Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Bom Jesus de Braga, em 1963 (2022)

 * Victor Nogueira

25 de setembro de 2022


Fotografo ambulante e MENS - Bom Jesus de Braga (1963) e Goios, Barcelos (1973)
Com o meu avô António Barroso, tio José e primos Adelino e Laurinda

aeronave sobevoando o Mindelo (2021)

 

* Victor Nogueira

25 de setembro de 2021



Foto victor nogueira - aeronave sobevoando o Mindelo - Diariamente, com maior ou menor intensidade, intermitência ou regularidade, troam os aviões sobre o município de Vila do Conde, descolando ou aterrando  no aeroporto de Pedras Rubras, cerca de duas dezenas de km mais a sul. É um continuum a que já me habituei, por vezes como trovoada,  que incomodaria o meu avô António que  há cerca de meio século escolheu esta zona então sossegada e silenciosa, a dois passos da estação ferroviária da freguesia e a cinco da praia, para construir esta casa onde estou, que tentei e pensei continuasse a ser a casa da família, mas tal não sucede. "Malhas que o Império tece ...."


Em Aljezur, sol e sombra (2020)

 * Victor Nogueira

25 de setembro de 2020


foto victor nogueira  - Em Aljezur, sol e sombra (2000.04.21)  

Aljezur foi fundada pelos árabes no século X, aqui permanecendo cerca de 300 anos. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Alva, também conhecida como Igreja Nova de Aljezur`, edificada no século XVIII, situa-se na planície, na qual a partir do terramoto de 1755 se desenvolveu a Vila, até então alcandorada na íngreme colina defronte.

Em 2000.04.21 as minhas Notas de Viagem registam: «De Marmelete a Aljezur existem muitos eucaliptos e o cheiro penetra nos pulmões. Perto daquela povoação há muitos cabeços e vales, com vewrde vegetação rasteira. Não se vê uma única casa, que começam a aparecer, isoladas,  perto de Aljezur. 

ALJEZUR - Fotos: de longe ao castelo, a chaminé, ao Castelo, ao cão e vista geral. Museus de Arte Sacra e Francisco Pardal. A povoação está separada pela Estrada Nacional, à beira mar a parte antiga, para leste a nova.».

Esta foto regista alguns pormenores interessantes: o aparente alheamento e separação entre as pessoas, o contraste entre sol, dominante e sombra, a separação entre homens e mulheres.

Outono, dos contrastes (2016)

 


* Victor Nogueira

25 de setembro de 2016

Outono, dos contrastes: dias cálidos ou frígidos, soalheiros ou pluvientos, risonhos ou cinzentonhos, dos poentes tingidos de vermelho ou laranja e as árvores, despindo-se em tons de amarelo, atapetando ruas e jardins de melancólicas folhas secas, esquálidos e despidos ramos erguendo-se por aqui e por ali, com a noite crescendo à custa da diurna claridade minguando.

Foto victor nogueira - pôr do sol em Cela (Coutos de Alcobaça)

VER  outono na poesia e nas canções

censuras du inFaceLocked (2013)

 * Victor Nogueira

25 de setembro de 2013

Escapei à justa de ser castigado/silenciado  pelo FACEBOOK - Motivo - estar a partilhar demasiadas fotografias. A mim não me parece que assim fosse, mas como respondi certo às perguntas escapei a um castigo de 14 dias LOL

Eu não acredito em bruxas/os mas que as /os há, há, já dizia d. quixote, o cavaleiro da triste figura

Na cronologia e na capa tenho partilhado de 2 em 2 ou 3 dias.  ,Mas, HOJE, de seguida, 3 ou 4 contra os malfeitores e apelando ao voto. apenas no meu mural, sem identificações

Vade-mécum (15) - Notas de arquivo e arquiteturas digitais: salvaguardar a memória

 


* Gemini

Quem cultiva o hábito de escrever, fotografar e acumular instantes ao longo dos anos sabe que um blog deixa de ser um mero espaço na internet para se transformar numa extensão da própria memória. No entanto, gerir arquivos digitais — especialmente quando envolvem projetos fotográficos de autoria própria ou séries onde a gravura serve de matriz e ponto de partida para o texto — traz um desafio prático: como salvaguardar a íntegra de tudo isto sem cair na armadilha do trabalho puramente manual, moroso e sujeito a falhas?

