Allfabetização

Este postal é - creio - uma fotografia retirada dum dos dois filmes que há dias vi sobre as campanhas de alfabetização, as tais em que eu gostaria de ter participado em Agosto último se ... Esta cena do filme era comovente: uma mulher que até aí não sabia comunicar por escrito, conseguir fazê-lo. A procura das sílabas, o gesto hesitante, o voltar atrás para corrigir ou desenhar melhor a letra !!! Deve ser bestial um tipo descobrir que sabe ler, não achas? (1974)

Escrevivendo e Photoandando

No verão de 1996 resolvi não ir de férias. Não tinha companhia nem dinheiro e não me apetecia ir para o Mindelo. "Fechado" em Setúbal, resolvi escrever um livro de viagens a partir dos meus postais ilustrados que reavera, escritos sobretudo para casa em Luanda ou para a mãe do Rui e da Susana. Finda esta tarefa, o tempo ainda disponível levou me a ler as cartas que reavera [à família] ou estavam em computador e rascunhos ou "abandonos" de outras para recolher mais material, quer para o livro de viagens, quer para outros, com diferente temática.

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Depois, qual trabalho de Sísifo ou pena de Prometeu, a tarefa foi-se desenvolvendo, pois havia terras onde estivera e que não figuravam na minha produção epistolar. Vai daí, passei a pente fino as minhas fotografias e vários recorte, folhetos e livros de "viagens", para relembrar e assim escrever novas notas. Deste modo o meu "livro" foi crescendo, página sobre página. Pelas minhas fotografias descobri terras onde estivera e juraria a pés juntos que não, mas doutras apenas o nome figura na minha memória; o nome e nada mais. Disso dou por vezes conta nas linhas seguintes.

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Mas não tendo sido os deuses do Olimpo a impor me este trabalho, é chegada a hora de lhe por termo. Doutras viagens darão conta edições refundidas ou novos livros, se para tal houver tempo e paciência.

VN

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Entre Adão e Eva (7)

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.Quadro - Dürer, Albrecht Adam and Eve. 1507


* Victor Nogueira
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Aliás este nosso relacionamento na Capital do Antigo Empório não faz para mim qualquer sentido. Como disse, não sei o que és nem qual o teu futuro profissional (1). Estando na mesma terra, não estou interessado em "conviver" contigo apenas depois das vinte horas. Não estou interessado em jantar ou em andar sozinho, convivendo apenas com quem tu queres ou autorizas. (2) Não estou para jantar contigo "fora" apenas quando se proporciona e muito menos por sistema. Gosto de comer em casa e não gosto de andar sempre na rua e aprecio estar na minha casa, no meu canto, sobretudo á noite, lendo, escrevendo, ouvindo música, convivendo ... Não estou para ter "namoros" policiados. (3) Não os tive aos 25 anos, no tempo do fascismo, muito menos os terei em "democracia" aos cinquenta. Vivendo na mesma terra, não estou para que durante a semana esteja cada um para seu lado, no seu "quartinho". (4) Não estou para viver em "quartinhos", alugados ou não, e não tenho dinheiro para ter uma casa de habitação à beira Sado e outra em Portucale ou noutra terra. (5) Não estou para "fins de semana" e "férias" encurtadas, por compromissos "profissionais" em duas urbes distintas, que arranjaste livremente. (6) Não estou para não me sentir bem comigo mesmo. Não estou para deixar de cultivar as minhas amizades. Não estou para deixar de ser quem sou, naquilo que considero positivo. Que temos pois para "dar" um ao outro, «Capuchinho Vermelho»?

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Como está e com as suas características e perspectivas de futuro, esta não é para mim uma relação sustentável. Não vejo que mudanças haverá e quais elas sejam. A continuar assim, para isto, prefiro continuar sozinho. O tempo dirá pois se o nosso futuro é de paz, liberdade, serenidade e confiança mútuas! O tempo dirá do futuro e da qualidade da nossa relação; isso depende também de ti. No entanto, por muito que aprecie certos aspectos da tua companhia e personalidade, por muito que sinta por vezes a tua falta, não mudo em nada daquilo que considero essencial. Nem te exijo a ti que o faças!

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Não te escrevi um poema. Não te escrevi uma carta poética. Escrevi-te simplesmente. E as minhas mãos estão vazias e o caminho á minha frente não existe; existe apenas o instante á frente do meu nariz e para além dele névoa e sombras. Nada mais do que isso, onde nasce o desencanto pela vida e pelas pessoas. (7) Não quero magoar-te, mas sinto-me tão cansado que gostaria que fossemos apenas amigos. Para serenidade de ambos. ( 8)

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Porque sou teu amigo e gosto de ti. Mas não .gosto que me magoem nem, de magoar os outros. Nem gosto dos teus destemperos e do modo como (re) ajes perante determinadas situações. Eu procuro a paz, a compreensão e o que me liga aos outros; tu não conheces senão a guerrilha intermitente.

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1 - Aliás, não percebo que futuro queres. Não sei se alguma vez puseste anúncios para arranjares emprego com a habilitação profissional que dizes ser a tua - não vieram publicados nos dias que disseste, na linha dos teus "azares" - nem sei se alguma vez respondeste a algum nesse sentido. O que sei é que afirmando tu que não queres continuar nessa situação de "dama de companhia", também andas há cerca de quatro meses (!) para pores um anúncio para arranjares emprego de acordo com a especialidade profissional que dizes ser a tua, com o argumento de que - oh ! céus - não tens tempo. Quando o terás ? Dizes me que tiveste para ir trabalhar para a Figueira ou para as Caldas, que estiveste em Lisboa, aqui ou acolá ! Se és o que dizes ser, então (re) faz a tua vida, segue em frente! Se não és, então (re) faz a tua vida e segue também em frente. Mas neste caso não creio que seja nas margens do Rio que corre para Norte, onde me parece terias dificuldade em justificar a tua passagem a "dama de companhia" ou "empregada de balcão". Talvez por isso me dizes que mesmo que vivêssemos juntos, estarias a semana inteira à beira Doiro, não irias e virias todos dias, "por ser cansativo". Não te prendas nem te "justifiques" comigo.

