* Victor Nogueira
26 de maio de 2015
Foto victor nogueira - Sintra - São 3 as janelas gradeadas com vista soalheira e verdejante, num amplo salão, que me dizem ter sido a cadeia de Sintra, talvez em tempos medievos, atendendo a um arco ogival cuja vetustez não garanto, perto das Escadinhas de Lord Byron (o poeta romântico), e do hotel Lawrence (fundado em 1764) - não o das Arábias e dos "Sete Pilares da Sabedoria", livro cuja leitura vivamente aconselho, onde o deserto surge cheio de vida e diversidade paisagística, nada tendo a ver com o do célebre filme de David Lean interpretado por Peter O´Toole.
Hoje o que teria sido a cadeia é um local coberto e mal amanhado para estacionamento não de cavalgaduras mas sim de automóveis, através dum estreito acesso, em ruas sinuosas e de calçada irregular, polida pelos passeantes. Se cadeia foi e se as vistas de então fossem semelhantes às de hoje, não teria o ar soturno e sombrio de outras enxovias, como as do Limoeiro, em Lisboa, ou daquela no Porto em que estiveram presos Camilo Castelo Branco e Ana Plácido, estes cada um para sua banda porque para escãndalo já chegavam os seus adúlteros amores e as tragédias do "Amor de Perdição".
Há muitas décadas que não ia a Sintra de comboio e a estação cheia de barreiras para controle de blhetes dos passageiros já não é o que era. Mas adelante.
Pela vila e na encosta do Castelo dos Mouros acima - que me faz lembrar Coimbra em torno da Sé Velha e da Calçada do Quebra-Costas - pelas estreitas ruas ou pelo amplo largo do Palácio da Vila, acotovelam-se turistas, incluindo brasileiros com seu falar cantante. Num banco um jovem alegre e risonho, colorido nas suas vestes e pele como se fosse uma estátua de bronze, toca viola e amealha uns cobres deixando-se fotografar junto às turistas.
Entramos na Igreja de S. Martinho, templo medieval completamente derrubado pelo terramoto de 1755 e muito descaracterizado. Insólito: pelos bancos algumas pessoas sentadas e duas delas embrenhadas em ver talvez vídeos em tablets ou smartphones. Uma placa publicita um Museu de Arte Sacra que não vislumbramos nem nos afadigamos a procurá-lo.
Voltando à "prisão" cuja janela ilustra este post, lembro-me do casarão duma amiga numa vila alentejana (Sousel), remontando aos tempos do senhor D. Manuel I, embora as janelas deste não tivessem grades mas sim uns banquinhos de pedra de cada lado, adossados à parede, para as damas outrora apreciarem o movimento da ruas, talvez bordando e cavaqueando entre si, resguardadas embora e possivelmente por detrás das janelas com adufas, como aquelas que ainda existem no Algarve, sobretudo em Tavira, e que foram preservadas nos balcões duma das ruas do centro histórico de Braga.
E se pachorra houver para ler, aqui se fala duma outra cadeia, a de Arraiolos, nos idos de 1973. -
Na cadeia e no tribunal de Arraiolos
Esta foto pertence à antiga cadeia de Sintra, perto das Escadinhas de Lord Byron (o poeta romântico), e do hotel Lawrence?
«Sim, precisamente. Esta foto mostra uma das janelas com fortes grades de ferro da ruína da antiga Cadeia Comarcã de Sintra (também historicamente referida como Cadeia Velha).
O edifício em ruínas situa-se precisamente na encosta arborizada junto ao centro histórico, muito próximo das Escadinhas de Lord Byron e a escassos metros do mítico Lawrence's Hotel (o hotel mais antigo da Península Ibérica, onde o poeta britânico e também Eça de Queirós se hospedaram).
As grades de ferro nas janelas rasgadas na pedra, rodeadas pela densa vegetação da Serra de Sintra, são uma marca muito caraterística desse local, evocando o passado prisional daquela estrutura em pleno coração da paisagem romântica.» (Google Gemini 2028 05 26)

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