Na conversa que mantivemos recentemente, debruçámo-nos exatamente sobre este dilema, procurando cruzar a segurança do arquivo com a preservação estética e narrativa das publicações.

O labirinto dos backups tradicionais

De nada serve descarregar um blog inteiro se o formato obtido se resumir a linhas de código XML intransmissíveis ou a ficheiros soltos que perdem a ordem cronológica. O Blogger oferece ferramentas nativas de exportação, mas estas pecam pela rigidez: guardam a estrutura e os links das imagens nos servidores da Google, mas invertem a ordem natural de leitura — atirando sempre o mais recente para o topo —, o que quebra o ritmo de séries concebidas para ser lidas do princípio ao fim.

Copiar e colar publicação a publicação para um documento de texto tradicional (.docx), garantindo que o tipo de letra, a formatação e as imagens de autoria ficam intactas, revelou-se um esforço titânico e inviável para quem acumula dezenas ou centenas de textos.

A ponte inteligente: O WordPress como ferramenta de conversão

Para contornar o problema de forma limpa e automatizada, explorámos uma solução intermédia: utilizar o WordPress (através de uma instalação local e privada no computador via ferramentas como o LocalWP, sem custos ou necessidade de alojamento web) como um motor de conversão.

O processo desenha-se em três passos lógicos:

  1. A Importação Limpa: O ficheiro de backup do Blogspot é absorvido pelo WordPress, que traduz automaticamente as antigas etiquetas (como 'arte urbana', 'economia doméstica', 'photomaton', ou os evocativos 'pingos do Mindelo' e 'pingos da Lanchoa') em categorias e etiquetas funcionais.

  2. A Gestão Cirúrgica de Séries: Em vez de tratar o blog como um bloco cego, o sistema permite isolar instantaneamente cada série temática com apenas um par de cliques.

  3. A Correção Cronológica e Gráfica: Ao contrário da ordenação decrescente habitual, o ambiente permite reordenar os textos do mais antigo para o mais recente, assegurando que o documento final em formato Word (.docx ou PDF) respeita escrupulosamente a sequência narrativa original, mantendo as fotografias e as gravuras firmemente ancoradas ao texto correspondente.

Um arquivo pronto para o futuro

Salvaguardar o passado digital não tem de ser um exercício de exaustão mecânica. Quando a tecnologia serve de ponte e não de obstáculo, ganha-se o sossego de ter o arquivo protegido no disco rígido e a certeza de que cada série — ao escorrer da pena e do olhar — continuará a fazer sentido para quem a lê hoje e para quem a há de folhear amanhã.


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

De repente apercebo-me que o tempo arrefeceu (2016)

 * Victor Nogueira

24 de setembro de 2016

 ·De repente apercebo-me que o tempo arrefeceu e ouço o barulho da chuva a cair. Assomo à janela e são mesmo grossas as bátegas obliquadas por ligeira mas gélida brisa. Afinal a chuva não esperou pelo domingo para sair das nuvens, neste sábado que amanheceu cinzento mas se tornou soalheiro pela tarde fora. 

Na Salvada (Beja) e Santo Amador (Moura) (2022)

 24 de setembro de 2022

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Fotos Victor Nogueira - Na Salvada (Beja) e Santo Amador (Moura)

auto-retrato em Paço de Arcos (2021)

 24 de setembro de 2021


auto-retrato em Paço de Arcos

passadiço e dunas na praia de Azurara (2021)

 24 de setembro de 2021

 


Foto victor nogueira - passadiço e dunas na praia de Azurara e Reserva Ornitológica do Mindelo

Quem se lembra destes ninhos? (2020)

 * Victor Nogueira


foto victor nogueira - ninhos de andorinhas

uem se lembra destes ninhos, construídos em muitos edifícios em Portugal de lés a lés, ninhos de andorinhas que com o seu chilreio anunciavam o regresso cíclico da Primavera?
Quem se lembra dos galos que cocoricavam de madrugada, ao despontar do sol, anunciando um novo alvorecer?
Quem se lembra dos burros, machos e mulas, que durante milénios foram as bestas de carga para transportarem mercadorias e pessoas, puxarem o arado ou a carroça ou fazerem girar as noras e outros aparelhos para extraírem água dos poços?