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2 - As pessoas não devem ser possessivas. Cada um de nós tem as suas qualidades e os seus defeitos, que se ajustam ou não. Não podemos é pensar que cada um de nós preenche todas as expectativas e todos os requisitos. Uma panela de pressão sem válvula de segurança é potencialmente explosiva e destrutiva. Uma coisa é as pessoas compartilharem aquilo que é comum, outra é quererem "policiar" tudo, com exigências exclusivistas. Num casal, o exigível, para mim, é a lealdade, a verdade, a confiança, respeito e solidariedade mútuas, a cooperação. E além disso deve deixar-se a cada um a liberdade das suas recordações, da sua memória, dos seus (outros) afectos e simpatias. Há um tempo e um lugar para tudo e para todos na vida, que para mim tu tens matado ao longo destes anos, com os teus ciúmes descabidos, os teus destemperos, as tuas exigências de exclusivismo e posse, os teus "mistérios". Não "ando" com esta e com aquela! Não ando pois a saltitar entre ti e as outras ou "aproveitando" as ocasiões". Estou contigo e com mais ninguém enquanto estiver contigo e não te disser o contrário. Mas tu não entendes isto. Não concluas daí que eu sou o bom e tu a má da fita. O que sucede é que não nos temos ajustado e cada um de nós não tem correspondido ás expectativas que trazia em si relativamente ao outro.

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3 - Aliás já passamos a fase da simples amizade ou do namoro, mas também não somos "companheiros" de vida em comum, mas apenas de fim de semana (24 a 36 horas por semana)

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4 - Não deixa de ser interessante notar que sendo tu tão "exageradamente" demonstrativa do teu afecto e amor por mim - ele são beijos, abraços e "amores" - qualquer que seja o local mais ou menos público e frequentado onde nos encontremos, és demasiado "reservada" quando estamos com José. Porquê esta diferença de comportamentos? Afinal, de facto, é como se vivesses comigo. É evidente para os meus filhos, para os meus pais, para os meus vizinhos. Porquê então este "recato" e estes "quartinhos" separados - um na Má Hora, outro na Tapada , face ao sr. José? Ou tudo isto faz parte dum jogo teu a ver se "amoleço" e me "esqueço" do que há para esclarecer entre nós ou do que nos tem separado?

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5 - "Censuras me" porque não ia ter contigo quando tinhas casa na Margem Sul à beira Douro. Ora a verdade é que durante esse tempo os teus ciúmes e, sobretudo, o teu mau relacionamento com o Pelágio que anda na Lua e a Natasha não o justificavam. Mas mesmo que fosse tudo ouro sobre azul na nossa relação - e não era - tinha e tenho obrigação de assistir e acompanhar as minhas crias, adolescentes (as crias são da mulher mas também do homem). Nunca entendeste isto, embora quisesses que eu entendesse e aceitasse com naturalidade que em contrapartida tinhas obrigação de olhar pelas tuas, bem adultas e de barba rija. Por outro lado "estranhas" porque não ia á tua casa ,como se fosse natural que a frequentasse, apesar da nossa relação íntima, em "amena" convivência e cavaqueira com ... o teu marido, embora há anos o fosse apenas ... no papel! O que ficou falado, incluindo com a Lena, foi que lhe darias a parte dele, ficando tu com a vossa casa. Não foi isto que acabou por suceder, mas por isso não sou responsável. Estando tu a tratar do divórcio, era óbvio que terias de "negociar" a saída do teu ex-companheiro. Nada disto sucedeu.

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Como posso então ser eu responsável pela situação em que te encontras presentemente, "dama de companhia" num "quartinho" na margem direita Doirada, como pretendes? E depois, durante a semana, estando ambos aí, que me propões durante a semana senão estar contigo até de madrugada aí pelas ruas ou dentro do carro, faça sol, frio, chuva ou calor, indo depois cada um para o seu "quartinho", abraçado á almofada e tu olhando para a minha fotografia?!

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6 - Não passaste comigo o Verão de 1996 porque estávamos de candeias ás avessas e tu com os meus filhos, não passaste comigo as "pontes" e feriados do Natal porque estavas comprometida com o sr. José não passaste comigo a "ponte" do Carnaval de 97 pelo mesmo motivo. E será isto durante quanto tempo? Porque não posso estar com outrem quando tu não podes estar comigo?

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Não estou em "cativeiro", aguardando a tua "liberdade" e disponibilidades de tempo! Não posso ajudar uma pessoa amiga, enquanto estás na casa dos teus filhos a arrumá-la. Não posso encontrar-me ou falar com outrem, enquanto estás "ocupada" com o sr. José ou com outros "compromissos". Tive uma "ponte" no Carnaval, mas passei-a estupidamente à beira-Sado, para evitar mais "chatices" contigo. E agora na Páscoa de 97, há mais uma "ponte" estragada. Tu não tens feriados, nem tardes, nem fins de semana completos nessa tua "profissão". E aos fins de semana estás ocupada com outras tarefas «inexistentes» e (pre-) ocupada com teus "miúdos". Programei as coisas para estarmos juntos esta Páscoa. Programei as coisas , mas tu só percebes da tua "guerrilha" e só vês a tua infelicidade e agravos. Queres um cãozinho e um capacho, mas isso é o que não sou para quem quer que seja. Porque se estivesse disposto a sê lo, então seria tudo ouro sobre azul e tu estarias, parece me, nas tuas sete quintas.

