dos "grandes", que não pensámos em soluções para que a parede do parque não seja pintada. Se um conjunto de vizinhos decidir pintar a parede com uma tinta lavável ou arranjar uma solução melhor para o assunto (criando um espaço na parede dizendo aos miúdos - ESCREVE AQUI O QUE QUISERES) estarei disponível para ajudar. Critiquem-me à vontade, mas não tenho vocação para polícia e apesar de ainda querer mudar o mundo não é nestas pequenas coisas que o pratico porque não tenho tempo para tudo. E não acho isto comparável à questão dos dejectos dos cães, que são um caso de saúde pública, tendo já várias vezes abordado “donos” por isso.
Antes de 1974:
1961
1967
1967
Depois de 1974:
1976
1976
As conclusões deixo para vós.
As imagens valem mais que as palavras. Ficou feio, ficou. Entretanto foram limpas, mas não sei como ficarão daqui a alguns anos...
Sem querer ser provocadora (porque, a sério, não o estou a ser) eu não acho que tenha ficado feio. Quando vejo essa "grafitagem" politica dos anos 70 (ainda que não sejam os murais) acho que tb estou a olhar para um pouco de história. Penso, lembro-me da época em que era miuda e havia, por exemplo, APU escrito por todo o lado. Dá-me uma certa nostalgia.
E o contraste muro branco/muro pintado tb me fez lembrar dos 2 lados do muro de Berlim. Ainda hoje, nos poucos pedaços que restam de pé, dá para ver bem qual era qual lado.
É um perfeito desrespeito pelo espaço publico e pela propriedade privada, uma expressão urbana intimidatória, grupal e marginal.
Isto não é um fenómeno folclórico, mas uma forma de criminalidade e poluição visual que há que pôr cobro.
Analisei o fenómeno e suporto a minha opinião no www.a-sul.blogspot.com tento agora documentar o mesmo fenómeno no espaço rural nestes proximos dias, é bom que se discuta o problema!