«Andorinha que vais alta,
Porque não me vens trazer
Qualquer coisa que me falta
E que te não sei dizer?»
s.d.
Quadras ao Gosto Popular. Fernando Pessoa
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«Andorinha lá fora está dizendo:
— "Passei o dia à toa, à toa!"
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa...»
Manuel Bandeira
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As Andorinhas de António Nobre, por Casssiano Ribeiro
—Nos
—fios
—ten
sos
—da
—pauta
—de me-
tal
—as
— an/
do/
ri/
nhas
—gri-
tam
—por
—fal/
ta/
—de u-
ma
—cl’a-
ve
—de
—sol
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O Espírito, por Natália Correia
Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Natália Correia, in “Poesia Completa”

moinho de maré da mourisca, em setúbal (2019)

 24 de setembro de 2019

 


foto victor nogueira - moinho de maré da mourisca, em setúbal.  Para lá da janela, os esteiros do rio sado e o cais de palafitas.(2017.11.11)

Qualquer beco tem pelo menos uma saída (2013)

 * Victor Nogueira

24 de setembro de 2013

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Qualquer beco tem pelo menos uma saída a da entrada. E se esta estiver obstruída, há tantas saídas quantas as portas, janelas e cancelas que ao longo dele existam. E se todas estiverem obstruídas, uma marreta para abrir um buraco no muro ou na parede. E, em último recurso, uns balões de hélio, apesar de potencialmente explosivos

Hoje o dia está soalheiro (2010)

 * Victor Nogueira

 24 de setembro de 2010 

Hoje o dia está soalheiro mas vê-se a poluição do ar, que ao cair da chuva nocturna deixa os carros cheios de pó ! Não vale a pena gastar dinheiro a lavá-los, por enquanto !

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Vila do Conde - monumento à mulher rendeira de bilros (2019)

 23 de setembro de 2019

 


foto victor nogueira - em Vila do Conde - monumento à mulher rendeira de bilros, do escultor escultor Ilídio Fontes -  foto em (2016.09.23)

Tentam as autarquias salvaguardar a arte criando escolas de rendeiras, como sucede em Vila do Conde e em Peniche e outrora em Setúbal, onde aliás nas duas primeiras esculturas homenageiam a arte e suas executantes, as rendeiras de bilros.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

manhã cinzentonha para lá da vidraça (2024)

 22 de setembro de 2024

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Foto victor nogueira - Setúbal - manhã cinzentonha para lá da vidraça (IMG_5133  2024 09 22)

Queixam-se-me os ossos neste início de outono, dando assim dorido sinal de vida nas articulações, o sol esmaecido, o dia neblinado, o silêncio envolvente como carapaça, a batata doce florescente e o cravo ressequido, sem que raízes tivesse criado. O parque verde, esse permanece verdejante até que, com o passar das semanas, as árvores de folha caduca formem no solo, sobre a relva, um tapete amarelo acastanhado, deixando à vista ramos esquálidos apontados para as alturas. Permanecerá no inverno o verde do relvado e o das árvores de folha perene.

Com o tempo mortiço, abafado, o suor é uma película de pequenas gotículas. viscosas, dsagradáveis, (re)cobrindo a minha pele. Como se estilvesse numa sauna, ao ar livre.

Porto, 1963, na Rua de Santos Pousada (2022)

 22 de setembro de 2022

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Fotos José Luís CF e Alexandrina Silva - Porto, 1963, na Rua de Santos Pousada

Foto Vitória, no Largo da Misericórdia (2020)

 * Victor Nogueira

22 de setembro de 2020


foto victor nogueira - setúbal - Foto Vitória, no Largo da Misericórdia. 

Depois da Foto Cetóbriga encerrar, esta passou a ser a minha casa fotográfica no tempo da fotografia analógica, onde revlava as películas e fazia as ampliações, onde era atendido com simpatia.

Tem outro ar o Centro Histórico de Setúbal, do Largo da Misericórdia até à Avenida 22 de Dezembro, por debaixo da qual corre a Ribeira do Livramento, já não ao  ar livre. Com efeito, muitas montra têm as portadas de correr embelezadas com pinturas ou, por vezes, com gigantescas ampliações fotográficas.

feira de antiguidades e velharias em Vila do Conde (2019)

 22 de setembro de 2019

 


foto victor nogueira - feira de antiguidades e velharias em Vila do Conde, no Mercado Municipal -  2016.12.18

alcácer do sal -embarcações no rio sado (2015)

 22 de setembro de 2015


foto victor nogueira - alcácer do sal -embarcações no rio sado