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7 -. Disto fala um outro poema meu: "Notícias do Bloqueio II" (Mu(n)do Phonographo: inFELICIDADE)

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8 - Os teus ciúmes, o teu mau relacionamento latente com os meus filhos, a tua vinda para a margem direita Doirada nos termos em que se verificou, o sempre adiado esclarecimento sobre a tua verdadeira habilitação e futuro profissionais, tudo isto são obstáculos / indicativos para que o nosso relacionamento não deva subsistir senão ao nível da amizade, para felicidade de ambos. A atitude dos teus filhos para contigo e para com a nossa relação, aliados aos "inacreditáveis" destemperos do teu Menino d'Oiro, descambando em descabidos insultos e ameaças para comigo, de modo algum abonam a favor do futuro da nossa relação noutra base que não seja a da amizade. Não fui eu que criei estas situações. Para solidão e separações na família já chegam a que trago comigo e existem na minha família. Como diz o Sérgio Godinho, numa das suas canções, "P'ra melhor, está bem, está bem, p'ra pior, já basta assim"

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ADENDA

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Toda a Série «Entre Adão e Eva» é puro romance inventado e qualquer semelhança com factos ou personagens reais é pura coincidência.

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Victor Nogueira

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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Agosto - Mais Brilhante que Mil-Sóis

Hiroshima após o bombardeamento/holocausto nuclear. O «senhor» abaixo nunca se arrependeu e dormiu sempre bem, pois limitara-se a cumprir ordens.
Nunca foi julgado nem a cadeia de comando até Harry Truman, como criminosos de guerra e genocidas, num qualquer Tribunal de Nuremberga.


Colonel Paul Tibbets waving from Enola Gay's cockpit before taking off for the bombing of Hiroshima. (USAF Photo)




Desenho de Tibuka





Quadro de Magritte
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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Bom Fim de Semana ...

Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008




clicar na imagem, e/ou ler o esboço de novela,
de acordo com o seu querer e/ou «curiosidade».



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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Entre Adão e Eva (6)

.Quadro - Dürer, Albrecht Adam and Eve. 1507
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* Victor Nogueira
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Todas as profissões, em si e por princípio, são igualmente respeitáveis. (1) Mas e de qualquer modo não há qualquer futuro numa relação com uma pessoa em quem não confie e em quem não acredite, não há para mim qualquer futuro numa relação que se baseie na deslealdade, na falsidade e na dúvida. ( 2).


Como atrás disse e repito, quando iniciámos a nossa relação com o grau de intimidade que assumiu, isto aconteceu, pela parte que me cabe, com base em dois pressupostos, que te ias divorciar - e numa convicção - a profissão que afirmavas ser a tua.


Sou teu amigo, embora a amizade tenha limites, gosto de ti e sinto muitas vezes a tua ausência. Mas não há futuro de vida em comum com uma pessoa que não seja compreensiva e amiga dos meus filhos, que me não ajude no bom relacionamento com eles e com todo o mundo, que me infernize a vida com desconfiança e ciúmes descabidos.


Não era nada disto que eu pretendia. Assim, por tudo o que tem sido exposto, nunca poderia propor te, não tenho podido propor te que fizéssemos ou façamos vida em comum. Procuro paz, serenidade, entre-ajuda, e não um clima de constante ou intermitente guerrilha, desconfiança, dúvida, suspeição. E depois já não estou em idade de (re)começar a vida com uma pessoa cujo futuro profissional não sei qual seja.


Há um tempo para que as pessoas se encontrem e para que as coisas aconteçam. Passado esse tempo pode ou não voltar a surgir a ocasião. Foi por isso que te disse que daqui a dois ou três anos poderia haver condições para que as coisas se (re)justassem entre nós (3). Mas tu, uma vez mais, mal entendeste o que eu disse. Aliás, essa tua característica sobre a peremptória e absoluta justeza intrínseca das tuas razões, interpretações e verdades e da falsidade das minhas é algo que (também) nos (tem) separa(do).


Falei atrás do que procuro na vida. E concebo as relações entre as pessoas baseadas na lealdade, na igualdade, na sinceridade, na responsabilidade, na cooperação e colaboração, na solidariedade, no caso, entre todos os membros do agregado familiar, embora em função das suas capacidades e situação. Não considero, por exemplo, que haja trabalhos e obrigações exclusivas das mulheres e trabalhos e obrigações exclusivas do homens. Não há que exigir ás mulheres sobrecargas e "espíritos" de sacrifício, que não se exijam aos homens. No caso concreto, nem tu nem a Natasha tem especiais "obrigações" relativamente ao Roderigo Que Vive na Lua ou a mim (ou aos teus filhos homens). (4) E parece me que não consegues entender ou agir em conformidade com estes princípios.


Como atrás referi, poderá parecer extemporânea esta longa "conversa", que no essencial já tivemos de viva voz por várias vezes ao longo destes anos. Mas quando eu penso que tudo está ultrapassado, surgem da tua parte os ciúmes, as exigências, os remoques, as "fúrias" (5). E lá volta tudo ao princípio, porque és incompreensiva, ciumenta, injusta nas tuas apreciações, possessiva quanto á minha pessoa.(6) Eu sou, nas tuas palavras, o "maldoso", que te mente, que te "engana" com as amigas, que te "troca" pelos filhos ou por elas, que te achincalha, magoa e ofende a tua sensibilidade. (7) E assim acabo por ter para contigo "conversas" e atitudes que me desagradam mas que são a consequência do modo como te relacionas comigo e que não aceito. (8) Porque ou há igualdade, compreensão e respeito mútuos ou então não vale a pena chover no molhado. Como disse, não gosto de aborrecer os outros nem gosto que me aborreçam. Por exemplo, não te telefono para recriminar te (9) O que nem sempre tens procurado fazer para comigo. Não gosto de ver os outros tristes, magoados, aborrecidos, sejam eles quem forem.


E digo: “é bom ter quem nos afague e diga bom dia com alegria e fantasia". Mas não estou seguro que possa compartilhar e construir contigo a minha vida. (10) Com tantas mágoas e "barreiras" de lado a lado, creio que nenhum de nós seria feliz com o outro. Outra poderia ter sido por exemplo a nossa situação actual se desde o início não tivesses querido "controlar" a minha vida, amizades e sentimentos e se te tivesses relacionado com os meus filhos com a "bondade" que para com eles tens tido ultimamente. (11) Outro poderia sido o nosso relacionamento se não fossem os "mistérios" da tua vinda para Lisboa e da tua vida profissional. (12)


1 - Aliás, como queres que se mantenha a relação com uma pessoa que afirma possuir uma determinada habilitação profissional e ou não a tem - e mente - ou levianamente se despede, para aceitar um trabalho mal remunerado ou em subemprego?. Porque se não és, não sei como manterás o engano para todo o sempre.

2 - Até podias ser mulher a dias ou varredora de ruas, que não seria impedimento para relacionar me contigo se te achasse interessante e entendesse que era uma relação com futuro atendendo ás tuas qualidades pessoais e de carácter. Nem todas as mulheres por quem estive interessado eram "licenciadas" ou engenheiras ou advogadas ou médicas ou arquitectas ou professoras. Portanto não é o canudo e muito menos o dinheiro que me fazem "correr". Agora as que não tinham canudo não se fizeram passar por aquilo que não eram.

3 - Não tens pois qualquer razão quando afirmas que esta minha afirmação é porque nessa altura a atasha (já) terá saído de minha casa - porque, no teu errado entender, ela se oporia á nossa relação.. Nem ela nem o Roderigo Que Vive na Lua se opôem á nossa relação. Tu é que te opões á minha relação mútua com eles, por razões que não posso nem está ao meu alcance resolver.

4 - E quanto a "obrigações", as pessoas devem ser educadas apontando lhes os defeitos mas também elogiando o que está bem feito e solicitando a sua ajuda. Não é o que fazes com a Natasha. E no mesmo erro também tenho eu incorrido.

5 - Aliás tu reconheces que destemperas e dizes coisas - por vezes autênticos disparates (de que te arrependerás ou negarás convictamente), em atitudes, despropósitos e falta de chá assombrosos! Como se estivesses com autênticas "bebedeiras secas".

6 - Não é verdade que eu queira que estejas sempre comigo, a toda a hora, não compreendendo as tuas "obrigações profissionais". Não é verdade que queira proibir o teu convívio com os teus filhos. O que é verdade é o que digo ao longo desta "conversa" acerca da tua convivência comigo: "liberdade" para ti, para os teus compromissos, enquanto para mim a "liberdade é condicionada" e "policiada" devido aos teus ditames, insegurança e receios. Não te peço e muito menos exijo que prescindas do que quer que seja, sobretudo do que entenderes essencial. Agora apresentar como exemplos de "deixar de ser" o largar o tabaco (como fazia a Natasha comentava em conversa contigo) ou comparar filhos dos outros a cão teu é que não é aceitável.

7 - Como se eu não tivesse sensibilidade e nunca tivesse sido "magoado" por ti e pelas tuas atitudes e destemperos!

8 - Não gosto de aborrecer ou magoar deliberadamente os outros, mas também não gosto que os outros me aborreçam ou magoem. Não tenho que "censurar te" a tua falta de razoabilidade, os teus ciúmes, o teu afecto possessivo por mim e pelos teus filhos, não tenho de “minimizar” a tua profissão, os teus gostos, interesses e leituras. Trata se dum problema teu e, como não quero mudar te, nem aos outros, só me resta afastar me, na medida do possível e sem descurar as minhas responsabilidades. Assim como não quero mudar os outros, também não aceito que me mudem naquilo que considero essencial. Assim como não quero infernizar a vida dos outros, também não quero que infernizem a minha.

9 -E ultimamente aborrece me que te aborreçam alguns dos meus telefonemas e conversas, pois não adianta nem vale a pena chover em seco.

10 - Incomoda me profundamente que não tenhas a chave da minha casa, mas a verdade é que não tenho confiança na paz e felicidade resultantes da nossa convivência e co-habitação, para qualquer de nós. Por outro lado, falo-te da minha vida mas, devido ás tuas atitudes, reacções e descabidos ciúmes, procuro evitar falar-te dos meus filhos e dos meus problemas com eles ou das minhas amizades (femininas). Que temos nós de especial para compartilhar, «Capuchinho Vermelho»? Que alegria e felicidade temos para dar um ao outro?

11 - Procuro quem fomente a minha abertura aos outros e não quem me leve a encerrar-me em mim mesmo. E desde que te conheço tenho-me fechado cada vez mais, tenho-me afastado da convivência e do cultivo das amizades. Por outro lado procuro quem que me leve a atenuar a minha "dureza" para com os meus filhos e para com aqueles que me estão próximos, favorecendo a minha "ternura" e amizade para com todos eles. Procuro, enfim, quem me ajude a gostar da vida e dos outros. Afinal continuo e ando na mesma sozinho, com a diferença de não ser em "liberdade solitária" mas sim "condicionada" Não estás disponível para almoçares ou jantares comigo ou para sairmos ou irmos ao cinema senão nos "limites" que aceitaste. E depois aborreces-me com exigências descabidas; tomemos por exemplo as tuas "infelicidades" com as minhas companhias: queres saber onde vou, com quem vou, aonde vou. Para quê esta conversa?

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O resultado é sempre o mesmo: se te digo, há cena, se não te digo, cena há, estilo preso por ter cão, preso por não ter! " Liberdade" sim, mas apenas contigo, com os meus pais e tios ou então ... sozinhito. Não podes vir ter comigo, estás longe, é muita despesa e mais e aquilo e os teus "compromissos" e horários. E ficas ofendida, melindrada na tua sensibilidade, se com bonomia te digo que relativamente ás minhas amigas (e amigos) normalmente marcamos a hora e o local do encontro, sem "preocupações" e atrasos meus para ir buscá-los, ao emprego ou a casa. Quanto muito, dou-lhes boleia para casa, se quiserem e não tiverem carro ou transporte.

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Não sou menos independente do que tu, só que infelizmente não andas de elevador, não conduzes, não andas de metropolitano. Não há dramas com as minhas amizades, se podermos ou der para sair ou nos encontrarmos, muito bem, caso contrário, amigos como dantes. Porque complicas e confundes tudo? Porque vês "maldade" minha em tudo?

12 - Não te armes pois em vítima, santa de santuário, mártir das minhas mãos e "frieza" de coração. As tuas atitudes sucessivamente e ao longo do tempo para comigo e para com os meus filhos são também uma das causas da minha "frieza" e coração de gelo. Não me considero responsável pela situação em que estás nem tomo sobre os meus ombros a vida que deixaste aparentemente por minha causa; qualquer dia ainda te ouvirei dizer que a vida que deixaste é que era VIDA!

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ADENDA

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Toda a Série «Entre Adão e Eva» é puro romance inventado e qualquer semelhança com factos ou personagens reais é pura coincidência.

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Victor Nogueira

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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Entre Adão e Eva (5)

.Quadro - Dürer, Albrecht Adam and Eve. 1507
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* Victor Nogueira
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Tu entendeste que tiveste e tens obrigações para com os teus filhos, mas não aceitas (não tens aceitado) que eu as tenha para com os meus filhos, mais novos que os teus. Dos teus tens sido criada ou "escrava", o que não sou dos meus nem te exijo que sejas, aos teus procuras resolver os problemas e não reconheces nem fomentas a autonomia deles, enquanto aos meus exiges auto suficiência, que aliás sempre procurei desenvolver neles, na medida das respectivas idades e capacidades. Aos teus tudo tens procurado desculpar e desresponsabilizar, aos meus tudo tens procurado culpar e não perdoar. (1) Aos teus deste ou procuraste dar tudo o que eles quiseram e por isso não tens problemas, enquanto aos meus exiges que vão trabalhar para ganhar a vida, o que nunca fizeste relativamente aos teus. (2) Aos meus tens dado obrigações que aos teus não tens atribuido. (3) Persistentemente tens agido para me indispor e voltar contra os meus filhos, de modo a tentar que eu os ponha para fora da minha casa, que também é a deles. (4) Aliás, não vejo muito bem qual a diferença entre a "insolência" do Menino d'Oiro para contigo ou para com o pai dele (5), e a "insolência" da Natasha para comigo ou a diferença nas "distracções" daquele «Menino Que Vive na Lua», da Natasha e do Pelágio Que Vive na Lua. Não vejo bem porque hão de os teus ser bonzinhos e desculpados naquilo que para os meus é malevolência indesculpável, na tua perspectiva. Não percebo, por exemplo, porque os estudos daquele «Menino Que Vive na Lua» eram desculpa aceite por ti para não tratar de assuntos ou ajudar te enquanto os estudos da Natasha não podem "desculpar" as suas "recusas" (6). Haja, «Capuchinho Vermelho», um mínimo de coerência e justeza nas apreciações.


Duma pessoa que tem dois filhos de quem é amiga e de que tem sido mãe galinha, esperava se ao menos compreensão se não ternura na lidação com os filhos de outrem, no caso, com os meus. (7) Nada disso tenho encontrado em ti, apesar do teu sempre e constantemente proclamado AMOR por mim. O que em ti e desde sempre tenho encontrado, com maior ou menor intermitência, é secura, incompreensão, frieza, hostilidade e agressividade para com eles. Primeiro, tentaste voltar me contra os dois, depois mudaste a táctica e centraste o fogo na Natasha. (8) Mas se todas as (candidatas) a madrastas fossem boazinhas, não haveria, por exemplo, as madrastas-tipo da "Gata Borralheira" ou da "Branca de Neve". Tentaste reeditar com o Pelágio Que Vive na Lua e com a Natasha, um quarto de século depois, a tua história com a Efigénia, meia irmã, mais velha, do «Menino d'Oiro" e daquele «Menino Que Vive na Lua».(9)

1 - Se os teus filhos hoje reagem mal porque lá não estás para resolver os "seus" problemas quotidianos, da vida que passou a ser deles, é porque tu mal os educaste e habituaste, não para a solidariedade e a entre ajuda, mas sim para exigências egoístas e reacções que por vezes raiam a insolência e falta de respeito para contigo. São eles que estão em dívida para contigo e não tu para com eles. É por isso que me manifesto. O trabalho e preocupações deles não podem servir de pretexto para que eles e tu aceitem que sejas sobrecarregada, quando tu e muitos outros trabalham, e no duro, sem que por isso deixem de ser auto suficientes ou descuidem os seus interesses e obrigações.

2 - Tu procuraste e pudeste obsequiar e oferecer casas e parabólicas e gravadores e roupa de marca aos teus filhos. Ao longo dos mesmos anos não tenho trabalhado menos que tu, só que a minha profissão e opções de vida foram outras e por isso nem sempre lhes pude dar ou posso dar aquilo que desejaríamos - eles e, sobretudo, eu.

3 - Se "tratasse" os meus filhos como tens tratado os teus, fazendo lhes tudo, resolvendo todos os problemas, satisfazendo os seus caprichos ou necessidades, dando lhes todo o dinheiro que pedem, ou não pedem porque tu lho dás antecipadamente ou permites que mexam na tua conta, admitindo que livremente disponham do eventual produto da venda de casas que tu pagaste, então a minha relação com o Pelágio Que Vive na Lua e a Natasha seria de "ouro sobre azul"! Mas como disse a minha profissão e opções de vida nunca me “deram” as tuas possibilidades financeiras, para além de não querer ser "escravo compreensivo" dos meus filhos ou pretender substituir me a eles nas responsabilidades que devem e têm de assumir em função da sua idade e capacidades. Por exemplo, os "desaguisados" e "contrariedades" que tenho com a Natasha por causa das suas entradas tardias, noitadas e falta de colaboração regular na lida da casa não têm como fundamento o facto dela ser rapariga. Existiriam identicamente se ela fosse rapaz. Por outro lado "exijo-lhe" mais, não por ser rapariga, mas por ser a mais velha. Seria o mesmo se fosse o Pelágio Que Vive na Lua o mais velho. Isto independentemente de características pessoais, que radicam em diferentes capacidades e aptidões próprias (naturais ou desenvolvidas) e não no sexo de cada um. Aliás são exemplares os "problemas" que passaram a surgir entre ti e os teus filhos quando tentaste deixar de ser "capacho" deles. Afinal a "bondade" deles não teve grande durabilidade após a vossa "separação".

4 - Que tem sido também a do Pelágio Que Vive na Lua e da Natasha, sobretudo agora e com mais razão de ser após o falecimento da mãe deles. Após o divórcio a mãe deles quis que ficassem com ela, atitude que seguramente terias tomado, sem admitir discussão, e acharias natural se há mais tempo te tivesses divorciado do pai dos teus «Meninos». Na medida do possível, nas "partilhas", os filhos não devem ser vítimas e muito menos réus. E já agora, sobre estas histórias" em torno de casas, não posso deixar de perguntar te, por uma questão de equidade, razoabilidade e justeza mútuas: porque hão de sair o Pelágio Que Vive na Lua e a Natasha da minha casa que sempre foi a deles apesar do divórcio da Maria Papoila para te sentires á vontade comigo e porque não saiem os teus filhos e o teu ex marido da tua para que possamos "viver felizes" nos braços um do outro? Afinal o "teu" pessoal ainda tem a casa da Baixela de Pechisbeque, enquanto o Pelágio Que Vive na Lua e a Natasha não têm outra casa, agora que a mãe deles faleceu! Porque hão de o Pelágio Que Vive na Lua e a Natasha "desgrudar" do pai deles, como "exiges", indo para casa do Diabo Mais Velho para que estejas á vontade comigo, e não "descolas" dos teus "miúdos" que afinal já são uns homenzinhos, com voz grossa e pelo na barba?

5 - Afinal que é que impede e proíbe a nossa convivência!? Que direito tem ele de agredir o pai, ofender a mãe e tentar expulsar te ou impedir o teu acesso a uma casa que não é dele? A uma casa que é do Jodá porque te aconselhei e te "forcei" os passos que deverias dar para que vocês não viessem a ficar sem ela! Que direito têm os teus filhos de fazerem "chantagem" contigo para que continues a ser a "criada" deles (e do teu ex marido), para que possam gozar os seus tempos livres despreocupadamente, com as namoradas, em passeatas ou jantaradas? Há nesta história toda qualquer bola que não bate certa.

6 - Aliás a Natasha tem apenas 20 anos, tem sido sempre boa ou razoável aluna e ainda não reprovou.

7 - Como sempre disse, não estou minimamente interessado nas guerras por causa dos filhos, como nunca quis entrar nas guerras por causa de mães e sogras. Cada um dos nossos filhos é tão "boa pessoa" como os restantes, embora cada um com suas virtudes, defeitos e maneiras de (re)agir. Ao contrário do que me tens afirmado, não te proíbo nem tenho que proibir a tua convivência com os teus filhos. Acho muito bem que vocês convivam, com amizade e respeito mútuos. Mas o que tem estado em causa é que deixes o meu convívio, como acontece sistematicamente ao sábado - com a desculpa de eventuais clientes que mal te pagam - para ires tratar duma casa onde não vives - eles que arranjem uma mulher a dias - tanto mais quanto eles muitas vezes lá não estão quando lá vais nem deixam de fazer a vida deles e de "andar" com as namoradas. enquanto tu lá estás em "arrumações". Há muitas outras formas mais saudáveis e agradáveis de convivência com eles, da qual aliás sou excluído (por eles e por ti ou por força de situações que não criei nem pelas quais me considero responsável). Aliás, também te digo que se tivesse disponibilidades financeiras preferia entregar as grandes, aborrrecidas e/ou quotidianas limpezas e arrumações domésticas para uma empregada de limpeza remunerada. Afinal, sobrar me ia mais tempo para a convivência com a minha companheira, com os filhos de ambos e outras amizades, ou para outras tarefas mais gratificantes.

8 - É notável como a este respeito e em conversas posteriores comigo consegues "negar" atitudes e conversas que outros presenciaram. É "notável" que aches natural e louvável o assumires as tuas responsabilidades para com os vossos filhos, enquanto censuras ao teu ex-marido que as não tenha assumido e de mim pretendes que as não assuma! Pretendes "censurar" a mãe do Pelágio Que Vive na Lua e a Natasha por se ter voltado a casar (como se as mulheres divorciadas com filhos não pudessem voltar a fazê lo, lá porque o teu pai teria exigido isso á tua mãe antes de falecer) enquanto ao mesmo tempo te vais "lamentando" por não te teres divorciado há mais tempo, o que te teria permitido talvez uma outra vida, mais feliz, com outro homem. Aliás, como já referi, não é verdade que tudo corresse bem entre nós até o Pelágio Que Vive na Lua e a Natasha terem passado a morar definitivamente comigo em resultado do falecimento da mãe deles. E mesmo que a mãe deles fosse viva, a minha casa esteve e estaria sempre aberta para eles, desde que eles optassem livremente. Como presumo a tua casa e disponibilidade estarão e têm estado presentes para com os teus filhos. São muitas vezes as mães que "obrigam" os filhos a escolhê-las, como se o pai fosse apenas um verbo de encher ou pinga dinheiro. Para alguma coisa sou pai e entendo que devo assumir a minha quota parte de responsabilidades. Qualquer das minhas amigas sabe, aceita e tem consciência disso. Como é que sendo tu minha "amiga" há tanto tempo, com quem também falei sobre estas questões, pensaste que contigo seria doutro modo?

9 - É evidente que desde há muito existe um problema teu com algumas mulheres, isto é, com aqueles que "a priori" e muitas vezes sem razão consideras tuas rivais no afecto por alguém cujo afecto e atenção tu não "queres" perder ou ver compartilhado com outrem: no que a mim diz respeito, por vezes com virulência, tem atingido a Natasha, algumas das minhas vizinhas, as minhas amigas, as minhas colegas de trabalho. Isto não é, «Capuchinho Vermelho», base para uma relação saudável.

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ADENDA

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Toda a Série «Entre Adão e Eva» é puro romance inventado e qualquer semelhança com factos ou personagens reais é pura coincidência.

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Victor Nogueira

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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

sábado, 2 de agosto de 2008

Entre Adão e Eva (4)

.Quadro - Dürer, Albrecht Adam and Eve. 1507
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* Victor Nogueira

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Por princípio acredito nas pessoas e dou lhes facilmente e sem reservas a minha amizade, desde que a mereçam. Os alentejanos dizem que primeiro as pessoas têm de provar que merecem a amizade. Fruto talvez da minha costela "tripeira" e vivência angolana, eu entendo que é a vida que prova se as pessoas merecem ou não a continuidade da nossa amizade. (1) Talvez por isso é que a minha é uma casa de portas abertas e janelas escancaradas á chuva, ao sol e ao vento e nela não tenho móveis nem caixas nem portas trancadas ou fechadas à chave. (2)


O que vou escrevendo, ao (es)correr do tempo, vai parecendo mais ou menos pertinente conforme os dias. E algumas passagens em determinado momento (ontem, hoje, amanhã) talvez pareçam ultrapassadas ou sem razão de ser. Mas tal acaba por não ser assim ou porque periodicamente ressurgem ou porque "envenenam" a nossa relação. Daí que as mantenha nesta conversa "escrita" contigo, apesar de no essencial nada disto te ser estranho, por já ter sido objecto de conversas nossas, pessoais e de viva voz.


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ADENDA

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Toda a Série «Entre Adão e Eva» é puro romance inventado e qualquer semelhança com factos ou personagens reais é pura coincidência.

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Victor Nogueira

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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Entre Adão e Eva (3)

Quadro - Dürer, Albrecht Adam and Eve. 1507.
* Victor Nogueira
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Poderia tentar perceber isto tudo bem, como perturbação e poderia tentar por isso compreender e "desculpar"-te, mas apenas como amigo e nunca como amante ou companheiro de vida em comum. Posso tentar perceber muita coisa, mas para tudo há limites. (1)


Não aceito abdicar do meu espírito crítico, não tenho sentimentos exclusivistas e de posse das pessoas, no meu "coração" há lugar para todos, cada um no seu canto e com a dimensão adequada. (2)


Sei o que é uma pessoa gostar imenso doutra, pôr nela a esperança e o futuro, sei o que é "subir ao céu e á lua e cobri-los de estrelas" quando estamos com ou pensamos na pessoa por quem estamos "enamorados", sei quanto custam a (des)ilusão e o (des)encanto, os sentimentos não correspondidos.


Apesar de tudo o que nos tem separado, o tempo e a convivência criaram em nós laços e em mim sentimentos que em vários momentos me têm levado a querer estar contigo, a sentir a tua ausência, porque para além do que nos separa, tens qualidades e aspectos que me aproximam de ti, nos momentos em que parece tudo estar resolvido.


Ao contrário do que me tens dito, sei o que pretendo da vida e dos outros, embora nem sempre alcance o que pretendo. Posso morrer buscando em vão a liberdade, a paz e a serenidade. Mas não aceito a paz e a serenidade dos cemitérios, porque a procuro na Vida com os outros, em sociedade. E sei que amando embora os outros, "amo (também) a liberdade, mesmo que ela seja um punhal cravado no meu peito". E não posso nem tens deixado que ambos compartilhemos a nossa vida, porque temos da Vida concepções diferentes. (3)

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1 - Tens uma maneira distorcida de te ajustares a certas situações, que em meu entender tem a ver com as condições em que se formou a tua personalidade. Em vez de procurares quem te dê os amens e toda a razão, deverias procurar quem te ajudasse a perceber e a ultrapassares o modo com (re)ages, "martirizando" os outros. Mas neste campo, não tenho competência para mudar as "coisas", porque para tu te afirmares teria eu de me negar.

2 - E por isso não adoro quem quer que seja - homem ou mulher, pai ou mãe, filho ou filha, amizades ou amante e companheira. A adoração e a paixão são intolerantes e cegas e nada têm a ver com a razão, o entendimento e a compreensão das pessoas, das coisas, dos sentimentos, das relações humanas e sociais. O que não significa que a minha amizade ou o meu amor não sejam valiosos.

3 - Acho que a amizade é mais serena e compreensiva do que o amor. E o amor (ou a paixão) podem surgir repentinamente, e terem a duração dum fogacho ou dum tempo de verão. Mas também o amor pode surgir aos poucos, hoje por causa duma palavra, amanhã por causa dum sorriso, depois devido a um gesto de carinho ou ajuda. Mas o amor e a amizade, menos este que aquele, não existem por si só para todo sempre, antes têm de ser (re)conquistados no dia a dia.

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ADENDA

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Toda a Série «Entre Adão e Eva» é puro romance inventado e qualquer semelhança com factos ou personagens reais é pura coincidência.

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Victor Nogueira

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segunda-feira, 14 de julho de 2008

Entre Adão e Eva (1)


* Victor Nogueira
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................As pessoas andam juntas - isto é, namoram‑se - para se conhecerem mutuamente, para verem se há ajustamento nas suas maneiras de ser, na sua mundividência, no seu relacionamento entre si e com os outros, se há comunhão de interesses e de gostos. E as "coisas" dão ou não dão. Para isso serve o "namoro" ([1]).



E quando os namoros acabam, podem finalizar de modo civilizado, podem as pessoas permanecer amigas, sem cenas lancinantes e acusações do tipo "ai o tempo que perdi contigo", "ai os homens (ou mulheres), que malandros!" ou “ai as oportunidades que deixei de "agarrar" e que me poderiam ter dado mais felicidade, amor e compreensão!" etc., etc., etc.







[1] - Creio que é muito difícil encontrarmos alguém que corresponda inteiramente áquilo que desejamos. Cada uma das pessoas que nos surge na vida tem aspectos que nos atraiem com maior ou menor intensidade ou que nos afastam. E cada um destes aspectos assumirá maior ou menor importância conforme o nível das nossas aspirações, conforme o nível do relacionamento pretendido. Exigimos diferentemente conforme se trata do contacto ocasional, do vizinho, do colega de trabalho, do amigo, do camarada de partido ou do sindicato. Obviamente exigimos muito mais daquele que é ou será o nosso companheiro de vida, perante o qual se procura não ter máscaras ou disfarces O que não significa que cada um de nós não tenha direito á sua reserva de intimidade, que terá a liberdade de expor e compartilhar ou não.




Lisboa e Setúbal, 1997 - Janeiro 09 / Fevereiro 17


Quadro - Dürer, Albrecht Adam and Eve. 1507


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terça-feira, 24 de junho de 2008

Vida e Morte duma Cosina 1000 S (reflex)

Mindelo - Fotografando Joana Princesa - Foto de Susana Silva

Cascais - Auto-Retrato espelhado numa montra

Vilar de Mouros - Foto Fátima Pereira
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* Victor Nogueira
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* Victor Nogueira
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1 - Neste local ermo [Lourinhã] , já com a noite adiantada, apanhamos um valente susto. Ao contornar a igreja gótica, no local do destruído castelo, encontramos uma motocicleta estacionada, mas prosseguindo, afoitamente, chegamos à fachada principal, que não tivemos tempo de admirar e fotografar, pois alguém assomou e gritou por entre a escuridão dos arbustos do jardim vizinho; resolvemos abreviar a visita e procurar local menos isolado, incomodados pelos passos rápidos que se aproximam cada vez mais até que surge um jovem de capacete na mão, olhar esgazeado e fixo, dirigindo-se-nos sem responder às minhas interpelações, sempre direito a nós, sem que eu encontrasse no chão algo que permitisse usar em nossa defesa.
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No chão nada que me pudesse servir de «arma». Perdidos por cem, perdidos por mil, utilizei a táctica de que a melhor defesa é o ataque pelo que, fazendo das tripas coração, me voltei para ele olhos nos olhos e voz áspera e perguntei: «Que queres, pá?!»
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Tratava se afinal dum surdo mudo, que pareceu querer falar-nos das obras na igreja, onde seria operário, cuja conversa procurei abreviar pois poderia apenas estar a entreter-nos até aparecer mais alguém. Conseguimos largá-lo e ele foi noutra direcção interpelando alguém mais para além, invisível no fundo duma rua deserta e mal iluminada, o que em nada contribuiu para aumentar o nosso sossego.
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Estugámos o passo, descemos a escadaria rumo ao grupo de jovens à porta da discoteca ao lado da antiga Misericórdia, ouvimos uma motorizada aproximar-se, alcançamos os jovens e a motorizada passa por nós, pára e o jovem mudo faz grandes gestos de alegria por encontrar-nos e segue viagem rumo ao largo lá mais abaixo. Não ganhámos para o susto! Mas resolvi voltar à igreja, para admirá-la, desta feita de carro, mas nem parei quando lá encontrámos dois ou três carros despejados dos seus ocupantes, rapazes de mau aspecto àquela hora tardia e solitária, pelo que seguimos viagem sem abrandar, não fosse aquele isolado local de prostituição e tráfico de droga!


Nota a 2008.06.24 – Naquela altura tinha uma óptima reflex, daquelas antigas e pesadas. Resguardada no estojo. O meu «amor» pela máquina, que me fora oferecida pelo meu irmão entretanto já falecido, era tal que nem me lembrei que se fosse necessário defendermo-nos poderia usá-la como aríete: deixaria a cara do rapaz em mau estado e a máquina destruída.
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Doutra vez, altas horas da madrugada, dessa vez deambulando por Valença do Minho, sem companhia, as ruas desertas, ao procurar completamente alheio o melhor ângulo para uma foto, caí desamparado e a minha preocupação, acrobática, foi salvar a máquina. Bati com a face esquerda na áspera e rugosa pedra da calçada, dorido e arranhado, tal como todo o meu lado esquerdo, a manga da camisa esfarrapada. E depois dei por mim a pensar que tinha sido uma grande besta. Poderia ter morrido e ficado ali até alguém me encontrar de manhã. E até a máquina e todo o seu valioso equipamento e acessórios poderiam ter sido roubadas.
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Afinal, apesar destas loucuras, a «reflex» teve uma morte inglória num café no centro da Póvoa de Varzim. Eu, os meus filhos, a Fátima e a minha mãe, de férias, fôramos lanchar a um café e distraidamente, sem olhar, pousei-a no assento duma cadeira ao meu lado e pimba, caiu ao chão e como estava fora do estojo e com a teleobjectiva, ficou completamente desalinhada e sem conserto possível, incapaz de focar correctamente fosse o que fosse a partir daí. Sabem pk caiu ao chão e teve aquela morte inglória? - o assento das cadeiras não era quadrangular, como habitual, mas triangular (xico-modernice)
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Mas era uma grande máquina; dáva-nos liberdade de comando, obrigava a conhecer as regras para saber se e quando as teríamos em conta, se faltassem as pilhas tudo podia ser feito manualmente e obrigava-me a uma grande disciplina nos enquadramentos, na cuidada escolha de ângulos, na previsão mental do resultado final e numa eventual ampliação, ainda mais cara, das que distinguisse ..... Só depois da revelação poderia saber o que ficara bom ou não e as cópias eram caras. Mas a percentagem de fotos positivas era bastante alta.
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Naquela altura revelava as fotos numa casa em Setúbal e a empregada, ainda hoje minha amiga, desde há uns 30 anos, dizia-me que cada cópia normal ficava ao patrão por cerca de cinco escudos, todos os custos incluídos, e era vendida ao público salvo erro a sessenta. Bem as ampliações, essas davam um lucro muito maior.
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